O silêncio dos culpados

“Acostuma-te à lama que te espera!

O Homem, que, nesta terra miserável,

Mora, entre feras, sente inevitável necessidade de também ser fera.”

Augusto dos Anjos, Versos Íntimos

Sempre tive muita dificuldade de conviver com pessoas ridículas. Em regra, o ridículo não consegue se imaginar como tal e causa enorme constrangimento a todos. É o que chamamos de vergonha alheia quando nos deparamos com situações trágicas de tão embaraçosas.

Existem pessoas que não conseguem aguentar a convivência com os ignorantes; outras abominam a burrice e desprezam a prepotência. Para mim, ser ridículo é ser um pouco da fusão de todas essas “qualidades”.

Imagine que, no atual momento, o mundo inteiro está discutindo a melhor maneira de enfrentar a crise sanitária. Em todos os cantos e recantos do mundo, há uma corrente de solidariedade e compaixão com os infectados. Uma real força que emana da quase totalidade das pessoas no sentido de acompanhar o implemento das vacinas, de torcer pela queda do número de infectados, de manter um pensamento contra a dor, contra a solidão, contra o desespero da doença.

Enquanto me recolho para levar um pensamento positivo contra a angústia dos que sofrem, contra o medo natural que toma conta dos que percebem a gravidade da doença, consigo acompanhar a emoção natural de quem conseguiu se vacinar. Principalmente num país onde o Presidente da República optou por não comprar a vacina e investir na morte, por desprezar a ciência.

Pensamentos contraditórios ficam cada vez mais evidenciados: temos os que prezam e lutam pela vida, respeitam as normas que são ditadas pela medicina e os negacionistas, que pregam o culto à morte, ao sadismo. Contra os fascistas, que desconhecem a empatia e a solidariedade, vamos aos poucos nos posicionando e cortando as relações, mostrando nosso desprezo. A postura de enfrentamento das atitudes canalhas faz de nós pessoas com maior comprometimento à dor, seja nossa ou do próximo.

Mas eis que surge aquele que não tem noção do ridículo, num país onde o luxo maior é conseguir ser imunizado, pois o descaso criminoso do Presidente da República faz com que faltem vacina, oxigênio e insumos. Onde a política assassina optou, numa decisão medíocre e criminosa, por não permitir a compra das imunizantes. Onde, pelo que se sabe até agora, por ordem direta do irresponsável que ocupa a cadeira de Presidente, o governo deixou de comprar, várias vezes, lotes de milhões de doses que foram oferecidas pelas empresas.

O caos é tamanho que foi necessário o STF, prestigiando o direito constitucional das minorias, determinar a abertura de uma CPI no Senado Federal para acompanhar a tragédia causada pela Covid. O enredo, se levado a sério, terminará com a destituição e prisão dos responsáveis.

E aí, no meio de todo esse inferno, um general da ativa, Ministro da Casa Civil, numa reunião do Conselho da Saúde Suplementar, sem saber que estava sendo gravado, confessa para diversas autoridades que tomou a vacina escondido do Presidente da República.

É muito ridículo! É triste! É a cara desse governo. Um general com medo de um capitão se escondendo de um gesto que deveria servir como exemplo. Não é o ridículo em si que nos deprime, é o simbolismo desse gesto. Um governo de pessoas que não se dão ao respeito. De adultos que precisam se esconder como crianças. Que deveriam dar o exemplo, talvez um dos poucos gestos dignos desse governo que cultua a morte: o ato de vacinar. Ao invés de exaltarem a imunização, que significa vida, têm que se esconder, envergonhados, pois senão contrariam o chefe.

Um gesto simples que representa a dimensão do fracasso humano do governo, do pântano moral no combate ao vírus. Isso representa a medida do comprometimento dos membros do alto escalão com uma política de combate à crise sanitária, do grau de preocupação real com os quase 400 mil mortos que não conseguiram ser vacinados. O exemplo de um governo que não se assume. Uma tristeza ver a envergadura dos que são responsáveis pelo enfrentamento da tragédia que se abate sobre os brasileiros.

