Governo inicia hoje distribuição de mais 5 milhões de doses de vacina

Foto: Agência Brasil

O Ministério da Saúde vai distribuir mais de 5 milhões de doses de vacinas contra covid-19, de forma proporcional e igualitária a todos os estados e ao Distrito Federal. A previsão é de que as entregas comecem ainda hoje (20) e sigam neste domingo (21).

Do total de doses, pouco mais de 1 milhão correspondem à primeira remessa de vacinas da AstraZeneca/Oxford (Covishield), produzida no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Outras 3,9 milhões são referentes a mais um lote da vacina CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan.

De acordo a pasta, em seu 7º Informe Técnico da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), a nova remessa da CoronaVac vai atender aos profissionais de saúde e idosos de 70 a 74 anos, enquanto os imunizantes da AstraZeneca contemplarão comunidades ribeirinhas e quilombolas.

A estratégia foi definida pelo Ministério da Saúde considerando as possíveis dificuldades logísticas para o atendimento a essas comunidades e o prazo maior para a aplicação da segunda dose da vacina produzida pela Fiocruz. Como o intervalo entre as doses é de 12 semanas, isso deve facilitar o cumprimento do esquema vacinal em locais de difícil acesso. No caso da vacina do Butantan, o intervalo máximo entre as doses é de quatro semanas.

“A expectativa é que essa distribuição contemple 100% dos moradores de comunidades ribeirinhas e 63% da população em comunidades quilombolas em todo o país”, informou a pasta. A previsão é que as doses pendentes para os povos quilombolas sejam entregues na próxima etapa de distribuição, o que deve acontecer na próxima semana, entre os dias 22 e 26 de março.

Garantia da segunda dose

Ainda segundo o informe, nesta etapa de distribuição, todas as doses da CoronaVac deverão ser usadas pelos estados como primeira dose. “A recomendação vem após a garantia da estabilidade de entregas semanais das remessas de vacinas com produção nacional e matéria-prima (IFA) importada. Essa estratégia vai possibilitar a aceleração da vacinação dos grupos prioritários no Brasil e redução dos casos graves de covid-19”, informou o Ministério da Saúde

O insumo farmacêutico ativo (IFA) da CoronaVac é produzido no laboratório chinês Sinovac, desenvolvedor da vacina e parceiro do Instituto Butantan.

De acordo com o Ministério da Saúde, até o momento, essa recomendação era destinada apenas para as doses da Covishield, devido ao intervalo de 12 semanas entre a primeira e a segunda aplicação. A pasta ressalta que aplicação das duas doses de cada imunizante deve seguir o intervalo estipulado, para completar o esquema vacinal e consequente imunização.

Cronograma

O Ministério da Saúde informou ainda que já coordenou nove pautas de distribuição de vacinas desde o dia 18 de janeiro, início da campanha de vacinação contra covid-19. Até o momento, foram enviadas aos estados e Distrito Federal cerca de 25 milhões de doses de imunizantes, com mais de 13 milhões de pessoas vacinadas.

Para o mês de março, há a previsão de entrega de um total de 30 milhões de doses: 23,3 milhões da CoronaVac, enviados pelo Butantan em remessas semanais e distribuídas na mesma periodicidade; 3,8 milhões da AstraZeneca/Oxford, vindas da Fiocruz; e mais 2,9 milhões de doses do mesmo imunizante adquiridos via Covax Facility, a aliança internacional da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Ministério da Saúde tem ainda contratos finalizados para receber 100 milhões de doses da vacina da Pfizer/BioNTech e 38 milhões de doses da Jonhson & Jonhson (produzida pela Janssen), até o fim do ano. A vacina Sputnik V também já entrou no cronograma da pasta, após contrato celebrado com a União Química, e já tem entregas previstas para abril, maio e junho.

