Taveira, Alda Lêda, Rogério Santiago e Wolney França na Liberdade FM

Neste sábado (11), um time de peso participará do programa A Voz da Liberdade, na rádio Liberdade FM: o prefeito de Parnamirim, Rosano Taveira, a primeira-dama, Secretária de Assistência Social e pré-candidata a deputada estadual, Alda Lêda, o presidente da Câmara Municipal, Wolney França e o Secretário de Habitação, Rogério Santiago.

Os entrevistados irão falar aos jornalistas Gilson Moura e Valdemir Tapioca sobre a administração pública, habitação, compliance e, claro, política. O bate-papo, sempre descontraído e cheio de revelações, começa a partir das 10h.

Acompanhe ao vivo na frequência da 87.7 FM ou no link: http://l.radios.com.br/r/126378

Câmara derruba quarentena para militares, PMs e membros do MP do Código Eleitoral


A Câmara dos Deputados derrubou, nesta quinta-feira (9), a quarentena de cinco anos para juízes, membros do Ministério Público, militares da União, policiais militares, civis e guardas municipais durante a votação do novo Código Eleitoral.

Na votação do destaque de promotores e juízes, foram 254 votos a favor da quarentena para magistrados e membros do MP e 170 contra. Entretanto, por se tratar de um Projeto de Lei Complementar, seriam necessários 257 votos para a manutenção da medida.

Para a retirada de militares da União que atual nos estados e Distrito Federal, foram 378 votos favoráveis e 80 contrários.

Já para os policiais militares, civis e guardas municipais foram 399 a favor e 34 contra.

Com a medida, nomes como o do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro — que era juiz federal em Curitiba –, por exemplo, poderiam se candidatar nas eleições de 2022.

O texto-base do novo Código Eleitoral também foi aprovado hoje, por 378 votos a 80. A medida, relatada pela deputada Margarete Coelho (PP-PI), revoga a legislação eleitoral vigente atualmente e estabelece em um único texto todas as novas decisões.
Fonte: portal seridó 360.

Primeira-dama de São Gonçalo, Terezinha Maia, lança campanha Lençol Solidário

A primeira-dama de São Gonçalo do Amarante, Terezinha Maia, realizou mais uma edição da campanha Lençol Solidário, uma ação que tem como objetivo arrecadar lençóis para doar para famílias e pessoas carentes do município.

O evento de lançamento aconteceu no Clube Auto Esporte e contou com a parceria da ONG Vida Nova e da Coteminas, que é o principal doador.

“Mais uma vez vamos distribuir amor, carinho, aconchego e muita solidariedade.”, afirmou Terezinha Maia.

Nas duas últimas edições da campanha foram distribuídos mais de 38 mil lençóis nas comunidades, hospitais e casas de apoio de São Gonçalo do Amarante.

É preciso ter atenção aos movimentos do xadrez, escreve Kakay

 

KAKAY


“Einstein (e ele crê):
Deus não joga dados
com o mundo.
São dois casos:
Deus do caos fez o mundo
o Homem do mundo fez o caos.
Deus não joga
mas
O Homem joga
dados com Deus.”

– Leão de Formosa, Metafísica

O poder e a política surpreendem com muita facilidade e têm uma dinâmica rica e ágil. Como observador da cena política, gosto de acompanhar os movimentos do país.

Tenho escrito, há algum tempo, sobre a vital necessidade do impeachment deste presidente golpista, mas sempre atento às dificuldades, porque o processo de destituição é político-jurídico e de rara sensibilidade. Sempre fui contrário a que a votação do afastamento presidencial se desse sem o necessário apoio congressual, pois isso dividiria ainda mais o país já tristemente fragmentado e daria mais força a esse presidente irresponsável.

Nesta semana, nosso serial killer Bolsonaro ousou desafiar mais uma vez os Poderes constituídos. Dessa vez foi com ataques diretos e frontais ao Supremo Tribunal Federal, na pessoa do ministro Alexandre de Moraes. A bazófia de pregar o descumprimento das decisões da Suprema Corte significa a quebra definitiva do sistema democrático. O caos institucionalizado.

