Economistas erraram as projeções para a Selic em 14 dos últimos 19 anos

Moedas, dinheiro, Real. Brasilia, 03-09-18. Foto: Sérgio Lima/Poder360

Os economistas e operadores do mercado financeiro erraram as projeções para a taxa básica, a Selic, em 14 dos últimos 19 anos.

O levantamento feito pelo Poder360 foi feito com base no Boletim Focus, que é o relatório semanal do BC (Banco Central), responsável por divulgar as estimativas dos principais indicadores econômicos do país.

O relatório é publicado às segundas-feira e resume desde 2000 as projeções estatísticas de analistas consultados pela autoridade monetária. É possível conhecer as instituições que mais acertam aqui.

A taxa básica de juros é decidida a cada 45 dias pelo Copom (Comitê de Política Monetária). O objetivo central é controlar a inflação.
De 2002 a 2020, os economistas erram as projeções para a Selic em 14 oportunidades. O Poder360 levou em consideração a 1ª projeção da cada ano para o mesmo ano. As erradas são as que ficaram de fora do intervalo das estimativas mínimas e máximas para o período.

É provável que haja um novo erro em 2021. O 1º Boletim Focus indicava que a mediana das estimativas estava em 3,25% ao ano. A mínima era de 2% e a máxima, 5,5%.

A Selic atualmente está em 4,25% ao ano, conforme divulgou na 4ª feira o Copom.

Agora, o último Boletim Focus mostra que o mercado estima a Selic aos 6,25% no fim do ano, fora do intervalo de estimativas do 1º relatório do ano.

Os economistas erraram menos com a inflação. De 2002 a 2020, houve 7 equívocos. Nos últimos 5 anos, foram 2: em 2017 e 2020, sendo que o último durante a pandemia de covid-19. No 1º Boletim Focus de 2020, o mercado não esperava o cenário pandêmico provocado pelo coronavírus.

O número de erros para a inflação, porém, deve aumentar neste ano. A máxima das projeções deste ano sugeria que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) ficaria em até 4,18% neste ano. A mediana era de 3,32%. No acumulado de 12 meses até maio, o IPCA ficou em 8,06%. O mercado espera, agora, que termine em 5,82%.

O percentual também é superior ao teto da meta de inflação, definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), de 5,25%.

Os operadores do mercado também erraram os 2 últimos anos para a previsão do PIB (Produto Interno Bruto). Nos últimos 19 anos, equivocou-se em 8 oportunidades.

Tende a acertar em 2021, já que o intervalo para este ano é de 1,93% a 5,29% de alta. O mercado estima agora crescimento de 4,85% no ano.

Fonte poder 360.

Passaporte de imunidade “não vai dar certo” no Brasil, diz Mourão

Presidente Jair Bolsonaro participa da cerimonia comemorativa dos 160 anos da Caixa Econômica Federal com o presidente da CEF, Pedro Guimarães e os ministros Braga Netto, Paulo Guedes, Onix Lorenzoni e a primira-dama Michelle Bolsonaro. Sérgio Lima/Poder360 12.01.2021

O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, disse não acreditar que um passaporte sanitário concedido a quem está imunizado contra a covid-19 funcione no Brasil. A medida, já adotada em alguns países, está em discussão no Congresso.

“Cada um terá de andar com um cartãozinho na carteira dizendo que foi vacinado. O cara na entrada do restaurante vai me cobrar isso? E no parque? Isso aqui é Brasil, pelo amor de Deus! Vai ter falsificação do passaporte, venda no camelô. Você vai à Central do Brasil, aí no Rio, e vai comprar o passaporte para você”, declarou em entrevista ao podcast A Malu tá ON, do Grupo Globo e apresentado pela jornalista Malu Gaspar.

O jornal O Globo divulgou trechos da entrevista nesta 5ª feira (17.jun.2021). O episódio completo estará disponível na 6ª (18.jun).

Agora, para viajar de um país para outro, acho que será necessário, como na questão da vacina da febre amarela e outras. No deslocamento dentro do país, é uma discussão inócua”, declarou.

O vice-presidente recebeu a 2ª dose da vacina contra a covid-19 em 26 de abril. Ele foi imunizado a CoronaVac, vacina desenvolvida pela Sinovac e fabricada no Brasil pelo Instituto Butantan.

O projeto de um passaporte de imunidade foi aprovado no Senado em 10 de junho e ainda será analisado pela Câmara.

O Brasil se inspirou na União Europeia, que criou um documento para que residentes imunizados contra a covid-19, que já tenham se recuperado da doença ou que apresentem teste negativo possam circular livremente dentro do bloco. O certificado europeu entra em vigor em 1º de julho.

O texto brasileiro prevê a criação do CSS (Certificado de Imunização e Segurança Sanitária). O documento permitiria que pessoas vacinadas ou que testaram negativo para a covid-19 possam entrar em espaços públicos e privados independentemente das medidas sanitárias de restrição adotadas para conter o avanço do coronavírus.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que deve vetar o projeto de lei.

PAZUELLO

Questionado sobre a decisão do Exército em não punir o ex-ministro da Saúde e general da ativa, Eduardo Pazuello, pela participação em um ato ao lado do presidente Jair Bolsonaro em maio, Mourão disse não ver “nenhum problema para o comandante Paulo Sérgio”.

As Forças Armadas, em particular o Exército, não estão envolvidas na política. Apesar de nós termos alguns companheiros que ocupam cargos políticos no governo, na imensa maioria, são todos da reserva. Acho que Pazuello é o único da ativa hoje, e ele ocupa um cargo comissionado, não político.

O vice-presidente afirmou acreditar que Pazuello deve ir para a reserva “no momento em que terminar a CPI” da Covid.

Ainda existe a possibilidade dele voltar a depor. Acredito que essa seja a preocupação dele. Em mais um ou dois meses, talvez ele vá para a reserva”, falou.

Pazuello perdeu o lugar dele dentro do Exército. Não há mais função pra ele.

Mourão afirmou que essa perda de lugar não tem relação com a ida ao ato em maio.

Ele é o oficial de intendência mais antigo dentro do Exército. Então, ele deveria ocupar o cargo de sub-secretário de Economia e Finanças, que já está ocupado por outro general. Então, não tem lugar para ele”, disse.

Fonte poder 360.