Quem é o padre?

Monsenhor João Medeiros Filho

Aos sessenta e um anos de sacerdócio, ainda faço a indagação acima. Há inúmeras respostas. Para mim, a missão do padre consiste em ser pastor e mensageiro da misericórdia divina. Cabe-lhe ser operário da unidade e da paz, místico e até profeta. A figura do sacerdote sofreu mutações, ao longo da história. O cura de aldeia, que inspirou Bernanos, diverge do pároco de metrópole. A postura dos purpurados de outrora difere daquela do Cardeal Martini, que pedia aos fiéis de Milão para o chamarem simplesmente Irmão Carlos. Tais dissimilitudes demonstram uma compreensão do sacerdócio, que sofre influências das culturas e necessidades de seu tempo.

Pertenço à geração de presbíteros ordenados, logo após o Concílio Vaticano II. Fui formado no contexto teológico Bélgica-Holanda, onde havia nove peritos conciliares, liderados pelos Cardeais Suennes e Alfrink. O clero passou por mudanças internas e externas. Migrou do uso da batina para o “clergyman” ou trajes civis. “O hábito não faz o monge”, diz o brocardo. A questão reside quando indumentárias se sobrepõem à conduta e à vida. Importa haver constante disponibilidade para servir. “Nossas vestimentas devem testemunhar uma Igreja disposta à inclusão e não à divisão”, declarou São João XXIII. Com qualquer veste talar o princípio da autenticidade e coerência de vida deve ser um imperativo. O estético não deve ofuscar o ético.

Cabe ao ministro ordenado possuir discernimento acadêmico. Não se trata apenas de titulação, apesar de sua importância. Atualmente, enquanto leigos são detentores de pós-doutorado, muitos padres não possuem sequer graduação superior formal. Quando se fala de presbítero e meio acadêmico, refere-se ao que é genuíno desse ambiente: o diálogo e o debate. O sacerdote necessita ser preparado para analisar e lidar com os problemas do mundo, à luz do Evangelho. Não se trata de apologética ou proselitismo, mas abertura a valores existentes, fora do âmbito clerical. Torna-se indispensável uma sólida formação intelectual. Não raro, depara-se com padres opinando sobre temas e emitindo juízos desprovidos de argumentos convincentes e razoabilidade. Seu discurso pode atingir sentimentos, mas não penetra a consciência dos fiéis. Assim, o sacerdote precisa consolidar uma mentalidade acadêmica de intercâmbio e transdisciplinariedade.

Outrossim, o presbítero deve ser místico. Afirmava o teólogo Karl Rahner: “Ou seremos místicos ou não seremos nada.” E isto consiste em configurar-se a Cristo para olhar o mundo com esperança e alegria. No afã equivocado de atingir esse ideal, há quem queira ser paladino de pastorais sentimentalistas ou laicizantes. Existem também arautos do radicalismo e da intransigência, como se fossem donos da graça divina. A verdadeira mística deriva da vivência do Evangelho, marcada de escuta e solidariedade. Jesus ouviu mais do que falou. Soube ouvir e perdoou muito. Cabe ao sacerdote ser pregoeiro de clemência e ternura, pastor e pontífice (cf. Carta aos Hebreus). Ao se dividir a comunidade, por razões sociopolíticas e partidárias, quebra-se o clima de unidade e paz, deixando de ser teologicamente pontífice (construtor de pontes), missão importante do sacerdócio ministerial. “Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim, e eu em ti” (Jo 17, 21).

O equilíbrio deve ser uma marca do presbítero (que em grego significa experiente). Segundo pesquisa realizada por um curso de Teologia no Brasil: “Os cristãos perdoam as fraquezas dos padres, mas desaprovam os apegados a dinheiro ou poder, os politiqueiros que contribuem para a desunião.” Aconselhava o Cardeal Suhard aos católicos parisienses: “O padre não é anjo, nem super-homem. Antes de condená-lo, reze por ele.” Convém lembrar as palavras de Cristo: “Fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e produzirdes fruto” (Jo 15, 16).

Catedral de Mossoró celebrará centenário de Dom Heitor Sales

Dom Heitor é arcebispo emérito de Natal – Foto: arquivo

As comemorações pelos 100 anos de vida de Dom Heitor de Araújo Sales, arcebispo emérito de Natal, chegam a Mossoró, na próxima quinta-feira, dia 20 de agosto, com uma programação especial que reunirá celebração religiosa, homenagem e um momento comemorativo dedicado à sua trajetória.

A programação terá início às 17h30, na Catedral de Santa Luzia, com missa em ação de graças, presidida pelo arcebispo metropolitano de Natal, Dom João Santos Cardoso, concelebrada pelo bispo de Mossoró, Dom Francisco de Sales Alencar Batista, e por outros bispos das dioceses do Regional Nordeste 2, da CNBB.

Na ocasião, Dom Heitor também receberá uma homenagem da Câmara Municipal de Mossoró, reconhecendo sua trajetória e contribuição à Igreja e à sociedade potiguar.

A celebração integra a programação alusiva ao centenário de Dom Heitor, que completou 100 anos de vida no último dia 29 de julho. Haverá o lançamento do livro “Na unidade, na paz, na alegria – Dom Heitor 100 anos”.

Livro

A obra foi escrita pelo jornalista e escritor Adriano de Sousa e apresenta a trajetória de Dom Heitor de Araújo Sales, reunindo histórias, registros e momentos que ajudam a preservar a memória de seus 100 anos de vida e de sua atuação na Igreja Católica. O livro percorre diferentes momentos de sua caminhada, da formação sacerdotal ao episcopado, passando pela atuação nas dioceses e pelo período em que esteve à frente da Arquidiocese de Natal. A publicação também registra aspectos de sua personalidade, de sua missão pastoral e do legado construído ao longo de décadas dedicadas à Igreja e à sociedade.

