A Solenidade de “Corpus Christi”

Padre João Medeiros Filho

Na próxima quinta-feira, celebrar-se-á a festividade do Corpo de Cristo, “o Pão vivo que desceu do céu” (Jo 6, 51), o alimento espiritual que nos une e fortalece. A festa foi instituída pelo Papa Urbano IV no dia 8 de setembro de 1264, com o objetivo de proclamar a grandeza da Eucaristia. Por esse augusto sacramento Jesus quis permanecer junto de seus irmãos. “Não vos deixarei órfãos” (Jo 14, 18). A presença de amigos é fundamental na existência humana. Ninguém gosta de caminhar sozinho. Na trajetória, o diálogo é de suma importância. Por isso, Cristo legou-nos esse memorial, manifestação de sua constante companhia. Não queria que padecêssemos de solidão. Por isso, fez-se Pão e Permanência. Na Eucaristia comungamos o Corpo e o Sangue do Senhor, sua humanidade e divindade, de forma mística.

A vida que Deus-Pai idealizou para cada um de nós é fortalecida com o Pão Celeste, preparado para os seus filhos. A Eucaristia é antecipação da Eternidade, do imenso banquete e encontro da família de Deus. Este deseja que possamos antegozar o definitivo de nossa história, o abraço incessante do Criador com as criaturas. No sacrossanto mistério eucarístico temos Deus em Jesus atenuando as saudades de nossas origens.

Segundo a doutrina católica, além de recebermos o Corpo e Sangue de Cristo, entramos também em comunhão com sua doutrina e mensagem. Não existe um Cristo dividido ou separado. Comunga quem está disposto igualmente a alimentar-se do Evangelho de Jesus, a viver a verdade, justiça, liberdade, perdão e amor. O Brasil, que se diz cristão, ainda está bem distante dessa realidade. Recebendo Cristo, não podemos aceitar o que Ele condenou: discriminação, mentira, miséria, indiferença, egoísmo, abandono de inocentes, idosos e doentes, radicalismo e ódio. Junto com o sacrifício da cruz, a comunhão é o gesto supremo de amor de nosso Salvador. Este convida-nos a partilhar nossa vida. Eis um dos simbolismos do partir o Pão (“fractio panis”) na missa.

A Eucaristia é o sacramento da unidade. Cristo reuniu em seu corpo, gerado no seio de Maria, a humanidade inteira. Desta forma, comungar é também se unir a todos aqueles que aceitam e vivem o pensamento do Mestre. A Eucaristia é o Pão da unidade e verdadeira igualdade. Cristo revela-se como irmão de todos: santos e pecadores, pequenos e grandes, fortes e fracos. No sacramento eucarístico Cristo dá-nos a certeza de que “Deus não faz distinção de pessoas.” (Rm 2, 21). A comunhão que recebe o Papa é a mesma destinada aos simples fiéis. A Eucaristia é a certeza permanente da solidariedade de um Deus, do amor e da ternura de um Pai.

O mistério eucarístico é Deus nos dizendo: eu amo todos, quero alimentá-los, “pois quem comer deste Pão, jamais terá fome” (Jo 6, 35). Na Eucaristia Deus espera por nós. É o abraço divino reservado e antecipado, o beijo carinhoso de um Irmão discreto e bondoso, que vem silenciosamente para dizer que nos ama e perdoa. A Eucaristia é o sacramento da realidade celestial. Num paradoxo é a perenidade no tempo pela encarnação do Filho de Deus Eterno, o qual quis estar unido à humanidade, mostrando que ela tem valor eterno. Não importam nossos pecados e limitações. Deus nos perfilhou por ato de misericórdia e clemência, fruto de sua incomensurável gratuidade. A Eucaristia é a resposta para o Brasil de hoje, desnorteado e dividido, abandonando suas origens e vocação! “À mesa dos mortais Cristo se assentou”, afirma o Hino do XXXVIº Congresso Eucarístico Internacional (RJ). Não se pode esquecer o que disse um sábio e santo que viveu entre nós: “Sem a Eucaristia somos pequenos demais para o Céu. Com ela, demasiadamente grandes para a terra (Cônego Luiz Monte).

Prefeitura de Parnamirim realiza maior Marcha para Jesus do município

A Prefeitura de Parnamirim promoveu no último sábado (30) a maior edição da Marcha para Jesus já realizada na história do município. Mais de 15 mil pessoas participaram do evento, que reuniu cristãos de diversas denominações em um grande momento de adoração, comunhão e oração pelas famílias e por toda a cidade.

Organizada por meio da Secretaria Municipal de Cultura (SEMUC), a programação foi marcada por muita alegria, louvor e demonstração de fé. A concentração contou com apresentações do Forró Som do Reino e do Ministério Rafá, que animaram o público antes do início da caminhada.

Em seguida, os participantes acompanharam a apresentação do cantor Eli Soares no Trio Pranchão, transformando as ruas da cidade em um grande ato de louvor e unidade cristã.

A programação foi encerrada no palco principal com shows das bandas Conexão Vibration, Amor Music e Via Sete, além das cantoras Alice Maciel e Valeska Mayssa, que emocionaram o público com momentos de adoração e celebração.

Assú, paróquia tricentenária

Padre João Medeiros Filho

A Paróquia do Assú foi criada em 1726 por decreto canônico, de Dom José Fialho, sexto bispo de Olinda e oficializado civilmente por alvará régio. É a segunda do Rio Grande do Norte, desmembrada da freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, de Natal. Assú é a célula-mater da evangelização do interior potiguar. Desde a antiguidade, a freguesia tem como orago São João Batista. Esperam-se grandes comemorações por parte da paróquia e da comunidade para celebrar tão relevante data.

Segundo o pesquisador Dr. Gregório Celso Medeiros de Macêdo Silva, “os limites primitivos da Freguesia de São João Batista eram, aproximadamente, a metade do território que hoje corresponde ao RN: Vale do Açu, Regiões Oeste (Alto e Médio-Oeste), Central, Salineira e parte do Seridó.” Da paróquia-mãe do sertão potiguar (Assú) surgiram as seguintes freguesias: Pau dos Ferros (1756), abrangendo todo o Oeste potiguar; Santana do Matos (1821) e Campo Grande (1837). No século XXI, desmembraram-se as freguesias de Carnaubais (2006) e da Beata Lindalva (2010). O renomado historiador potiguar, Lenine Pinto, assegura que “a Freguesia de São João Batista do Assú, iniciava depois da Missão Jesuíta, sediada em Extremoz, terminando na “Tromba do Elefante”. Confrontava-se, ao norte com o Oceano Atlântico, ao sul com a Paraíba, a leste com a paróquia da Apresentação de Natal e a oeste com o Ceará.”

Situada às margens do Rio Açu-Piranhas, Assú teve como primeiros missionários os jesuítas, que catequizaram algumas regiões do Rio Grande do Norte. Tais religiosos são devotos dos Arcanjos, de São João Batista e da Virgem Maria. Fundaram a Missão de Nossa Senhora das Candeias (ligada ao Colégio dos Jesuítas da Paraíba) para evangelizar os povos originários e os colonizadores nas terras potiguares. Estiveram em Arês, cujo patrono é o Precursor de Jesus. De lá, partiram para Extremoz, que tem como orago São Miguel. Foram mais além, fixando-se em local correspondente a Angicos, antes denominado Curral dos Padres. Próximo dali adquiriram uma fazenda, até hoje com o nome de São Miguel. Adentraram para o interior e chegaram a um arraial, às margens do Rio Açu, transmitindo a devoção a São João Batista, tornando-o seu padroeiro. Seguiram o mandamento do Mestre: “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15).