Cada gesto covarde de não confrontar significa um apoio à política negacionista. Cada omissão, um número maior de vítimas. Vítimas da falta de solidariedade, de atitude, de gestos inequívocos. A falta de ar que tira a capacidade de resistir do brasileiro que não teve a oportunidade de vacinar e busca, desesperadamente, acesso aos hospitais, ao oxigênio é, também, fruto da falta de coragem e de vergonha de quem não tem, sequer, noção do ridículo.

Bons tempos em que a poesia, na pessoa de Pessoa, nos dava outra hipótese de sermos ridículos no poema:

“Todas as cartas de amor são ridículas.

Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.

Mas, afinal,

Só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor, é que são ridículas.”

Antônio Carlos de Almeida Castro,

Kakay

Último segundo.

Mainardi, Bosolnaro, Moro e Olavo de Carvalho se merecem

Nunca o grande Manoel de Barros foi tão lembrado por mim como no “debate” ontem: “Só uso as palavras para compor meus silêncios.”
Não serei eu, em nenhuma circunstância, que irei censurar a fala de um “humorista” – como o Mainardi – que abusou do direito de ser indelicado e agressivo no programa. Ele merece meu mais profundo desprezo. No final , ele se mirou em um de seus ídolos, o tal Olavo de Carvalho, e me agrediu verbalmente. Durante todo o programa, ficava reclamando, mas sem conseguir se manifestar de maneira clara e com um raciocínio lógico. Talvez ele precise de tratamento para superar a queda e a desmoralização dos seus ídolos, como insinuou o Haddad quando foi ao programa, ou talvez seja mesmo só essa figura patética e decadente. O Brasil é um país triste hoje em dia por ter um presidente do nível do Bolsonaro. O tal Diogo finge que é um crítico do Bolsonaro, mas são pessoas do mesmo naipe. Ele, Olavo, Moro e Bolsonaro se merecem. Eu fico com o grande Mário Quintana:
“Eles passarão, eu passarinho”

KAKAY

Vacina contra Covid-19 em Natal: veja quem pode ser vacinado hoje e o que fazer

A Prefeitura de Natal começou a vacinação contra a Covid-19 em 20 de janeiro e vem ampliando o público-alvo conforme chegam novas doses. Veja quem pode ser vacinado atualmente.

Primeira dose

O governo do estado do Rio Grande do Norte lançou a plataforma RN Mais Vacina para os candidatos à vacinação fazerem um pré-cadastro e agilizar a campanha de imunização.

De acordo com o governo do estado, o pré-cadastro não é um agendamento, mas vai garantir um atendimento mais rápido nos locais de vacinação e evitar a formação de aglomerações.

Quem não fizer o pré-cadastro também será vacinado após a realização do cadastro completo presencialmente na unidade de vacinação.

Para quem for receber a segunda dose, a Secretaria Municipal de Saúde reforça a importância de as pessoas observarem o cartão de vacinação, onde constam informações importantes como o tipo da vacina, data em que receberam a dose e previsão do reforço (a segunda dose).

DISTRITO SANITÁRIO NORTE I

  • UBS Pajuçara: Rua Maracaí, S/N, Conjunto Pajuçara
  • USF Nova Natal : Rua Do Pastoril, Nova Natal, Lagoa Azul
  • USF Redinha: Rua Do Campo, S/N , Redinha
  • USF Nordelândia: Rua José Da Silva, S/N, Lagoa Azul
  • USF Gramoré: Avenida Guaratinguetá S/N, Lagoa Azul
  • USF Parque Das Dunas: Avenida Mar Mediterrâneo, N° 101,Conjunto Parque Das Dunas, Pajuçara
  • USF Pompeia: Rua Oceano Atlânticos, N° 172, Nova República, Pajuçara

DISTRITO NORTE II

DISTRITO SUL

DISTRITO LESTE

DISTRITO OESTE

G1 RN.

58% dos beneficiários do auxílio emergencial desaprovam governo Bolsonaro

Sérgio Lima/Poder360 12.01.2021

Pesquisa PoderData realizada de 2ª a 4ª feira desta semana (26-28.abr.2021) mostra que o governo do presidente Jair Bolsonaro é desaprovado por 58% dos brasileiros que receberam o auxílio emergencial em 2020. Outros 30% desse grupo aprovam a gestão federal, e 12% não souberam responder a pergunta.

