Copa do Mundo e São João impulsionam vendas em barracas de rua de Natal

As tradicionais bancas instaladas em avenidas como Antônio Basílio e Roberto Freire vivem a expectativa de aumento nas vendas com a chegada do período junino e dos jogos da Seleção Brasileira. Enquanto produtos da Copa do Mundo lideram a procura, comerciantes projetam um crescimento no movimento até o São João e o São Pedro, impulsionado pela programação festiva da capital.

Segundo comerciantes, os produtos ligados à Copa do Mundo têm liderado a procura neste momento. Camisas da Seleção Brasileira, bandeiras para carros e acessórios nas cores verde, amarelo e azul estão entre os itens mais vendidos.

Em uma das barracas da Antônio Basílio, a proprietária Aldira Ribeiro relata que o movimento já supera o registrado no mesmo período do ano passado. “Devido à Copa, juntou o público da Copa e o público do São João. A procura está sendo maravilhosa. Todo dia está aumentando e já está faltando mercadoria”, afirma.

De acordo com ela, o valor gasto pelos consumidores varia bastante conforme a quantidade de itens adquiridos. Enquanto alguns clientes compram apenas acessórios, outros aproveitam para vestir toda a família para os festejos. “Tem cliente que gasta de R$ 200 a R$ 500, principalmente quando compra camisa do Brasil para a família toda”, relata.

A comerciante Marina Tomaz trabalha na barraca da família e percebe que, além das roupas e acessórios, estalinhos também estão entre os produtos mais procurados pelos consumidores. Segundo a comerciante, há clientes que gastam entre R$ 50 e R$ 100 apenas com esses itens.

Segundo ela, a demanda também tem sido impulsionada por roupas infantis, já que escolas estão solicitando roupas e adereços para atividades temáticas.

Entre os consumidores, a combinação entre Copa do Mundo e período junino também movimenta as compras. A advogada Marcelle Siti foi a uma das bancas em busca de uma blusa xadrez e de uma bandeira para decorar o carro.

Ela conta que costuma enfeitar a casa e o veículo durante os períodos festivos e que faz questão de envolver o filho nas comemorações. “Eu enfeito tudo. A casa, o carro. Tenho um filho e procuro ensinar a ele a valorizar essas tradições”, disse.

A expectativa dos comerciantes é que o movimento continue crescendo até o São João e o São Pedro, impulsionado tanto pela programação junina quanto pelos jogos da Seleção Brasileira. “Melhorou muito em relação ao ano passado. A Copa ajuda bastante nas vendas de camisas, bandeiras, fogos e outros produtos”, avalia.

A costureira Ana Souza prepara o ateliê durante todo o ano para montar uma barraca próxima à Avenida Roberto Freire e comercializar vestidos e fantasias juninas. Neste ano, além das peças tradicionais, ela também apostou na venda de artigos relacionados à Copa do Mundo.

Apesar do otimismo, Ana observa que a coincidência entre o período junino e o evento esportivo afetou parte das vendas tradicionais. Segundo a comerciante, a procura por fantasias juninas — produtos que costumam representar o maior ticket médio da barraca — caiu cerca de 30% em comparação com anos anteriores, já que muitos consumidores têm priorizado itens ligados à Copa.

Ela explica que o trabalho de produção começa logo após o encerramento de cada temporada junina, mas admite ter se surpreendido com a procura pelos produtos da Seleção Brasileira. “Vende muito e só é o início agora. A perspectiva é para sábado, com o jogo”, afirma.

Feiras têm queda no número de barraqueiros

O otimismo com as vendas neste período também contrasta com a redução no número de comerciantes atuando nas tradicionais feiras juninas de Natal. Ana Souza, que trabalha com a família no setor há anos, afirma que houve uma diminuição significativa de barraqueiros em Natal.

Conforme a comerciante, o cenário mudou principalmente após a pandemia da covid-19. “Ali na Antônio Basílio, depois da pandemia, caiu muito. O que era cerca de 40 barracas hoje são apenas oito. Antes ia até o fim da avenida”, relata.

Os feirantes acreditam que a redução está relacionada às dificuldades financeiras enfrentadas durante o período de restrições sanitárias. Muitos comerciantes, que dependiam das vendas sazonais e mantinham pequenos ateliês ou confecções, não conseguiram recuperar os prejuízos acumulados e acabaram encerrando as atividades.