É inegável a influência histórico-cultural, literária e política do Assú. O primeiro Presidente da Assembleia Legislativa do RN foi Padre Francisco de Brito Guerra, posteriormente Senador do Império brasileiro. Era assuense pelo “Jus soli”. Dentre tantos padres parlamentares, oriundos do Assú, pode-se nominar Manuel José Fernandes, Idalino Fernandes de Souza, Luís da Fonseca e Silva, Francisco Teodósio de Seixas Baylon, João Teotônio de Souza e Silva, Manuel Januário Bezerra Cavalcante. Os Padres Idalino Fernandes de Souza e Manoel Gonçalves Soares de Amorim ainda foram eleitos para a Assembleia Legislativa de Pernambuco. Outros presbíteros assuenses exerceram cargos eletivos e executivos em vários municípios.

Não se pode ignorar a presença e o pioneirismo do Assú também nas ciências. Doutor Luiz Carlos Lins Wanderley (1831-1890) é o primeiro médico potiguar, nascido na Vila Nova da Princesa a atuar no estado. Exerceu também as funções de professor do Ateneu e Inspetor da Saúde Pública, em Natal. A Freguesia do Assú é de magna importância para o RN. Não se trata apenas de uma instituição religiosa, o que já seria relevante. Veio a se tornar um celeiro de vocações religiosas e cristãs. O martírio da Bem-aventurada Lindalva é um ícone do testemunho de fé dos assuenses. “Sempre e em toda parte, reconheçamos com gratidão esses benefícios” (At 24, 3).

Com emenda de César Maia, Passagem de Areia recebe Show Louvor das Mães com Padre Nunes

Em clima de fé, homenagem e celebração pelo Dia das Mães, o vereador César Maia promove nesta sexta-feira, 08 de maio, o “Show Louvor das Mães”, com apresentação do Padre Nunes, no ginásio de Passagem de Areia. O evento terá início às 18h e promete reunir famílias da comunidade em uma noite especial de oração, música e confraternização.

A iniciativa acontece durante o mês dedicado à padroeira e foi pensada como um momento de valorização das mães e fortalecimento da fé entre as famílias da região. A programação contará com louvores, mensagens de esperança, homenagens e momentos de emoção voltados ao público presente.

De acordo com César Maia, o evento foi organizado com muito carinho para proporcionar uma noite de espiritualidade e união comunitária. “Será um momento especial para celebrarmos nossas mães, agradecer pelas bênçãos recebidas e fortalecer nossa fé junto às famílias de Passagem de Areia”, destacou o vereador.

O Show Louvor das Mães é aberto ao público e toda a comunidade está convidada a participar. A ação conta com emenda parlamentar do vereador César Maia, reforçando o compromisso com iniciativas voltadas à cultura, fé e valorização das famílias.

Maria Santíssima, maio e mitologia

Padre João Medeiros Filho

Durante o mês de maio, os católicos homenageiam Maria Santíssima, Mãe de Cristo e dos homens. Na primavera europeia, especialmente em maio, mês em que as rosas desabrocham e florescem, quis a Igreja comemorar a beleza da Rosa Mística”, como se recita em uma das invocações da Ladainha de Nossa Senhora, conhecida igualmente por “Ladainha Lauretana”. É justo e merecido esse preito de gratidão à Virgem, a perfeita discípula do Evangelho, modelo dos fiéis e de todas as mães da terra.

Desde a Antiguidade, antes mesmo do nascimento de Cristo, ligava-se maio a uma personagem feminina. Sua denominação deriva de uma homenagem a “Maia”, diva da mitologia greco-romana. Segundo estudiosos, trata-se da mais jovem das sete Plêiades, filhas do titã Atlas e da ninfa Pleione (Vênus). Era mãe de Hermes, mensageiro dos deuses, deidade do renascimento, portanto, associada à primavera, que, no hemisfério norte, atinge o seu esplendor no quinto mês do ano. Mas, antes de existir no calendário organizado por Rômulo, quando da fundação da cidade de Roma (753 A.C), um mês com tal nome, já havia uma ligação desse período anual com um arquétipo feminino. De acordo com astrônomos, a constelação que mais se destaca nas noites desse mês é justamente a de Virgem, com sua brilhante estrela Spica. Esta era invocada como protetora das atividades de jardinagem. Assim, durante tal período, o céu passou a ser associado à figura de uma mulher. Vale salientar que a constelação de Virgem já foi conhecida como “Anna”, a deusa do céu e esposa da divindade suméria Anu. Outrora esteve ligada a Deméter, nume romana da agricultura e a Eva, esposa de Adão, mãe dos viventes, segundo o relato do Gênesis.

Com o advento do cristianismo, uma nova e grandiosa figura feminina destacou-se: Maria Santíssima, a Genitora de Cristo. E assim, a veneração à Mãe do Salvador veio preencher uma lacuna existente no catolicismo, religião até então exclusivamente patriarcal. De acordo com a tradição católica, o fato de Nossa Senhora ser filha de Ana – cujo nome era ligado à constelação de Virgem – contribuiu ainda mais para que houvesse tal associação. Cabe ressaltar que, segundo a teologia católica, Maria é chamada de nova Eva, o que veio reforçar tal analogia. Diga-se, de passagem, que, no Evangelho de Lucas (Lc 1, 28), o anjo Gabriel saúda Maria de Nazaré com a palavra Ave, que é o inverso de Eva.

O calendário romano, atribuído a Rômulo, foi modificado por Júlio César (45 A.C) e reformado pela Bula Papal “Inter gravíssimas”, promulgada em  24 de fevereiro de 1582 pelo Papa Gregório XIII, daí o nome de “calendário gregoriano”. Desde o início, verifica-se no calendário influência da cultura grega, o que se pode inferir dos nomes de alguns meses e dias da semana. Antes das mudanças, o quinto mês do ano era dedicado ao deus Apolo (irmão gêmeo de Ártemis), que recebeu de Hipérion o sol, a lua e a aurora. A lenda conta ainda que Apolo matou uma grande serpente, chamada Píton, que atemorizava o povo. A iconografia católica representa a Virgem Maria (sob o orago de Imaculada Conceição) pisando a cabeça de uma serpente.

Nossa Senhora, ao longo da história, recebeu incontáveis e merecidos títulos de seus devotos, oriundos de diversos países. Alguns exemplos: Nossa Senhora de Fátima, Lourdes, Guadalupe etc. É venerada como a “Rainha dos Céus.” Canta a prece “Ave, Regina Coelorum” (Salve, Rainha dos céus), uma das antífonas rezadas ou cantadas, durante o ano litúrgico, concluindo a oração de Completas na Liturgia das Horas. Na Ladainha de Nossa Senhora há uma invocação, denominando-a “Porta do Céu” (“Janua Coeli”). É justo reverenciar a Genitora de Jesus como: “Face feminina do Divino, “Expressão terrena do Eterno”, nas palavras do saudoso escritor Luiz Paulo Horta. Nossa Senhora é homenageada como “Mulher, espelho de Deus”, no dizer poético de São Boaventura, lembrando que Ela exaltou os pobres e gerou Jesus Cristo. Lembremo-nos de Nossa Senhora como “A Compadecida”, da dramaturgia de Ariano Suassuna; “O mais belo sorriso de Deus”, nas preces de Oswaldo Lamartine; a “Onipotência Suplicante”, na poesia de São Bernardo de Claraval. “Rogai por nós, Santa Mãe de Deus.”

Imagem de Nossa Senhora de Fátima visita Prefeitura de Parnamirim e reúne servidores em momento de fé

Fotografia de: Caroline Torres

A Prefeitura de Parnamirim recebeu, na manhã da última segunda-feira (27), a visita da imagem de Nossa Senhora de Fátima, padroeira do município. O momento especial aconteceu no auditório da sede administrativa, reunindo servidores em uma celebração de Santa Missa marcada por fé, devoção e união.

A visita integra a programação que antecede a festa da padroeira, tradicionalmente celebrada no mês de maio. A iniciativa proporciona aos fiéis a oportunidade de vivenciar momentos de espiritualidade e reflexão, fortalecendo os laços de fé dentro do ambiente de trabalho.

