Grupo de 30 a 59 anos passa a ser maioria nas internações em UTI por covid

Foto: Reprodução/Estado de São Paulo

Maio de 2021 é o 1º mês da pandemia em que a maioria dos internados por covid em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) não é idosa. O grupo de pessoas com 30 a 59 anos corresponde a 55,8% dos internados em maio. O percentual é recorde. Em abril, a taxa havia sido de 44,9%.

As pessoas com mais de 60 anos foram 39,8% das novas internações realizadas em maio no Brasil. Em abril, haviam sido 51,5%.

O Poder360 analisou 402.914 registros de internação no banco de dados do SUS, atualizado pela última vez em 26 de maio de 2021. Os dados de maio (18.132 internações) são parciais e devem ser atualizados nas próximas semanas. Só foram considerados os casos com informações completas sobre faixa etária, mês de internação e local.

Os números acima não se referem à taxa de ocupação de leitos, mas sim à quantidade de novas internações feitas a cada mês no sistema hospitalar.

MENOS INTERNAÇÕES

O gráfico acima mostra percentuais de internações de internados por idade. O número absoluto do total de internados tem caído.

• março – foi o pior mês da pandemia: 66.872 internados;

• abril – foram 48.124 internados no Brasil por covid;

• maio – ainda é cedo para saber se a trajetória se mantém (os dados demoram semanas para serem computados). Por enquanto, o mês já teve 18.132 internados.

O médico intensivista e coordenador do Projeto UTIs Brasileiras Ederlon Rezende afirma que não é possível “atribuir integralmente” à vacinação o recuo da participação dos idosos nas UTI. “Mas a gente já começa a perceber o impacto da vacinação dos mais idosos“. Segundo ele, a imunização é um fator que vai contribuir cada vez mais para a redução dos idosos nas UTIs.

Até 31 de maio, pelo menos 86% dos idosos já haviam recebido a 1ª dose de vacinas da covid e quase metade (48%) já estavam totalmente vacinados. Os números são do cruzamento dos dados de vacinação do Localiza SUS, consultado às 17h de 31.mai.2021, com a projeção do IBGE para a população brasileira em 2021 por faixa etária.

A população abaixo dos 60 anos está menos vacinada. Só 15% das pessoas com 30 a 59 anos tomaram a 1ª dose. Os que receberam a 2ª são 4%.

“A medida que a economia tenta retornar ao normal, as pessoas que mais se expõem, mais saem de casa, são aqueles abaixo dos 60 anos”, diz Rezende. Para ele, é preciso mudar o comportamento dos mais jovens para evitar o aumento das internações dessa faixa etária.

“Se as pessoas mais jovens não mudarem o comportamento e entender que elas, estando mais expostas, precisam ter mais cautela, a tendência é o aumento dos pacientes mais jovens dentro das UTIs“.

VIRADA DE IDADE ACONTECEU EM TODOS OS ESTADOS

Em todos os Estados, as pessoas com menos de 60 ano já são maioria dos internados. Na Bahia e no Alagoas, essa faixa etária representa duas em cada 3 internações em UTI por causa da covid.

Eis os percentuais de internações por idade em todo o país:

Fonte: Poder 360

A solenidade de “Corpus Christi”

Padre João Medeiros Filho

A festividade de Corpus Christi (Corpo de Cristo) é celebrada sessenta dias após o domingo da Páscoa. Foi instituída pelo Papa Urbano IV, por meio da Bula “Transiturus”, em 8 de setembro de 1264. Na época, o Sumo Pontífice tomou conhecimento de que a freira belgaJuliana Mont de Cornillon, da diocese de Liège, tinhavisões de Jesus pedindo-lhe uma festa litúrgica anual em honra do Santíssimo Sacramento. Outro motivo influenciou a decisão de Sua Santidade. De acordo comrelatos eclesiásticos, Padre Pedro (da diocese de Praga)tinha, em alguns momentos, dúvidas sobre a presença de Cristo na Hóstia Consagrada. Voltando de Roma para aTchecoslováquia, o aludido sacerdote foi celebrar na cripta de Santa Cristina, em Bolsena (Itália). Ali, aconteceu algo miraculoso. Durante a elevação, começaram a cair gotas de sangue sobre o altar e o corporal. Este foi levado para a Catedral de Orvieto, onde é conservado até hoje.

