Giovani Jr, Manoel Diniz e seu filho Michael Diniz serão os entrevistados deste sábado (24), no programa A Voz da Liberdade, apresentado pelos jornalistas Gilson Moura e Waldemir Tapioca. O programa vai ao ar todos os sábados das 10h às 12h.
Além de falar sobre sua trajetória, os entrevistados irão falar sobre assuntos administrativos e também de política. Sem censura ou meias palavras, assim é A Voz da Liberdade.
O secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, disse nesta 6ª feira (23.abr.2021) que o Censo Demográfico não será realizado em 2021. O motivo, segundo ele, é a falta de recursos previstos no Orçamento.
“Não há previsão orçamentária para o Censo. Portanto, ele não se realizará em 2021. As consequências e gestão para um novo Censo serão comunicadas ao longo deste ano, em particular a partir de decisões tomadas na Junta de Execução Orçamentária”, disse a jornalistas no Palácio do Planalto.
Responsável pelo Censo Demográfico, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) já havia decidido em abril suspender as provas do processo seletivo para recenseadores e agentes censitários que trabalhariam na pesquisa –inicialmente prevista para ser realizada em 2020, mas adiada por causa da pandemia.
A decisão foi tomada depois de cortes dos recursos previstos no Orçamento da União para a realização do Censo, quando o Congresso reduziu o valor previsto para a pesquisa de R$ 2 bilhões para R$ 71 milhões.
“As razões do adiamento foram colocadas no momento em que o Censo não teve o recurso alocado no processo orçamentário”, disse Waldery.
ORÇAMENTO “EXEQUÍVEL”
Rodrigues disse na entrevista que o Orçamento de 2021, da maneira como foi sancionado, é “exequível”. Segundo ele, não há risco de ‘shutdown’, termo mais conhecido para a paralisação da máquina pública.
“Da maneira como foi colocada, nós teremos, com os instrumentos enviados ontem, a possibilidade de análise da dinâmica orçamentária ao longo do ano e entendemos que neste momento não corremos riscos de termos parada em nenhum dos ministérios”.
Participaram da entrevista a jornalistas:
• Bruno Grossi (secretário especial de Relações Governamentais);
• George Soares (secretário de Orçamento Federal);
• Waldery Rodrigues (secretário especial da Fazenda); e
• Bruno Funchal (secretário do Tesouro Nacional).
O presidente Jair Bolsonaro sancionou nessa 5ª feira (22.abr), com vetos parciais, o Orçamento. Foi o capítulo final de um processo em que se evitou impor uma dura derrota ao ministro Paulo Guedes, mas do qual ele sai desgastado. O chefe da pasta da Economia chegou a defender o veto integral do texto, mas passou a considerá-lo “exequível” depois de o Congresso aprovar um projeto de alívio de R$ 9 bilhões.
O Brasil fechou a última semana epidemiológica (Semana 15) com uma redução de 7% no número de casos confirmados da doença. Os números foram atualizados em balanço do Ministério da Saúde nesta quinta-feira (22). Entre os dias 11 e 17 de abril, foram 455.085 casos, o que significa 36.324 a menos comparado com a semana epidemiológica anterior, com 491.409 casos.
Em relação aos óbitos, foram registradas 20.344 mortes na semana passada, uma queda de 4% em relação à semana anterior, o que é considerado, pela pasta, como uma estabilização dos números. O maior registro de novos óbitos ocorreu em 8 de abril, com um total de 4.249 notificações em um dia.
Na última semana, o país apresentou redução nos registros da doença em 13 estados e no Distrito Federal, aumento em seis e estabilização em sete. Os estados que tiveram redução foram Amapá, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Minas Gerais, Amazonas, Ceará, Pernambuco, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará, São Paulo, Acre e Mato Grosso e o Distrito Federal. A estabilização dos casos ocorreu no Rio Grande do Sul, Rondônia, Rio de Janeiro, Paraíba, Piauí, Paraná e Tocantins e o aumento ocorreu na Bahia, Santa Catarina, Sergipe, Alagoas, Roraima e Maranhão.
Dez estados apresentaram queda no número de mortes, enquanto em nove houve aumento nos registros. Outros sete estados e o DF tiveram estabilização. A redução no número de novos óbitos ocorreu no Amazonas, Ceará, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Paraíba, Rio Grande do Norte e Espírito Santo. Houve estabilização no Maranhão, Distrito Federal, Goiás, Rondônia, Bahia, São Paulo, Alagoas e Tocantins. O aumento foi constatado no Sergipe, Piauí, Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Acre, Amapá, Roraima e Pará.
