Morre Solano Ribeiro, produtor que criou festivais de MPB na televisão

Produtor e crítico musical de 87 anos morreu em clínica de São Paulo onde recebia cuidados paliativos durante tratamento contra um câncer.

O produtor e crítico musical Solano Ribeiro morreu na madrugada de sábado, 31 de outubro de 2026, aos 87 anos. Ele estava internado em uma clínica em São Paulo e recebia cuidados paliativos no curso de tratamento contra um câncer. O velório e a cremação foram programados para a tarde do mesmo dia, entre 15h e 17h, no Cemitério e Crematório Jardim da Paz, em Vargem Grande Paulista (região metropolitana de São Paulo).

Ribeiro foi responsável por organizar e produzir alguns dos principais festivais da canção exibidos na televisão brasileira. Seu trabalho começou depois de um convite de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (Boni) para integrar a equipe da extinta TV Excelsior, onde produziu em 1965 o 1º Festival Nacional da Música Popular Brasileira — evento que consolidou a expressão MPB e projetou Elis Regina ao interpretar “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes.

Transferido em seguida para a Record, Ribeiro produziu a edição de 1966 do festival, marcada pelo empate no primeiro lugar entre “A Banda”, de Chico Buarque, e “Disparada”, de Geraldo Vandré e Théo de Barros. No festival de 1967, Ribeiro incentivou o uso de guitarras elétricas no palco, uma mudança controversa à época; a disputa daquele ano, finalizada com a vitória de “Ponteio” (Edu Lobo e Capinan), serviu de base para o documentário “Uma Noite em 67”, dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil e lançado em 2010.

Autor do livro Prepare seu Coração: a História dos Grandes Festivais, Ribeiro também foi um dos sócios-fundadores da rádio Antena 1, em São Paulo. Em 1976, contratado pela TV Tupi, organizou o Festival Tupi, vencido por Raimundo Fagner com a música “Quem me levará sou eu”, de Dominguinhos.

Durante o regime militar, Ribeiro deixou o Brasil e trabalhou na Alemanha na emissora Südwestfunk, onde dirigiu documentários sobre artistas como Gilberto Gil e sobre a produtora e atriz Ruth Escobar. Regressou ao país em 1972 a convite de Boni para organizar a 7ª edição do Festival Internacional da Canção, exibida pela TV Globo. A partir de 2006, apresentou o programa semanal Solano Ribeiro e a Nova Música do Brasil na Rádio Cultura de São Paulo.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, em 2025, Ribeiro manifestou críticas ao panorama contemporâneo da música brasileira, afirmando que “A MPB está morrendo” ao apontar perda de exposição e diluição dos conceitos originais que, segundo ele, tornaram mais difícil o surgimento de grandes nomes como no período dos festivais.

Fonte: Revista Oeste.