EUA anunciam bloqueio total no Estreito de Ormuz e tensão global dispara

Foto: Shady Alassar/Anadolu via Getty Images

O Comando Central dos Estados Unidos anunciou que irá impor um bloqueio completo ao tráfego marítimo no Estreito de Ormuz a partir desta segunda-feira (13). A medida foi autorizada pelo presidente Donald Trump após o fracasso das negociações sobre o programa nuclear iraniano.

Segundo o comunicado, a Marinha dos Estados Unidos poderá interceptar qualquer embarcação que transite pela região, independentemente da nacionalidade, incluindo navios que operem em portos ligados ao Irã. A decisão eleva drasticamente a tensão em uma das áreas mais estratégicas do comércio global.

A resposta iraniana veio em tom de ameaça. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que qualquer aproximação militar será tratada como violação grave, indicando possível reação armada. O impasse amplia o risco de confronto direto na região.

O Estreito de Ormuz é considerado vital para a economia mundial, sendo responsável pela passagem de cerca de 20% a 25% de todo o petróleo consumido no planeta. A rota conecta produtores do Golfo Pérsico a mercados internacionais, com forte impacto sobre países asiáticos.

Com o bloqueio, cresce a preocupação com disparada nos preços do petróleo e efeitos em cadeia na economia global, enquanto o cenário geopolítico entra em um dos momentos mais delicados dos últimos anos.

Israel defende continuação dos ataques no Líbano

O Ministério das Relações Exteriores de Israel defendeu os ataques contra alvos no Líbano e criticou o governo libanês por não desarmar o Hezbollah. “O presidente e o primeiro-ministro do Líbano não têm vergonha de atacar Israel por fazer o que deveriam ter feito: atacar o Hezbollah”, disse a pasta em uma publicação no X.

O ministério acrescentou que, após milhares de ataques contra Israel, a liderança libanesa não ofereceu “nenhum pedido de desculpas – e, ao contrário, apresentou exigências”.

“Eles não desarmaram o Hezbollah. Eles não impediram e não impedem que o grupo atire contra Israel. Mentiram quando afirmaram ter desmilitarizado a área até Litani. Agora, nós é que devemos fazer isso por eles”, adicionou o texto.

Nesta quarta-feira (8), Israel lançou uma série de ataques contra o Líbano, incluindo alguns dos mais extensos em Beirute em décadas.

As Forças de Defesa israelenses afirmaram que atacaram mais de 100 centros de comando e instalações militares do Hezbollah, que é apoiado pelo Irã. Desde o início da guerra, o Hezbollah lançou centenas de foguetes contra Israel, por vezes mais de 500 num único dia.

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, que está mediando as negociações entre o Irã e os EUA, afirmou nesta quarta que o cessar-fogo incluía o Líbano, embora Israel tenha negado essa possibilidade.

EUA e Israel, por sua vez, negaram que o cessar-fogo incluía o fim dos ataques no Líbano.

CNN BRASIL

A maior notícia do ano: Trump e Irã fecharam cessar-fogo de duas semanas; petróleo cai 15% e Ormuz reabre

A guerra de 38 dias entre EUA, Israel e Irã chegou a uma pausa. Na madrugada desta quarta-feira, Trump anunciou no Truth Social o cessar-fogo bilateral de duas semanas, mediado pelo Paquistão com pressão decisiva da China nos bastidores.

A condição foi a reabertura completa, imediata e segura do Estreito de Ormuz. O Irã confirmou pelo ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi e as negociações para um acordo definitivo começam sexta-feira em Islamabad.

O resultado imediato foi brutal no mercado: o petróleo WTI despencou 15%, caindo para US$ 95 o barril. Israel apoiou Trump mas declarou que o cessar-fogo não inclui o Líbano. A guerra custou mais de 2 mil vidas, ameaçou a segurança alimentar de 45 milhões de pessoas e enviou o petróleo a US$ 108.

