Doria anuncia toque de recolher das 23h às 5h contra avanço da covid-19 em SP

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou, nesta 4ª feira (24.fev.2021), que o Estado vai restringir a circulação de pessoas das 23h às 5h para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus.

A medida entra em vigor em todo o Estado na próxima 6ª feira (26.fev) e vai durar, inicialmente, até 14 de março. O descumprimento pode ser punido com multa. As aglomerações seguem proibidas em qualquer horário.

A Polícia Militar apoiará os órgãos de vigilância sanitária municipais e do Estado e o Procon na fiscalização das medidas. O governo também disponibilizou um número de telefone para denúncias de infrações.

A decisão é motivada pelo recorde de internações pela doença no sistema hospitalar. São, atualmente, 6.657 pessoas internadas em leitos de UTI (unidade de terapia intensiva) por covid-19. Apenas nos últimos 10 dias, foram 660 novas internações.

“Não temos satisfação em fazer esse anúncio, mas temos necessidade para proteger vidas, o que significa garantir a existência. Sem vidas, não há consumo. Mortos não consomem. Mortes penalizam famílias e entristecem cidades, regiões, Estados e todo o Brasil”, afirmou Doria.

“A pandemia não acabou. O vírus continua circulando. Temos a vacina do Butantan, que a cada 10 vacinados, 9 recebem, mas vou repetir o que tem sido um mantra: governo federal e Ministérios da Saúde, precisamos de mais vacinas. Comprem vacinas. Outras vacinas são necessárias“, disse.

Doria esteve ao lado do secretário municipal de Saúde, Jean Gorinchteyn, de Paulo Menezes e João Gabbardo, médicos que integram o Centro de Contingência de combate à covid-19 no Estado, de Fernando Capez, diretor-executivo do Procon-SP (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor de São Paulo).

Segundo Gabbardo, o recrudescimento da pandemia em São Paulo é impulsionado pela disseminação de novas cepas do coronavírus.

“A variante pode se expandir, então o governo acolheu essas medidas do centro de contingência se antecipando ao que pode ocorrer. Nós ficaremos com muita atenção nos números e indicadores para os próximos dias e semanas”, disse.

Durante o anúncio, realizado em entrevista no Palácio dos Bandeirantes, o governo confirmou o envio de mais uma remessa de 900.000 doses da CoronaVac ao Ministério da Saúde nesta 4ª feira (24.fev). Eis as datas e quantidades previstas para o envio dos próximos lotes:

  • 5ª feira (25.fev): 900.000 doses;
  • 6ª feira (26.fev): 900.000 doses;
  • domingo (28.fev): 900.000 doses;
  • 2ª feira (2.mar): 600.000 doses;
  • 4ª feira (4.mar): 500.000 doses;
  • 5ª feira (5.mar): 600.000 doses.

Poder 360

Doria: Butantan irá produzir Coronavac sem depender de insumo da China em dezembro

O governador (PSDB/SP) informou nesta terça-feira, 23, que a primeira dose produzida integralmente no Brasil da Coronvac deve ser feita em dezembro. Com isso o Instituto Butantan não irá mais depender da matéria-prima importada da China para a fabricação da vacina contra covid-19.

“Temos dezenas de funcionários trabalhando com jornada em torno de 10 horas por dia para colocar a fábrica em conclusão. Até o mês de outubro ela estará totalmente concluída e em outubro, novembro e dezembro, as instalações dos equipamentos serão feitas. Ainda em dezembro deste ano, nós teremos já a primeira dose da vacina do Butantan 100% produzida no Brasil nesta fábrica e, a partir de janeiro, em escala evolutiva para a produção industrial.”

Atualmente, o instituto importa o insumo e fica responsável pelo envase, que é a etapa final de produção.

Sobre o pedido do Ministério da Saúde de mais 30 milhões de doses após a entrega das 100 milhões de doses que serão repassadas até o fim de agosto, Covas informou que o Butantan tem capacidade de produzir.

“Temos todas as condições de ofertar 30 milhões e até mais 50 milhões, se for necessário. Não pode interferir na compra para o Estado de São Paulo e para outros Estados que queiram ampliar a vacinação.”

Doria complementou que, como o Estado de São Paulo vai adquirir mais 20 milhões de doses que serão usadas para vacinar toda a sua população, esse repasse adicional não teria mais caráter de exclusividade.

“É bem-vinda e será aceita, mas não mais com exclusividade para o Ministério da Saúde nos preços e nas questões iguais. Todos os brasileiros de São Paulo serão vacinados até 31 de dezembro e todos os governadores têm a mesma intenção de comprar vacinas seja do Butantan seja de outros laboratórios para vacinar a população.”

Butantan envia 1,2 milhão de doses da Coronavac para o ministério da Saúde

Doria anunciou que o Instituto Butantan fez um repasse de 1,2 milhões de doses da Coronavac, vacina contra a covid-19 feita em parceria com a biofarmacêutica chinesa Sinovac, para o Ministério da Saúde nesta terça-feira, 23. “Até 5 de março estaremos entregando 5,6 milhões de doses da vacina. São novas doses e chegaremos a 16,6 milhões de doses da vacina do Butantan para o Brasil. Estamos torcendo por mais vacinas, a da Astrazeneca em parceria com a Fiocruz, é importante e necessária, mas precisamos de mais”, diz Doria.

Na última quarta-feira, 17, a gestão estadual tinha comunicado que 3,4 milhões de doses seriam enviadas em lotes de 426 mil doses ao longo de oito dias. Está previsto o repasse de 46 milhões de doses até abril. Também na semana passada, Doria anunciou que o instituto vai antecipar a entrega de um lote com 54 milhões de doses do imunizante em um mês e o repasse de da nova remessa será em agosto. “Até 30 de agosto, teremos entregue 100 milhões de doses”, afirma o governador.

Diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas disse que a instituição reforçou o trabalho para aumentar a produção sem interromper a fabricação da vacina contra a gripe, e que não há problemas para a produção das futuras doses.

“Tínhamos previsto mais de 420 mil doses para hoje, amanhã, mais de 900 mil e mais de 5 milhões até o dia 5. Cada um dos funcionários teve a sua contribuição. Temos pedido esforços redobrados para que a vacina seja produzida e repassada para o povo brasileiro. Aumentamos a força de trabalho e estamos buscando alternativas para duplicar nossa produção”, disse Covas que se emocionou durante o evento, que também comemorava os 120 anos do Instituto Butantan. “Na semana que vem, 8,2 mil litros da vacina devem chegar. Não temos problema com o fluxo de vacinas. O governo chinês está auxiliando.”

Diante do registro definitivo dado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o imunizante da Pfizer, Covas diz que esta não é uma prioridade do instituto. “Não temos vacina da Pfizer no Brasil e não teremos em curto prazo. A do Butantan está sendo produzida. Estamos aguardando documentos e temos a intenção de submeter o mais rápido possível.”

Exame

Anvisa concede registro definitivo para vacina contra covid-19 da Pfizer

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou nesta terça-feira ter concedido o registro definitivo para a vacina da contra a .

A aprovação foi comunicada em nota pelo presidente da agência, Antonio Barra Torres.

Esse é o primeiro registro definitivo que a Anvisa concede para uma vacina no país.

A Anvisa já autorizou para uso emergencial as vacinas Coronavac e Astrazeneca/Oxford.

“Como Diretor-Presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, informo com grande satisfação que, após um período de análise de dezessete dias, a Gerência Geral de Medicamentos, da Segunda Diretoria, concedeu o primeiro registro de vacina contra a Covid 19, para uso amplo, nas Américas.

O imunizante do Laboratório Pfizer/Biontech teve sua segurança, qualidade e eficácia, aferidas e atestadas pela equipe técnica de servidores da Anvisa que prossegue no seu trabalho de proteger a saúde do cidadão brasileiro.

Esperamos que outras vacinas estejam em breve, sendo avaliadas e aprovadas.

Esse é o nosso compromisso.” Diretor-presidente Antonio Barra Torres

Entre as autoridades de referência pela Organização Pan-Americana da Saúde OPAS), a Anvisa é a primeira a conceder o registro de uma vacina Covid-19, com 7 (sete) locais de fabricação certificados, refletindo a dedicação, planejamento e compromisso da Agência com o combate a pandemia. O registro abre caminho para a introdução no mercado de uma vacina com todas as salvaguardas, controles e obrigações resultantes dessa concessão. Diretora Meiruze Freitas.

Sesap publica portaria suspendendo temporariamente as cirurgias eletivas

A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) publicou no Diário Oficial do Estado (DOE) desta terça (23) portaria dispondo sobre as medidas temporárias em relação às cirurgias eletivas realizadas nas unidades de saúde do Rio Grande do Norte, devido ao crescimento do número de casos do Coronavírus (COVID-19).

Por meio do documento, a Sesap suspende, temporariamente, o agendamento e a realização dos procedimentos cirúrgicos em geral nas unidades hospitalares estaduais, além de recomendar a mesma ação nas unidades que compõem a Rede SUS (municipais e filantrópicas) e na rede suplementar.

As cirurgias eletivas que poderão permanecer sendo realizadas são as cirurgias vasculares, ortopédicas, cirurgias via demanda judicial e aquelas em que o adiamento possa agravar as condições de saúde do paciente. Nesse sentido, as unidades devem estabelecer medidas de gestão que possam garantir a segurança para realização das eletivas que estarão autorizadas.

A Portaria recomenda ainda a suspensão de atividades presenciais, ambulatoriais, laboratoriais e de apoio diagnóstico, que não comprometam o cuidado continuado de pacientes, com o propósito de evitar aglomeração de pessoas nos ambientes de espera.

Outra medida disposta na portaria é que as Unidades Hospitalares deverão disponibilizar os leitos e os espaços destinados aos procedimentos eletivos para atendimento e internações dos pacientes suspeitos ou confirmados quando incluídos dentro do Plano Estadual de enfrentamento ao COVID-19, ou dos Planos de contingência dos serviços.

Clique aqui e confira a portaria!

SESAP/ASSECOM

Volta do auxílio emergencial deve congelar salários de servidores por dois anos

O relatório da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do prevê o pagamento do benefício sem o corte de gastos de forma imediata. O texto, obtido pelo GLOBO, abandona quase todas as medidas imediatas de corte de gastos discutidas até o fim do ano passado, e propõe congelar os salários dos servidores públicos e contratação de pessoal por dois anos.

O relatório do senador Márcio Bittar (MDB-AC) ainda pode ser alterado até a votação prevista para a próxima quinta-feira. O texto trata o auxílio emergencial como “residual” para “enfrentar as consequências sociais e econômicas da pandemia da Covid-19”.

Por isso, ele tira o auxílio das metas fiscais, do teto de gastos (que limita as despesas da União) e da regra de ouro (que impede o endividamento para pagar despesas correntes).

O auxílio deve ser prorrogado em março. Os valores e a duração ainda são discutidos.

O governo e Bittar desistiram do corte imediato de despesas, como a revisão do abono salarial e o corte de salários e da redução das jornadas dos servidores públicos em 25%.

No relatório, a principal economia — que ainda não foi calculada — virá do congelamento de salários, contratações e progressão na carreira dos servidores públicos por dois anos a partir do momento de decretação do estado de calamidade pública. Isso valerá para União, estados e municípios. Caberá ao Congresso a decretação da calamidade, após pedido do governo. Isso deve ser feito após a aprovação da PEC.