Ana Carla Dantas Assessoria de Comunicação de Parnamirim – ASCOM

27ª edição da Marcha para Jesus já tem data para acontecer em Parnamirim

Reunindo o povo parnamirinense em um único propósito e fé, a Prefeitura de Parnamirim informa que a Marcha para Jesus 2026 já está com data definida para acontecer. No próximo dia 30 de maio, a partir das 15h, o bairro Cohabinal será palco de um grande momento de celebração, que promete reunir fiéis em uma tarde de louvor, adoração e comunhão.

Promovida com o apoio das secretarias municipais de Turismo e Desenvolvimento Urbano (SETUDE) e de Cultura (SEMUC), a Marcha reúne anualmente igrejas, famílias e visitantes, reforçando a importância da fé como instrumento de união e fortalecimento da comunidade.

O evento é gratuito e aberto ao público e, em breve, as atrações que irão compor a programação serão anunciadas.

EVENTO – Marcha para Jesus 2026

Data: 30 de maio

Horário: A partir das 15h

Local: Avenida Castor Viêira Régis – Cohabinal

Dom Sílvio, nosso bispo auxiliar

Padre João Medeiros Filho

No primeiro dia de maio (mês mariano), às nove horas, na Catedral Metropolitana de Natal, sob a égide de São José, que inspirou o seu prenome, Dom José Sílvio de Brito será ordenado bispo, sucessor dos apóstolos. Nasceu, cresceu e continua protegido pela Mãe de Deus. Recebeu o batismo em Cruzeta (RN), seu torrão, cuja padroeira é Nossa Senhora dos Remédios, comunidade católica profundamente devota da Mãe de Cristo. Tal veneração especial é fruto das pregações de Dom José Delgado, criador da paróquia e do testemunho cristão de Dr. Nemésio Palmeira, líder mariano, cheio de amor à Mãe do Senhor. Dom Sílvio une-se a Dom João na proclamação da ternura divina, da face misericordiosa de Cristo e do rosto materno de Maria.

Aos oito anos, Sílvio veio para Natal, conheceu o padre belga Tiago Theisen (seu grande orientador espiritual), apóstolo da Zona Norte, pároco de Santa Maria Mãe. Nesta comunidade, despertou sua vocação sacerdotal. Em 1993, entrou para o Seminário de São Pedro para iniciar a formação eclesiástica. Nossa Senhora acompanha sua vida. Das seis paróquias onde exerceu o sacerdócio, cinco são dedicadas à Virgem Maria. Será bispo da Igreja de Cristo, auxiliando Dom João a apascentar a grei do Senhor neste arcebispado, cuja padroeira é Nossa Senhora da Apresentação, primeira paróquia no Brasil detentora desse orago. É o vigésimo segundo antístite nascido em solo potiguar e o sexto seridoense.

O que é um bispo, indagam os fiéis. Trata-se de um presbítero, ungido na plenitude do sacerdócio como sucessor dos apóstolos. Tem como missão colocar-se a serviço de determinada porção do Povo de Deus. Na colegialidade com o Papa e irmãos do episcopado, deverá manifestar “a solicitude por todas as Igrejas” (2Cor 11,28). Para expressar essa colegialidade, os arcebispos e bispos auxiliares recebem a titularidade de uma diocese inativa, lembrando que são pastores. No presente caso, Dom Sílvio detém o título da diocese de Menefessi, na Tunísia. “Deus não o ungirá para privilégios, mas para o serviço”, afirma Santo Inácio de Antioquia. É deste a frase: “Onde está o bispo, aí está a comunidade. Onde está Cristo, aí está a Igreja católica.” Tem também por missão anunciar a Palavra. Por isso, na sé episcopal há a cátedra, cadeira daquele que ensina e orienta. São Leão Magno aconselhava um ordenando: “Seja santo para rezar, prudente para governar e sábio para ensinar.”

Como deve ser um bispo? A literatura eclesiástica é rica sobre o assunto. Antológica é a frase de Santo Agostinho: “Para vós sou bispo; convosco, sou cristão. Aquele é nome de ofício; o outro, da graça.” Infere-se a necessidade da comunhão e fraternidade. Sua virtude indispensável deve ser a humildade. Na primeira audiência com o Cardeal-Prefeito da Congregação para os Bispos, João Paulo II, perguntado sobre os critérios para a eleição ao episcopado, responde-lhe: “O primeiro é a humildade. Aqueles que querem o poder, nós não os queremos!” O Papa Francisco advertia contra a “burguesia espiritual, a tentação de ser meros executivos do sagrado e clientes ‘vips’ de companhias aéreas.” Os eleitos devem ser homens de oração, anunciadores do Evangelho, semeadores da fé, esperança e alegria.

Dom Sílvio sempre foi um padre humilde. Nunca se ouviu falar que aspirava o poder e a ostentação. Discreto, fraterno, acessível, é um homem da liturgia. Nela encontra a figura de Cristo, “Caminho, Verdade e Vida.” Escolheu por lema episcopal as palavras do Ressuscitado aos apóstolos: “Ite et nuntiate” (“Ide e anunciai.” Mc 16,15). Análoga mensagem foi confiada a Madalena, recomendando-lhe comunicar a Ressurreição aos discípulos. Dom Sílvio se propõe ser um arauto da alegria pascal, ao lado de nosso arcebispo, partilhando deste o carisma de fraternidade, diálogo, caridade e acolhimento. Exímio mestre de cerimônias, Dom Sílvio contribuía para torná-las um encontro vivo com Cristo. Seus acólitos da Zona Norte de Natal perguntavam-lhe carinhosa e inocentemente (em razão das vestes litúrgicas de cerimoniário): “Na Catedral, o senhor vai celebrar ou ser coroinha?” Não imaginavam que a batina violeta que usava seria o prenúncio do episcopado. Senhor bispo, abençoe-nos. Faça sempre como o salmista: “Proclamarei o teu nome a meus irmãos” (Sl 22/21, 22).

Frei Gilson reúne milhões de fiéis em lives durante a Quaresma

Foto: Reprodução/Instagram @freigilson_somdomonte

O encerramento da Páscoa neste domingo foi marcado por forte mobilização de fiéis nas transmissões ao vivo do Frei Gilson no YouTube. Ao longo da Quaresma, as lives diárias do Santo Rosário reuniram milhões de pessoas.

Nos últimos dias do período religioso, os números cresceram ainda mais. A transmissão do 37º dia da Quaresma alcançou 2,9 milhões de visualizações. Já as lives seguintes, durante o Tríduo Pascal, registraram 2,5 milhões (dias 38 e 39) e 2,2 milhões (dia 40).

No domingo de Páscoa, a transmissão do 41º dia somava cerca de 1,6 milhão de visualizações.

Natural da cidade de São Paulo, Gilson da Silva Pupo Azevedo começou a tocar violão aos 14 anos e aos 18 entrou para a vida religiosa, sendo ordenado sacerdote por dom Fernando Figueiredo em dezembro de 2013.

O frei faz parte da congregação Carmelitas Mensageiros do Espírito Santo, que faz parte da Ordem Carmelita e prega votos de austeridade, obediência e oração. Com perfil ativo nas principais redes sociais, o líder religioso acumula mais de 18 milhões de seguidores.

CNN Brasil

Mensagem de Páscoa de 2026 

Em tempos de ódio, desconstrução, insegurança e polarização, fartamente disseminados pela mídia, somos chamados a proclamar que o perdão e o amor são possíveis. É preciso crer nas palavras de Cristo: “Confiança, eu venci o Mundo” (Jo 16, 33). O Brasil não merece viver de narrativas, injustiças e violência, e sim do verdadeiro Amor que vem de Deus. Aos que creem em Cristo, desejamos enfatizar o compromisso de reconstruir um mundo novo, a civilização da vida e do diálogo, visando à harmonia. Praza aos céus que a Boa Notícia seja largamente difundida, levando todos a viver tempos novos!  

