Governo publica programa que visa reduzir emissões de gases de efeito estufa

 

 Sérgio Lima/Poder360 25.10.2021

O governo federal publicou na edição desta 3ª feira (26.out.2021) do DOU (Diário Oficial da União) decreto que institui o Programa Nacional de Crescimento Verde. Segundo o texto, o programa busca “aliar o crescimento econômico ao desenvolvimento com iniciativas sustentáveis”. Eis a íntegra do decreto (69 KB).

O programa foi lançado na 2ª feira (25.out) pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Participaram da cerimônia no Palácio do Planalto os ministros Paulo Guedes(Economia), Carlos França (Relações Exteriores) e Joaquim Leite (Meio Ambiente), o vice-presidente Hamilton Mourão e outros integrantes do governo.

São objetivos do programa:

  • aprimorar a gestão de recursos naturais para incentivar a produtividade, a inovação e a competitividade;
  • criar empregos verdes;
  • promover a conservação de florestas e a proteção da biodiversidade;
  • reduzir as emissões de gases de efeito estufa, com vistas a facilitar a transição para a economia de baixo carbono;
  • estimular a captação de recursos, públicos e privados, destinados ao desenvolvimento da economia verde, provenientes de fontes nacionais e internacionais;
  • incentivar a elaboração de estudos e a realização de pesquisas que contribuam para o uso sustentável dos recursos naturais; a redução de emissões de gases de efeito estufa; a conservação de florestas; e a proteção da biodiversidade.

O PNCV, como foi chamado, é lançado às vésperas da COP 26 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), realizada de 31 de outubro a 12 de novembro, em Glasgow, na Escócia.

Temos o desafio de apresentar o programa de crescimento verde na COP, [na cúpula] do Clima. A solução para o desafio do acordo do clima é inovação, uma nova economia verde, uma transição”, disse o ministro do Meio Ambiente a jornalistas.

O lançamento é para deixar claro como o Brasil tem R$ 400 bilhões na direção verde, investimentos e financiamentos bastante robustos se compararmos com os outros países do mundo. Temos número bastante relevante de recursos”, completou Joaquim Leite.

Esses recursos, segundo o decreto, serão usados para:

  • iniciativas coerentes com as políticas públicas de meio ambiente;
  • desenvolvimento e aperfeiçoamento de produtos, metodologias, padrões, instrumentos de análise, de monitoramento e de avaliação;
  • desenvolvimento de atividades e empreendimentos ou adequações à legislação ambiental e climática;
  • implementação de instrumentos de mercado e mecanismos financeiros para iniciativas de mitigação e de adaptação à mudança do clima;
  • entrega de projetos de infraestrutura resiliente e sustentável;
  • incentivo à descarbonização dos transportes e ampliação das cidades sustentáveis e inteligentes;
  • ampliação do uso de energias limpas e renováveis e do ganho de eficiência energética nas atividades econômicas;
  • desenvolvimento de ações tecnológicas relacionadas ao uso sustentável dos recursos naturais;
  • alinhamento estratégico com vistas ao avanço da agenda de crescimento verde e desenvolvimento econômico sustentável;
  • aperfeiçoamento da comunicação, da transparência e do compartilhamento de informações, práticas e conhecimento inerentes ao desenvolvimento econômico sustentável;
  • desenvolvimento de ações de capacitação relacionadas com aspectos ambientais e climáticos;
  • promoção da conservação dos recursos naturais e proteção da biodiversidade.

O PNCV terá condução coordenada pelo CIMV (Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima e Crescimento Verde), antigo Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima. Esse grupo planejará, executará e reunirá os resultados. O CIMV também terá a responsabilidade de criar e consolidar critérios verdes, considerando as características de cada região do Brasil nos diferentes biomas.

Fonte: Poder 360.

Barroso envia à PGR ação sobre live em que Bolsonaro associa vacina à aids

O presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, acompanha o inicio da apuração em telão instalado em frente ao TSE

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso determinou na 2ª feira (25.out.2021) que a PGR(Procuradoria Geral da República) se manifeste sobre declaração do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) associando vacinas anticovid ao risco de desenvolver aids.

A decisão de Barroso é feita em ação impetrada no Supremo por deputados do Psol e do PDT. Eis a íntegra (267 KB).

Conforme prevê o Art. 230-B do regimento Interno do STF e como de praxe, determino a remessa dos autos à Procuradoria-Geral da República para manifestação”, determinouBarroso.

Na notícia-crime, os congressistas do Psol e PDT afirmam que a fala de Bolsonaro “induz a população a não se vacinar”, configurando infração de medida sanitária preventiva. O presidente também teria cometido o crime de colocar a saúde de terceiros em risco.

Em transmissão ao vivo realizada na última 5ª feira (21.out). Bolsonaro citou “relatórios oficiais do governo do Reino Unido” que “sugerem que os totalmente vacinados […] Estão desenvolvendo Síndrome da Imunodeficiência Adquirida muito mais rápido do que o previsto”.

A suposta relação foi divulgada pelo site conspiracionista Before It News, que também já publicou texto dizendo que chips são inseridos nos vacinados para que eles sejam rastreados. Autoridades do Reino Unido desmentiram a existência dos relatórios.

