Autodidatas distintos

Marcelo Alves Dias de Souza

Miguel de Cervantes Saavedra (1547-1616) foi um gênio. Poeta, dramaturgo e, sobretudo, romancista, ele é sinônimo de literatura em língua espanhola, sendo esta às vezes chamada de a “língua de Cervantes”. O “Quixote” (“El ingenioso hidalgo Don Quijote de la Mancha”, no original) é uma obra-prima da literatura universal, por muitos considerado o primeiro romance moderno e, com certeza, um dos melhores já escritos em todos os tempos.

Cervantes foi um gênio autodidata, sem estudos oficiais, ao contrário do que por vezes se imaginou. Como registra Luis E. Rodríguez-San Pedro Bezares, em “Atmósfera universitaria em Cervantes” (Ediciones Universidad Salamanca, 2006), “Cervantes, ao contrário de Góngora, Calderón ou Quevedo, não parece ter feito um curso universitário, nem em Salamanca nem em Alcalá [de Henares, historicamente uma das cidades universitárias mais prestigiadas da Espanha, onde ele nasceu], e deve ser considerado um autodidata, embora de formação humanista e acentuado gosto pelos livros. A formação de Cervantes suscitou diversidade de opiniões. Ele mesmo parece se definir como ‘pouco alfabetizado’ e de ‘sabedoria leiga’. O mais provável é supor uma educação de cunho humanista e de nível pré-universitário, obtida em colégios jesuítas ou municipais, como já indicamos. Implicaria isso um certo nível de conhecimento do latim, manifestado, entre outras coisas, em várias citações e expressões de Dom Quixote? Por outro lado, Cervantes demonstra familiaridade com a obra de vários autores clássicos como Homero, Virgílio, Horácio, Ovídio, Cícero, Terêncio, Sêneca, Júlio César, Salústio ou Plutarco, para citar alguns. Os especialistas também apontaram um marcado autodidatismo em Cervantes e um notável amor pela leitura”.

 Entretanto, apesar do autodidatismo de Cervantes, é certo o seu amor – talvez seja até melhor dizer “fascínio” – pela vida universitária, sobretudo a salamantina. Como anota o autor de “Atmósfera universitaria em Cervantes”, Salamanca “constitui uma referência literária e um fascínio cultural ao longo de toda a obra de Cervantes. São recorrentes as alusões míticas a Salamanca como cidade do saber e das letras (…)”, assim aparecendo, inclusive, em diversos capítulos do Quixote. Esse fascínio universitário inclui quase todos os ramos do saber: letras e humanidades, lógica e filosofia, saberes médicos e, por supuesto, o velho e bom/mau direito. 

A essa mesma estirpe – de homem premiado com o dom da genialidade e autodidata em tudo e um pouco mais – também pertence um tal William Shakespeare (1564-1616). Como anota George Steiner, em “Lições dos mestres” (Editora Record, 2005), “o inventário da experiência humana de Shakespeare é considerado, com justiça, praticamente insuperável. Que ocupação, que vocação – a do médico, do advogado, do usurário, do soldado, do navegador, do vidente, da prostituta, do religioso, do político, do carpinteiro, do músico, do criminoso, do santo, do fazendeiro, do mascate, do monarca – escapou à sua percepção?”. Com inigualável capacidade de apreensão, Shakespeare manipula essas ocupações e seus termos técnicos com uma poesia até hoje inigualável. Teria alguma espécie de relação humana escapado à sua intuição? Shakespeare parece abarcar o mundo todo. 

Todavia, curiosamente, o tema do estudo formal/universitário, do mestre e seus discípulos, aparentemente deixou Shakespeare indiferente. Pelo menos, a relação do mestre-discípulo e a educação formal como a conhecemos não foram temas centrais na sua obra, sendo marcante o contraste com a fome de saber formal que animava seus grandes contemporâneos, como Christopher Marlowe (1564-1593) e Ben Jonson (1572-1637). 

Poderia a ausência do tema “mestre-discípulo”, da educação formal/universitária, significar a rejeição, mesmo subconsciente, por parte do universalista autodidata Shakespeare, da autoridade de um chefe/professor? Poderia ser algum tipo de complexo (de inferioridade) por não possuir ele mesmo esse tipo de educação? Ou poderia ser simplesmente o resultado natural de uma mentalidade tão inovadora e astuta que tem como supérflua, banal até, a dialética da instrução formal então escolástica? 

