Governo revisa para cima projeção para inflação em 2021

Sérgio Lima/Poder 360 06.dez.2019

O Ministério da Economia revisou para cima a projeção para o IPCA, índice que mede a inflação no país, em 2021. O órgão espera alta de 4,42%. No final do ano passado, a projeção era de 2,94%.

Segundo nota publicada nesta 4ª feira (17.mar.2021), o principal responsável pela elevação da projeção foi o preço dos alimentos.

Essa alta da inflação acima do esperado deve pressionar o Banco Central a elevar a taxa básica de juros, a Selic, no final do dia, quando será concluída a reunião do Copom. Em 12 meses, o IPCA acumula alta de 5,2%, encostando na margem limite definida pela autoridade monetária, de 5,25%.

Na avaliação do governo, as expectativas já mostram convergência para o centro da meta de inflação a partir de 2022, inclusive com valores menores. As metas de inflação para 2022 e 2023 são de 3,5% e 3,25%, respectivamente.

PIB

O Ministério da Economia manteve em 3,2% a expectativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano.

“As incertezas são elevadas com os desafios de enfrentamento à pandemia, mas deve-se considerar os indicadores no primeiro bimestre que apontam continuidade da recuperação da atividade econômica”, diz a nota.

Eis um resumo:

Poder 360.

Supremo precisa decidir se Moro é incompetente ou suspeito no caso Lula

Gilmar Mendes disse ontem que não há hierarquia entre as turmas e o plenário do Supremo. De fato, elas são mera divisão administrativa para agilizar o trabalho. Mas o artigo 22, do regimento interno, diz que questões de relevância jurídica devem ser levadas ao colegiado integral de 11 ministros.

Da mesma maneira, o artigo 22 garante ao relator autonomia para afetar essas questões de relevância jurídica ao plenário quando achar necessário, apesar de Gilmar ter dito que relator “não é dono” do processo.

Como registrou Edson Fachin, o artigo 305 do mesmo regimento diz que compete ao relator, de maneira discricionária, a remessa de feitos ao pleno e que essa prerrogativa é irrecorrível.

Gilmar parece inconformado com a decisão do relator da Lava Jato de anular as condenações de Lula e enviar o tema para análise do plenárioGilmar parece temer também que o plenário julgue que a decisão de Fachin precisa ser analisada primeiro, pois é “motivo superveniente” à suspeição, como prevê o artigo 96 do CPP.

Na prática, não há como a Segunda Turma julgar primeiro a suspeição de Sergio Moro, se a questão da anulação das condenações já foi enviada a plenário. Kássio Marques não pediu vista do julgamento de suspeição à toa.

Embora Fachin tenha decidido reabilitar politicamente Lula (e o PT) por “questões de isonomia”, diante da tendência de anulação dos quadrilhões de MDB e PP, os conselheiros jurídicos de Jair Bolsonaro enxergam na manutenção de sua decisão pelo plenário a única saída para tentar tirar o ex-presidente de 2022.

Explico: o Supremo precisa escolher se Moro é suspeito ou incompetente para julgar Lula. Não é possível ser as duas coisas ao mesmo tempo.

Neste caso, ministros pró-Lava Jato também concordam que tornar o ex-juiz suspeito é muito mais danoso para a operação, pois invalida todos os atos instrutórios, inclusive provas e depoimentos — o novo juiz do caso teria que recomeçar do zero. Fora que macula a imagem do juiz e gera um risco geral de anulações.

Já a decisão de Fachin sobre a incompetência da 13a Vara para os casos de Lula mantém válida a denúncia do MPF, além de provas e depoimentos colhidos, que estão sendo remetidos para a Justiça Federal em Brasília.

Os processos do triplex e do sítio estão prontos. Bastaria o juiz receber a denúncia, analisar os autos e revalidar a sentença.

Quando diz que Lula estará fora de 2022, Bolsonaro ecoa a tese de que ao menos a primeira condenação do petista poderia ser confirmada na Justiça Federal do DF e corroborada no TRF-1 antes da eleição, tornando o ex-presidiário novamente um ‘ficha suja’.

Além de tirar Lula da disputa, Bolsonaro (caso a pandemia não precipite o fim de seu governo) poderia até dizer na campanha que ajudou, pelas mãos de Kássio, a preservar o trabalho da Lava Jato, apesar da rumorosa demissão de Moro.

Quanto ao ex-ministro, o presidente aposta que ele não oferece perigo, que está feliz na iniciativa privada e amarrado contratualmente com o escritório Alvarez & Marsal por alguns anos.

O antagonista.

Uber passa a considerar motoristas como funcionários no Reino Unido

A Uber concederá a seus motoristas no Reino Unido o status de funcionários, com salário mínimo e férias remuneradas, uma ação inédita no mundo para a empresa que ocorre depois de decisão da Suprema Corte britânica. Agora, a empresa iniciará uma rodada de disputa para definir o que deve ser considerado “horário de trabalho” na economia compartilhada.

Essa decisão significa que cerca de 70.000 motoristas da Uber no Reino Unido terão pela 1ª vez direito a pagamento de férias equivalente a 12,07% de seus rendimentos e registro automático em um esquema de aposentadoria ligado à empresa. Em comunicado, a Uber disse que os condutores receberão seus benefícios a partir desta 4ª feira (17.fev.2021). A mudança de classificação não se estende aos entregadores de comida do Uber Eats, que continuam autônomos.

A plataforma agiu de forma rápida depois de lançar uma ampla consulta com seus motoristas e apenas 1 mês depois da derrota perante a Suprema Corte britânica, que decidiu em 19 de fevereiro que os motoristas podem ser considerados “trabalhadores” e, portanto, receber os benefícios sociais correspondentes. O Tribunal atendeu a pedido de um grupo de 35 motoristas da Uber que contestaram sua situação de autônomos em 2016. Eles afirmavam que a empresa exercia um controle dominante sobre eles no modo como alocava viagens e definia tarifas.

A mudança, no entanto, poderá fazer pouca diferença nos ganhos principais dos motoristas. Isso porque a Uber garantirá que eles recebam pelo menos o salário mínimo oficial pelo tempo em que estiverem realizando corridas, mas não incluirá o tempo em que não estiverem atendendo clientes.

A Uber disse que não seria possível pagar aos motoristas o salário mínimo oficial do Reino Unido –que subirá para 8,91 libras (cerca de R$ 70) por hora em 1º de abril– por todo o tempo que ficam online, a menos que estabelecessem regras rígidas ou reduzissem o número de motoristas. Ela afirma que os motoristas em Londres ganharam, em média, 17 libras por hora (cerca de R$ 132) no mês passado, já descontada a parcela dos ganhos que fica com a empresa. Diz ainda que a Uber não sabe dizer quantos motoristas também se conectam a aplicativos concorrentes enquanto esperam por um pedido de viagem.

A atitude da Uber em relação ao horário de trabalho deverá ser contestada por grupos de direitos dos trabalhadores, como ocorreu na Califórnia (EUA), onde estudos do tempo “ocupado” mostraram que o motorista da Uber passa 1/3 do tempo à procura de clientes.

A Uber não divulgou a estimativa de custos com o novo modelo de contrato com seus motoristas no Reino Unido, mas disse que isso não afetaria seu objetivo declarado anteriormente de divulgar resultados positivos ao fim deste ano.

Poder 360.