A vacina contra a covid-19 desenvolvida pela Pfizer em parceria com a alemã BioNTech parece funcionar contra mutações do novo coronavírus. Esse é o resultado de um estudo clínico realizado pela farmacêutica norte-americana e pela University of Texas Medical Branch.
Os resultados do estudo ainda não foram revisados por pares da farmacêutica e cientistas da universidade. As informações são da Reuters.
Novas variantes do Sars-CoV-2, coronavírus responsável pela covid-19, foram descobertas no Reino Unido e na África do Sul. Diversos países já registraram casos de infecção pelas mutações.
No Brasil, o laboratório Dasa informou em dezembro que identificou 2 casos em São Paulo. Segundo a empresa, é a mesma cepa encontrada no Reino Unido. Rio de Janeiro e Bahia registraram um caso cada da mutação E484K, descoberta na África do Sul.
O cientista da Pfizer Phil Dormitzer disse que o imunizante da farmacêutica se mostrou eficaz contra a mutação N501Y, considerada uma das mais transmissíveis, e outras 15 variantes testadas anteriormente.
“Testamos 16 mutações diferentes, e nenhuma delas teve um impacto significativo [na eficácia da vacina]. É uma boa notícia“, declarou. “Isso não significa que a 17ª [mutação] não terá”.
Ele informou que os pesquisadores planejam realizar novos testes para ter conclusões mais detalhadas da eficácia da vacina nas mutações encontradas no Reino Unido e na África do Sul. Segundo ele, a variante E484K, encontrada no país africano, preocupa pela sua alta taxa de transmissão.
Resultados da fase 3 de testes da vacina da Pfizer/BioNTech, feita com 44.000 participantes, mostraram que o imunizante tem 95% de eficácia na proteção da covid-19. São necessárias duas doses, com intervalo de 3 semanas entre elas.
A vacina foi aprovada para uso definitivo em Canadá, Arábia Saudita e Bahrein. Estados Unidos, União Europeia e mais 13 países aprovaram o uso emergencial do imunizante.
Cada dose custa de US$ 14,76 a US$ 19,50 –um dos valores mais elevados entre os imunizantes desenvolvidos no mundo contra a covid-19. Além do preço, o imunizante da Pfizer tem outra desvantagem com relação às vacinas de outras farmacêuticas: a temperatura de armazenamento.
A vacina precisa ser armazenada de -80°C a -60°C. Pode permanecer por 5 dias em temperaturas de 2°C a 8°C.
O Brasil chegou a negociar a compra de 70 milhões de doses, mas o acordo ainda não foi finalizado. Em entrevista concedida nessa 5ª feira (7.jan.2021), o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, criticou as exigências da farmacêutica. Afirmou que as negociações continuam.
“Amanhã tem novas reuniões. O que nós queremos é que ela nos dê o tratamento correspondente com nosso país, que ela amenize essas cláusulas. Nós não podemos assinar desta forma”, declarou.
O ministro afirmou que a empresa exige ser isenta de qualquer responsabilidade, caso a vacina produzida por ela apresente alguma falha ou reação adversa grave em um ou mais pacientes.
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski concedeu, nesta 5ª feira (7.jan.2021), prazo de 5 dias para que o Ministério da Saúde informe o estoque de seringas e agulhas da União e Estados. A medida visa assegurar insumos necessários para imunização contra o coronavírus para os 4 grupos prioritários descritos no plano de vacinação anunciado em 16 de dezembro.
A decisão atende a pedido em ação apresentada em outubro pela Rede Sustentabilidade.
O partido apresentou petição suplementar ao ministro nesta 4ª feira (6.jan.2021), solicitando esclarecimentos à pasta. Eis a íntegra (161 KB).
A Rede Sustentabilidade alega haver atraso na vacinação e questiona o imposto para importação e exportação do material necessário para imunizar a população.
“O fato é que o governo federal, além de não ter iniciado a vacinação, está lançando obstáculos ao adequado emprego das vacinas que devem ser adquiridas. Esses obstáculos se materializam na possível ausência de insumos como seringas e agulhas. Chega a ser contraditório que o governo federal tenha zerado o imposto de importação de seringas e agulhas e proíba a exportação de seringas e agulhas, mas deixe de adquirir a tempo e a contento os citados insumos para iniciar a vacinação da população brasileira.”
Além de cobrar a comprovação de estoque, Lewandowski ordena que, caso não haja quantidade suficiente, o ministério apresente em 48 horas o planejamento para aquisição do material.
A Anvisa confirmou ao Poder360 que todos os imunizantes aprovados para o sistema público também podem ser vendidos a hospitais e clínicas privadas. A permissão, segundo o presidente da ABCvac (Associação Brasileira das Clínicas de Vacina), Geraldo Barbosa, será simultânea.