Desde muito, o presidente desafia os Poderes constituídos, afronta a democracia e a estabilidade ao propor o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal. É de uma bizarrice que poucos levam a sério. Mas, no último 6 de setembro, em que as tratativas de um golpe no Dia da Independência, 7 de setembro, ficaram mais explícitas, a democracia foi mais uma vez testada. É sempre bom ler o fantástico Agualusa, no poema “Herói até aos Dentes”:

“Claro que sorria
Nada sabia da Morte
Nem de como é frágil o corpo de um homem
Um tiro, um corte.
Qualquer coisa.

E dormem!…”

É bom estarmos atentos ao tabuleiro de xadrez, pois as peças se deslocam nem sempre com uma lógica cartesiana. Os movimentos bruscos de um chefe do Executivo completamente ensandecido embaralham a estratégia de um Estado democrático de direito.

Ele repete, com incrível insensatez, o anúncio de um golpe que parece não ter força para dar. Anuncia o golpe, propaga extrema insegurança e estica a corda da estabilidade entre as instituições. Seria ridículo, não fosse ele o presidente da República em um sistema presidencialista. Ele é provinciano, vulgar e banal, mas, enquanto chefe do Executivo, é Comandante e chefe das Forças Armadas e possui enorme autoridade. Inclusive o poder que a elite econômica divide sobejamente com ele. E, desde que entregou o governo ao Centrão, o impeachment ficou mais distante.

Mas a visão fotográfica do que se passa nos permite mexer algumas peças imaginárias desse jogo.

O presidente Luiz Fux se houve muito bem no seu pronunciamento em 8 de setembro. Sentado na cadeira de presidente do Poder Judiciário, no sagrado Plenário do Supremo Tribunal, o ministro falou de forma direta, cristalina e inequívoca que o presidente da República cometeu crime de responsabilidade e caberia ao Congresso Nacional assumir a incumbência constitucionalmente atribuída.

Não poderia ter sido mais claro. E, também, não poderia ter ido além. Cumpriu rigorosamente, com coragem e ousadia constitucionais, o papel de chefe de um dos Poderes da República. Tivesse ficado aquém, teria capitulado; tivesse ido além, igualar-se-ia ao chefe do Executivo.

Moveu a dama no tabuleiro, mas o xeque-mate quem dá é o Congresso Nacional, investido pelo poder popular. Assim funciona a democracia. Como no poema “Outono”, de Rainer Maria Rilke:

“Todos caímos. Cai aquela mão.
E olha as outras: há quedas também.
No entanto há alguém
que, com suaves mãos,
Todas as quedas detém.”

O Poder Judiciário é inerte, só age se provocado. Daí a importância que tenho falado incessantemente, que é a urgente necessidade de tirar os poderes imperiais do presidente da Câmara e do procurador-geral da República. Teremos agora o relatório final da CPI da Covid, o qual, certamente, apontará inúmeros crimes de responsabilidade e comuns ao presidente.

Na atual conjuntura, o presidente da Câmara pode simplesmente não se manifestar sobre a necessidade da destituição por crime de responsabilidade. E o PGR pode arquivar qualquer proposta de crime comum. Cabe à CPI propor as mudanças legislativas e conferir a palavra final ao plenário da Câmara e a um colegiado de subprocuradores. Esses poderes imperiais são uma afronta ao sentido republicano e não combinam com a República.

E, no jogo do impeachment, houve uma série de movimentos se posicionando estrategicamente. Com a enorme popularidade do ex-presidente Lula, atestada em todas as pesquisas, e a vertiginosa queda do apoio a Bolsonaro, começa a se fortalecer a hipótese de uma “3ª via” vir a ser a “2ª via”, com Bolsonaro fora de um 2º turno. E o poder assanha os que vivem à sua volta. São vários os atores.