O sonho, filho da esperança

Padre João Medeiros Filho 

Inspirado em belíssimo poema de Alberto Caeiro (um dos heterônimos de Fernando Pessoa), Roberto Carlos nos encanta com a melodia: “Hoje eu tive um sonho que foi o mais bonito que eu sonhei em toda a minha vida. Sonhei que todo mundo vivia preocupado, tentando encontrar uma saída…” Sonhos são necessários. Sem eles, as pedras do caminho viram rochedos; pequenos problemas são insuperáveis; perdas tornam-se insuportáveis, decepções em golpes fatais e desafios em berço do medo. Voltaire dizia que “eles e as esperanças nos foram dados como compensação às dificuldades da vida.” Não são desejos superficiais, e sim bússolas do coração. Resistem às mais altas temperaturas dos problemas. Alimentam a esperança e a fé, quando o mundo ameaça desabar sobre nós. 

É lapidar a frase de John F. Kennedy: “Necessitamos de seres humanos que sonhem o que nunca foram.” Assim abrirão as janelas da alma, oxigenando as emoções e produzindo um agradável romance com a vida. Grandes acontecimentos e decisões bíblicas nasceram de sonhos. “Se há entre vós profeta do Senhor, eu me dou a conhecer em visões e falo com ele em sonhos” (Nm 12,6). A literatura veterotestamentária é rica dessas passagens, daí a afirmativa: “E Daniel sabia interpretar todos os sonhos” (Dn 1,17). É preciso perseguir os mais belos dentre eles. Só os mortos não os têm. Persistir é uma palavra que deve ser constante no dicionário do sonhador, ainda que certas metas não consigam ser atingidas. Neste ponto, sigamos as palavras de Raul Seixas: “Tenha fé em Deus e na vida, tente outra vez. Se você sonhar, poderá sacudir o mundo, pelo menos o seu mundo.” 

Se algum dia, for necessário desistir de planos sonhados, que sejam substituídos por outros. A vida sem eles é um rio sem nascente, uma praia sem ondas, uma manhã sem orvalho, um dia sem sol, uma flor sem perfume. Sem eles, os ricos ficam deprimidos, os famosos aborrecem-se, os intelectuais tornam-se estéreis, os livres escravos e os fortes tímidos. Quando não os temos, a coragem dissipa-se, a criatividade esgota-se, o sorriso vira disfarce, a emoção desfalece e a alegria se esvai. 

Sonhar é preciso. Guiar-se pelas estrelas. Buscá-las para andar sem medo nos vales das frustrações e perdas. Apesar de nossos incontáveis defeitos, devemos acreditar que somos protagonistas no teatro da vida. Existem seres humanos que lutam pelos seus ideais ou desistem deles. Quem não idealiza um mundo melhor, mais justo e humano, será um miserável no território dos sentimentos, ainda que habite em mansões, possua riqueza incalculável, posições de destaque na sociedade e por ela seja aplaudido. 

Sonhar pode não determinar o lugar ao qual iremos chegar, mas produz a força necessária para nos libertar da estagnação. Os bons alunos aprendem a matemática numérica, os fascinantes descobrem os cálculos da emoção que não têm conta exata e rompem a regra da lógica. Sonhar é apaixonar-se pela liberdade de criar e abrir horizontes. Conseguiremos aprender a multiplicar, se soubermos dividir. Chegaremos a ganhar, se tivermos aprendido a perder; receberemos algo, se nos ensinarem a nos doar. Quando os sonhos nos invadem, os surdos conseguirão ouvir melodias, os cegos vislumbrarão cores, os derrotados encontrarão energia para continuar a combater. Foi o que Cristo realizou com sua Palavra e pregação do Reino de Deus. Sonhar faz parte da energia divina, latente na alma humana. E dela Jesus era rico. São Jerônimo dizia que o “Sonho é filho da esperança, neto da fé. Tudo pode, pois é Deus em nós.” E para Ele “nada é impossível” (Lc 1, 37). Mas, é preciso ter em mente a advertência do hagiógrafo: “Quando há muitos sonhos, vaidades e palavras em demasia, tema sempre a Deus” (Ecl 5, 6). 

Dom Heitor, um século de vida

Padre João Medeiros Filho

Dom Heitor de Araújo Sales é um dos grandes nomes da Igreja do RN. Participou de momentos significativos de sua história. Com 75 anos de sacerdócio, sendo 48 de episcopado, completa dez décadas abençoadas, com saúde, lucidez e alegria de viver. Acompanhou o pontificado de nove papas: quando jovem, Pio XI; enquanto sacerdote, Pio XII e João XXIII; como bispo, Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II; já emérito, Bento XVI, Francisco e Leão XIV. Sua nomeação para o episcopado representa um dos marcos memoráveis de seu sacerdócio. Na diocese de Caicó, esteve por quinze anos. Na arquidiocese de Natal, um decênio de pastoreio. Tem carinho pelo Seridó, berço dos ancestrais maternos.  Guarda com afeto as conexões humanas construídas como presbítero e bispo. Irmão do Cardeal Dom Eugênio de Araújo Sales, arcebispo do RJ durante trinta anos, uma das figuras mais notáveis da Igreja.

Como padre serviu abnegadamente ao Povo de Deus, desempenhando as funções de vigário paroquial em Nova Cruz, pároco de Santa Teresinha (Natal), capelão dos Colégios Marista e Nossa Senhora das Neves, vigário episcopal para os religiosos e também vigário geral do arcebispado natalense. Integrou a equipe de formação do Seminário de São Pedro, como diretor espiritual e docente. Ali, tive o privilégio de ser seu aluno. Exerceu o magistério superior na Escola de Serviço Social e Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Primeiro docente desta instituição, com o título de doutor, obtido na Pontifícia Universidade Lateranense (Roma). Pertence à Sociedade Brasileira de Canonistas e à Academia Norte-rio-grandense de Letras, nesta como sócio de honra.

