Mourão diz ter se surpreendido com fim da produção da Ford no Brasil

O vice-presidente, general Hamilton Mourão, disse nesta 2ª feira (11.jan.2021) que o encerramento da fabricação de veículos da Ford no Brasil “não é uma notícia boa”. O político disse, ao sair do Palácio do Planalto, que foi surpreendido com a decisão.

Eu acho que a Ford ganhou bastante dinheiro aqui no Brasil e me surpreende essa decisão que foi tomada aí pela empresa”, declarou.

Mourão lembrou que a empresa está no Brasil há quase 100 anos e afirmou que a fabricante poderia ter postergado a decisão. “Eu acho que ela poderia ter retardado isso daí mais e aguardado. Até porque o nosso mercado consumidor é muito maior do que outros aí”, disse.

Ford anunciou nesta 2ª feira o encerramento da fabricação de veículos no Brasil por “perdas significativas” nos últimos anos. A medida fechará as fábricas de Camaçari (BA), Taubaté (SP) e da Troller (Horizonte, CE) ao longo de 2021. Aproximadamente 5.000 empregos podem ser comprometidos. Eis a íntegra do anúncio (88 KB).

 

O texto afirma que a pandemia de covid-19 amplia e persiste capacidade ociosa da indústria e a redução das vendas, “resultando em anos de perdas significativas”. A companhia manterá no Brasil a sede administrativa da América do Sul, o Centro de Desenvolvimento de Produto e o Campo de Provas.

De acordo com a fabricante de veículos, a empresa continua comprometida com os consumidores no Brasil com a nova picape Ranger, a Transit e outros modelos. Há planos também de lançar automóveis elétricos.

A Ford afirmou que vai manter as vendas, a assistência total ao consumido, os serviços, a comercialização de peças de reposição e a garantia para seus clientes no Brasil e na América do Sul. A empresa também manterá o Centro de Desenvolvimento de Produto, na Bahia, o Campo de Provas, em Tatuí (SP), e sua sede regional em São Paulo.

A companhia foi uma das pioneiras na produção de automóveis do país. Em 1919, fabricou o Modelo T.

Poder 360.

Mundo supera marca de 90 milhões de infectados pelo coronavírus

Coronavirus-Covid-19 

Já são mais de 90 milhões de casos de contaminação pelo novo coronavírus em todo o mundo. A marca foi atingida nesse domingo (10.jan.2021). Foram registrados 90.708.118 caso até as 5h30 desta 2ª feira (11.jan), segundo o medidor Worldometer. O número de mortes por covid-19 se aproxima dos 2 milhões: 1.943.544.

Os Estados Unidos são o 1º do ranking tanto em número de casos quanto em mortes. O Brasil está em 3º no número de casos, atrás da Índia, e em 2º no número absoluto de vítimas fatais.

País mais afetado pela pandemia, os EUA são responsáveis por quase 25% de todos os casos de covid-19 no mundo. Mais de 22 milhões de pessoas foram diagnosticadas com a doença. O país tem mais de 383 mil mortes.

O número de novos casos disparou a partir de novembro, quando muitos norte-americanos viajaram para celebrar o feriado de Ação de Graças. Novos recordes foram atingidos depois das festas de fim de ano.

Os EUA registraram, em 8 de janeiro, o número mais alto desde o começo da pandemia: 307.911 novos casos em 24 horas.

Fonte: Worldometers

O Brasil ultrapassou, nesse domingo (10.jan), a média de 1.000 mortes por covid pela 1ª vez desde agosto: foram 1.012.

O país registrava 203.100 mortes por covid-19 até as 18h deste domingo (10.jan), de acordo com o Ministério da Saúde. São 469 vítimas a mais que o registrado no dia anterior. Também foram contabilizados mais de 29.792 casos em 24 horas, totalizando 8.105.790 infectados.

O número de mortos no Brasil também é elevado na comparação proporcional. São 959 mortes por milhão de habitantes segundo cruzamento de dados do Ministério da Saúde com a última estimativa populacional divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A taxa coloca o Brasil na 21ª posição do ranking mundial. Em 31 de outubro, ocupava o 4º lugar. A Bélgica é o país em que a covid-19 mais mata em relação ao tamanho da população. São 1.725 mortes por milhão de habitantes.

