Pela primeira vez no Brasil, maioria dos internados por Covid-19 não é idosa

A mediana da idade de pessoas internadas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) no Brasil está abaixo dos 60 anos pela primeira vez, aponta o Boletim do Observatório Covid-19 da Fiocruz divulgado nesta sexta-feira (21). Ou seja, mais da metade dos internados em UTIs não são idosos.

Segundo o relatório, ao comparar a Semana Epidemiológica 1 (3 a 9 de janeiro) e a Semana Epidemiológica 18 (2 a 8 de maio) de 2021, verificou-se que a mediana de idade das internações, em geral, passou de 66 para 55 anos. No mesmo período, a mediana de idade de internações em UTI foi de 68 anos para 58 anos.

Embora a mediana de mortes ainda esteja acima dos 60 anos, pesquisadores da Fiocruz alertam para a queda de 73 para 63 anos desde o início do ano.

“Diferente das últimas semanas, mais da metade dos casos de internação hospitalar e internação em UTI ocorreram entre pessoas não idosas. Em relação aos óbitos, embora a mediana ainda seja superior a 60 anos, ao longo deste ano houve queda num patamar de 10 anos. Os valores de mediana de idade dos óbitos foram, respectivamente, 73 e 63 anos”, diz o boletim.

Síndrome Respiratória Aguda Grave

O Boletim da Fiocruz também registra um aumento das notificações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Os casos de SRAG são responsáveis por incidências graves de doenças respiratórias, que demandam hospitalização ou levam a óbitos. São atualmente em grande parte devido a infecções por Sars-CoV-2.

Muitos estados do Brasil — principalmente os da região Sul — que apresentaram queda da doença nas semanas anteriores a Semana Epidemiológica 18 mostraram tendência de reversão e até aumento no número de casos. De acordo com o estudo, embora alguns estados apresentem queda ou estabilidade, o número de continuam altos, pressionando o sistema de saúde.

“É fundamental que haja redução sustentada de número de casos para a recomposição do sistema de saúde, inclusive reduzir taxa de ocupação de leitos”, dizem os pesquisadores.

Leitos de UTI para Covid-19

De acordo com o boletim, a expectativa que vinha sendo desenhada de melhoria em relação às taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 foi quebrada. Pesquisadores do Observatório afirmam que “caso não seja mantida uma queda sustentável, a pandemia poderá retomar a sua expansão”.

Essas taxas de ocupação de leitos de UTI para adultos no SUS apresentavam uma tendência lenta de queda, mas entre os dias 10 e 17 de maio de 2021, apresentaram pequenas elevações em muitos estados e capitais, interrompendo a impressão da melhoria do quadro geral.

Taxa de mortalidade

As duas últimas semanas epidemiológicas apresentaram uma ligeira redução das taxas de mortalidade no Brasil. As taxas de incidência, porém, permanecem em um platô alto.

Os pesquisadores atribuem a queda na taxa de mortalidade à vacinação de populações de maior risco e a uma pequena redução da ocupação de leitos hospitalares.

Considerando o ritmo lento de vacinação no país e a possibilidade da chegada de novas variantes do vírus, o novo cenário socioepidemiológico é visto como preocupante. A análise enfatiza, ainda, que a flexibilização precoce de medidas de isolamento podem causar uma retomada na transmissão.

Fonte: CNN Brasil

Pfizer pede que Anvisa mude temperatura de armazenamento de sua vacina

Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Direitos Reservados 

A Pfizer entrou com pedido na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para obter uma autorização de flexibilização do armazenamento de sua vacina contra a covid-19 após o descongelamento. O imunizante já é aplicado no Brasil.

Até o momento, a vacina da Pfizer tem permissão para ser armazenada nas temperaturas de 2º Celsius a 8ºC por até cinco dias. Contudo, a farmacêutica apresentou estudos que apontariam a estabilidade da substância quando guardada nesta condição por mais tempo.

O comunicado da Anvisa sobre o pedido não detalha, contudo, durante qual prazo seria possível o armazenamento nessas temperaturas. A previsão da agência é que a análise seja feita até a próxima semana.

De acordo com a autorização da Anvisa, a conservação da vacina pode ser feita por até duas semanas nas temperaturas entre -15ºC e -25ºC. Além deste período, é necessário garantir os recipientes em congelamento de -60ºC a -90ºC.

Em audiência pública da Comissão Externa da Câmara dos Deputados de Enfrentamento da Pandemia nesta semana, o secretário executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, afirmou que a mudança é importante diante da dificuldade de cidades brasileiras disporem de estrutura para armazenar a vacina.