Fonte: Agência Brasil

Fábio Dantas pede união da classe política para salvar o RN e ataca o governo Fátima Bezerra

O ex-vice-governador, Fábio Dantas, em entrevista ao programa a voz da liberdade de Parnamirim, rompeu o silêncio e não poupou críticas à governadora, Fátima Bezerra, ele afirma não acreditar na sua reeleição em 2022. Sempre apresentando números que revelam o desequilíbrio do estado, Fabinho bateu duro no PT, disse que a onda Lula não irá influenciar na disputa para reeleição da governadora, pois quando o líder do Partido dos Trabalhadores estava no auge, não consegui eleger Fátima para prefeitura de Natal.

Fábio Dantas continuou o ataque e chamou atenção para as reformas estruturais no RN, que não foram feitas nem por Robinson Farias, nem pelo governadora Fátima.

Além disso, Dantas ressaltou que caso ela não consiga unir a classe política em torno de um projeto único para salvar o RN, não obterá sucesso na sua reeleição em
2022. O ex-vice-governador descartou a possibilidade de ser vice do Capitão Styvenson que pelo andar da carruagem vencerá sem maiores problemas.

Fábio confiou na sua metralhadora giratória, mas sempre tendo como alvo Fátima Bezerra, que há vários anos faz parte da elite política, pois foi de Deputada Estadual a governadora, passando por todos os cargos sempre com salários elevadíssimo, bem diferente dos profissionais da sua categoria, os professores.

No decorrer do bate papo, ele pediu uma atenção maior para os trabalhadores que utilizam o transporte público, pois nesse período de pandemia, vem sendo as principais vítimas do coronavírus.

Ele apontou um caminho que no entender do político seria a solução, implementação de algum incentivo fiscal para manter o distanciamento nos coletivos do estado.

Enquanto, o cenário não se define, continuaremos por aqui, atentos aos bastidores da política norte-rio-grandense.

Presidente do STF mantém decreto da governadora e da prefeitura do Natal e suspende atividades das academias

O Supremo Tribunal Federal decidiu pela manutenção do decreto da governadora e da prefeitura do Natal e suspendeu atividades das academias no Rio Grande do Norte. A decisão foi proferida pelo presidente da corte, ministro Luiz Fux, que mantém a validade do decreto da governadora suspendendo as  atividades de academias e congêneres, até dia 2 de abril.

O funcionamento das academias voltadas à prática de atividades físicas em Natal vinha sendo fruto de diversas idas e vindas. Após a não inclusão do segmento na lista de serviços essenciais do novo decreto, diversos parlamentares cobraram um posicionamento do prefeito, já que na capital potiguar as atividades físicas são reconhecidas por lei como essenciais.

Na manhã de ontem (19), o prefeito Álvaro Dias, afirmou em suas redes sociais que, em Natal, as academias seriam incluídas no decreto e, assim, poderiam continuar funcionando. No entanto, algumas horas depois, foi divulgado que, após uma reunião com os Ministérios Públicos municipais e estadual, ele teve que voltar atrás na decisão.

Na noite dessa mesma sexta-feira, o Desembargador João Rebouças concedeu uma liminar autorizando a abertura das academias em todo o estado do Rio Grande do Norte, em resposta a um pedido do Conselho Regional de Educação Física (CREF/RN).

Entretanto, em mais uma reviravolta dessa história, o procurador-geral de Justiça, Eudes Rodrigues Leite, recorreu na justiça para derrubar a liminar concedida pelo Desembargador e neste sábado o STF, por meio do ministro Luiz Fux, proferiu a decisão final, mantendo o decreto e suspendendo as atividades das academias.

