QUASE REAL


De repente, me vi a escrever sobre uma estranha síndrome de abstinência quando do apagão do WhatsApp. Revelando certo alívio pela simples hipótese de não me sentir tão prisioneiro, ainda que por poucas horas, e não por definição própria, desses engenhos que nos subjugam. E aí, comecei a pensar sobre este mundo no qual entramos sem raciocinar e no qual nos entregamos sem limites, ou quase sem.

Quando as milhares de mensagens diárias passam a ser algo natural, é porque perdemos a mão, deixamos de ter o controle mínimo e necessário das nossas vontades. Talvez seja hora de socorrer-me ao velho Eric Laurent, meu psicanalista, para introduzir esse tema tão instigante quanto desafiador para mim.

Passei a participar de vários grupos como se eu fosse só um observador. E a identificar os meus companheiros nesses espaços que me incluem, sem, normalmente, nenhuma consulta prévia. Alguns deles eu gosto, me sinto bem, me divirto e tenho até certo pudor em me manifestar. Leio. Olho. Rio. Emociono-me. Aprendo. Outros, eu desprezo, mas, como não são bolsominions, não tenho coragem de sair. Como fiz um corte, quase uma promessa, de não conviver com esses fascistas, acabei alargando a minha paciência e compreensão para outras tribos, para os babacas, os desinformados e os amantes de autoajuda. E esses são terríveis, os pretensiosos e os donos da verdade.

Muito preocupante acordar e ter quase mil mensagens que parecem ter que ser lidas. Elas ficam lhe esperando. A maioria não lhe diz respeito, não diz nada, ou quase nada, da sua vida. Mas a curiosidade, o vício e a dependência fazem com que você leia e até responda algumas delas. Nós que tínhamos uma noção do ridículo, da amizade, da literatura, da reflexão e da leitura de poesia estamos hoje reféns de uma tecnologia viciante e burra, pois não nos permite ser minimamente reflexivos e com algum aprofundamento sobre os temas. Somos tragados por esse enorme gargalo de mediocridade que impera nas tais redes sociais.

E, de certa maneira, especialmente durante o isolamento da pandemia, esse meio virtual transformou nossa maneira de nos relacionarmos. A falta do abraço e a solidão angustiante nos fizeram sentir cada mensagem como se fosse um carinho e uma demonstração de afeto.

Já é hora de tirarmos a máscara de alguns grupos e resgatarmos o tempo, exageradamente longo, desse relacionamento não real. A essa altura da vida, poder deletar alguns grupos pode ser a melhor maneira de nós nos sentirmos mais inteiros e nos situarmos onde realmente queremos estar. E deletar pode também ser visto como um ato de carinho. Se não com os participantes do grupo, pelo menos com você mesmo. Permita-se.

Mire-se no velho Leão de Formosa, no poema O Búzio e a Pérola:

“Aperfeiçoa-te na arte de escutar:

Só quem ouviu o rio pode ouvir o mar.”
Fonte: poder 360.

“Deixar a direção da offshore é irrelevante”, diz criminalista sobre Guedes


O advogado criminalista Sérgio Rosenthal, especialista nos chamados “crimes do colarinho branco“, diz que o documento em que o ministro da Economia Paulo Guedes diz ter saído da direção de sua offshore é irrelevante do ponto de vista jurídico. O motivo é que quaisquer movimentações que tenham ocorrido desde que ele assumiu o cargo podem ter beneficiado ele e a sua família.

A questão de ele ser diretor ou não é irrelevante, assim como a filha e a esposa. O que interessa é o que é feito com esse patrimônio no exterior. Se a empresa faz algum ato ou operação que traga proveitos para o ministro e sua família, isso é o que efetivamente deve ser investigado”, disse Rosenthal em entrevista ao Poder360. Assista (25m44s):

Na semana passada, Guedes mostrou um documento produzido pela operadora da sua offshore nas Ilhas Virgens Britânicas dizendo que ele afastou-se da diretoria da empresa quando assumiu o ministério. O ministro, no entanto, não disse se a sua mulher e filha continuaram operando a empresa nem se houve movimentações com ele no governo.

O principal ponto, na avaliação de Rosenthal, é responder se houve ou não conflito de interesses ou uso de informações privilegiadas. Para isso, tem que ser dito se houve ou não aplicação quando Guedes já era ministro. “Se essa empresa não tem uma operação, não há qualquer tipo de vantagem”, afirmou.

Sérgio Rosenthal é advogado criminalista com mestrado em direito criminal pela USP e mais de 30 anos de experiência na área. Foi Presidente da AASP (Associação dos Advogados de São Paulo).