Este ano, até o dia 19 de abril, foram confirmados 81.574 casos de Síndrome Gripal (SG) por covid-19 em profissionais de saúde. As profissões com maiores registros da doença foram técnicos/auxiliares de enfermagem (29,5%), enfermeiros (16,9%), médicos (10,8%), farmacêuticos (5,4%) e agentes comunitários de saúde (5,2%).
Até 17 de abril, foram confirmados 951 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) hospitalizados em profissionais de saúde por covid-19. Outros 315 casos encontram-se em investigação.
Variantes
De 9 de janeiro até 17 de abril, foram identificados 2.074 de casos de covid-19 pelas variantes em 25 estados. Desse total, 73 são da variante do Reino Unido (B.1.1.7), 1.998 da variante do Amazonas (P.1) e três da variante da África do Sul (B.1.351).
Até 17 de abril, foram registrados 11 casos de reinfecção no país – cinco pela variante do Amazonas. Os estados que registraram casos de reinfecção, até o momento, são: Rio Grande do Norte (1), Goiás (1), São Paulo (3), Minas Gerais (1), Paraná (1), Amazonas (3) e Santa Catarina (1).
Reações adversas
De acordo com o Ministério da Saúde, foram notificados, nos dois primeiros meses da campanha de vacinação contra a covid-19, um total 39.234 casos suspeitos de Eventos Adversos Pós-Vacinação (EAPV). Desses, 37.780 foram classificados como sem gravidade. De acordo com a pasta, os eventos adversos não possuem necessariamente uma relação direta com a aplicação da vacina.
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte, por meio da Delegacia Especializada em Narcóticos (DENARC) de Natal e da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), deflagrou, nesta sexta-feira (23), a “Operação Prainha”, no Paço da Pátria, em Natal. As ações aconteceram de forma integrada com a Polícia Militar, Polícia Federal, Polícia Penal, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil da Paraíba e equipes da Força-Tarefa de Combate ao Crime Organizado do Ministério da Justiça em Natal e Mossoró.
A operação teve como objetivo apreender armas de fogo e prender Renato Rovegno de Souza Júnior, suspeito do latrocínio que vitimou o policial militar Gustavo Pinheiro de Andrade, morto em 13 de abril, no bairro Capim Macio, em Natal, durante uma tentativa de roubo ocorrida em um estabelecimento comercial, quando o policial reagiu à ação e foi morto.
Durante as diligências realizadas nesta sexta-feira (23), Renato Rovegno, acompanhado de outro homem ainda não identificado, reagiu à abordagem realizada pela Polícia Militar e ambos foram atingidos por disparos, morrendo no local. Na ocasião, foram apreendidas com eles duas armas de fogo, sendo uma pistola .40 usada pelo cabo Gustavo, pertencente à Polícia Militar, e uma pistola 9mm.
O nome da operação, “Prainha”, remete à localidade no lado oposto ao Paço da Pátria, na qual foragidos da Justiça costumam se esconder e onde também foram realizadas diligências. As ações contaram com a participação do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque), do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) e da Companhia Independente de Proteção Ambiental (CIPAM), todos da Polícia Militar, além da atuação dos canis da Polícia Federal e do Grupo Penitenciário de Operações com Cães (GPOC), e a presença do helicóptero da Polícia Civil da Paraíba.
A Polícia Civil solicita que a população continue enviando informações de forma anônima, por meio do Disque Denúncia 181.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Polícia Civil/RN – SECOMS
O presidente Jair Bolsonaro sancionou, nesta 5ª feira (22.abr.2021), com vetos parciais, o Orçamento de 2021. Trata-se do capítulo final de um processo em que se evitou impor uma dura derrota ao ministro Paulo Guedes, mas do qual ele sai desgastado. O chefe da pasta da Economia chegou a defender o veto integral do texto, mas passou a considerá-lo “exequível” depois de o Congresso aprovar um projeto de alívio de R$ 9 bilhões.
A medida foi publicada no Diário Oficial da União desta 6ª feira (23.abr). Leia a íntegra (5 MB).
O presidente vetou R$ 10,5 bilhões nas emendas do relator, R$ 1,4 bilhão em cortes de emendas de comissão do Poder Legislativo e outros R$ 7,9 bilhões em despesas discricionárias do próprio Poder Executivo. Somados aos R$ 9 bilhões bloqueados a partir do projeto aprovado pelo Congresso no início desta semana, o governo ganhou R$ 28,8 bilhões de espaço no Orçamento.
