SESSÃO HISTÓRICA: STF decide nesta terça se investigará Alexandre de Moraes no Caso Master

Breno Esaki/Metrópoles

O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza nesta terça-feira (15), a partir das 10h, uma sessão extraordinária de plenário para decidir sobre a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, no âmbito do Caso Master. O procedimento ocorre após relatório da Polícia Federal apontar 52 mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao magistrado (sem indicação das respostas).

Antes de entrar no mérito, a Corte deve analisar questões de ordem e votações preliminares referentes ao pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para anular o relatório da PF produzido a partir de uma solicitação do ministro André Mendonça. Caso as preliminares sejam negadas, o plenário prossegue para a pauta principal sobre a investigação de Moraes. A análise específica da conduta de Mendonça, contudo, está agendada separadamente para o dia 23 de setembro.

Dilema do quórum e impedimentos

Um dos principais impasses nos bastidores envolve a definição de quem poderá votar na sessão. O ministro Dias Toffoli já havia se declarado suspeito em investigações do Caso Master no início do ano e precisa se pronunciar novamente. A participação de Alexandre de Moraes e André Mendonça é discutida nos bastidos e, no caso específico de Moraes, ele chegou a ser aconselhado a colegas a não integrar a sessão. Como o STF hoje tem 10 ministros, seriam sete magistrados aptos a se pronunciar, se os três não puderem.

Com informações do Metrópoles

O culto a Nossa Senhora Menina

Monsenhor João Medeiros Filho

Celebra-se Nossa Senhora Menina, no dia 8 de setembro, memória litúrgica da Natividade de Maria Santíssima. Nosso amigo Diógenes da Cunha Lima, presidente da Academia Norte Rio-Grandense de Letras, há dias comentava sobre essa carinhosa invocação mariana, assim como a do Menino Jesus. Sugeriu que eu escrevesse sobre tal devoção. Portanto, eis-me aqui tentando apresentar alguns dados. “À vossa proteção recorro, Santa Mãe de Deus.”  

Apesar de parcas informações sobre o tema, o culto é antigo no catolicismo. Além de imagens de Maria, quando criança, junto de Sant’Ana, historiadores aludem a versos dedicados à Menina, atribuídos a Tiago Menor e um texto também de São Jerônimo. Pesquisadores mencionam a existência da imagem de Maria Bambina, no Mosteiro das Irmãs Capuchinhas de Milão, datando de 1739. Em Montaigu (França) existe uma imagem secular, na qual a Virgem é representada adolescente, sorrindo e com as mãos unidas em prece. Um acontecimento contribuiu sobremaneira para divulgar o culto. Na Festa dos Reis Magos de 1840, Irmã Madalena, do Convento de São José da Graça, na Cidade do México, enquanto rezava, diante do presépio, ao Menino Jesus, questionava-se: “Por que não venerar também Maria Menina?” A religiosa sonhou com a Mãe Celestial, ainda criança, prometendo conceder abundantes graças a quem a homenageasse pela sua infância. O Papa Gregório XVI aprovou o culto, concedendo indulgências. Começaram a surgir orações, novenas etc. no dia oito de cada mês, lembrando o aniversário da Mãe de Jesus, em 8 de setembro.

A devoção se disseminou no sul do Brasil, impulsionada também pela Igreja Católica Apostólica Brasileira – ICAB, fundada em 1945 por Dom Carlos Duarte da Costa, bispo de Maura (nome de sua diocese titular). Em São Paulo, visitou o Externato Nossa Senhora Menina, onde se venera uma imagem da Virgem com tal orago. Tornou-se devoto dela. Desligado de Roma, Dom Carlos consagrou a primeira catedral da igreja cismática a Nossa Senhora Menina, sediada no Rio de Janeiro (RJ).

Antes dessa dissidência religiosa, a veneração já existia no Nordeste, mormente em Sergipe. Segundo Dom José Tomás Gomes da Silva (natural de Alexandria/RN), Padre João Maria cultivava tal devoção, a ponto de intitular “Oito de Setembro” (data alusiva à Natividade de Maria) um jornal abolicionista que fundara. Dom Nivaldo Monte, que fora bispo auxiliar de Aracaju, ouvira falar que Dom José, primeiro bispo de Sergipe – grande admirador do “Anjo de Natal” – encontrou na diocese alguns templos dedicados à Mãe de Cristo com o citado orago.

Em 1947, o frade capuchinho italiano Otávio Silvestri, radicado em Pernambuco, foi convidado para pregar missões em Florânia (RN) por Padre Ambrósio Silva. Teve um sonho que no cume de um monte, distante cerca de meia légua da matriz, estava sepultada uma jovem. Segundo lenda local, ela teria morrido de maus tratos pela madrasta. Conforme outras versões, falecera de fome na seca de 1877. Em 2002, publiquei um opúsculo sobre os acontecimentos. Inicialmente, considerando a lenda, Dom José de Medeiros Delgado, então bispo de Caicó, permitiu que colocassem na capela do monte uma imagem de Nossa Senhora Menina, trazida de Sergipe por Frei Otávio. Os fiéis começaram a dissociar a menina encontrada no monte (considerada a “santa menina”) da Virgem Maria. Padre Alexandre Martins de Carvalho (conhecido por Xanduzinho), membro da ICAB, foi “sagrado” bispo pela sua Igreja e residia em Assú. Suas pregações e novenas a Nossa Senhora Menina ajudaram a aumentar a confusão entre os fiéis dos lugarejos vizinhos. Dom Delgado determinou, então, a retirada daquela imagem, mudando o orago do Monte de Florânia para Nossa Senhora das Graças. No ato, o bispo caicoense escreveu: “Maria é o mais fiel espelho da santidade de Deus. Faça deste monte sua casa. Aqui seja ardentemente venerada.”