Países europeus enfrentam uma nova onda de contágios. Reino Unido, Alemanha e Portugal registraram recordes de novos casos e mortes causadas pela covid-19 na 6ª feira (8.jan). Os países estão endurecendo as medidas de restrições e impondo novos confinamentos para tentar diminuir o número de casos enquanto avançam com as campanhas de vacinação.

Poder 360.

Indonésia anuncia 65,3% de eficácia e aprova uso emergencial da CoronaVac

A autoridade sanitária da Indonésia anunciou, nesta 2ª feira (11.jan.2021), que a CoronaVac, vacina contra a covid-19 produzida pela farmacêutica chinesa Sinovac, apresentou 65,3% de eficácia nos testes clínicos realizados no país.

Os resultados preliminares foram divulgados pela BPOM (Agência de Alimentos e Medicamentos da Indonésia), que também aprovou o uso emergencial do imunizante. A permissão autoriza o início da vacinação de grupos prioritários.

“Esses resultados atendem aos requisitos da Organização Mundial de Saúde de um mínimo de eficácia de 50%”, afirmou Penny Lukito, diretor da BPOM, em entrevista a jornalistas transmitida no canal da agência no YouTube.

A Indonésia já teve 24.129 mortes e 828.026 casos de covid-19. O país, que tem 268 milhões de habitantes, é um dos mais afetados pela pandemia na Ásia. O governo local comprou 125 milhões de doses da vacina e já recebeu 3 milhões. São necessárias duas doses por pessoa para imunização.

A CoronaVac é a principal aposta do governo do Estado de São Paulo para a vacinação contra o coronavírus. O governo federal assinou contrato para a aquisição de 100 milhões de doses da CoronaVac com o Instituto Butantan. O órgão, que desenvolve o imunizante em parceria com a Sinovac, informou que a vacina reduz em 78% o risco de contrair casos leves de covid-19.

Segundo as autoridades paulistas, o imunizante preveniu totalmente mortes pela doença e foi 100% bem-sucedido ao impedir que os infectados desenvolvessem casos graves e moderados da covid-19. Eis a íntegra (517 KB) da apresentação da eficácia da vacina.

Em 24 de dezembro, a Turquia afirmou que a CoronaVac teve eficácia de 91,25% após testagem com 1.300 pessoas no país. No mesmo dia, Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde do Estado de São Paulo, disse que os testes com a população brasileira não haviam atingido 90% de eficácia.

No Brasil, os testes foram feitos com 12.476 profissionais de saúde voluntários em 8 Estados. Eles receberam duas doses do imunizante com 14 dias de intervalo entre elas. A fase 3 dos ensaios foi patrocinada pelo Butantan.

Pesquisadores e cientistas têm questionado os dados de eficácia da CoronaVac. O número exato de casos de covid-19 registrados em cada grupo de voluntários (os que tomaram a vacina e os que tomaram placebo) não foi informado na apresentação inicial feita à imprensa.

 

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou durante o anúncio de 5ª feira que foram 218 casos de infecção pela covid-19 entre os voluntários, sendo “cerca de 160” no grupo que recebeu o placebo e “pouco menos de 60” entre os vacinados.

O professor Stefano de Leo, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), afirmou ao Poder360 que é possível calcular a eficácia global a partir dos números apresentados, considerando-se que metade dos voluntários tenha tomado o placebo, o que, segundo o pesquisador, “é provável” que tenha ocorrido.

De acordo com ele, neste caso, a eficácia é calculada a partir de uma equação em que se subtrai de 1 a razão entre o número de pessoas infectadas que tomaram vacina e o número de pessoas infectadas que tomaram o placebo. O resultado é multiplicado por 100.

Dessa forma, utilizando as estatísticas citadas por Covas durante a entrevista no Instituto Butantan, a eficácia global da CoronaVac seria de 63,75%, mais de 14 pontos percentuais abaixo da eficácia de 78% apresentada pelo governo paulista.