Em nota (íntegra – 272 KB), o Ministério da Economia diz que a medida “permite que o valor bloqueado possa vir a ser desbloqueado ao longo do ano, na hipótese de novas projeções indicarem a existência de um novo espaço no teto de gastos”.
Também foi vetada a autorização para a criação de cargos na Polícia Militar e no Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, “os quais são custeados pela União”, diz o documento.
O Orçamento deste ano, aprovado no fim de março, define um total de R$ 4,325 trilhões em despesas.
Pela proposta, a União fechará 2021 com deficit primário de R$ 247,1 bilhões, resultado igual à meta fiscal estabelecida para o ano.
O diretor da IFI (Instituição Fiscal Independente) do Senado, Felipe Salto, afirmou em seu perfil no Twitter que considera insuficiente a opção que o governo fez para o Orçamento não descumprir a regra do teto de gastos.
Salto lembrou que a necessidade calculada pela IFI é de R$ 31,9 bilhões, enquanto o total cortado pelos vetos e bloqueios foi de R$ 28,8 bilhões.
“O problema é que esse contingenciamento vai prejudicar programas e projetos essenciais, elevando o risco de shutdown, ainda que o teto seja preservado”, afirmou.
8/n. Minha conta preliminar: a discricionária do Executivo (RP 2) ficaria em torno de R$ 85 bi c/ o corte potencial de R$ 16,9 bi, nível historicamente baixo. O gov escolheu operar no fio da navalha, avaliando recorrentemente eventual necessidade de descontingenciamento. FIM.
Paulo Guedes disse ao presidente, em 31 de março, que o texto aprovado pelo Congresso poderia, se sancionado, levar a um processo de impeachment. Bolsonaro passou a cogitar o veto integral do Orçamento, ou, ao menos, de algumas partes do texto, caso a 2ª solução elimine eventuais ilegalidades.
Segundo relato de Guedes a Bolsonaro, o Orçamento, sem os vetos, aumentaria de maneira ilegal as despesas com investimentos e isso provocará o desrespeito à regra constitucional do teto de aumento de gastos e à LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal).
Em 9 de abril, Guedes criticou a forma como o Orçamento foi negociado. Em um evento do Bradesco BBI, comparou a negociação do Orçamento a uma nave pilotada por macacos: “Você está aterrissando a nave em Marte. Aí chega um macaco lá, aperta 3 botões, chuta o painel e começa a desviar a nave”.
Segundo o ministro, o “macaco” de sua analogia não é uma pessoa específica. Ele citou possíveis erros tanto na pasta em que comanda quanto nos congressistas envolvidos na formulação do Orçamento. Disse ainda que houve interferência de pessoas próximas ao presidente e que faltou comunicação. Esse seria o motivo para o valor de emendas parlamentares ter ultrapassado a expectativa inicial da pasta.
No mesmo evento, Guedes citou ações de um “ministro fura-teto” na busca por recursos. Sem citar nomes, Guedes afirmou que o colega de Esplanada coloca em risco todo o grupo político que apoia o governo. Em outras ocasiões, Guedes atribuiu o apelido a Rogério Marinho, atual chefe do Ministério do Desenvolvimento Regional e ex-membro da equipe econômica.
Em outro momento, Guedes afirmou que durante a negociação do Orçamento houve um ministro que prometeu privilegiar o relator da proposta, senador Márcio Bittar (MDB-AC).
“O relator estava recebendo conversa de ministro, tinha ministro pedindo dinheiro para ele e prometendo mandar dinheiro para o Estado dele. Ao mesmo tempo, tinha gente falando em nome do presidente que queria um pouco mais de dinheiro. Inclusive, disse o relator que houve proposta de furar o teto”, declarou.
Em 19 de abril, no entanto, o Congresso aprovou um projeto de lei que autoriza o bloqueio de R$ 9 bilhões em despesas discricionárias (exceto emendas parlamentares) para fazer a compensação de despesas obrigatórias. O texto também permite retirar da conta da meta fiscal despesas de saúde relativas à pandemia. Na prática, isso facilita o crescimento de despesas fora do teto de gastos.
O acordo firmado para aprovar esse texto reforçou as chances de permanência de Guedes no governo. Até antes da aprovação do projeto de lei com R$ 9 bilhões extras, o ministro sinalizava que não teria como permanecer no cargo. Agora, o cenário muda. Ainda assim, o ministro sai desgastado do processo. A relação com a cúpula do Congresso não é boa.
