
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte, em ação conjunta com a Polícia Civil de Mato Grosso, cumpriu na sexta-feira (26) um mandado de prisão definitiva contra um homem de 69 anos condenado a 21 anos de reclusão pelo caso conhecido como “Tragédia do Baldo”, ocorrido em Natal em 1984.
A captura foi realizada no âmbito da Operação Resgate, após investigações que localizaram o foragido no estado de Mato Grosso, onde ele vivia há décadas.
O crime ocorreu na madrugada de 25 de fevereiro de 1984, durante o período carnavalesco em Natal. De acordo com as investigações, o homem conduzia um ônibus quando perdeu o controle do veículo na região do Baldo e atingiu integrantes de uma banda de música e foliões que participavam de um bloco carnavalesco.
O acidente resultou na morte de 19 pessoas e deixou outras 12 feridas, sendo considerado um dos episódios mais graves da história do Rio Grande do Norte. Após o fato, o motorista fugiu e permaneceu foragido por mais de 40 anos.
Segundo a Polícia Civil, as diligências para localização do condenado começaram a partir da única fotografia disponível do investigado, registrada à época do crime. As apurações indicaram ainda que ele passou a utilizar identidade de terceiros ao longo dos anos, o que dificultou sua localização.
As investigações apontam que, em 1995, ele chegou a emitir um documento de identidade com dados verdadeiros no estado de Mato Grosso. Já em 1996, após a morte de um homem em Natal, passou a utilizar a identidade dessa pessoa falecida. Em 2021, ele teria utilizado esse documento para renovar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e seguir exercendo atividades como motorista.
A identificação foi confirmada por meio de cruzamento de dados cadastrais, análises documentais e comparação facial realizada pelas equipes de investigação.
Após ser localizado, o homem foi encontrado inicialmente no local de trabalho, mas não estava presente. Em seguida, os policiais foram até a residência dele, onde ele inicialmente apresentou identidade falsa, mas acabou confessando sua verdadeira identidade após ser confrontado com as informações levantadas.
Ele foi conduzido à delegacia e, posteriormente, encaminhado ao sistema prisional, onde cumprirá a pena definitiva de 21 anos de reclusão em regime fechado.
Relembre o caso
O acidente envolvendo o bloco carnavalesco Puxa-Saco, em 25 de fevereiro de 1984, ainda é considerado um dos episódios mais marcantes da história do Carnaval de Natal. O episódio ocorreu durante a madrugada, quando o veículo conduzido por Aluísio Farias Batista seguia com passageiros ligados a agremiações carnavalescas.
Segundo reconstrução dos fatos, houve colisão com um Fusca estacionado antes de o ônibus sair do controle e avançar contra o grupo que participava do desfile.
O carnavalesco Dickson Medeiros, diretor do bloco na época do crime, relatou que o grupo vivia um momento de expansão e que naquela ano de 1984 seria a primeira vez que o bloco de rua sairia com maior estrutura pela cidade. Ele também atribuiu o acidente a fatores como falhas no percurso, incluindo falta de iluminação e de policiamento.
O advogado e sobrevivente Murilo Barros Júnior descreveu o momento do impacto durante a apresentação da banda, afirmando que a colisão ocorreu de forma repentina, deixando feridos no trajeto do bloco.
A investigação reconstituída à época também apontou que o motorista havia sido escalado para realizar o transporte de integrantes de agremiações carnavalescas naquela noite, após orientação da empresa onde trabalhava. Testemunhas relataram ainda que ele demonstrou irritação antes do acidente, durante o deslocamento.
Tribuna do Norte














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