A eficácia global da vacina, que considera todo o grupo de voluntários infectados, independentemente da necessidade de assistência médica, não foi divulgada pelo governo paulista.

É esse dado que vem sendo utilizado na divulgação do resultados dos testes de outras vacinas contra a covid-19. Até o momento, já foram divulgadas as taxas da Pfizer-BioNTech (95%;), da Moderna (94,5%), da Sputnik V (91,4%), da Oxford-AstraZeneca (até 90%), e da Sinopharm-Pequim (79,34%).

VACINAÇÃO EM 25 DE JANEIRO

A gestão de João Doria pretende iniciar a vacinação com a CoronaVac em 25 de janeiro. A imunização irá ocorrer de 2ª a 6ª feira, das 7h às 22h, e das 7h às 17h aos sábados, domingos e feriados.

O plano do governo paulista é vacinar 9 milhões de pessoas no Estado durante o 1º ciclo de vacinação. Como a CoronaVac precisa ser oferecida em duas doses, com intervalo de duas semanas entre elas, serão utilizadas 18 milhões de doses para a etapa inicial –10,8 milhões já chegaram ao Brasil.

Além de idosos com mais de 60 anos, serão vacinados os profissionais de saúde, indígenas e quilombolas.

Eis o andamento das principais vacinas contra a covid-19:

poder 360.

O papel do varejo na nova era dos meios de pagamento, escreve Freitas Gomes  

Desde que o Pix foi anunciado, ainda no início da pandemia, ficou evidente que a mudança estrutural trazida com o novo sistema de pagamentos instantâneo do Banco Central (BC) acarretaria rápidos benefícios aos usuários. Aumento da inclusão financeira, flexibilidade e disponibilidade imediata dos recursos, praticidade e velocidade nas transações, custos nulos para pessoas físicas e expressivamente menores do que os meios tradicionais (maquininhas, TED e DOC) para empresas são as principais vantagens.

Mas o Pix oferece outras possibilidades e oportunidades de negócio importantes para o setor terciário, especialmente ao varejo, tanto físico, quanto o e-commerce. Com as futuras funcionalidades, o Pix poderá ainda fazer das lojas pequenos agentes financeiros na economia.

O Pix faz parte de uma agenda estrutural e de competitividade que vem sendo exitosamente conduzida pelo BC, acelerada pela digitalização imposta pela crise sanitária, e que deve ser reconhecida pelas lideranças no país. A próxima etapa dessa agenda é o open banking, que vai promover a competição no sistema bancário e ainda mais benefícios ao varejo, como a possibilidade de monetização de dados dos consumidores, conforme discutimos recentemente em artigo publicado neste jornal digital.

As estatísticas iniciais de uso do Pix revelam a aceitação do sistema acima das expectativas em um curto intervalo de tempo.

O Pix passou oficialmente a ser utilizado em 16 de novembro de 2020, desde quando é possível cadastrar chaves de identificação. Ao final da primeira semana de funcionamento, de acordo com o Bacen, havia 34,5 milhões de chaves cadastradas de pessoas físicas, e 2,2 milhões de pessoas jurídicas. Em 16 de dezembro, quando o sistema completou 1 mês, houve incremento de mais de 220% nos cadastramentos de pessoas físicas, 111 milhões de chaves, totalizando 46,4 milhões de pessoas. Em relação às empresas, o crescimento do volume de cadastros foi de 132%, com 5,1 milhões de chaves e 3 milhões de usuários pessoas jurídicas.

A evolução do número de operações com o Pix reforça sua grande receptividade. Nos primeiros 7 dias foram realizadas 12,2 milhões de operações, enquanto no 1º mês houve 93 milhões de operações. O volume transacionado adicionalmente mostra a confiança que os agentes empregam no Pix: na primeira semana foram movimentados R$ 9,3 bilhões, enquanto no mês o valor acumulado alcançou 83,4 bilhões.

O Pix é um sistema novo, e, naturalmente, toda novidade tem seu tempo de amadurecimento, assim como aconteceu com o cheque, que não desapareceu, mas caiu em desuso com o surgimento da TED e DOC no passado.