Dom Heitor vivencia as palavras do Mestre: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 29). Terno e misericordioso, tratando todos com elegância e atenção, transmite a lição bíblica da simplicidade e compreensão. Em Caicó revelou-se pastor solícito e dinâmico, reorganizando a diocese, reabrindo o Seminário Cura d’Ars, restaurando o diaconato permanente. Construiu o Centro Pastoral Dom Wagner (sede dos órgãos administrativos diocesanos), o Mosteiro das Clarissas, a nova Residência Episcopal e instalou a Rádio Rural FM de Caicó. No seu pontificado no Seridó, o clero passou a dispor de um plano de saúde. A diocese caicoense lhe deve, em especial, o exemplo de desprendimento, dedicação e humildade. A riqueza interior não faz alardes. Sua capacidade de doação e caridade recorda-nos o apóstolo Paulo: “Para todos eu me fiz tudo, para salvar alguns” (1Cor 9, 22).

Na Arquidiocese de Natal, organizou o dízimo das paróquias para manter o culto divino e as obras sociais da Igreja, redimensionando o patrimônio da mitra. Deu atenção às necessidades administrativas, pastorais e espirituais do arcebispado. Trouxe o Seminário de São Pedro de volta à sua sede, na Campos Sales. Durante seu episcopado, aconteceu a beatificação dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, em 5/3/2000. Entregou a arquidiocese com as finanças saneadas a seu sucessor e ex-aluno Dom Matias Patrício de Macêdo, assim como a Rádio Rural de Natal, engajada numa profícua programação evangelizadora. Nos dois bispados ordenou quarenta e quatro padres e criou quinze paróquias. Na emeritude, edificou o Carmelo em Parnamirim (RN).

Tais feitos são centelhas da grandeza de sua alma, generosidade e capacidade de servir. Um homem escolhido por Deus e devotado à Igreja. Cultura e erudição povoam sua mente. Com cem anos goza de memória e lucidez admiráveis. Dedica-se à leitura cotidiana e mantém-se atualizado. Sempre disposto a ouvir, consolar, irradiar luz e paz aos que dele se aproximam. Sua disponibilidade toca. Sua humildade encanta, pois é a linguagem dos filhos de Deus. Poderá dizer: “A minha alma engradece o Senhor, pois Ele fez por mim grandes coisas, santo é seu nome” (Lc 1, 46;49).

Dom Heitor, virtudes e carismas

Padre João Medeiros Filho

Cristo proclamou no Sermão da Montanha: “Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra” (Mt 5, 5). A mansidão é uma das belas virtudes cristãs, que habita no templo da alma de Dom Heitor de Araújo Sales. Ele sempre teve consciência de que o amor de Cristo não se impõe pela força; ele cativa pela serenidade e doçura. A Bíblia narra que Deus se revelou, não em ruídos sonoros ou na chama que arde, mas numa brisa suave (1Rs 19, 12). Nosso homenageado detém e cultiva esse dom divino. “A cada um é dada a manifestação do Espírito, em vista do bem de todos” (1Cor 12, 8), garante o apóstolo Paulo. Há setenta e um anos, tive o privilégio de conhecer Dom Heitor. Fui seu aluno, sacerdote de sua diocese (em Caicó), colega de magistério na Universidade Federal do Rio Grande do Norte e seu vizinho, há duas décadas. Sua presença é serena, discreta, prudente. Com palavras edificantes e ponderadas tem o dom de orientar, apaziguar e perdoar.

Poder-se-ia aplicar-lhe os dizeres encontrados no Livro dos Provérbios: “Suas palavras gentis são como um favo de mel, doçura para a alma e saúde para o corpo” (Pr 16, 24). De uma nobreza, ternura e sensibilidade ímpares, transpira delicadeza e compreensão. Trata todos com lhaneza, elegância e igualdade. Ao longo de sua vida, com gestos e palavras, vive o ensinamento de São Gregório Magno: “A mansidão é a riqueza da alma e a exuberância do coração. A arrogância não condiz com a alma de pastor.”

Um dos belos predicados de nosso arcebispo emérito é sua capacidade de ouvir com atenção quem o procura. Segue o Mestre em sua constante atitude de disponibilidade e diálogo. É antológica a postura de Jesus Cristo ouvindo, horas a fio, Maria sob os apelos e reinvindicações de Marta. Memorável é o tempo dedicado pelo Nazareno à Samaritana, junto ao Poço de Jacó (Jo 4, 4-27). Os gestos de atenção de Cristo a Zaqueu, ao jovem rico (Lc 18, 18ss), aos fariseus diante da mulher adúltera (Jo 8, 5ss) mostram a paciência do Mestre para sentir o termômetro da alma. Dialogou muito, por isso compreendeu e perdoou ainda mais. Nosso amigo sempre foi assim. Por tantos talentos e carismas, por saber ser um ouvinte especial, foi escolhido como diretor espiritual do Seminário de São Pedro. Ao longo de sua existência, Dom Heitor palmilha os caminhos de Jesus: “Batei e a porta vos será aberta” (Mt 7, 7). Ele é um ser ungido, vocacionado na arte de ouvir e ponderar. São Clemente de Alexandria dissera: “Os prudentes e sábios dedicam-se mais à escuta, declinando da eloquência.

Nosso homenageado é um homem do silêncio. Os sábios e místicos sabem cultivá-lo, pois estão em perfeita sintonia com Deus. A experiência monacal escolhe o claustro para favorecer o colóquio com Deus. Dom Heitor, assim como Exupéry, em O Pequeno Príncipe, sente que “no silêncio alguma coisa irradia.” Grande conhecedor dos místicos cristãos, percebeu como Santa Teresa d’Ávila: “O silêncio é a voz de Deus que abafa os barulhos da natureza.” Sabe bem que dele brota o fruto da paz interior. Segundo o poeta amazonense Thiago de Melo, “o silêncio é um campo plantado de verdades, que aos poucos se tornam palavras.”