A live de Bolsonaro foi retirada do ar pelo Facebook e pelo Instagram. O YouTube também removeu o vídeo por “violar as diretrizes de desinformação médica sobre a covid-19”. Se o presidente receber mais duas notificações da mesma natureza, corre o risco de perder seu canal.

Já o Twitter decidiu manter a publicação. A rede social incluiu um aviso de que a publicação “violou regras” da empresa e espalhou “informações enganosas e potencialmente prejudiciais relacionadas à covid-19”.

Fonte: poder 360.

Os toques dos sinos

Padre João Medeiros Filho

O antigo Código de Direito Canônico (cânon 1169, § 1) recomendava: “É conveniente que haja em cada igreja um ou mais sinos para convocar os fiéis aos ofícios divinos.” O escritor Oswaldo Lamartine, em sua erudição e sabedoria, afirmava: “Os sinos de nossos templos são a voz da alma.” Solicitou-me que publicasse algo a esse respeito. Continuo recolhendo dados, mas faltam-me ainda elementos suficientes para homenagear, mesmo postumamente, o inesquecível amigo. Dom NivaldoMonte partilhava o mesmo desejo. É conhecido o seu interesse pelo resgate dos carrilhões de Extremoz. Os campanários têm uma linguagem rica de significados e representavam um importante meio de comunicação para os nossos antepassados.

Dom Adauto de Miranda Henriques, primeiro bispo da diocese da Paraíba (da qual fazia parte o RN), escreveu no Livro de Tombo de uma paróquia potiguar: “Uma igreja (especialmente matriz) deve ter duas torres e no mínimo dois carrilhões.” Estes existem em tamanhos pequeno, médio e grande com tons graves e agudos. A liturgia dá um destaque especial à cerimônia da bênção dos sinos (batismo na linguagem popular), dotando-os de padrinhos e madrinhas. Outrora, além de chamar os fiéis para as cerimônias religiosas, transmitiam anúncios sociais, calamitosos e fúnebres. Bem difundido era “o toque do parto” com nove pancadas, anunciando um nascimento e pedindo orações para a parturiente. Possuíam também a função de indicar o horário. Posteriormente, muitos relógios foram instalados nas torres dos templos, marcando as horas com o som das campanas. Desde jovem, sentia-me atraído pela “cultura dos sinos.” Recordo-me de antigos sacristães que conheciam bem a simbologia dos toques: Zé do Padre, Praxedes Gurgel e Ciríaco Ferreira (Caicó), Zé do Ouro (Campo Grande), Chico Justino e Abdias Batista (Jucurutu), Abílio Córdula (Florânia, Cruzeta e Acari) e Raimundo Sacristão (Mossoró). Guardavam informações preciosas, hoje desconhecidas ou desprezadas.

Distinguem-se repiques e toques. Estes são simples ou duplos (dobres), dependendo do carrilhão, se é fixo ou giratório. Os repiques consistem em badaladas rápidas com os sinos parados, usados em momentos festivos, elevação na missa, procissões, bênção do Santíssimo Sacramento etc. Havia normas, transmitidas oralmente pelos nossos vigários a seus dedicados sineiros-sacristães. Eles passavam por um treinamento sobre as suas lides, indo do aprendizado do latim litúrgico ao manuseio dos campanários. O toque para as cerimônias religiosas é denominado “chamada”. Obedece a um simbolismo, que desaparece paulatinamente. O anúncio para a missa era feito por três “chamadas”: sessenta, trinta e quinze minutos antes da celebração. Constavam de doze toques, em homenagem aos apóstolos de Cristo. Terminadas essas badaladas e, após curto intervalo, seguiam-se outras pancadas significativas:  dez indicavam que o celebrante seria o bispo diocesano; sete um sacerdote visitante; cinco o pároco e três o cooperador (vigário paroquial). Havia um motivo: alguns paroquianos tinham rusgas com os seus presbíteros, por conta de querelas políticas ou conflitos de terra. Tal peculiaridade (nas “chamadas”) era importante para evitar encontros indesejados.

O toque para as demais cerimônias regia-se pelas regras estipuladas para as celebrações eucarísticas. Entretanto, nas ocasiões fúnebres havia um ritual específico. Quando se tratava do óbito de um homem, procedia-se a três dobres no sino grande (grave) e dois no menor (agudo). Nos funerais de uma mulher, dois no bronze maior e três no pequeno. Existindo um único sino na igreja ou capela, eram dadas, após alguns segundos de intervalo, três badaladas simples para os falecidos masculinos e duas para os femininos. A tradição dispunha de dobres especiais para os eclesiásticos. Na morte do papa, aconteciam doze, de hora em hora; no óbito de umbispo, dez, a cada três horas e no falecimento dos sacerdotes sete, de quatro em quatro horas. No funeral das crianças, tocava-se o repique. Seu som ininterrupto lembra o cortejo celestial, recebendo na glória eterna mais um “anjinho”. Nas missas de sétimo e trigésimo dia (“visita de cova”), observava-se o mesmo ritual. Na hora do Angelus, os sinos deveriam tocar sete vezes, aclamando Maria Santíssima e lembrando as Dores de Nossa Senhora. Em calamidades, como enchentes, incêndio, desabamento, invasões etc. os sacristães deveriam tocar desordenadamente. A importância dos sinos remonta ao Antigo Testamento, pois lemos nos Salmos: “Louvai ao Senhor com címbalos sonoros e sinos jubilosos.” (Sl 150, 5).