Fonte: Agência Brasil

“CPI notadamente parcial e com fins politiqueiros”, diz Girão

Como dissemos mais cedo, a CPI da Covid tem atraído a atenção dos brasileiros, mas muitos têm questionado o fato de senadores usarem o tempo de perguntas aos depoentes somente para discursar.

O senador Eduardo Girão (Podemos), titular da comissão, disse a O Antagonista que a CPI é “notadamente parcial e com fins politiqueiros”.

“Esse uso eleitoral fica claro quando se constata que alguns senadores nem sequer fazem questão de ouvir respostas, mas dedicam todo seu tempo de fala a performances políticas espetaculosas e críticas vazias. Tudo por um projeto de poder.”

Girão, que se diz “independente”, afirmou também que a CPI não quer apurar “corrupção nos bilhões de reais em verbas federais enviadas a estados e municípios”. Segundo ele, “a CPI corria o risco de perder credibilidade” desde a escolha de Renan Calheiros (MDB) como relator.

Fonte: O Antagonista

Prefeitura de Natal vai garantir regularização fundiária para mais de 2.500 pessoas na Zona Norte

Foto: Alex Regis

A politica de regularização fundiária em Natal vai avançar nos próximos dias. A Prefeitura planeja a entrega de 588 títulos no bairro de Nossa Senhora da Apresentação e 46 na comunidade da África, Zona Norte do Município. A iniciativa vai beneficiar pouco mais de 2.500 pessoas nas comunidades atendidas.

A Secretaria Municipal de Habitação, Regularização Fundiária e Projetos Estruturantes (Seharpe) está avaliando a melhor forma para essa entrega sem que haja o risco de aglomeração, devido à pandemia. Mas, os beneficiados serão contactados antecipadamente.

“A execução de uma política pública de regularização fundiária efetiva é muito importante para a sociedade. Sem documentação, os proprietários não têm a segurança jurídica sobre o imóvel, há uma desvalorização das propriedades e o poder público perde a oportunidade de arrecadar. Para solucionar esses problemas estamos avançando nessa questão e estamos começando com as entregas em Nossa Senhora da Apresentação e continuando com as entregas na Comunidade da África. Não iremos parar por ai e nos próximos ano iremos avançar por todas as regiões de Natal”, destacou o prefeito Álvaro Dias.

De acordo com Cynthia Pessoa, assistente social do Departamento de Regularização Fundiária da Seharpe, estão programadas ações no Passo da Pátria: 1.367; Guarapes: 772; Nossa Senhora da Apresentação: 6.500 ampliados para mais 1.350, totalizando 7.850.  Além disso, a Secretaria faz parte do programa do Governo Federal, intitulado Papel Passado, que tem como meta distribuir a documentação para 1.890 famílias em Natal.

Atualmente, a Seharpe executa cinco projetos de Regularização Fundiária. Todos encontram-se no cartório de registro de imóveis para abertura de matrículas em nome dos beneficiários cadastrados.

“O prefeito Álvaro Dias determinou que a área habitacional seja uma prioridade e tem dado todo apoio e condições para que executemos as ações. Para as pessoas é a concretização do direito à moradia com segurança jurídica e dignidade. Para o município é o controle, organização e atualização do parcelamento do solo. Quanto mais regularizado, mas o município planeja e executa suas ações de maneira assertiva, conforme a realidade e necessidade de cada núcleo urbano”, comenta José Vanildo, titular da Seharpe.

Presidente da CPI, Aziz quer criminalizar recomendação de remédio sem comprovação

Foto: Sérgio Lima/Poder360

O presidente da CPI da Covid no Senado, Omar Aziz (PSD-AM), protocolou nesta 6ª feira (21.mai.2021) um PL (Projeto de Lei) que criminaliza a recomendação do uso de remédios cujos efeitos não tem comprovação científica.

Eis a íntegra do projeto.

“O projeto é necessário. Temos visto muita gente que não sabe nada de saúde está prescrevendo remédio na internet. Um monte de fake. Não podemos permitir isso no Brasil”, justificou Aziz ao Poder360.

O projeto é resposta à recomendação recorrente por parte do presidente Jair Bolsonaro e dos seus apoiadores de remédios ineficazes contra a covid-19. O governo, inclusive, criou um protocolo chamado “tratamento precoce“, que inclui cloroquina e ivermectina como remédios para combater o coronavírus.