O vice-presidente Mourão seria o beneficiário direto do impeachment, visto que assumiria a presidência e comandaria um processo de volta à estabilidade democrática. Os partidos de direita e de centro começam a se mexer na cadeira, atentos à hipótese de serem a 2º via. Já discutem abertamente o apoio ao afastamento presidencial. Até o PSDB anuncia a descida do muro e uma tomada de posição, a ver.

O dono do tabuleiro, Arthur Lira, presidente da Câmara e detentor da chave que inicia o processo, acompanha, silenciosamente, o jogo no Tribunal Superior Eleitoral, que possui elementos de sobra para cassar a chapa Bolsonaro-Mourão. E aí, quem assumiria a Presidência seria o próprio Lira.

Enquanto o tabuleiro treme com todos esses movimentos, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, mineiramente, já tirou seu carro da frente do Palácio do Jaburu, moradia oficial do vice-presidente da República, e o estacionou nas cercanias do Palácio do Planalto à espera dos próximos movimentos. Brasília vive a política em sua plenitude. De tédio, não morremos aqui.

Mas a hora ainda é de muita tensão institucional. Os voos cegos e rasantes do presidente da República parecem anunciar que o cerco se fecha sobre o seu círculo mais próximo. As tramas não republicanas e criminosas estão vindo à tona. E o caminho natural é a responsabilização desses atores por tudo que fizeram. Daí os arroubos, as bravatas e as ameaças.

Resta a todos nós o acompanhamento e a participação, ainda que da plateia, do jogo que definirá que país sairá desse tabuleiro.

Enquanto quebrava as estruturas democráticas e assaltava o Brasil, com um triste desmantelamento da cultura, da educação, dos costumes, da saúde e de todas as conquistas humanistas, enfim, esse grupo tratou de armar a população, disseminar o ódio, militarizar o governo e prestigiar as polícias militares, ou seja, posicionou-se no jogo para eternizar.

Mas eles são primários e jogam damas, esquecendo que, nesse mesmo tabuleiro, as peças do xadrez podem ser movimentadas. Com estratégia e dentro da Constituição, está mais do que na hora de trabalhar pelo afastamento do presidente.

O xeque-mate não será o fim do jogo, pelo contrário, será o começo de um país que queremos de volta. Um Brasil digno e estável para recuperar a economia e enfrentar a fome de mais de 20 milhões de pessoas. Para que seja possível dar a 15 milhões de desempregados a dignidade do emprego. Um lugar onde a esperança e a alegria estejam de volta e que os sobressaltos sejam somente os que a própria vida nos impõe de tempos em tempos. Um país no qual ser alegre ou triste não dependa dos humores do governo. Queremos ter a vida simples como ela deve ser, e o Brasil de volta. Correr os riscos inerentes à vida, mas sem medo de ser feliz.

Rindo com o grande Mário Quintana, porque rir é essencial, no Poeminha do Contra:10
Fonte: poder 360.

Boas notícias da Apple: aplicativos podem ter links para fora da App Store


O início de setembro costuma ser um grande momento para a Apple. Até a pandemia interromper a sequência no ano passado, a empresa lançou um novo iPhone em algum momento de 7 a 12 de setembro por 8 anos consecutivos.

Mas está temporada está se tornando agitada para os donos de aplicativos de notícias de dispositivos Apple. Uma nova mudança de política feita pela gigante da tecnologia possibilitará que as organizações de notícias inscrevam novos assinantes em seus aplicativos para iPhone ou iPad sem dar à Apple um centavo da receita que criam.

Primeiro, algum contexto. Desde o ano passado, a Apple enfrenta uma intensa onda de resistência por parte de desenvolvedores e reguladores sobre as práticas monopolistas e hostis aos veículos de comunicação. As duas principais reclamações: a Apple não permite que os desenvolvedores vendam assinaturas (ou qualquer conteúdo no aplicativo) através de qualquer sistema que não seja o da App Store. E o sistema da Apple cobra um percentual muito alto: 30%.