O primeiro lote com três milhões de seringas e agulhas destinadas à vacinação contra Covid-19 será entregue na sexta-feira pela empresa SR, após encontro entre as três fabricantes e o Ministério da Saúde, realizado ontem. Na reunião, o governo solicitou a entrega emergencial de 30 milhões de seringas e agulhas até final de janeiro, mas não definiu o valor do pagamento. E isto não aflinge as companhias, afirma o diretor da SR, Luiz Antonio Saldanha Rodrigues.
“O que menos preocupa é o valor que o ministério vai pagar. O importante é a seringa chegar antes da vacina. Trabalho há mais de 30 anos com o Ministério da Saúde e sei que eles não vão fazer nada antiético nem vão aproveitar uma situação dessa para dar balão na indústria nacional. Agora é o momento de se trabalhar juntos”, afirma Rodrigues.
No primeiro leilão realizado no dia 28, o governo conseguiu comprar apenas 2,4% exatamente porque o valor proposto estava abaixo do que as empresas pediam. De acordo com Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos e Odontológicos (Abimo), o Ministério da Saúde ofereceu um valor completamente defasado de 13 centavos por seringa, e as companhias pediam entre 22 e 48 centavos dependendo do item.
O edital para a compra das 300 milhões de seringas e agulhas deve sair na próxima semana. A nota do Ministério da Saúde sobre este lote emergencial, em que informa que fará a requisição dos produtos “na forma da lei”, não criou temor no setor, afirma Rodrigues.
“Como órgão público, o governo não pode firmar compromissos nem fazer acordos, há órgãos fiscalizadores. Foi proposto isto para as empresas como medida cautelar e de forma pacífica. O governo está imbuído em dar valor às industrias nacionais”.
Paciente na sala de espera do Hospital Regional da Asa Norte usando máscara. Sérgio Lima/Poder360 14.03.2020
O Brasil registrava 197.732 mortes por covid-19 até as 17h30 desta 3ª feira (5.jan.2021), de acordo com o Ministério da Saúde. São 1.171 vítimas a mais que o registrado no dia anterior.
É a 4ª vez que o país ultrapassa as 1.000 mortes diárias desde 29 de dezembro. Também foram contabilizados mais 56.648 casos em 24 horas, totalizando 7.810.400 infectados.
Reprodução/Ministério da Saúde – 5.jan.2021
Os dados indicam que 6.963.407 pessoas estão recuperadas da doença, e 649.261 permanecem em acompanhamento.
Só os Estados Unidos têm mais vítimas que o Brasil. Eram 364.577 mortos até 18h20 desta 3ª feira (5.jan), segundo o Worldometers.
O número de mortos no Brasil também é elevado na comparação proporcional. São 934 mortes por milhão de habitantes segundo cruzamento de dados do Ministério da Saúde com a última estimativa populacional divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A taxa coloca o Brasil na 21º posição do ranking mundial. Em 31 de outubro, ocupava o 4º lugar. A Bélgica é o país no qual a covid-19 mais mata em relação ao tamanho da população. São 1.700 mortes por milhão de habitantes. Entenda aqui os motivos dos números belgas.
MÉDIA MÓVEL DA MORTES E CASOS
Os 2 gráficos a seguir mostram o número de mortes e de novos casos diários, mas também a média móvel dos últimos 7 dias. A curva matiza eventuais variações abruptas, sobretudo porque nos fins de semana há sempre menos casos relatados.
A média de mortes diárias está acima de 600 desde 8 de dezembro de 2020.
Já a média móvel de novos casos está acima de 35.000 desde 25 de novembro de 2020.
Morreram de Covid-19, no último fim de semana, o médico Lécio Patrocínio, 68 anos, e o pastor Thiago Andrade de Souza, 36.
Bolsonaristas, eram defensores do tratamento da doença com hidroxicloroquina.
“Se você tomou ivermectina, azitromicina ou hidroxicloroquina, poste no Facebook. Poste que é a favor. Vamos forçar as prefeituras a começarem a prevenção urgente. E fazer a distribuição gratuita”, postou Thiago no Facebook em novembro.
Uma mulher que viu sua mãe morrer ao lado dela no hospital depois que ambas pegaram Covid-19 pede às pessoas que tomem as precauções necessárias contra a doença.
Maria Rico, de 76 anos, que vivia na Inglaterra, tirou a máscara de oxigênio para falar com as duas filhas uma última vez, mesmo sabendo que isso apressaria sua morte.
Anabel Sharma descreveu o momento como “de partir o coração”, mas disse que estava feliz por ao menos sua mãe não ter morrido sozinha.
