O Comitê Científico Municipal de Combate a Covid-19 se reuniu na noite desta quinta-feira (18), no gabinete da prefeitura de Natal, para discutir a necessidade de adotar medidas mais restritivas contra o avanço da doença, após as altas de internação no município.
A equipe decidiu que, por enquanto, não vai restringir o horário de funcionamento do comércio, bares e restaurantes na capital do estado, ou suspender as aulas presenciais nas escolas privadas. Uma das medidas tomadas será a ampliação no horário de atendimento das unidades de saúde.
O comitê científico municipal informou que vai avaliar o comportamento da pandemia nas próximas semanas.
“O nosso comitê científico entende que a princípio não precisamos aumentar as medidas restritivas com relação ao horário de funcionamento de bares e restaurantes. Por enquanto, não. Vamos observar, vamos recomendar a profilaxias, a prevenção através das medidas sanitárias recomendadas”, justificou o prefeito Álvaro Dias.
As unidades de saúde passam a funcionar até às 20h. Além disso, o comitê informou que irá distribuir nesses locais medicamentos que não tem comprovação na prevenção e combate a Covid-19, como a ivermectina. O remédio não tem eficácia comprovada cientificamente contra a Covid-19, como informou a própria farmacêutica Merck, responsável pela fabricação do vermífugo. Segundo a empresa, não há dados disponíveis que sustentem a eficácia do medicamento contra a Covid-19.
A prefeitura anunciou também a reabertura de 10 leitos de UTI no Hospital Municipal de Campanha a partir desta sexta-feira (19), totalizando 30 leitos na unidade. De acordo com os médicos do comitê científico, a demanda de pacientes com síndromes respiratórias cresceu nas últimas semanas na rede municipal de urgência e emergência, principalmente pacientes de outras cidades atendidos na rede de saúde de Natal.
“Já foi detectado que muitos municípios, principalmente da região metropolitana, não estão conseguindo oferecer uma assistência mínima dos seus pacientes, ou fecharam serviços. E esse paciente acaba migrando aqui para a capital. E como a gente está vendo que houve esse aumento do quantitativo, então se faz necessária a abertura desses leitos pra dar uma maior assistência e fluidez às portas”, explicou o médio intensivista integrante do comitê, Augusto Ramalho.
O Ministério da Saúde e o Instituto Butantan trocaram acusações nesta quinta-feira (18) em relação aos prazos de entrega da vacina Coronavac, desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac e produzida no Brasil pelo instituto paulista.
O total, porém, estava acima do que havia sido anunciado horas antes pelo Butantan. O instituto prevê entregar 426 mil doses por dia a partir do dia 23 –o que corresponderia a 2,6 milhões de doses.
Somado a outras doses já entregues no início deste mês, o total disponibilizado em fevereiro chegaria a 3,7 milhões.
Em nota , o ministério afirma que “contava com a entrega” das 9,3 milhões de doses e foi informado apenas nesta quinta que receberá valor menor do que o previsto. “A redução no número de vacinas quebra a expectativa do Ministério da Saúde de cumprir o cronograma divulgado”, informa.
A pasta diz ainda que a dificuldade em manter o cronograma inicial “está em o Butantan conseguir cumprir as entregas das doses previstas em contrato”.
“Diante da situação, o Ministério da Saúde precisará rever a distribuição das doses das vacinas relativas ao mês de fevereiro”, aponta a pasta, que diz que já havia informado estados e municípios da previsão de distribuição.
“Fica muito difícil planejar sem ter a confirmação de que vamos receber”, disse em vídeo divulgado pelo ministério o secretário-executivo Elcio Franco.
As declarações geraram incômodo no instituto paulista, que divulgou uma nota em resposta na qual afirma que o ministério “ignora briga com a China e decide atacar o Butantan”.
Diz ainda que não houve empenho do governo federal na negociação para liberar os insumos e atribui a intervenções do governo paulista o aval para a liberação.
Ainda segundo o instituto, 9,8 milhões de doses já foram entregues ao ministério para a campanha de vacinação.
Essa, porém, não é a primeira vez que membros do governo e o Butantan trocam farpas em relação à Coronavac. No último ano, a vacina esteve no centro de uma disputa política entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador paulista, João Doria (PSDB-SP).
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza das chamas em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.”
O Último Poema- Manuel Bandeira
No dia em que as vacinas contra a covid-19 acabaram em 5 capitais e em várias outras cidades, em que a transmissão do vírus volta a subir e, pelo 28° dia seguido, a média de mortos fica acima de 1 mil no país, os grandes assuntos que dominam a imprensa são a prisão de um deputado fascista que ninguém sequer sabe o nome, a eliminação do Nego Di do BBB e outros temas que emolduram a realidade brasileira. É claro que ninguém aguenta mais falar só sobre a angústia de ver a morte rondando, a tristeza do isolamento dos que levam a ciência a sério, o desespero do pânico que acomete os infectados, mas, convenhamos, alguma coisa está fora da ordem.