Também será proibido por dois anos a realização de concurso público, exceto para as reposições de vacâncias; criação ou majoração de auxílios, vantagens, bônus, abonos, verbas de representação para servidores; criação de despesa obrigatória; reajuste de despesa obrigatória acima da variação da inflação; e concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária.

O congelamento de salários para União, estados e municípios já está valendo este ano, como contrapartida a um socorro financeiro do governo federal aos estados e municípios para compensar a queda de arrecadação que ocorria em 2019. A medida, portanto, valeria por mais dois anos.

O Estado de Calamidade Pública permitirá replicar o “Orçamento de Guerra” que vigorou no ano passado e permitiu o pagamento do auxílio emergencial até dezembro e de outros programas governamentais, além da liberação de recursos para a saúde, sem seguir as regras fiscais.

Esse regime também permitirá que o governo federal adote “processos simplificados de contratação de pessoal, em caráter temporário e emergencial, e de obras, serviços e compras”.

A PEC também regulamenta o que o governo chama de “gatilhos” para corte de gastos de União, estados e municípios. Essa medida é estrutural e de longo prazo e já era prevista na PEC do Pacto Federativo.

No caso de estados e municípios, esses gatilhos poderão ser acionados sempre que as despesas correntes superarem em 95% as receitas correntes num período de 12 meses. Governadores e prefeitos não são obrigados a adotar as medidas, como o congelamento de salários de servidores. A ativação aos 85% é opcional e dependerá do aval do Legislativo.

Para a União, a métrica será quando as despesas obrigatórias atingirem 94% das despesas totais.

Outras medidas

Pelo texto, o presidente Jair Bolsonaro terá que encaminhar em seis meses a partir da promulgação da PEC um projeto ao Congresso um plano para detalhar cortes de benefícios tributários. Os cortes deverão ser de 10% no primeiro ano. Os custos desses benefícios deverão ser reduzidos de 4,2% do PIB hoje para 2% em oito anos.

A proposta ainda apresenta outras medidas de longo prazo. Afirma que deve ser observado, na promoção e na efetivação dos direitos sociais, “o equilíbrio fiscal intergeracional”. Diz também que uma lei, no futuro, irá tratar da sustentabilidade da dívida pública.

Essa lei deve observar indicadores da apuração, níveis de compatibilidade dos resultados fiscais com a trajetória da dívida, trajetória de convergência do montante da dívida com os limites definidos em legislação, medidas de ajuste, suspensões e vedações, e planejamento de alienação de ativos com vistas à redução do montante da dívida.

A proposta também proíbe a vinculação das receitas públicas a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas as receitas oriundas da arrecadação de taxas, contribuições, doações, empréstimos compulsórios e de atividades de fornecimento de bens ou serviços e a repartição com estados e municípios.

Exame

Pfizer diz que não aceita condições de Bolsonaro para vender vacina ao Brasil

A Pfizer afirmou a senadores brasileiros nesta segunda (22) que não aceita as exigências feitas pelo governo brasileiro até agora para vender sua vacina ao país.

A farmacêutica e o Ministério da Saúde chegaram a um impasse em torno das cláusulas dos contratos para a comercialização do imunizante: a Pfizer quer que o governo brasileiro se responsabilize por eventuais demandas judiciais decorrentes de efeitos adversos da vacina, desde que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) tenha concedido o registro ou autorizado o uso emergencial e temporário.

A farmacêutica pretende também que qualquer litígio com o governo brasileiro seja resolvido em uma Câmara Arbitral de Nova York. E pede que o governo renuncie à soberania de seus ativos no exterior como garantia de pagamento, bem como constitua um fundo garantidor com valores depositados em uma conta no exterior.

Segundo a empresa, apenas o Brasil, a Venezuela e a Argentina não aceitaram suas cláusulas, que seguem um padrão internacional.

O Chile, por exemplo, assinou contrato e recebeu, em dezembro, milhares de doses da Pfizer, que já estão sendo aplicadas em sua população.

As informações foram dadas por executivos do alto escalão da empresa, que fizeram uma reunião virtual com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e também com o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) para tentar encontrar soluções legislativas que contornem os obstáculos.

Do encontro participaram também diretores da Johnson & Johnson, que pretende vender a sua vacina, a Janssen, ao Brasil.

O senador Randolfe Rodrigues já apresentou uma emenda à medida provisória que regulamenta a importação de vacinas prevendo que o governo brasileiro assuma a responsabilidade pelas demandas judiciais.

No domingo (21), o Ministério da Saúde, comandado pelo general Eduardo Pazuello, informou que pediu orientação ao Palácio do Planalto sobre como proceder para solucionar o impasse, já que as negociações estariam empacadas “por falta de flexibilidade das empresas”.

Mônica Bergamo  – Folhapress

Voo com 2 milhões de doses de vacinas decola da Índia

Um avião da companhia Emirates, com remessa de 2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca contra covid-19 decolou na madrugada de hoje (22) de Mumbai, na Índia, e deve chegar a São Paulo às 6h55 desta terça-feira.

A aeronave deixou a cidade indiana por volta das 10h30 da manhã (horário local), o que equivale a 2h da madrugada de hoje no horário de Brasília. A carga fará escala em Dubai, nos Emirados Árabes, de onde decolará para São Paulo às 22h40 (horário local) – 15h40 de hoje (horário de Brasília).

O voo chegará a São Paulo amanhã de manhã e as vacinas seguirão para o Rio de Janeiro, onde serão levadas para o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz).