Na sua avaliação, empresas offshore em paraísos fiscais, onde há menos tributos e mais sigilo, não são necessariamente um problema. Elas cumprem papéis relevantes na sucessão patrimonial de famílias, comércio global e compra de imóveis no exterior. E que o sigilo elevado não é condenável.

A questão, diz, é quando pessoas expostas politicamente, as “PEP” segundo a sigla em inglês, tem uma empresa dessa natureza elas precisam ser mais transparentes que a média.

Elas têm até o dever de ter mais transparência com relação ao seu patrimônio. É uma situação atípica e extraordinária. Mas o cidadão comum tem o direito a ter o sigilo sobre o seu patrimônio protegido“, disse.
Fonte: Poder 360.

Amazon quer grandes aviões de carga para levar produtos da China aos EUA

A Amazon está buscando aviões para transportar seus produtos por todo o mundo. Segundo a Bloomberg, a gigante de comércio eletrônico quer passar a usar os modelos Boeing 777-300ER e Airbus A330-300 –grandes jatos normalmente utilizados no transporte de passageiros– em substituição ao Boeing 767, que é de tamanho médio e integra a frota da empresa há cerca de 5 anos.

O Boeing 777 seria modificado para o transporte de cargas e passaria a ser usado já no ano que vem. Essa versão da aeronave, apelidada de 777-300ERSF, conseguiria transportar até 25% mais volume do que o modelo usado atualmente.

A mudança ainda permitiria que a Amazon importasse produtos da China e de outros países, acirrando ainda mais a competição entre a companhia e as suas rivais, United Parcel Service e a FedEx.

Ao todo, a empresa quer comprar 10 Airbus A330-300 convertidos de aviões de passageiros para modelos de carga e contratar tripulação para operá-los. Sobre o 777-300ERSF, não se sabe ao certo o número de aeronaves que a Amazon pretende adquirir.

Também não foi esclarecido onde a companhia vai buscar os modelos e se eles serão comprados ou alugados. A Amazon não quis comentar o caso.

Desde 2016, a Amazon possui a sua própria empresa de transporte de produtos, a Amazon Air, que leva mercadorias dos seus depósitos até os clientes. Com a expansão, a empresa quer ser independente de transportadoras terceirizadas.

A frota da Amazon Air é de cerca de 75 aviões. Os veículos são todas da Boeing e variam entre os modelos 767 de fuselagem larga e 737 de fuselagem estreita, com 4 turboélices ATR 72 a caminho, de acordo com Planespotters.net. Os aviões são operados por empresas como a Atlas Air Worldwide, Air Transport Services Group e Sun Country Airlines. As aeronaves voam praticamente só na América do Norte e na Europa.

Um levantamento do Chaddick Institute for Metropolitan Development da Universidade DePaul, em Chicago (EUA), mostrou que o aumento dos voos da Amazon tem sido substancial, o que justificaria a aquisição de novos aviões próprios. Em agosto deste ano, a Amazon Air fez 164 voos por dia, contra 80 em maio do ano passado. A maior parte atende aeroportos que ficam a poucas horas de carro de mais de 70% da população dos Estados Unidos.

Também no mês de agosto, a Amazon abriu um extenso hub de carga aérea no Aeroporto Internacional de Cincinnati, no Estado de Ohio. A base facilita a transferência da carga para outros aeroportos.
Fonte: Poder 360.

Câmara aprova alteração no ICMS dos combustíveis


A Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta 4ª feira (13.out.2021), o PLP (projeto de lei complementar) 11 de 2020, que altera a cobrança do ICMS sobre combustíveis.

Havia resistência dos governadores. A mudança aprovada fará com que os Estados arrecadem menos do que poderiam. A Febrafite (Federação Brasileira de Associações de Fiscais de Tributos Estados) estima em R$ 24 bilhões a perda de arrecadação.

Para vigorar, o projeto ainda precisa passar pelo Senado, onde os governadores têm maior influência. E também ter sanção presidencial.

O presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), passou o dia articulando apoio à proposta. A sessão estava marcada para 15h, mas a deliberação do projeto começou apenas às 18h32.

O preço dos combustíveis é um assunto politicamente sensível. Tem causado desgaste ao presidente da República, Jair Bolsonaro(sem partido). Ele culpa os Estados, por causa do ICMS. O Executivo propôs uma uniformização das alíquotas do tributo em fevereiro.