O acordo ainda é frágil, as propostas dos dois lados têm pontos incompatíveis e há duas semanas para fazer funcionar o que décadas de diplomacia nunca resolveram. Mas por ora, a bomba foi desarmada.

Trump ameaça Irã e diz que ‘civilização inteira morrerá’ na noite desta terça (7)

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante reunião de gabinete do governo.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante reunião de gabinete do governo. — Foto: Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou ainda mais o tom das ameaças contra o Irã nesta terça-feira (7) ao afirmar que “uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser trazida de volta”, em meio ao prazo final imposto por Washington para um acordo envolvendo a reabertura do Estreito de Ormuz.

Em publicação na Truth Social, Trump disse não desejar esse desfecho, mas avaliou que ele “provavelmente” ocorrerá. Ao mesmo tempo, sugeriu que uma “mudança completa e total de regime” já estaria em curso no país, abrindo espaço para que “algo revolucionariamente maravilhoso possa acontecer”.

O presidente também classificou o momento como potencialmente decisivo. “Vamos descobrir esta noite, um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo”, escreveu, acrescentando que “47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim”.

As declarações vêm horas antes do prazo limite estipulado por Trump – 21h (de Brasília) desta terça-feira – para que o Irã avance em um acordo ou reabra o Estreito de Ormuz. Nos últimos dias, o republicano vinha indicando que não concederá novas extensões, após sucessivos adiamentos desde março.

O endurecimento do discurso ocorre após Teerã rejeitar a mais recente proposta de cessar-fogo, segundo a agência estatal IRNA, e em meio a advertências da ONU sobre a ilegalidade de ataques à infraestrutura civil.

Estadão Conteúdo.

Resgate de piloto gera versões conflitantes entre os EUA e Irã

O caso de resgate do piloto abriu um novo capítulo de tensão entre Estados Unidos e Irã no domingo (5). A situação envolve um piloto norte-americano que desapareceu após a queda de um caça F-35, gerando versões conflitantes entre os dois países.

O presidente Donald Trump afirmou que o militar foi localizado e resgatado com sucesso. Segundo ele, o piloto, identificado como coronel, está “são e salvo”, embora apresente ferimentos graves. Além disso, Trump destacou que a operação ocorreu em uma área montanhosa e envolveu alto risco.

No entanto, autoridades iranianas contestaram essa versão. De acordo com a mídia estatal do Irã, a tentativa de resgate teria fracassado. Segundo a Guarda Revolucionária Islâmica, forças locais derrubaram aeronaves norte-americanas que participavam da missão, incluindo helicópteros Black Hawk e aviões C-130.

Resgate piloto amplia tensão no Oriente Médio

O episódio envolvendo o resgate piloto EUA ocorre em meio a uma escalada de conflitos na região. Desde o fim de fevereiro, Estados Unidos, Irã e Israel intensificaram confrontos diretos, o que elevou o risco de uma guerra de maiores proporções.

Além disso, o conflito ganhou força após uma ofensiva que resultou na morte do líder iraniano Ali Khamenei, em Teerã. Desde então, Washington afirma que ampliou ataques contra alvos estratégicos iranianos, incluindo sistemas de defesa e embarcações militares.

Por outro lado, o governo iraniano respondeu com ofensivas em diversos países da região. Entre os alvos, estão territórios como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar e Iraque, onde há interesses ligados aos Estados Unidos e a Israel.

Enquanto isso, os impactos humanitários já se mostram significativos. Segundo organizações internacionais, milhares de civis morreram no Irã desde o início dos confrontos. Além disso, forças americanas e israelenses também registraram baixas, o que intensifica a gravidade da crise.

A crise ainda se expandiu para o Líbano, onde o grupo Hezbollah iniciou ataques contra Israel. Em resposta, o governo israelense ampliou bombardeios na região, aumentando ainda mais a instabilidade.