As doses foram produzidas pelo Instituto Serum, parceiro da AstraZeneca na Índia e maior produtor mundial de vacinas. Mesmo prontas, as vacinas precisarão passar primeiro por Bio-Manguinhos para que possam ser rotuladas antes de serem distribuídas ao Programa Nacional de Imunizações.

A importação de doses prontas é uma estratégia paralela à produção de vacinas acertada entre a AstraZeneca e a Fiocruz. Para acelerar a disponibilidade de vacinas à população, 2 milhões de doses já foram trazidas da Índia em janeiro e está previsto um total de 10 milhões de doses prontas a serem importadas. Além dos 2 milhões que chegam amanhã ao país, mais 8 milhões estão previstas para os próximos dois meses.

Enquanto negocia a chegada das doses prontas, a Fiocruz trabalha na produção local das vacinas Oxford/AstraZeneca. Segundo o acordo com a farmacêutica anglo-sueca, a Fiocruz vai produzir 100,4 milhões de doses de vacinas até julho, a partir de um ingrediente farmacêutico ativo (IFA) importado. A primeira remessa desse insumo já chegou ao Bio-Manguinhos e o primeiro milhão de doses produzido na Fiocruz tem entrega prevista para o período de 15 a 19 de março.

De acordo com a fundação, os dois primeiros lotes estarão liberados internamente nos próximos dias. Esses lotes são destinados a testes para o estabelecimento dos parâmetros de produção.

“Com esses resultados, a instituição produzirá os três lotes de validação, cuja documentação será submetida à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Esses lotes somarão cerca de 1 milhão de doses e seus resultados serão enviados à Anvisa até meados de março”.

Também está em andamento na Fiocruz o processo de transferência de tecnologia para a produção do IFA no Brasil, o que tornará a fundação autossuficiente na produção das vacinas. A previsão é que as primeiras doses com IFA nacional sejam entregues ao Ministério da Saúde em agosto, e, até o fim de 2021, seja possível entregar 110 milhões de doses, elevando o total produzido no ano pela Fiocruz para 210,4 milhões.

Agência Brasil

Natal inicia vacinação de idosos acima de 90 anos na segunda-feira (22)

Natal vai iniciar nesta segunda-feira (22) a vacinação dos idosos de 90 anos de idade ou mais. Para serem vacinados, é necessário levar o cartão da vacina, comprovante de residência e documento original com foto.

A nova etapa da vacinação acontece após o município encerrar a imunização dos profissionais de saúde nesta sexta-feira (19).

A vacinação dos idosos vai acontecer em três pontos drives thru: Palácio dos Esportes, Via Direta e Nélio Dias – os dois últimos contam também com sala de vacinação para pedestre. O funcionamento é de 8h às 16h, entre segunda a quinta, e na sexta-feira até 13h.

Além dos drives, salas de vacinação irão funcionar nas Unidades Básicas de Saúde: UBS São João UBS Nazaré, UBS Pajuçara, UBS Candelária e USF Vale Dourado – com funcionamento das 8h às 12h30 e das 13h30 às 16h.

“Vamos iniciar essa fase conforme durar o estoque vacinal do município, até o recebimento de um novo lote. Pedimos que as pessoas levem documento com foto, comprovante de residência e cartão de vacinação para agilizar a triagem. É importante destacar que todos serão vacinados de acordo com a chegada de novas doses”, explica o secretário municipal de Saúde, George Antunes.

Segundo o prefeito Álvaro Dias, a expectativa é da chegada de mais vacinas para atender o grupo prioritário. “Vamos ter mais vacinas esta semana para ampliar as pessoas que fazem parte dos grupos prioritários”.

O município de Natal já aplicou desde do início da campanha de vacinação, em 20 de janeiro, 37 mil doses da vacina contra a Covid-19.

Para a Coronavac, o intervalo de recebimento da segunda dose da vacina é de duas a quatro semanas após a aplicação da primeira dose. Para a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, o intervalo para a vacinação é de 12 semanas a partir da primeira aplicação. O calendário adotado pela SMS Natal segue dentro do Plano Nacional de Imunização do Ministério da Saúde, com definição dos grupos prioritários de cada categoria conforme chegada dos novos lotes na capital.

DRIVES

UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE

G1.

Brasil completa 1 mês de vacinação em ritmo 75% inferior à sua capacidade

Há um mês, a enfermeira Mônica Calazans recebeu a primeira dose da CoronaVac (vacina da farmacêutica Sinovac Life Science em parceria com o Instituto Butantan) dando início ao novíssimo Programa Nacional de Imunização brasileiro. Nesse período, por volta de 5,6 milhões de aplicações foram distribuídas, num ritmo inferior a robusta capacidade do país e da necessidade imposta pela pandemia. A atual logística permite que 250.000 brasileiros recebam agulhadas por dia, de acordo com levantamento em médias móveis do portal Our World in Data, ligado à Universidade de Oxford.

O número é 75% menor do que a capacidade estimada por grandes especialistas brasileiros em imunização. “Para a campanha da gripe, por exemplo, vacinamos 80 milhões de pessoas em três meses. Portanto pensar em 1 milhão de aplicações por dia é bastante razoável, poderia até ser mais”, disse em entrevista recente a VEJA o infectologista e presidente do departamento de imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, Renato Kfouri.

O ritmo lento está ligado, principalmente, à ausência de doses disponíveis aos brasileiros. De todas as aplicações garantidas em contrato pelo Governo Federal, menos de 10% desembarcaram no país e boa parte ainda não foi distribuída.

O país manteve médias de aplicações por dia entre 246.200 e 251.800 doses desde o final da semana passada até a última quarta-feira, 17. Para se ter uma ideia, os Estados Unidos, em período semelhante, variou entre 811.600 e 913.900 em médias móveis diárias. Se compararmos as médias dos dias exatos em que Brasil e Estados Unidos completaram um mês de vacinação, a diferença é de 72%.