Lira é aliado de Bolsonaro e chegou a endossar o discurso em 28 de setembro. No dia seguinte, recuou.

Os principais responsáveis pela alta dos combustíveis são o encarecimento do petróleo no mercado internacional e a depreciação do real frente ao dólar. A Petrobras repassa aos consumidores as oscilações dos valores no mercado internacional.

O presidente da Câmara afirma que a proposta, se sair do papel, deverá baixar os preços dos combustíveis em até 8%. Leia os percentuais citados por Lira:

  • Gasolina – 8% a menos;
  • Etanol – 7% a menos;
  • Diesel – 3,7% a menos.

O relator da proposta foi o deputado Dr. Jaziel (PL-CE). Leia a íntegra (305 KB) do texto aprovado.

Foram 392 votos a favor do texto-base contra 71, e duas abstenções. Por ser uma proposta de lei complementar, eram necessários ao menos 257 votos para aprovação.

Alteração no cálculo

Atualmente, cada Estado estipula sua alíquota de ICMS. A taxa mais alta do Brasil é no Rio de Janeiro, 34%. Esse percentual incide sobre a média dos preços de cada combustível no Estado, calculada a cada 15 dias.

Assim, se o preço dos combustíveis subir hoje, daqui a no máximo 15 dias haverá aumento na arrecadação do ICMS graças a essa alta.

O projeto aprovado determina que os Estados estabeleçam um valor fixo anual a ser cobrado de ICMS por litro de combustível vendido.

Também fixa um teto para essa tarifa: não pode ser maior do que seria a alíquota de ICMS aplicada sobre a média do preço do combustível nos 2 anos anteriores no Estado –a 1ª ideia ventilada era uma média nacional.

Ou seja: se um Estado tem ICMS de 20% para a gasolina, e o litro do produto custou em média R$ 5 nos 2 anos anteriores, a tarifa do ano será de no máximo R$ 1 por litro.

O cálculo seria feito com base no ICMS vigente em 31 de dezembro do ano anterior.

Valeria para os combustíveis cujo ICMS é cobrado pelo regime de substituição tributária (quando o imposto da cadeia produtiva toda é cobrado em uma etapa, como na refinaria). Esses produtos são definidos nos Estados, mas em geral incluem pelo menos gasolina, diesel e etanol.

O valor cobrado pelo imposto cairia porque, no novo período de cálculo, os preços médios estariam mais baixos do que o patamar atual. Depois, quando (ou se) baixarem no mercado internacional, o tributo também demoraria mais para responder.

“Hoje estamos trabalhando no pico do preço dos combustíveis, mas esse pico pode voltar atrás, como já ocorreu no ano passado”, disse Alexis Fonteyene (Novo-SP), ao criticar o projeto.

“Vai fazer com que o preço suba em 2023”, disse a líder do Psol, Talíria Petrone (RJ). “É uma medida oportunista para 2022 [ano de eleições], para dar uma boia para Bolsonaro se salvar”, declarou ela.

“Não podemos passar para a sociedade uma absolvição da política nefasta de Bolsonaro como se os governadores fossem responsáveis”, declarou o líder do PT, Bohn Gass (RS).

“Vamos votar a favor e mostrar mais essa farsa do governo Bolsonaro”, declarou o líder do PDT, Wolney Queiroz (PE).
O relator, Dr. Jaziel, chamou as medidas deliberadas de “necessária resposta do Congresso Nacional à sociedade quanto à sucessivas elevações dos preços desses produtos”em seu relatório.

“Temos que achar formas para baixar o preço dos combustíveis”, declarou o deputado Giovani Cherini (PL-RS). “Os Estados também têm que fazer a sua parte”, disse.

“É o 1º passo que nós estamos dando para baixar o preço dos combustíveis”, disse Cacá Leão (PP-AL), líder de seu partido.

O líder do MDB, Isnaldo Bulhões (AL), afirmou que houve quebra de acordo na votação da proposta. Ele se refere a acerto feito meses atrás para ser deliberado projeto que determinava que o preço do ICMS deveria ser informado nas notas fiscais.

“Essa ação é uma verdadeira cortina de fumaça. Tenho falado há meses: outros são os fatores que influenciam os preços de combustíveis, o 1º é a política econômica do governo Bolsonaro, que desvaloriza cada vez mais o Real e provoca o descontrole da inflação. O outro fator é a política da Petrobras, que tem o Estado seu maior acionista”, declarou o emedebista.

Lira afirmou que o acordo valia quando a proposta na mesa era de padronizar as alíquotas, o projeto inicial do governo.
Fonte: poder 360.