Ela divulgou a última foto delas para aumentar a conscientização sobre o vírus.
Maria Rico, de 76 anos, que vivia na Inglaterra, tirou a máscara de oxigênio para falar com as duas filhas uma última vez, mesmo sabendo que isso apressaria sua morte – Anabel Sharma /BBC
Sharma disse que sua mãe morreu cerca de meia hora depois que a máscara foi retirada.
“Minha mãe pediu que tirassem a máscara dela e eles disseram: ‘Assim que tirarmos, você não terá muito tempo’. Ela disse, ‘sim, eu sei disso, mas já tive o suficiente'”, lembrou.
“Passamos cerca de cinco minutos com ela quando ela conseguiu falar, depois ela perdeu a consciência. Ela nos disse que não tinha medo de morrer, que estava pronta. Disse que eu precisava lutar muito porque tinha os filhos em casa.”
A irmã de Sharma, Susana, também foi autorizada a participar desse momento usando equipamento de proteção individual.
“Nós seguramos a mão dela até o último suspiro”, disse. “Tenho algum conforto ao pensar que pudemos estar com ela e sei que também trouxe conforto à minha mãe.”
Maria Rico morava na mesma casa que Sharma, o marido dela e três filhos (Noah, de 10 anos, Isaac, de 12 anos, e Jacob, de 22).
Sharma disse acreditar que um de seus filhos pegou o coronavírus na escola e que o vírus “devastou” a família em uma velocidade “assustadora”.
“Gostaria de pedir às pessoas que sigam todas as precauções e pensem nos outros”, disse ela.
Sharma e sua mãe foram admitidas no hospital Leicester Royal no mesmo dia de outubro, e Maria Rico faleceu em 1º de novembro.
O funeral foi transmitido ao vivo para Sharma, que ainda estava no hospital.
“Ela estava muito ciente do que estava para acontecer, sabia que não iria se recuperar e estava farta do tratamento”, disse Sharma, que continua a fazer tratamento com oxigênio em casa porque seus pulmões foram danificados pelo vírus.
Ela descreveu a mãe como uma “avó incrível” que era “muito, muito obstinada”.
As vacinas produzidas na Índia podem ser exportadas para todos os países, disse nesta terça-feira (5) o presidente do Serum Institute, empresa indiana que fabrica no país asiático o imunizante contra a Covid-19 desenvolvido pela AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, no Reino Unido.
No domingo (3), ele havia dito que a exportação das vacinas estava proibida por enquanto, para priorizar o mercado interno.
Pessoa segura dose da vacina produzida pela AstraZeneca contra a Covid-19 – Reuters
“Quero esclarecer duas questões, pois há confusão no domínio público: as exportações de vacinas são permitidas para todos os países e um comunicado conjunto esclarecendo quaisquer mal-entendido com relação à Bharat Biotech será feito”, escreveu Adar Poonawalla em sua conta no Twitter. Ele se referia ao Serum e ao Bharat Biontech, laboratório que produz uma vacina indiana, a Covaxin.
O Serum fabrica a vacina da AstraZeneca, que já está sendo aplicada no Reino Unido. O governo brasileiro tem acordo de compra de doses deste imunizante, e a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) obteve autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para importar 2 milhões de doses da vacina, produzida pelo instituto indiano.
O Serum, no entanto, anunciou no fim de semana que só pretendia exportar o imunizante daqui a dois meses, o que levou o governo brasileiro, por meio do ministério das Relações Internacionais, a negociar a liberação da compra das doses, disse a Fiocruz.
Já outra vacina contra a Covid-19, a Covaxin, desenvolvida pelo laboratório indiano Bharat Biotech, recebeu recebeu autorização para uso emergencial na Índia neste último sábado (2), apesar dos questionamentos da comunidade científica.
A companhia ofereceu a vacina ao Ministério da Saúde brasileiro e receberá também uma delegação de clínicas privadas de vacinação do Brasil interessada em comprar o imunizante para comercialização pelo setor privado.
No comunicado conjunto do Serum com a Bharat, mencionado por Poonawalla, as duas empresas anunciaram que pretendem fabricar e fornecer vacinas contra a Covid-19 para a Índia e para o mundo.
“Vacinas são um bem de saúde pública global e elas têm o poder de salvar vidas e acelerar o retorno à normalidade econômica o mais brevemente”, afirma o comunicado.
“As nossas duas empresas estão totalmente envolvidas nesta atividade (produção, fornecimento e distribuição das vacinas) e consideramos nosso dever com a nação e com o mundo de garantir uma disponibilização suave das vacinas. Estamos totalmente cientes da importância das vacinas para as pessoas e para os países, portanto comunicamos nossa promessa conjunta de fornecer acesso global a nossas vacinas contra Covid-19.”