Os números variaram dentro da margem de erro do estudo –de 2 pontos percentuais para mais ou para menos– e indicam estabilidade quando comparados aos resultados registrados 15 dias antes. Foram feitas 2.500 entrevistas em 482 municípios nas 27 unidades da Federação.

As taxas observadas nesse estrato (de beneficiários do auxílio) são próximas às da avaliação geral do governo (57% de desaprovação e 35% de aprovação).

A nova rodada do auxílio emergencial começou a ser paga em 6 de abril, para mitigar os efeitos da pandemia de covid-19 entre os brasileiros mais pobres. Em 2020, foram 9 parcelas, de R$ 600 e de R$ 300. Em 2021, o governo decidiu estender o benefício em mais 4 partes, com menor valor, –de R$ 150 a R$ 375– a 45,6 milhões de pessoas.

PoderData mostrou que, no início de abril, 82% da população achava “muito baixo” o valor do novo benefício (em média, R$ 250).

Esta pesquisa foi realizada no período de 26 a 28 de abril de 2021 pelo PoderData, a divisão de estudos estatísticos do Poder360. A divulgação do levantamento é feita em parceria editorial com o Grupo Bandeirantes.

Foram 2.500 entrevistas em 482 municípios nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. Saiba mais sobre a metodologia lendo este texto.

Para chegar a 2.500 entrevistas que preencham proporcionalmente (conforme aparecem na sociedade) os grupos por sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica, o PoderData faz dezenas de milhares de telefonemas. Muitas vezes, mais de 100 mil ligações até que sejam encontrados os entrevistados que representem de forma fiel o conjunto da população.

AVALIAÇÃO ENTRE NÃO-BENEFICIÁRIOS

Esta rodada do PoderData mostra um certo equilíbrio entre o humor dos que receberam e dos que não receberam o auxílio em 2020. São 58% e 57% de desaprovação, respectivamente.

A aprovação é levemente maior entre os não-beneficiários (38%) do que no grupo que recebeu o dinheiro (30%). Na avaliação geral, a taxa é de 35%.

AUXÍLIO X AVALIAÇÃO DO TRABALHO DE BOLSONARO

PoderData também pergunta o que os entrevistados acham do trabalho pessoal do presidente: bom/ótimo, regular ou ruim/péssimo. Com esses dados computados, o estudo separa os resultados em 2 grupos: beneficiários e não-beneficiários do auxílio emergencial.

A rejeição ao desempenho pessoal de Bolsonaro é levemente menor no grupo que recebeu o coronavoucher: 47%, ante 51% na população geral. Entre os que não receberam, a taxa é de 55%. A aprovação é de 26% em todos os estratos.

QUANTO CUSTOU O AUXÍLIO

As 9 parcelas do auxílio emergencial em 2020 custaram R$ 294,7 bilhões, cerca de 4% do PIB (Produto Interno Bruto).

O benefício chegou diretamente a 68,2 milhões de pessoas, o que representa 32,2% da população e cerca de 40% das residências do país.

Chamado de coronavoucher por alguns integrantes do governo, o estipêndio foi financiado por meio da emissão da dívida pública, que atingiu R$ 5 trilhões em 2020. O estoque do passivo brasileiro atingiu o nível recorde de 89,3% do PIB.

Do total de beneficiários do auxílio, 19,5 milhões já recebiam Bolsa Família. Outros 10,5 milhões estavam inscritos no cadastro único. Já 38,2 milhões, os

chamados de “invisíveis”, tiveram que fazer um cadastro pelo aplicativo da Caixa ou no site para terem o direito ao benefício reconhecido pelo governo.

PODERDATA

Leia mais sobre a pesquisa PoderData:

O conteúdo do PoderData pode ser lido nas redes sociais, onde são compartilhados os infográficos e as notícias. Siga os perfis da divisão de pesquisas do Poder360 no Twitter, no Facebook, no Instagram e no LinkedIn.

PESQUISAS MAIS FREQUENTES

PoderData é a única empresa de pesquisas no Brasil que vai a campo a cada 15 dias desde abril de 2020. Tem coletado um minucioso acervo de dados sobre como o brasileiro está reagindo à pandemia de coronavírus.