Assim, o caso do piloto se torna mais um ponto de tensão dentro de um cenário já marcado por confrontos e divergências. Por fim, a falta de consenso entre as versões reforça a dificuldade de mediação internacional e mantém o clima de incerteza no Oriente Médio.

BOMBA: Turista é processado nos Emirados Árabes após filmar mísseis iranianos sobre Dubai; CONFIRA

Um turista britânico de 60 anos foi processado nos Emirados Árabes Unidos por supostamente filmar mísseis iranianos sobre a cidade de Dubai. O caso foi enquadrado na lei de cibercrime do país, que proíbe a divulgação de conteúdos considerados capazes de afetar a segurança pública.

Segundo autoridades britânicas ouvidas pela CNN, o Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido está em contato com o governo local após a detenção do cidadão. A ministra de Estado dos Emirados para a União Europeia, Lana Nusseibeh, afirmou à BBC que as regras existem por razões de segurança pública e orientou visitantes a seguir as diretrizes estabelecidas.

A legislação prevê pena mínima de dois anos de prisão e multa de 200 mil dirhams para quem violar a norma. Autoridades também alertaram a população para não compartilhar imagens de locais atingidos por ataques ou informações que possam gerar pânico.

Desde o início da guerra, mais de 1.800 drones e mísseis foram lançados contra os Emirados, segundo o Ministério da Defesa do país. De acordo com a pasta, seis pessoas morreram e 141 ficaram feridas.

EUA devem anunciar CV e PCC como organizações terroristas nos próximos dias

Foto: Kevin Lamarque/Reuters | Felipe Dana/AP

O governo do presidente norte-americano Donald Trump deve anunciar nos próximos dias que as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) serão designadas como Organizações Terroristas Estrangeiras pelos EUA.

A documentação em relação aos dois grupos foi finalizada no Departamento de Estado há alguns dias, passou por uma série de outras agências que deram ok ao material, e segue o mesmo formato do que já foi feito pela gestão Trump em relação a outras quadrilhas da América Latina, como o Cartel de Jalisco, do México, ou o Tren de Aragua, da Venezuela.

Depois de sair da mesa do secretário de Estado Marco Rubio, o material deverá ainda ser entregue ao Congresso e finalmente publicado no Registro Oficial Federal, o que pode levar aproximadamente mais duas semanas.

A informação foi confirmada ao UOL por diferentes fontes dentro ou próximas à administração Trump. A reportagem apurou ainda que o chanceler brasileiro Mauro Vieira soube do avanço do tema em Washington e tem tentando conversar com sua contraparte, o secretário de Estado Marco Rubio, desde ontem. Até a publicação deste texto, não houve a confirmação de que a conversa entre ambos tenha acontecido.

A designação de um cartel como Organização Terrorista Estrangeira (FTO, na sigla em inglês) pelo Departamento de Estado congela ativos de seus integrantes nos EUA, impede acesso destes grupos ao sistema financeiro do país e barra o fornecimento de “apoio material”, como armas, por entes norte-americanos.

Além disso, impõe restrições de imigração aos EUA aos associados às quadrilhas e aumenta os riscos legais para empresas que operam nas regiões afetadas. Elas passam a estar sujeitas a sanções do Tesouro dos EUA. O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês) tem emitido alerta a empresas quanto ao risco aumentado de fazer negócios em países como o México, em que operam cartéis designados como terroristas.

Trump também já fez ameaças explícitas de ataques militares contra cartéis no território do México, por exemplo, embora haja divergência entre especialistas sobre se a designação dos cartéis como grupo terrorista daria à Casa Branca cobertura legal para esse tipo de ação.

O assunto vinha sendo tocado há meses por diferentes funcionários do governo americano, entre os quais o subsecretário de Estado para Hemisfério Ocidental Christopher Landau, o secretário de Estado adjunto interino para Assuntos Educacionais e Culturais dos Estados Unidos, Darren Beattie, e o Conselheiro Sênior para Assuntos do Hemisfério Ocidental Ricardo Pita. O tema também conta com a simpatia da nova Czar das Drogas de Trump, Sarah Carter, confirmada em janeiro pelo Congresso como Diretora do Gabinete de Políticas Nacionais de Controle de Drogas.