O tal deputado foi preso por atentar contra a estabilidade democrática em vídeos gravados de baixíssimos níveis nos quais profere xingamentos, uma fala completamente sem nexo, faz ameaças de morte às autoridades e prega o fechamento do Supremo Tribunal Federal e a volta do AI-5 (Ato Institucional 5), dentre outras barbaridades. Opa, quem é mesmo o autor de tantos impropérios, absurdos e crimes? Ufa, é um deputado troglodita e não o líder dele, o presidente da República.
Na verdade, posso pressupor que o tal deputado está se espelhando no comportamento do chefe do executivo para angariar simpatia e popularidade. Por sinal, é instigante que sempre que os índices da pandemia se tornam mais dramáticos surjam histórias diversionistas para o Brasil “esquecer” o vírus, as mortes, o descaso nos hospitais, a falta de programa para o combate da doença. Como se fosse possível esconder o caos, a tragédia. Mas isso é um fato e parece ser uma estratégia. Lembro-me do poeta Luiz Gama, no soneto Ao Mesmo:
“Silêncio, ó charlatão!
Nem mais um passo,
Que levo-te a vergalho,
à palmatória,
transformo-te num burro,
e mais não faço.”
O próprio deputado preso parece fazer parte dessa estratégia. Não é crível alguém ser tão bizarro, tão tosco, atrasado, agressivo e preconceituoso. Na verdade, sabemos que é possível e até conhecemos em quem ele se espelha, mas que país merece isso em meio a uma pandemia? Vou repetir para não parecer falso: a vacina está acabando no Brasil. O país que tinha um dos melhores sistemas públicos de saúde do mundo, com uma capacidade de vacinar todos os brasileiros em tempo recorde, teve o SUS sucateado. Nossas instituições de pesquisa na saúde, orgulho internacional, foram abandonadas por falta de investimentos e prioridade.
Nossa estratégia de enfrentamento da pandemia foi entregue a um general que presta subserviência a um capitão negacionista. As ofertas de compra de vacinas foram negligenciadas e a prioridade foi adquirir a cloroquina. Nós não temos vacina em meio à maior crise sanitária dos últimos séculos. E não temos por uma opção do governo que entendeu que as recomendações dos cientistas, dos médicos, da OMS (Organização Mundial da Saúde), enfim, eram meras opiniões que não precisariam ser seguidas. Ou por razões financeiras, cumpre investigar.
É necessário prestar atenção no que disse o fundador e primeiro presidente da Anvisa sobre a capacidade instalada no país para enfrentar a necessidade de vacinar a população. O Brasil tem estrutura para administrar 3,04 milhões de vacinas contra covid-19 por dia. Ou seja, se contarmos a vacinação apenas nos dias úteis, 20 dias por mês, temos capacidade de vacinar 60 milhões por mês. Em um momento de pandemia, é claro, a vacinação pode ser ininterrupta, o que garantiria 90 milhões de brasileiros vacinados por mês. Já teríamos vacinado todas as pessoas em território nacional.
É bom deixar claro que isso não ocorreu por conta única e exclusiva da falta de política séria do governo no enfrentamento da crise sanitária, por não ter adquirido a vacina. Os responsáveis por esse quadro são as autoridades federais, a política negacionista e a campanha feita contra a vacina. Logo, são responsáveis diretos pelo excesso das mortes, pelo desastre econômico, pelas angústias que marcaram a ferro e fogo as almas do nosso povo.
Fique registrado que é gravíssimo um deputado pregar a volta da ditadura, o fechamento do Supremo, ameaçar Ministros da Suprema Corte, ofender os poderes constituídos, bradar pelo retorno do AI-5 e dos anos de chumbo. Mas, convenhamos, isso é o que o Presidente da República fez e faz diversas vezes. A novidade é a agressividade com que foram tratados os Ministros do Supremo, na mesma linha de boçalidades do chefe dele, sendo que o chefe vomita também contra o Congresso Nacional.
Mas, enquanto debatemos o risco para as instituições de um deputado desconhecido e medíocre, o líder dele passa um projeto de armamento que faz corar de inveja os grandes países armamentistas. Não é só um projeto para segurança pessoal, é uma proposta de armar a população e, segundo especialistas, visa abastecer o crime organizado e a milícia com a facilitação de compra de armamento via mercado legal. É a privatização da segurança pública. Os que sobreviverem ao vírus não escaparão das armas.