Confira a decisão final:

Liminar deferida
PRESIDÊNCIAEx posits, DEFIRO o pedido liminar, para suspender os efeitos da decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 0803274- 72.2021.8.20.0000, em trâmite no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, de modo a restabelecer a plena eficácia do Decreto Estadual nº 30.419/2021, expedido pela Governadora do Estado do Rio Grande do Norte, até ulterior decisão nestes autos, com fundamento no art. 15, §4º, da Lei nº 12.016/2009. Comunique-se com urgência. Após, notifique-se o impetrante do mandado de segurança na origem para manifestação. Na sequência, abra-se vista dos autos à douta Procuradoria-Geral da República. Publique-se. Int. Brasília, 20 de março de 2021.

Clique AQUI para ler a decisão completa.

Chile é o país da América do Sul com vacinação mais adiantada; veja números

Sérgio Lima/Poder360 11-03-2021

O Chile é o país que mais vacina sua população contra a covid-19 na América do Sul. A cada 100 pessoas, aproximadamente 43 já receberam ao menos uma dose. O Brasil está em 4º lugar no continente, com uma média de 6 pessoas vacinadas a cada 100 habitantes.

Os dados são do Our World in Data e foram atualizados até 5ª feira (18.mar. 2021). Dos 12 países sul-americanos, 8 mantêm informações regulares e atualizadas sobre a campanha de vacinação contra o coronavírus em seus territórios. Só Suriname, Guiana, Equador e Venezuela não disponibilizam dados. Como a Guiana Francesa não é um país, e sim um território da França, não foi considerada no levantamento.

A situação do Chile é uma exceção na América do Sul. A vacinação em todos os outros países não alcançou 10 pessoas entre 100 habitantes. Com uma população de cerca de 18,7 milhões, o Chile já conseguiu imunizar 28% da sua população, ou pouco mais de 5 milhões de pessoas. Representa toda a população de risco para a covid.

O país também avança na imunização completa: 13% da população já recebeu as duas doses. O objetivo do governo é vacinar o restante do país até o fim do 1º semestre.

A campanha de vacinação chilena começou em 24 de dezembro de 2020. Atualmente, as vacinas aplicadas são a CoronaVac, Pfizer e AstraZeneca/Oxford. O Chile escolheu negociar as vacinas ainda no 1º semestre de 2020 para garantir que o país tivesse doses o suficiente dos imunizantes.

Em contraste, o Paraguai é o país com a pior taxa de vacinação entre os países sul-americanos que divulgam os índices de imunização. Até 18 de março, levando em consideração toda a população paraguaia, menos de uma pessoa (0,19) foi vacinada a cada 100 habitantes.

O governo do Paraguai é acusado de má-gestão da pandemia e o país já foi palco de diversos protestos desde o início de março. Os manifestantes pediram a renúncia do presidente Mario Abdo Benítez. Um processo de impeachment foi aberto, mas o Congresso do país manteve Marito, como é conhecido o político, no cargo.

VACINAÇÃO NO BRASIL

Na América do Sul, o Brasil é o 4º no ranking de vacinação. A cada 100 habitantes, aproximadamente 6 foram vacinados contra a covid-19. O governo brasileiro também utiliza a CoronaVac e a vacina da AstraZeneca em sua campanha, como no Chile. Mas a vacinação começou mais tarde: em 17 de janeiro. Além disso, as campanhas Estaduais já foram paralisadas diversas vezes por falta de doses.

O país completou 2 meses de vacinação contra a doença na 4ª feira (17.mar.). No período, apenas 5% dos 213 milhões de brasileiros receberam a 1ª dose da vacina.

Na 6ª feira (19.mar), o Ministério da Saúde assinou contratos com as farmacêuticas Pfizer e Janssen (braço farmacêutico da Johnson & Johnson) para a compra de 138 milhões de doses de vacinas contra a covid-19. As vacinas devem ser entregues até o final de 2021, o que pode acelerar a vacinação em todo o país.

O Brasil precisa avançar na campanha de vacinação para conter as infecções por coronavírus. Nas últimas semanas o país tem registrado recorde de mortes e de casos. Além disso, também enfrenta as novas variantes do coronavírus. Na semana passada, mais uma cepa do vírus foi descoberta no Brasil, que já se tornou um “celeiro de variantes”, segundo especialistas.

