
Segundo o depoimento, o funcionário utilizou o sistema disponibilizado no site da legenda para registrar a filiação do senador. Ele teria inserido dados fictícios, incluindo um endereço inexistente, e alegado que pretendia receber material de campanha do partido. Fagundes negou que tivesse a intenção de prejudicar a candidatura presidencial de Flávio.
O celular do servidor foi apreendido para perícia. Ele trabalha na Infraero desde 2003, no cargo de profissional de serviços aeroportuários, e está cedido à Advocacia-Geral da União (AGU) desde 2017, conforme informações do Portal da Transparência.
Filiação irregular provocou impasse no registro da candidatura
O caso veio a público em agosto, quando Flávio Bolsonaro descobriu que constava como filiado ao Missão, legenda diferente do PL, partido pelo qual pretendia disputar a Presidência da República. A situação impediu temporariamente o registro de sua candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O tribunal informou que não houve invasão hacker ao sistema de filiação partidária. Segundo a Corte, o cadastro ocorreu por meio do uso indevido da ferramenta por alguém que possuía credenciais vinculadas à legenda.
Na época, Flávio afirmou que o episódio representava uma tentativa de impedir sua candidatura. “O sistema vai tentar de tudo para me parar”, declarou o senador.
Partido Missão negou participação
O partido Missão declarou ter sido vítima de uma filiação fraudulenta e negou envolvimento na operação. A legenda informou que identificou a movimentação irregular em 2 de agosto e tentou cancelar o registro no mesmo dia, mas o pedido foi rejeitado pelo TSE.
A sigla também afirmou ter disponibilizado às autoridades informações técnicas, como registros de acesso, e-mails e endereços de protocolo de internet (IPs), para contribuir com a investigação. Segundo o partido, o gabinete de Flávio havia recebido comunicações sobre a ocorrência.
A versão apresentada pela legenda foi contestada pela campanha do senador, que questionou a condução do caso e pediu providências à Justiça Eleitoral.
TSE também identificou tentativa envolvendo Lula
Além do registro irregular em nome de Flávio Bolsonaro, o TSE identificou uma tentativa de alteração da filiação partidária do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesse caso, o procedimento foi bloqueado antes de ser concluído.
Após os episódios, o tribunal adotou medidas para investigar as ocorrências e suspendeu temporariamente o processamento de novos registros de filiação partidária, enquanto apurava possíveis falhas e usos indevidos do sistema.
A investigação busca esclarecer as circunstâncias do cadastro fraudulento, identificar os meios utilizados para realizar a operação e apurar eventuais responsabilidades. A admissão atribuída a Fagundes representa um elemento da apuração, mas não substitui a conclusão das autoridades sobre todas as circunstâncias do caso.
Fonte: Revista Oeste

