A divulgação de mais um recorde no número de novos casos de coronavírus no Reino Unido, nesta segunda (4), aumentou a pressão sobre o premiê britânico, Boris Johnson, para que decrete um confinamento nacional na Inglaterra, incluindo o fechamento das escolas.
Boris deve anunciar novas medidas em pronunciamento marcado para as 20h (horário local, 17h no Brasil) desta segunda (4).
Nas últimas 24 horas, o Reino Unido registrou 58.784 novos casos de Covid-19, maior número diário e sétimo dia consecutivo com mais de 50 mil novos doentes por dia. O número de casos vinha crescendo no último mês, mas a transmissão se acelerou levando as estatísticas da última semana a um salto de 50% em relação à semana anterior, com um número de testes equivalente.
Crianças em escola primária em Staffordshire, no Reino Unido – Jon Super – 8.jun.2020/Xinhua
Desde o começo da pandemia, já morreram no país mais de 75 mil pessoas, o que coloca os britânicos ao lado dos italianos no topo do ranking de óbitos por coronavírus na Europa. Nas últimas 24 horas, houve mais 407 mortes, e as taxas semanais têm crescido.
“Se você olhar para os números, não há dúvida de que teremos que tomar medidas mais duras e iremos anunciá-las no devido tempo”, disse Boris em entrevista pela manhã. Ele porém pediu aos pais que mandassem seus filhos às escolas nas regiões em que elas fossem reabertas.
A volta de alunos do ensino médio já havia sido adiada em duas semanas a partir desta segunda e, em Londres, por causa do aumento nos casos de Covid-19, escolas de ensino fundamental também atrasaram a reabertura. “Entendo a ansiedade das pessoas, mas não tenho dúvidas de que as escolas são seguras e que a educação é uma prioridade”, afirmou Boris.
Desde sábado, o governo inglês sofre pressão do sindicato dos professores e de políticos do Partido Trabalhista, de oposição, para não retomar as aulas presenciais por ao menos um mês. Os sindicatos dizem que “a abertura caótica” das escolas por parte do governo está “expondo os trabalhadores do setor de educação a sérios riscos de problemas de saúde e pode alimentar a pandemia”.
Nesta manhã, Matt Hancock, secretário (equivalente a ministro) da Saúde britânico, rebateu as críticas: “A proporção de professores que pegam o coronavírus não é maior do que o resto da população”, afirmou ele, argumentando que o fechamento tem sérios impactos negativos e só deve ser feito como último recurso. “A educação também é muito importante, especialmente para a saúde a longo prazo das pessoas.”
A Comissária das Crianças para a Inglaterra, Anne Longfield, sugeriu que professores sejam vacinados com prioridade para evitar a transmissão e também o fechamento das escolas. O Reino Unido foi um dos primeiros países a começar a vacinação em massa, mas tem priorizado idosos e profissionais de saúde. Segundo Longfield, a suspensão das aulas é uma ameaça à saúde mental das crianças e deve ser evitada ao máximo.
A declaração, no entanto, foi contestada por pediatras de vários hospitais. Ronny Cheung, representante de saúde infantil no Comitê Consultivo de Indicadores do Instituto Nacional de Excelência em Saúde e Cuidado, também desmentiu, em rede social, o relato da enfermeira.
“Fui o consultor de plantão em um hospital infantil de Londres esta semana, e isso simplesmente não é verdade. É irresponsável ao extremo. Assusta os pais. Covid é comum em hospitais, mas não entre crianças. Já temos o suficiente com que lidar sem mais esse lixo”, escreveu o médico.
Os dados mais recentes do sistema de saúde britânico estão atualizados só até o começo de dezembro, quando não indicavam aumento em casos infantis. Crianças de 0 a 5 anos eram apenas 0,55% dos internados com Covid-19 diariamente, mesma taxa dos de 6 a 17 anos, e a proporção vinha se mantendo nessa faixa por várias semanas.
Se as crianças são menos afetadas pela doença, porém, ainda há dúvidas sobre o papel das escolas na disseminação do coronavírus de forma mais ampla, com alunos assintomáticos transmitindo o patógeno entre si e levando a doença a seus familiares.
A Inglaterra funciona hoje com um sistema de quatro etapas de restrições: moderadas, altas, muito altas e confinamento. Nenhum deles, porém, prevê o fechamento das escolas —nem mesmo o mais alto, cuja ordem é ficar em casa.