Ainda de acordo com dados do BC, a taxa de rejeição nas transações com pagamentos via TED e DOC chega a 5%, enquanto a rejeição nas transações com o Pix utilizando uma chave cadastrada alcançou apenas 0,5% nas primeiras semanas de uso.

É muito caro fazer TED ou DOC no Brasil. Embora grande parte dos clientes bancários possam fazer de forma gratuita, a tarifa média do sistema financeiro para essas modalidades chega a R$12,00, o que engorda as receitas dos bancos. O uso do Pix e outros avanços avanço na agenda estrutural como o open banking vão acirrar a concorrência entre as instituições, o que certamente enxugará as receitas dos bancos nos próximos anos.

OTIMIZAÇÃO DOS ESTOQUES

Há muitas vantagens iniciadas pelo Pix na transformação dos meios de pagamentos, que podem ser engrossadas por ganhos e eficiência nas rotinas do comércio. O Pix tem potencial para melhorar os fluxos de caixa das empresas e otimizar os estoques.

Imagine uma loja de varejo que tem e-commerce. Quando uma venda é efetuada e paga à vista, por meio de boleto bancário, por exemplo, o prazo para confirmação do pagamento é de até 3 dias úteis. Durante esses dias, a loja precisa segregar o estoque dos produtos adquiridos ainda sem o pagamento confirmado, retirando os itens da “prateleira”. Apenas após a confirmação ou não do pagamento, o lojista pode dar sequência à movimentação do estoque, dar baixa no caso de sucesso no pagamento, ou retornar com aqueles produtos para venda no caso do pagamento não confirmado.

Durante o tempo para confirmação do pagamento, a loja perde oportunidades de venda daqueles produtos que foram separados. A instantaneidade do pagamento via Pix elimina essa situação, pois com o pagamento confirmado em até 10 segundos, o lojista efetua a baixa do estoque com a receita confirmada no ato da operação on-line, além de melhorar a experiência do consumidor e agilizar o envio do produto. Ou seja, o sistema tem potencial de tornar mais eficiente o controle e a rotatividade dos estoques, a logística de entrega, otimizando não apenas o fluxo de caixa operacional, mas potencializar a geração de receitas de vendas.

CONTROLE DA INADIMPLÊNCIA

Outra vantagem do Pix ao varejo é o maior controle da inadimplência e a facilitação da cobrança de contas atrasadas. O Pix elimina a necessidade de emissão de novo boleto, o cliente poderá quitar um débito de forma instantânea e remota, não sendo necessário aguardar compensação do boleto ou recebimento dos valores via cartão de crédito. É um diferencial para grandes redes varejistas.

Nas lojas físicas, o pagamento via Pix por smartfones ajuda a reduzir o uso do dinheiro, filas e aglomerações, o que em tempos de pandemia é essencial para evitar a disseminação do coronavírus.

Esses são apenas alguns exemplos das funcionalidades do Pix às empresas do varejo. A expectativa é de grande difusão nos próximos meses especialmente entre as pessoas jurídicas, já que o custo de operar o sistema tende a ser significativamente menor do que os outros meios. O BC já anunciou que deve cobrar das instituições cerca de R$ 0,01 a cada 10 operações Pix efetuadas. Esse custo será repassado pelos bancos às empresas.

SAQUES NOS CAIXAS DAS LOJAS

O BC também já divulgou outras funcionalidades importantes que serão implementadas nos próximos anos. Uma delas é a possibilidade de saques via Pix, o que tornará o Sistema ainda mais atraente. Com essa modalidade, o pequeno lojista poderá atuar ainda como um agente financeiro, possibilitando saques em papel moeda nas lojas físicas, e ampliando a inclusão financeira no país.

Em suma, toda conveniência do Pix não se restringe apenas à evolução tecnológica com vantagens aos agentes usuários, mas se trata de uma das etapas da transformação estrutural na economia, a qual seguirá no caminho com o open banking. Além dos custos de serviços mais baixos provocados pela ampliação da competição interbancária, uma grande massa de dados de consumidores poderá ser aproveitada pelos estabelecimentos do comércio e serviços com a abertura bancária, o que vai elevar a capacidade produtivas das empresas e a importância do setor terciário na economia.