No ano passado a população comprou 32 milhões de projéteis, a mesma quantidade que as forças de segurança pública. Estatísticas apontam que o número superou em 143% o quantitativo de munições do exército, o que reforça minha tese de que esse governo confia e aposta mais na milícia, na segurança privada e nos seus seguidores do que nas forças armadas. E temos que ter em mente que o nível intelectual desse grupo é parecido com o do deputado que foi preso por imitar o líder. Ou seja, estamos armando verdadeiros assassinos em potencial. Assassinos da democracia, da vida civilizada, da coisa pública, das relações respeitosas, da vida em sociedade, enfim.
Imagine o que é a pessoa se preparar ao longo da vida para ser ministro do Supremo, para enfrentar as grandes indagações jurídicas e os grandes embates nacionais e, de repente, ter que se relacionar com um presidente da República completamente fora da realidade e, pior, ter que conviver com ameaças vulgares, mas graves, de políticos, com ou sem mandato, a serviço de um fascismo institucionalizado. Bestas feras sem nenhum critério, sem nenhuma hipótese de diálogo. Um governo de extraterrestres cujas propostas não suportam nenhuma análise crítica, nenhuma discussão intelectual, nenhuma hipótese de reflexão. A agressividade desse deputado, o idiota da vez, é tão vulgar, tão repulsiva, que dá náusea perder tempo com ele.
Eu sei que temos que discutir os limites e a legalidade da prisão, os contornos do flagrante, as consequências para o devido processo legal da ordem de prisão ter partido do ministro sem o pedido do Ministério Público, tudo grave e fundamental para o estado democrático de direito, mas cansa. A mediocridade é acachapante. O nível das agressões beira as pornochanchadas e nós nos transportamos para a boca do lixo sem, é claro, o charme dos nossos filmes da época. Faz-me lembrar do velho Mario Quintana, em Emergência:
“Quem faz um poema abre uma janela,
Respira, tu que estás numa cela abafada, esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.”
E, enquanto tentamos fazer com que os poderes constituídos mantenham uma harmonia constitucional, o país mergulha num precipício sem paraquedas e sem ter ideia do fundo do poço. Humilhante ver as filas de infectados para tentar conseguir um lugar no hospital, sem nenhuma perspectiva de combate sério do vírus. Neste momento, 2.32 % da população do Brasil já recebeu a primeira dose da vacina. Insignificantes 2.32%. Criminosos esses números. E nós temos que tentar respirar um ar que já falta ao país nessa tentativa de uma resistência à mediocridade.
A nossa falta de ar, ao menos, nos permite ainda assim seguir em frente, mas a falta de ar que vem da falta de responsabilidade no trato com a crise sanitária não, essa falta de ar mata. E nós todos temos responsabilidade com esse dramático estado de coisas. Não podemos deixar crescer muros que nos separem. Muros de pedra ou de indiferença. A política desses fascistas ergueu muralhas, cavou fossos e construiu alçapões. Tudo para que nós não façamos o necessário enfrentamento do endurecimento brutal que eles estão instalando.
Eles são como placas de gordura nas nossas veias. São como um véu turvo que desce no cristalino e impede a visão, cegando-nos a todos. São como o vazio das madrugadas de segunda-feira nas cidades do interior, onde só sobram os coretos vazios sem a algaravia dos passantes. Uma solidão doida. Um silêncio ensurdecedor.
Esse deputado caricatural não deveria tomar nosso tempo, mas ele significa nossa derrota. É na mediocridade dele que esse governo se ampara com milhões de seguidores, tanto que ele desestabiliza as estruturas democráticas com seu ataque às instituições. Ele não, claro, mas o que ele significa, o que ele representa.
Fazer a resistência democrática dentro do Judiciário e dentro do Parlamento faz a democracia se tornar mais forte. Mas é necessária uma resistência interior, uma busca, quase fuga, de um espaço sem esse massacre diário de tanta banalidade. A coragem de não levar tão a sério essa avalanche de idiotices, a sensibilidade de priorizar o contrário do que está posto e a rir desses seres bizarros, incultos e banais. Sem isso nós acabamos ficando parecidos com eles e aí não terá valido a pena. Recorro-me a Paul Éluard, nos últimos versos do imortal soneto Liberté:
Desenvolvedores de vacinas contra a Covid-19 se preparam para iniciar ensaios em mulheresgrávidas com o objetivo de provar que os imunizantes são seguros para gestantes.
A Pfizer e a parceira alemã BioNTech começaram os ensaios com sua vacina de RNA mensageiro em 4 mil mulheres nos últimos estágios da gravidez, de acordo com o site de registros de ensaios clínicos dos Estados Unidos.