Nosso caríssimo arcebispo emérito vive plenamente a sua vocação, tocado pela beleza da graça divina, possuído pelo amor ao Evangelho. Prefere os lugares tranquilos para viver. Na década de 1960, escolheu a quietude de Ponta Negra. Em Caicó, quis a sua residência num local afastado do burburinho citadino. Após sua renúncia, foi morar no sossego da antiga Granja de Dom Nivaldo, em Emaús (Parnamirim). Ensina o Livro do Sirácida: “Façamos o elogio dos homens ilustres, através das gerações” (Sr 44,1).

“Viria nem que fosse de muleta”, diz Leandro Borges sobre show no “Mossoró Sal & Luz” 2026

Rodolfo Fernandes (Secom/PMM)
Rodolfo Fernandes (Secom/PMM).

Uma das grandes atrações do “Mossoró Sal & Luz”, a participação de Leandro Borges no maior evento gospel do Rio Grande do Norte esteve para não ocorrer. Durante a entre coletiva realizada antes do show, o cantor confidenciou que quebrou a perna no início do ano e achou que não daria para se apresentar no evento.

Leandro Borges contou que sofreu um acidente e quebrou a perna numa região próxima ao joelho. Ele relatou que a recuperação foi difícil e pensou que não estaria se apresentando em Mossoró, numa cidade que ele destaca se “sentir em casa”. A pausa foi de seis meses.

“Achei que não viria para Mossoró neste ano porque quebrei a perna no início do ano. Tive de dar uma pausa de seis meses. Achei que neste ano Mossoró não daria certo, mas quando eu fui melhorando comecei a ndar de muleta e foi quando entraram em contato para fechar e eu falei: ‘eu vou nem que seja de muleta”, contou o músico catarinense na coletiva.

Leandro Borges. Foto: Rodolfo Fernandes (SECOM/PMM)

Leandro Borges reforçou que passou um mês acamado sem nem poder virar para o lado. Ele explicou que neste período de repouso nasceu um projeto dentro da casa dele.

“Tiver de ficar um mês deitado na cama sem nem poder virar para o lado, mas foi um processo que Deus queria que eu vivesse. Inclusive, nasceu um projeto dentro de minha casa. Eu graveu um álbum chamado ‘Pausa’, que fala da importância de você parar para descansar. A gente só faz, faz, faz e não para”, emendou.

Leandro Borges contou ainda na coletiva que o show deste sábado em Mossoró inicia a turnê 2026, que aborda o tema que é o “descanso”, numa era que se fala tanto em produção, resultado. “Vou trazer essa mensagem para desacelerar. Descansa porque quem confia no Senhor descansa”, finalizou.

Corpo, dor e sofrimento

Padre João Medeiros Filho

Tema bem humano e sagrado, dimensão complexa da vida. Corporeidade, dor, sofrimento perpassam pelas páginas da Bíblia. Aflição e choro integram as bem-aventuranças. “Bem-aventurados os que choram, pois eles serão consolados” (Mt 5, 4). De que modo enfrentar com esperança e resignação as mais variadas perdas e derrotas da vida, sobretudo o dissabor da morte? A fé, chama divina que crepita no íntimo de quem crê, poderá iluminar, sendo capaz de trazer uma resposta consoladora e reconfortante. Importante também recorrer a Maria Santíssima, Mãe Compadecida e Consoladora dos aflitos. Muitas vezes, a cultura moderna lida com o sofrimento de maneira perigosa. As promessas de felicidade são baseadas no ter, poder e prazer, pondo em segundo plano os dramas humanos mais sérios. Gastam-se muitas energias para escapar das situações de sofrimento, julgando possível dissimulá-lo. É preciso mostrar o seu sentido. A Igreja tem cuidado dessa realidade?

Atualmente, vive-se num mundo mórbido e ferido. Além da finitude, que é natural a todos, as pessoas sofrem com um tipo de sociedade desigual e injusta, privilegiando certas minorias e exaltando a riqueza e o poder acima da vida. Enquanto isso, muitos padecem de inúmeras violações. Se, de um lado, a medicina avançada alivia e cura tantos males; de outro, o lucro e a busca desenfreada pelo dinheiro fazem pesar sobre a humanidade muitas morbidades. Os interesses lucrativos distanciam cada vez mais os carentes de benefícios e das descobertas científicas. O avanço da medicina, que deveria ser para todos, torna-se impiedosamente seletivo. Diante disso, o cristianismo precisa ensinar o valor da compaixão que ampara e do engajamento contra as cruzes impostas pelas forças de morte do mundo hodierno.

A sociedade passa ao largo diante das queixas e dores dos cidadãos. Profissionais da saúde não se preocupam mais em ouvir. Em grego o termo “clínica” significa escutar, debruçar-se sobre alguém e pôr as mãos. O professor doutor Celso Matias costumava repetir a seus alunos. Isso significa solidariedade e compaixão. Maria Santíssima, ao pé da cruz, é um símbolo de sofrimento e compassividade. O mundo deixou de ser exorável. Além da insensibilidade, empurra as pessoas para o circuito deletério do binômio produção-consumo. Vive-se uma lógica perversa. Enquanto isso, o corpo deve suportar as consequências nefastas da indiferença. Depressão, medo e desprezo são frequentemente realidades causadas pela sociedade atual. E quais as respostas? Ansiolíticos, terapias paliativas etc. Há dores físicas e mentais que, se não tratadas a tempo, transformam-se em mais padecimento.

Enquanto alguns sonham em explorar outros planetas, seria mais urgente, sábio e justo reconquistar a corporeidade: espaço do sagrado mistério da vida e “templo de Deus” (1Cor 3, 14). Hoje, a vulnerabilidade corpórea pesa sobretudo para os mais carentes e menos favorecidos. O rito da escuta atenta e a palavra partilhada são importantes para a saúde do corpo e da alma. Cristo sempre escutava e era cheio de misericórdia pelos doentes e pobres, sofridos e pecadores, colocando-se ao lado dos esquecidos e rejeitados de seu tempo.

