Setores econômicos cobram previsibilidade e investimentos

 

Da esquerda para a direita: Roberto Serquiz (Fiern); Marcelo Queiroz (Fecomércio); José Vieira (Faern); Zeca Melo (Sebrae/RN). Fotos: Adriano Abreu e Magnus Nascimento

Responsabilidade fiscal, segurança jurídica, infraestrutura e qualificação profissional estão entre as principais preocupações de representantes do setor produtivo do Rio Grande do Norte para o próximo ciclo de governo. As entidades defendem que a gestão estadual transforme essas prioridades em medidas concretas para ampliar os investimentos, fortalecer as empresas locais e gerar emprego e renda. As propostas abrangem desde mudanças na administração pública e parcerias com a iniciativa privada até ações específicas para a indústria, o comércio, os serviços e o agronegócio.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-RN) apresentaram aos candidatos agendas para o período de 2027 a 2030. Entre as medidas defendidas estão um plano plurianual de ajuste fiscal, o controle das despesas públicas e a ampliação das Parcerias Público-Privadas (PPPs). As entidades também apontam a necessidade de melhorar a infraestrutura logística e criar condições para atrair empreendimentos, com atenção ao saneamento e à segurança hídrica.

Para o presidente da Fiern, Roberto Serquiz, a falta de previsibilidade e os entraves à atividade econômica prejudicam a capacidade de expansão das empresas. Em manifestação publicada pela Tribuna do Norte, ele defendeu “um governo com responsabilidade fiscal, capacidade de gestão e disposição permanente para o diálogo”, além de uma agenda voltada a estimular investimentos, produção e emprego.

No comércio e nos serviços, a Fecomércio-RN também reivindica simplificação de procedimentos, qualificação profissional, melhoria da segurança pública e fortalecimento do turismo. A entidade considera necessário ampliar a conectividade aérea e a infraestrutura para tornar os destinos potiguares mais competitivos e distribuir oportunidades para além dos principais polos turísticos.

O agronegócio, por sua vez, cobra melhores condições de produção e comercialização no interior. Em outubro, a Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Faern) apresentou aos candidatos uma agenda com demandas relacionadas a infraestrutura, acesso à água, crédito, assistência técnica, qualificação e inovação. O documento reúne propostas para 12 cadeias produtivas, incluindo atividades vegetais, agroindustriais, pecuárias, aquícolas e da economia do mar.

“É preciso que as diretrizes não fiquem no papel”, defendeu o superintendente do Sebrae-RN, Zeca Melo, em artigo publicado na Tribuna do Norte. Ele propõe ampliar o apoio aos pequenos negócios por meio de capacitação, crédito para modernização, conexão com universidades e simplificação para abrir, manter e regularizar empresas. Também aponta o fortalecimento dos arranjos produtivos locais, a ampliação das exportações e a inclusão de fornecedores potiguares nas cadeias de energia e petróleo.

Melo chama atenção ainda para a aplicação efetiva da Lei Geral da Microempresa no Estado. Segundo ele, o desafio é garantir regulamentação, governança e fiscalização para que a legislação produza resultados. “O pequeno empresário necessita previsibilidade, simplificação e tratamento justo. Não precisa de mais uma lei no papel”, escreveu.

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