Moro tem o buzz, mas ainda lhe falta votos, escreve Thomas Traumann

Durante meses, o mercado financeiro, o empresariado e parte preponderante da mídia insistiam que era falso o favoritismo de Lula (PT) e Jair Bolsonaro (sem partido) nas eleições de 2022 e que a disputa só começaria com a entrada de um 3º nome. Uma dúzia de nomes foram testados e nas últimas semanas gerou-se um buzz de que o predestinado a quebrar a polarização seria o ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro bolsonarista Sergio Moro. Como faltam mais de 10 meses para o 1º turno, pode até ser que Moro realmente seja esta pessoa, mas por enquanto lhe falta um predicado básico: votos.

Pesquisa PoderData realizada entre de 22 a 24 de novembro mostra Moro com os mesmos 8% de duas semanas atrás, empatado no 3º lugar com Ciro Gomes. Nesse meio tempo, Moro obteve propaganda gratuita num programa da TV Globo, tirou a atenção da semana decisiva das prévias do PSDB e ganhou aplausos na avenida Faria Lima, em São Paulo, com a divulgação de que tem ouvido o economista ortodoxo Affonso Celso Pastore (por enquanto não foi capaz de citar nada mais do que bullet pointsdas teses de Pastore, mas já é um começo).

A candidatura de Moro, que era tratada como balão de ensaio, passou a ser levada a sério. Mas na simulação de 2º turno do PoderData, o ex-juiz perde de lavada para Lula por 48% x 31%, uma avalanche de quase 20 milhões de votos.

É previsível que o candidato da chamada 3ª via (seja Moro, João Doria ou Eduardo Leite) acumule mais espaço de mídia e ultrapasse os 10% das intenções de voto no 1º turno, mas a partir daí o jogo vira profissional. Por enquanto, Moro está sendo abertamente poupado do escrutínio que um candidato a presidente precisa passar, mas numa eleição com Bolsonaro de um lado e Lula do outro e Ciro Gomes no meio, essa vida boa tem prazo de validade.

Se o PSDB realmente não conseguir viabilizar o seu candidato e Moro virar a opção da direita liberal, o ex-juiz terá de dar respostas menos evasivas do que “às vezes para acabar com a pobreza é um problema simples… uma falta de emprego, educação”; explicar por que recebia auxílio moradia embora morasse na sua casa em Curitiba ou minimizar decisão do STF de que foi parcialno julgamento de Lula como “política”, quando ele mesmo tomou decisões que impactaram nas eleições e aceitou ser ministro do candidato vitorioso. Só para começar.

Além do mais, Moro está num partido nanico, o Podemos, que tem só 10 dos 513 deputados federais, nenhum governador e cujo principal líder teve menos votos que o Cabo Daciolo nas eleições passadas. Mesmo o flerte do União Brasil com a candidatura de Moro precisa ser tomado com um grão de sal. Até duas semanas atrás, o União conversava ativamente com Ciro Gomes.

Nos seus pronunciamentos, Moro tem se colocado como o candidato do bolsonarismo sem Bolsonaro, defendendo o combate à corrupção, valores cristãos, a proteção da família das “drogas que ameaçam nossas crianças”, o livre mercado, o finado teto de gastos e elogios às Forças Armadas. É uma plataforma que deu muito certo em 2018, mas que envelheceu mal. A pandemia de covid-19, a inflação, a falta de emprego, a perda da credibilidade da equipe econômica e o descrédito externo indicam um candidato com experiência administrativa (que Moro não tem), propostas objetivas (que o ex-juiz pode aprender) e, principalmente, votos.

Fonte: poder 360.

PL não vai mudar jeito de Bolsonaro, mas tendência do governo, diz senador

O senador Wellington Fagundes (PL-MT) disse em entrevista ao Poder360 que o PL (Partido Liberal) não influenciará para mudar a forma de comunicação do presidente Jair Bolsonaro depois que ele se filiar à legenda. Afirmou, porém, que a tendência de um possível 2º governo sob a batuta da sigla será de centro-direita e não de direita.

“Nós não queremos mudar a figura pessoal, a capacidade de liderança do presidente Bolsonaro. Cada pessoa tem seu jeito de ser, não vai e não deve mudar. Agora, é claro, vamos contribuir, porque o presidente Bolsonaro é muito claro, tem uma política de direita. Nós somos um partido de centro. Então, o governo terá uma tendência maior de centro-direita”, disse Fagundes, em entrevista gravada na 4ª feira (24.nov.2021) no estúdio do jornal digital.

O senador, que dirige o PL no Mato Grosso, completou: O Bolsonaro tem gente que gosta dele que é de extrema-direita. Vamos respeitar e dialogar”.

Assista à entrevista ao Poder360(26min44s).

O congressista participou dos últimos encontros de Valdemar Costa Neto com o presidente. A filiação está marcada para 3ª feira (30.nov). Sobre os recentes vai-e-vens de Bolsonaro na negociação com a sigla, disse:

“O presidente Bolsonaro é uma pessoa muito extrovertida, brincalhão, gosta de conversar sobre tudo. Quando está muito tenso, ele entra com uma brincadeira e distensiona. Isso facilitou muito, a espontaneidade de Bolsonaro, mas, claro, a responsabilidade também”.

Segundo Fagundes, o PL está pronto e organizado para receber Bolsonaro e seus apoiadores. A Valdemar, o presidente pediu pouca pompa e muita objetividade para o dia 30.

Só discursarão o presidente da sigla, Bolsonaro e outros 2 representantes –Jorginho Mello (PL-SC) deve ser 1 deles. Os filhos Eduardo (PSL-SP) e Flávio(Patriotas-RJ) também devem subir ao palco.

Wellington Fagundes disse na entrevista que as divergências estaduais devem ser superadas e citou o caso de São Paulo, onde, de acordo com ele, a legenda pode lançar candidato próprio.

“Em São Paulo, o presidente Bolsonaro tem o foco e existe a possibilidade, sim, de o PL lançar o candidato a governador de São Paulo. O presidente Bolsonaro já falou da possibilidade de ser o ministro Tarcísio, pode ser. Excelente nome, preparado”.

De acordo com o congressista mato-grossense, o principal e primeiro projeto do PL nos Estados será viabilizar a eleição do presidente Bolsonaro.

“A partir do momento da filiação, é claro e evidente que o projeto nacional de eleger o presidente será o principal do partido”.

O senador, que deverá buscar a reeleição, afirma que, para ele, a chegada de Bolsonaro ao partido é positiva. “Mato Grosso é o Estado hoje que indica a maior aprovação do presidente Bolsonaro”.

Eis outros assuntos abordados na entrevista:

  • Vacina: “Até me chamam hoje de ‘o homem da vacina’no Congresso, porque apresentei projeto que permite à indústria de saúde animal produzir vacina […] A posição pessoal do presidente pode ser externada, mas o governo não é obrigado a executar só aquilo que ele pensa. Por isso, ele é um democrata”.
  • Pesquisas: “O MCTIC liberou muito dinheiro. A posição pessoal tem de ser diferente da postura do governo. Tem de ser assim. Posso ter uma linha de pensamento, mas tenho que agir com a responsabilidade do governo”.
  • Vice-presidente do PP: “É um partido muito próximo hoje, então há uma grande tendência de o PP poder indicar o vice, mas não necessariamente. O vice normalmente é decidido na última hora, já no finalzinho”.
  • 2o22: “É uma eleição polarizada. Hoje, se forem candidatos Lula e Bolsonaro, é uma eleição praticamente sem espaço para 3ª via. Ninguém se apresentou como candidatura viável”.
  • Moro: “O juiz Moro hoje ainda tira mais votos do presidente Bolsonaro, é a tendência, mas nós acreditamos muito [em Bolsonaro].As pesquisas mostram que hoje é muito forte para a polarização”.
  • Valdemar Costa Neto: “Eu sempre digo que ele é caça-talentos. Sempre foi assim, busca pessoas que podem fortalecer o partido”.
    Fonte: Poder 360.