Democrata vence recall e se mantém no cargo de governador da Califórnia


O governador da Califórnia, Gavin Newsom, se manteve no cargo depois de passar por uma votação de recall na 3ª feira (14.set.2021). Nas primeiras horas da manhã desta 4ª (15.set), os resultados mostram Newsom conquistando facilmente a maioria do eleitorado.

Às 4h25 (horário de Brasília), com 68% dos votos apurados, ele tem 64,7% de apoio para continuar no cargo, contra 35,3% de rejeição. Segundo projeções dos principais canais de televisão dos EUA, o resultado já é suficiente para que Newsom se mantenha no poder.

O resultado final levará alguns dias para sair, pois as cédulas que chegarem pelo correio até 3 dias depois da data do pleito — que tenham sido postadas até o dia da eleição — devem ser contadas. A eleição ainda precisa ser certificada, processo que ocorrerá só em outubro.

Incomodados com as políticas do democrata — em especial em temas como de imigração, combate à pandemia de covid-19 e criminalidade –, republicanos fizeram uma forte campanha para destituir Newsom do poder.

O governador, que está no seu 1º mandato, vem enfrentado uma série de desafios no governo do Estado. Além da pandemia, a Califórnia passa por forte estiagem e incêndios florestais têm devastado regiões.

A presença em peso dos democratas nas urnas fez com que Newsom superasse com larga vantagem os republicanos e vencesse o recall. O percentual de pessoas que votaram ainda não foi divulgado.

Os eleitores disseram sim à ciência, à vacina, ao direito de votar sem medo, à diversidade, à inclusão e aos direitos das mulheres”, disse Newsom em seu discurso de vitória.

Com o resultado, ele poderá se manter no cargo até o começo de 2023, quando acaba o seu mandato. Depois, pode tentar a reeleição.

A vitória faz com que Newsom mantenha o poder de nomear um novo senador para a Califórnia caso uma das vagas do Estado fique em aberto. Esse ponto foi relevante para esquentar a disputa. Hoje, o Senado californiano é formado por 50 democratas e 50 republicanos, sendo que o desempate cabe à vice-presidente, Kamala Harris. Se um republicano assumisse o governo do Estado, ele escolheria um nome do partido e garantiria maioria.

Só 1 governador da Califórnia já perdeu o cargo em recall. Em 2003, o democrata Gray Davis deu lugar ao republicano Arnold Schwarzenegger. O ator foi reeleito em 2006 e permaneceu no poder até 2011. Desde então, Schwarzenegger não disputou cargos políticos.

Instituído em 1911, o recall da Califórnia procura garantir maior controle sobre quem ocupa o Executivo estadual. O formato convoca os eleitores a decidirem sobre a permanência dos governantes estaduais já eleitos. Os líderes podem perder o direito de exercer o cargo caso assim decida a maioria.

Apesar de mais de 80 políticos terem anunciado que concorreriam à eleição, apenas 46 oficializaram a tentativa de substituir Newsom. A maior parte pertence ao Partido Republicano, já que os democratas pressionaram para que os colegas abandonassem a disputa em sinal de apoio ao governador.

As cédulas perguntam: “o governador deve ser reconvocado? Em caso afirmativo, quem deve ser o novo governador?”. Caso a maioria votasse para que o atual mandatário deixasse o cargo, o novo escolhido preencheria o lugar em 2022, último ano do mandato do democrata.

As medidas adotadas por Newsom durante a pandemia, a frustração com as restrições na Califórnia e a imagem do governador em um jantar no restaurante French Laundry –um dos mais caros da região –, em novembro do ano passado, impulsionaram a narrativa dos opositores pela substituição.
Fonte: poder 360.

“Não me coloco” como opção para 2022, diz Temer

Presidente Michel Temer particpa da Cerimonia de entrega da Ordem do Mérito Científico com Gilberto kassab. Foto: Sérgio Lima/Poder360

O ex-presidente Michel Temer (MDB) declarou que não se coloca como opção nas eleições de 2022. O emedebista participou nessa 3ª feira (14.set.2021) do programa do jornalista Roberto D’Ávila na GloboNews. Logo no começo da entrevista, falou sobre o jantar realizado na 2ª (13.set), no qual os 2 estiveram presentes.

No encontro, o humorista André Marinho fez imitações de vários políticos, como Temer, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), Ciro Gomes (PDT) e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O chefe do Executivo é retratado de maneira derrisória no episódio em que teve a ajuda do ex-presidente para elaborar a declaração pela pacificação entre os Três Poderes.

Temer confirmou o que havia dito mais cedo ao Poder360, que não houve “constrangimento algum” com Bolsonaro depois da divulgação do vídeo.

Você [Roberto D’Ávila] participou do jantar. Era um jantar muito alegre e animado”, declarou Temer à GloboNews. “Fizeram uma maldade. [Disseram] ‘Olha lá, estão rindo do Bolsonaro’. Não era isso, você acompanhou. Na verdade, foi uma brincadeira em relação a todos. E a cada imitação que ele [André Marinho] fazia, as pessoas riam, aplaudiam.

Leia mais sobre o episódio:

O ex-presidente relatou que recebeu uma ligação de Bolsonaro na 6ª feira (10.set), 1 dia depois da divulgação da carta à nação. “Ele me telefonou mais uma vez para me cumprimentar, para dizer que nós praticamos, ele e eu, um gesto muito adequado”, disse.

A carta, segundo Temer, causou “irritação” em “gente que acompanhava” Bolsonaro por conta de um “suposto recuo”. Para o ex-presidente, “o recuo é algo da democracia”.

Ao falar de como foi a articulação do telefonema entre Bolsonaro e o ministro do STF (Supremo Tribunal. Federal) Alexandre de Moraes, Temer contou que o magistrado disse não ter nada pessoal contra o presidente, sua família e seus apoiadores. Segundo o emedebista, Moraes afirmou decidir “tudo juridicamente” e viu com bons olhos a iniciativa da declaração.

Temer pediu desculpas por estar afônico. “Falei muito nos últimos dias”, explicou. Desde que deixou Brasília na 5ª feira (9.set), o ex-presidente falou sobre o episódio da “carta à nação” diversas vezes. O emedebista ainda vem produzindo material para mostrá-lo, não como um conselheiro discreto, mas como um político com ambições, moderado e aberto ao diálogo.

Questionado se estaria entre os possíveis candidatos de uma chamada 3ª via para 2022, respondeu que não. “Eu torço por uma 3ª via, acho útil para o eleitorado, mas não me coloco [como opção]. Isso não está no meu horizonte, eu já fiz tudo o que tinha que fazer”, declarou Temer.

Roberto D’Ávila, então, afirmou que o ex-presidente “gosta do jogo político” e quer estar nesse jogo.

Não é bem que eu queira estar”, disse Temer. “Eu descobri que você sai da vida pública, mas a vida pública não sai de você. (…) As pessoas vêm me procurar, para trocar ideia”, completou.

Temer disse que uma “chamada 3ª via” é algo “extremamente útil” para os eleitores. “O eleitorado tem o direito, entre duas polarizações –radicalizações, se quisermos chamar assim–, de optar por uma coluna do meio”, declarou.

No entanto, se mostrou cético quando a um candidato que reúna quem não está ao lado de Bolsonaro ou de Luís Inácio Lula da Silva (PT). “Eu vejo que há candidatos que estão se lançando e que não voltam atrás. Isso vai atomizar, vai espalhar o voto”, declarou. “E eu não sei se isso não vai manter os votos mais elevados para os polarizados.
Fonte: poder 360.