Esses são problemas irritantes para desenvolvedores de jogos e aplicativos que publicam apenas nas plataformas da Apple –mas pelo menos eles podem planejar as estratégias de receita segundo as regras, sabendo o preço de fazer negócios. Veículos de notícias, no entanto, vendem a grande maioria de suas assinaturas digitais fora dos limites de um aplicativo, em seus sites. Isso significa (a) ter um corte de 30% na receita que obtêm de um usuário, algo aparentemente desnecessário ou (b) aumentar o preço no aplicativo para compensar a diferença –nenhuma das quais é ideal.

Além disso, quase todos os assinantes de aplicativos de notícias vão querer ter acesso ao conteúdo pelo qual estão pagando fora do aplicativo. Se você está gastando dinheiro com a assinatura de um jornal digital, vai querer poder ler as reportagens em seu laptop ou sempre que clicar em um link no Twitter ou Facebook. Isso significa integrar o back-end de assinatura com o da Apple, forçando os usuários do aplicativo a criar uma conta separada e causando problemas que originam a necessidade de empregos em tempo integral para manutenção de páginasde ajuda.

O Dallas Morning News, por exemplo, venderá a você uma assinatura via aplicativo para iPhone por US$ 15,99 por mês –mas só funcionará no aplicativo e você não terá acesso a reportagens na internet. Para conseguir esse acesso, você precisa pagar US$ 17,29 por mês –e mais importante, você deve fazer a assinatura no site DallasNews.com.

A cereja do bolo era que a Apple não permitiria nem mesmo criar um link para qualquer oferta de assinatura fora da App Store. No aplicativo, você não poderia dizer ao seu usuário “Clique aqui para se inscrever no LATimes.com”. Você só poderia reconhecer indiretamente a existência de outras ofertas (levantando algumas questões ontológicas profundas sobre a natureza do ser) e esperar que os usuários descobrissem que tinham que deixar o aplicativo, abrir o Safari e encontrar o caminho para uma página de assinatura.

De qualquer forma, a Apple tem feito algumas mudanças graduais para evitar conflitos com reguladores, incluindo diminuir a percentagem de 30% para 15% em muitos casos. Mas o anúncio recente é importante e devemos agradecer ao governo japonês.

A Apple anunciou uma nova concessão para alguns desenvolvedores de aplicativos na 4ª feira [1º.set.2021], dando a aplicativos como a Netflix e editores on-line a capacidade de fornecer links para páginas de inscrição externas.

As regras da App Store da Apple atualmente proíbem todos os desenvolvedores de notificar seus clientes sobre opções alternativas de pagamento onde a Apple não pode coletar uma comissão de vendas. As novas regras se aplicarão apenas ao compartilhamento de links em ‘aplicativos de leitura’ que forneçam conteúdo adquirido anteriormente ou assinaturas de conteúdo como jornais, livros, música e vídeo.

O movimento, uma concessão para encerrar uma investigação pela Comissão de Comércio Justo do Japão, é o mais recente sinal de que uma onda global de investigações, litígios e legislação relacionada ao comportamento supostamente anticompetitivo da Apple está começando a prejudicar alguns dos interesses da empresa há muito tempo e políticas de negócios lucrativos.

É triste saber que “permitir que você crie um único link no aplicativo que você criou” seja o tipo de coisa que pode ser chamada de “concessão”, mas aqui estamos. Assim, um aplicativo de jornal ou revista agora será capaz de criar um link para seu próprio site para que um usuário compre uma assinatura. Embora isso não seja tão conveniente quanto uma compra no aplicativo com um toque, os veículos de imprensa ficarão contentes com essa troca se isso significar possuir o relacionamento com o cliente, um conjunto mais completo de dados do usuário e, claro, manter os 30% extras.

A Apple diz que essa nova política não entrará em vigor até o “início de 2022” e ainda há algumas perguntas a serem respondidas –principalmente sobre o que a Apple entende como um “aplicativo de leitura”. Seu comunicado de imprensa coloca desta forma:

Os aplicativos de leitura fornecem conteúdo adquirido anteriormente ou assinaturas de conteúdo para revistas digitais, jornais, livros, áudio, música e vídeo.

Ainda:

Como os desenvolvedores de aplicativos de leitura não oferecem bens e serviços digitais no aplicativo para compra, a Apple concordou com a JFTC [Comissão de Comércio Justo do Japão] em permitir que os desenvolvedores desses aplicativos compartilhem um único link para seu site para ajudar os usuários a configurar e gerenciar suas contas.

Portanto, o status de aplicativo de leitura simplesmente exige que você “forneça conteúdo adquirido anteriormente ou assinaturas de conteúdo” –o que incluiria qualquer aplicativo de notícias com uma assinatura? Ou significa que você também “não oferece produtos e serviços digitais no aplicativo para compra” –o que excluiria qualquer pessoa que atualmente venda assinaturas através da App Store? Em outras palavras, um veículo será capaz de oferecer assinaturas no aplicativo por meio da App Store e um link para seu site –ou ele terá que escolher um ou outro?

Suponho que seja o último. O comunicado de imprensa dos reguladores japoneses define aplicativos de leitura como “aplicativos que não são usados para vender seu conteúdo digital, mas principalmente para ouvir, ler, assistir o conteúdo digital (…) que os usuários compraram em sites, etc.” Eles também observam que a Apple promete permitir que “desenvolvedores que comercializem aplicativos que não são de leitura mudem os aplicativos para de leitura ou possam comercializar aplicativos de leitura”.

Se tiverem que escolher, a grande maioria dos veículos escolheria seu próprio sub stack1 , sistema de assinatura, em vez do da Apple. Mas alguns podem apreciar a flexibilidade. (E se ambos os métodos fossempermitidos, isso levantaria um novo conjunto de questões: você tem permissão para dizer aos usuários que uma opção é mais barata do que a outra? Ou que você está ajudando mais a agência de notícias se comprar na web?)

Mas não importam os detalhes, o resultado final aqui é muito bom para os veículos de notícias. Agora você pode obter os benefícios de um aplicativo de notícias do iPhone –notificações, de forma mais óbvia– sem ter que entregar o relacionamento com o cliente e uma taxa de 30% para uma empresa que está indo muito melhor do que você. E isso também significa que toda a flexibilidade que os veículos têm quando vendem suas próprias assinaturas –testes gratuitos de diversos períodos, ofertas personalizadas com base no comportamento de leitura, promoções de venda do tipo “US$ 1 por 6 meses” –agora estão disponíveis para usuários de aplicativos.

No fim de agosto, veio a ótima notícia de que quase todos os veículos poderiam reduzir a percentagem da Apple de 30% para 15%. No começo de setembro, a novidade é que eles podem reduzir até 0%. Esse é um acordo que os veículos de imprensa farão com prazer.

Como eu disse no ano passado, todas essas mudanças não são realmente em favor de veículos de notícias; são para os grandes desenvolvedores de jogos e aplicativos que trazem dinheiro de verdade. (Ou pelo menos costumavam trazer.) Mas as redações deveriam ficar muito felizes em voltar ao pelotão e economizar energia ao se preparar para os concorrentes da frente.

1) Ainda podemos chamar o conjunto de ferramentas do software que você usa para executar a operação de assinatura de “sub stack”, agora que qualquer um que ouvir vai pensar que você está apenas começando uma newsletter para dizer coisas perversas? Eu voto sim. (“Stack” tem sonoridade semelhante a da palavra “sack”, que significa saco e é usada como sinônimo de testículo).

Joshua Benton fundou o Nieman Lab em 2008 e atuou como diretor até 2020; ele agora é o redator-sênior. Passou uma década em jornais, principalmente no The Dallas Morning News. Ganhou o Prêmio Philip Meyer de Jornalismo de Repórteres e Editores Investigativos e foi 3 vezes finalista do Prêmio Livingston de Reportagem Internacional.

O Poder360 tem parceria com duas divisões da Fundação Nieman, de Harvard: o Nieman Journalism Lab e o Nieman Reports. O acordo consiste em traduzir para português os textos do Nieman Journalism Lab e do Nieman Reportse publicar esse material no Poder360. Para ter acesso a todas as traduções já publicadas, clique aqui.

Fonte: Poder 360.

Em plena crise energética, Belo Monte gera menos de 3% da energia projetada


Em plena crise energética, a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, gerou, na 4ª feira (8.set.2021), apenas 244 MW, segundo o ONS (Operador Nacional de Sistema). O volume equivale a 2,2% dos 11.233 MW (ou seja, 11,2 GW) da capacidade.

Desde 4 de agosto, apenas 1 das 18 turbinas do empreendimento está operando, por causa da baixa vazão do Rio Xingu, que passa pelo período de seca. A energia gerada ainda corresponde a cerca de metade da capacidade da solitária turbina, de 611 MW.

O Poder360 apurou que, por estar em uma região onde chove de forma significativa de dezembro a maio, Belo Monte deveria ter um reservatório maior. A usina só tem uma área alagada de cerca de 480 km². Pelo projeto original, ela deveria ser de 1.200 km², mas, nas discussões que antecederam implementação, a ideia foi derrotada por questões ambientais.

Caso o modelo tivesse sido concretizado, hoje a capacidade da usina seria de 19 GW, em vez de 11,2 GW.

A construção de Belo Monte começou em 2011. Foi inaugurada em 2016, em projeto que custou cerca de R$ 20 bilhões. A última das 18 turbinas foi inaugurada só em novembro de 2019. Por se tratar de uma hidrelétrica de categoria “fio d’água”, ou seja, sem reservatório, ela só entrega a energia para a qual foi projetada em metade do ano, entre dezembro e maio. Gráfico do ONS mostra que Belo Monte atingiu o pico de geração, em 2021, no dia 27 de fevereiro, durante o período chuvoso. Nesse dia, a usina distribuiu para o sistema 11,1 GW. Desde 24 de maio, a geração teve trajetória decrescente.

A usina não é a única no país a funcionar dessa forma. As hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, ambas em Rondônia, na Bacia do Rio Madeira, também funcionam assim. Mas a situação de Belo Monte, em volume de energia, é até pior. Na 4ª feira (8.set.2021), quando Belo Monte gerou 244 MW, Santo Antônio e Jirau produziram 808,11 MW e 357 MW, respectivamente. As 3 foram construídas durante o governo do PT.

O leilão de Jirau ocorreu em 2008 e a construção da usina durou de 2009 a 2013. A hidrelétrica começou a operar em 2016. Santo Antônio foi arrematada em dezembro de 2007 e levou 5 anos para ser construída, de 2008 a 2012. Mas só entrou em operação em 2017.

Se gerasse pelo menos metade da sua capacidade instalada, Belo Monte supriria o déficit nacional de energia, de cerca de 5,5 GW, que deve permanecer até o final de novembro, de acordo com o Ministério de Minas e Energia. Na ausência dessa geração, o país é obrigado a recorrer às termelétricas, que geram energia a um custo elevado. A fatura disso é paga pelos consumidores na cobrança da bandeira tarifária, que neste mês teve um reajuste de quase 50%.

Procurada, a Norte Energia, concessionária que opera a Usina de Belo Monte, afirmou que a parada das turbinas ocorre desde o início da operação da hidrelétrica, como consequência da redução de vazão do Rio Xingu. “É importante destacar que a variação de vazão do rio foi prevista ainda na concepção do projeto, exatamente por ser esta uma usina com operação a fio d´água, sem a existência de reservatório para acumulação de água“, disse a empresa, em nota.

De acordo com a concessionária, desde o início de agosto a média diária de energia tem sido 255 MWmed, que equivale a uma vazão média, no dia, de 300 metros cúbicos por segundo.
Fonte: poder 360.