CONSULTORIA VÊ BURACO DE R$ 21,3 BI
Nas contas consultoria da Câmara dos Deputados, o Orçamento tem um buraco de R$ 21,3 bilhões nas despesas obrigatórias.
NA MIRA DO MP
O Ministério Público junto ao TCU (Tribunal de Contas da União) pediu que o órgão de controle fizesse um alerta preventivo de que a sanção sem vetos do Orçamento de 2021 poderia levar o presidente Jair Bolsonaro a responder por crime de responsabilidade.
Na representação, o subprocurador Lucas Furtado pediu ainda que seja apurada a responsabilidade da equipe econômica pela formulação do Orçamento com os problemas constatados. Eis a íntegra (198 KB) do documento assinado pelo subprocurador-geral do MP junto ao TCU, Lucas Rocha Furtado.
“A sanção do presidente da República ao projeto de lei orçamentária de 2021 pode incorrer, em tese, em crime de responsabilidade previsto na Lei nº 1079/1950, art. 10, item 4 (infringir, patentemente, e de qualquer modo, dispositivo da lei orçamentária)”, diz a peça, enviada em 5 de abril à presidente do TCU, Ana Arraes.
Doença mata cada vez mais pessoas jovens e, entre os que sobrevivem de quadros mais severos, crescem relatos de sequelas físicas e psicológicas da doença
A nova expectativa do Ministério da Saúde, que agora aponta setembro como mês provável para concluir a imunização de todos os grupos prioritários, elevou a ansiedade do cidadão comum que não aguenta mais esperar pela vacina contra o coronavírus e trouxe mais preocupação ao meio científico: se a vacinação em massa passar deste ano, justamente os que compõem a parcela mais frágil, os idosos, correm risco porque não se sabe ainda por quanto tempo a vacina irá protegê-los.
Além disso, esse atraso no calendário de vacinação, num país que não consegue fazer isolamento social, pode provocar uma terceira grande onda de mortes.
“Esse ritmo lento, que avança de forma muito paulatina para diferentes extratos da população, pode levar à ocorrência de três problemas: o primeiro é o surgimento de novas variantes, pois quanto mais o vírus se dissemina livremente em indivíduos não vacinados, maior a probabilidade de aparecimento de variantes, inclusive algumas não suscetíveis à vacina. Segundo é a probabilidade de uma terceira onda de contágio e mortes nos lugares onde já houve uma primeira e uma segunda onda. É uma possibilidade real, como aconteceu na Europa. Se vacinássemos a população antes de isso acontecer, evitaríamos muitas mortes. E tem uma terceira consequência possível: como a gente não sabe durante quanto tempo dura a imunidade induzida por vacinas, esperamos que seja muito, mas não sabemos, quem foi vacinado primeiro pode perder a imunidade até se imunizar todos os extratos da população. Por isso a vacinação em massa é muito importante”, disse à RFI o médico Alexandre Cunha, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia.
O governo havia falado que em maio os grupos prioritários, como idosos, portadores de comorbidades e determinados nichos profissionais, estariam imunizados abrindo as doses para a população em geral. Mas o ministro da saúde, Marcelo Queiroga, disse que esse cálculo feito pela equipe do antecessor Eduardo Pazuello era otimista demais para a realidade de percalços que o país enfrenta atrás de insumos. Queiroga afirmou, por sua vez, que há todo um esforço para encurtar a nova previsão.
Jovens com sequelas
O cenário ainda é catastrófico, mas os números indicam certa estabilização, pouco abaixo do ápice de mais de 4.000 mortes diárias a que o país assistiu semanas atrás. Não se sabe se o fatal patamar vai descer mais e em qual velocidade, ou se vai se manter num platô assombroso de três mil mortes por dia.
A covid-19 tem avançado sobre os mais jovens, com crescimento superior a 1.000% nas internações de pacientes entre 30 e 59 anos, segundo levantamento epidemiológico da Fiocruz, na comparação entre a primeira semana de janeiro e a última de março deste ano.
Até a faixa etária entre 20 e 29 anos engrossa as estatísticas, com aumento de quase 300% nas mortes desse grupo em São Paulo entre fevereiro e março, apontam dados da Secretária de Saúde do estado. E alguns dos que sobrevivem, especialmente aos casos mais graves, carregam as sequelas da doença por vários meses.