Veja

Covid-19: Fiocruz receberá 2 milhões de doses na próxima semana

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) deve receber até o fim da próxima semana mais 2 milhões de doses da vacina da AstraZeneca contra a covid-19. O material, que já vem pronto para ser aplicado, foi produzido pelo Instituto Serum, da Índia. A Fiocruz fará apenas a rotulagem para distribuição pelo Programa Nacional de Imunizações.

Outros 8 milhões de doses estão previstos pelo acordo com os parceiros AstraZeneca e Instituto Serum, mas ainda não há data prevista para o recebimento. Em janeiro deste ano, a Fiocruz já havia recebido 2 milhões de doses da vacina.

A estratégia de receber doses prontas é uma iniciativa paralela à produção própria feita pela Fiocruz, a partir da importação do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA).

Agência Brasil

Com alta de internações, Prefeitura de Natal abre 10 leitos de UTI e decide ampliar horário de atendimento em unidades básicas

Comitê Científico Municipal de Combate a Covid-19 se reuniu na noite desta quinta-feira (18), no gabinete da prefeitura de Natal, para discutir a necessidade de adotar medidas mais restritivas contra o avanço da doença, após as altas de internação no município.

A equipe decidiu que, por enquanto, não vai restringir o horário de funcionamento do comércio, bares e restaurantes na capital do estado, ou suspender as aulas presenciais nas escolas privadas. Uma das medidas tomadas será a ampliação no horário de atendimento das unidades de saúde.

O comitê científico municipal informou que vai avaliar o comportamento da pandemia nas próximas semanas.

“O nosso comitê científico entende que a princípio não precisamos aumentar as medidas restritivas com relação ao horário de funcionamento de bares e restaurantes. Por enquanto, não. Vamos observar, vamos recomendar a profilaxias, a prevenção através das medidas sanitárias recomendadas”, justificou o prefeito Álvaro Dias.

As unidades de saúde passam a funcionar até às 20h. Além disso, o comitê informou que irá distribuir nesses locais medicamentos que não tem comprovação na prevenção e combate a Covid-19, como a ivermectina. remédio não tem eficácia comprovada cientificamente contra a Covid-19, como informou a própria farmacêutica Merck, responsável pela fabricação do vermífugo. Segundo a empresa, não há dados disponíveis que sustentem a eficácia do medicamento contra a Covid-19.

A prefeitura anunciou também a reabertura de 10 leitos de UTI no Hospital Municipal de Campanha a partir desta sexta-feira (19), totalizando 30 leitos na unidade. De acordo com os médicos do comitê científico, a demanda de pacientes com síndromes respiratórias cresceu nas últimas semanas na rede municipal de urgência e emergência, principalmente pacientes de outras cidades atendidos na rede de saúde de Natal.

“Já foi detectado que muitos municípios, principalmente da região metropolitana, não estão conseguindo oferecer uma assistência mínima dos seus pacientes, ou fecharam serviços. E esse paciente acaba migrando aqui para a capital. E como a gente está vendo que houve esse aumento do quantitativo, então se faz necessária a abertura desses leitos pra dar uma maior assistência e fluidez às portas”, explicou o médio intensivista integrante do comitê, Augusto Ramalho.

G1

Saúde reclama de atraso da Coronavac, e Butantan ataca ‘falta de planejamento’ da pasta

O Ministério da Saúde e o Instituto Butantan trocaram acusações nesta quinta-feira (18) em relação aos prazos de entrega da vacina Coronavac, desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac e produzida no Brasil pelo instituto paulista.

Como a Folha mostrou, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, divulgou em reunião com governadores nesta quarta (17) um cronograma em que previa entrega em fevereiro de 9,3 milhões de doses da Coronavac.

O total, porém, estava acima do que havia sido anunciado horas antes pelo Butantan. O instituto prevê entregar 426 mil doses por dia a partir do dia 23 –o que corresponderia a 2,6 milhões de doses.

Somado a outras doses já entregues no início deste mês, o total disponibilizado em fevereiro chegaria a 3,7 milhões.

Em nota , o ministério afirma que “contava com a entrega” das 9,3 milhões de doses e foi informado apenas nesta quinta que receberá valor menor do que o previsto. “A redução no número de vacinas quebra a expectativa do Ministério da Saúde de cumprir o cronograma divulgado”, informa.

A pasta diz ainda que a dificuldade em manter o cronograma inicial “está em o Butantan conseguir cumprir as entregas das doses previstas em contrato”.

“Diante da situação, o Ministério da Saúde precisará rever a distribuição das doses das vacinas relativas ao mês de fevereiro”, aponta a pasta, que diz que já havia informado estados e municípios da previsão de distribuição.

“Fica muito difícil planejar sem ter a confirmação de que vamos receber”, disse em vídeo divulgado pelo ministério o secretário-executivo Elcio Franco.

As declarações geraram incômodo no instituto paulista, que divulgou uma nota em resposta na qual afirma que o ministério “ignora briga com a China e decide atacar o Butantan”.

Segundo o laboratório, o ministério “deixa de informar que o desgaste diplomático causado pelo governo brasileiro em relação à China provocou atrasos no envio da matéria-prima necessária para a produção da vacina”.

Diz ainda que não houve empenho do governo federal na negociação para liberar os insumos e atribui a intervenções do governo paulista o aval para a liberação.

“É inacreditável que o Ministério da Saúde queira atribuir ao Butantan a responsabilidade pela sua completa falta de planejamento, que acarretou a falta de vacinas para a população em diversos municípios do país“, completa.