O combate ao tráfico de drogas nas Américas é tema prioritário para a administração Trump e foi assunto de um encontro liderado pelo presidente americano junto a líderes de direita da América Latina, ontem, em Miami, batizado de Shield of the Americas (Escudo das Américas).

Segundo apuração do UOL apurou que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que não participou das reuniões dos chefes de Estado, pediu pessoalmente ao presidente da Argentina, Javier Milei, e de El Salvador, Nayib Bukele, que fizessem avançar a agenda de designação de CV e PCC como grupos terroristas por Trump.

O governo Lula se opunha à designação da facções brasileiras como terroristas e afirmou isso ao governo dos EUA em diferentes ocasiões.

Em parte, a resistência se deve ao temor de que essa designação possa afetar a soberania do Brasil em lidar com suas questões de segurança doméstica, incluindo aí uma facilitação para a atuação militar dos americanos, que têm bombardeado embarcações supostamente ligadas ao tráfico no Caribe.

Além disso, o governo brasileiro diz que nem PCC nem CV possuem motivações políticas ou ideológicas, sendo meramente organizações criminosas que visam lucros ilícitos, e portanto não se aplicaria o conceito de terrorismo para designar tais grupos.

Brasil e EUA estão em negociação para lançar uma cooperação bilateral no combate ao crime organizado. Com a derrubada das tarifas por decisão da Suprema Corte dos EUA, esta se tornou a principal pauta de um possível encontro entre Trump e Lula na capital americana, que o brasileiro gostaria que ocorresse ainda este mês – mas que segue sem data marcada.

Em dezembro passado, Lula telefonou para Trump para propor esse esforço conjunto, especialmente com trabalho compartilhado de inteligência que pudesse barrar a lavagem de dinheiro dessas quadrilhas em território americano. Lula chegou a apontar alvos específicos que atuariam na Flórida para lavar lucro ilegalmente obtido com imóveis, por exemplo. A negociação estava em aberto, mas como o UOL mostrou no fim do mês passado, havia certa tensão nos escalões inferiores da diplomacia.

Em parte, a negociação proposta por Lula já era uma tentativa do Planalto de impedir o avanço da direita sobre o tema nos EUA, como aconteceu com tarifas e a Lei Global Magnitsky. Segurança pública deverá ser um dos grandes assuntos da eleição presidencial do Brasil, em outubro.

Consultados, nem o Itamaraty nem o Planalto enviaram comentários oficiais sobre o assunto até a publicação desta reportagem.

Vídeo: câmeras registram forte ataque americano à cidade de Busherh, no sul do Irã

Uma forte explosão foi registrada na cidade portuária de Bushehr, no sul do Irã. A situação aumenta ainda mais a preocupação internacional em meio à escalada de tensões na região.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que os EUA devem atacar o Irã com muita força ainda hoje, o que eleva o alerta global para possíveis novos desdobramentos no conflito.

Confira o vídeo abaixo!

Consulado americano em Dubai sob fogo: drone do Irã provoca tensão internacional; VEJA VÍDEO

Consulado americano em Dubai sob fogo: drone do Irã provoca tensão internacional; VEJA VÍDEO

O consulado dos Estados Unidos em Dubai, capital dos Emirados Árabes Unidos, foi atacado, nesta terça-feira (3/3), por drones iranianos em resposta aos ataques norte-americanos contra o Irã.

A operação iraniana resultou em um incêndio na representação diplomática dos EUA. O ataque foi confirmado pelo governo de Dubai.

“As autoridades de Dubai confirmaram que um incêndio causado por um incidente com drone próximo ao Consulado dos EUA foi controlado com sucesso. Equipes de emergência responderam imediatamente. Não houve relatos de feridos”, disse o Gabinete de Imprensa do Governo de Dubai.