Até a véspera do Ano Novo, 22% da população da Inglaterra ainda estava no nível 3, de restrições muito altas, não é possível receber estranhos em casa e reuniões na rua deve ter no máximo seis pessoas. Bares e restaurantes são fechados, entre outras restrições, mas a maior parte das lojas pode funcionar.
Os outros 78% já estavam no nível 4, no qual são fechadas todas as lojas, cabeleireiros e locais de lazer e reuniões fora de casa se limitam a duas pessoas,
Hancock afirmou que o governo olha os números diariamente e vinha constatando aumento dos casos em áreas que ainda estavam no nível 3. Mas, segundo ele, impedir a transmissão é muito mais uma questão de atitude pessoal que de restrições do governo. “Volto a este ponto mais amplo, que é sobre todos nós: o que impede a propagação da doença é as pessoas não entrarem em contato com outras pessoas. Essa é a triste verdade.”
Segundo o secretário de Saúde, o sistema de saúde está sob pressão, mas ela não é maior que a que ocorreu no primeiro pico da doença.
No final de semana, o secretário (correspondente a ministro) da Educação, Gavin Williamson, disse que estava se preparando para a necessidade de manter o ensino online, com o projeto de entregar mais 100 mil notebooks às escolas nesta semana. A falta de acesso às aulas remotas por parte de alunos mais pobres têm sido um dos efeitos mais graves do fechamento de escolas, aumentando a desigualdade.
Em declaração oficial, o Departamento de Educação britânico afirmou que a prioridade é que “as salas de aula sejam reabertas sempre que possível no novo semestre” e a educação à distância seria usada como último recurso.
A Inglaterra tem 4,5 milhões de alunos do ensino fundamental em escolas estatais, e 2,75 milhões de estudantes na escola secundária.
A Escócia já decidiu que as escolas ficarão fechadas, com ensino remoto, até fevereiro. No País de Gales, o governo anunciou que todos os níveis de ensino terão aulas apenas online até 18 de janeiro.
Uso de máscara para proteção contra o novo coronavírus.
O balanço divulgado hoje (4) pelo Ministério da Saúde (MS) mostrou o registro de 20.006 pessoas com covid-19 em 24 horas, desde o boletim deste domingo(3). Nesse mesmo período, foram registradas 543 novas mortes. A soma de pessoas infectadas desde o início da pandemia atingiu 7.753.752 enquanto 196.561 pessoas morreram por complicações da doença.
O balanço mostra ainda que 6.813.008 pessoas se recuperaram da covid-19. Os dados divulgados pelo ministério vêm de informações levantadas pelas secretarias estaduais de Saúde de todo o país.
Em geral, os registros de casos e mortes são menores aos domingos e segundas-feiras em razão da dificuldade de alimentação dos dados pelas secretarias de Saúde aos fins de semana. Já às terças-feiras, os totais tendem a ser maiores pelo acúmulo das informações de fim de semana que são enviadas ao ministério.
Covid-19 nos estados
São Paulo chegou a 1.473.670 de pessoas infectadas pelo novo coronavírus. Os outros estados com maior número de casos no país são Minas Gerais (552.104) e Santa Catarina (498.910). Já o Acre tem o menor número de casos (42.117), seguido de Amapá (68.775) e Roraima (68.947).
São Paulo também lidera o número de mortes, com 46.888. Rio de Janeiro (25.617) e Minas Gerais (12.063) aparecem na sequência. Os estados com menos mortes são Roraima (787), Acre (806) e Amapá (936).
O Brasil inicia 2021 com pelo menos 195.411 mortes por covid-19. É o número de vítimas confirmadas até as 18h30 desta 6ª feira (1º.jan.2021), de acordo com o Ministério da Saúde. São 462 mortes a mais que o total registrado no dia anterior.
Foram mais 24.605 casos em 24 horas, totalizando 7.700.578 infectados.
Reprodução/Ministério da Saúde – 1º.jan.2021
Os dados indicam que 6.756.284 pessoas estão recuperadas da doença, e 748.883 permanecem em acompanhamento.
O Brasil perdeu 21.805 vidas em dezembro. O número de vítimas é superior ao registrado em novembro (13.236) e outubro (15.932).
MORTES POR COVID-19
Só os Estados Unidos têm mais vítimas que o Brasil. Eram mais de 355 mil mortos até a publicação desta reportagem.
O número de mortos no Brasil também é elevado na comparação proporcional. São 923 mortes por milhão de habitantes segundo cruzamento de dados do Ministério da Saúde com a última estimativa populacional divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A taxa coloca o Brasil na 21ª posição do ranking mundial. Em 31 de outubro, ocupava o 4º lugar.
A Bélgica é o país onde a covid-19 mais mata em relação ao número de habitantes. São 1.681 mortes por milhão de habitantes. Entenda aqui os motivos dos números belgas.
