Operação integrada acaba com festas de facção no RN; 42 são detidos, armas de fogo, drogas e dinheiro apreendidos

Uma operação integrada – reunindo a Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Penal — foi realizada neste final de semana com a missão de coibir a realização de festas alusivas ao aniversário de uma facção criminosa. Em vários pontos da capital e do interior do estado, agentes de segurança pública conseguiram apreender bolos e fogos de artifício, material que seria utilizado na comemoração dos bandidos. Armas de fogo, drogas e dinheiro também foram apreendidos, além de 42 pessoas detidas e levadas para delegacias.

A operação foi planejada pela Secretaria da Segurança Pública e da Defesa Social (SESED), com participação da Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP) e apoio do Ministério Púbico Estadual.

Antes da ação, reuniões foram realizadas com a presença das forças de segurança pública e promotores de Justiça do Controle Externo da Atividade Policial e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO).

“Trabalhamos integrados, unindo os setores de inteligência das nossas forças de segurança, e os policiais que estão nas ruas para garantir a segurança do cidadão. Considero um resultado muito exitoso, pois impedimos que membros da facção fizessem festas, evitando não apenas a apologia ao crime, mas também que houvesse aglomeração, ou seja, combatemos a criminalidade e também a pandemia”, ressaltou o titular da SESED, coronel Francisco Araújo Silva.

*Locais de prisões*

Com o compartilhamento de informações, foi possível mapear os locais onde seriam realizadas queimas de fogos e festas alusivas à facção. Em Natal, uma pessoa foi detida na Cidade da Esperança e outras duas no Passo da Pátria. Outras dezesseis foram detidas em Jundiá, oito em São José de Mipibu (uma delas ferida em confronto armado com os policiais), quatro em Mossoró, quatro em Santa Cruz, duas em Baía Formosa, duas em Lagoa Nova, uma em Macau, uma em Currais Novos e uma em Tangará.

GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE
SECRETARIA DE ESTADO DA SEGURANÇA PÚBLICA E DA DEFESA SOCIAL
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO.

A pandemia, uma guerra sem fim, por Carlos Thadeu

Opresidente do FED, Jerome Powell, fez um pronunciamento na semana passada sobre as medidas de combate à crise do Covid-19 e as respostas da economia americana no nível de atividade e emprego. O recado de Powell explicitou que a incerta evolução do vírus está determinando os próximos passos do FED na condução da política monetária. No Brasil, a mensagem do Copom após a última reunião deveria ser no mesmo sentido. Como a crise é de saúde, o surgimento de novas cepas gera novas incertezas, alteram rapidamente os cenários, e minam a capacidade de previsão dos modelos.

A maior preocupação do FED hoje é o nível de emprego. O comunicado diz que a recuperação progrediu mais rapidamente do que o esperado após a primeira onda, assim como ocorreu no Brasil, porém está longe de ser completa, e, portanto, o Banco continuará a fornecer o apoio às famílias e empresas pelo tempo necessário.

O FED também reconhece que o setor de serviços segue sendo o mais adversamente afetado pela segunda onda do vírus, e que deve permanecer fraco pela necessidade do distanciamento social. O desemprego nos serviços permanece acima da taxa de desemprego global (6,2%), e os níveis de participação do setor no mercado de trabalho estão notadamente abaixo daqueles registrados antes da pandemia.

O debate que se apresenta hoje nos mercados globais é sobre o tamanho e a extensão da esperada alta da inflação a nível global nos próximos meses, especialmente nos EUA, dada a enorme expansão fiscal em andamento.

As projeções dos analistas e os argumentos do FED indicam que repiques inflacionários devem ser transitórios, e que uma alta mais pronunciada dos juros americanos deve ocorrer somente em 2023 ou 2024.

O contexto por aqui é semelhante, a segunda onda impõe novas necessidades de isolamento e fechamento de empresas do comércio e serviços considerados não essenciais. Uma diferença é que o ritmo de imunização segue mais rápido no território americano.