As empresas realizarão um estudo de estágio intermediário entre 350 voluntárias com 27 a 34 semanas de gestação para confirmar a segurança antes de passar para ensaios avançados entre mulheres com 24 a 34 semanas de gestação.
AstraZeneca e Johnson & Johnson planejam realizar ensaios nos próximos meses. É uma boa notícia para grávidas, que até agora têm enfrentado um difícil dilema: foram excluídas dos estudos de vacinas, porém são mais vulneráveis a casos graves de Covid-19. Alguns estudos também relacionaram a doença ao parto prematuro.
“Embora seja uma boa notícia que os ensaios de vacinas em mulheres grávidas estejam finalmente começando, os resultados desses testes provavelmente não estarão disponíveis antes do outono”, no hemisfério norte, disse Marian Knight, professora de saúde da população materno-infantil da Universidade de Oxford.
Mulheres grávidas foram excluídas dos estudos de vacinas devido à falta de informações sobre segurança e risco potencialmente maior de eventos adversos, apesar dos apelos de muitos cientistas e médicos para a inclusão de gestantes.
Como resultado, EUA, Reino Unido e a Organização Mundial da Saúde desaconselharam a vacinação de mulheres grávidas, a menos que façam parte do grupo de alto risco, como profissionais de saúde da linha de frente.
O estudo da Pfizer-BioNTech será realizado nos EUA, Europa, América do Sul e África e se concentrará no terceiro trimestre da gravidez para minimizar o risco para bebês ainda em gestação, disse a BioNTech em comunicado por e-mail. As empresas não planejam avaliar se a vacina pode ter efeito preventivo para bebês após o nascimento.
A maioria das empresas também estabeleceu registros para monitorar participantes que conceberam após participarem de ensaios de vacinas. Astra e Universidade de Oxford disseram em painel nos EUA em janeiro que 21 mulheres dos ensaios ficaram grávidas após a vacinação, enquanto 23 que participaram dos estudos da Pfizer-BioNTech relataram no ano passado que estavam grávidas.
A diretriz atual do Reino Unido aconselha o adiamento da segunda dose da vacina se uma mulher de baixo risco engravidar após a primeira injeção.
Os ensaios de vacinas com crianças também só começaram nos últimos meses, e os primeiros dados são esperados em meados do ano. Embora as crianças geralmente não sofram de Covid grave, podem ser essenciais para prevenir a transmissão para pessoas vulneráveis, incluindo mulheres grávidas em casa.
Os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA disseram na quarta-feira que iniciaram um estudo sobre os efeitos do remdesivir no tratamento da Covid-19 em mulheres grávidas. O antiviral da Gilead Sciences demonstrou acelerar a recuperação de casos graves e foi aprovado pelos EUA para uso em pacientes com Covid no ano passado.
O Brasil atingiu um desejado patamar para controle da pandemia na última terça-feira, 16. Com a confirmação de compra das 54 milhões de doses da CoronaVac, produzida pela farmacêutica Sinovac Life Science em parceria com o Instituto Butantan, o país tem cota suficiente para vacinar toda a população acima de 18 anos. Atualmente são 162,8 milhões de brasileiros maiores de idade, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Atualmente, o país tem garantidas 354,9 milhões de doses neste 2021. Para chegar a essa monta, consideramos somente os contratos assinados. São os seguintes: Butantan/Sinovac, com 100 milhões de doses a serem disponibilizadas até setembro; Fiocruz/AstraZeneca, com 212,4 milhões de doses em contrato até dezembro e o consórcio Covax Facility com 42,5 milhões de aplicações a serem entregues até o fim do ano, de acordo com o Governo Federal. Para oferecer duas doses a toda a população, seriam necessárias 325,6 milhões de doses (há, inclusive, uma ligeira diferença para considerar a taxa de desperdício de 5%, algo como 16,28 milhões de doses).
A conta de doses fisicamente disponíveis, porém, é bem menor. 31,9 milhões doses já desembarcaram em solo nacional, 8,9% do total combinado. O Butantan já entregou 9,8 milhões de doses (prontas) ao Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde. No instituto há material suficiente para mais 17,3 milhões de aplicações, que devem ser serem finalizadas e envasadas. A Fundação Oswaldo Cruz já recebeu 2 milhões de doses prontas — entregues pelo Ministério da Saúde para todo o país — e tem em suas dependências insumo suficiente para preparar outras 2,8 milhões de aplicações.
Outras negociações
A prancheta do Ministério da Saúde tem outras opções a serem assinadas. São, a princípio, 10 milhões de doses da Sputnik V, do Instituto Gamaleya, na Rússia. E também 20 milhões de doses da Covaxin, da indiana Bharat Biotech. As duas vacinas ainda não têm qualquer tipo de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aplicações no Brasil, nem em forma de testes. O Governo Federal diz que deve assinar ainda nesta semana os dois contratos.