Os cristãos devem seguir a sensibilidade de Jesus com os mais feridos da condição humana. “Tive compaixão deles, pois eram como ovelhas sem pastor” (Mc 9, 36-38). “O Verbo se fez carne para que não fosse desprezado nenhum corpo, por mais ferido que esteja”, lembrava São João Paulo II na Carta Apostólica “Salvifici Doloris” (Do sofrimento salvífico). A presença misericordiosa diante do infortúnio do próximo torna Deus presente O amor fraterno salva e a caridade redime. O salmista nos consola e fortalece: “Muitas são as aflições dos justos, mas de todas elas o Senhor os libertará” (Sl 34/33, 20).

A nova Encíclica

Padre João Medeiros Filho

Destacam-se, do ponto de vista teológico, pastoral e metodológico os artigos de nosso Arcebispo Dom João Santos Cardoso sobre a Magnífica Humanidade, publicados na Tribuna do Norte em 12, 19 e 26 de junho próximo passado. Ensinamentos preciosos e oportunos. Apenas desejo pinçar alguns trechos de Leão XIV, que considero relevantes. “O verdadeiro desenvolvimento humano não pode ser medido apenas por eficiência técnica ou crescimento econômico.” A humanidade deve sedimentar sua dignidade, seu compromisso moral e necessidade de reconstruir relações fundadas na verdade, justiça e partilha. Em meio às incertezas da era digital, o documento enfatiza: “Nenhuma automação poderá substituir a experiência humana de amor, misericórdia e interação entre as pessoas.” A Igreja e os povos são convidados a refletir sobre o tipo de civilização que se constrói. A capacidade de amar, transmitir a verdade, viver em comunhão com Deus (próprio do ser humano) é inegociável e não poderá ser absorvida pela tecnologia. Diz o relato bíblico: “Deus criou o ser humano à Sua imagem” (Gn 1, 27).

O Santo Padre adverte sobre “formas de apropriação da inteligência artificial, acentuando cenários de exclusão.” Não raro, concentram riquezas nas mãos de poucos, impondo sacrifícios a quem já padece de pobreza e exclusão. Ademais, enfatiza que o avanço tecnológico migrou da esfera estatal para a privada. Apresenta-se, muitas vezes, “transnacional, dotado de recursos e capacidades de intervenção superiores aos de muitos governos.” Destarte, o poder tecnológico assume uma identidade inédita, predominantemente privada, talvez mais difícil de orientá-lo para o bem comum. Diante disso, indaga-se: a quem servem tais avanços e seus reais propósitos? 

No afã de abraçar uma tecnologia aprimorada, o homem sujeita-se a certos perigos, oriundos da irresponsabilidade ética. Tal postura poderá afastá-lo de seus autênticos interesses e torná-lo totalmente desprovido da pertença a uma comunidade. Tal situação oferece-lhe mais condições de considerar as necessidades dos mais pobres e incautos, inclusive no que tange a seu futuro.

Após citar aspectos éticos, sociais, educacionais, culturais, políticos, dentre outros, o Pontífice aponta para a vocação universal dos cristãos a fim de edificar a “civilização do Amor”. Esta torna-se ainda mais necessária, “quando o ódio vai se apoderando fortemente do coração humano e da mente daqueles que, em posições de prestígio ou poder, validam iniciativas catastróficas.” Estas revelam insensibilidade ao sofrimento alheio. A Encíclica suscita nas pessoas de boa vontade o desejo de ir além. Não basta se deter na resignação, é preciso contar com as forças do Bem e do Amor, mesmo enfrentando novos tipos de ataques e golpes à dignidade humana.

Importa aos cristãos olhar para as transformações tecnológicas com ética, responsabilidade social, discernimento espiritual e zelo pela dignidade humana. O Papa convida os fiéis a voltar-se para a contemplação, interioridade e presença real (não apenas virtual). Isso facilitará um ambiente cultural propício à reflexão sobre sua essência. O texto papal insiste sobre a urgência de estruturar “uma sociedade mais justa e fraterna, nascida de vínculos vividos em família, no trabalho, na convivência, na educação e política.” A partir dessa perspectiva, a Encíclica assinala que cada pessoa possui responsabilidades concretas na elaboração e fortalecimento da “civilização do Amor”. Além disso, a Magnífica Humanidade reitera que a tecnologia jamais poderá substituir “aquilo que pertence à essência humana: compaixão, amizade, sofrimento compartilhado, misericórdia e comunhão com Deus.” Atente-se à recomendação do apóstolo Paulo aos coríntios: “Santo é o santuário de Deus, que sois vós” (1Cor 3, 17).

Audiência na Arquidiocese discute Dom Nivaldo, BR-101 e o Cônego Monte

Representantes da família Monte, Roberto e Marcelo de Miranda Monte, estiveram hoje com o Arcebispo da Arquidiocese de Natal, Dom João Santos Cardoso.

A denominação da BR-101 com a nomenclatura Dom Nivaldo Monte em todo o território potiguar, já foi aprovada na Câmara Federal e encaminhada para sanção Presidencial. Marcelo de Miranda Monte entregou a Dom João um dossier que consta todas as etapas de tramitação do projeto.

Dom João recebeu com entusiasmo a proposta de realizar uma grande Celebração Eucarística, presidida por ele, na Nova Catedral em uma data a ser confirmada no mês de setembro.

Acervos das Obras de Dom Nivaldo e do Padre Monte 

Desde quando Dom Nivaldo era vivo, Oswaldo fez um amplo levantamento das obras e escritos do nosso querido Cônego Monte. Também foi consultado o material de Jurandyr Navarro, grande amigo da família.

