
Uma das exposições mais emblemáticas do Museu Câmara Cascudo (MCC), em Natal, a “Anatomia Comparada” será fechada ao público a partir desta sexta-feira (7), para passar por um amplo processo de restauração, conservação e reformulação. A iniciativa faz parte do projeto de modernização dos acervos científicos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e pretende preservar um patrimônio que integra a história do museu há décadas, além de transformar a forma como ele será apresentado aos visitantes.
Segundo a museóloga e coordenadora técnica, científica e cultural do MCC, Jaqueline Silva, a intervenção reúne dois objetivos principais: preservar os esqueletos, que permanecem expostos há muitos anos, e atualizar a linguagem da exposição.
“A intervenção decorre da convergência de duas necessidades: assegurar a conservação de esqueletos que permanecem expostos há muitos anos e atualizar a forma como esse importante acervo será comunicado ao público”, afirmou Jaqueline Silva.
A museóloga explica que a atual configuração da mostra foi reaberta em 2016 e, embora tenha sido concebida inicialmente como temporária, permaneceu em cartaz por cerca de dez anos. Com o passar do tempo, tornou-se necessária uma intervenção técnica para preservar os exemplares e modernizar a exposição.
“Depois de aproximadamente dez anos de funcionamento nessa configuração, tornou-se necessário tratar tecnicamente os esqueletos e criar condições para que eles possam ser reapresentados em uma proposta museológica atualizada, cientificamente rigorosa e mais acessível aos diferentes públicos”, destacou.
De acordo com Jaqueline Silva, o trabalho não se resume à limpeza ou manutenção dos esqueletos. A proposta busca garantir a preservação do acervo e recuperar características anatômicas importantes para pesquisas e atividades educativas.
“O primeiro objetivo é garantir a salvaguarda dos esqueletos, prolongando sua vida útil e corrigindo danos, fragilidades e problemas acumulados durante o período de exposição”, explicou a museóloga.
Ela acrescenta que os exemplares serão remontados seguindo critérios científicos rigorosos.
“A intervenção também busca recuperar a integridade anatômica e científica dos exemplares. Os esqueletos serão remontados com base em referências especializadas, respeitando as características anatômicas, funcionais e biomecânicas de cada espécie”, pontuou.
Nesta etapa, serão restaurados os esqueletos de um elefante, uma baleia-minke-anã, um chimpanzé e um ser humano. Todos passarão por desmontagem, higienização, tratamento de desgastes e fraturas, recomposição de partes ausentes quando necessário e remontagem em novas estruturas de sustentação.
Nova exposição será mais dinâmica e interativa
Além da restauração física das peças, o Museu Câmara Cascudo pretende transformar completamente a experiência dos visitantes.
Segundo Jaqueline Silva, a nova proposta deixará de apresentar os esqueletos apenas como objetos estáticos para construir uma narrativa que explique como a anatomia dos animais se relaciona com sua evolução e adaptação ao ambiente.
“A proposta é superar a apresentação meramente estática dos esqueletos e construir uma narrativa que relacione forma, função, movimento, adaptação e evolução”, explicou.
Ela informou ainda que o projeto prevê a incorporação de recursos educativos, audiovisuais, interativos e de acessibilidade, embora a concepção definitiva da nova exposição ainda esteja em fase de planejamento.
Para a coordenadora, a importância da exposição ultrapassa seu valor científico. Os esqueletos gigantes se tornaram um dos maiores símbolos do Museu Câmara Cascudo ao longo das últimas décadas.
“Ao longo das décadas, os grandes esqueletos, especialmente os do elefante e da baleia, tornaram-se algumas das peças mais reconhecidas pelo público. Eles integram a memória afetiva de sucessivas gerações de visitantes e representam uma das formas mais marcantes pelas quais o Museu aproximou o conhecimento científico da sociedade”, ressaltou Jaqueline Silva.
Ela adiantou que, quando a exposição for reaberta, os visitantes encontrarão uma apresentação completamente diferente da atual.
“Em vez de serem percebidos apenas como estruturas estáticas, os exemplares poderão ser apresentados em posturas que ajudem a compreender como esses animais se movimentavam e como seus corpos se relacionavam com seus ambientes”, adiantou a museóloga.
Ainda segundo Jaqueline Silva, a exposição não será simplesmente remontada como era conhecida pelo público.
“A exposição atualmente existente não será simplesmente remontada da mesma maneira: os esqueletos deverão retornar ao público dentro de uma nova proposta, cujo conteúdo será desenvolvido e aprovado pelo Museu”, concluiu.
Não há previsão para a reabertura da mostra. Desde a reabertura da versão atual, em 2016, o Museu Câmara Cascudo recebeu cerca de 166 mil visitantes presenciais, considerando todo o pavilhão expositivo onde a “Anatomia Comparada” está inserida.