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“É a primeira vez na história do Brasil que estamos perseguindo magnatas da corrupção”, diz Lula sobre Master

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (9) que o caso do Banco Master marca “a primeira vez na história do Brasil” em que o país passa a perseguir “os magnatas da corrupção”. A declaração foi feita durante uma cerimônia de anúncios de investimentos em educação e saúde, em Mauá (SP).

“Vocês estão vendo a nossa briga com o tal do Banco Master. É a primeira vez na história do Brasil que estamos perseguindo os magnatas da corrupção desse país. Não é prender o cara que está na favela ou matar ele não. É prender aquele que está de terno e gravata e mora em apartamento de cobertura ou mora em Miami”, disse.

O presidente também citou a conversa que teve com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre uma cooperação internacional contra o crime organizado.

“Eu, por exemplo, conversei com o Trump e o Trump falou: ‘presidente Lula, eu quero combater o crime organizado’. E eu falei: ‘eu também quero. Você quer combater de verdade, me entregue os bandidos brasileiros que estão lá [nos EUA]’”, declarou.

Segundo Lula, o combate deve atingir as estruturas de poder no país. “Ou a gente acaba com a corrupção das classes poderosas desse país, ou eles voltam a acabar com o povo brasileiro”, disse.

Ministro do STJ se afasta após acusação de importunação sexual e abertura de sindicância

Marco Aurélio, do STJ, solicitou afastamento médico após a abertura de sindicância por suspeita de importunação sexual; o ministro nega as acusações | BNews Natal – Divulgação Sérgio Amaral/STJ

O ministro Marco Aurélio Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), apresentou atestado médico e solicitou afastamento das próximas sessões da Corte. A licença foi confirmada nesta quinta-feira (5), um dia após o tribunal instaurar sindicância para apurar uma acusação de importunação sexual atribuída ao magistrado.

A denúncia envolve uma jovem de 18 anos, que registrou boletim de ocorrência relatando ter sido vítima de uma tentativa de agressão durante um banho de mar. Segundo o relato, o episódio teria ocorrido no mês passado, durante férias em Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina, quando o ministro estava acompanhado da jovem e dos pais dela, que seriam amigos pessoais.

O afastamento do magistrado ocorre em meio ao avanço das apurações administrativas e judiciais sobre o caso. O ministro nega a acusação e afirma que os fatos divulgados não correspondem à realidade.

Apuração no CNJ e no STF

Além da sindicância aberta no âmbito do STJ, o caso também é analisado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), responsável por apurar eventuais responsabilidades administrativas.

Já a investigação criminal está sob a condução do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Nunes Marques, uma vez que Marco Aurélio Buzzi possui foro por prerrogativa de função.

Em nota divulgada à imprensa na quarta-feira (4), o ministro afirmou ter sido surpreendido com a repercussão da denúncia e negou qualquer conduta imprópria.

“O ministro Marco Buzzi informa que foi surpreendido com o teor das insinuações divulgadas por um site, as quais não correspondem aos fatos. Repudia toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio”, declarou.

O advogado Daniel Bialski, que representa a jovem e a família, afirmou que a prioridade, neste momento, é garantir a preservação da vítima. Segundo ele, a defesa aguarda que as investigações sejam conduzidas com rigor pelos órgãos competentes, diante da gravidade da denúncia.

O STJ ainda não informou prazo para conclusão da sindicância nem se o afastamento médico poderá ser prorrogado, a depender da evolução do quadro de saúde apresentado pelo ministro.

www.bnewsnatal.com.br

VÍDEO: Caminhada de Nikolas chega ao DF; deputado usa colete à prova de balas após ameaças feitas contra ele

A caminhada do deputado Nikolas Ferreira (Republicanos-MG), que começou na segunda-feira (19), chegou na tarde deste sábado (24) ao Distrito Federal. Um vídeo, publicado por Nikolas nas redes sociais, mostra a chegada do movimento ao estado central do país.

Segundo apurado pela rádio Itatiaia, Nikolas começou a usar um colete à prova de balas nos últimos dias do movimento promovido por ele em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e contra as ações do Supremo Tribunal Federal (STF).

A assessoria do parlamentar alega que o uso do colete, preventivamente, se deve a ameaças recentes feitas contra ele. A origem e a autoria das supostas ameaças não foram divulgadas.

Nikolas Ferreira saiu na segunda-feira (19) do município de Paracatu, no Noroeste de Minas Gerais, com destino a Brasília, na capital federal. O gesto simbólico do parlamentar, após ser amplamente divulgado nas redes sociais, ganhou a adesão de outros membros do Congresso, apoiadores de Bolsonaro e também de eleitores do deputado federal.

A expectativa é que a manifestação, que seguiu pela BR-040, seja encerrada no domingo (25), na Praça do Cruzeiro, em Brasília.

Segundo o deputado, o objetivo do ato simbólico é protestar contra decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, especialmente o ex-presidente Jair Bolsonaro — condenado por tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022 e preso no Complexo da Papuda, em Brasília.

CNN Brasil

Causa da morte do filho de Shirley Carvalhaes é confirmada

Reprodução

Weslley Carvalhaes, filho da cantora gospelShirley Carvalhaes, morreu na tarde da última sexta-feira (23/1), aos 35 anos.  A causa da morte foi confirmada à coluna pelo empresário da artista. O jovem estava em tratamento de uma forte pneumonia, precisou ser internado às pressas no dia 25 de dezembro do ano passado e, desde então, seu quadro se agravou.

O empresário da artista informou ainda que o velório e a cerimônia de despedida serão realizados apenas para pessoas mais próximas, junto com a família biológica de Weslley, optando por manter o momento restrito e íntimo.

O pronunciamento de Shirley Carvalhaes

A própria Shirley comunicou o falecimento nas redes sociais, onde também agradeceu o apoio recebido. “Agradecemos as orações de todos, mas nessa tarde Deus recolheu nosso menino”, escreveu a cantora. Ela relembrou momentos vividos com o filho: “Obrigada pelos momentos vividos, pelas brincadeiras, pelos sorrisos nos momentos tristes, que agora irão ficar em nossa lembrança.”

Horas antes do falecimento, a cantora havia solicitado uma corrente de orações e publicado um desabafo sobre a gravidade do estado de saúde de Weslley.

A postagem mobilizou fãs e seguidores, que manifestaram solidariedade à artista, incluindo uma mensagem de apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro: “Em oração pelo seu filho amado, minha irmã.”

Quem era Weslley Carvalhaes

Weslley atuava como estrategista de marketing há pelo menos cinco anos. Filho adotivo de Shirley Carvalhaes, ele recebeu homenagens de fãs e da própria cantora, que lamentou profundamente a perda nas redes sociais. A agenda da artista gospel foi suspensa durante o período de luto.

www.diariodobrasilnoticias.com.br

Lula se pronuncia e diz que ação dos EUA na Venezuela ultrapassa “linha inaceitável”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou nas redes sociais neste sábado (3) sobre o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro. Em publicação, Lula classificou a ação como uma “afronta gravíssima” à soberania venezuelana e alertou para os riscos à estabilidade internacional.

Segundo o presidente, os bombardeios em território venezuelano e a prisão do chefe de Estado ultrapassam “uma linha inaceitável” e representam um precedente considerado extremamente perigoso para a comunidade internacional.

Lula afirmou ainda que atacar países em flagrante violação do direito internacional abre caminho para um mundo marcado pela violência e pela instabilidade, no qual “a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”.

Na mensagem, o presidente reforçou que a condenação ao uso da força está alinhada à posição histórica do Brasil em crises internacionais recentes e disse que a ação lembra “os piores momentos da intervenção na política da América Latina e do Caribe”.

Por fim, Lula defendeu uma resposta firme da comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas (ONU), e afirmou que o Brasil condena as ações e segue à disposição para promover o diálogo e a busca pela paz na região.

Homem morre na véspera do Natal e família diz que pinça foi deixada em seu corpo após cirurgia

 

O aposentado Manoel Cardoso de Brito, de 68 anos, morreu na véspera do Natal vítima de complicações decorrentes de duas cirurgias realizadas no Hospital Municipal de João Pinheiro, em Minas Gerais. A família acusa autoridades de erro médico. Segundo parentes do aposentado, uma pinça cirúrgica teria sido esquecida dentro de seu corpo durante o primeiro procedimento cirúrgico, realizado no início do mês.

A Secretaria Municipal de Saúde de João Pinheiro confirmou, em nota, que houve “a retirada de um corpo estranho durante a (segunda) cirurgia do paciente”, mas afirmou que Brito estava em estado muito grave, com várias comorbidades. Informou ainda que reforçou protocolos de segurança e abriu sindicância para apurar o caso.

De acordo com o Boletim de Ocorrência (BO), o paciente passou mal em casa no dia 4 de dezembro e foi levado até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade. Após exames, os médicos constataram a presença de uma úlcera gástrica e indicaram a necessidade de uma cirurgia de urgência, realizada no dia seguinte. A equipe informou que o procedimento havia transcorrido normalmente.

Brito permaneceu dois dias na UTI e depois foi transferido para o quarto. Durante a internação, ele teria apresentado sinais de dor e sonolência excessiva. No dia 11, após suspeita de um AVC, foi feita uma tomografia. Consta ainda no boletim que, pouco depois, o paciente foi levado às pressas para uma nova cirurgia, sem que a família fosse informada sobre os motivos. Após o segundo procedimento, os médicos disseram que haviam retirado um dreno e pus da cavidade interna. Brito voltou para a UTI, mas morreu após 13 dias de internação.

Logo após a morte do aposentado, uma rádio local teve acesso a um exame de tomografia que indicaria a presença de um instrumento cirúrgico dentro do corpo do paciente. A família informou que acompanha as apurações e vai requisitar os prontuários, laudos e exames clínicos feitos no hospital.

Nota divulgada pelo hospital confirma a retirada de “um corpo estranho”, mas ressalta que, “durante o segundo procedimento não foi constatada perfuração da alça intestinal e as suturas do procedimento anterior encontravam-se íntegras. O procedimento foi realizado sem intercorrências adicionais. No dia seguinte, a família foi novamente informada sobre o procedimento realizado, bem como sobre a identificação e retirada do corpo estranho”.

Estadão Conteúdo

Lula chama de ‘cretinice’ ataque de Zezé di Camargo às filhas de Silvio Santos; VEJA VÍDEO

Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou apoio às filhas de Silvio Santos após comentários feitos pelo cantor Zezé Di Camargo. A manifestação ocorreu durante um discurso nesta quinta-feira (18).

Na ocasião, Lula disse que se solidarizava com as filhas do apresentador e criticou as declarações do cantor, classificando-as como inadequadas e de cunho machista, afirmando que elas mereciam respeito.

Fonte: @allanmultidimensional

Moraes manda exames de Bolsonaro a peritos da PF antes de avaliação médica

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta segunda-feira (15) que seja encaminhado o resultado dos exames feitos por médicos particulares de Jair Bolsonaro (PL) aos médicos peritos da Polícia Federal, que irão realizar a perícia sobre a saúde do ex-presidente na quarta-feira (17).

A decisão foi tomada no âmbito da execução penal decorrente da condenação de Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão, em regime inicial fechado, além de pena pecuniária. Segundo o despacho, a defesa informou ao STF, em 9 de dezembro, a ocorrência de novas intercorrências médicas que, segundo os advogados, justificariam a necessidade de intervenção cirúrgica imediata.

Em resposta, Moraes determinou, em 11 de dezembro, a realização de perícia médica oficial pela Polícia Federal para avaliar a real necessidade do procedimento. Posteriormente, a defesa solicitou autorização para a realização de exames de ultrassonografia das regiões inguinais direita e esquerda nas dependências da Superintendência da PF no Distrito Federal, pedido que foi autorizado pelo relator.

O exame médico autorizado foi realizado em 14 de dezembro, com laudo juntado aos autos no dia seguinte. Com base nisso, Moraes determinou o encaminhamento de cópia de todos os exames e laudos aos peritos que conduzirão a perícia oficial, cujo resultado será analisado pelo STF após a juntada do laudo pericial.

Após a conclusão da perícia, o processo deverá retornar imediatamente à conclusão para nova decisão. O despacho também determina a intimação dos advogados e a ciência à Procuradoria-Geral da República.

CNN Brasil

Bolsonaro recebe visita de Michelle e Jair Renan na prisão; VEJA VÍDEO

Pedro Ladeira/Folhapress
Pedro Ladeira/Folhapress

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o vereador de Balneário Camboriú Jair Renan estiveram nesta quinta-feira na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, detido desde o último sábado. Ele cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes, após decisão do Supremo Tribunal Federal.

Rotina de visitas e protocolos

A ida de Michelle e Jair Renan ocorreu após as visitas de Flávio e Carlos Bolsonaro, previamente autorizadas pelo STF. Desde a prisão, a família mantém uma sequência de comparecimentos à sede da PF, seguindo regras rígidas, como a proibição de uso de celulares e a limitação do tempo de permanência nas dependências policiais.

Decisão judicial e cumprimento da pena

Bolsonaro foi preso preventivamente por determinação do ministro Alexandre de Moraes, que apontou risco de fuga e descumprimento do uso de tornozeleira eletrônica. Na terça-feira, o magistrado ordenou o trânsito em julgado da ação penal relacionada à trama golpista e estabeleceu que a pena fosse cumprida na própria Superintendência da PF.

Posição da defesa

Os advogados do ex-presidente afirmam que analisam a possibilidade de solicitar medidas alternativas, com base em questões de saúde e na idade de Bolsonaro. O STF, no entanto, sustenta que há risco à ordem pública e possibilidade de mobilização de apoiadores, argumentos que, segundo a Corte, justificam a manutenção da prisão.

Fonte: Luiz Bacci

A transição energética não acabou — só ficou mais silenciosa

Jean Paul Prates continuará na presidência da Petrobras, diz agência |  Empresas | Valor Econômico

Por Jean Paul Prates

Nos últimos meses, manchetes têm sugerido que as grandes petrolíferas estariam “voltando aos combustíveis fósseis” e abandonando a transição energética. O argumento se apoia em movimentos como a compra, pela TotalEnergies, de usinas a gás natural na Europa, ou a retomada de projetos exploratórios da ExxonMobil, sempre bem alinhada aos interesses estratégicos dos Estados Unidos. Mas tomar esses casos como tendências universais não apenas simplifica demais um setor complexo como também distorce o que está realmente em curso: um ajuste pragmático, não um retrocesso.

Para entender o momento, é preciso distinguir comunicação de estratégia. Depois de anos de entusiasmo público com investimentos em eólica e solar, parte das empresas percebeu que a retórica climática estava produzindo expectativas irreais e, muitas vezes, hostilidade política. Falar menos passou a ser uma forma de proteção — não de desistência. Paradoxalmente, o silêncio atual coincide com uma fase em que vários projetos de baixo carbono avançam de modo mais técnico e menos publicitário.

Outro ponto ignorado por leituras apressadas é que a expansão de renováveis exige “energia firme”, capaz de compensar a intermitência de sol e vento. Na Europa, essa função recai principalmente sobre o gás natural. Ao reforçar ativos gás-elétricos, empresas como a Total não estão renunciando à transição, mas garantindo a estabilidade necessária para ampliá-la. Não por acaso, a companhia segue entre as maiores investidoras globais em solar, eólica offshore e hidrogênio, ao mesmo tempo em que fortalece seu portfólio de GNL. É um movimento de diversificação, não de retorno ao passado.

A narrativa do “abandono da transição” também ignora diferenças regulatórias. Exxon e Chevron, operando em um ambiente político menos amigável ao clima, nunca abraçaram a transição com o mesmo ímpeto das europeias. Já BP, Equinor, ENI, Repsol e Shell continuam investindo bilhões em tecnologias de baixo carbono — ainda que com mais seletividade após a queda das margens na eólica offshore e mudanças nas cadeias globais de suprimento.

Se há um consenso no setor, ele não é o de retroceder, e sim o de abandonar ilusões. A transição energética será mais lenta, mais cara e exigirá coexistência entre gás e fontes renováveis por décadas. Trocar esse equilíbrio por rupturas apressadas geraria instabilidade econômica, risco regulatório e, ironicamente, atraso climático.

O que está acontecendo não é uma guinada ao petróleo, mas uma transição menos ruidosa e mais industrial. Menos slogans; mais engenharia. Menos “marketing verde”; mais portfólios equilibrados. A mudança está longe de terminar — só ficou mais madura.

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Monocultura energética ou integração inteligente?

Por Jean Paul Prates

Os sinais emitidos pelo Brasil nas últimas semanas, tanto na COP quanto na condução de sua política energética interna, revelam uma encruzilhada estratégica. Ou seguimos insistindo em uma espécie de monocultura energética, guiada quase exclusivamente pelos interesses do agronegócio, ou finalmente abraçamos uma integração inteligente das nossas diversas e abundantes fontes, reconhecendo a vocação de cada território do país.

A ausência do Ministério de Minas e Energia nos debates mais relevantes da COP foi sintomática. A insistência em slogans como “matriz mais limpa”, “gigante pela própria natureza” ou “Arábia Saudita dos biocombustíveis” já não convence um mundo que enfrenta transformações profundas e acelera sua transição tecnológica com pragmatismo e método. São expressões de efeito interno, mas que não sustentam conversas maduras em fóruns internacionais.

Esse distanciamento se somou a um movimento abrupto e revelador: o recuo do Brasil, em menos de vinte e quatro horas, da proposta global para eliminação de motores a combustão em veículos pesados a partir de 2040. A pressão veio do lobby dos agrocombustíveis, que mostrou quem hoje dita o ritmo e o alcance da política energética nacional. Está claro agora que o setor de renováveis está bem afastado do centro das decisões estratégicas. Igualmente o “Big Oil”, utilitariamente demonizado por setores que ainda não compreenderam que a transição energética passa por envolver, e não excluir, os grandes operadores globais, que estão conduzindo sua metamorfose tecnológica com volumes de investimento inéditos.

A Petrobras, por sua vez, parece navegar em águas turvas. Parcerias promissoras com empresas líderes na transição energética, como Shell e Equinor, foram colocadas em suspenso. Enquanto isso, a aproximação com a Exxon na Foz do Amazonas não apresenta até o momento justificativas claras ou vantagens estratégicas para o país. Em que medida isso fortalece nosso posicionamento global? Onde está a coerência territorial e tecnológica que guiava a Margem Equatorial? São perguntas que permanecem sem resposta.

No entanto, o ponto crucial é regional. O Brasil tem tentado forçar um caminho único, como se o país inteiro fosse uma extensão produtiva do Centro Sul Sudeste, impondo soluções que atendem sobretudo às demandas do agronegócio. Essa visão ignora que existem regiões onde o agro não pode expandir, onde não faz sentido expandir e onde jamais será competitivo ou ambientalmente sustentável.

E justamente nessas regiões, no Norte e no Nordeste, estão nossos maiores trunfos para o futuro: energia eólica de classe mundial, solar abundante, hidráulica regional, ventos constantes, irradiação elevada e território vasto para abrigar data centers, eletrólisadores, indústrias intensivas em energia limpa e cadeias produtivas de hidrogênio e amônia verde. São regiões que poderiam liderar a eletrificação da economia brasileira, atrair investimentos globais e construir prosperidade duradoura.

Em vez disso, estão sendo relegadas a segundo plano, penalizadas e até mesmo sabotadas em sua capacidade de investir e gerar riqueza regional. É um desperdício estratégico que o Brasil não pode mais se permitir.

A verdadeira transição energética não é monolítica, nem concentrada em uma única rota tecnológica, nem capturada por um único setor econômico. Ela é plural, territorialmente justa e orientada por inteligência estratégica. Ninguém precisa perder para que o conjunto ganhe. Cada fonte, cada região e cada vocação tem seu espaço próprio, contribuindo para um mosaico energético forte, soberano e competitivo.

O Brasil só tem a ganhar com uma integração inteligente das suas fontes e territórios. A escolha está posta. E o momento de fazê la é logo.

Jean Paul Prates é Mestre em Política Energética e Gestão Ambiental pela Universidade da Pensilvânia e Mestre em Economia da Energia pela IFP School (Paris). Foi presidente da Petrobrás (2023–2024) e Senador da República (2019–2023).

www.medium.com/@jeanpaulprates

O vento que pode mover o Brasil

Por Jean Paul Prates

A COP30, em Belém, é uma oportunidade histórica para o Brasil reafirmar sua liderança em energia limpa. Mas o País ainda não aproveitou plenamente seu maior trunfo: o imenso potencial renovável da Margem Equatorial, que se estende do Rio Grande do Norte ao Amapá e reúne condições únicas de vento, mar e infraestrutura para gerar energia em larga escala e desenvolvimento sustentável.

Estudos técnicos a serem divulgados em breve confirmam que essa faixa litorânea pode gerar seis vezes toda a eletricidade consumida no País, a partir de uma capacidade instalada quatro vezes superior à infraestrutura elétrica atual. Trata-se de *uma das maiores fronteiras eólicas offshore do mundo*: energia limpa e estável para mover um novo ciclo de industrialização verde e digital no Norte e Nordeste, atraindo indústrias intensivas em eletricidade, hidrogênio verde e economia digital.

Mesmo assim, a narrativa oficial brasileira na COP30 ainda privilegia o gás natural, os biocombustíveis e um conceito impreciso de “hidrogênio de baixo carbono”. Essa expressão, que pode incluir rotas fósseis como o hidrogênio azul, dilui a credibilidade do discurso. O Brasil precisa afirmar com convicção sua aposta no *hidrogênio verdadeiramente verde*, produzido com energia eólica e solar, certificado e rastreável, para não dar margem a acusações de greenwashing.

O mesmo vale para os biocombustíveis. Embora representem uma conquista tecnológica brasileira, o setor não pode continuar blindado de contrapartidas ambientais e tributárias. A recente reforma manteve intactas as isenções do grande agronegócio — o setor mais privilegiado da economia e, paradoxalmente, um dos que menos contribui fiscalmente. Hoje temos no Brasil um *modelo regressivo que transfere a conta da transição energética para os demais setores produtivos*.

Outro ponto ausente da pauta brasileira é o *armazenamento de energia*. Sem uma política nacional para baterias, hidrogênio e redes inteligentes, o País desperdiça parte da eletricidade renovável que gera e limita a expansão de novas usinas. *Curtailment não é problema técnico: é falha de planejamento*.

Durante minha gestão à frente da *Petrobras*, reposicionamos a companhia como o maior desenvolvedor de projetos de energia offshore do Brasil, sozinha e em parceria com empresas como a Equinor. Essa estratégia integrava o legado da engenharia do petróleo à nova economia do mar. Infelizmente, o futuro desses projetos segue indefinido, em meio à falta de prioridade governamental para o tema.

O Brasil não precisa escolher entre petróleo e renováveis, mas *planejar uma evolução energética coerente*, que una tecnologia, sustentabilidade e justiça fiscal. Temos vento, sol, biomassa e competência industrial. Falta clareza de rumo na política energética para transformar potencial em aprimoramento da entrega.

O vento que sopra do Norte e Nordeste é mais do que um recurso natural. É a chave da reindustrialização limpa, digital e soberana que pode reposicionar o Brasil no mundo.

Governo Lula temia que traficantes ficassem com blindados no Rio

Foto: Reprodução

Um dos motivos para que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha negado o empréstimo de veículos blindados militares para o Rio de Janeiro foi o receio de que integrantes de facções criminosas pudessem se apossar do equipamento de guerra.

O governador Cláudio Castro (PL) pediu em janeiro o empréstimo de veículos blindados que haviam sido usados pela Marinha para patrulhar a região do Hospital Naval Marcílio Dias, na Zona Norte do Rio, onde uma médica capitã de Mar e Guerra foi atingida por uma bala perdida em dezembro.

O ministério da Defesa informou na 3ª feira (28.out.2025), que “naquele momento, a Marinha posicionou veículos blindados no perímetro do hospital, respeitando o limite legal de 1.400 metros em torno de instalações militares, medida voltada à segurança da área e dos militares”.

Na época, o pedido foi submetido à análise da AGU (Advocacia Geral da União). O órgão negou o empréstimo por entender que isso só poderia ser feito com uma GLO (Garantia da Leia e da Ordem), a partir de um decreto assinado por Lula.

Segundo o parecer, elaborado em fevereiro, a atuação das Forças Armadas em questões de segurança pública “não é trivial e apenas se legitima nos perímetros específicos de faixa de fronteira, no mar e nas águas interiores”, contra delitos transfronteiriços ou ambientais — “o que se deduz não ser o caso em tela”. Eis a íntegra (PDF – 256 kB).

Apesar da resposta formal da AGU, a questão foi discutida internamente no governo. Duas avaliações foram feitas. De que uma GLO teria um custo alto e necessitaria de rearranjo no Orçamento. E de que o Rio de Janeiro não tem condições de dar a devida segurança aos veículos militares. O receio passou a ser de que eles pudessem ser roubados por integrantes das facções criminosas que atuam no Estado e serem usados dentro das favelas.

Lula é contrário à decretação de GLO. O instrumento autoriza que as Forças Armadas sejam acionadas para atuar em intervenções de segurança pública. É prerrogativa do presidente decidir. O petista, porém, já autorizou esse tipo de operação duas vezes: nos portos do Rio e na cidade de Itaguaí e durante a Cúpula do G20 realizada também na capital fluminense em novembro de 2024.

Na tarde de 3ª feira, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, disse que a implementação de uma GLO “demanda uma série de condições e requisitos” e segue regras “bastante rígidas”.

“Uma das pré-condições é que os governadores reconheçam a falência dos órgãos de segurança e transfiram então as operações de segurança para o governo federal, mais especificamente as Forças Armadas”, disse o ministro.

Poder360

Operação policial deflagrada no Rio foi antecedida por investigação que durou mais de um ano

ONU se diz 'horrorizada' com operação no Rio e cobra investigação rápida
Megaoperação com cerca de 2.500 policiais civis e militares é deflagrada nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, nesta terça- feira, 28 de outubro de 2025. — Foto: Jose Lucena/TheNewsS2/Estadão Conteúdo

As investigações que levaram à operação desta terça-feira (28), identificaram 94 bandidos do Comando Vermelho que estariam escondidos nos complexos do Alemão e da Penha. Acusados de assassinatos, tráfico de drogas, roubos de carros, entre outros crimes, que, segundo a polícia, usam o local para se esconder.

As 27 favelas dos dois complexos, na Zona Norte do Rio, ficam próximas a duas importantes vias da cidade: a Linha Vermelha, que liga o Centro à Baixada Fluminense e dá acesso ao Aeroporto Internacional do Galeão, e a Linha Amarela, que liga a Barra da Tijuca à Ilha do Governador.

O Alemão e a Penha ficam localizados em áreas montanhosas da cidade, cercados por matas, o que facilita a fuga de bandidos. A polícia afirma que as ordens para a tomada de territórios no estado passam por dois chefes da facção: Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, que cumpre pena em um presídio federal; e Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso. Ele está solto e tem 269 anotações criminais e 26 mandados de prisão abertos.

Nesta terça-feira (28), o Disque-Denúncia aumentou de R$ 1 mil para R$ 100 mil a recompensa por informações que levem à prisão dele. Esse valor só tinha sido oferecido uma vez, por informações que levassem ao traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.

Nos últimos quatro anos, só o traficante Doca comandou a expansão do Comando Vermelho para quase 50 áreas entre bairros e favelas da capital e da Baixada Fluminense. Entre estes locais, a chamada Grande Jacarepaguá – 16 bairros na Zona Sudoeste que, em três anos, foram dominados pela quadrilha. São localidades que ficam entre duas grandes florestas: da Tijuca e do Parque da Pedra Branca – próximo às orlas da Barra da Tijuca e do Recreio dos Bandeirantes.

Operação policial deflagrada no Rio foi antecedida por investigação que durou mais de um ano — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Operação policial deflagrada no Rio foi antecedida por investigação que durou mais de um ano — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Uma guerra que deixou muitas mortes. Dados do Instituto de Segurança Pública do Rio mostram que, nos três primeiros anos da expansão nesses 16 bairros, foram registrados 833 assassinatos. Segundo a polícia, a maior parte deles decorrente da disputa entre o Comando Vermelho e grupos rivais.

Os investigadores também mostraram como a quadrilha impõe castigo a moradores, como uma mulher, que teria brigado em um baile funk e foi colocada em uma banheira de gelo, por horas, como castigo.

Essa expansão do Comando Vermelho vai muito além do Rio. O último levantamento da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senapen) mostra que a quadrilha já está em 24 estados do Brasil e no Distrito Federal. É uma espécie de intercâmbio do crime. Na operação desta terça-feira (28), 30 alvos eram bandidos de outros estados, entre eles, chefes do Comando Vermelho da Bahia, Ceará, Pernambuco, Espírito Santo, Rondônia, Amazonas e Pará.

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, atribuiu o crescimento do Comando Vermelho à ADPF 635, que restringia operações policiais em comunidades do Rio:

“Depois de cinco anos de ADPF, muitas barricadas, muita dificuldade para polícia entrar. Ainda assim, é o que nós chamamos de filhotes dessa DPF maldita”.

Em junho de 2020, por causa do aumento da letalidade policial, o STF – Supremo Tribunal Federal determinou que só fossem feitas operações em comunidades do Rio em casos excepcionais e estipulou regras, como proibição do uso de escolas e unidades de saúde como base policiais durante as ações. E propôs um plano, se comprometendo a rever as práticas em operações.

O STF aceitou o plano, mas impôs condições. Entre elas, que o governo do Rio apresentasse uma proposta de reocupação dos territórios dominados pelo crime organizado. O governo cumpriu parte dessas determinações e, no último dia 15, sinalizou ao STF que pretende retomar o controle da Grande Jacarepaguá, na Zona Sudoeste da cidade.

Durante a operação desta terça-feira (28), Cláudio Castro disse que é preciso integração com o governo federal:

“O Supremo Tribunal Federal falou, em uma decisão – a primeira da história conjunta dos 11 ministros – que esse financiamento e essa integração têm que acontecer. Eu prefiro ser otimista e acreditar que, já que não por vontade própria, por imposição do Supremo Tribunal Federal, essa integração acontecerá por livre e espontânea pressão”.

Cláudio Castro, governador do Rio de Janeiro — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Cláudio Castro, governador do Rio de Janeiro — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

O governador também reclamou que não foi atendido em um pedido feito às Forças Armadas para usar os blindados em outras ações no Rio de Janeiro:

“Infelizmente, dessa vez, como ao longo desse mandato inteiro, não temos o auxílio nem de blindados, nem de nenhum agente das forças federais, nem de segurança, nem de defesa. Para uma guerra dessa, que nada tem a ver com a segurança urbana, realmente nós deveríamos ter um apoio muito maior. Talvez, até mesmo, nesse momento, até de Forças Armadas porque essa é uma luta que já extrapolou toda ideia de segurança pública. Por isso, essa integração é tão importante. Isso aqui não é uma briga política. Na verdade, é um clamor por ajuda. As forças de segurança do Rio de Janeiro estão sozinhas”.

www.g1.globo.com

Lula e Trump têm conversa tensa por videochamada em meio a disputa comercial entre Brasil e EUA

Foto: Ricardo Stuckert
O presidente Lula (PT) conversou, por videochamada, na manhã desta segunda-feira (6), com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O diálogo acontece em meio à crescente tensão diplomática entre os dois países após a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros pelo governo norte-americano, conforme informações da BandNews.

Segundo fontes do Itamaraty, o contato foi costurado no fim de semana com a Casa Branca e teve como foco tentar evitar uma escalada na guerra comercial que se desenha entre as duas maiores economias do continente.

Durante a conversa, Lula deve reforçar a posição brasileira de buscar uma solução negociada, defendendo que o comércio bilateral continue aberto e equilibrado. As tarifas atingem principalmente aço, alumínio e etanol, três produtos de peso nas exportações nacionais para os EUA.

O governo brasileiro quer evitar medidas de retaliação que possam prejudicar ainda mais o setor industrial e o agronegócio. De acordo com auxiliares presidenciais, a ligação também servirá para abrir caminho para um encontro presencial entre os dois líderes, previsto para acontecer ainda neste mês, durante uma reunião internacional na Malásia.

A expectativa é que o Palácio do Planalto divulgue uma nota oficial nas próximas horas, com o resumo dos principais temas discutidos e o tom da conversa entre Lula e Trump.

Com a relação bilateral em jogo, o resultado desse diálogo pode definir os próximos passos da política comercial brasileira no cenário global.