A Eucaristia é a prova permanente da doação plena de Deus, ternura do Pai, abraço divino que nos é reservado, beijo do Eterno, que no silêncio do Pão da Vida mostra-nos seu amor e perdão. Eis o Tão Sublime Sacramento,segundo o poema de Santo Tomás de Aquino,continuidade da presença celestial temporalizada na Encarnação. Cristo quis se unir à humanidade. E esta, a partir de então, passa a ter um valor transcendente. O ser humano torna-se sacrário de Cristo! A fragilidadeassumida pelo Verbo Encarnado é elevada no Sacramento Eucarístico. Os contemporâneos de Jesus, ao ouvirem do Mestre que haveriam de comer a sua carne e beber o seu sangue, consideraram duras demais as suas palavras (cf. Jo 6, 53-60). E, não querendo aceitá-las, foram se retirando. Cristo questiona, então, os apóstolos: “Não quereis também vós partir?” Pedro respondeu-lhe: “A quem iremos, Senhor? Só Tu tens palavras de vida eterna.” (Jo 6, 68-69). A Encarnação é, sem dúvida, um gesto inefável do amor de Cristo. Mas, Ele quis ir além, culminando com a Eucaristia. Graças à fé, podemos sentir essa teofania de Jesus, concedida por Deus a seus filhos diletos.

O Pão Eucarístico perpetua também os ensinamentos do Divino Mestre. Primeiramente, dá-nos a lição dehumildade e serviço. Com efeito, o que entre vós for o menor, esse é o maior.” (Lc 9, 48). Na Hóstia, o Filho de Deus faz-se pequeno para caber em nosso coração. Nessemistério sacramental, o Senhor deixa-nos o legado daverdadeira fraternidade. Torna-se alimento igual para todos: pobres e ricos, santos e pecadores. Ele ajuda-nos acompreender o perdão. É difícil perdoar, pois ultrapassa o entendimento e a lógica humana. No Pão Sagrado, o Redentor nos ensina a ser simples, desarmados e de braços estendidos. Deu-nos o exemplo, quando pendeu da Cruz, precedido pelo ato de sua generosidade na Última Ceia.No Altar, Jesus continua seus milagres de misericórdia e compaixão. Durante sua existência terrena, curou doentese ressuscitou mortos. Hoje, pela Comunhão revitaliza os irmãos amortecidos pela dor, angústia, ausência de Deus etibieza na fé. 

Quem sente falta do Divino, vai buscá-Lo na grandeza dessa presença silenciosa. Ele deixa que sua Palavra repercuta no íntimo de quem se achega para mitigar todo tipo de fome e sede. “Não vos deixarei órfãos” (Jo 14, 18), largados à própria sorte, prometeu o Senhor. Na Eucaristia contamos com a companhia divina, antecipação da eternidade, onde gozaremos o definitivo de nossa história. A Eucaristia é Deus em Cristo, amainando em nós as saudades do Infinito.

Cristo é nossa fortaleza e nos ajuda a caminhar. Quanto mais O temos presente, mais O buscamos, pois Ele é Mistério, ou seja, o Inesgotável. Vivemos a preparação e o aprendizado do nosso encontro definitivo com Ele. Aoparticiparmos da Santa Comunhão, já não ficaremossozinhos, Jesus estará conosco. Já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim.” (Gl 2, 20). Cônego Luiz Gonzaga Monte, um sábio e santo que morou entre nós, expressou seu sentimento místico e teológico: “Sem a Eucaristia somos pequenos demais para o Céu, com ela grandes para a terra.