O Butantan também abriu negociações para comprar mais 20 milhões de doses da CoronaVac. Elas seriam entregues a partir de setembro. A Fiocruz prepara-se para a compra de mais 10 milhões de doses prontas junto ao Instituto Serum, na Índia, responsável pela primeira entrega da vacina de Oxford no Brasil, em janeiro. Ainda que o Ministério da Saúde já considere as doses como “garantidas”, membros da Fiocruz ouvidos por VEJA tratam o tema com cautela — uma vez que a primeira importação foi marcada por uma grande dúvida se o contrato seria celebrado ou não. Os trabalhos, porém, estão muito bem encaminhados.
A fisioterapeuta e professora universitária Solimar Palagar, 47, que trabalha numa maternidade pública de Natal, descobriu que foi vacinada contra a Covid-19 com dois imunizantes diferentes.
Em janeiro, recebeu a primeira dose da vacina de Oxford/AstraZeneca. Nesta terça-feira (16), tomou a segunda dose da Coronavac, produzida pela empresa chinesa Sinovac e produzida no Brasil pelo Instituto Butantan.
A Secretaria Municipal de Saúde de Natal informou em nota oficial que pode ter havido falha no processo porque ela não teria feito o autocadastro e o nome estava ilegível no documento. Afirmou também que se trata de um caso isolado.
As pessoas que recebem a primeira dose de uma vacina devem tomar a segunda do mesmo imunizante. Não há comprovação científica de eficácia em casos em que a pessoa toma duas doses de fabricantes diferentes.
“A profissional está em monitoramento remoto e notificada para acompanhamento de possível evento adverso”, diz a nota da Secretaria Municipal de Saúde de Natal.
O poder público comunicou que sempre informa aos usuários o tipo de vacina aplicada com a estimativa de esquema vacinal para a segunda dose.
Solimar tomou a primeira dose da Coronavac no dia 27 de janeiro. O nome da vacina não foi registrado no cartão. Nesta terça, após receber a segunda dose, a profissional responsável pela aplicação do imunizante verificou o lote que constava no cartão e disse que havia errado.
“Cheguei ao local e a moça aplicou a vacina em mim, mas quando ela pegou meu cartão de vacinação para registrar e viu o lote da dose que eu tinha tomado primeiro disse: ‘meu Deus, apliquei a vacina errada. Ela ficou muito assustada e eu fiquei muito nervosa'”, contou em entrevista ao portal de notícias G1.
A Prefeitura de Natal informou que ainda será definido se Solimar vai tomar a segunda dose da vacina da AstraZeneca/Oxford no tempo correto conforme bula do produto.
O coordenador do Centro de Contingência da covid-19 em São Paulo, João Gabbardo, afirmou nessa 4ª feira (17.fev.2021) que o Ministério da Saúde tem condições para cumprir o cronograma de vacinação anunciado pelo ministro Eduardo Pazuello.
Gabbardo atuou como secretário executivo do Ministério da Saúde durante a passagem de Luiz Henrique Mandetta pela pasta. Deixou o cargo no fim de abril de 2020 e assumiu a posição de coordenador do Centro de Contingência da covid-19 em São Paulo em maio do mesmo ano.
Pazuello se reuniu com governadores nessa 4ª feira (17.fev) para apresentar o cronograma de vacinação. Segundo o ministro, o governo espera receber 230,7 milhões de doses de vacinas contra o coronavírus até julho. Dessas, 11,3 milhões chegam ainda em fevereiro e 46 milhões em março.
Pelo plano apresentado pela Saúde, o governo federal receberia em fevereiro pouco mais de 9 milhões de doses da CoronaVac, vacina da farmacêutica Sinovac e produzida no Brasil pelo Instituto Butantan. Dimas Covas, diretor do instituto, garantiu a entrega de apenas 3,4 milhões.
“Eu imagino que o ministério tenha colocado [no cronograma] as doses que vai passar a receber no início de março”, falou Gabbardo em entrevista à CNN Brasil.
“Mas também não ficou muito claro para mim porque a planilha do Ministério da Saúde apresenta esse número superior ao que está previsto pelo Butantan”, declarou. “De março em diante está ok.”
O coordenador afirmou que, apesar disso, a previsão de todo o grupo prioritário seja vacinado até junho pode ser cumprida. Isso porque o Butantan não vai interromper a entrega das doses da CoronaVac.
“A partir do dia 23, o Butantan começa a entregar em torno de 400, 500 mil doses diariamente”, afirmou Gabbardo.
As doses distribuídas até agora estão no fim e diversas cidades interromperam a vacinação. Segundo Gabbardo, a situação deve se regularizar já a partir da próxima semana com nova remessa da CoronaVac. “Espero que se confirme as entregas da AstraZeneca”, falou.