Poder 360.

Brasil é um celeiro de variantes para o coronavírus, afirmam especialistas

A falta de restrições mais severas, como o lockdown, fez com que o Brasil se tornasse o ambiente perfeito para que o coronavírus evoluísse e se tornasse ainda mais perigoso. É o que muitos estão chamando de “celeiro de variantes“. Especialistas consultados pelo Poder360 afirmam que se as recomendações sanitárias tivessem sido seguidas corretamente e o governo tivesse investido na vacinação desde o início, a situação do país seria outra.

Até o momento, o Brasil conta com duas variantes do coronavírus identificadas pela Rede Genômica da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Na última 6ª feira (12.mar.2021), mais uma cepa do vírus foi descoberta no Brasil, chamada provisoriamente de VOI.9 (variante de atenção, em inglês).

Uma variante de atenção tem esse nome porque carrega mutações que podem fazer com que o coronavírus sejam mais transmissíveis ou até mais resistentes à vacinas. As outras duas variantes brasileiras, a P.1 (descoberta em Manaus) e a P.2 (descoberta no Rio de Janeiro), também são variantes de atenção. O estudo que descobriu a VOI.9 ainda precisa ser avaliado por outros cientistas para que ela seja considerada mais uma cepa do vírus.

A Rede Genômica Fiocruz faz o mapeamento das variantes no Brasil com sequenciamento genético. O gráfico acima mostra a frequência de cada variante entre os casos de infecção em todo o Brasil até fevereiro de 2021Reprodução/Rede Genômica Fiocruz

Mas o surgimento dessas, e até de outras variantes, não é nenhuma surpresa. “Em um país que não tem nenhuma restrição para realmente conter a infecção, é esperado que mutações aconteçam. Quando a transmissão é muito grande, é isso o que acontece“, diz Denise Garrett, epidemiologista e vice-presidente do Sabin Vaccine Insitute.

A médica afirma que Manaus, onde surgiu a P.1, é exemplo das políticas falhas brasileiras. A cidade passou por um surto de covid-19 ainda em 2020, com alto número de casos e mortes. Quando as mortes diminuíram, a população não manteve as regras de distanciamento e voltou a circular pela cidade.

Manaus teve uma diminuição por causa dos anticorpos que as pessoas desenvolveram após a transmissão. Mas as infecções continuaram e cada uma delas é uma chance que o vírus tem de sofrer mutações. Até que surja uma variante que consegue driblar os anticorpos“, explica Garrett.

Toda vez que um vírus é transmitido, ele se altera um pouco. Com a taxa de transmissão tão alta no Brasil, o coronavírus teve diversas oportunidades de se alterar até que conseguiu se transformar em uma versão que supera as defesas que o corpo humano criou contra a infecção. Segundo o último boletim (íntegra – 332 KB) do Imperial College de Londres, no Reino Unido, até 12 de março, a taxa de transmissão no Brasil estava em 1,14. Ou seja, cada 100 pessoas com o vírus no país infectam outras 114.

Medidas de controle e vacinação são o que contém a replicação do vírus e, assim, o surgimento de novas variantes. E mesmo que mutações ocorram, se a transmissão estiver em baixa, elas não vão se espalhar pelo país como já aconteceu com as outras“, diz Garrett.

Um levantamento do Poder360 mostrou que cidades brasileiras que aplicaram o lockdown tiveram diminuição no número de mortes e infecções por covid-19 em 3 semanas. Restrições mais rígidas também fazem com que a circulação das pessoas e do vírus diminua.

 

Mas o presidente Jair Bolsonaro já ameaçou agir contra as restrições impostas por governadores e entrou com uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) contra as medidas. “Jamais eu adotaria o lockdown no país”, afirmou.