Que Cristo Ressuscitado traga alívio e esperança, suscitando um renovado dinamismo nos governantes, para que sejam melhoradas as condições de vida de milhões de cidadãos, eliminando a nefasta praga da corrupção e a deletéria farsa eleitoreira. Feliz Páscoa para todos. Passagem da violência e do ódio para a paz; da tristeza e do desespero para a alegria e esperança; das trevas para a luz; do desânimo e descrédito para a fé, inefável dom divino.  

Que haja Páscoa para o Brasil, mudança do radicalismo para a tolerância, da intransigência para o diálogo, do fanatismo para a sensatez, da mentira sistematizada para a verdade imutável, das inimizades para a concórdia, das contendas e conflitos para a pacificação do país.  

O povo quer viver em clima de união, fraternidade e paz. Para tanto, deve-se vislumbrar o brilho da Luz de Cristo, presente no símbolo do Círio Pascal. “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12), dissera o Mestre. Páscoa e Ressurreição significam os anseios de uma vida nova, busca do sentido pleno da existência humana. Que em nós cristãos e filhos de Deus, a Páscoa seja conversão, vida nova, plena de alegria e paz.  

A Páscoa é fruto da clemência divina, que tudo recria. Cristo ressuscitou e não morre mais! Ensinou-nos que o Amor, nascido do perdão, é mais forte que a própria morte, pois é Vida. É isto o que está faltando no Brasil de hoje. Somos vencedores e não derrotados! Feliz Páscoa para todos. Um grande abraço e minha bênção sacerdotal.  

Emaús, 5 de abril de 2026 
Padre João Medeiros Filho e seus familiares. 

SEXTA-FEIRA SANTA

A Sexta-feira Santa é um dos momentos mais importantes do calendário religioso, marcado pela fé, reflexão e respeito. A data relembra a crucificação de Jesus Cristo e convida os fiéis a um período de silêncio, oração e renovação espiritual. Em diversas cidades, a tradição se mantém viva por meio de celebrações, encenações da Paixão de Cristo e práticas como o jejum e a abstinência de carne, símbolos de respeito e devoção.

Mais do que um feriado, a Sexta-feira Santa representa um convite à introspecção e à solidariedade, valores que atravessam gerações. Neste período, também se destaca a importância da união familiar e da prática do bem ao próximo, reforçando orientações que permanecem atuais. Em meio à correria do dia a dia, os dados surgem como uma oportunidade de pausa, reflexão e reconexão com aquilo que realmente importa.

Que este dia seja vívido com serenidade, fé e esperança, preparando o coração para as celebrações da Páscoa e a mensagem de renovação que ela traz.

MEDITAÇÕES PARA A SEMANA SANTA DE 2026

Padre João Medeiros Filho

Reflexões sobre o sofrimento de Cristo I

É preciso completar em nossa carne aquilo que faltou à cruz de Cristo (2Cor 4, 10), eis o pensamento de São Paulo a respeito de nossos sofrimentos. Assim sendo, a Semana Santa não é apenas o memorial da Paixão do Senhor. É também a celebração de nossas lágrimas, aflições, angústias e dificuldades. Vivemos ainda na Semana Santa a dor e a cruz de nossos irmãos. Cristo afirmara: o discípulo não é maior do que o Mestre (Mt 10, 24). Deste modo, estamos sujeitos a percorrer o mesmo caminho de Jesus. É nossa paixão e morte. Somos o Corpo Místico de Cristo, como afirmou Pio XII, por isso atualizamos em nossas vidas o que acontecera com Jesus.

A Semana Santa é um momento privilegiado para nos conscientizar de que Cristo não concebeu a sua existência terrena como busca do poder, corrida ao sucesso ou vontade de domínio sobre os outros. Ao contrário, Ele renunciou os privilégios da sua igualdade com Deus, assumiu a condição de servo tornando-se semelhante aos homens, obedeceu ao projeto do Pai até à morte na cruz. Desta forma deixou aos seus discípulos e à Igreja um ensinamento precioso: se o grão de trigo que cai na terra não morre, fica só. Mas se morre, produz muito fruto (Jo 12, 24).

É preciso na Semana Santa refletir sobre o gesto de Cristo em sua caminhada para o Calvário. Ele carrega sobre os ombros a transgressão humana com os efeitos de nossas desobediências, da maneira mais desprezível, as quais manifestam a maldade e a gravidade do delito que nos desfigura (Rm 5,6-10; 1Pd 2,24-25; Is 53). Assim presta a Deus, no seu coração de Filho, a honra e a glória da obediência e do amor perfeitos, reparando o mal que fizemos, trocando o orgulho pela humildade, a violência pelo amor.

Na Semana Santa somos convidados a sepultar o egoísmo, a falta de solidariedade, a indiferença, a injustiça, a inveja, o orgulho, a violência, numa palavra, nossos pecados. É mister haver uma Sexta-Feira Santa para cada um de nós, onde crucificaremos tudo o que é negativo em nós, para haver Domingo de Páscoa. Mas é preciso não esquecer que a paixão e a ressurreição não são atos isolados. Eles foram precedidos da Quinta-feira Santa, que é a celebração da unidade e da fraternidade. Assim só haverá Páscoa, se houver comunhão e partilha, como fizera o Mestre. Existirá Ressurreição, somente se existir amor.

A Semana Santa é a resposta suprema de Cristo (e dos cristãos) ao desafio cotidiano e permanente do mal. É a manifestação do amor infinito de Jesus para conosco. Celebramos também, em 2026, o sofrimento de Cristo na vida de tantos irmãos exterminados por causa de sua luta pela paz, nos corpos de muitos outros agredidos em sua dignidade e excluídos do banquete da vida.

Por outro lado, a vivência desta Semana Santa deve ser nossa gratidão e nosso amor Àquele que se sacrificou por nós, ao Servo de Deus que, segundo o profeta Isaías, não opôs resistência, não se afastou para trás, mas apresentou os ombros aos flageladores e não desviou o rosto dos que o ultrajavam e lhe cuspiam (Is 50, 4-7). Cristo não se acovardou diante do sofrimento e da dor, pois sabia que o Pai não O abandonaria e sua Cruz foi o instrumento escolhido por Deus para resgatar a humanidade. Do mesmo modo, nossa cruz, nossa dor ou sofrimento são a porta de acesso à glória e à alegria de nossa libertação!      

Entretanto, ao celebrar a Semana Santa, é preciso ter diante dos olhos e na mente que não só de tragédias, fracassos, derrotas e tristezas é feita a vida humana. Nós cristãos somos portadores da esperança. Acreditamos que haverá vitória sobre a morte e a maldade. E o autor dessa vitória é Cristo, a quem devemos entregar nossa vida!

Reflexões sobre o sofrimento de Cristo II

Ao celebrarmos a Semana Santa, a semana maior da vida da Igreja, somos convidados a inundar nossa vida, que renasce pelo espírito da Ressurreição, vivendo a certeza da glória definitiva e plantando dentro de nós a semente de um mundo novo.

Nosso povo – sofrido, desgastado, desrespeitado e sem muito alento – costuma, às vezes, reduzir a Semana Santa ao sofrimento da Sexta-Feira da Paixão, contentando-se em contemplar e sepultar o Cristo morto, identificando-se com Ele, chorando sua morte, sem, porém, alegrar-se com o mesmo Cristo, Vivo e Vencedor, na sua gloriosa Ressurreição. Este é um desvio da prática cultual e da vivência de alguns cristãos, pois, sem a Ressurreição, de nada valeria o sofrimento do Filho de Deus por nós. Seria vã a nossa fé, conforme nos ensina São Paulo. Estaríamos ainda acorrentados como escravos ou caminhando errantes pelos desertos do mundo.