O Brasil deve 2 milhões de doses da vacina da AstraZeneca/Oxford importadas da Índia ainda em fevereiro. Está prevista a chegada de outras 8 milhões de doses até junho pelo Covax Facility.
Além disso, a Fiocruz, que produz a vacina no Brasil, recebeu insumos para fabricar o imunizante e prevê que as primeiras doses fiquem prontas entre o final de fevereiro e o começo de março.
“É perfeitamente viável que até junho ou julho tenhamos vacinado a população prioritária”, afirmou.
O coordenador disse que, caso as doses sejam entregues conforme o previsto, a vacinação de profissionais da saúde e pessoas com mais de 60 anos deve estar concluída até o fim de março.
“Isso seria excepcional para a mudança nos indicadores, tanto no de internação até no de atendimento de UTI e óbitos.”
Integram o grupo prioritário definido pelo governo federal:
Todos os trabalhadores da área de saúde;
Pessoas com 60 anos ou mais em instituições (como asilos);
Indígenas que vivem em aldeias;
Pessoas com deficiência que tenham 18 anos ou mais em instituições;
População idosa (60 anos ou mais);
Comunidades tradicionais ribeirinhas e quilombolas;
População em situação de rua;
Pessoas com comorbidades;
Trabalhadores da educação;
Pessoas com deficiências permanentes e severas;
Trabalhadores da segurança e de salvamento;
Funcionários do sistema prisional;
População privada de liberdade;
Trabalhadores do transporte coletivo;
Transportadores portuários e rodoviários de carga.
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou nesta quarta-feira (17) que o Instituto Butantan, vinculado ao governo estadual, deve entregar um lote com 3,4 milhões de doses da vacina CoronaVac para o governo federal na próxima terça-feira (23).
O anúncio foi feito em entrevista a jornalistas um dia depois da assinatura de um novo contrato entre o Instituto Butantan e o Ministério da Saúde para o fornecimento de 54 milhões de doses da Coronavac para todo o país.
O diretor do Butantan, Dimas Covas, afirmou que no dia 23 serão liberadas 426 mil doses e, em oito dias, chegam às 3,4 milhões de doses.
“Mas não paramos, isso é só a primeira entrega que é parte do contrato. Continuamos e espero não parar mais porque não temos mais problema de matéria-prima. Nós devemos escalar essa produção e a partir de abril possivelmente vamos dobrar essa produção”, disse.
As 54 milhões de doses se somam às 46 milhões já adquiridas pela pasta junto ao instituto, totalizando 100 milhões de doses da CoronaVac para o governo federal, que, segundo o contrato, devem ser entregues até setembro.
Segundo o Ministério da Saúde, o Butantan deve entregar 52 milhões de doses da CoronaVac para o governo federal até o final de abril. Antes, a previsão do governo federal era receber 46 milhões de doses até esta data.
Nesta terça-feira, o diretor do Butantan também afirmou que pretende aumentar a capacidade de envase para antecipar a entrega de todas as 100 milhões de doses até agosto.
“Com relação ao contrato adicional de 54 milhões de doses assinado com o Ministério da Saúde, no programa contratado a última entrega seria em setembro. Nós vamos fazer todo o esforço para adiantar a produção e essa entrega e esperamos que, no máximo em agosto, tenhamos a entrega total de 100 milhões de doses”, disse Dimas Covas.
Segundo o governador, o Butantan dobrou o número de funcionários que trabalham diariamente no envase da vacina de 150 para 300. Dimas Covas também prevê que a capacidade possa dobrar a partir de abril, quando uma fábrica que atualmente está sendo usada para a produção da vacina contra a gripe será destinada para o envase da CoronaVac.
Um avião da companhia aérea Azul vai decolar hoje (14) para a Índia, de onde retornará ao Brasil com dois milhões de doses da vacina contra a covid-19, informou o Ministério da Saúde.
A aeronave sairá do Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), às 13h, com destino a Recife. Após a escala, partirá direto para a cidade indiana de Mumbai. As vacinas estão previstas para chegar ao Brasil no próximo sábado (16). O avião pousará no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro.
Ao chegar, as vacinas aguardarão o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que se reunirá no domingo (17) para analisar o pedido de uso emergencial, apresentado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), parceira da AstraZeneca e da Universidade de Oxford no Brasil.
Segundo o Ministério da Saúde, a vacina será distribuída aos estados em até cinco dias após o sinal verde da Anvisa, para, assim, dar início à imunização em todo o país, de forma simultânea e gratuita.
O ministério disse ainda que, além do apoio da Azul, contará com a Associação Brasileira de Empresas Aéreas por meio das companhias Gol, Latam e Voepass para a logística de transporte gratuito da vacina para covid-19.