MÉDIA MÓVEL DA MORTES E CASOS
Os 2 gráficos a seguir mostram o número de mortes e de novos casos diários, mas também a média móvel dos últimos 7 dias. A curva matiza eventuais variações abruptas, sobretudo porque nos fins de semana há sempre menos casos relatados.
A média de mortes diárias está acima de 600 desde 8 de dezembro de 2020.
Já a média móvel de novos casos está acima de 35.000 desde 25 de novembro de 2020.
A Argentina iniciou nesta terça-feira a campanha de vacinação contra a Covid-19 com a aplicação da vacina Sputnik V e se tornou o primeiro país da América Latina a inocular sua população com o imunizante do laboratório russo Gamaleya.
A primeira etapa da campanha começou de forma simultânea em todo o país vizinho com a vacinação voluntária dos profissionais da saúde. “A ideia é começar a vacinação com os que estão mais expostos ao risco. É realmente épico fazer a maior campanha de vacinação da Argentina com igualdade de acesso”, disse o ministro da Saúde Ginés González García, ao iniciar o processo no Hospital Posadas de Buenos Aires.
No Brasil, o Paraná e a Bahia firmaram acordos com o instituto russo para testes e aplicações de doses. A vacina, no entanto, ainda não foi aprovada para uso pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A agência ainda não recebeu, até o momento, pedido formal do Gamaleya para registro do imunizante no país.
A Argentina é o quarto país latino-americano que começa a vacinação contra a covid-19, depois do México, Costa Rica e Chile, que aplicam a vacina do laboratório Pfizer. O país registra desde março mais de 1,5 milhão de casos e 42.868 mortes.
A Sputnik V prevê uma segunda dose para ser aplicada 21 dias após a primeira. A primeira remessa com 300 mil doses chegou à Argentina procedente de Moscou em 24 de dezembro. O acordo com a Rússia contempla outras 19,7 milhões de doses que serão entregues entre janeiro e fevereiro, com a possibilidade de comprar mais 5 milhões.
Além deste acordo, a Argentina assinou também outros de fornecimento de vacinas com a Universidade de Oxford associada com a farmacêutica AstraZeneca e com o mecanismo Covax da Organização Mundial da Saúde (OMS). Também negocia a chegada do produto do laboratório Pfizer. O governo planeja adquirir um total de 51 milhões de doses de vacinas contra a covid-19.
Exemplo
Após ser vacinado, o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, escreveu nas redes sociais que “hoje é o início do fim da pandemia na Argentina”. Ele também publicou uma foto na qual é visto usando uma máscara e recebendo a dose da Sputnik V.
A União Europeia decidiu hoje comprar mais 100 milhões de doses da vacina da Pfizer, afirmou a presidente da Comissão Europeia.
No Twitter, Ursula von der Leyen disse que, com a compra adicional, o bloco terá 300 milhões de doses do imunizante.
“Nós decidimos comprar mais 100 milhões de doses adicionais da vacina da BioNTech/Pfizer, que já é utilizada para vacina pessoas em toda a UE. Teremos, portanto, 300 milhões de doses dessa vacina, que foi avaliada como segura e eficaz. Muitas vacinas virão!”
Hoje, 26 dos 27 países que compõem o bloco já iniciaram a imunização. A Holanda, última a iniciar a vacinação, deve imunizar a população em janeiro.
No Hospital Infantil NewYork-Presbyterian Morgan Stanley, um dos mais conceituados de Nova York, espalhou-se um rumor que a fila para receber a vacina contra o coronavírus, no nono andar, não era vigiada e que qualquer pessoa podia entrar nela às escondidas e ser vacinada.
Segundo as regras, os profissionais de saúde mais expostos ao vírus deveriam ter prioridade, mas não demorou para funcionários de departamentos de risco mais baixo, incluindo alguns que passaram boa parte da pandemia trabalhando de suas casas, receberem o imunizante.
O lapso ocorreu nas primeiras 48 horas após a chegada das primeiras doses da vacina à cidade e provocou indignação entre profissionais do hospital, levando a direção a pedir desculpas.
Profisisonal de saúde de unidade especial para pacientes com Covid-19 em Nova York durante pausa – Johannes Eisele – 17.mai.20/AFP
O dr. Craig Albanese, alto executivo do NewYork-Presbyterian Morgan Stanley, escreveu em e-mail aos funcionários do hospital ao qual o New York Times teve acesso: “Estou profundamente decepcionado e entristecido por isso ter acontecido”.
A chegada de milhares de doses da vacina a hospitais de Nova York foi saudada com expressões de esperança por parte de médicos e enfermeiros que trabalharam na primeira onda devastadora de Covid em março e abril. Mas os estoques disponíveis da vacina ainda são muito limitados, e alguns hospitais parecem estar se atrapalhando com sua distribuição.
