Inep divulga nova data do Enem para isentos ausentes no exame de 2020

Candidatos chegam para o 2º Dia de prova do Enem (Elza Fiuza/Agência Brasil)

O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) divulgou, na 2ª feira (13.set.2021), as datas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2021 para os candidatos que ficaram isentos da taxa de inscrição em 2020, mas não compareceram para fazer a prova. Eis a íntegra (82 KB) do edital publicado nesta 3ª (14.set) do DOU (Diário Oficial da União).

Segundo o instituto, os participantes nessas condições que quiserem fazer a prova em 2021 com isenção da taxa poderão se inscrever pela Página do Participante a partir das 10h (de Brasília) desta 3ª feira (14.set). O prazo se encerrará às 23h59 de 26 de setembro.

A 2ª chance para os candidatos isentos que perderam a prova realizada durante a pandemia foi uma determinação do STF(Supremo Tribunal Federal) para garantir a esses estudantes o acesso à educação superior. A lista de ausentes nessas condições conta com quase 3 milhões de pessoas.

A prova para esses candidatos será realizada nos dias 9 e 16 de janeiro de 2022, juntamente com o exame para pessoas privadas de liberdade.

Segundo o Inep, “o cronograma de aplicação do Enem 2021 para os isentos ausentes na edição 2020 foi planejado de forma a garantir o direito dos participantes de utilizarem o resultado do exame para acesso à educação superior por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Programa Universidade para Todos (ProUni) e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), programas do Ministério da Educação (MEC)”.

Para os demais inscritos no Enem 2021, a aplicação das provas está agendada para os dias 21 e 28 de novembro de 2021.

De acordo com o instituto, ao todo, 3.109.762 pessoas já tiveram a inscrição confirmada para o Enem 2021. Esse é o menor número desde 2005.

Em 2020, a taxa de abstenção do exame atingiu 55,3% no 2º dia de provas.
Fonte: poder 360.

A “excomunicação” do ódio

Padre João Medeiros Filho

Segundo as palavras do atual Sumo Pontífice: o ódio é uma maneira de excomunicar ou excomungar e afastar outrem.Ultimamente, surgiu uma forma digital, mais perigosa e deletéria. Reativável e armazenada nas redes sociais, passa de individual a social. É lamentável, pois não se encontrou ainda uma contrapartida, capaz de refluir essa onda deplorável. Nossos lares, instituições de ensino e igrejas carecem de proporcionar uma formação mais eficaz para o encontro e a solidariedade. O ódio digital é também hipócrita, poisquem odeia disfarça as suas intenções.” (Pv 26, 24). Seu emissor lança ofensas emostra-se quase sempre incapaz de proferi-las face a face. Nos dias atuais, reveste-se de mais uma modalidade: a ira gratuita e preconceituosa. Às vezes, basta saber a que grupo pertence alguém para odiá-lo. Se, por ventura,confessar sua convicção ideológica ou religiosa divergente, será agredido ou excluído dos contatos.  Não basta desgostar das pessoas. Seus amigos e familiarestambém passam a ser vítimas da sanha. É uma repulsa em cadeia e quase sistêmica. O rancor está sendo cada vez mais digitalizado, permeando sites e redes digitais, mediante expressões de indiferença, intolerância e preconceito. Tal situação integra o fenômeno recente dedifusão da desinformação.  Hoje, busca-se confundir e enganar, ao invés de informar. A inverdade parece atrairmais. Constrói-se com isso uma poluição comunicacional.

As redes sociais lembram o Coliseu, a antiga arena dos gladiadores romanos. À semelhança dos espectadores de outrora, os hodiernosconfortavelmente instalados emsuas casas – acompanham os confrontos e as manifestações odiosas pela telinha do celular. Não se contentando em ser meros assistentes, optam pela cumplicidade da destruição do próximo, compartilhando asua ojeriza. Isso vem reforçando atos inverídicos, de radicalismo e violência. Acirram-se os ânimos numa contradição à essência e razão de ser das próprias redes sociais. Estas nasceram para favorecer a sociabilidade e aconvivência e não a hostilidade. O Papa Francisco tem dito que as redes sociais fazem retornar ao passado, em que clérigos excomungavam os fiéis, excluindo-os do convívio eclesial e comunitário. De acordo com psicólogos, a etiologia do ódio decorre muitas vezes de frustrações represadas, despejadas sobre outrem. O “hater” sente um prazer mórbido em descontruir o outro. As redes estão se tornando um lugar propício para destilar sentimentos negativos, guardados intimamentecom amargura. Parecem uma poção venenosa preparadapara destruir o outro. A Bíblia apresenta Deus, nos primórdios da humanidade, condenando o gesto odioso de Caim, cheio de inveja e ciúme: “O que fizeste de teu irmão?” (Gn 4, 9).

No caso da aversão e hostilidade digital, a acidezinterior encontra vazão imediata, atingindo rapidamente o alvo, disseminando a ofensa com amplo leque de pessoas. Cria-se a cultura do descarte e desencontro. Tais atitudes visam a destroçar a vida do próximo. Assemelham-se aos tempos inquisitoriais da Idade Média, em que pessoas se divertiam, ao assistir, em praça pública, fogueiras humanas de supostos hereges e incrédulos. Os impregnados pelo ódio são infelizes e procuram trazerinfelicidade a seu redor. Tentam encobrir sua insegurança sob o manto da prepotência e arrogância, do constrangimento e ameaças.

Vivem-se tempos mórbidos e há necessidade de tratamento. O Brasil adoeceu, está perdendo o bom sensoe o equilíbrio. Muitos revestem-se da cólera e inimizade. O desafio para os cristãos é fazer das redes digitais uma escola de respeito e fraternidade. As religiões precisam reativar o diálogo e o amor. Vários grupos são formados de indivíduos que se identificam pela vivência da mesma fé. Por que não unir, ao invés de separar e ofender? Os inseguros tendem a ser agressivos e manter relações tóxicas. Por isso, escolhem, não raro, o anonimato dainternet para extravasar seus recalques ou infortúnios. Essa postura decorre do medo de rejeição e temor do não reconhecimento ou admiração. Santo Tomás de Aquino afirmava: “Quem odeia é um invejoso, desprovido de riqueza interior. Por isso, pretende empobrecer os demais. E não conseguindo, tenta aniquilar o semelhante”. Sob a ótica cristã, o ódio está implícito no quinto mandamento da Lei de Deus: “Não matarás”.