A segurança no transporte das doses pelo Brasil será feita pelas Forças Armadas, em ação conjunta com o Ministério da Defesa.
“O sucesso da operação de importação demonstra o excelente momento das relações Brasil-Índia e a solidez da Parceria Estratégica bilateral. Os dois países têm mantido, recentemente, frequentes contatos em alto nível, pautados por espírito de solidariedade e cooperação no enfrentamento da pandemia de covid-19”, diz nota conjunta assinada pelos ministérios da Defesa e das Relações Exteriores.
Aeronave
O avião que partirá hoje para a Índia é um Airbus A330neo, maior aeronave da frota da companhia e estará equipado com contêineres específicos para garantir o controle de temperatura das doses de acordo com as recomendações do fabricante.
Ontem (13), a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorizou as empresas aéreas a transportarem vacinas refrigeradas com gelo seco na cabine de passageiros. O transporte só ocorrerá, entretanto, se não houver passageiros durante o voo.
A medida alterou outra resolução da Anac, de dezembro do ano passado, que aprovou diretrizes para permitir, em caráter excepcional, o transporte de carga nos compartimentos de passageiros devido à pandemia do novo coronavírus (covid-19).
Com repique nos casos de Covid-19 e indefinições no calendário de vacinação no Brasil, as empresas começam o ano reforçando medidas de segurança para os funcionários. Além de postergarem a volta aos escritórios, companhias intensificam testagens nas equipes e monitoram as discussões sobre a vacinação para entender se —e, eventualmente, como— poderão adotar um programa de imunização para seus trabalhadores.
Nesta quarta-feira (13), grandes empresários que querem comprar vacinas para a Covid-19 afirmaram ao governo que, para isso, estão dispostos a doar uma parte para o governo.
Na semana passada, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, defendeu em live realizada com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a possibilidade de compra de vacina pela iniciativa privada depois que o SUS estiver abastecido.
“No momento em que a gente cumprir todas as demandas para suprir o SUS e atender a população brasileira, a gente necessita também que a iniciativa privada adquira as vacinas diretamente de laboratórios internacionais ou o excedente do produzido no Brasil e disponibilize na rede privada também”, afirmou.
A possibilidade de vacinação na rede privada já entrou no radar das companhias. Na primeira semana de janeiro, a clínica de imunização Vacinar, que atua há mais de 20 anos com o atendimento corporativo em São Paulo, foi procurada por 50 empresas interessadas em informações sobre vacinação de funcionários.
De acordo com o médico e responsável técnico da Vacinar, Roberto Florim, as conversas são preliminares e feitas ao mesmo tempo em que as empresas fecham contratos para a aquisição das vacinas de prevenção contra a gripe.
“O certo é que as empresas estão cada vez mais preocupadas com a imunização dos funcionários de maneira geral”, afirma Florim.
A clínica não divulga os nomes das interessadas, mas diz que são dos mais diversos setores. A estimativa da Vacinar é que a procura por informação cresça nas próximas semanas, pois o início do ano costuma ser de retomada gradual nas consultas dos clientes após os recessos de final de ano.
Laboratório do grupo Hermes Pardini, no bairro Itaim Bibi (SP). Na pandemia, grupo teve aumento de mais de 100% na carteira de clientes corporativos – Eduardo Anizelli – 11.jan.2021/Folhapress
A tendência também é percebida pelo grupo Hermes Pardini. A carteira de clientes corporativos em dezembro de 2020 mais que dobrou em relação ao mesmo período de 2019. O vice-presidente do grupo, Alessandro Ferreira, afirma que, além do maior interesse por testes de Covid-19, cresce também a demanda por teleconsulta e a busca por acompanhamento mais regular de outras doenças.
Tem mais demanda para monitoramento dos casos de diabetes e hipertensão, por exemplo, que predispõem ao contágio da Covid-19, mas também mais pedidos de monitoramento de saúde mental pesquisas têm apontado aumento de quadro de ansiedade e estresses em home office.
“A procura não é apenas para cumprir obrigações previstas em lei, como acompanhar quem trabalha com produtos químicos, mas uma preocupação generalizada, indicando que há uma mudança de perfil nas prioridades com a saúde”, diz Ferreira.
O grupo tem sido procurado para dar informações sobre vacinação de Covid-19.
“Já estamos pleiteando, junto a algumas fornecedoras, para obter vacinas, porque temos interesse em vacinar nossos colaboradores e disponibilizar aos nossos clientes, que se mostram interessados. Mas ainda não há nada concreto”, afirma.
A multinacional P&G (Procter & Gamble), que tem quatro mil funcionários no Brasil (800 deles em escritório), não descarta a possibilidade de importar vacinas.