Em entrevistas concedidas para esta reportagem, mais de meia dúzia de médicos e enfermeiros em hospitais da região de Nova York se disseram indignados com o modo como a vacina está sendo distribuída em seus locais de trabalho.
Eles descreveram ao New York Times o que aconteceu, mas a maioria pediu para seu nome não ser usado, isso porque os hospitais estão se mostrando dispostos a demitir ou punir funcionários por falarem com a imprensa durante a pandemia.
Médicos e enfermeiros de alguns grandes hospitais de Manhattan contaram que, as acessarem as redes sociais, pararam diante de cada selfie postada por um de seus colegas no momento em que foram vacinados para avaliar rapidamente: será que essa pessoa mereceu ser vacinada antes de eles próprios?
“Estamos nos sentindo desrespeitados e desvalorizados por termos sido colocados como segunda prioridade de vacinação”, escreveu um grupo de anestesistas do Hospital Mount Sinai em carta aos administradores do hospital, no fim de semana.
Profissionais de saúde disseram que rumores estão se disseminando em grupos de WhatsApp e bate-papos em salas de cirurgia. Começaram a circular boatos sobre um cirurgião plástico que conseguiu ser vacinado logo no início e sobre doses da vacina que teriam sido jogadas fora em um hospital de Manhattan devido a planejamento deficiente.
Fotógrafo relata montanha-russa de sensações na cobertura da Covid-19 para o New York Times
Em grupos, médicos discutem como tentar adiantar-se para receber a vacina e se devem ou não fazê-lo.
Alguns médicos do Hospital Mount Sinai disseram a outros que é possível “dar um jeito” de receber a vacina, simplesmente entrando na fila e dizendo que você realiza “procedimentos ligados à Covid”, contou um médico do hospital, pedindo anonimato por temer retaliações.
Um médico do Hospital Infantil Morgan Stanley comentou: “Uma coisa está clara: estamos dispostos a pisar em cima uns aos outros para conseguir a vacina primeiro”.
Muitos dos boatos que circulam já foram desmentidos. Mesmo assim, disse outro médico do Mount Sinai, eles exemplificam o clima de desconfiança crescente e uma atitude de “cada um por si”.
Profissionais de saúde, residentes e funcionários de casas de repouso para idosos formam a chamada Fase 1 do plano de distribuição da vacina anti-Covid no estado de Nova York.
Cerca de 2 milhões de pessoas estão nesse grupo, e a quantidade de doses da vacina recebida inicialmente pelo estado significa que a Fase 2, que abrange trabalhadores essenciais, não deve começar antes do final de janeiro. As autoridades já disseram que a distribuição ampla da vacina para a população não deve começar antes do verão (ou seja, por volta de julho-agosto, no hemisfério norte).
Mas o estado deixou a cargo de cada instituição como traçar seu próprio plano de vacinação na Fase 1.
Na primeira semana de vacinação, muitos hospitais escolheram uma gama grande de profissionais –enfermeiros, médicos, faxineiros— que trabalham em salas de emergência e UTIs para serem os primeiros a ser vacinados. Mas o ambiente nos hospitais mudou nos dias seguintes ao clima de festa que acompanhou as primeiras vacinações.
Questionada sobre profissionais furando a fila de vacinação no Hospital Infantil Morgan Stanley, a administração do hospital respondeu: “Temos orgulho por termos em pouco mais de uma semana vacinado milhares de funcionários que trabalham diretamente com pacientes. Vamos continuar a fazê-lo até que todos recebam a vacina. Estamos seguindo as diretrizes do Departamento de Saúde do Estado de Nova York sobre a prioridade para vacinação, enfocando inicialmente os funcionários da UTI e da sala de emergência, com acesso igual a todos.”
Ivy Vega, terapeuta ocupacional que trata pacientes com Covid em outro hospital da rede NewYork-Presbyterian, o Centro Médico Irving da Universidade Columbia, disse que ficou frustrada esperando para ser vacinada enquanto outros o eram. Ela recebeu a primeira dose da vacina na quarta-feira (23).
“Sempre houve um clima de camaradagem entre nós. Foi o que nos ajudou a continuar firmes durante a pandemia”, disse ela. “Mas agora esta coisa que deveríamos estar festejando, a chegada desta vacina tão aguardada, está criando uma rivalidade. Há um clima de competição, de ceticismo e desconfiança.”
Alguns enfermeiros do Hospital Infantil Morgan Stanley contaram que ainda não foram vacinados, uma semana depois de a vacinação ter começado.