Bom, como aduz o autor de “Lições dos mestres”, explicar essa omissão é ter acesso às “áreas vitais da sensibilidade labiríntica” shakespeareana. E só nos resta, à moda de um Matthew Arnold, “perguntar e perguntar”: “quem poderia ter ensinado a Shakespeare as verdades e falsidades da consciência humana?”.

Marcelo Alves Dias de Souza
Procurador Regional da República
Doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL
Membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras – ANRL

Mossoró realiza “Dia D” de vacinação contra a dengue

Rodolfo Fernandes (SECOM/PMM)

A Prefeitura de Mossoró, através da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), realizou neste sábado (8) o “Dia D” de vacinação contra a dengue. A mobilização é nacional e integra a nova campanha de prevenção e controle das arboviroses. A SMS disponibilizou oito pontos de imunização contra a doença.

Estiveram abertas as Unidades Básicas de Saúde Dr. Luís Escolástico (Santa Delmira); Raimundo Renê (Boa Vista); Vereador Lahyre Rosado (Sumaré); Maria Soares (Alto de São Manoel); Dr. Sueldo Câmara (Quixabeirinha); e Dr. José Leão (Alto da Conceição). Outros dois pontos foram a Igreja Assembleia de Deus Chafariz, rua Francisco Pascoal, s/n, Estrada da Raiz/Santo Antônio e a Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ de Mossoró.

A estratégia proporciona maior acesso da população ao serviço de saúde, ou seja, possibilitando aumento da proteção vacinal no município. O coordenador do Programa Nacional de Imunização do município, Etevaldo Lima, destaca a importância da ação para alertar a população contra o agravo.

“Convocamos os pais e responsáveis que tem filhos de 10 a 14 anos que tomaram a primeira dose e estão no período de tomar a segunda dose a comparecerem às Unidades Básicas de Saúde ou nos pontos extras para participar do ‘Dia D’, como também aqueles adolescentes para iniciarem os esquemas de vacinação. Lembramos que são duas doses para garantir a proteção. Ao tomar a primeira dose com três meses tem que retornar para tomar a segunda dose”, disse.

Aristides de Góis, morador do bairro Alto da Conceição, aproveitou o “Dia D” e levou seu filho Luís Felipe, de 10 anos, para tomar a vacina contra a dengue e também contra a febre-amarela. Ele falou da importância da eficácia da vacina para a proteção contra doenças.

“A importância desse dia é fundamental para a proteção de nossas crianças. Não só quem ama tem que proteger, tem que vacinar, como também para eles terem uma qualidade de vida e saúde muito maior para todos os tipos de vacinas que devem ser aplicados aos seus filhos. Recomendo, venham vacinar os seus filhos”, contou.

A coordenação do PNI explica que a Secretaria de Saúde segue com as estratégias de vacinação contra a dengue no decorrer da semana em parceria com a Unidade de Vigilância em Zoonoses (UVZ).

HOMEM TENTA SUBORNAR POLICIAIS DO CPRE/ BATALHÃO RODOVIÁRIO DURANTE BLITZ E TERMINA PRESO NA ZONA OESTE DE NATAL

O Comando de Policiamento Rodoviário Estadual(CPRE), por meio do TÁTICO OPERACIONAL RODOVIÁRIO/ BPRV, prendeu, na manhã do último sábado, durante Operação TERRITÓRIO SEGURO, um homem de 47 anos pelo crime de corrupção ativa.

O infrator, a bordo de camioneta, teve seu veículo retido por utilização de película refletiva, infringindo o artigo 230 do Código de Trânsito Brasileiro.

Ao tomar conhecimento da autuação, o condutor ofereceu a quantia de cem reais, para que a normativa prevista em lei não fosse adotada. De imediato ele recebeu voz de prisão e foi encaminhado à Central de Flagrantes.

Durante busca veicular os agentes encontraram: cheques diversos que totalizavam valor aproximado de dois milhões de reais; cinco cartões de crédito em nome de terceiros; nota promissória no valor de 250 mil reais e mais de 2 mil reais em espécie. Todo o material foi apreendido e entregue à autoridade policial, que segue com as investigações acerca da procedência e origem do numerário, como também da identificação das pessoas consignadas nos cartões.