Ocorre que diversas pesquisas foram feitas mundo afora desde o início da pandemia e não foram constatados efeitos inibidores do vírus nesses medicamentos. Ou seja, são placebo.

Nesta semana, a CPI escutou 2 ex-ministros: Ernesto Araújo e Eduardo Pazuello. Ambos foram questionados a respeito do uso desses medicamentos. E também a respeito do aplicativo TrateCov, do Ministério da Saúde, que recomendava uso de cloroquina.

Pazuello tentou se isentar de culpa, atribuindo a sua concepção a Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e Educação no Ministério da Saúde, conhecida como “capitã cloroquina”.

Pazuello, antes de prestar depoimentos, conquistou no STF a possibilidade de ficar calado durante os questionamentos. Mayra tentou o mesmo, mas o STF negou.

“O Bolsonaro deveria ter dito para o Pazuello que ele não poderia ter ido ao STF, já que ele e seus apoiadores pedem para fechar a Corte”, provocou Omar Aziz.

Fonte: Poder 360

Justiça condena Globo a pagar valor milionário por rescisão do Cariocão


A Globo foi condenada pela Justiça do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira, a pagar R$ 156 milhões à Federação de Futebol do Rio de Janeiro pela quebra dos contratos de direitos de transmissão do Cariocão. A emissora havia rompido com a Ferj após desentendimentos quanto à exibição independente das equipes em 2020. A decisão, no entanto, cabe recurso.

A Ferj venceu as duas ações que abriu sobre a rescisão: na quinta, o juiz Ricardo Cyfer, da 10ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, julgou favoravelmente a solicitação por indenização da Ferj. Ao todo, o valor de R$ 17.291.105,20. Já a segunda decisão obriga à Globo a desembolsar, por danos materiais, R$ 138,9 milhões – que significa o contrato rompido pelo Carioca, que iria até 2024.

Botafogo, Fluminense e Vasco negociaram as indenizações diretamente com a Globo. As informações são do Uol. O processo corre em segredo de Justiça. O desentendimento aconteceu em 2020, quando o Flamengo se utilizou da MP do Mandante para exibir seus jogos, mesmo a Globo sendo dona exclusiva dos direitos de transmissão da competição.

Ferj e a emissora chegaram a disputar por questões contratuais. Enquanto a federação defendia a vontade do clube, a Globo optou por encerrar o contrato. Com a saída da emissora carioca, a transmissão do Estadual ocorreu de forma inédita em 2021. A mudança sinaliza uma queda brusca em receitas.

Agora, os direitos de transmissão televisiva são da Record. A Ferj tem uma plataforma paga que também exibe as partidas, assim como cada clube tem a possibilidade de criar sua plataforma de streaming ou transmitir as partidas de suas equipes.

Retirado de: Lance

Gávea News.

Deputado Benes Leocadio destina R$ 1.700.000,00 para Parnamirim

O prefeito Taveira é só felicidade, pois o deputado federal Benes Leocádio, presidente do seu partido, abriu as torneiras e liberou R$ 1.700.000,00 para a área da saúde, destinada à construído uma nova unidade de saúde, e também para a aquisição de veículo para a guarda municipal e instrumentos musicais.

Desse valor, R$ 1.000.000,00 é voltado para a construção da Unidade Básica de Saúde de Bela Parnamirim. No ofício, de número 120/2021, o deputado solicita que a proposta referente a este recurso seja encaminhada no máximo até o próximo dia 6 de junho.

Para a aquisição de um novo camburão para a Guarda Municipal de Parnamirim, Benes Leocádio destinou R$ 500 mil, sendo os R$ 200 mil restantes para a aquisição de instrumentos musicais. Com este novo investimento, Parnamirim tem tudo para receber melhorias significativas nas áreas da saúde, segurança e cultura.

Consumo de carne no Brasil cai ao menor nível em 25 anos com disparada de preços

A pandemia da Covid-19 provocou mudanças à mesa dos brasileiros, que cortaram o consumo de carne bovina para o menor nível em 25 anos, de acordo com dados do governo, que calcula a disponibilidade interna do produto subtraindo o volume exportado da produção nacional.

Não bastasse a perda de renda da população, os preços de cortes bovinos dispararam, na esteira de valores recordes da arroba do boi gordo, limitando o consumo interno, enquanto a China importa como nunca carnes do Brasil.

Agora, cada brasileiro consome 26,4 quilos desta proteína ao ano, queda de quase 14% em relação a 2019 –quando ainda não havia crise sanitária. Este é o menor nível desde 1996, início da série histórica da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Só nos primeiros quatro meses do ano, o consumo per capita de carne bovina caiu mais de 4% em relação a 2020, estima a Conab.

“A questão da pandemia trouxe desemprego e perda de renda”, disse à Reuters Guilherme Malafaia, pesquisador do setor de bovinos da Embrapa. “Isto empobreceu a população e também gerou perda de poder aquisitivo, enfraquecendo o consumo interno da proteína.”

A alta da carne bovina levou o brasileiro a procurar opções mais baratas, incluindo frangos e suínos. Além disso, o consumo de ovos, que o Brasil quase não exporta, chegou ao maior nível em 20 anos.

Enquanto o Brasil fica mais pobre, uma doença que dizimou boa parte do rebanho suíno da China diminuiu a oferta de carne naquele país, levando-o a importar mais proteína de outros lugares.

Isto ajudou a fomentar uma inflação global dos alimentos, que também assola o Brasil.

Sergio de Zen, diretor de política agrícola da Conab, disse à Reuters que o mundo todo está pagando mais por comida. Ele acrescentou que a moeda fraca castiga o Brasil em especial, pois o câmbio desvalorizado aumenta os custos de produção aqui.

De acordo com o IBGE, o preço das carnes em geral subiu 35% no país nos 12 meses até abril, mais que cinco vezes o próprio IPCA no período.

No caso da arroba do boi, o preço subiu mais de 50% na comparação com o mesmo período de 2020, operando atualmente em cerca de 305 reais, um pouco abaixo da máxima história registrada em 2021, segundo dados do Cepea.

Os frigoríficos lidam ainda com uma cíclica diminuição da oferta de animais para abate.

Consumo de ovos

Com a alta das carnes, algumas famílias agora comem mais ovos.

De olho na nova clientela, há maior procura por material genético para produzir ovos em pequena escala e vendê-los nas grandes cidades, diz Marcelo Miele, pesquisador para aves e suínos da Embrapa.

O preço do ovo não subiu como o do frango, cuja alta ficou em linha com a inflação de alimentos; e muito menos que o do suíno, que subiu bem acima dos alimentos por causa de um aumento da exportação para China, disse Miele.

No lado da oferta, a alta do preço das carnes no Brasil também reflete maiores custos de produção.

Para as empresas, a escassez de bovinos para abate causa uma ociosidade na indústria que seria entre 35% e 40%, estima Malafaia, com reflexos no suprimento doméstico. Se a empresa tem autorização para exportar, a preferência é abater e vender a clientes como a China, que pagam em dólares e cobrem os custos, disse.

Já do lado das aves e suínos, o vilão é o milho, que dobrou de preço no último ano e é o mais importante componente da ração. Mas mesmo com custos mais altos, os produtores de frango e suínos conseguiram aumentar a disponibilidade interna dos dois tipos de proteína.

Houve alta de 5% no consumo per capita de suínos e 6% no de frango em 2020, parte disso impulsionado pelo auxílio emergencial, disse Miele, citando dados da indústria e do IBGE.

“Com a pandemia, pensamos que haveria problemas de ruptura da cadeia”, disse Miele referindo-se a frangos e suínos. “Mas pelo que aparece na estatística de consumo per capita, não foi isto que aconteceu.”

Fonte: CNN Brasil

Lula e FHC se encontram para “conversa sobre democracia”

Foto: Reprodução/Twitter @LulaOficial

Os ex-presidentes Lula (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB) se encontram para um almoço nesta 6ª feira (21.mai.2021). A informação foi divulgada nesta manhã pelo Twitter de Lula.

De acordo com a publicação, o encontro foi organizado pelo ex-ministro Nelson Jobim. “Os ex-presidentes tiveram uma longa conversa sobre o Brasil, sobre nossa democracia, e o descaso do governo Bolsonaro no enfrentamento da pandemia“.

O Poder360 entrou em contato com a equipe do ex-presidente FHC, mas novas informações sobre o encontro não foram divulgadas. A equipe de Lula não respondeu ao contato da reportagem.

Lula e FHC têm feito declarações um sobre o outro, mas sempre pela mídia ou pelas redes sociais. FHC declarou na semana passada que votaria em Lula na eleição de 2022, caso não haja um candidato de centro.

“Vão inventar que Lula é isso ou aquilo. Já votei no Lula. Difícil que Lula seja representante da 3ª via, embora ele, na alma, seja isso. Ele simboliza e tem eco“, afirmou em entrevista ao jornal Valor Econômico, divulgada no dia 14.

O petista agradeceu à declaração pelo seu perfil no Twitter e elogiou seu antecessor na Presidência da República.

“Eu gostei da entrevista do FHC. Sempre tivemos uma disputa civilizada. Ele me conhece bem, conhece o Bolsonaro. Fico feliz que ele tenha dito que votaria em mim e eu faria o mesmo se fosse o contrário. Ele sempre foi um intelectual e sabe que não dá pra inventar uma candidatura”, disse Lula.

Críticas ao governo de Jair Bolsonaro aproximaram os ex-presidentes. FHC já deu diversas declarações sobre o atual presidente. Na entrevista ao Valor afirmou que Bolsonaro representa um futuro que não tem seu “entusiasmo“.

As declarações fizeram com que Bolsonaro atacasse o tucano. “Esse FHC que está dizendo agora que vai votar no Lula, cara de pau. Esse cara de pau FHC dizendo agora que vai votar no Lula”, disse em sua live semanal na 5ª feira (20.mai.2021).

A aproximação de Lula e FHC contrasta com o histórico entre os 2 ex-presidentes. Em abril de 2020, o tucano afirmou que o petista “matou a esquerda” em entrevista ao portal Uol. “Eu conheci o Lula tosco, hoje ele não é mais tosco. Ele aprendeu. Mas o Lula passou. O que ele representava, não representa mais“, afirmou na ocasião.

Também em 2020, Lula se negou a participar de um debate com FHC e o ex-presidente Michel Temer. De acordo com a Folha de S.Paulo, o petista dizia a interlocutores que os políticos não eram democratas.

Fonte: Poder 360

Mentiras desavergonhadas, escreve Kakay

Palácio do Planalto, houses the presidential offices of the president of Brazil. was designed by Oscar Niemeyer. Its name “highlands”, in reference to the geographical scenery of the capital. Brasília, October 26, 2018. Photographer: Sérgio Lima / Bloomberg.

A verdade é inconvertível, a malícia pode atacá-la, a ignorância pode zombar dela, mas, no fim; lá está ela.” —Winston Churchill.

Se o caos dos dias atuais pudesse ser explicado por algum especialista em desgraça e ele ousasse escrever sobre o Brasil, certamente ele seria tido como um profundo pessimista ou um arquiteto das trevas. O Brasil é indescritível. Um acúmulo exorbitante de maldades faz com que o país esteja à deriva, à beira de um naufrágio.

Para muitos, o debacle já veio com a implementação da política fascista e negacionista que nos legou, até o presente momento, 431 mil mortos pela pandemia. Dentre os sobreviventes, 14,4 milhões de brasileiros estão desempregados e perto de 33 milhões estão no trabalho informal. Somos um país de dimensões gigantescas com uma desigualdade brutal e desumana. E temos um sistema político cruel e corrupto que surpreende a todos. Viramos chacota mundial e pária internacional.

A estrutura que levou à Presidência da República um grupo que não tem a dimensão do país deve e tem que ser repensada. E, o pior, é um bando sem preparo, sem escrúpulos e sem limites. A mentira passou a ser a grande arma nacional. O elo de unidade dos que estão no governo é a mentira despudorada, que nem sequer causa constrangimento. Vale lembrar-nos de Ferreira Gullar:

“Se Narciso se encontra com Narciso
e um deles finge
que aí outro admira
(para sentir-se admirado),
o outro
pela mesma razão finge também
e ambos acreditam na mentira.

E se o outro é como ele, outro Narciso,
é espelho contra espelho:
o olhar que mora reflete o que admira num jogo multiplicado em que a mentira de
Narciso a Narciso
inventa o paraíso.

O espelho embaciado,
já Narciso em Narciso
não se mira:
Se torturam
Se ferem
Não se largam
Que o inferno de Narciso

É ver que o admiravam de mentira”

A mediocridade eliminou quase totalmente a produção intelectual no Brasil. Viramos um país do óbvio, das mensagens de 5 linhas, da falta de reflexão e dos discursos no cercadinho na frente do Palácio. Mas, para todos nós que resistimos, é importante delinear os espaços de enfrentamento da barbárie.

O desmonte deliberado de todas as áreas anuncia tempos ainda mais desesperadores. O completo abandono da ciência, da educação, da saúde e de todas as bases de um país justo foi se concretizando a passos largos.

E numa disputa surda entre a vida e a morte, entre as luzes e o obscurantismo, o país vai tentando se posicionar enquanto o governo trata de saquear a nação à luz do dia. É uma política deliberada de sucateamento. Não são poucos os que hoje entendem que erraram, e que o apoio a este grupo miliciano indica uma forte sensação de ruptura institucional. Mas ainda existe uma parcela considerável que não acredita no vírus, que defende que a terra é plana e que nós é que somos imbecis, não eles, todos cúmplices dessa tragédia humana. Tudo isso remete-me ao grande Candido Portinari, pintor e poeta:

“Loucos os homens cospem lama
Sobre as flores e as criancinhas.
Quando começaram? Sem cílios
E as retinas mortas continuam

As espadas de água e as terras
Fendidas escorrendo-nos dentro.
Vozes feias e malditas
Perseguindo-nos. E as luzes e as folhas?

Eles não caem não se levantam
Não vão e não vêm. Não são
Pesadelos? Dementes espaventados fogem…”

Mas o grupo que comanda o Brasil optou por governar um país imaginário. A mentira individual leva a uma série de deformações que pode causar constrangimento a quem tem responsabilidade, mas que é a arma dos que estão atualmente no poder. A questão é que, neste momento, a mentira coletiva passou a ter um espaço e uma força que orienta o destino do país. Os mentirosos passaram a acreditar nas versões criadas e um fio tênue entre realidade e ficção tem dado mais espaço a esse mundo imaginário. Imaginário, mas com efeitos reais catastróficos. A narrativa teratológica substitui a realidade com a simplicidade que leva boa parte das pessoas a se sentir representada. Os idiotas, já disse Nelson Rodrigues, perderam a modéstia. A reflexão
e a crítica viraram artigos de luxo.

Reconhecer o nível de insanidade dessas autoridades é importante para definir como combater a selvageria.

É um governo no qual o Ministro da Casa Civil tem o desplante de tomar a vacina escondido, com medo da reação do presidente da República. Um general se escondendo de um capitão de araque. Uma vergonha alheia.

Um outro general da ativa, que ocupou o Ministério da Saúde sem sequer saber o que era o SUS (Sistema Único de Saúde), mente em rede nacional sem nenhum pudor. Não existe uma inteligência emocional ou uma estratégia que não seja o deboche. O ex-ministro disse que o presidente nunca o desautorizou a comprar vacinas e é desmentido por inúmeros vídeos. É muita desfaçatez. É aquele limite do mundo ficcional que aparentemente essas estranhas criaturas criaram para elas.

O problema é que as consequências das alucinações coletivas, vividas por essas autoridades, são suportadas pelo cidadão real. As mentiras que os sustentam e que os fazem viver numa bolha repercutem no dia a dia do brasileiro. No caso, as vacinas não foram compradas por ordem expressa do comandante dos asseclas.

E a guerra ideológica que alimenta esses pigmeus intelectuais faz com que, neste momento, não exista produção do imunizante no Brasil por falta de insumo. Sem vacina comprada e sem insumo para produzir no território nacional. Tudo documentado, filmado. Mas, no mundo imaginário vivido por esses governantes, nada aconteceu. Eles são a própria mentira. Confundem-se com ela. Vivem dela.

E o desesperador é que, nas poucas vezes que cumprem o que falam, que dizem a verdade, a realidade é também desastrosa. O ministro do Meio Ambiente, na reunião ministerial de 22 de abril presidida pelo presidente da República, esclareceu que o plano dele era, aproveitando que a mídia e as atenções de todos estariam voltadas para a pandemia, “passar a boiada”, promover uma “baciada” de mudanças de regras ligadas à proteção ambiental para satisfazer a sanha predatória dos grupos que apoiam o governo.

Essa é a nossa sina. Viver entre o delírio do mundo imaginário onde a mentira é o ponto de união dos medíocres e a infeliz realidade de um país sucateado e entregue. E a realidade, da qual não podemos fugir, é que o Brasil virou um país triste, perigoso, sem luz.

O oxigênio que falta aos milhares de infectados, entregues muitas vezes à própria sorte, é o mesmo que devemos desesperadamente buscar para nos dar forças ao enfrentamento. Não podemos deixar de resistir. Vamos lutar contra o mundo falso e imaginário e vencê-lo no mundo real. Até porque não nos deram outra opção. Melhor socorrer-nos ao sonhador D. Quixote:

Mudar o mundo, meu amigo Sancho, não é loucura, não é utopia, é Justiça!

poder 360.