Na teologia e na liturgia, conforme crê a Igreja, não se pode separar a cruz, da glória; a morte, da vida; o sofrimento, da plena alegria e da transfiguração final. Nos desígnios de Deus, transformados por Cristo em realidade para nós, o sofrimento torna-se meio de santificação; a morte, porta para a eternidade; a cruz, sinal de nobreza e não mais de ignomínia, como no passado. Isto, porque a luz da Ressurreição dissipou para sempre as trevas da morte e tudo o que se opõe à vida foi também, pela Cruz de Cristo, plenamente vencido. É verdade que temos ainda de sofrer, na precariedade do mundo, os efeitos negativos do mal, sem, no entanto, deixá-los de combater ou aceitá-los passivamente. Somos convidados a amar no sofrimento, como Cristo o fizera; e não a amar o sofrimento em si mesmo, como muitos pensam erroneamente.

Podemos dizer que Cristo hoje padece e morre nas vítimas da violência e no assassinato daqueles que lutam pela paz. Ele é crucificado com o aniquilamento de tantos que deram sua vida pela causa ecológica ou em prol da justiça, pelo fim da corrupção, da impunidade e dos desmandos. Cristo é sim sacrificado em tantos mártires de nossos dias e na vida de tantos que se empenham por um mundo melhor. Cristo assume nesta Semana Santa a dor e o sofrimento de índios, negros, excluídos, marginalizados, doentes e oprimidos. Em nossos irmãos, vítimas da exclusão e da humilhação, Cristo renova a sua paixão. Ele mostra a sua face no rosto sofrido do Papa, que vê algumas nações cada vez mais endurecidas e pouco dispostas à conversão, voltadas para a morte e o extermínio de tantos irmãos de diferentes culturas, raças e línguas.

O cristão não pode parar apenas na morte do Cristo e no seu sacrifício para nos resgatar. Deve buscar no brilho de sua Ressurreição a luz que renova todas as coisas. E que desta forma, nosso coração se torne também novo para o serviço fraterno, para o bem da Igreja e para a glória de Deus.

Os sofrimentos da humanidade atualizam a Paixão de Cristo. Se anteriores a sua cruz, uma paixão antecipada; se depois dela, uma paixão continuada. Cristo, pois, continuará em agonia, misticamente, até o fim dos tempos, pois sofreu, sofre e sofrerá em cada um dos filhos de Deus. Cristo, assumindo a nossa humanidade, tomou um corpo passível de dores e sofrimento, mas seu espírito aniquilou o poder da morte!     

Reflexões sobre o sofrimento de Cristo III

A Semana Santa é um apelo para a descoberta mais profunda de Cristo, vítima de uma sociedade injusta, que mata inocentes e indefesos. Jesus desconcerta-nos mais uma vez, mostrando-nos que o projeto de Deus é diferente. A uma sociedade competitiva, que privilegia a concentração de bens e poder, gerando discriminação e violência, alienando pessoas e marginalizando outras, Cristo acena com o despojamento capaz de trazer a paz para o ser humano. A um mundo que procura desconhecer os laços de nossa fraternidade, Ele aponta a força da solidariedade, que salva vidas e traz esperança, como fizera com todos, sobretudo, com os mais desprezados e despossuídos, simbolizados pelo bom ladrão ao pé da cruz.

Renova-se o mistério da dor e da vida. O Filho de Deus assume a realidade humana com tudo o que ela tem de esperança e desespero. Sua morte é a manifestação da fragilidade de nosso ser; sua Ressurreição, o sinal da dimensão infinita do homem. É nossa história presente na Semana Santa. Não celebramos apenas fatos do passado. Comemoramos tudo o que somos e Cristo encarnou, quando se fez homem e habitou entre nós (Jo 1, 14). Sofrendo, Jesus desmascara a estrutura injusta da humanidade; ressurgindo, proclama a vitória contra o pecado, simbolizado na morte e na angústia humana.

Na Semana Santa, nós cristãos revivemos este grande gesto de amor e misericórdia de Deus, manifesto na Paixão do Senhor. Somos também convidados a abraçar com coragem e confiança nossas cruzes, a assumir nossos sofrimentos e a oferecer tudo, como oferenda agradável ao Pai, a fim de que pela nossa participação na Paixão de Cristo, possamos prolongar no tempo e no espaço a sua obra salvífica.

Maria é o grande modelo de vivência da Semana Santa. Sua presença, ao pé da cruz do Filho, permanece como exemplo perfeito e perene de seguimento a Cristo. Se Jesus foi o homem das dores, sua Mãe foi a mulher das dores, pois acompanhou bem de perto cada passo do seu amado Filho. Maria é a primeira entre os poucos discípulos, que foram fiéis a Jesus até o fim. Foi a única chama de fé que permaneceu acesa naquele momento obscuro e de dura prova para os discípulos do Senhor. Foi por causa da firmeza na fé de Maria e sua incomparável fidelidade ao plano do Pai, que Jesus, já pregado na cruz e servindo-se de suas últimas forças humanas, deixa-nos a Virgem Santíssima como Mãe e modelo perfeito de todo discípulo do Senhor.

Maria, ontem, hoje e sempre, convida-nos a renovar nosso sim a Deus, tantas vezes quantas forem necessárias, a estar ao lado de cada irmão que sofre ou se alegra, a abandonarmo-nos a Deus, ensinando-nos a abraçar com firmeza e fé nossas cruzes de cada dia, com os olhos fixos no horizonte da ressurreição.

Não podemos esquecer que a última mensagem de Cristo não foi o silêncio da morte nem seu último gesto o túmulo lacrado. A Semana Santa é o convite da Igreja a acreditar que nossa cruz é também libertadora e se Ele ressuscitou dos mortos, também nós haveremos de ressurgir de tudo aquilo que nos deixa prostrados e abatidos. É preciso ter sempre em mente que Deus levanta-nos igualmente ao alto de nossas cruzes para que possamos divisar melhor o que Ele nos reserva de belo e grandioso, capaz de nos assegurar a paz e a alegria. São Paulo já dizia que Deus confunde os fortes e poderosos com a aparente fraqueza humana. Aquilo que aos olhos do mundo parece nossa derrota, será a nossa vitória, pois é a força divina em nós!

MISSA DA CEIA DO SENHOR

A missa vespertina da Ceia do Senhor inicia a celebração da Páscoa cristã, em que Jesus inaugura a nova e eterna Aliança pelo seu sangue a ser derramado na cruz. Cristo se nos entrega como Pão partilhado na expressão do amor levado ao extremo – loucura para os gentios, no dizer de Paulo (1Cor. 1, 18) – e na manifestação plena do serviço e da humildade ao lavar os pés dos seus discípulos. Para plenificar ainda mais esse legado, o Senhor instituiu a Eucaristia como prova maior de sua doação à humanidade. Não só se fez presença, tornou-se alimento. Não apenas nos libertou, ensinou-nos a libertar os outros e o mundo. Eis a Páscoa nova, diferente e mais importante daquela que os hebreus celebraram, comemorando sua vitória da escravidão do Egito! Jesus reconquista para os que creem a liberdade da condição de filhos de Deus, dignos de seu amor e sua misericórdia. Valemos muito. Assim entendemos o canto do Exultet do Sábado Santo, ao proclamar com imensa alegria: ó pecado bem-vindo que há merecido a graça de um tão grande Salvador.

A Eucaristia é o grande gesto de Cristo, testemunha fiel do amor de Deus para conosco. Ele não tem somente palavras de conforto para cada um de nós, mas entrega sua vida para selar a união do Pai com a humanidade. Não vos deixarei órfãos (Jo 14,18). A presença diária de Jesus em nossa vida é assegurada pelo Pão, que se torna nossa força. Ele estará ao nosso lado, como outrora caminhava com os discípulos de Emaús. Ao se entregar como nosso alimento, Ele quis mostrar que tomar refeição juntos é sinal de partilha e comunhão. Convida-se à mesa quem se ama e a quem se considera. Eis o sentido da atitude do Mestre, expressão de amor que vivemos na Quinta-feira Santa.

