A correlação de forças nos impõe aliança com o centro

Estamos vivendo um momento histórico que exige das esquerdas e dos que entendem que a democracia e os destinos do Brasil estão em risco –e comungam do mesmo projeto político e de desenvolvimento nacional que nos levou a governar o país– lutar para garantir nossa unidade política em torno da candidatura de Lula.

Não é pouco recordar que fomos retirados do governo por um golpe parlamentar-judicial-midiático e por uma guerra jurídica que nos conduziu ao governo Bolsonaro de extrema-direita, negacionista, obscurantista, fundamentalista, de desconstrução nacional. Um governo não apenas com vocação autoritária, mas com determinação de sabotar o calendário eleitoral, colocando em dúvida as urnas eletrônicas e que, com certeza, não reconhecerá, se derrotado, o resultado e fará tudo para impedir nossa vitória e nossa posse.

Há consenso no país sobre a gravidade da situação social da maioria de nosso povo trabalhador, dos riscos que nossa nação corre em um mundo em transformação geopolítica e científica, dos impasses de nossa economia e dos desafios de nossa indústria, da necessidade urgente de financiar uma revolução educacional, científica e tecnológica, de uma redistribuição da renda e riqueza.

As esquerdas, apesar da ampla base eleitoral de Lula e mesmo do PT, não são maioria no país e não têm a hegemonia. Só podem contar com o voto e com o nível de organização, consciência política e capacidade de luta dos trabalhadores e dos que as apoiam. Nos últimos anos, sofremos derrotas políticas, eleitorais e sociais sucessivas e mudanças no mundo do trabalho que enfraqueceram nossa capacidade de resistência e luta.

Historicamente, somos alternativa de governo. Temos um legado e a força e liderança de Lula, mas o momento político e histórico exige enfrentar um adversário que recorre à violência e ao ódio, que renega a democracia e que arma seus seguidores, usa e abusa das fake news e busca apoio para impor no país uma ditadura mesmo com ares democráticos como foi a de 1964 que conviveu com eleições e Judiciário e Congresso sem poderes. É bom lembrar que lutamos unidos contra a ditadura militar em frentes amplas e terminamos por derrotá-la não sem antes percorrer caminhos errados e acumular derrotas.

Quem impõe a nós alianças com o centro é a correlação de forças e o adversário. Não depende de nós. O que nos resta é fazer todos os esforços e não desistir de, em 1º lugar, unir as esquerdas numa federação e em torno da candidatura de Lula e de um programa de centro-esquerda; e, a partir dela, construir alianças com as demais forças políticas, econômicas e sociais, porque sem organização, mobilização e formação de uma consciência política popular não venceremos e, se vencermos, não governaremos.

Não se trata apenas de vencer, o que não será fácil. Mas de governar e superar os desafios que, sabemos, começarão com a desfavorável correlação de forças no Congresso, na mídia, no Judiciário, no conflito de interesses sobre como retomar o crescimento e distribuir renda, combater a pobreza e a fome, criar empregos, como superar o neoliberalismo e colocar o Brasil em seu lugar no mundo.

Basta olhar para nosso entorno geopolítico, a América do Sul, e para a Europa para vermos como as forças politicas conservadoras e de direita manietam, desestabilizam e inviabilizam governos progressistas ou de esquerda.

FEDERAÇÃO, UMA NECESSIDADE

No nosso campo, nas esquerdas, há forças que se opõem à federação, porque não querem Lula e um programa anti-neoliberal. Precisamos separar o joio do trigo e nos concentrar em viabilizar a federação. Queiramos ou não, esta é hoje a forma de construir nossa unidade, a partir de avaliações políticas concretas, de como manter a autonomia dos partidos, com que quórum para a tomada de decisões, como enfrentar o desafio da escolha de candidatos e políticas, programas, ou mesmo porque correm o risco de perder congressistas.

Da mesma forma, há divergências sobre a aliança (necessária) com outras forças políticas –algumas das quais se opuseram a nossos governos e mesmo apoiaram o impeachment da presidenta Dilma– e sobre a escolha e indicação de Geraldo Alckmin como vice na chapa com Lula.

O governo Bolsonaro iniciou uma ampla operação de disputa do eleitorado, seja com uma guerra suja ilegal, inclusive com financiamento nas redes e subliminar nas mídias, esta paga com dinheiro público. Um de seus focos, no momento, é no eleitorado descrente com a chamada 3ª via. Usa e abusa da máquina administrativa e do Orçamento público para disputar bases eleitorais no Nordeste e em todo país. Não vacilará em usar da violência e tumultuar o processo e a campanha eleitoral.

O que está em risco, insisto, não é apenas a democracia, mas o próprio processo eleitoral. O que exige de nós todo o esforço possível para alcançar a unidade de todas as forças políticas e sociais dispostas a apoiar Lula e retomar o fio da história interrompido como tantas vezes em nosso Brasil, a última pelo golpe de 2016. Não podemos perder esta oportunidade histórica. Nossa palavra de ordem tem que ser a unidade das esquerdas como base e núcleo político de uma Frente Democrática para derrotar Bolsonaro.

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Fonte: poder 360.

Ucrânia acusa Rússia de atacar civis “sem distinção”

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que o exército da Rússia está atacando áreas civis sem fazer “distinção” e comparou a ofensiva russa com a nazista.

Eles [os russos] dizem que os civis não são um alvo, mas esta é outra mentira deles. Na realidade, eles não fazem distinção entre as áreas em que operam. Esta noite, começaram a bombardear bairros civis. Isto nos recorda [o ataque nazista de] 1941”, falou Zelensky em pronunciamento na manhã desta 6ª feira (25.fev.2022).

O presidente ucraniano se referiu ao Massacre de Babi Yar, quando os nazistas assassinaram ao menos 34.000 ucranianos civis judeus em apenas 36 horas, em Babi Yar, uma ravina em Kiev, em 29 e 30 de setembro de 1941.

Logo depois do discurso de Zelensky, o Ministério do Interior da Ucrânia afirmou que os russos atingiram 33 alvos civis nas últimas 24 horas. Pelo menos duas crianças morreram.

Também nesta 6ª, o presidente da Ucrânia falou com o presidente da Polônia, Andrzej Duda. Ele pediu ajuda na defesa do seu país, sanções e pressão sobre os russos. “Juntos temos que colocar a Rússia na mesa de negociações. Precisamos de uma coalizão anti-guerra”, escreveu no Twitter.

Zelensky está buscando apoio dos seus vizinhos do leste europeu que são membros da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). O intuito da Ucrânia de aderir à aliança militar intergovernamental foi a principal motivação do conflito com a Rússia.

OTAN

Os chefes de Estado e de Governo da Otan se reunirão por videoconferência nesta 6ª feira (25.fev). Segundo o porta-voz da organização, Oana Lungescu, eles vão “discutir as consequências” do ataque da Rússia à Ucrânia.

Na 5ª feira (24.fev), o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, disse que a organização não tem tropas na Ucrânia e que não planeja enviar forças militares. No entanto, afirmou que o grupo deve aumentar a sua presença no leste de seu território.

Fonte: poder 360.