Após esse levantamento do Padre Monte, Nivaldo pediu a Terezinha Vilar, que fossem repassados todos os livros, que constavam suas várias edições.

Após o falecimento de Dom Nivaldo, através da prima Cristina foram lozalizados materiais super preciosos, como duas pastas com suas Meditações Matinais, que saíram tanto na Rádio Rural quanto na Rádio Poty.

Por último, com a prima Helenita Monte de Holanda, foram obtidas cerca de 125 gravações em áudio do material citado acima.

Enfim se possui a totalidade daquilo que podemos chamar as obras completas de Dom Nivaldo Monte e do Cônego Luiz Gonzaga do Monte. O intuito é a publicação, disseminação e socialização de todas as obras.

Será ampliado os contatos e muito em breve se voltará à Cúria para fechar o dia da homenagem ao nosso querido Niniu, Dom Nivaldo.

O grupo familiar dos Monte tende a ficar cada vez mais integrado com a nossa querida Arquidiocese de Natal. Muito trabalho a fazer, mas com a disposição que temos e a que encontramos com Dom João, já começamos com passos gigantescos.

Visite: www.dhnet.org.br/nivaldomonte

No Alecrim (Natal) viveu um santo

Padre João Medeiros Filho

Em decreto de 18/06/2026, o Dicastério para as Causas dos Santos reconheceu as virtudes heroicas de Padre Júlio Emílio Alberto De Lombaerde, mais conhecido como Padre Júlio Maria, declarando-o Venerável. Ele, Missionário da Sagrada Família, foi pároco de São Pedro (Natal/RN), segunda freguesia a ser criada na capital potiguar. Destacou-se por um fecundo apostolado. Devoto da Mãe de Cristo, apôs Maria a seu prenome. Entre os feitos do seu paroquiato natalense, consagrou Natal a São Pedro (resultando desse ato o ponto facultativo do dia 29/06), erigiu a torre da matriz e fez colocar no zimbório do templo a imagem do padroeiro, uma obra artística de Hostílio Dantas, sobrinho do latinista Cônego Estevão Dantas. O referido artista idealizou também o busto de Padre João Maria, que adorna uma praça no centro de Natal.

Convém lembrar que, no século XX, além do ínclito Venerável, nossa capital foi marcada pelo apostolado de abnegados Missionários da Sagrada Família e quatro sacerdotes europeus. O belga Tiago Theisen – declarado oficialmente Patrono da Educação Infantil do RN – evangelizou a zona norte natalense. O holandês Pio Hensgens, sacerdote redentorista, foi o apóstolo da zona sul. O zeloso Agustin Catalayud, jesuíta espanhol, hoje emérito, cuidou da Cidade da Esperança. O quarto presbítero foi Sabino Gentile, italiano e religioso salesiano, posteriormente padre secular de nossa arquidiocese. Marcou espiritualmente o bairro de Mãe Luiza. Tais sacerdotes viveram a recomendação do Mestre: “Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho (Mc 16, 15).

De 1926 a 1928, Padre Júlio Maria administrou a paróquia de São Pedro, que abrangia os bairros nascentes da capital. Cabe exaltar o ardor apostólico dos Missionários da Sagrada Família, atuando no RN, desde 1912. Cuidaram de várias paróquias em nossa arquidiocese: São Pedro e São Sebastião (Alecrim), Bom Jesus (Ribeira), Sagrada Família (Rocas), assistindo também Extremoz e São Gonçalo. Sua atividade sacerdotal não se restringiu a nosso arcebispado. Seu apostolado foi rico e edificante na diocese de Caicó. Ali, Padres José Biesinger, Estanislau Piechel e outros exerceram com dedicação, durante anos, a missão sacerdotal na Paróquia de Sant’Ana, como vigários paroquiais de Monsenhor Walfredo Gurgel e párocos de Jardim do Seridó, Serra Negra do Norte, Jucurutu e Florânia. Padre Estanislau desenvolveu no Seridó a apicultura e a extração de minérios, especialmente scheelita. A diocese de Mossoró também contou com a colaboração dos religiosos da Sagrada Família em Martins, Alexandria e Patu (onde dirigem o Santuário do Lima).

Tive a graça de conhecer a casa onde nasceu Júlio De Lombaerde, em Beveren-Leie (hoje Waregem), na diocese de Bruges, quando de minha permanência na Bélgica. Seus familiares orgulhavam-se de sua evangelização no Brasil. Por duas vezes, ele esteve no Rio Grande do Norte, em 1912-1913 e de 1926 a1928, quando foi transferido para Manhumirim (MG). Ali, fundou o jornal “Lutador” (atualmente circulando como revista) e deixou centenas de publicações de teologia, espiritualidade, apologética, mariologia etc. Legou à Igreja duas congregações religiosas com o carisma de divulgar a devoção eucarística. Faleceu com fama de santidade, em 24/12/1944, num acidente automobilístico, no município de Vargem Grande (MG), posteriormente denominado Padre Júlio Maria. “Servo fiel, vem para a alegria de teu Senhor” (Mt 25, 21).

O “Anjo de Natal”

Padre João Medeiros Filho

Passado mais de um século, Padre João Maria Cavalcanti de Brito continua a encantar os fiéis. Seu exemplo de amor a Cristo e ao Evangelho convida-nos a uma postura despojada, voltada para os valores éticos e evangélicos, distantes de interesses mesquinhos, desprovidos de solidariedade. Sua história mantém-se viva na memória de muitos. Volto a insistir: apesar de não ter sido ainda canonizado, foi elevado pela fé e devoção popular à honra dos altares de nossos corações e do reconhecimento do povo. Suas virtudes e carismas – sinais da presença de Deus em sua vida – suplantam os meandros burocráticos. Ninguém consegue aprisionar a graça divina e a força da fé.