Quem ama, serve. Esta é uma das lições do Filho de Deus, antes de dar a sua vida por nós. Na Quinta-Feira Santa, com um gesto inédito na história humana, Cristo revoluciona o conceito de “importância”. Nobre, grande, é aquele que serve. Estou no meio de vós, como quem serve (Lc 22, 27). Entendemos aqui o significado maior do Lava-Pés. Para os cristãos, Amor é serviço. Na Ceia, Jesus mostrou que quem ocupa o lugar de honra, deve descer ao nível do ser humano para mostrar-lhe a sua dignidade. O Senhor ensina através de exemplos. Eis em que consiste igualmente ser Mestre. Vós me chamais de Mestre e Senhor (Jo 13,13). O Filho de Deus inaugura uma nova ordem pelo gesto insólito do Lava-Pés.

De fato, haveremos de reconhecer que, tanto para presidir como para participar da eucaristia, são indispensáveis uma grande humildade e uma imensa disposição para o serviço fraterno. Desde o início, Jesus sempre mostrou com palavras e gestos que Ele veio para servir e não para ser servido (Mt 20, 28) e é assim que Ele deseja que façam todos os seus colaboradores e seguidores, tanto o simples batizado, como o ministro ordenado. A vida cristã é fundamentalmente serviço e amor, entrega e doação.  

Especialmente hoje, também dia em que Cristo instituiu o sacerdócio, somos convidados a elevar nossas preces a Deus por todos os ministros ordenados, particularmente aqueles que deram a vida pelos seus irmãos nesta arquidiocese de Natal para que não obstante a limitação e fragilidade humana de cada um, possam eles realizar com dignidade a missão para a qual foram escolhidos. Peçamos ao Pai que a força da nossa oração fraterna atraia sobre nossos ministros ordenados a graça e a força do Espírito que os escolheu e consagrou, de modo que todos possam servir dignamente ao Senhor e ao seu povo, não obstante sua miséria humana!  

SEXTA FEIRA-SANTA

A Sexta-Feira Santa é o memorial da solidariedade de Jesus até a morte na cruz No centro da liturgia de hoje está a cruz, erguida como sinal e prova do amor de Cristo, condenado inocente e injustamente, torturado até a morte, colocando sua vida nas mãos do Pai, confiando na justiça e na misericórdia de Deus.

No Domingo de Ramos, Jesus, entrando em Jerusalém, apresenta a sua mensagem religiosa, capaz de transformar a sociedade, tornar as pessoas verdadeiramente irmãs e firmar um culto em espírito e verdade. Na última ceia, partilhando o pão e rendendo graças ao Pai, Cristo mostra-nos em que consiste o milagre da partilha e a força revolucionária do serviço e da solidariedade.

Logo depois, sofre a rejeição e a condenação por causa de seu projeto em favor da vida, dos esquecidos e marginalizados. Enfrenta a morte violenta na cruz para proclamar que o Reino, a liberdade e o pão com fartura só virão dos corações de pessoas solidárias, abnegadas e consagradas. Pessoas estas capazes de viver e mostrar que o pão só tem sentido, quando partilhado.

A liturgia da Sexta-Feira Santa não é uma mera repetição do relato ou da cena evangélica, mas também um sacramental de nossa rejeição, nosso sofrimento, nossa paixão no mundo de hoje, o qual teima em não aceitar os valores pregados por Cristo, sobretudo sua mensagem profunda de paz, verdade e amor. 

Celebramos a Paixão de Jesus, do seu sofrimento assumido como expressão de compaixão pela multidão de sofridos e da nossa compaixão com todos os aflitos em sua busca de libertação.

A Cruz é um desafio e um apelo para que os cristãos assumam o projeto de vida de Jesus e promovam a luta contra a fome e a corrupção, em favor da paz, anunciando a esperança e construindo a fraternidade dos irmãos. Foi este o sentido da Cruz de Cristo.

Na Sexta-feira Santa, a Igreja celebra a Paixão e Morte do Senhor. É um dia de respeito, silêncio e simplicidade, quando é preciso recordar e compreender a dor e o sofrimento de Jesus, como também refletir sobre a profundidade de seu amor por nós, a tal ponto de dar a sua própria vida pela remissão de todos os pecados da humanidade.

A cerimônia da Sexta-Feira Santa é dividida em quatro momentos: a) a Paixão Proclamada, com a liturgia da palavra, em que conhecemos os detalhes da dor do Filho de Deus, na história passada; b) a Paixão Invocada, com a solene oração universal, realizada pela Igreja e pelas comunidades do mundo inteiro, que atualizam no tempo o sofrimento de Cristo; c) a Paixão Venerada, com a adoração da Santa Cruz, local onde se concentram as dores de Jesus e encontramos forças para carregar nossa cruz cotidiana; e d) a Paixão Comungada, com a comunhão eucarística, a qual queremos recebê-la durante toda a nossa vida. Receber sim na comunhão o Cristo total, o Crucificado e o Ressuscitado, o Cristo da Verdade e do Perdão, o Cristo da Alegria e o da Justiça.

Na Sexta-Feira Santa, em respeito e homenagem à maior de todas as missas e de todos os sacrifícios imolados sobre a face da terra: a Morte de Cristo, não se celebra a Eucaristia. Nesse dia, celebra-se o amor de Deus, que é vida e tem mais poder do que o pecado e a própria morte. Jesus mostra-nos que a realidade da morte é a passagem para a libertação plena, a Páscoa definitiva. A cruz sangrenta de Jesus, dolorosa e injusta, transforma-se em vitoriosa e resplandecente. A morte de Cristo é o símbolo do fim de uma antiga aliança, do velho homem e início de uma vida nova. Comungamos com o mistério da cruz que nos salva, com o mistério da cruz na qual sofrem muitos de nossos irmãos e com o mistério de nossa própria cruz, que unida à de Cristo, será também redentora.

MEDITAÇÃO SOBRE MARIA AO PÉ DA CRUZ

Nesta semana santa contemplemos a Cruz de Cristo, através do olhar de Maria. É muito conhecida esta estrofe de um hino da Via-Sacra: Stabat Mater dolorosa, iuxta Crucem lacrimosa, dum pendebat Filius (De pé, a mãe dolorosa junto da cruz, lacrimosa, via o filho que pendia).

Silenciosa ao pé da Cruz, com o coração retalhado de dor, Maria é figura da humanidade redimida. O evangelista João narra que, ao pé da Cruz, estavam a Mãe de Jesus, acompanhada de Maria, mulher de Cleófas e Maria de Mágdala (Jo. 19,25). Cristo fora praticamente abandonado por todos. Os discípulos dispersaram-se, restando apenas João. Os que foram curados, desapareceram. A multidão que O aclamara como Messias nas ruas de Jerusalém, terminara pedindo a sua condenação. Apenas Maria e João permaneceram fiéis. Venceram o medo, superaram a dor e não fugiram da Cruz.

Eis a primeira lição de Maria: não ter medo da Cruz, porque o crucificado é a encarnação do Amor. Não devemos temer nossa cruz, porque também nela está suspenso Alguém que nos ama infinitamente. Na Cruz de Cristo está lançado o nosso destino. Ali nascemos para uma vida nova. E Maria, que dera à luz o Verbo, surge como Mãe da nova humanidade. Jesus confirma esta outra maternidade de Maria, ao dizer-lhe, referindo-se a João: Mulher, eis o teu filho (Jo. 19, 27).

Contemplemos Maria Santíssima, no seu olhar terno e sereno, de quem abraça o mundo na pessoa do Seu Filho e aprendamos com ela a obedecer à vontade do Senhor. Este nos atrai para a sua intimidade, quando nos convida a sermos bons e justos. A Cruz de Cristo é um desafio de amor e de fé.

Fixemos nosso olhar na Cruz, através do coração de Maria. Nela está o destino da humanidade pecadora. Sem o sofrimento de Cristo e de Maria, mesmo que padecêssemos todas as dores do mundo, estas não seriam suficientes para merecer nossa redenção. Só corações semelhantes ao de Maria podem acolher o sofrimento como expressão do amor de Deus ofendido, apercebendo-lhe a grandeza de sua misericórdia.

