Metade dos moradores do vilarejo de Vbruvika, cidade localizada a 15 km de Luhansk, já estão deixando suas casas. O medo de um confronto armado na região motivou famílias inteiras a deixar a região.
Recentemente, a cidade foi alvo de um ataque com bomba em uma escola. Na situação, ninguém ficou ferido, porém, fez com que a população local temesse a reincidência desses ataques.
Combates entre forças do governo ucraniano e separatistas se intensificaram no leste do país, após o reconhecimento da Rússia das regiões separatistas como estados independentes.
“Ficamos acordados a noite inteira. Algumas pessoas ainda estão no porão, com muito medo de sair. As crianças passam o dia todo lá embaixo, subimos apenas de noite. É frio demais ali. Um porão é um porão”, disse Olena Makarenko, moradora da região, em entrevista à agência de notícias Deutsch Welle.
“Não sei o que pensar agora. Ainda não consigo entender. Não sei o que fazer daqui pra frente”, completou Olena.
O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou, no início da madrugada desta quinta-feira (24/2), horário de Brasília, o início das operações militares no leste da Ucrânia, alegando necessidade de proteger os civis.
“Simplesmente não nos deram outra opção para defender a Rússia e o nosso povo além daquela que usaremos hoje”, disse.
Em discurso televisionado, Putin disse que a ação é resposta a ameaças vindas da Ucrânia, o que seria “intolerável”. Ele acrescentou que a Rússia não tem o objetivo de ocupar a Ucrânia, mas responsabilizou o país vizinho por qualquer possível “derramamento de sangue”.
No comunicado, feito enquanto o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) estava reunido, o presidente russo também alertou outros países que qualquer tentativa de interferir na ação russa levaria a “consequências que nunca viram”.
Putin também pediu aos soldados ucranianos que deponham as armas. “A verdade está do nosso lado. Os objetivos serão atingidos”, discursou.
Os Estados Unidos reagiram imediatamente e afirmaram, em nota, que o ataque da Rússia é injustificável e que o país pagará pelo que está causando ao mundo.
“Putin escolheu uma guerra premeditada que trará uma catastrófica perda de vidas e sofrimento humano. Apenas a Rússia é responsável pelas mortes e destruição que esse ataque trará, e os Estados Unidos e seus aliados irão responder de maneira unida e decisiva”, disse Biden.
Nesta quarta-feira (23), o risco de um conflito armado também dominou os discursos da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
Representantes da Rússia, Ucrânia, dos Estados Unidos, além do secretário-geral da entidade, António Guterres, falaram sobre o tema. Isso em meio a várias sanções econômicas contra os russos.
O Parlamento ucraniano atendeu ao apelo do presidente Volodymyr Zelensky e aprovou nesta quarta-feira um decreto de estado de emergência válido para todo o país pelo prazo de 30 dias.