Ainda segundo o instituto, 9,8 milhões de doses já foram entregues ao ministério para a campanha de vacinação.

Essa, porém, não é a primeira vez que membros do governo e o Butantan trocam farpas em relação à Coronavac. No último ano, a vacina esteve no centro de uma disputa política entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador paulista, João Doria (PSDB-SP).

Em outubro, o ministério chegou anunciar que compraria 46 milhões de doses da vacina, mas recuou no dia seguinte após o presidente afirmar que não permitiria a compra da “vacina chinesa do Doria”.

Após meses de embate, o contrato foi firmado em janeiro. Atualmente, o Ministério da Saúde prevê receber 100 milhões de doses da Coronavac.

O imunizante foi o primeiro a ser usado na campanha de vacinação contra a Covid. Nesta quinta, a pasta enviou um ofício ao Butantan em que manifesta a intenção de obter mais 30 milhões de doses a partir de outubro.

Folhapress

Cortina de fumaça, por Antônio Carlos de Almeida Castro

Assim eu quereria o meu último poema

Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais

Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas

Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume

A pureza das chamas em que se consomem os diamantes mais límpidos

A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.”

O Último Poema- Manuel Bandeira

No dia em que as vacinas contra a covid-19 acabaram em 5 capitais e em várias outras cidades, em que a transmissão do vírus volta a subir e, pelo 28° dia seguido, a média de mortos fica acima de 1 mil no país, os grandes assuntos que dominam a imprensa são a prisão de um deputado fascista que ninguém sequer sabe o nome, a eliminação do Nego Di do BBB e outros temas que emolduram a realidade brasileira. É claro que ninguém aguenta mais falar só sobre a angústia de ver a morte rondando, a tristeza do isolamento dos que levam a ciência a sério, o desespero do pânico que acomete os infectados, mas, convenhamos, alguma coisa está fora da ordem.

O tal deputado foi preso por atentar contra a estabilidade democrática em vídeos gravados de baixíssimos níveis nos quais profere xingamentos, uma fala completamente sem nexo, faz ameaças de morte às autoridades e prega o fechamento do Supremo Tribunal Federal e a volta do AI-5 (Ato Institucional 5), dentre outras barbaridades. Opa, quem é mesmo o autor de tantos impropérios, absurdos e crimes? Ufa, é um deputado troglodita e não o líder dele, o presidente da República.

Na verdade, posso pressupor que o tal deputado está se espelhando no comportamento do chefe do executivo para angariar simpatia e popularidade. Por sinal, é instigante que sempre que os índices da pandemia se tornam mais dramáticos surjam histórias diversionistas para o Brasil “esquecer” o vírus, as mortes, o descaso nos hospitais, a falta de programa para o combate da doença. Como se fosse possível esconder o caos, a tragédia. Mas isso é um fato e parece ser uma estratégia. Lembro-me do poeta Luiz Gama, no soneto Ao Mesmo:

“Silêncio, ó charlatão!

Nem mais um passo,

Que levo-te a vergalho,

à palmatória,

transformo-te num burro,

e mais não faço.”

O próprio deputado preso parece fazer parte dessa estratégia. Não é crível alguém ser tão bizarro, tão tosco, atrasado, agressivo e preconceituoso. Na verdade, sabemos que é possível e até conhecemos em quem ele se espelha, mas que país merece isso em meio a uma pandemia? Vou repetir para não parecer falso: a vacina está acabando no Brasil. O país que tinha um dos melhores sistemas públicos de saúde do mundo, com uma capacidade de vacinar todos os brasileiros em tempo recorde, teve o SUS sucateado. Nossas instituições de pesquisa na saúde, orgulho internacional, foram abandonadas por falta de investimentos e prioridade.

Nossa estratégia de enfrentamento da pandemia foi entregue a um general que presta subserviência a um capitão negacionista. As ofertas de compra de vacinas foram negligenciadas e a prioridade foi adquirir a cloroquina. Nós não temos vacina em meio à maior crise sanitária dos últimos séculos. E não temos por uma opção do governo que entendeu que as recomendações dos cientistas, dos médicos, da OMS (Organização Mundial da Saúde), enfim, eram meras opiniões que não precisariam ser seguidas. Ou por razões financeiras, cumpre investigar.

É necessário prestar atenção no que disse o fundador e primeiro presidente da Anvisa sobre a capacidade instalada no país para enfrentar a necessidade de vacinar a população. O Brasil tem estrutura para administrar 3,04 milhões de vacinas contra covid-19 por dia. Ou seja, se contarmos a vacinação apenas nos dias úteis, 20 dias por mês, temos capacidade de vacinar 60 milhões por mês. Em um momento de pandemia, é claro, a vacinação pode ser ininterrupta, o que garantiria 90 milhões de brasileiros vacinados por mês. Já teríamos vacinado todas as pessoas em território nacional.

É bom deixar claro que isso não ocorreu por conta única e exclusiva da falta de política séria do governo no enfrentamento da crise sanitária, por não ter adquirido a vacina. Os responsáveis por esse quadro são as autoridades federais, a política negacionista e a campanha feita contra a vacina. Logo, são responsáveis diretos pelo excesso das mortes, pelo desastre econômico, pelas angústias que marcaram a ferro e fogo as almas do nosso povo.

Fique registrado que é gravíssimo um deputado pregar a volta da ditadura, o fechamento do Supremo, ameaçar Ministros da Suprema Corte, ofender os poderes constituídos, bradar pelo retorno do AI-5 e dos anos de chumbo. Mas, convenhamos, isso é o que o Presidente da República fez e faz diversas vezes. A novidade é a agressividade com que foram tratados os Ministros do Supremo, na mesma linha de boçalidades do chefe dele, sendo que o chefe vomita também contra o Congresso Nacional.

Mas, enquanto debatemos o risco para as instituições de um deputado desconhecido e medíocre, o líder dele passa um projeto de armamento que faz corar de inveja os grandes países armamentistas. Não é só um projeto para segurança pessoal, é uma proposta de armar a população e, segundo especialistas, visa abastecer o crime organizado e a milícia com a facilitação de compra de armamento via mercado legal. É a privatização da segurança pública. Os que sobreviverem ao vírus não escaparão das armas.

No ano passado a população comprou 32 milhões de projéteis, a mesma quantidade que as forças de segurança pública. Estatísticas apontam que o número superou em 143% o quantitativo de munições do exército, o que reforça minha tese de que esse governo confia e aposta mais na milícia, na segurança privada e nos seus seguidores do que nas forças armadas. E temos que ter em mente que o nível intelectual desse grupo é parecido com o do deputado que foi preso por imitar o líder. Ou seja, estamos armando verdadeiros assassinos em potencial. Assassinos da democracia, da vida civilizada, da coisa pública, das relações respeitosas, da vida em sociedade, enfim.

Imagine o que é a pessoa se preparar ao longo da vida para ser ministro do Supremo, para enfrentar as grandes indagações jurídicas e os grandes embates nacionais e, de repente, ter que se relacionar com um presidente da República completamente fora da realidade e, pior, ter que conviver com ameaças vulgares, mas graves, de políticos, com ou sem mandato, a serviço de um fascismo institucionalizado. Bestas feras sem nenhum critério, sem nenhuma hipótese de diálogo. Um governo de extraterrestres cujas propostas não suportam nenhuma análise crítica, nenhuma discussão intelectual, nenhuma hipótese de reflexão. A agressividade desse deputado, o idiota da vez, é tão vulgar, tão repulsiva, que dá náusea perder tempo com ele.

Eu sei que temos que discutir os limites e a legalidade da prisão, os contornos do flagrante, as consequências para o devido processo legal da ordem de prisão ter partido do ministro sem o pedido do Ministério Público, tudo grave e fundamental para o estado democrático de direito, mas cansa. A mediocridade é acachapante. O nível das agressões beira as pornochanchadas e nós nos transportamos para a boca do lixo sem, é claro, o charme dos nossos filmes da época. Faz-me lembrar do velho Mario Quintana, em Emergência:

“Quem faz um poema abre uma janela,

Respira, tu que estás numa cela abafada, esse ar que entra por ela.

Por isso é que os poemas têm ritmo

para que possas profundamente respirar.

Quem faz um poema salva um afogado.”

E, enquanto tentamos fazer com que os poderes constituídos mantenham uma harmonia constitucional, o país mergulha num precipício sem paraquedas e sem ter ideia do fundo do poço. Humilhante ver as filas de infectados para tentar conseguir um lugar no hospital, sem nenhuma perspectiva de combate sério do vírus. Neste momento, 2.32 % da população do Brasil já recebeu a primeira dose da vacina. Insignificantes 2.32%. Criminosos esses números. E nós temos que tentar respirar um ar que já falta ao país nessa tentativa de uma resistência à mediocridade.

A nossa falta de ar, ao menos, nos permite ainda assim seguir em frente, mas a falta de ar que vem da falta de responsabilidade no trato com a crise sanitária não, essa falta de ar mata. E nós todos temos responsabilidade com esse dramático estado de coisas. Não podemos deixar crescer muros que nos separem. Muros de pedra ou de indiferença. A política desses fascistas ergueu muralhas, cavou fossos e construiu alçapões. Tudo para que nós não façamos o necessário enfrentamento do endurecimento brutal que eles estão instalando.

Eles são como placas de gordura nas nossas veias. São como um véu turvo que desce no cristalino e impede a visão, cegando-nos a todos. São como o vazio das madrugadas de segunda-feira nas cidades do interior, onde só sobram os coretos vazios sem a algaravia dos passantes. Uma solidão doida. Um silêncio ensurdecedor.

Esse deputado caricatural não deveria tomar nosso tempo, mas ele significa nossa derrota. É na mediocridade dele que esse governo se ampara com milhões de seguidores, tanto que ele desestabiliza as estruturas democráticas com seu ataque às instituições. Ele não, claro, mas o que ele significa, o que ele representa.

Fazer a resistência democrática dentro do Judiciário e dentro do Parlamento faz a democracia se tornar mais forte. Mas é necessária uma resistência interior, uma busca, quase fuga, de um espaço sem esse massacre diário de tanta banalidade. A coragem de não levar tão a sério essa avalanche de idiotices, a sensibilidade de priorizar o contrário do que está posto e a rir desses seres bizarros, incultos e banais. Sem isso nós acabamos ficando parecidos com eles e aí não terá valido a pena. Recorro-me a Paul Éluard, nos últimos versos do imortal soneto Liberté:

“Em meus refúgios destruídos

Em meus faróis desabados

Nas paredes de meu tédio

Escrevo teu nome


Na ausência sem mais desejos

Na solidão despojada

E nas escadas da morte

Escrevo teu nome

Na saúde recobrada

No perigo dissipado

Na esperança sem memórias

Escrevo teu nome

E ao poder de uma palavra

Recomeço a minha vida

Nasci pra te conhecer

E te chamar

LIBERDADE.”

Poder 360.

Farmacêuticas multinacionais iniciam ensaios de vacinas contra Covid-19 em gestantes

Desenvolvedores de vacinas contra a Covid-19 se preparam para iniciar ensaios em mulheres grávidas com o objetivo de provar que os imunizantes são seguros para gestantes.