Fitando com devoção Maria, Mãe dolorosa, percebemos a gravidade do pecado, isto é, a atitude da criatura criada à imagem de Deus, exercendo a sua liberdade de agir contra o desígnio amoroso do Pai. Ao tomar sobre eles nossos pecados, Jesus e Sua Mãe, sem nunca ter pecado, não se limitam a sofrer em lugar dos pecadores, sofrem por causa do pecado, desagravando a glória divina ofendida e conduzindo os pecadores aos braços misericordiosos de Deus.

Recomeça ali, aos pés daquela Cruz, uma outra aliança com Deus. Nasce um povo novo, gerado na Igreja, da qual Maria é Mãe e figura. Depois Jesus disse ao discípulo: eis a tua Mãe (Jo. 19, 27). Contemplando Maria, ao pé da Cruz, aprenderemos com ela a abraçar a nossa cruz, e fazer dela oferta eucarística e hóstia de louvor para a redenção do mundo.

VIGÍLIA PASCAL (SÁBADO SANTO)

Depois de seguir Jesus ao longo do caminho do Calvário e passar com Ele pela cruz, reunimo-nos, em seu nome, na Vigília Pascal para celebrar nossa esperança e a certeza da vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. É a noite da ressurreição, da festa da vida. Com a Ressurreição do Senhor, iniciou-se um novo modo de ser para os cristãos e de estar no meio de nós para o próprio Deus. A tradição litúrgica ensina-nos que esta é a mãe e rainha de todas as vigílias. Nela celebramos a esperança e a certeza da Vida, bem como a derrota das forças da morte.

Esses sentimentos dão lugar ao simbolismo litúrgico da Vigília Pascal. O Sábado Santo torna-se assim a festa da luz. Benze-se o fogo novo, imagem de Cristo, que brilha para todos como novidade, luz e vida. Eu sou a luz do mundo (Jo 8, 12). Há igualmente na cerimônia dessa noite a bênção da água. Com Cristo renascemos para uma vida nova. Necessário vos é nascer de novo (Jo 3, 3), disse o Mestre a Nicodemos. Por essa razão, celebra-se o batismo no Sábado Santo.

A Ressurreição simboliza os anseios de uma vida nova, a busca da dimensão verdadeira de nossa existência. É fruto do Amor, que tudo renova e recria. Isto é a Páscoa, que é também esperança e não apenas memorial. É a certeza de um acontecimento. Ele ressuscitou e já não morre mais! Ensinou-nos que o Amor é mais forte que a morte, pois é Vida. E Jesus, sendo Filho de Deus é o Amor em plenitude; é a Força, o Espírito que restaura o mundo. Quem ama, fala muito do amado. É o testemunho. Por isso somos chamados a proclamar o Ressuscitado. Cabe-nos, pois, pregar esse Cristo a uma sociedade marcada por sinais de morte e opressão. No primeiro dia da semana (Jo 20, 1), Madalena foi à procura do corpo do Salvador. Inicia-se a nova criação, nascida da alegria e da vitória. Somos vencedores e não derrotados, esta é a mensagem central de toda a Semana Santa, especialmente do Tríduo Pascal!

Eis também o tempo do grande anúncio para todos com a Palavra e com a Vida! É preciso anunciar que existe a possibilidade de um mundo novo para aqueles que creem em Cristo e vivem Sua mensagem, mesmo talvez sem o saber ou conhecê-lo. A pedra removida do túmulo é uma lembrança de que também a nós cabe remover as pedras, que encobrem a morte, a desilusão, a vingança, a violência, a fome, a impunidade etc. para poder surgir a Vida! Temos a missão de continuar o anúncio da Vida, que vence a morte. O trabalho em nossas comunidades iluminadas por Cristo, Maria e Luzia deve nos impulsionar a uma vida nova de santidade, amor, solidariedade e paz, fruto da Ressurreição!

Precisamos acolher e fazer nossas aquelas palavras do Cristo Ressuscitado às mulheres, que foram visitar o túmulo: Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá me verão. Ou por outra, repetir as palavras do Anjo: Não tenham medo. Sei que vocês estão procurando Jesus que foi crucificado. Ele não está aqui! Ressuscitou como havia dito. Vão depressa anunciar aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos e que vai à frente de vocês para a Galileia. A Ressurreição, de fato, é a maior e mais linda novidade de nossa fé. Ela é um dom grandioso oferecido por Deus em Jesus para todos os que receberam a graça do batismo. Por isto, não precisamos perder tempo nem ter medo. Cabe-nos correr – imitando o gesto das mulheres que se dirigiram ao túmulo de Jesus – ao encontro dos muitos discípulos do Senhor, espalhados pelo mundo, e levar-lhes a notícia da Ressurreição, da vitória definitiva de Jesus sobre o pecado e a morte. Devemos correr ao encontro de nossos irmãos desanimados pelo peso de suas cruzes e anunciar-lhes que Jesus está vivo. Como Ele venceu, também nós venceremos. Ele nos precedeu no caminho da vida. É preciso mostrar aos homens e ao mundo, especialmente aos que sofrem, que da cruz renasce a vida, a esperança e a certeza da ressurreição! Não podemos esquecer que toda a obra da criação foi transformada e redimida pela Páscoa de Cristo. A partir daí tudo ganha novo sentido e um valor diferente!

A PÁSCOA DO SENHOR

Comemorar a Páscoa em 2026 significa, antes de tudo, acreditar que todas as situações de morte – que vemos acontecer e nos escandalizam – têm uma resposta: a vitória da Vida sobre a morte! Sim, em meio a tantas notícias de desemprego, divisões políticas, crimes, violência, desrespeito à vida, fome, corrupção e impunidade, nós cristãos temos a felicidade, a alegria e a graça de poder anunciar o Cristo Ressuscitado.

Celebrar a Ressurreição de Cristo é sentir a presença de Deus, que veio morar conosco e desceu ao nível mais profundo das situações humanas a fim de anunciar e convencer a todos que temos a vida em abundância. Jesus veio trazer a certeza da possibilidade de viver em fraternidade, colaborando uns com os outros, sentindo o próximo como irmão.

Neste tempo de tanta violência e ódio, fartamente noticiados pela mídia, queremos anunciar que o perdão e o amor são possíveis. Aos que creem em Cristo, desejamos lembrar o compromisso de construir um mundo novo, ou seja, a civilização da Vida e do Amor. Como gostaríamos que a Boa Notícia fosse largamente anunciada, levando todos a lutar e viver tempos novos!

Mas, infelizmente, ainda hoje nos deparamos com crianças abandonadas, desnutridas ou prostituídas, filas intermináveis de pessoas à porta dos hospitais, buscando soluções para a saúde, desespero diante da falta de dignidade a que tantos são submetidos, pais aflitos perante as dificuldades de seus filhos sem comida e escola, chefes de família desempregados (pois a sociedade da produção os relega), mães que choram a violação de suas filhas ou a morte violenta e inesperada de seus entes queridos. Diante desse quadro tem-se a tentação de cruzar os braços, acostumar-se com o mal e não lutar pelo bem.

No entanto, a celebração pascal é o grande impulso para dizer aos homens que o mundo tem solução. Ela está no Amor e na fé no Ressuscitado. Sua Morte redentora e sua Ressurreição levam-nos à experiência de acreditar na possibilidade de uma nova vida. Cabe-nos a missão de trabalhar para que essa novidade possa acontecer. Cada geração tem a tarefa de atualizar a Páscoa. Eis o simbolismo dos algarismos que indicam o ano em curso no Círio Pascal! Cada um de nós é chamado a viver a atualidade da Páscoa do Senhor. Ao celebrar liturgicamente a Ressurreição de Cristo, deve renascer em nossos corações o desejo de continuar com afinco o anúncio e a luta pela vida em todas as suas dimensões, porque Cristo a trouxe e Ele está vivo entre nós. A celebração da Páscoa é um convite para transformar as opressões, que pesam sobre os ombros de nossos irmãos, em vida e esperança!