Neste momento, o varejo cumpre um papel primordial no incentivo à utilização do Pix e na inclusão financeira e digital dos consumidores, o que faz do setor um dos principais atores na nova era dos meios de pagamento.

Poder 360.

China vai punir empresas que cumpram sanções de Trump

Maia sobe tom contra Bolsonaro para manter apoio da esquerda a Baleia Rossi

A forma como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), subiu o tom contra Jair Bolsonaro no fim de semana embute um cálculo político sobre a eleição da Casa.

O deputado disse, no sábado (9.jan.2021), que Bolsonaro é covarde. No mesmo dia, declarou que o presidente da República tem culpa pelas 200 mil mortes de brasileiros na pandemia.

Poder360 apurou com 4 fontes próximas a Rodrigo Maia, mas com orientações políticas diferentes, que isso não significa que ele dará prosseguimento a um processo de impeachment contra Jair Bolsonaro.

O deputado não deu indicativo disso. Essa atitude, inclusive, tenderia a afastar parte dos políticos que hoje estão próximos dele. Ainda, Bolsonaro teria uma popularidade alta demais para sofrer cassação. Se o processo fosse aberto e o governo evitasse a derrubada do presidente, ele se fortaleceria.

O atual presidente da Casa é o principal artífice de uma aliança entre a cúpula de partidos que vão do PT ao PSL para apoiar a candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP) à presidência da Câmara.

Ao atacar Bolsonaro, Maia agrada as siglas de esquerda. Deixa mais fácil para os deputados desse campo político explicarem a seus eleitores apoio a Baleia Rossi, já que o próprio candidato faz poucas críticas públicas ao Planalto.

No domingo (10.jan.2021), o jornal Folha de S.Paulo publicou uma entrevista com Baleia. Ele disse que não há, em sua candidatura, o compromisso de pautar um pedido de impeachment contra Jair Bolsonaro. E que esse “não é o caminho”.

A frase desagradou ao PT, cuja bancada decidiu apoiar sua candidatura por margem estreita. A presidente do partido, Gleisi Hoffmann (PT-PR), disse que ele poderia perder votos na sigla. O emedebista ligou para Gleisi para acertar os ponteiros.

Baleia só terá chances de vencer se tiver apoio consistente dos partidos de oposição sem perder as outras siglas. O caso é exemplo da dificuldade em manter coeso um bloco com interesses diferentes. Outro exemplo foi a assinatura de apoio ao bloco do adversárioArthur Lira (PP-AL), por 32 deputados do PSL. A cúpula da sigla está fechada com Baleia e Maia.

Lira ironizou o desentendimento sobre o impeachment no lado de Baleia Rossi: “Ainda bem que Rodrigo Maia e seu candidato agora passaram a concordar comigo”escreveu no Twitter.

Os ataques de Rodrigo Maia ao Planalto também seriam uma forma de se defender. O governo federal está empenhado em eleger Lira presidente da Câmara. Hoje ele é rival de Maia.

Nos últimos 2 anos, o atual presidente da Casa teve diversos atritos com o governo federal. A articulação do Planalto, chancelada por Bolsonaro, é pró-Lira e também anti-Maia.

O interesse do Executivo em ter um aliado na presidência da Câmara se explica pelas atribuições do cargo. Além de decidir sobre o andamento de processos de impeachment, é o presidente da Casa quem escolhe quais projetos os deputados vão votar e quando.

Se o governo quiser alterar as leis ambientais, por exemplo, a proposta só sai do papel se os presidentes da Câmara e do Senado pautarem.

A impressão mais comum na Câmara é de que, se a eleição fosse hoje, Lira seria eleito. A votação será no início de fevereiro.

Arthur Lira faz campanha há meses e tem pedido votos “no varejo”, conversando individualmente com os deputados. Baleia Rossi se tornou candidato apenas no final de dezembro de 2020. Por enquanto, seu trânsito é principalmente nas cúpulas partidárias.

