Em votação simbólica, o Senado aprovou, na 4ª feira (17.nov.2021), o PL (projeto de lei) 3.819/2021, que institui 12 de março como o Dia Nacional em Homenagem às Vítimas de Covid-19. A data assinala a 1ª morte pela doença no Brasil. O texto, que foi relatado pela senadora Simone Tebet (MDB-MS), segue para a Câmara.
Segundo a congressista, a data será utilizada para homenagear os que partiram, as pessoas que ficaram com sequelas, os parentes das vítimas e as pessoas que sofreram os impactos econômicos da pandemia. O dia também será importante, segundo Tebet, para marcar a discussão de políticas públicas de saúde e assistência social às vítimas da pandemia.
“Cada um dos números representa uma história repleta de emoções, de paixões, alegrias e dores. São também vítimas da covid-19 os sequelados de todos os níveis, que tiveram suas vidas alteradas pela contaminação, brasileiros que perderam a capacidade de locomoção e de trabalho e que, hoje, muitos deles, mesmo vivendo apenas sobrevivem”, disse a senadora.
Tebet criticou a atuação do governo Bolsonaro e chamou profissionais de saúde de “heróis“. “É também o dia de falarmos e homenagearmos os verdadeiros heróis desse processo, que não fomos nós, não foi o Governo Federal, foram os profissionais de jaleco: médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, servidores administrativos”, completou.
Em seu relatório, a senadora fez referência aos colegas que morreram devido à doença, Major Olímpio, Arolde de Oliveira e José Maranhão. “Sangue do nosso sangue, pessoas que partiram de nosso convívio e foram morar no significado final de cada um dos números desta homenagem que instituímos“, afirmou.
A CPI da Covid já tinha debatido o tema. Por isso, o projeto de criação da data comemorativa pôde ser aprovado mesmo sem obedecer critérios legais, como a realização de consultas públicas. Agora, o texto deve ser votado pela Câmara dos Deputados.
Levantamento da FSB Comunicação, antecipado para o Poder360, mostra que apenas 11 Estados orientam que seus municípios realizem teste rápido de antígeno de covid para a entrada em eventos. Já 20 indicam a obrigatoriedade da apresentação do comprovante de vacinação.
Os municípios têm autonomia para decidir sobre medidas restritivas relacionadas à pandemia, segundo decisão do STF. Porém, as orientações dos governos estaduais são importantes por servirem de guia para políticas públicas locais.
Apenas o Estado de Santa Catarina orienta que os municípios exijam tanto comprovante de vacinação quanto exames negativos da covid por meio de testes rápidos de antígeno ou RT-PCR.
Com a chegada do final do ano, as festas de Natal, Ano Novo e Carnaval, em 2022, podem causar uma escalada no número de casos por causa da aglomeração. Por isso, especialistas defendem que os cuidados devem ser redobrados.
Alberto Chebabo, vice-presidente da SBI(Sociedade Brasileira de Infectologia), reforça que mesmo quem se vacinou pode contrair e transmitir o vírus.
Hoje, os grupos que mais correm risco são os de 1) crianças com comorbidades com até 12 anos –já que ainda não alcançaram a idade de vacinação mínima– 2) e de idosos que, mesmo com o ciclo vacinal completo, ainda correm o risco de pegar a versão mais grave da doença por causa do sistema imunológico mais debilitado.
A maioria (20 de 27) dos Estados brasileiros exige apenas o comprovante de vacinação. “A imunização reduz muito a janela de transmissão do vírus, mas não elimina totalmente”, alerta Chebabo.
Para o infectologista, a proteção ideal seria exigir o “passaporte” e exames negativos realizados com antecedência de, no máximo, 72 horas (RT-PCR) ou 48 horas (teste rápido).
“Quanto mais camadas de proteção, melhor. Porém, isso implicaria em custo para as populações de baixo poder aquisitivo –que não teriam condições de pagar pelos exames ou aumentaria o preço dos eventos, tornando-os elitizados, de difícil acesso”.
Uma das soluções, diz, seria o poder público bancar a conta. “Essa é a estratégia que muitos países estão fazendo. Oferecer testes gratuitamente e estimular a população a se testar com frequência”.
Chebabo também defende que a testagem em massa seja priorizada pelo poder público, já que contribui para reduzir a chance do surgimento de novas cepas.
Há quase 2 meses, em setembro, a AMB(Associação Médica Brasileira) reforçou a urgência da utilização de testes rápidos de antígeno em eventos de fim de ano e Carnaval. Diz que os exames rápidos são executados em dispositivos simples, compactos e de fácil operação –o que possibilita a aplicação em grande escala fora do ambiente laboratorial, como, por exemplo, eventos.
Hoje, com o rápido avanço tecnológico de exames de detecção da covid, há testes rápidos de antígeno com alto nível de precisão, como das empresas Abbott, Becton Dickinson, Roche e Siemens Healthineers, com até 97,8% de precisão.
Sobre a taxa de vacinação, Bruno Jorge Andrade Bispo, médico e especialista em Medicina do Trabalho, diz que não impede a disseminação da doença. Por isso, a realização de exames, antes de eventos, mostra-se essencial.
“A pandemia não acabou. A proliferação da covid precisa ser contida, não estimulada em festas de fim de ano. […] O isolamento antecipado dos contactantes, a vacinação em larga escala e as medidas de proteção individuais são meios que se mostraram eficientes para a retomada das atividades culturais, científicas e empresariais”, declara.
REALIZAÇÃO DE TESTES: BRASIL FICA PARA TRÁS
A plataforma Our World in Data mostra que o Brasil está em 139º lugar no ranking de testes diários realizados por 1.000 pessoas. Chipre, Áustria, Grécia, Emirados Árabes e Dinamarca lideram o top 5.
O New York Times diz que, nos EUA, a retomada de eventos e festas depois de quase 2 anos de pandemia tem esgotado testes rápidos de antígenos em farmácias e em postos de saúde. Aqui, o comportamento deve ser diferente, já que governos federal e municipais não subsidiam a testagem em massa, tampouco exigem exames prévios para entrada em eventos.
Fonte: Poder 360.