Programa que vai rever Mais Médicos será lançado na próxima semana

 

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou, no Rio de Janeiro, que será lançado na próxima semana o programa que vai reestruturar o Mais Médicos.

“A Casa Civil e a Presidência da República deram o OK. Na semana que vem, a gente lança o Médicos pelo Brasil, que é o novo programa que vai rever o programa Mais Médicos”, disse.

Segundo o ministro, o dia do anúncio na próxima semana depende da agenda do presidente Jair Bolsonaro. “Isso também é reforçar a atenção primária. É basicamente direcionado para a atenção primária, praticamente voltado para o que a gente chama de Brasil profundo, as cidades mais vulneráveis”, destacou.

Ele acrescentou que nas cidades do interior é onde, muitas vezes, as campanhas públicas têm “menos apelo”. “É no interior do Brasil que eu tenho mais dificuldades para usar capacete para motocicleta”, exemplificou.

(ABr)

Bolsonaro diz que Greenwald pode pegar “uma cana” no Brasil

Rio de Janeiro – O presidente Jair Bolsonarodisse neste sábado que o jornalista norte-americano Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept Brasil, pode “pegar uma cana”, mas não será extraditado e afirmou que eventual decisão de destruir provas obtidas após prisão de suspeitos de hackearemautoridades não cabe ao ministro da Justiça, Sérgio Moro.

O The Intercept Brasil tem divulgado supostas mensagens trocadas entre Moro, na época em que era o juiz responsável pelos processos da Lava Jato em Curitiba, e procuradores da operação, que indicariam uma colaboração entre o julgador do caso e os responsáveis pela acusação.

Na sexta, Moro editou uma portaria que trata da “deportação sumária” de “pessoas perigosas”, vista por críticos como uma represália a Greenwald, o que o ministro e o ministério negaram.

“O Glenn pode ficar tranquilo. Talvez pegue uma cana aqui no Brasil, mas não vai ser lá fora não”, disse Bolsonaro a jornalistas, após participar de cerimônia de formatura de paraquedistas militares no Rio de Janeiro.

O presidente também afirmou que o jornalista norte-americano “não presta nem para ser mandado para fora” e acusou Greenwald de estar cometendo um crime.

“Não se encaixa na portaria o crime que ele está cometendo, até porque ele é casado com outro homem e tem filhos adotados brasileiros”, disse o presidente. A legislação brasileira veda a deportação de estrangeiros casados com brasileiros ou que tenham filhos brasileiros. Greenwald é casado com o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ).

Um dos quatro suspeitos presos nesta semana acusados de hackear o telefone de autoridades disse ser a fonte das reportagens publicadas pelo The Intercept Brasil. O site, por sua vez, diz que obteve as mensagens com uma fonte anônima e que não discute sobre suas fontes anônimas.

De acordo com a Polícia Federal, os quatro suspeitos presos nesta semana teriam hackeado os telefones celulares de cerca de mil pessoas, entre elas autoridades como Moro, Bolsonaro, os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e do Superior Tribunal de Justiça, João Otávio de Noronha.

(Exame)

O que se sabe sobre ação dos hackers — e as perguntas ainda sem respostas

 

São Paulo — Na última terça-feira (23), a Polícia Federal deflagrou a Operação Spoofing, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa que praticava crimes cibernéticos.

Os alvos? Quatro hackers acusados de invadir o celular de mais de mil pessoas, incluindo o presidente Jair Bolsonaro, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o ministro da Justiça, Sergio Moro.

EXAME compilou, a seguir, os principais pontos das investigações da PF, além de informações sobre quem foram os invasores e as perguntas ainda sem respostas.

Como foi a operação?

O inquérito, que está sendo mantido em sigilo, é conduzido pelo delegado Luiz Flávio Zampronha, que, em 2005 e 2006, investigou o mensalão.

As investigações da PF foram enviadas ao juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal, em Brasília, que autorizou as prisões, busca e apreensão em endereços relacionados aos acusados, além da derrubada do sigilo bancário dos envolvidos.