Num ambiente em que a política vive em tempo real por causa da força da internet e das redes sociais, a conjuntura muda com muita velocidade. No passado, na era analógica, já era recomendado fazer pesquisas com frequência para analisar a aprovação ou desaprovação de algum governo. Agora, no século 21, passou a ser vital a repetição regular de estudos de opinião.

Poder 360.

Anvisa agiu por “precaução” ao negar importação da Sputnik V, diz gerente geral

O gerente geral de medicamentos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Gustavo Mendes, afirmou nessa 4ª feira (28.abr.2021) que a decisão de negar permissão de importação da vacina Sputnik V foi pelo “princípio da precaução”. Ele avalia que a fabricante do imunizante pode seguir dois caminhos para conseguir a aprovação.

A diretoria do órgão se reuniu na 2ª feira (26.abr) e decidiu por não aceitar os pedidos de 10 Estados para a compra e uso emergencial do imunizante russo. Todos os 5 diretores votaram em favor de barrar a Sputnik V.

A vacina tem potencial de gerar um adenovírus geneticamente modificado, o qual não conhecemos suas reações no corpo humano e nem seus potenciais riscos”, disse Mendes à CNN Brasil nessa 4ª feira (28.abr).

“Analisamos dados que recebemos da Rússia e não vimos estudos que mostrem a segurança da vacina. O princípio da precaução foi o que nos levou a não recomendar.

A Sputnik V tem como vetor o adenovírus –usado como transporte do material genético do coronavírus. A presença desse material genético fará com que o sistema imunológico humano combata e neutralize a infecção, criando anticorpos.

O adenovírus é manipulado para não se replicar dentro do corpo. Os técnicos da Anvisa encontraram adenovírus replicantes em todos os lotes da Sputnik V submetidos ao controle de qualidade da agência.

Depois da reunião que barrou a importação, Mendes declarou que não foram apresentados estudos sobre como o adenovírus replicante se comportaria dentro do corpo humano e que tipos de danos poderia causar.

A Anvisa também enfrentou dificuldades para avaliar as fábricas onde o imunizante é produzido. A agência tentou obter relatórios de inspeção de outras agências regulatórias, mas os documentos não contemplavam todos os pontos necessário para a análise do órgão brasileiro.

À CNN, o gerente geral afirmou que a decisão é técnica e não foi tomada por pressão política.

Kirill Dmitriev, presidente do RDIF (Fundo Russo de Investimento Direto) responsável pela produção e distribuição da vacina Sputnik V, disse na 3ª feira (27.abr) que a única justificativa para a decisão é “pressão política”.

Acreditamos que a única motivação verdadeira para a decisão da Anvisa é a pressão política”, afirmou. Dmitriev se referiu à admissão do governo dos Estados Unidos de ter pressionado o Brasil contra a compra da Sputnik V. “Gostaria de dar parabéns ao governo norte-americano, porque o objetivo deles provavelmente se concretizou agora”, disse.

Em nota à imprensa, o RDIF apresentou dados de estudos clínicos que indicam que a Sputnik V é 97,6% eficaz contra o coronavírus. Eis a íntegra (374 KB), em português.

O RDIF afirmou ainda que outras agências reguladoras de 62 países já aprovaram a Sputnik V.

Nós não inviabilizamos a vacina”, falou Mendes nessa 4ª (28.abr). “Uma solução para a empresa, além de provar a segurança desse vírus replicante, seria mudar o processo de fabricação de vírus. Então são duas estratégias que a empresa pode tomar para viabilizar essa vacina.

Até o momento, 14 Estados e 2 municípios pediram autorização para importar e comprar a Sputnik V, ainda que a vacina não tenha uso autorização emergencial no país.

O prazo de 10 pedidos estava no limite. A reunião de 2ª feira (26.abr), que culminou na recusa ao pedido de importação, avaliou os pedidos de Acre, Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia e Sergipe.

As demais solicitações (de Alagoas, Amapá, Pará e Tocantins, além das cidades Maricá e Niterói) serão avaliadas dentro do prazo –e podem ter um desfecho diferente, caso novos dados sejam apresentados.

Poder 360.