VACINAS, DIPLOMACIA E VARIANTES

Outro ponto importante para impedir a evolução do vírus é a vacinação da maior parte da população. No entanto, o Brasil tem um ritmo lento de vacinação. Em 2 meses de campanha, apenas 5% dos 213 milhões de habitantes tomaram a 1ª dose.

A imunização já foi paralisada diversas vezes nos Estados por falta de doses. E esse pode ser um problema que está longe de ser solucionado. Felipe Loureiro, coordenador do curso de Relações Internacionais da USP (Universidade de São Paulo), que a falta de vacinas tem origem no desinteresse do Brasil em comprá-las antes. E, agora, os imunizantes são recursos desejados por todos os países, inclusive os que fecharam contratos com as farmacêuticas em 2020.

O Brasil não teve interesse em comprar as vacinas, não deu importância, além da posição negacionista e até agressiva do alto escalão do governo com a China. Quando houve interesse, como com a China e a Índia, houve uma inabilidade de negociar surpreendente, porque o Itamaraty tem negociadores internacionais experientes e muito bons. E agora, que o Brasil está correndo atrás, a maioria das doses já pertencem a outros países por contrato“, diz Loureiro.

Ainda no início da pandemia, em março de 2020, o filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) atribuiu à China responsabilidades pela pandemia. “Quem assistiu Chernobyl vai entender o que ocorreu. Substitua a usina nuclear pelo coronavírus e a ditadura soviética pela chinesa. A culpa é da China“.

A embaixada da China no Brasil e o embaixador chinês Yang Wanming rebateram e afirmaram que o país asiático repudia veementemente as declarações do congressista e exigiu pedido de desculpas. O chanceler Ernesto Araújo defendeu o filho do presidente e em seguida o Ministério das Relações Exteriores pediu o afastamento de Wanming. O pedido foi negado.

Agora, de acordo com Loureiro, o país está no pior momento diplomático desde o início da pandemia. Para o pesquisador, além de ser, como a própria OMS já declarou, uma ameaça para os países da América do Sul, o Brasil representa um risco para a humanidade. “Porque você tem a formação de novas variantes que eventualmente podem até ser resistentes às vacinas. Isso significa o descontrole da pandemia a médio e longo prazo, uma ameaça para a saúde e para a economia global.

E essa imagem do Brasil como ameaça faz com que o país fique cada vez mais isolado no cenário internacional. Por isso que tentativas recentes do governo de negociar com Israel, um país que o presidente Bolsonaro vê como aliado, um remédio experimental contra a covid-19 também não ocorreram como planejado. “Nenhum país vai gastar capital político para ajudar um governo que foi sempre negacionista“, afirma Loureiro.

E, novamente, a solução é a vacinação. “A vacinação em massa é a única saída para as crises de saúde pública e econômica. Antes disso também é muito difícil que os diplomatas, por melhor que sejam, consigam obter bons resultados em negociações internacionais relacionadas à pandemia“.

Garrett concorda que é preciso acelerar a vacinação. E, para ela, existe um senso de urgência ainda maior por causa das variantes. “Temos que aproveitar que as vacinas ainda funcionam e vacinar o maior número de pessoas possível. A chance de uma variante aparecer que pode escapar a imunidade das vacinas é real. Precisamos nos prevenir, com vacina e medidas de controle, para evitar isso.

Poder 360.

Cenário político atual traz mais perguntas do que respostas

Os dados revelados pela pesquisa PoderData divulgada na 4ª feira (17.mar.2021) e confirmados recentemente pelo Datafolha e pelo Ipespe deixam claro que nas últimas semanas houve uma mudança de placas tectônicas no cenário político brasileiro.

As razões são múltiplas, mas vale destacar as que tiveram maior peso: 1) recrudescimento da pandemia com recorde de mortos, infectados e falta de UTIs em diversas cidades do país; 2) aumentos simultâneos no desemprego e na inflação, sobretudo em itens da cesta básica e combustíveis; 3) retorno de Lula como provável candidato na eleição de 2022.