Os policiais fizeram as ações em Araraquara, Ribeirão Preto e São Paulo. No despacho de Vallisney, de treze páginas, o magistrado diz que há “fortes indícios” de que os quatro presos se uniram para violar sigilo telefônico de autoridades.

“As prisões temporárias dos investigados são essenciais para colheita de prova que por outro meio não se obteria, porque é feita a partir da segregação e cessação de atividades e comunicação dos possíveis integrantes da organização criminosa, podendo-se com isso partir-se, sendo o caso, para provas contra outros membros da organização e colheita de depoimentos de testemunhos”, afirmou no documento.

Quem são os quatro presos?

Eles são Gustavo Henrique Elias Santos, um ex-DJ que já foi preso por receptação e falsificação de documentos.

Nas buscas, os agentes apreenderam R$ 100 mil na casa dele. Suelen Priscila de Oliveira, sua esposa e que também foi presa, não tinha passagem pela polícia.

O terceiro preso é Danilo Cristiano Marques, que já teve condenação por roubo, e que segundo informações dadas por familiares oara a VEJA, era conhecido por por ser bolsonarista fervoroso.

O quarto preso é Walter Delgatti Neto, conhecido como Vermelho, que já foi preso por falsidade ideológica e por tráfico de drogas.

Como os hackers agiram?

As investigações da PF apontam que o grupo acessou contas de Telegram de mais e mil autoridades brasileiras. Segundo diz o magistrado, o aplicativo de conversas permite aos usuários pedirem o código de acesso para a versão web do aplicativo via ligação telefônica.

Depois, segundo os técnicos da PF, é enviada uma chamada de voz com o código para a ativação do serviço no navegador. Esta mensagem fica gravada na caixa postal das vítimas.

Assim, os invasores fizeram ligações para o número alvo, “a fim de que a linha fique ocupada e a ligação contendo o código de ativação do serviço Telegram Web seja direcionada para a caixa postal da vítima”, descreveu Vallisney em sua decisão.

O magistrado detalhou que os suspeitos dispararam 5.616 ligações para os telefones das autoridades por meio de robôs para congestionar as linhas e, com isso, viabilizar o acesso às contas.

Depois de concluída essa etapa, os hackers acessam a caixa de postal do celular para obter o código que permite entrar na conta do Telegram por meio de uma página da internet.

De fato, uma das convergências em declarações das vítimas é que, a maior parte, diz ter recebido ligações do próprio número.

Quais os programas utilizados?

Para conseguirem efetuar as milhares de ligações, os suspeitos usaram um serviço de voz baseado na tecnologia Voip, “que permite a realização de ligações via computadores, telefones convencionais ou celulares de qualquer lugar do mundo (serviço prestado pela microempresa BRVOZ)”, escreveu o magistrado.

Nas ligações feitas via serviços de voz sobre IP, os aplicativos permitem a modificação do número que está efetuando a chamada.

Os peritos da PF identificaram a rota de interconexão com a operadora Datora Telecomunicações Ltda, que, segundo a decisão judicial, “transportou as chamadas” destinadas ao número de Moro após ter recebido as chamadas pelo Voip.

Conforme disse Vallisney, após a análise do sistema e dos logs da BRVoz, os policiais conseguiram identificar todas as ligações efetuadas para o telefone do ministro da Justiça que partiram do usuário cadastrado na conta de Voip registrada em nome de Anderson José da Silva.

O magistrado afirmou, ainda, que também partiram desta conta atribuída a Anderson as ligações feitas para os celulares do desembargador do TRF-2, do juiz da 18ª Vara Federal do Rio de Janeiro e dos dois delegados federais.

O que mostrou a quebra de sigilo bancário?

As contas de Gustavo Henrique Elias Santos e Suelen Priscila de Oliveira registraram movimentações “suspeitas”, segundo a PF.

Elias movimentou R$ 424 mil entre 18 de abril e 29 de junho de 2018, sendo que consta em seu cadastro bancário que a sua renda mensal é de R$ 2.866. Já Oliveira movimentou aproximadamente R$ 203,6 mil entre 7 de março e 29 de maio de 2019, sendo a sua renda mensal de R$ 2.192.

(Exame)