Covid-19: como a pandemia pode afetar quem tem transtornos alimentares

Depois de mais de um 1 ano de mudanças na rotina para frear a disseminação da covid-19 ao redor do mundo e no Brasil, com impactos sociais, econômicos e de saúde relacionados à pandemia, o estresse e a incerteza se tornaram sentimentos presentes — o que em alguns casos, segundo especialistas, pode ser tornar fator para o desenvolvimento ou intensificação de transtornos alimentares.

“O transtorno alimentar é uma perturbação persistente em relação ao comportamento ou consumo de alimentos, que pode resultar em consequências na saúde física, social ou emocional”, define a psicoterapeuta Raquel Mello.

De acordo com Mello, o transtorno alimentar está inserido no CID (Código Internacional de Doenças). “Para as pessoas que já possuem um transtorno alimentar, a pandemia pode ser um gatilho para o agravamento da doença . Além disso, pelos fatores emocionais relacionados à crise de saúde, as pessoas podem desenvolver um transtorno alimentar durante a pandemia”.

A nutricionista Dayse Paravidino acrescenta que “a mudança brusca na rotina e o estresse diante da pandemia, assim como o isolamento social trouxeram como consequência o agravamento de distúrbios psicológicos e consequentemente transtornos alimentares como compulsão alimentar, anorexia e a bulimia”.

É o caso da moradora do Rio de Janeiro Maria Clara Matturo, de 22 anos. A jovem diz que sofre com compulsão alimentar desde criança, mas que a pandemia intensificou o transtorno alimentar por conta do estresse sobre o isolamento social.

“A sensação que tenho é que quando comecei a ficar em casa, lá no início da pandemia, eu precisei encarar de frente toda a situação que era ‘mascarada’ com a correria do dia a dia. Quando você está na rua vivendo é muito mais fácil se distrair dos problemas do que quando você está nesse momento de reclusão”, disse.

No entanto, ponderou que o período ‘contribuiu’ para uma ressignificação de hábitos. “Ainda quando todos os estabelecimentos estavam fechados, comecei a caminhar ao ar livre, em uma rua pouco movimentada perto da minha casa, como uma válvula de escape. E parece que uma coisa vai levando a outra. Então, por estar ‘descontando’ minhas emoções nas caminhadas, passei a descarregar menos aquilo na comida e aos poucos fui conquistando esse equilíbrio”.

Matturo afirmou que estava decidida a continuar cuidando de sua saúde física e mental no período em que as medidas relacionas ao coronavírus na cidade foram flexibilizadas.

“Foi nesse momento que eu procurei ajuda médica de uma nutricionista e terapeuta. Atualmente vivo com altos e baixos, como todo mundo. Tem dias que consigo levar a vida normalmente e até esqueço dessa compulsão, em outros já percebo que estou pensando na comida pelo lado emocional, mas isso é normal. Sinto que estou mais consciente e também mais no controle da minha jornada”, disse.

Segundo a nutricionista e mestre em Nutrição e Saúde Ana Paulo Cancio, a pandemia está sendo um gatilho para a má alimentação de muitas pessoas, além de episódios recorrentes de alimentação por compensação.

“Muitos começam a comer pelo emocional e de caráter de emergência. Essas pessoas geralmente buscam produtos alimentícios baixos em valor nutricional e calóricos”, diz.

Tratamento

Ao Poder360, as 2 nutricionistas e a psicoterapeuta convergiram no tratamento para as pessoas que sofrem com 1 transtorno alimentar em meio à pandemia. De acordo com as 3 especialistas, o cuidado deve ser feito por uma equipe de assistência multidisciplinar composta por nutricionista, psicóloga e educador físico.
Fonte:poder 360

Com 87% dos votos apurados, Keiko Fujimori lidera disputa da eleição no Peru


A candidata da direita, Keiko Fujimori, lidera com pequena margem a disputa do 2º turno das eleições presidenciais do Peru com 50,586% dos votos contra 49,414% de Pedro Castillo, da esquerda.

Até as 6h desta 2ª feira (7.jun.2021), 87,67% dos votos foram apurados, segundo o ONPE(sigla em espanhol para Escritório Nacional de Processos Eleitorais).

Castillo é líder do partido Peru Livre, de extrema-esquerda. É professor e líder sindicalista. Keiko é filha do ex-ditador Alberto Fujimori e integra o direitista Força Popular. No 1º turno, realizado em 11 de abril, Castillo ficou em 1º lugar, com 18,9% dos votos válidos. Keiko teve 13,4%.

QUEM É KEIKO FUJIMORI

Keiko, candidata pela 3ª vez, carrega a bagagem do pai, que comandou o Peru de 1990 a 2000 e está preso por abusos de direitos humanos. Milhares de manifestantes peruanos foram às ruas no fim de maio contra sua candidatura. Segundo a AFP, familiares de vítimas de violações de direitos humanos durante a ditadura de Alberto Fujimori estavam na 1ª fila.

Outros identificam o fujimorismo à corrupção. Keiko chegou a ser detida em janeiro de 2020 sob acusação de ter recebido US$ 1,2 milhão de forma irregular da Odebrecht no Peru.

Durante a campanha, Keiko se desculpou por erros do passado. “Peço perdão a todos e a cada um dos que se sentiram afetados por nós[ela e o partido Força Popular]. Faço isso com humildade e sem nenhuma reserva porque sei que ainda existem muitas dúvidas sobre minha candidatura”, disse ao participar de comício na cidade de Arequipa no fim de maio.

O escritor Mario Vargas Llosa, ganhador do prêmio Nobel de literatura e histórico crítico da política fujimorista, participou do evento de forma remota. Disse que essa eleição era a “mais importante da história do Peru” porque os cidadãos “não vão escolher pessoas, mas um sistema”.

Em abril, ele declarou apoio a Keiko por considerá-la um “mal menor” frente à possível vitória de Castillo.

Ela garante que respeitará o marco institucional peruano e fez um “juramento à democracia”.

Keiko defende a manutenção do livre comércio e medidas que aumentem o investimento externo no país. Disse que o sistema econômico e político não precisa de uma reformulação completa, mas de ajustes.

Ela ainda defende que a recuperação econômica no pós-pandemia virá por meio da manutenção de empregos. Prometeu pagar auxílios às famílias das vítimas da covid-19 e conceder empréstimos a pequenas empresas.

QUEM É PEDRO CASTILLO

Pedro Castillo foi a grande surpresa da eleição. As pesquisas não o colocavam como um dos dois mais votados. Chegou ao 2º turno com a promessa de políticas marxistas e leninistas.

Declarou que queria renegociar com mineradoras e empresas de gás para que reinvistam uma parte dos lucros no país. Disse ainda ser a favor de que o Estado tenha um papel mais ativo na economia.

Entre suas proposta está dedicar 10% do PIB (Produto Interno Bruto) para agronegócios e devolver ao governo terras vendidas ilegalmente. Prometeu ainda melhorar o sistema de aposentadorias e fala em criar um sistema único de saúde.

Durante a campanha, Keiko Fujimori o acusou de querer destruir a democracia e instaurar um sistema comunista.

Castillo assinou 2 compromissos democráticos, nos quais promete proteger as instituições. No debate que antecedeu o 2º turno, afirmou por diversas vezes que respeitaria a propriedade privada e as empresas.

O professor se mostra conservador nas chamadas pautas de costume. É contra a legalização do aborto, da eutanásia e do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Fonte: poder 360.