Nas últimas rodadas do PoderData, que faz levantamentos a cada duas semanas, havia mudanças sutis nas taxas de aprovação do governo. Na rodada atual, os números mudaram de maneira expressiva.

A avaliação positiva (percentual de “ótimo” e “bom”) do trabalho pessoal de Jair Bolsonaro caiu de 31% no início de março para 24% agora. A avaliação negativa (percentual de “ruim” e “péssimo”) do governo subiu de 47% para 52%.

O impacto dos acontecimentos dos últimos dias fica ainda mais claro quando são observados os dados de aprovação e desaprovação do governo federal como um todo. O índice de aprovação do governo despencou de 40% para 32% e o percentual de desaprovação subiu de 51% para 54%.

Isso significa que no período de duas semanas dobrou a diferença entre a aprovação e a desaprovação do governo Bolsonaro. Esse saldo era de 11 pontos no início de março. Passou para 22 pontos agora.

Ainda assim, é preciso notar que o governo Bolsonaro conta com uma avaliação positiva na faixa dos 25% a 30% da população. É um patamar muito mais alto do que Dilma Rousseff e Michel Temer tinham durante parte de seus governos.

Então, o que pode explicar a persistência de uma popularidade relativamente alta do presidente Bolsonaro mesmo em um cenário de piora da pandemia e das condições econômicas?

Novamente é preciso ressaltar que não existe um fator único capaz de explicar a relativa estabilidade na avaliação do governo Bolsonaro apesar do aparente agravamento da crise atual. Existem múltiplas variáveis que atuam de maneira simultânea e têm pesos diferentes de pessoa para pessoa. Mas há, sim, fatores causais que parecem ser de maior relevância.

Em primeiro lugar, a responsabilidade da atual crise é dividida entre o governo federal e os governos estaduais e municipais. Ou seja, os cidadãos e cidadãs não jogam toda a culpa apenas no presidente. Dividem essa carga com governadores e prefeitos. As pesquisas do PoderData, Datafolha e Ipespe vêm mostrando isso há meses. Os governadores também vêm perdendo popularidade ao longo do tempo.

A estratégia de comunicação do governo federal de culpar os governadores pelas falhas no enfrentamento da pandemia parece ser efetiva nesse sentido. Some a isso o fato de que os governadores também vêm sendo forçados a adotar medidas pouco populares que contribuem na divisão de culpa pela atual crise.

Em segundo lugar, é impossível entender o momento atual sem levar em consideração o fato de que cada vez mais, e isso é uma tendência mundial, o ser humano vive dentro de “bolhas” que tendem a reforçar narrativas pré-concebidas e limitam a exposição a pontos de vista diferentes.

Isso quer dizer que quem já se identificava com Bolsonaro tende a viver em um ambiente de informação no qual o presidente não é responsabilizado pelos acontecimentos da crise. Nesse ecossistema social segregado, o ponto de vista de seus apoiadores é sempre reforçado. O mesmo acontece do lado oposto.

Existem cada vez menos meios de comunicação e veículos capazes de dialogar ou ao menos de serem ouvidos tanto por quem aprova quanto por quem desaprova o governo federal –uma exceção é este jornal digital Poder360, que busca de maneira obsessiva ter um noticiário apartidário e sempre buscando a neutralidade e a objetividade, pois mais que essa seja uma meta inalcançável.

Mas a verdade é que a indústria de mídia jornalística hoje oferece mais produtos para reforçar percepções do que um noticiário neutro e apenas informativo. Esse fato limita o impacto de notícias negativas, porque a tendência é os apoiadores do presidente da República não darem importância.

Em terceiro lugar, é preciso levar em consideração um fator político. A oposição ao presidente Bolsonaro segue ainda amplamente desorganizada. É algo que pode mudar com a volta de Lula como possível candidato.

