Nobel de Medicina vai para cientistas que descobriram receptores de temperatura


A Academia Real das Ciências da Suécia anunciou nesta 2ª feira (4.out.2021) que o norte-americano David Julius e o libanês Ardem Patapoutian venceram o Prêmio Nobel 2021 em Medicina. Eles são responsáveis pela descoberta sobre receptores de temperatura e tato. O prêmio de 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,1 milhões) será dividido entre os 2.

Os pesquisadores descobriram como o calor, o frio e o tato podem iniciar sinais no sistema nervoso. Na avaliação da Academia, “os canais identificados são importantes para muitos processos fisiológicos e condições de doença”.

A entidade chamou as descobertas de revolucionárias e destacou que elas “lançaram atividades de pesquisa intensas, levando a um rápido aumento em nossa compreensão de como nosso sistema nervoso sente o calor, o frio e os estímulos mecânicos”.

Segundo a Academia, “os laureados identificaram elos essenciais que faltavam em nossa compreensão da complexa interação entre nossos sentidos e o meio ambiente”.

Em suas pesquisas, Julius usou a capsaicina, um composto da pimenta-malagueta. O material consegue induzir a sensação de queimação. Com isso, o cientista conseguiu identificar um sensor nas terminações nervosas da pele que responde ao calor.

Já Patapoutian descobriu uma classe de sensores que respondem a estímulos mecânicos tanto na pele como em órgãos internos. Para isso, usou células sensíveis à pressão.

Em 2020, o prêmio também foi divido, mas entre 3 cientistas: Harvey J. Alter, Charles M. Rice e Michael Houghton. Eles venceram pela descoberta do vírus da hepatite C –uma inflamação do fígado que pode se tornar crônica e causar câncer, levando à morte.

A Academia Real das Ciências da Suécia vai anunciar os vencedores em outros campos de forma gradual. Eis o cronograma:

  • Física: 3ª feira (5.out);
  • Química: 4ª feira (6.out);
  • Literatura: 5ª feira (7.out);
  • Paz: 6ª feira (8.out);
  • Economia: 2ª feira (11.out).

Fonte: poder 360.

Em NY, Tarcísio apresenta programa de concessões e tenta atrair investidores


O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, está em Nova York para tentar atrair investidores internacionais para o Brasil. Ele apresentará projetos de concessão do governo federal a fundos, instituições financeiras e agências de classificação de risco, de 2ª (4.out.2021) a 6ª feira (8.out.2021).

Segundo o Ministério da Infraestrutura, este é o 1º roadshow internacional realizado por Tarcísio desde o início da pandemia de covid-19. O foco será no programa de concessões do governo federal, que inclui rodovias, arrendamentos portuários, aeroportos e ferrovias.

A secretária especial do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), Martha Seillier, também participa da rodada de negociações, além de representantes do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), do Ministério de Relações Exteriorese da Apex. Seillier, por exemplo, tem reuniões agendadas com o Pátria Investimentos e o banco Macquarie nesta 2ª feira (4.out).

Desde 2019, o programa de concessões do governo de Jair Bolsonaro contratou R$ 74 bilhões em investimentos para a logística brasileira. O Ministério da Infraestrutura, no entanto, diz ser possível atrair pelo menos R$ 26o bilhões em investimentos privados para o setor de transportes até o fim de 2022. Para isso, pretende realizar 11 leilões ainda em 2021 e mais de 20 concessões em 2022.

Para este ano, estão previstos os leilões de 9 arrendamentos portuários e de 2 projetos rodoviários. Entre eles, a relicitação da Via Dutra, em conjunto com a Rio-Santos, em 29 de outubro, que pode gerar quase R$ 15 bilhões em investimentos.

Também está na lista o “maior leilão de arrendamento portuário” do Brasil. É o leilão de 2 áreas do Porto de Santos destinadas à movimentação de combustíveis, que podem receber R$ 1 bilhão em melhorias do setor privado.

