Rodízio nas paróquias desagrada alguns padres

O código canônico prevê que a possibilidade de mudança nas paróquias após 6 anos de permanência na cidade. Esse assunto foi ventilado e vem causando um mal estar entre os paroquianos, pois o arcebispo Dom Jaime resolveu promover alguma mudança que vem dando o que falar no meio eclesiástico.

O primeiro episódio foi a transferência do
Padre José Mário, que foi exonerado da capela do campus universitário, contrário inclusive a vontade do reitor, José Daniel.

A mudança foi rápida, já tem até um substituto, o padre Matias Soares, pároco de Mirassol, que comandará os trabalhos na UFRN.

Mas o burburinho maior foi quando o arcebispo comunicou para alguns padres o desejo de fazer um rodízio entre aqueles que tivessem com mais de 10 anos, essa conversa não agradou o
Padre Francisco de Assis, paróquia de Macaiba, que já está a mais de 11 anos na cidade, seria um dos atingidos com a mudança.

Mas essa decisão não atingiria os padres: Júlio César, da candelária, com 11 anos, Charles da igreja de Santa Terezinha, com 12 anos, Vicente de Santa Cruz, com 12 anos e principalmente o padre Murílo que já está há mais 20 anos, comandando Parnamirim e ninguém ventila a possibilidade de mudança no comando da cidade.

O Padre Francisco de Assis, da paróquia de Macaiba, levantou a questão, não achando correto colocou a situação e logo tratou de colocar na ordem do dia a questão para o arcebispo Dom Jaime resolver.

O arcebispo que recentemente escapou de uma polêmica, quando se recusou a conceder uma entrevista ao jovem da igreja, suspeitando de uma pegadinha com seu nome.

Dom Jaime esclareceu o fato e conseguiu contornar a situação.

Essa situação é interna corporis, pois se mudar Macaiba, usando esse critério da antiguidade, necessariamente deveria também fazer as demais cidade.

Em Parnamirim, Murílo se segura na boa relação com Dom Jaime.

Nas outras cidades, os outros sacerdotes têm boa convivência com os paroquianos.

Aguardaremos o resultado final desse episódio, pois o Pau que bate em Chico tem que bater em Francisco, só não pode ser no Papa.

Uma vacina em prol da ética e da moralidade


Padre João Medeiros Filho
Após embates ideológicos e políticos, o Brasil iniciou a vacinação contra o Sars-CoV-2. Em que pesem as divergências e diatribes, a imunização traz certamente um lampejo de esperança, que poderá amenizar a crise sanitária que assola nossa pátria e muitas nações. Evidentemente, não acabará com problemas antigos de descaso público em relação à saúde do povo. Os cristãos deverão meditar com discernimento sobre o capítulo 30 do Livro do Eclesiástico ou Sirácida. No versículo seis, comenta Ben Sirac: “O Altíssimo deu aos homens a ciência para que pudessem honrá-Lo com suas maravilhas” (Sr 30, 6). A cura começa a acontecer, quando se ativam mecanismos ou processos de autoajuda e desejo de viver. No versículo nove, adverte o hagiógrafo: “Filho se adoeceres, não te descuides, mas roga ao Senhor e ele há de curar-te” (Sr 30, 9).
Os verdadeiros cientistas, pesquisadores e profissionais da saúde manifestam o desejo da Providência divina. Utilizam os dons da inteligência e sabedoria – com os quais o Espírito Santo os brindou – para cuidar da saúde da humanidade. De nossa parte, o uso correto e tempestivo de medicamentos – inclusive as vacinas – é um ato de amor e gratidão ao nosso Deus, o qual nos presenteou com a dádiva da existência.

Da parte dos governantes é seu dever e responsabilidade proporcionar o bem-estar aos cidadãos, criados à imagem e semelhança de Deus. Portanto, não podem ser objetos de leviandades praticadas em qualquer nível ou instância social.


Além das vacinas contra a epidemia que grassa pelo Brasil, necessita-se também imunizá-lo contra o ódio, radicalismo, egoísmo, interesses escusos, desrespeito, injustiças e mentira. É incontestável que a fragilidade da saúde pública é um problema crônico, que se arrasta há décadas. Não faltam alertas e denúncias de profissionais e líderes. Não se improvisam soluções duradouras, nem existem respostas automáticas e mágicas.

Urge uma dose maior de solidariedade e otimismo. É necessário crescer no altruísmo, inoculando na sociedade mais respeito, diálogo e amor.


A empatia coloca-nos no lugar do outro, faz compreender seus sentimentos e percepções. Quando a arrogância, a vaidade e a sede de poder tomam conta do homem, já não se vislumbram suas necessidades reais e carências, mas os meios e recursos para manipular os outros. “O poder só é válido, quando se converte em serviço”, dizia o teólogo Nicolau de Cusa.

Verificam-se o desprezo e o descarte da vida, fruto dessa terrível insânia. Os rostos, dramas e dores das pessoas significam pouco. Os interesses partidários e ideológicos falam mais alto.


É preciso libertar-se das patologias do poder e da dominação para construir uma civilização da solidariedade e ternura. O ser humano evolui, como espécie, quando há sensibilidade e colaboração mútua. O pastor Rubem Alves falava da necessidade de um novo dilúvio: “é preciso lavar o mundo da maldade dos homens com a chuva da verdade, sepultando o ódio e a intransigência.

” Nosso Deus é o Senhor da unidade, harmonia e paz.

Para que se possa alcançar a comunhão com Ele e a felicidade, é indispensável conversão à realidade ontológica e à verdade bíblica de nossa fraternidade.
Deve-se fazer uso em doses altas do imunizante, deixado por Cristo:

o Amor, antídoto contra os males atuais. “É mentiroso quem afirma amar Deus que não vê, e não ama o irmão, a quem vê.” (1Jo 4, 20).

O Amor imuniza o homem e a sociedade contra a ira, intransigência, egolatria, exploração, manipulação, injustiça e inverdade.

Pelo Amor poder-se-á descobrir no âmago de nós mesmos os sentimentos de comunhão e fraternidade.

O Brasil necessita também dessa vacina. Se a pandemia fez repensar o valor da vida, é hora de injetar nas populações um novo estilo de ser, uma aliança fraterna de união, respeito e solidariedade.

É dever de cada um fazer de nossa Pátria uma terra de alegria e paz.

No seu tempo, Jesus dissera ao fariseu Nicodemos palavras ainda válidas para os dias hodiernos: “Necessário vos é nascer de novo.

Sois mestres e não entendeis estas coisas?” (Jo 3,