A votação é secreta. Isso significa que os partidos não têm como punir seus filiados caso escolham um candidato em desacordo com a orientação da sigla. Para ser eleito é necessário ter 257 votos, se todos os 513 deputados votarem.

IMPEACHMENT: ESQUERDA PRESSIONA

O líder da Minoria no Congresso, Carlos Zarattini (PT-SP), disse ao Poder360 que o não andamento de nenhum processo de impeachment contra Jair Bolsonaro será uma “pendência” da gestão de Rodrigo Maia. O atual presidente da Câmara deixa o cargo assim que sucessor for eleito.

“O processo de impeachment é inevitável, a não ser que o presidente da Câmara tenha ‘apalavrado’ um acordo com Bolsonaro”, escreveu Zarattini à reportagem em uma mensagem de WhatsApp. Ele atribui esse compromisso a Lira.

“Acho que o Baleia vai ter mais condições de fazer [dar andamento a um processo de impeachent]. Ele não vai ter apoio do governo [na eleição], pelo contrário”, declarou Zarattini.

Informações deste post foram publicadas antes pelo Drive, com exclusividade. A newsletter é produzida para assinantes pela equipe de jornalistas do Poder360. Conheça mais o Drive aqui e saiba como receber com antecedência todas as principais informações do poder e da política.

Poder 360.

Brasil tem doses de vacina para 37% dos idosos; saiba situação em 10 países

A vacinação contra o novo coronavírus começou em mais de 50 países. Mas as doses disponíveis não são suficientes sequer para imunizar a população idosa –que é a mais vulnerável a casos graves da doença.

Poder360 levantou os dados dos 10 países com mais infectados pelo novo coronavírus. O infográfico a seguir detalha a situação de cada um deles, até às 20h dessa 6ª feira (8.jan.2021):

A Índia está mais próxima de um estoque grande o bastante para vacinar seus idosos. Com os números atuais, conseguiria aplicar uma dose em cerca da metade das pessoas com 60 anos ou mais.

Contudo, a imunização não começou no país. Deve ter início ainda este mês.

O governo indiano informou que a 1ª etapa da vacinação incluirá pessoas com comorbidades, profissionais da saúde e aqueles com mais de 50 anos. Além disso, a imunização será administrada em duas doses. Ou seja: o número de idosos que pode receber a vacina num futuro próximo cai drasticamente.

Mas a Índia é exceção: é uma das maiores produtoras de vacinas do mundo e está bem abastecida em comparação aos demais países. A Espanha, por exemplo, precisa multiplicar seu estoque por 30 para conseguir aplicar a 1ª dose em todos os seus idosos.

NO BRASIL

O Ministério da Saúde afirma que tem 354 milhões de doses garantidas para 2021. A maior parte (210,4 milhões) é do imunizante desenvolvido pela AstraZeneca e Oxford.

As doses serão produzidas no Brasil, pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Em um 1º momento, será usada matéria-prima importada, e depois a fabricação será inteiramente nacional.

Questionada pelo Poder360, a Fiocruz informou que “a produção da vacina ainda não começou”. Declarou que os primeiros insumos chegam ainda em janeiro e que aguardam informações da China e AstraZeneca para confirmar a data.

A Fiocruz ressaltou que as entregas de doses devem começar a partir de fevereiro e que estão dentro do cronogama.

Nesse meio tempo, o governo federal tenta importar diretamente 2 milhões de doses de um laboratório da AstraZeneca na Índia. O presidente Bolsonaro pediu o envio dos imunizantes com “urgência” em carta ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, nesta 6ª feira (8.jan).

Até onde se sabe, o que o Brasil tem a sua disposição hoje são 11 milhões de unidades da CoronaVac. A informação é do próprio ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

Ele disse, na última 5ª feira (7.jan): “Já existem 5 milhões de doses produzidas pelo [Instituto] Butantã no Brasil hoje, esse é o número real. E existem 6 milhões de doses importadas”.

O Instituto Butantan trabalha em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac. O Poder360 pediu ao instituto que confirmasse os números informados pelo ministro da Saúde, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem.

O Ministério da Saúde também não se posicionou oficialmente sobre o quantitativo de doses disponíveis no Brasil atualmente.

Poder 360.