Padre João Maria toca cada vez mais nossos corações. Nosso Arcebispo Metropolitano Dom João Santos Cardoso, nos albores do seu episcopado em Natal, num gesto de reverência, piedade e delicadeza, depositou flores diante do busto do “Anjo de Natal” e rezou pelo seu novo rebanho. Em apenas dois anos de pastoreio entre nós, Dom João retomou o processo de beatificação do Servo de Deus, Padre João Maria. Concluiu a fase diocesana e enviando a documentação à Santa Sé.

Em 1955, ao chegar ao Seminário de Natal, o Reitor, Monsenhor Alair Vilar, reuniu os novos seminaristas (inclusive, os de outras dioceses) para dar-lhes as boas-vindas. Em sua fala cheia de ternura paterna, fez-nos duas recomendações: “Sejam santos e piedosos como este” (apontando para uma pintura de Moura Rabelo, retratando o “Apóstolo da Caridade” diante de um tugúrio, visitando os doentes). E defronte da foto de Cônego Monte, acrescentou: “Sejam estudiosos e sábios como ele.” Tornei-me admirador de ambos. Sabendo que não seria como eles, supliquei a Deus que me desse um pouco da humildade do primeiro e da erudição do segundo. Na mesa de cirurgia, ao ser submetido ao terceiro transplante de córnea, pedi a intercessão de Padre João Maria. Ao recuperar a visão, aumentou minha devoção por ele.

Em julho próximo, a Dandara Turismo, sob a supervisão da Arquidiocese, irá inaugurar o projeto de excursões peregrinantes em homenagem ao grande apóstolo natalense. Intitulam-se “Nos caminhos do Seridó, na cultura e na fé de Padre João Maria.” As romarias convidam-nos a reviver alguns passos do abnegado presbítero, visitando a região onde nasceu e exerceu os primeiros anos de sacerdócio. Na diocese de Caicó, foi capelão de sua terra natal (Jardim do Piranhas) e como tal benzeu as águas do Rio Piranhas-Açu). Segundo testemunho de pessoas mais idosas, esteve em Barra de Sant’Ana (município de Jucurutu), hoje inundada pela barragem de Oiticicas, integrante do Complexo Hidrossocial Dom José Delgado.

“O Santo de Natal” foi pároco de Nossa Senhora da Guia, que compreendia os municípios de Acari, Carnaúba dos Dantas, Cerro Corá, Cruzeta, Currais Novos, Florânia, Lagoa Nova, São Vicente e Tenente Laurentino. Além do imenso território seridoense que compunha a sua grei, era encarregado da Paróquia de Picuí, incluindo Cuité, Cubati, Frei Martinho, Nova Palmeira, Nova Floresta e Pedra Lavrada. Em extensão, seu campo de apostolado era maior que a superfície do bispado seridoense.

Monsenhor Paulo Herôncio de Melo, outro apóstolo dos pobres, fundou em Currais Novos o Hospital Padre João Maria, a quem costumava denominar “Colo de Deus para os esquecidos e sofridos.” Que do Céu, o “Anjo de Natal” ilumine nossos pastores, especialmente Monsenhor Lucas, cujo natalício coincide com o seu, em 23 de junho. Guie, igualmente, a equipe encarregada de divulgar sua devoção. Seja sempre glorificado no templo de nossa gratidão. “Cristo virá para ser glorificado em seus santos e reconhecido Admirável” (2Ts 1, 10).

Álvaro Dias participa da procissão de Santo Antônio e acompanha celebrações do padroeiro em Senador Georgino Avelino

O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Álvaro Dias, participou na tarde deste sábado das celebrações em homenagem a Santo Antônio Achado, padroeiro do município de Senador Georgino Avelino. Ao lado da comunidade local, Álvaro acompanhou a tradicional procissão e participou da missa que integra a programação religiosa da festa.

Recebido pelo prefeito Antônio Freire e pelo vice-prefeito Jorge Motta, o pré-candidato se uniu aos fiéis na caminhada de fé que teve início no Mirante de Santo Antônio Achado e seguiu até a Igreja Matriz, reunindo moradores, famílias e visitantes em um dos momentos mais importantes do calendário religioso do município.

Também participaram da celebração a deputada estadual Cristiane Dantas, o empresário e ex-deputado estadual Fábio Dantas e o pré-candidato a vice-governador, Babá Pereira, além dos vereadores Odélio Inácio, Juscelino Régis, João Eduardo, Roseli Costa (Lika), presidente da Câmara Municipal, Diego do Peixe, Yago Santana, Valdemar Cirilo, Severina Bezerra e José Cosme.

Após a procissão, Álvaro participou da missa, acompanhando de perto um momento de fé, reflexão e união entre os moradores da cidade.

A Festa de Santo Antônio Achado é uma das mais importantes manifestações religiosas e culturais de Senador Georgino Avelino, reunindo anualmente a população em torno da devoção ao padroeiro e fortalecendo os laços de identidade, fé e pertencimento da comunidade.

A participação de Álvaro Dias nas celebrações reforça sua agenda de visitas aos municípios potiguares e sua valorização das tradições religiosas e culturais que fazem parte da história e da identidade do povo do Rio Grande do Norte.

Cadu celebra os 25 anos da Paróquia de São José de Anchieta, em Natal

O pré-candidato ao Governo do RN, Cadu de Lula, participou, na noite desta terça-feira (9), da concelebração realizada em comemoração ao Jubileu de Prata (25 anos) da Paróquia São José de Anchieta, localizada no bairro de Lagoa Nova, na Zona Sul de Natal, onde foi recebido com carinho pela comunidade paroquial, com quem partilhou preces e renovou a fé na transformação social que a Igreja representa em nosso estado.

“Essa foi uma noite emocionante de renovação da fé e de celebração da trajetória de uma comunidade que é exemplo de acolhimento em Natal. Neste momento é importante também reconhecermos que parte da história construída ao longo dos 25 anos desta paróquia se deve ao trabalho e a dedicação do nosso querido Padre Sávio, que conduz essa comunidade com tanto amor, mantendo vivo o espírito de São José de Anchieta em cada ação social e espiritual. Saio dessa noite com o coração cheio de esperança, reafirmando minha crença de que temos aqui um pilar fundamental para a transformação social que desejamos para o nosso Rio Grande do Norte”, afirmou Cadu.