“Acho triste que as pessoas estão começando a se digladiar”, comentou um médico que trabalha no hospital. “Você pode honestamente dizer que esse funcionário administrativo merece ser vacinado antes de mim? Não, mas o fato é que ninguém merece receber a vacina antes de ninguém.”
O processo foi concluído no sábado (26), após a Anvisa ter recebido todas as informações necessárias ao longo dos últimos meses. Das quatro empresas que participam na produção de insumos para a vacina ou em sua formulação, três já receberam a certificação. Uma ainda não enviou as informações requeridas.
A certificação de boas práticas é um dos pré-requisitos para que seja autorizado o uso da vacina no Brasil. A verificação é feita de duas formas: por meio de inspeções da Anvisa ou de relatórios de inspeção elaborados por autoridades reguladoras com equivalência regulatória à brasileira que integrem o Esquema de Cooperação de Inspeção Farmacêutica (PIC/S, na sigla em inglês).
No caso das vacinas desenvolvidas pela Astrazeneca/Oxford e Sinovac, por exemplo, técnicos da Anvisa foram à China inspecionar as instalações de fábricas envolvidas na fabricação dos imunizantes. Isso foi necessário porque o país asiático não integra o PIC/S.
O transporte das vacinas, desenvolvidas pela Pfizer em conjunto com a BioNtech contra a Covid-19 para oito países europeus, sofrerá um atraso no cronograma de entrega. A mudança de planos foi anunciada pelo Ministério da Saúde da Espanha e pelo próprio grupo farmacêutico um dia depois do início da campanha de imunização na União Europeia (UE).
“Devido a um pequeno problema de logística, modificamos o cronograma de um número limitado de entregas. A questão de logística foi resolvida, e as entregas estão sendo despachadas. Não há problemas de fabricação”, disse o diretor global de comunicações da Pfizer, Andrew Widger. Um dos países mais afetados da Europa com 50.000 mortos, a Espanha deveria receber nesta segunda-feira 350.000 doses da vacina fabricada pelos laboratórios Pfizer e BioNTech. Com exceção da Espanha, ainda não foi revelado quais são os outros sete países que tiveram um atraso nas encomendas.
“A Pfizer Espanha indica que foi informada por sua fábrica de Puurs (Bélgica) sobre o atraso nos envios para oito países, incluindo a Espanha, devido a um problema no processamento de carga e envio”, afirma o Ministério em um comunicado. O próximo carregamento de vacinas chegará à Espanha na terça-feira, 29, acrescentou o órgão.
A Europa é até agora a região mais atingida pela pandemia da Covid-19 no mundo, com mais de 25,4 milhões de casos e quase 550.000 vítimas fatais. Além da vacina Pfizer/BioNTech, a UE está em vias de aprovar outros fármacos em breve, como a da AstraZeneca e Oxford, provavelmente no início de janeiro.
Sem fogos de artifício
Antes da UE, alguns países começaram campanhas de vacinação contra o coronavírus, começando pela China e depois a Rússia, o Reino Unido, os Estados Unidos, o Canadá, a Suíça, o México, a Costa Rica e o Chile. Paralelamente à imunização, no entanto, cada vez mais localidades detectam casos da nova cepa de coronavírus descoberta inicialmente no Reino Unido. Canadá, Itália, Suécia, Espanha, Portugal, Japão e Coreia do Sul estão entre os casos mais recentes de detecção da variante.
Ao longo do fim de semana, vários países voltaram a instaurar medidas de restrição, incluindo o território britânico de Gibraltar, que anunciou um toque de recolher noturno. Israel iniciou no domingo um severo terceiro confinamento. O Exército do país começou a vacinar os soldados nesta segunda-feira, com 17 tendas para a campanha em diversos pontos do território. Até o momento 380.000 pessoas receberam a primeira dose no Estado hebreu.
A Arábia Saudita, o país árabe do Golfo mais afetado pela pandemia, anunciou a prorrogação por uma semana do fechamento de suas fronteiras terrestres e marítimas e da suspensão dos voos internacionais, devido à variante britânica do coronavírus. O Brasil também suspendeu a entrada de voos do Reino Unido.
Diante da ameaça de um novo surto do vírus com a chegada do inverno, a China, onde o coronavírus foi detectado pela primeira vez no fim do ano passado, reforçou os controles médicos, com verificação da temperatura, testes e inspeções nos aeroportos.
E a despedida de um ano difícil, que acontecerá daqui a três dias, não contará com grandes celebrações. Na Austrália, os moradores de Sydney não poderão comparecer à baía da cidade para contemplar o tradicional espetáculo de fogos de artifício após o aumento de casos na cidade, a mais populosa do país.