Em 2022, o Ministério da Infraestrutura prevê a concessão de 16 aeroportos, incluindo Congonhas (SP) e Santos Dumont (PI). A desestatização do Porto de Santos e a concessão da Ferrogrão também são parte do planejamento para o ano que vem, além da concessão de 12 mil quilômetros de rodovias.
Fonte: poder 360.

Exclusivo: exploração no TikTok


TikTok pagou menos de um salário mínimo para funcionários sem registro trabalharem até 18 horas por dia. Depois tentou nos enrolar.
Publicamos hoje uma reportagem que conta como o TikTok usou trabalhadores brasileiros terceirizados para transcrever vídeos ao custo de menos de um salário mínimo por pessoa. E a rede social, que comemorou a marca de um bilhão de usuários ativos nesta semana, não estava pagando por um trabalho qualquer: era, segundo um dos gerentes, a força humana que ajudava a alimentar a inteligência artificial.
Adriana Zanotto, uma das pessoas que denunciou o projeto, por exemplo, passou um mês inteiro fazendo transcrições de trechos de vídeos e ainda não recebeu os R$ 700 que lhe haviam prometido em nome da ByteDance, a dona do TikTok. Levou um calote.
A história completa está aqui. Mas, antes, eu quero contar uma parte deste processo de apuração.
Como sempre, tentamos pegar o “outro lado” do TikTok. No jargão jornalístico, o “outro lado” é o contraponto à história que está sendo contada, a versão dos acusados sobre os fatos narrados. Mas, no caso das grandes empresas de tecnologia, é como falar com um atendente de telemarketing robotizado.
Respostas objetivas praticamente inexistem. Existem notas padrão, produzidas geralmente por assessorias de imprensa terceirizadas, e pouca prestação de contas ao público sobre o que acontece nas plataformas. Isso, é claro, nos melhores casos. Nos piores, o que impera é o silêncio.
Na reportagem que publicamos hoje, o TikTok simplesmente se recusou a responder. Foram várias tentativas por e-mail, WhatsApp e telefone desde julho deste ano. O repórter Paulo Ribeiro teve uma única resposta, em que a assessoria de imprensa terceirizada pediu mais informações sobre o “enfoque” e “de onde a pauta surgiu”. Depois que ele explicou que o texto partiu de denúncias de funcionários e que havia documentos e vídeos que corroboravam os relatos, não houve mais resposta.
Ligamos para a assessoria de imprensa. Ouvi que seria preciso falar com a ByteDance, dona do TikTok, nos EUA. Tentamos, então, pedir uma resposta deles diretamente para o diretor de comunicação da empresa. Ele também nos ignorou.
Era um trabalho “terceirizado do terceirizado”, como definiu uma das gerentes do projeto, em uma cadeia tão diluída que não apenas o dinheiro se esvaía entre os contratantes – mas, também, a responsabilidade. Zanotto diz que nunca teve nenhuma resposta das recrutadoras brasileiras. O contratante paquistanês afirmou que o valor não foi pago por causa da “baixa qualidade” das transcrições. A ByteDance, avisada por ela em um e-mail formal, também ignorou.
Entre julho e setembro de 2021, o TikTok enviou 11 e-mails com releases sobre campanhas, parcerias publicitárias e novidades na plataforma. A assessoria de imprensa estava trabalhando duro, mas para controlar a narrativa sobre a companhia. Perguntas incômodas poderiam ser deixadas de lado sem prejuízo para a marca.
Eu poderia dizer que se trata de um problema, digamos, mais pessoal com o Intercept. Isso porque foi publicado, no ano passado, duas reportagens que deram muito trabalho para a equipe de relações públicas da empresa. Em uma, contamos como, diante de um suicídio transmitido ao vivo, a empresa correu para limpar sua imagem antes mesmo de ligar para a polícia. Em outra, detalhou-se as absurdas políticas de moderação de conteúdo, que orientavam pela supressão de favelas e pessoas feias.

Fonte: TIB