É claro que não temos esperanças ingênuas diante do pluralismo existente e das culturas de morte, espalhadas dentro e fora do ser humano! Conhecemos a realidade do chão que pisamos e somos solidários a tantos que experimentam as dores do mal em suas vidas. Neste tempo em que se duvida de tudo, há questionamentos que atingem até mesmo a existência, a missão e a Ressurreição do Filho de Deus. Mas, a experiência pascal de voltar atrás, como os discípulos de Emaús, leva-nos a anunciar, junto com os apóstolos, esta mensagem: Ele Ressuscitou e disso nós somos testemunhas.

 Celebrar a Páscoa significa não cair no desânimo de lutar pela paz, apesar da fragilidade com que a vemos existir. Consiste em dar continuidade às esperanças, mesmo se ao redor de nós muitos já tenham desistido. É acreditar na Vida porque Cristo que morreu e foi sepultado, está Vivo e Ressuscitado! Páscoa é alegria pela Vida, é compromisso do cristão com todos os seus irmãos de hoje e a esperança de ver no horizonte do mundo atual a luz do Sol da Justiça e a luz do Amor!

Para viver o Mistério da Semana Santa

Padre João Medeiros Filho

Desde o século II, além de continuar celebrando o primeiro dia da semana, como Dia do Senhor, os cristãos procuraram solenizar o Domingo da Ressurreição. Nasce assim liturgicamente a Semana Santa. No século IV, Santo Agostinho recomendava aos fiéis de Hipona a vivência do Tríduo Pascal. Durante a Semana Santa, a Igreja celebra o mistério da reconciliação, realizado por Jesus, começando pela entrada messiânica em Jerusalém, passando pela Ceia e Cruz, culminando com sua Ressurreição. A Semana Santa convida-nos também a descobrir nos sofrimentos da humanidade a atualização da Paixão de Cristo. Segundo Pascal, “Jesus continua em agonia, misticamente, até o fim dos tempos.” Assumindo nossa condição humana, Ele revestiu-se de um corpo sujeito à dor e ao sofrimento, mas seu espírito imortal destruiu a morte.  

A Semana Santa é a celebração do Amor de Deus. E ninguém pode duvidar desse Amor pelo ser humano. Ele transcende a compreensão dos homens. Misericórdia do Pai, que se plenifica na entrega de seu Filho para nossa salvação, a fim de que ninguém se perca. Morte e Ressurreição de Cristo são a prova maior de sua doação por nós. Traduzem os sentimentos do Pai. Jesus aceitou padecer e aniquilar-se na Cruz para demonstrar nossa pobreza. Mas, Ele ressurgiu dos mortos para revelar a grandeza divina que, por gratuidade do Onipotente, existe em nós. Para os cristãos, a Cruz tornou-se símbolo de mudança de vida e redenção.

Deus ama todos indistintamente. “Deus amou tanto o mundo, que nos deu seu Filho único” (Jo 3, 16). Às vezes, somos incapazes de compreender incomensurável gesto. Quem dentre nós, está disposto a sacrificar seu filho único (ou filha) para salvar ou trazer a paz aos outros? É essa oferta gratuita de Cristo, que vivemos e celebramos na Semana Santa. Dádiva suprema de Deus, que atinge o ser humano, manifestando sua capacidade de amar. Cristo valoriza-nos, independente de nosso amor, não porque sejamos bons e justos, mas porque Ele assim o quis para nos dar “a vida em plenitude” (Jo 10,10). Nossa salvação depende de acreditar em sua bondade para conosco e aceitá-lo. “Quem n’Ele crê, não é condenado” (Jo 3, 18). Não é vontade de Deus que as pessoas se percam, tampouco sente satisfação em condenar alguém. A alegria de Cristo é salvar cada um dos irmãos, é desarmar todos com o seu perdão. “Assim haverá maior alegria nos céus por um só pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não precisam de arrependimento” (Lc 15, 7).

A liturgia da Semana Santa é um convite a descobrir Cristo, nosso Salvador, que é Luz. “Eu sou a Luz do mundo. Quem me segue, não caminha na escuridão, mas terá a luz da vida” (Jo 8, 12). Durante o Tríduo Pascal, Ele deixa entrever um vislumbre do brilho divino e abre uma fresta de esperança para cada um de nós. Foi erguido no alto da Cruz, para que todos sentissem o clarão de Deus, que tem o poder de salvar, pois é benignidade e misericórdia. Eis o sentido da celebração da Semana Santa.

Cristo vence o duelo da morte. Diante dela somos impotentes. Mas, para Ele não é obstáculo, pois para isso veio ao mundo. Nasceu a fim de trazer a Vida àqueles que n’Ele creem. Ele aceitou a realidade humana para nos dar a Vida sem ocaso. A morte é ausência de Deus. Mas, Cristo tem o poder de fazer reviver, porque é o Senhor da Vida. Ele deseja nos ressuscitar com a sua Palavra. “A quem iremos, Senhor, só Tu tens palavras de vida?” (Jo 6, 68). Que não haja dúvida, medo e desespero. Jesus veio nos libertar de tudo aquilo que nos deixa adormecidos e mortos. Sua Palavra transformará em dia as trevas, em alegria nosso pranto, em certeza nossa dúvida, em paz nossa angústia! É o que vivemos na Semana Santa, mistério insondável do Amor de Deus! Feliz e Santa Páscoa para todos. Jesus vive e reina. Como Madalena e os apóstolos sejamos arautos da Ressurreição do Filho de Deus. “Ele não está aqui, ressuscitou como havia dito” (Mt 28, 6).

Via Sacra na Praia de Ponta Negra reúne fiéis em noite de fé e reflexão

Hoje a noite a comunidade católica se reunirá nas areias da Praia de Ponta Negra, a partir das 19h, para um momento especial onde será celebrada a Via Sacra na Praia que completa 10 anos.

Tudo foi organizado para receber os fiéis que desejarem participar deste momento com toda a infra estrutura necessária. Ele se integra ao calendário religioso da Cidade do Natal.
A organização é da Paróquia de São José de Anchieta e é aberta a todos os que quiserem rezar diante da natureza e de um dos maiores cartões postais da nossa Cidade.

Padre Sávio, coordenador da Via Sacra faz o convite: “Não deixe de vir hoje, você e sua família, se possível com sua camisa branca, a Ponta Negra. Estamos na Semana Santa, tão importante para nós cristãos católicos. Será um momento de profunda reflexão, oração e fé.
Toda família é convidada”.

Parnamirim resgata história e emociona multidão com grandiosa retomada da Paixão de Cristo

“Depois de nove anos, ver esse espetáculo de volta, com o povo presente e emocionado, é a prova de que Parnamirim valoriza sua cultura e suas tradições. É bonito de ver e de sentir”, destacou a prefeita Nilda.
A fala resume o que foi vivido na noite deste sábado (28), quando a Cohabinal foi tomada pela emoção com a retomada da encenação da Paixão de Cristo. Após quase uma década, o espetáculo voltou a acontecer e transformou o Bosque Aluízio Alves em um grande cenário de fé, arte e encantamento.

A apresentação reuniu cerca de 30 artistas da própria cidade, valorizando os talentos locais e levando ao público uma experiência marcada pela intensidade e pela beleza de cada cena. Em um formato imersivo, com cenários distribuídos em sete pontos dentro do Bosque, o público acompanhou de perto cada momento da Via Sacra, se emocionando com a maior história de amor e esperança da humanidade.

Mais do que um espetáculo, a retomada representou o resgate de uma tradição que toca gerações e fortalece a identidade cultural do município. Famílias inteiras estiveram presentes, envolvidas por um ambiente de fé e reflexão, em uma noite que ficará marcada na memória da cidade.

A programação foi finalizada com o belíssimo Concerto Pascal, encerrando a noite em clima de contemplação e emoção, e reforçando o caráter simbólico e espiritual do evento.

A grandiosidade da produção e a comoção do público evidenciaram a importância de reviver manifestações culturais como essa, que unem a comunidade e renovam sentimentos de fé, pertencimento e esperança.