As divisões internas de partidos como o PSDB e as constantes altercações públicas de Ciro Gomes e figuras da esquerda, sobretudo do PT, mostram como até o momento não há união da oposição.

Se de um lado há o governo federal com uma base de apoiadores organizada em termos de comunicação, do outro a oposição ainda está dispersa, atuando de maneira pontual e não planejada.

Mas o cenário está mudando.

PoderData testou nesta rodada cenários de primeiro e segundo turno e o potencial de voto de alguns dos nomes colocados como possíveis candidatos a presidente em 2022. O desgaste de Bolsonaro já impacta seu desempenho em termos de intenção de voto.

Lula apareceu liderando no primeiro turno com 34% das intenções de voto, contra 30% de Bolsonaro. Nas simulações de 2º turno, Lula também vence o atual presidente com 41% dos votos contra 36% de Bolsonaro.

Segundo o PoderData, Jair Bolsonaro, venceria, hoje, João Doria e Sérgio Moro em um eventual 2º turno. Perderia para Luciano Huck e para Ciro Gomes, mesmo que com diferenças pequenas. Isso é resultado direto do aumento de desgaste do governo federal.

A pesquisa traz ainda dados sobre o potencial de voto dos candidatos. É quando os entrevistados são questionados sobre se aquele político “é o único em que votaria”, se “poderia votar”, ou se “não votaria de jeito nenhum”.

Os dados mostram que o tempo longe dos holofotes parece ter feito bem à imagem do ex-presidente Lula, que é hoje o candidato com maior potencial de voto e menor rejeição. Ele não deixou de ser conhecido e foi, nos últimos tempos, do escrutínio constante da mídia sobre fatos de seu governo. Como sabemos, na memória dos eleitores tende a prevalecer a lembrança do que foi bom em governos passados –e, no caso de Lula, houve enorme prosperidade econômica (sem fazer juízo de valor sobre a que preço foi possível o avanço do PIB).

Jair Bolsonaro vem logo atrás de Lula, tanto em termos de potencial de voto quanto em rejeição.

Quando se compara os dados de hoje com pesquisas do PoderData de 2018, quando Lula ainda aparecia como possível candidato naquele ano, nota-se que o petista e Bolsonaro melhoraram seus potenciais de voto.

Na ocasião, tanto Bolsonaro quanto Lula apresentavam números elevadíssimos de rejeição, acima de 60% do eleitorado. Bolsonaro conseguiu reduzir sua rejeição e ampliar a base de eleitores fiéis. Lula conseguiu manter sua base de eleitores, que desde 2018 varia em torno de 30% do eleitorado. Conseguiu também reduzir de maneira significativa a rejeição ao seu nome. Os dados estão aqui:

A leitura dos gráficos nesta perspectiva temporal apresenta reflexões importantes sobre o cenário político atual. A primeira delas é a diferença que o tempo faz. Faltam pouco mais de 18 meses para a eleição de 2022. O cenário que atual pode ser completamente diferente quando as campanhas de fato saírem às ruas.

Em agosto de 2018, Jair Bolsonaro apresentava baixo potencial e alta rejeição. Ainda assim conseguiu ser eleito presidente. Hoje o agora presidente conta com uma base organizada de apoio e conseguiu reduzir o nível de rejeição pessoal.

Lula apresenta uma base de apoio consistente, cerca de 1/3 do eleitorado. O tempo em que esteve relativamente afastado da vida pública conseguiu reduzir a rejeição a seu nome –até porque foi poupado de noticiário negativo diário, algo que não deve perdurar a partir de agora.

É provável que dois outros fatores estejam contribuindo para a redução nas taxas de rejeição ao ex-presidente: a percepção de podem, de fato, ter ocorrido abusos por parte da operação Lava Jato, e, sobretudo, a percepção de que Lula é o nome com mais chance de vencer Bolsonaro na eleição de 2022. Note-se o fato de pessoas com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso dizendo que num confronto entre Lula e Bolsonaro, votaria no petista.