Assista:
https://www.instagram.com/reels/DVcb5D4kfj-/

Fonte: Metrópoles

VÍDEO: prédios onde estariam líderes militares do Irã, em Teerã, são bombardeados

Imagens impressionantes mostram o momento exato em que um míssil da coalizão entre Estados Unidos e Israel atinge com precisão um dos prédios onde estariam líderes militares do Irã, em Teerã.

O registro, feito por iranianos, revela a intensidade do ataque e aumenta ainda mais a tensão no Oriente Médio. O cenário internacional segue em alerta diante dos desdobramentos do conflito.

Confira o vídeo abaixo!

Reino Unido, França e Alemanha se dizem prontos para trabalhar em conjunto com os EUA e intervir contra o Irã

Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul | Foto: REUTERS/Ints Kalnins

Líderes do Reino Unido, França e Alemanha afirmaram neste domingo (1º) que estão prontos para adotar medidas para proteger seus interesses e os de aliados no Oriente Médio, após classificarem como “indiscriminados e desproporcionais” os ataques com mísseis realizados pelo Irã.

O chamado E-3 declarou que poderá agir militarmente e que atuará em coordenação com os Estados Unidos e parceiros regionais.

A escalada ocorre após Estados Unidos e Israel iniciarem, no sábado (28), uma série de ataques contra o Irã em meio às tensões sobre o programa nuclear iraniano. Em resposta, Teerã lançou ações retaliatórias contra países da região que abrigam bases militares americanas, como Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.

Neste domingo, a mídia estatal iraniana anunciou a morte do líder supremo, Ali Khamenei, em ataques atribuídos a EUA e Israel. Após a confirmação, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian ameaçou uma ofensiva inédita, enquanto Donald Trump advertiu que qualquer nova retaliação será respondida “com uma força nunca antes vista”. As hostilidades seguem em andamento.

‘Cenário sombrio’: Após ataque no Irã, especialistas avaliam risco de escalada nuclear global

'Cenário sombrio': Após ataque no Irã, especialistas avaliam risco de escalada nuclear global — Foto: Fantástico
‘Cenário sombrio’: Após ataque no Irã, especialistas avaliam risco de escalada nuclear global — Foto: Fantástico

“O Irã nunca terá uma arma nuclear”. A frase foi repetida três vezes no discurso deste sábado (28) do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O programa nuclear iraniano é antigo. Começou em 1957 com apoio dos Estados Unidos, quando o Irã vivia a ditadura do xá Mohammad Reza Pahlavi, muito antes da revolução islâmica de 1979.

Oficialmente tinha o objetivo de produzir energia nuclear. E a versão oficial do governo islâmico continua a mesma: o atual programa nuclear tem fins pacíficos.

Mas os Estados Unidos e Israel não acreditam nisso.

Em junho do ano passado, os dois países alegaram ter destruído o programa na operação “Martelo da Meia-noite”, que atacou bases onde estavam as plantas de enriquecimento de urânio, material que pode ser usado na fabricação de arma nuclear. Mas parece que não foi bem assim.

Ataque às instalações em junho de 2025

“Provavelmente, as plantas de enriquecimento do Irã foram realmente destruídas. Mas acontece que destruir as plantas não significa destruir o programa, porque os técnicos, os cientistas envolvidos no desenvolvimento do programa continuam vivos e com ‘know-how'” explica Marco Antônio Saraiva Marzo, físico nuclear e engenheiro nuclear.

“Por outro lado, o Irã possuía 408 quilos de urânio. Esse urânio poderia ter sido escondido, transportado em pequenos contêineres”, pontua o especialista.

“Esses ataques retardaram o programa nuclear iraniano, sem dúvida alguma, mas não o eliminaram”, também destaca Matias Spektor, professor de relações nternacionais Fundação Getúlio Vargas (SP).

Em paralelo ao conflito militar, Irã e Estados Unidos estavam em negociações sobre o programa nuclear desde abril do ano passado. Mas, após várias rodadas de conversas, não houve acordo.

“Os Estados Unidos pediram o fim completo do programa nuclear, que o regime não topa fazer”, explica o professor.

“Porque o Irã interpreta que este programa simboliza a capacidade que o país tem de ter uma vida autônoma, independentemente da oposição que recebe dos Estados Unidos há quase 50 anos, e a oposição sistemática de Israel, que essa era uma maneira do Irã mostrar ao mundo a sua grandeza”, completa.

  • Repórter: “E agora, como ficará o programa deles? O que a gente sabe?”.
  • Matias Spektor: “Houve vários ataques a instalações nucleares, novamente. Então, provavelmente, o programa nuclear do Irã está sendo realmente destruído. Mas se a situação continuar como está, daqui a alguns anos eles podem voltar a desenvolver instalações nucleares, especialmente instalações de enriquecimento”.

As potências nucleares mundiais

O mundo tem hoje nove países com armas de destruição em massa, nove potências nucleares, incluindo as duas que atacaram o Irã neste sábado: Estados Unidos e Israel.

“O principal aliado internacional do Irã é a Rússia. No entanto, a Rússia não tem condições materiais hoje de sair em apoio ativo para o Irã, porque a Rússia está lutando a própria guerra dela na Ucrânia”, pontua o professor de relações internacionais.

Ele esclarece que a China já deu sinais de que não vai se envolver no conflito. “Ela não rasgará a camisa pelo Irã. Não tem nenhum país na Europa hoje aliado do regime dos aiatolás, muito pelo contrário. A mesma coisa vale para Índia e Paquistão”.

E também para a Coreia do Norte. O Irã, porém, conta com outro tipo de apoio, como lembra o professor Tanguy Baghdadi em entrevista ao repórter Rodrigo Carvalho.

“O Irã tem vários grupos no Oriente Médio que são aliados dele. Hezbollah, Hamas, os Huthis, no Iêmen, que podem efetivamente fazer ataques em seu nome. São grupos que estão enfraquecidos, mas que eventualmente podem recorrer, por exemplo, a táticas terroristas na região e fora da região”, explica o especialista.

Mas esses grupos não têm armas nucleares.

O futuro das armas nucleares

Então, será que o mundo está mais seguro? “A situação mundial na questão do risco nuclear é muito sombria”, ressalta o físico Marco Antônio Marzo.

“Muitos países hoje estão pensando ativamente se não deveriam construir artefatos nucleares. Tem conversas a esse respeito na Coreia do Sul, na Alemanha, na Polônia, no próprio Japão”, diz Sperktor.

Cada país por um motivo diferente: uns por proteção e outros para garantir influência numa disputa global que muda rápido.

“Tem conversas a esse respeito na Coreia do Sul, na Alemanha, na Polônia, no próprio Japão”, aponta o professor.

E não é só isso. Para o físico, existem alguns pontos importantes em jogo para entender o futuro das armas nucleares:

  • Todos os países nucleares estão modernizando seus arsenais;
  • a China está expandindo o seu arsenal nuclear;
  • e na última semana, expirou o último tratado de redução de armas nucleares estratégicas entre a Rússia e os Estados Unidos;

“Isso significa que hoje não existe nenhum tratado em vigor de redução de armas nucleares no mundo. O desarmamento nuclear vem praticamente paralisado há décadas. Parece que o risco nuclear é uma coisa lá dos países do norte, mas se houver uma guerra nuclear total, todos os continentes, o hemisfério norte, o hemisfério sul, todos são atingidos. Esse é um problema também nosso”, comenta.

Especialistas comentam sobre perigo de guerra nuclear

Repórter: Quanto tempo duraria uma guerra nuclear?

“É muito difícil de responder, mas uma guerra total nuclear envolvendo esses países, especialmente Estados Unidos, Rússia e China, poderia levar à destruição do mundo”, diz Marco Antônio.

Repórter: Tem gente que faz essa previsão de que duraria poucas horas.

“Esse é um exercício mental que diz assim, que diante de um ataque nuclear haveria uma retaliação imediata do atacado com armas nucleares, levando a um contra-ataque e a uma escalada. Haveria ou aniquilação mútua ou você emitiria tanta radiação no planeta que acabaria a vida na Terra”, diz Spektor.

“O lance com a guerra nuclear é que a gente nunca viveu uma, e é melhor assegurar que a gente nunca viverá uma”, completa.

Confira o vídeo no link abaixo!

URGENTE: Corpo encontrado nos escombros é de Ali Khamenei, líder supremo do Irã; afirma Israel

 

URGENTE: Corpo encontrado no escombros é de Ali Khamenei, líder supremo do Irã; afirma Israel
Foto: reprodução/CNN
O líder supremo do Irã, Ayatollah Ali Khamenei, foi morto neste sábado (28) em um dos ataques mais ousados lançados contra o país nas últimas décadas, realizados pelos Estados Unidos e Israel. A informação sobre a morte de Khamenei foi confirmada por um alto funcionário israelense à agência Reuters.

Segundo o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, o ataque destruiu o complexo do líder supremo e todos os sinais indicam que o “tirano não está mais entre nós”. O chefe do governo israelense conclamou os iranianos a tomarem as ruas e “terminarem o trabalho”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os ataques tinham como objetivo eliminar a ameaça que o Irã representava para os EUA há décadas e impedir o desenvolvimento de uma arma nuclear pelo país. Ele também pediu às forças de segurança iranianas que depusessem suas armas e convidou o povo iraniano a derrubar o governo após os bombardeios.

O ataque americano-israelense teria atingido não apenas Khamenei, mas também outras autoridades do regime, incluindo o presidente Masoud Pezeshkian. Apesar das alegações israelenses, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou anteriormente que Khamenei e Pezeshkian estavam vivos, gerando relatos conflitantes sobre o estado de outros líderes iranianos.

Em meio à operação, o Irã retaliou lançando mísseis e drones contra diversos países do Oriente Médio, incluindo os Emirados Árabes Unidos, onde quatro pessoas ficaram feridas após um ataque a um drone suicida no hotel cinco estrelas Fairmont, em Palm Jumeirah, Dubai. Imagens dramáticas compartilhadas nas redes sociais mostram o prédio em chamas, com colunas de fumaça se espalhando pelo céu.

O ataque marca uma escalada sem precedentes na tensão entre Estados Unidos, Israel e Irã, com repercussões globais em segurança, política e estabilidade regional.

Diário do Brasil Notícias.

Brasil condena ataques de Israel e EUA contra Irã e pede ‘máxima contenção’

O Ministério das Relações Exteriores brasileiro, o Itamaraty, condenou, neste sábado (28), os ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã. Em nota, o governo afirmou que as embaixadas brasileiras acompanham os desdobramentos das ações militares nos países afetados.

“Os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região”, declarou a pasta, que fez apelo para que as partes respeitem o Direito Internacional e “exerçam máxima contenção”.

O Itamaraty afirmou também que as embaixadas do Brasil na região, acompanham os desdobramentos do conflito e que o embaixador brasileiro em Teerã está em contato direto com a comunidade brasileira, para transmitir atualizações sobre a situação e orientações de segurança.

Conflito

Estados Unidos e Israel realizaram um ataque coordenado contra o Irã, no início da manhã deste sábado.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que os Estados Unidos iniciaram “grandes operações de combate” no Irã, prometendo aniquilar as forças armadas do país e destruir seu programa nuclear.

Em um vídeo de oito minutos publicado na rede Truth Social, Trump acusa o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares” e afirmou que os EUA “não aguentam mais”. Israel também anunciou ataques contra o Irã.

Em resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques sem precedentes em todo o Oriente Médio, com explosões ouvidas em diversos países que abrigam bases militares americanas, entre eles: Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.