Com o tema “Sob a Tenda da Eucaristia: Acolher, Amar e Evangelizar como São José de Anchieta”, a programação marca também o Dia de São José de Anchieta, comemorado em todo o mundo no dia 9 de junho, além de celebrar a Dedicação da Igreja Matriz e do Altar da Paróquia, dirigida pelo Padre Carlos Sávio. A concelebração foi presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Natal, Dom João Santos Cardoso.

A Solenidade de “Corpus Christi”

Padre João Medeiros Filho

Na próxima quinta-feira, celebrar-se-á a festividade do Corpo de Cristo, “o Pão vivo que desceu do céu” (Jo 6, 51), o alimento espiritual que nos une e fortalece. A festa foi instituída pelo Papa Urbano IV no dia 8 de setembro de 1264, com o objetivo de proclamar a grandeza da Eucaristia. Por esse augusto sacramento Jesus quis permanecer junto de seus irmãos. “Não vos deixarei órfãos” (Jo 14, 18). A presença de amigos é fundamental na existência humana. Ninguém gosta de caminhar sozinho. Na trajetória, o diálogo é de suma importância. Por isso, Cristo legou-nos esse memorial, manifestação de sua constante companhia. Não queria que padecêssemos de solidão. Por isso, fez-se Pão e Permanência. Na Eucaristia comungamos o Corpo e o Sangue do Senhor, sua humanidade e divindade, de forma mística.

A vida que Deus-Pai idealizou para cada um de nós é fortalecida com o Pão Celeste, preparado para os seus filhos. A Eucaristia é antecipação da Eternidade, do imenso banquete e encontro da família de Deus. Este deseja que possamos antegozar o definitivo de nossa história, o abraço incessante do Criador com as criaturas. No sacrossanto mistério eucarístico temos Deus em Jesus atenuando as saudades de nossas origens.

Segundo a doutrina católica, além de recebermos o Corpo e Sangue de Cristo, entramos também em comunhão com sua doutrina e mensagem. Não existe um Cristo dividido ou separado. Comunga quem está disposto igualmente a alimentar-se do Evangelho de Jesus, a viver a verdade, justiça, liberdade, perdão e amor. O Brasil, que se diz cristão, ainda está bem distante dessa realidade. Recebendo Cristo, não podemos aceitar o que Ele condenou: discriminação, mentira, miséria, indiferença, egoísmo, abandono de inocentes, idosos e doentes, radicalismo e ódio. Junto com o sacrifício da cruz, a comunhão é o gesto supremo de amor de nosso Salvador. Este convida-nos a partilhar nossa vida. Eis um dos simbolismos do partir o Pão (“fractio panis”) na missa.

A Eucaristia é o sacramento da unidade. Cristo reuniu em seu corpo, gerado no seio de Maria, a humanidade inteira. Desta forma, comungar é também se unir a todos aqueles que aceitam e vivem o pensamento do Mestre. A Eucaristia é o Pão da unidade e verdadeira igualdade. Cristo revela-se como irmão de todos: santos e pecadores, pequenos e grandes, fortes e fracos. No sacramento eucarístico Cristo dá-nos a certeza de que “Deus não faz distinção de pessoas.” (Rm 2, 21). A comunhão que recebe o Papa é a mesma destinada aos simples fiéis. A Eucaristia é a certeza permanente da solidariedade de um Deus, do amor e da ternura de um Pai.

O mistério eucarístico é Deus nos dizendo: eu amo todos, quero alimentá-los, “pois quem comer deste Pão, jamais terá fome” (Jo 6, 35). Na Eucaristia Deus espera por nós. É o abraço divino reservado e antecipado, o beijo carinhoso de um Irmão discreto e bondoso, que vem silenciosamente para dizer que nos ama e perdoa. A Eucaristia é o sacramento da realidade celestial. Num paradoxo é a perenidade no tempo pela encarnação do Filho de Deus Eterno, o qual quis estar unido à humanidade, mostrando que ela tem valor eterno. Não importam nossos pecados e limitações. Deus nos perfilhou por ato de misericórdia e clemência, fruto de sua incomensurável gratuidade. A Eucaristia é a resposta para o Brasil de hoje, desnorteado e dividido, abandonando suas origens e vocação! “À mesa dos mortais Cristo se assentou”, afirma o Hino do XXXVIº Congresso Eucarístico Internacional (RJ). Não se pode esquecer o que disse um sábio e santo que viveu entre nós: “Sem a Eucaristia somos pequenos demais para o Céu. Com ela, demasiadamente grandes para a terra (Cônego Luiz Monte).

Prefeitura de Parnamirim realiza maior Marcha para Jesus do município

A Prefeitura de Parnamirim promoveu no último sábado (30) a maior edição da Marcha para Jesus já realizada na história do município. Mais de 15 mil pessoas participaram do evento, que reuniu cristãos de diversas denominações em um grande momento de adoração, comunhão e oração pelas famílias e por toda a cidade.

Organizada por meio da Secretaria Municipal de Cultura (SEMUC), a programação foi marcada por muita alegria, louvor e demonstração de fé. A concentração contou com apresentações do Forró Som do Reino e do Ministério Rafá, que animaram o público antes do início da caminhada.

Em seguida, os participantes acompanharam a apresentação do cantor Eli Soares no Trio Pranchão, transformando as ruas da cidade em um grande ato de louvor e unidade cristã.

A programação foi encerrada no palco principal com shows das bandas Conexão Vibration, Amor Music e Via Sete, além das cantoras Alice Maciel e Valeska Mayssa, que emocionaram o público com momentos de adoração e celebração.