Pfizer e a parceira alemã BioNTech começaram os ensaios com sua vacina de RNA mensageiro em 4 mil mulheres nos últimos estágios da gravidez, de acordo com o site de registros de ensaios clínicos dos Estados Unidos.

As empresas realizarão um estudo de estágio intermediário entre 350 voluntárias com 27 a 34 semanas de gestação para confirmar a segurança antes de passar para ensaios avançados entre mulheres com 24 a 34 semanas de gestação.

AstraZeneca e Johnson & Johnson planejam realizar ensaios nos próximos meses. É uma boa notícia para grávidas, que até agora têm enfrentado um difícil dilema: foram excluídas dos estudos de vacinas, porém são mais vulneráveis a casos graves de Covid-19. Alguns estudos também relacionaram a doença ao parto prematuro.

“Embora seja uma boa notícia que os ensaios de vacinas em mulheres grávidas estejam finalmente começando, os resultados desses testes provavelmente não estarão disponíveis antes do outono”, no hemisfério norte, disse Marian Knight, professora de saúde da população materno-infantil da Universidade de Oxford.

Mulheres grávidas foram excluídas dos estudos de vacinas devido à falta de informações sobre segurança e risco potencialmente maior de eventos adversos, apesar dos apelos de muitos cientistas e médicos para a inclusão de gestantes.

Como resultado, EUA, Reino Unido e a Organização Mundial da Saúde desaconselharam a vacinação de mulheres grávidas, a menos que façam parte do grupo de alto risco, como profissionais de saúde da linha de frente.

O estudo da Pfizer-BioNTech será realizado nos EUA, Europa, América do Sul e África e se concentrará no terceiro trimestre da gravidez para minimizar o risco para bebês ainda em gestação, disse a BioNTech em comunicado por e-mail. As empresas não planejam avaliar se a vacina pode ter efeito preventivo para bebês após o nascimento.

A maioria das empresas também estabeleceu registros para monitorar participantes que conceberam após participarem de ensaios de vacinas. Astra e Universidade de Oxford disseram em painel nos EUA em janeiro que 21 mulheres dos ensaios ficaram grávidas após a vacinação, enquanto 23 que participaram dos estudos da Pfizer-BioNTech relataram no ano passado que estavam grávidas.

A diretriz atual do Reino Unido aconselha o adiamento da segunda dose da vacina se uma mulher de baixo risco engravidar após a primeira injeção.

Os ensaios de vacinas com crianças também só começaram nos últimos meses, e os primeiros dados são esperados em meados do ano. Embora as crianças geralmente não sofram de Covid grave, podem ser essenciais para prevenir a transmissão para pessoas vulneráveis, incluindo mulheres grávidas em casa.

Os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA disseram na quarta-feira que iniciaram um estudo sobre os efeitos do remdesivir no tratamento da Covid-19 em mulheres grávidas. O antiviral da Gilead Sciences demonstrou acelerar a recuperação de casos graves e foi aprovado pelos EUA para uso em pacientes com Covid no ano passado.

Exame

Brasil garante vacinas para todos os maiores de 18, mas só 9% chegaram

O Brasil atingiu um desejado patamar para controle da pandemia na última terça-feira, 16. Com a confirmação de compra das 54 milhões de doses da CoronaVac, produzida pela farmacêutica Sinovac Life Science em parceria com o Instituto Butantan, o país tem cota suficiente para vacinar toda a população acima de 18 anos. Atualmente são 162,8 milhões de brasileiros maiores de idade, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Atualmente, o país tem garantidas 354,9 milhões de doses neste 2021. Para chegar a essa monta, consideramos somente os contratos assinados. São os seguintes: Butantan/Sinovac, com 100 milhões de doses a serem disponibilizadas até setembro; Fiocruz/AstraZeneca, com 212,4 milhões de doses em contrato até dezembro e o consórcio Covax Facility com 42,5 milhões de aplicações a serem entregues até o fim do ano, de acordo com o Governo Federal. Para oferecer duas doses a toda a população, seriam necessárias 325,6 milhões de doses (há, inclusive, uma ligeira diferença para considerar a taxa de desperdício de 5%, algo como 16,28 milhões de doses).

A conta de doses fisicamente disponíveis, porém, é bem menor. 31,9 milhões doses já desembarcaram em solo nacional, 8,9% do total combinado. O Butantan já entregou 9,8 milhões de doses (prontas) ao Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde. No instituto há material suficiente para mais 17,3 milhões de aplicações, que devem ser serem finalizadas e envasadas. A Fundação Oswaldo Cruz já recebeu 2 milhões de doses prontas — entregues pelo Ministério da Saúde para todo o país — e tem em suas dependências insumo suficiente para preparar outras 2,8 milhões de aplicações.

Outras negociações

A prancheta do Ministério da Saúde tem outras opções a serem assinadas. São, a princípio, 10 milhões de doses da Sputnik V, do Instituto Gamaleya, na Rússia. E também 20 milhões de doses da Covaxin, da indiana Bharat Biotech. As duas vacinas ainda não têm qualquer tipo de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aplicações no Brasil, nem em forma de testes. O Governo Federal diz que deve assinar ainda nesta semana os dois contratos.

O Butantan também abriu negociações para comprar mais 20 milhões de doses da CoronaVac. Elas seriam entregues a partir de setembro. A Fiocruz prepara-se para a compra de mais 10 milhões de doses prontas junto ao Instituto Serum, na Índia, responsável pela primeira entrega da vacina de Oxford no Brasil, em janeiro. Ainda que o Ministério da Saúde já considere as doses como “garantidas”, membros da Fiocruz ouvidos por VEJA tratam o tema com cautela — uma vez que a primeira importação foi marcada por uma grande dúvida se o contrato seria celebrado ou não. Os trabalhos, porém, estão muito bem encaminhados.

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