Relator retira servidores estaduais e municipais e mantém Idade mínima para policiais em 55 anos

As regras para as aposentadorias dos policiais que atuam na esfera federal serão mantidas, de acordo com a terceira versão do relatório do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP). As categorias, que incluem policiais federais e legislativos, se aposentarão aos 55 anos de idade, com 30 anos de contribuição e 25 anos de exercício efetivo na carreira, independentemente de distinção de sexo.

A manutenção das condições consta do novo voto do relator da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP). Antes do início da sessão, que começou com sete horas de atraso, líderes partidárias haviam anunciado um acordo para reduzir para 52 anos para mulheres e 53 anos para homens, a idade mínima de aposentadoria para os policiais em nível federal.

Mais cedo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse que a suavização das condições de aposentadorias para policiais que servem à União criaria um efeito cascata que desidrataria a reforma da Previdência. A declaração ocorreu depois que Maia se reuniu com Moreira e o presidente da comissão especial, deputado Marcelo Ramos (PL-AM).

No início da noite, o porta-voz do Palácio do Planalto, Otávio Rêgo Barros, disse que o governo analisa, juntamente com o Congresso, adotar condições diferenciadas de aposentadoria para policiais federais e legislativos, que poderiam ser incluídas no relatório da reforma.

Estados

No voto lido na noite desta quarta-feira (3), Moreira recuou da permissão para que estados e municípios aumentem a contribuição dos servidores públicos locais para cobrir os rombos nos regimes próprios de Previdência. A possibilidade constava do relatório apresentado ontem (2) pelo relator.

Com a desistência, os estados e os municípios voltam a ficar integralmente fora da reforma da Previdência. Caberá às Assembleias Legislativas estaduais e às Câmaras Municipais aprovar a validade da reforma para os governos locais, assim como o aumento das alíquotas dos servidores sob sua alçada.

(Diário do poder)

Ministra não vê entraves às exportações brasileiras para a União Europeia

Eventuais questionamentos de autoridades e produtores da União Europeia sobre práticas e políticas ambientais brasileiras não devem ser empecilho às exportações agropecuárias para o bloco. A avaliação foi feita pela ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, em entrevista à imprensa concedida hoje (3), em Brasília.

Tereza Cristina lembrou que já há exigências sanitárias na relação entre os países e que o acordo não traz mais riscos neste sentido.

“Acho que não muda nada para nós porque onde a produção está ela tem que estar legalizada. O Brasil tem leis ambientais, como o Código Florestal, e temos que exigir o cumprimento da lei”, declarou. Além disso, ela ressaltou que o país não perde os direitos aos mecanismos no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) caso seja objeto de alguma restrição

Princípio da precaução

O acordo incluiu um mecanismo denominado “princípio da precaução”. O dispositivo prevê que um país importador possa impor uma restrição a um produto por suposto risco à saúde, cabendo ao exportador a comprovação de que esse perigo não existe. Mas, de acordo com o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Orlando Ribeiro, a redação final foi definida de tal forma a mitigar a possibilidade de aplicação.

“Esse princípio da precaução era central para que acordo fosse assinado. Manteve a expressão mas encapsulou a possibilidade de uso contra o Brasil. Buscamos garantias para evitar ou reduzir o abuso. Há uma cláusula expressa para evitar restrições arbitrárias, discriminatórios ao comércio. Também há a necessidade de basear medidas baseadas em meio ambiente e condições de trabalho em evidências científicas e técnicas”, explicou o secretário.

Além disso, pelo texto, um eventual país importador europeu só pode evocar o princípio da precaução por um dano cometido em seu território, e não restringir o comércio por algo que ocorre no Brasil. “Nós colocamos várias garantias para que isso não fosse usado politicamente”, completou Tereza Cristina.

Setores impactados

A ministra discutiu também a situação de setores que deve ser mais impactados pela concorrência de produtos europeus, como o de vinho e o de leite. Ela afirmou que esses segmentos terão de se modernizar, o que deverá ser feito dentro do prazo até a redução das tarifas entre os dois blocos. No caso do vinho, o imposto atual, de 27,5%, chegará a zero no prazo de oito anos.

Tereza Cristina anunciou que o governo deve propor a criação, por meio de lei, de um fundo de apoio aos vinicultores para financiar a qualificação da produção, como a renovação dos parreirais, e a equalização de juros. Pelo modelo em discussão, o fundo seria formado por recursos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) cobrado no comércio de vinho interno e externo, além de poder receber aportes da União. Ela não adiantou quando a proposta deve ser apresentada.

Já no caso do leite, Tereza Cristina afirmou que é preciso reorganizar o setor, marcado por uma série de desafios. O acordo prevê para o leite em pó uma cota permanente no fim de 10 anos com 0% de taxas no comércio entre os dois blocos. Uma das medidas de apoio em discussão no governo federal é a isenção de impostos para máquinas utilizadas nessa indústria, como resfriadores. A redução depende do tipo de equipamento, mas a estimativa mencionada pela ministra foi de que poderia chegar a 35%.

Implantação

Para valer, o acordo precisa ser aprovado pelos parlamentos dos países de cada um dos blocos. A expectativa do Ministério da Agricultura é que isso ocorra no prazo de um a dois anos. Os países que não ratificarem não terão direito às condições definidas. (ABr)

Comissão da reforma da Previdência inicia sessão para votar relatório

A Comissão Especial da Reforma da Previdência (PEC 6/19) está reunida no plenário 2 da Câmara dos Deputados para votar o parecer do relator, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP).

O presidente da comissão, deputado Marcelo Ramos (PL-AM) iniciou com a leitura da ata da reunião anterior.

O relator apresentará, em seguida, uma segunda complementação de voto, que fez depois de ouvir os líderes partidários.

(Diário do poder)