As mudanças que vêm ocorrendo produzem cada vez mais perguntas que respostas. A queda de popularidade de Bolsonaro é reversível? Qual será o impacto da piora da pandemia daqui para frente? O novo auxílio emergencial será suficiente para segurar a posição política do governo? Lula conseguirá de fato unir a oposição e se candidatar novamente?

Será preciso acompanhar o cenário semana após semana para compreender a conjuntura de maneira profunda. É nesse contexto que as pesquisas nacionais a cada 15 dias contribuem para que todos possamos entender um pouco o que pode acontecer na política em 2022.

Poder 360.

Pela primeira vez, cidade de SP registra falta de oxigênio

A cidade de São Paulo registrou pela primeira vez desde o início da pandemia falta de oxigênio medicinal em uma unidade de Saúde, publica O Globo.

Na noite desta sexta-feira, dez pacientes recebiam tratamento na UPA Ermelino Matarazzo tiveram de ser transferidos em razão da falta do insumo. As unidades de Saúde prestam o primeiro atendimento a pacientes com sintomas de Covid.

De acordo com o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, o problema ocorreu porque a empresa White Martins não conseguiu oferecer o insumo a tempo.

Em condições normais, a gente abastecia as UPAS de oxigênio uma vez por semana. Agora, precisamos abastecer três vezes ao dia por causa do aumento do número de pacientes que chegam com Covid-19”, disse Aparecido.

O antagonista.

Vereador Irmão Lázaro morre em decorrência de complicações da covid-19

Foto: Reprodução/Instagram

O Brasil perdeu na noite de ontem (13) mais um grande artista para a Covid-19. Morreu aos 54 anos, em Feira de Santana (BA), o vereador e cantor gospel Irmão Lázaro em decorrência de complicações da doença.

De acordo com boletins divulgados na redes sociais do Irmão Lázaro, o estado dele vinha se agravando desde sua internação no hospital, em 25 de fevereiro. O último informe da assessoria do cantor, divulgado ainda nessa sexta-feira, afirmava:

“O estado do Irmão Lázaro continua grave e muito delicado, no dia de hoje não apresentou nenhuma intercorrência, permanece estável e requer muito cuidado. Continuamos em oração para que Deus faça o milagre necessário na vida de Lázaro e de todos que passam por esse momento complicado. Contamos com suas orações!”.

Além de ter sido deputado em duas ocasiões, o Irmão Lázaro havia sido eleito vereador nas eleições de 2020. Pelas redes sociais, a filha do político e cantor afirmou: “Hoje a pessoa mais importante da minha vida se foi, o homem que eu mais amei e continuarei amando o resto da vida!! O cara mais honesto e bondoso que já conheci, que me ensinou a amar a Deus acima de todas as coisas e que me amou como ninguém nunca amou!”.

Confira a nota de falecimento oficial:

Nota de falecimento

Foi com enorme pesar que recebemos ontem a triste notícia do falecimento do nosso amigo, pastor, vereador, líder, Irmão Lázaro.
O óbito ocorreu na noite de ontem (19/03/2021) as 22:34 no Hospital São Mateus em Feira de Santana, ele foi acometido de uma parada cardiorrespiratória decorrente da Covid 19.
Devido às atuais circunstancias o enterro será restrito somente para familiares e ocorrerá na tarde de hoje (20/03/2021) em Salvador-BA, sua cidade natal.

O que conforta os nossos corações é saber que “ainda bem que ele vai morar no céu, ainda bem que ele vai morar com Deus”

A luta do Irmao Lázaro passou, ele agora descansa nos braços de Deus, e a nossa oração agora é para que Deus conforte os nossos corações e seguimos com a esperança que Essa Luta vai passar.

Várias figuras públicas também se manifestaram acerca da partida precoce do Irmão Lázaro: