Ouro no surfe em Tóquio, Ítalo Ferreira desembarca em Natal: ‘Só quero ir para casa’


O campeão desembarcou em Natal pouco antes das 2h. De lá, ele mesmo pegou um carro e saiu dirigindo rumo a Baía Formosa,cidade onde mora com a família a 95 km da capital potiguar.

Antes de pegar estrada, o surfista conversou no aeroporto com jornalistas, com fãs e posou para fotos. Ítalo mostrou a medalha, disse estar muito feliz, mas admite que ainda está se dando conta da magnitude da conquista.

“Estou meio perdido com o que está acontecendo, mas estou bem feliz com o meu trabalho, me dediquei bastante para o resultado”, completou.

Caminho do ouro: veja a trajetória de Italo Ferreira nas Olimpíadas
Caminho do ouro: veja a trajetória de Italo Ferreira nas Olimpíadas

Ítalo conquistou o ouro olímpico — o primeiro e, por enquanto, único do Brasil em Tóquio — na madrugada de terça-feira ao vencer na final o japonês Kanoa Igarashi. O surfe estreou em Olimpíadas neste ano. Assista ao VÍDEO acima.

Os títulos, prêmios e o reconhecimento profissional não fizeram Italo Ferreira sair de Baía Formosa. É na pequena cidade com pouco mais de 9 mil habitantes que ele vive até hoje.

Após as temporadas de competições é pra lá que ele sempre volta. “Aqui é um lugar especial, é onde tudo começou. Surfar aqui no Pontal é sempre espetacular. O mar é muito bom e as ondas são sensacionais”, disse o surfista em 2015.

A família e os amigos de infância também continuam por lá. No início do ano, Ítalo anunciou que pretende criar um institutopara ajudar crianças do município que se inspiram nele a também seguirem no surfe. A sede deverá ser a casa onde ele morava com a avó, que atualmente é uma pousada da família.

Na terça, os moradores da cidade saíram às ruas ainda durante a madrugada e amanheceram comemorando o primeiro ouro olímpico do surfe nas Olimpíadas. Também o primeiro conquistado por um potiguar.

Depois do ouro de Ítalo, cresceu o interesse na internet por Baía Formosa, e o setor do turismo pretende usar a visibilidade para atrair mais pessoas. Há cerca de 30 pousadas no município.

Fonte: G1 RN

Bolsonaro diz que, se pedir, reúne 1 milhão de pessoas na avenida Paulista


O presidente Jair Bolsonaro disse que consegue convocar uma manifestação de apoio ao seu governo reunindo mais de 1 milhão de pessoas na avenida Paulista, em São Paulo. A declaração foi feita em livesemanal transmitida pelo seu perfil nas redes sociais.

“Eu tenho certeza, se eu pedir ao povo no dia tal, comparecer na [avenida] Paulista em São Paulo, que é o município mais tenso do Brasil, vai comparecer 1 milhão de pessoas lá”, declarou.

O mandatário comentava sobre o apoio da população ao voto impresso nas eleições. “Se a demonstração popular não sensibilizar as autoridades do Brasil, o que podemos esperar? Que o povo se revolte? Nós queremos isso?”.

Bolsonaro também disse que a vacinação contra a covid-19 não deve ser obrigatória, e que se o Congresso Nacional aprovasse tal determinação, vetaria. “Quase nada tem que ser obrigatório no Brasil”, disse.

O presidente ainda falou que será o último a se vacinar. “[Depois que] todos se vacinaram, eu vou lá me vacinar”.

Fraudes

A live teve o objetivo de demonstrar supostas provas de fraudes nas eleições. Bolsonaro utilizou a maior parte de sua exposição para fazer críticas a opositores, ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e para defender a adoção do voto impresso.

Diferente do que disse que faria, o chefe do Executivo mudou o tom e não falou em “provas” que antes havia mencionado para indicar as supostas fraudes nas eleições anteriores. Disse que há “indícios fortíssimos ainda em fase de aprofundamento que nos levam a crer que temos que mudar esse processo eleitoral”. E completou: “Não temos provas, vamos deixar bem claro, mas indícios“.
Fonte: poder 360.

Tudo é política, escreve Kakay

Um grupo com cerca de 40 indígenas subiu na cúpula do Congresso Nacional para protestarem contra o projeto de lei sobre a demarcação de terras indígenas que está na pauta da CCJ (Comissão de Constituição. O texto determina que a demarcação de terras indígenas seja feita por lei e não mais por decisão dos órgãos competentes, como a Funai (Fundação Nacional do Índio), o que na prática torna a demarcação mais complexa, já que teria que passar pelo crivo dos deputados e senadores.Sérgio Lima/Poder360 08Jul2021

A política talvez seja uma das artes mais difíceis e delicadas. Sou um observador atento do mundo político. Jamais fiz política partidária, mas, na verdade, faço política o tempo todo, quando escrevo, quando debato e quando assumo convicções frente aos conflitos. Na realidade, o jeito da pessoa se posicionar, até mesmo na forma de se vestir, pode demonstrar um ponto de vista político, um protesto ou um sinal. A foto da Leila Diniz, grávida e de biquíni, teve mais significado do que muitos discursos feministas.

Como costumo dizer, o que a advocacia me deu de mais importante foi ter voz. E usá-la é uma ação política. Por isso percorri o Brasil, ao longo de 4 anos, denunciando a corrupção do sistema de justiça perpetrada pelo nefasto ex-juiz Sérgio Moro e seus procuradores de estimação, numa época em que eles eram endeusados. Foi, sem dúvida, uma opção política. Andei com Clarice Lispector ao meu lado: “O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível faz em nós.”

Penso que só avançamos quando conseguimos ter um debate político de alto nível. O Brasil foi derrotado pelo nazifascismo com um discurso pensado e trabalhado de que era necessário afastar a política do poder. Uma manipulação rasteira, exatamente de uma grande massa que pensa que a política é um mal.

No início, pareceu-me ser um maniqueísmo que não daria certo, até porque o candidato que se apresentou era tosco e despreparado. Bolsonaro só foi escolhido pelos seus defeitos.

Seria difícil encontrar uma pessoa, ainda mais um político tradicional, com 28 anos de Congresso, que reunisse naturalmente tantas desqualificações. Se pedíssemos a um cidadão para assumir todas as conhecidas faces do atual presidente, certamente ele diria que seria impossível, pois ninguém pode reunir tantos desacertos numa só pessoa. Mas era o discurso que esse grupo trabalhava.

E não foi só no Brasil. Veja que os EUA elegeram o Trump. Não leram nada, muito menos o velho Saramago, no “Ensaio sobre a cegueira”:

A consciência moral, que tantos insensatos têm ofendido e muitos mais renegados, é coisa que existe e existiu sempre, não foi uma invenção dos filósofos do Quaternário, quando a alma mal passava ainda de um projeto confuso.

Perdemos para a política que dizia não ser política, sendo. Claro que, para chegar ao resultado desejado, todos os meios foram utilizados, sem limites, como o uso profissional das fake news, o discurso do ódio e a mentira como estratégia.

Limites que, por sinal, só existem quando a política os impõe. Mais uma vez, a derrota da política levou à assunção do caos. É evidente que teve e tem, sempre, todo um interesse econômico e financeiro para sustentar o poder. Mas essa é outra discussão.

Recentemente, tivemos no país um impeachment de uma presidenta que, hoje, todos reconhecem que não cometeu crime algum. Talvez o único crime tenha sido o de não fazer política. E de ter como vice um membro do PMDB, partido que serve tanto para dar sustentação como para desestruturar. Exatamente como o PP. É natural ver discursos, especialmente os da chamada esquerda, de ódio contra os políticos de centro e centro-direita, que parecem servir somente para serem usados como escada para os puros chegarem ao poder.

Lembro-me de criticar duramente a decisão do ministro Gilmar que impediu a posse do ex-presidente Lula na Casa Civil. Fiz isso por entender que era um ato de competência exclusiva da presidência, insuscetível de controle por parte do Judiciário. Mas o que estava em jogo era a política e mexeu com os destinos do país.

Com o Lula na Casa Civil, na minha visão, teria sido impossível o impeachment. O Lula é a política, respira e vive disso. E sabe como ninguém fazer desse dom uma força da natureza.

Sem ser propriamente de esquerda, tornou-se o maior líder da esquerda no Brasil, com um respeito internacional que levou o país a ser reverenciado no mundo inteiro. Isso também é fazer política, e de maneira admirável. O Lula só enfrentou tantos reveses pelas suas qualidades. Essa é uma das contradições da vida política.

Estamos agora, mais uma vez, acompanhando o movimento das peças no tabuleiro político. O tabuleiro é o mesmo, mas parece que estão saindo as peças do jogo de damas, mais simples, quase óbvio, para entrar as do xadrez. Como nós nos posicionarmos é que definirá o que pode acontecer.

Tenho escrito e falado sobre a necessidade de a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) elaborar um relatório parcial. É preciso dar corpo ao trabalho que já foi feito, que evidencia a responsabilidade criminosa do presidente e de alguns assessores na condução da crise sanitária.

Não há mais dúvida de que Bolsonaro é um serial killer que cometeu crimes de responsabilidade em série. E crimes comuns, como bem exposto pela comissão indicada pelo Conselho Federal da OAB, a qual tive a honra de integrar.

Já passou da hora de fazer chegar o resultado da investigação feita pela CPI aos órgãos competentes. E aí esperar que a Câmara, a PGR (Procuradoria-Geral da República) e o TCU (Tribunal de Contas da União) cumpram seus papéis constitucionais.

Na política, o tempo pode ser aliado ou algoz. O mundo inteiro já sabe que o governo Bolsonaro é retratado pelo jagunço armado na questão da terra, pela afinidade com as práticas nazistas, pelo desprezo aos direitos das mulheres e dos negros, pela apologia da tortura e culto à morte, pelo negacionismo criminoso. Pelo caos, enfim. O desdém pela cultura é o retrato representativo desses governantes incultos e banais.

Mas nós queremos o Brasil de volta. Um resgate da identidade que o fazia ser respeitado e admirado mundo afora. O país de uma fadinha nordestina que a todos encanta. Da Rebeca, que representa a raça negra, a mesma que é tratada como sub-raça por um governo nazista. Do trabalhador anônimo, que hoje luta contra a taxa recorde de 14,7% de desemprego. Do pai e mãe de família, que não conseguem colocar comida na mesa. Dos que ainda insistem em investir na educação e na cultura, enquanto prossegue o desmonte deliberado do governo nessas áreas. Daquele que foi sufocado pela falta de ar e morreu por tomar medicamentos sem respaldo da ciência, enquanto o SUS (Sistema Único de Saúde) era sucateado e a produção científica largada às traças.

O Brasil que está estraçalhado é o nosso país e a responsabilidade de resgatá-lo é de todos nós. E é fazendo política, cada um ao seu modo, que teremos chance de mudar a atual face de um Brasil tão sofrido. Continuarei pregando a necessidade do impeachment,pois entendo que o país não pode esperar. Mas reconheço que o jogo político mudou e hoje estamos mais distantes do processo de destituição do presidente.

E o cenário mudou por uma série de jogadas políticas. É assim que se faz na democracia. Justamente um governo que se elegeu com a plataforma da não política, investe agora na tradicional política para se safar do desastre que ele mesmo criou. Esse é o jogo.

Devemos não só o respeitar, mas mostrar para a sociedade que, no novo tabuleiro, tem espaço para uma política que tenha como norte a Constituição e como meta um país mais igual, mais justo e mais solidário. E é na política que vamos virar o jogo. Apoiando-nos na poesia de Florbela Espanca:

Trago no olhar visões extraordinárias, de coisas que abracei de olhos fechados.”

Fonte: poder 360.