“Os jovens, devido ao tempo maior de internação, até porque em tese têm mais chance de lutar e sobreviver à doença, estão tendo sequelas pós covid. O que seria? Eles estão tendo fraqueza muscular, perda de massa muscular, dificuldade de respiração. Às vezes um descontrole nos batimentos cardíacos, ficam alterados. Mas também estou vendo casos mais graves após a infecção. Um exemplo é trombose no coração. E isso em pessoas extremamente saudáveis, até atletas, que praticavam atividade de alto nível, mas que acabam tendo essa condição pós Covid. E a maioria deles fica surpresa porque não esperava, pela idade e condição física, que seria acometida com esse tipo de sequela”, alerta o educador físico Vilter Moraes, que tem trabalhado na recuperação de pacientes em Jales, interior de São Paulo.
Renascimento
A RFI conversou com a psicóloga e servidora pública Rosany Fonseca, de 50 anos, que mesmo com todo cuidado contraiu o vírus no fim do ano do marido, que retornou de uma viagem sem sintomas. Ela ficou dez dias internada em janeiro, sete deles na UTI. Mesmo com boa condição física, caminhando cinco quilômetros todos os dias, Rosany viu sua saúde sucumbir ao vírus:
“Meu quadro era tão delicado que eu tomava remédios, em doses altas, de quatro em quatro horas. Houve um momento em que pedi algo para dormir, não estava aguentando. Pedi para Deus cuidar dos meus filhos e que fosse feita a vontade dele”, afirmou ao relatar o momento mais tenso que passou na internação.
O médico elevou ainda mais a dosagem de alguns remédios e a psicóloga, ao fim, não precisou ser entubada. Sobreviver a um quadro grave da doença é um “renascimento” para pacientes e cada dia é uma luta para superar traumas físicos e mentais.
“Pelo meu histórico, pelo que eu passei, me disseram que a minha recuperação ia durar mais ou menos seis meses. E assim estou indo. No dia 4 de março eu voltei ao hospital e fiz uma nova tomografia. Fui internada em janeiro, mas mês passado eu ainda estava com 30 a 50% do pulmão comprometido com sequelas, com manchas brancas pós-infecção. São sessenta dias de medicação para não coagular, mais o corticoide, mais o antibiótico, mais remédio para o estômago. E hoje eu sigo em processo de recuperação. Ainda não estou 100%, mas em comparação com o que eu passei, sinto que sou uma outra pessoa, porque renasci no dia 22 de janeiro”.
Rosany Fonseca contou que a covid a acompanha nos afazeres simples do dia a dia: “Ainda sinto muito cansaço e muita dor. Hoje mesmo eu fui ao mercado e trouxe umas compras. Isso é muito difícil porque eu não consigo carregar direito, ainda não tenho força, o cansaço toma conta, as minhas costas começam a doer, aí tenho que parar, tenho que respirar. Também tenho que aprender que, ou eu ando ou eu falo. Os dois ao mesmo tempo eu não consigo.”
A funcionária pública também relatou o peso de um quadro grave da covid no lado mental dos sobreviventes. “A doença destrói a gente física até emocionalmente. Depois que eu voltei do hospital, por mais de um mês, tinha crises de choro todos os dias, porque tudo para mim iria acabar em morte, em tragédia, em coisas ruins. Às vezes eu pedia para meu filho ir ao mercado aqui perto. O fato dele demorar um minuto, cinco minutos a mais do que estava previsto para chegar, eu já entrava em desespero, por achar que poderia ter acontecido alguma coisa com ele. Desenvolvi o transtorno do estresse pós-traumático mesmo. Não tenho nenhum problema em dizer isso, hoje eu tomo antidepressivo para tentar controlar um pouco essa ansiedade, porque estava ficando muito difícil, não estava conseguindo dormir mais, manter um equilíbrio. Estou fazendo minhas fisioterapias dentro de casa. Estou sempre buscando ajudar aqueles que precisam, inclusive ao falar do perigo dessa doença”.
O prefeito de Natal, Álvaro Dias, anunciou nesta quinta-feira (22) que não vai seguir na íntegra o novo decreto de flexibilização anunciado mais cedo pela governadora Fátima Bezerra. Em reunião na sede da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn) com representantes da Abrasel, ABIH, CDL, Fecomércio e Natal Convention Bureau, ele destacou “algumas divergências com o governo do estado com relação ao decreto”. As principais discordâncias são referentes à venda de bebidas alcoólicas em bares e restaurantes e ao toque de recolher integral aos domingos e feriados.
“Resolvemos elaborar um decreto alternativo com o apoio das entidades representativas, das classes produtivas, das prefeituras do interior do estado que estão concordando com a nossa decisão, com o apoio da Femurn”, declarou.
O prefeito declarou ter ciência que “existe uma pandemia instalada” e citou a abertura de 51 novos leitos de UTI e mais 300 leitos de enfermaria para coronavírus. “Diminuiu a pressão, a situação está bem melhor do que antes. E agora está se instalando aqui em Natal a pandemia da fome”, completou.
Entre as mudanças anunciadas pelo governo, o toque de recolher foi reduzido e passa a valer das 22h às 5ha partir de 24 de abril – antes, era das 20h às 6h. O governo também vai autorizar a ampliação do horário de funcionamento de bares e restaurantes, permitindo que os estabelecimentos também abram aos domingos – quando vale o “toque de recolher integral” – das 11h às 15h. A venda de bebidas alcoólicas para consumo em lugares públicos, incluindo bares e restaurantes, em qualquer dia ou horário, continua proibida.
Em uma primeira divergência do decreto do governo, o prefeito assegurou a liberação de venda e consumo de bebida alcoólica nos bares e restaurantes “desde que dentro do horário de funcionamento, até as 22h”.
Álvaro Dias contou que “o grande motor da geração de emprego e renda em Natal é o turismo. São os restaurantes, as pousadas, os hotéis, os bares, que precisam funcionar para manter os empregos dos garçons, dos cozinheiros e precisam também se manter e sobreviver”.
Estes estabelecimentos também poderão funcionar aos domingos e feriados até 22h, diferentemente do apontado pelo governo. A música ao vivo continua vetada. Álvaro garantiu também que a fiscalização para o cumprimento das normas será mantida pela Guarda Municipal, STTU e Semurb.
“Nós resolvemos tomar essa decisão de dar uma flexibilização maior do que o governo do estado, entendendo que estamos fazendo isso com toda responsabilidade e cautela possível”.
Babá Pereira, prefeito de São Tomé e presidente da Femurn, que comandou a reunião na tarde desta quinta-feira, ressaltou que “vamos orientar que o decreto do prefeito de Natal possa ser seguido pelos municípios do nosso estado”.
O presidente da Femurn ressaltou que os dois principais pontos de divergência com o governo e os municípios foram a lei seca e o toque de recolher aso domingos e feriados. “O governo chegou com o decreto já pronto, mas, inclusive, pedimos para analisar essa possibilidade, pelo menos da lei seca. O governo foi intransigente e disse que não, que o decreto era daquele jeito e não tinha mais o que fazer”.
No novo decreto, que ainda será publicado no Diário Oficial do Estado, o governo indicou que as escolas públicas e privadas poderão funcionar com aulas presenciais para turmas até o 5º ano do ensino fundamental. As outras deverão manter ensino em formato online.
O prefeito de Natal revelou a formalização de um convênio com o Sebrae “para instalar um protocolo rígido para proteger as crianças” com o intuito de “liberar o retorno das aulas gradativamente”.
“É outro ponto que pode aí estar divergindo com o governo do estado, mas nós vamos permitir o retorno às aulas de acordo com o estabelecimento desse protocolo que está sendo discutido e elaborado entre a equipe técnica da Secretaria Municipal de Educação e o Sebrae”, disse.
O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou nessa 5ª feira (22.abr.2021) que avalia a possibilidade de concorrer ao Senado em 2022. Ele descartou ser candidato à Presidência da República, argumentando que não iria participar de uma eleição contra o presidente Jair Bolsonaro.
“Hoje estou preparado para cumprir minha parte como vice-presidente do presidente Bolsonaro e acompanhá-lo até o final desse mandato”, disse Mourão em entrevista ao programa Brasil em Questão, transmitida pelo Facebook.
“A partir daí, ou então antes disso, se por acaso houver uma outra oportunidade de eu contribuir para a melhoria do nosso país, a gente estuda essa situação.”
Mourão afirmou que disputar a Presidência contra Bolsonaro é algo que está “fora dos seus preceitos éticos”.
“Eu jamais irei concorrer contra ele”, declarou.
“Agora, pode ser que seja necessária a minha participação para concorrer ao Senado. Isso ainda está em estudo”, falou.
“Na realidade, hoje, a linha de ação número 1 é terminar o mandato e a partir daí retornar a minha vida, vamos dizer assim, de aposentado. Eu acho que já tenho uma contribuição aí de 50 anos para o nosso país. Eu acho que mereço um pouco de descanso”, finalizou.
Assista a entrevista (1h 3min). A declaração de Mourão sobre 2022 é a partir do minuto 34: