Por que a Tragédia do Baldo não prescreveu após 42 anos do crime? Entenda os prazos do processo

Caso voltou ao debate após a prisão do motorista condenado 42 anos depois da tragédia; TJRN e advogado explicam como funcionam os prazos de prescrição.Capa da Tribuna do Norte da edição de 26 de fevereiro de 1984 | Foto: Arquivo TN .

A prisão de Aluísio Farias Batista, motorista condenado pela Tragédia do Baldo, trouxe uma dúvida que vem sendo amplamente debatida nas redes sociais: por que, mesmo 42 anos depois do acidente, a pena ainda pode ser cumprida? A resposta envolve os marcos de interrupção, mudança em lei e prazos dentro do processo penal. 

Aluísio foi preso na última sexta-feira (26), em Mato Grosso, em uma ação conjunta das Polícias Civis do Rio Grande do Norte e de Mato Grosso. Ele foi condenado a 21 anos de reclusão pelo acidente ocorrido em 25 de fevereiro de 1984, quando um ônibus atingiu integrantes de uma banda e foliões do bloco carnavalesco Puxa-Saco, na região do Baldo, em Natal. Ao todo, 19 pessoas morreram.

Segundo informações repassadas pelo TJRN, a denúncia contra Aluísio foi oferecida em 30 de julho de 1984. Como ele estava foragido, o processo ficou suspenso aguardando a captura. Ainda de acordo com o TJRN, em 2008 entrou em vigor a Lei nº 11.689, que alterou regras do Código de Processo Penal e possibilitou a realização do júri popular. Com isso, o processo foi reativado, e o julgamento ocorreu no ano seguinte.

A sentença foi proferida em 15 de maio de 2009, passados mais de 25 anos da data do crime. Após o trânsito em julgado, quando não havia mais possibilidade de recurso, o mandado de prisão foi expedido em 3 de abril de 2018. O mandado, segundo o TJRN, é válido até 19 de outubro de 2029.

Como funcionam os prazos do processo?

Para o advogado criminalista Vinícius Cipriano, conselheiro estadual da OAB e professor universitário, é importante diferenciar a validade do mandado de prisão da prescrição da pena. A prescrição, explica ele, é o prazo previsto em lei para que o Estado possa punir alguém ou executar uma condenação. Já o mandado é o instrumento judicial que determina o recolhimento do condenado ao sistema prisional.

“A validade do mandado de prisão definitiva não necessariamente terá relação direta com o prazo prescricional, pois esse prazo de vencimento do mandado se encontra relacionado com o status ativo ou inativo no sistema do Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP)”, afirma.

Vinicius Cipriano, advogado criminalista, conselheiro estadual da OAB-RN e professor universitário | Foto: Cedida.

Segundo Cipriano, a data de validade do mandado não significa, automaticamente, que o condenado ficaria livre em 2029 caso não tivesse sido preso agora, mas sim que o sistema judicial faria uma reavaliação do caso.

O advogado também esclarece que, no processo penal, existem situações que interrompem ou suspendem a contagem da prescrição. Entre os marcos que podem interromper a prescrição estão o recebimento da denúncia, a decisão de pronúncia, eventual decisão que confirma a pronúncia, a publicação da sentença ou do acórdão condenatório, o início ou a continuação do cumprimento da pena em caso de fuga, além de reincidência por nova condenação em outro processo.

Já as hipóteses de suspensão incluem situações como cumprimento de pena no exterior, existência de questão pendente para confirmar indícios de materialidade de crime, prisão por outro motivo e casos em que o réu não é encontrado para responder à acusação.

Prescrição muda após condenação definitiva

No prazo, ainda há uma diferenciação antes e depois da condenação definitiva. Segundo, Cipriano, antes do trânsito em julgado, é uma prescrição da pretensão punitiva. Depois do trânsito em julgado, o que se analisa é a prescrição da pretensão executória, ou seja, o prazo para o Estado executar a pena já imposta. “A prescrição da pretensão executória será a verificada entre a data do trânsito em julgado da sentença e o início do cumprimento da pena”, afirma.

Segundo ele, para uma pena como a aplicada no caso da Tragédia do Baldo, o prazo de prescrição seria de 20 anos entre os marcos interruptivos ou suspensivos, caso o condenado seja réu primário. Cipriano ressalta, porém, que a expedição do mandado de prisão não é a data de referência para essa contagem.

Matéria da edição de 26 de fevereiro de 1984, sobre a Tragédia do Baldo | Foto: Arquivo TN.

“A expedição de mandado de prisão para cumprimento da condenação não é a data de referência para contagem, pois os marcos neste momento são a publicação da sentença ou o acórdão que confirmar a condenação e o início do cumprimento da pena ou reinício, em caso de fuga”, explica.

Fuga e uso de documentos falsos

Outro ponto que pode ter influência no caso é o fato de o condenado ter permanecido foragido. Segundo a Polícia Civil, Aluísio teria usado documentos de terceiros ao longo dos anos, o que dificultou a localização dele. Para o advogado, esse tipo de situação pode produzir efeitos jurídicos diferentes.

“O primeiro, já explicado, é a incidência na contagem da prescrição: enquanto o condenado se encontra foragido, o prazo prescricional não transcorre. E se for comprovado o uso de identidade falsa, a situação se enquadra como mecanismo pelo qual supostamente se manteve o estado de ocultação por décadas, impedindo o Estado de localizá-lo”, afirma.

O segundo efeito, segundo Cipriano, é a possibilidade de apuração de novos crimes relacionados ao uso de documentação falsa. Ele cita os crimes de falsidade ideológica e uso de documento falso, previstos no Código Penal.

“A falsidade ideológica e o uso de documento falso são crimes independentes do crime original. Esses fatos podem ser apurados em separado e podem gerar nova persecução penal, ainda que a análise de eventual prescrição desses crimes dependa das datas específicas de cada conduta”, explica.

Em resumo, segundo o advogado, o fato de o condenado ter ficado foragido por décadas não elimina a condenação. “Fugir usando nome falso não apaga a condenação — suspende o relógio da prescrição enquanto dura a fuga, e ainda pode gerar responsabilidade por novos crimes no caminho”, finaliza.

Fonte: Tribuna do Norte
Repórter: Larissa Duarte

 

AtlasIntel traz Lula vencendo em todos os cenários de 2º turno

AtlasIntel traz Lula vencendo em todos os cenários de 2º turno

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira (1°/7) indica o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vencendo todos os cenários projetados de segundo turno das eleições presidenciais deste ano.

Foram testados os pré-candidatos Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão), além de Michelle Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está inelegível. 

O levantamento foi realizado entre 26 e 30 de junho, com 4.999 entrevistados, tem margem de erro de um ponto percentual, 95% de nível de confiança e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04582/2026.

Lula x Flávio Bolsonaro

Em possível disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Lula tem 48,8% das intenções de voto, contra 42,3% dele. Em abril, os dois pré-candidatos tinham 48% das intenções de voto cada, o que indica que Flávio perdeu 5,7 pontos percentuais. A pesquisa de maio permanece suspensa por determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Também aumentou o número de quem pretende votar em branco ou ainda não sabe em quem votar, passou de 5% em abril para 8,9% em junho.

Michelle e Jair Bolsonaro também foram testados

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que não é pré-candidata, perderia para Lula, segundo a pesquisa, com 38,9% dos votos, enquanto o petista ganharia com 48,7%. Lula também venceria o ex-presidente Jair Bolsonaro, com 48,6% das intenções de voto. Bolsonaro teria 43,1%, o melhor resultado entre os testados. O ex-presidente, no entanto, está inelegível e não pode ser candidato.

Lula x Caiado, Zema e Renan

Lula tem 48% das intenções de voto em eventual disputa com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), em segundo turno. O goiano, por sua vez, soma 39%.

Contra o ex-governador de Minas Gerais, Lula tem 48,2%, enquanto Romeu Zema soma 38,5%. Já no teste com Renan Santos, o petista conseguiu a maior vantagem, de 20,3 pontos percentuais, com 49,2%, e o oponente registrando 28,9%.

AtlasIntel traz Lula vencendo em todos os cenários de 2º turno

Primeiro turno

Lula aparece na liderança da disputa pelo Palácio do Planalto em cenário de primeiro turno da pesquisa. O petista registra 46,3% das intenções de voto, enquanto o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) soma 36,6%.

Na sequência, aparecem Renan Santos (Missão), com 7,8% das intenções de voto, Ronaldo Caiado (PSD), com 2,9%, e Romeu Zema (Novo), com 2%.

Completam o cenário Joaquim Barbosa (DC), com 1%; Aécio Neves (PSDB), com 0,7%; Samara Martins (UP), com 0,6%; Augusto Cury (Avante), com 0,5%; Cabo Daciolo (Mobiliza), com 0,2%; Rui Costa Pimenta (PCO) e Edmilson Costa (PCB), ambos com 0,1%; e Hertz Dias (PSTU), que não pontuou.

Michelle Bolsonaro avisa que desistiu de concorrer ao Senado

Após episódio com venezuelanas, Michelle começa caravana pelo Sudeste por  SP | CNN Brasil

A crise entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro provocou um novo abalo nos planos eleitorais do PL para 2026. Segundo parlamentares e integrantes da legenda, Michelle decidiu desistir da candidatura ao Senado pelo Distrito Federal após o desgaste causado pelo embate público com o pré-candidato do partido à Presidência da República.

De acordo com aliados, Michelle afirmou estar “esgotada” com a repercussão da disputa e preocupada com a exposição da família nas redes sociais. Ela também demonstrou receio em relação aos ataques direcionados às filhas e disse que, neste momento, prefere se afastar da disputa eleitoral. Apesar da decisão, dirigentes do PL ainda tentam convencê-la a rever a posição.

O conflito ganhou força na última semana, quando Michelle publicou vídeos afirmando que foi “maltratada”, “desrespeitada” e tratada de forma ríspida por Flávio Bolsonaro durante uma conversa sobre a estratégia eleitoral do partido no Ceará. Segundo a ex-primeira-dama, o senador afirmou que ela deveria ficar fora das decisões partidárias e que não entendia de política, declarações que ela classificou como uma humilhação.

A divergência teve origem nas articulações do PL no Ceará. Flávio Bolsonaro e a maior parte da direção nacional da legenda defendem uma aliança com Ciro Gomes (PSDB) para a disputa pelo governo estadual. Michelle, por outro lado, é contrária ao acordo e defende outro caminho para o partido.

Após a divulgação dos vídeos, aliados de Flávio, como Eduardo Bolsonaro, Alexandre Ramagem e o influenciador Paulo Figueiredo, passaram a criticar publicamente a ex-primeira-dama, aprofundando a divisão no grupo bolsonarista.

Nos bastidores, Michelle também afirmou que pretende dedicar mais tempo aos cuidados com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após condenação no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.

Enquanto isso, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tenta intermediar uma reconciliação entre Michelle e Flávio para evitar que a crise continue afetando os planos eleitorais do partido.

Ufersa prepara maior concurso público da história

 

A Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) foi contemplada pelo Governo Federal com mais 90 novos códigos de vagas para os cargos de Técnicos-Administrativos em Educação (TAE) e 15 novos códigos de vagas para Professor do Magistério Superior. A ampliação está prevista na Portaria Conjunta MGI/MEC nº 38, publicada na segunda-feira, 29 de junho, no Diário Oficial da União (DOU).

No ano passado, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos já havia destinado à Universidade 46 novas vagas para TAEs e 16 vagas para docentes. Com os dois atos, a UFERSA passa a acumular, em menos de um ano, 136 novas vagas para técnicos-administrativos e 31 novas vagas para professores.

O quantitativo de vagas para técnicos-administrativos representa um crescimento expressivo no quadro efetivo, correspondendo a cerca de um quarto do atual corpo de servidores técnicos. “A ampliação permitirá fortalecer setores estratégicos, melhorar a prestação dos serviços à comunidade acadêmica, acompanhar o processo de expansão e consolidação da universidade e reduzir a sobrecarga de trabalho da categoria”, avalia a pró-reitora de Gestão de Pessoas, Rannah Munay.

O reitor da UFERSA, professor Rodrigo Codes, reforça que os novos códigos de vagas visam fortalecer os serviços prestados à comunidade acadêmica. “Estamos caminhando para realizar o maior concurso da história da nossa universidade. Essa conquista é resultado de uma articulação assertiva que estamos mantendo com o MGI e o MEC a partir de dados técnicos levantados pela nossa equipe”, detalha o reitor.

Com as novas autorizações, a UFERSA figura entre as 15 universidades federais brasileiras mais contempladas com novos códigos de vagas para servidores. “Esse é um indicador que evidencia o reconhecimento das necessidades institucionais e o fortalecimento da educação superior pública federal”, avalia Codes.

Michelle Bolsonaro deixa presidência do PL Mulher

Ex-primeira-dama diz que vai se dedicar à família – (Foto: PL Mulher/Reprodução).

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou nesta terça-feira que deixará a presidência do PL Mulher. Em nota, ela afirmou que a decisão foi tomada após refletir com o ex-presidente Jair Bolsonaro sobre o momento vivido pela família e comunicada ao presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto. Segundo Michelle, o afastamento tem como objetivo permitir que ela se dedique integralmente aos cuidados com o marido e a filha.

No comunicado, Michelle fez um balanço de sua passagem pelo comando do segmento feminino do Partido Liberal e afirmou que, ao lado das presidentes estaduais e municipais, ajudou a formar um “grande exército de mulheres de bem” comprometido com o fortalecimento da participação feminina na política. Ela também agradeceu à vice-presidente do PL Mulher, Priscila Costa, às lideranças do movimento e à equipe da direção nacional do partido, além de reconhecer a confiança de Valdemar Costa Neto pela autonomia concedida durante sua gestão. A ex-primeira-dama encerrou a mensagem desejando que o trabalho desenvolvido pelo grupo continue crescendo e pedindo bênçãos para as famílias brasileiras e para o país.

Veja a nota na íntegra:

“Na condição de Presidente do Partido Liberal Mulher, venho por meio desta informar que, após muito refletir com o meu marido sobre o momento em que estamos vivendo em nossa família, reuni-me com o Presidente do Partido Liberal na tarde de hoje e lhe comuniquei a minha decisão de deixar a Presidência do PL Mulher para me dedicar – integralmente – aos cuidados para com o meu marido e minha filha. Durante o período em que estive à frente do PL Mulher, construímos – juntamente com as nossas presidentes – um grande exército de mulheres de bem que já começaram a transformar o Brasil e a corrigir os rumos da nossa Nação.

Conhecendo a força e a capacidade das mulheres brasileiras, tenho certeza de que o nosso movimento crescerá ainda mais e teremos um futuro próspero para os nossos filhos e netos. Quero agradecer, na pessoa da minha vice-presidente, Priscila Costa – a todas as minhas presidentes estaduais e municipais que, com tanto carinho, empenho e dedicação tornaram possível a expansão de nosso movimento que está edificando o nosso país. Sem vocês, nada disso seria possível. As sementes foram lançadas e, em breve, vocês colherão os frutos desse trabalho tão lindo que vocês realizaram em favor das famílias de nossa grande Nação. Peço a Deus que esteja sempre com vocês, inspirando e conduzindo esse trabalho e que as mulheres ocupem, cada vez mais, os lugares que lhes pertencem nas esferas de decisão e de poder. Vocês estarão sempre nas minhas orações como forma de gratidão e de amor por cada uma de vocês.

Agradeço também o Presidente Valdemar pela autonomia que me concedeu e por ter confiado a mim tão nobre desafio. À minha amada equipe da Nacional, mulheres e homens gigantes que comigo enfrentaram todos os desafios que surgiram à nossa frente, agradeço do fundo do meu coração. Somente Deus pode recompensá-los por todo bem que fizeram a mim e ao nosso Brasil. Eu amo a vida de cada um de vocês. Que Deus os abençoe. Que Ele abençoe as nossas famílias. Que Deus abençoe o nosso amado Brasil.

MICHELLE BOLSONARO”

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