Hamas confirma acordo para seu desarmamento e retirada de Israel de Gaza

epa12580601 A photo taken while embedded with the Israeli Army and cleared by Israeli military censors shows Israeli soldiers from the special unit Yahalom next to an underground tunnel in the Al-Shaboura neighborhood of Rafah, southern Gaza Strip, 08 December 2025 (issued 09 December 2025). Lieutenant Hadar Goldin was reportedly held captive in the tunnel in recent years, before his body was handed over by Hamas. The tunnel is over seven kilometers long and approximately 25 meters deep.  EPA/ATEF SAFADI
ATEF SAFADI/EPA

O Hamas, grupo extremista palestino, afirmou nesta sexta-feira (31) que aceitou um acordo para acabar com a guerra na Faixa de Gaza.

Ghazi Hamad, um dos negociadores do movimento, e duas fontes do alto escalão do Hamas, que falaram sob a condição de anonimato, confirmaram à agência de notícias AFP o acordo com Israel para o desarmamento do grupo diante da exigência da retirada do Exército israelense de Gaza.

O Hamas está fazendo “concessões pelo bem do nosso povo na Faixa de Gaza, para salvá-lo da morte e do deslocamento. Israel não vai interferir na questão do desarmamento”, declarou Ghazi Hamad, acrescentando que a tarefa de fiscalizar a entrega das armas será responsabilidade do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG).

Ainda segundo Hamad, a implementação do acordo dependerá de Israel cumprir primeiro seus compromissos.

“Insistimos junto aos mediadores que Israel deve cumprir o acordo”, disse ele à agência Reuters.

De acordo com as fontes, o Hamas espera que os mediadores e o Conselho da Paz garantam que os israelenses cumpram o que foi estabelecido.

Abu Ubaida, porta-voz do Hamas, em foto de arquivo de novembro de 2019 — Foto: REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa
Abu Ubaida, porta-voz do Hamas, em foto de arquivo de novembro de 2019 — Foto: REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa

Trump comemorou ‘acordo histórico’ em rede social

Israel ainda não reagiu oficialmente ao acordo, anunciado na noite de quinta-feira (30) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o definiu em sua rede Truth Social como “um acordo histórico” e “um passo monumental rumo a uma paz e segurança duradouras”.

O Conselho da Paz, criado por Trump para atuar na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza, também confirmou, em uma publicação no X, que o Hamas havia “aceitado um mapa do caminho detalhado para implementar as próximas fases do cessar-fogo em Gaza”.

“Agora, nossa atenção está voltada para a implementação”, escreveu a organização, acrescentando que o NCAG “começará em breve uma transição gradual rumo à plena autoridade”.

Trump, em uma publicação anterior, afirmou que, uma vez que o Hamas estiver desarmado, “as forças israelenses vão se retirar e a Força Internacional de Estabilização trabalhará com uma nova força policial palestina para assumir a responsabilidade sobre Gaza”.

A Força Internacional de Estabilização é uma estrutura em processo de criação que reunirá tropas de vários países sob a direção do Conselho da Paz. A entrada da organização foi autorizada por Israel no domingo (25).

Palestino sentado no topo de escombros de uma casa atingida por um ataque israelense em Deir al-Balah, no centro de Gaza. — Foto: Mahmoud Issa / Reuters
Palestino sentado no topo de escombros de uma casa atingida por um ataque israelense em Deir al-Balah, no centro de Gaza. — Foto: Mahmoud Issa / Reuters

As negociações que levaram ao acordo

Negociações aconteciam há semanas no Egito para implementar a segunda fase do acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas, que tem como objetivo pôr fim de forma definitiva à guerra.

O desarmamento do grupo islamista, que controla a Faixa de Gaza desde 2007, era um dos principais obstáculos para encerrar a guerra com Israel após o cessar-fogo assinado em outubro.

Segundo Trump, a entrega das armas é uma fase crucial para avançar em direção à instalação de um novo governo palestino no território. Israel controla mais de 60% de Gaza e exigia o desarmamento completo do Hamas e dos demais grupos palestinos antes de qualquer avanço no plano.

No início de julho, o Hamas anunciou a dissolução do comitê que administrava os assuntos civis da Faixa de Gaza desde 2007 e declarou querer transferir estas responsabilidades ao NCAG.

Apesar dos anúncios, uma fonte política israelense disse à AFP que o acordo proposto não soluciona “de forma satisfatória” as demandas de Israel por uma desmilitarização completa de Gaza, e que ele não foi debatido no encontro de Trump com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na Casa Branca.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que seu “Conselho da Paz” havia chegado a um acordo para o desarmamento do Hamas e de outros grupos armados, embora não estivesse claro imediatamente como o Hamas ou Israel apoiavam isso.

Já a chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, disse na sexta-feira (30/07) que se o acordo for totalmente implementado, seria “um passo construtivo”.

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