O choque da pandemia provocou efeitos bastante assimétricos na economia, e esse fenômeno foi mundial. O distanciamento social levou a uma queda forte nos preços do setor de serviços, contrariando qualquer tendencia de alta desses preços. Por outro lado, as medidas fiscais de sustentação da renda das famílias impactaram no rápido crescimento do consumo de bens, fazendo com que o volume de vendas do varejo retomasse o nível pré-pandemia ainda no final do primeiro semestre do ano.

O setor de serviços no Brasil está com volume de receitas pelo menos 30% abaixo de antes da pandemia, e, sendo o que proporcionalmente mais emprega, fechou mais de 300 mil postos formais durante a crise.

O grupo de serviços representa ao redor de 50% dos preços no IPCA, e com o agravamento da pandemia não há espaço para subir, somente cair. Esse é um dos motivos que alta da Selic foi acima do normal. Ainda precisamos de estímulos, a longevidade da pandemia tem sido deflacionária.

O elevado nível de incerteza prejudica os modelos de projeção da inflação, ainda assim, o comportamento de variáveis relevantes implica uma dinâmica inflacionária benigna.

O Banco central (BCB) foi otimista em relação a retomada econômica no segundo semestre desse ano, precificou uma maior velocidade da vacinação. Faltou realismo, essa é uma crise de saúde, e com novas cepas do vírus se apresentando, a incerteza sobre os impactos na economia os modelos não são capazes de medir com precisão. Os cenários atuais para os modelos de previsão são altamente erráticos.

Nota-se que os indicadores da economia real que estão sendo divulgados mostram-se piores do que as estimativas, devido a lentidão no processo de imunização e aos sucessivos lockdowns para conter colapsos nos sistemas médico-hospitalares.

O Banco reconheceu o exagero ao falar em normalização parcial dos juros. A ociosidade da economia deve demorar para ser preenchida.

No relatório de inflação divulgado semana passada, embora se saiba que os preços das commodities estão com uma persistência maior, também está dito que a pressão dos custos de insumos e matérias primas sobre os preços ao produtor de bens industriais, por exemplo, tende a arrefecer nos próximos trimestres. Com isso, espera-se que o arrefecimento dos preços ao produtor, quando ocorrer, venha a se refletir rapidamente nos preços ao consumidor.

O BCB até pode aumentar a Selic, mas deve enxergar o combate ao vírus como o mais importante. Na ata divulgada também semana passada, o Banco argumenta sobre a preocupação com a situação fiscal, e por isso fez uma dupla aposta no aumento da Selic. A fala é fiscal, mas a verdadeira preocupação é cambial.

Na semana após a elevação da Selic, os preços dos ativos e diferentes ações caíram e o dólar continua pressionado. Não vai adiantar somente subir a Selic, pois prejudica a dívida pública e não reduz as expectativas inflacionárias. Para isso tem de haver paciência, e não deixar faltar crédito.

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência dos Consumidores (PEIC), mostra que a proporção de famílias com dívidas está no segundo maior nível histórico, quase 68% do total de famílias no país. Não custa muito para termos uma crise de inadimplência, precisamos ter todo cuidado para impedir a implosão de uma crise de dívida, risco que também assombra as pessoas jurídicas.

Ainda que o mandato principal seja a inflação, o Banco Central independente não pode se furtar à realidade da atividade econômica, pois já temos 2 trimestres consecutivos com expectativas de quedas. E vale novamente frisar, as novas cepas e o atraso no processo de imunização injetam cada vez mais incerteza sobre a atividade econômica nos próximos trimestres.

O governo está repetindo as medidas expansionistas do ano passado nessa nova fase de enfrentamento do Covid, com o auxílio emergencial, o diferimento do Simples, e o prolongamento do Pronampe. O BEm deve sair brevemente, assim que o Ministério da Economia achar uma fonte extra no orçamento de 2021. Essas medidas reconhecem a característica deflacionária atual.

Poder 360.