“Se houver a disponibilidade de vacinas para empresas privadas e a possibilidade de importação, teríamos interesse na aquisição para a segurança e o bem-estar de nossos trabalhadores”, afirma Fernando Akio Mariya, gerente médico da empresa.
A P&G havia programado o retorno presencial aos escritórios para a primeira quinzena de janeiro. Diante da alta de casos de coronavírus e a identificação de uma mutação mais contagiosa do vírus, a volta foi postergada para fevereiro e poderá ser alterada de acordo com a evolução da doença.
Em dezembro, a P&G estabeleceu uma espécie de quarentena para seus funcionários que retornavam gradativamente ao escritório como prevenção a um possível aumento de contaminação no Natal e no Ano Novo. Agora, analisa se a estratégia foi efetiva.
Danilo Mansano, diretor-executivo da 99Food, afirma que a empresa avalia a possibilidade de vacinar funcionários – Divulgação 99Food
“Iremos usar o mês de janeiro para capturar informações mais precisas e atualizadas sobre os impactos das festas de final de ano no aumento de número de casos e de ocupação de UTI, que sempre foram vetores importantes na tomada de decisão de estarmos ou não no escritório”, afirma Raíssa Fonseca, gerente de RH.
A 99 Food, que tem 120 funcionários na área administrativa —todos em home office e sem previsão de retorno aos escritórios—, também tem interesse na aquisição de vacinas. Segundo o diretor-executivo, Danilo Mansano, a empresa tem acompanhado a compra de vacinas na China e estuda como poderia replicar o processo no Brasil.
Mansano afirma que segue protocolos definidos em parceria com o Hospital Sírio Libanês. Quando precisam ir ao escritório, os funcionários são submetidos a controle de acesso, triagem por meio de aplicativo interno e testagens.
Executivos contam como grandes empresas integraram seus canais
No início da semana passada, o presidente da ABCVAC (Associação Brasileira das Clínicas de Vacina), Geraldo Barbosa, embarcou para a Índia para conhecer a fábrica da Bharat Biotech, que está desenvolvendo a Covaxin. A entidade tem 200 clínicas de vacina associadas (70% do setor privado naciona) e afirmou que todas são favoráveis às negociações de compra do imunizante.
Nesta semana, ao retornar da viagem, Barbosa afirmou que há uma resposta positiva do mercado corporativo, que tem procurado a associação para subsidiar a imunização de funcionários.
“Se essas vacinas não vierem para o mercado privado brasileiro, não virão nem para o Brasil”, afirma. “A aquisição depende do fim dos trâmites legais junto aos órgãos reguladores brasileiros, fabricante e distribuidora/importadora”.
A Covaxin ainda não obteve autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Na Índia, autoridades de saúde recomendam seu uso emergencial.
O hospital Sírio-Libanês afirma que esta acompanhando o processo de liberação e avalia que a prioridade é o setor público em um primeiro momento.
“A instituição entende que há hoje um número limitado de unidades produzidas e, portanto, é fundamental centralizar essa compra no setor público”, afirma, em comunicado.
A discussão sobre vacinas também está sendo acompanhada por indústrias. CNI (Confederação Nacional da Indústria) e Sesi (Serviço Social da Indústria) avaliam a possibilidade de obter os imunizantes contra a Covid-19, mas afirmam que irão aguardar as devidas orientações do Ministério da Saúde.
Enquanto isso, cresce também a procura por empresas por testagens. Segundo Lídia Abdalla, presidente-executiva do grupo Sabin, a busca deste serviço por empresas teve aumento de 28% em dezembro. O grupo atende indústrias de mineração, telefonia, farmacêutica, energia, construção civil e serviços.
A Dasa Empresas, que reúne laboratórios de diagnóstico, hospitais e uma integradora de saúde, teve aumento de 9,8% em pedidos de testagens de 1º de dezembro a 6 de janeiro. No mesmo período, a carteira de clientes corporativos do grupo cresceu 12,3%.
A Volkswagen faz, neste mês, testagem em massa entre seus funcionários. O procedimento começou na semana passada para cerca de 10,5 mil funcionários que atuam nas fábricas em São Bernardo do Campo, São Carlos e Taubaté (SP) e em São José dos Pinhais (PR).
Na segunda-feira (11), a testagem foi estendida a funcionários de áreas operacionais da montadora que precisam ir esporadicamente às fábricas. Além de manter 80 medidas de proteção ao coronavírus, que incluem uso de máscaras, álcool em gel e distanciamento, a empresa afirma que segue acompanhando o andamento dos casos de Covid-19 no país e permanece sem data de retorno presencial aos escritórios.
Empresas podem exigir que seus funcionários que tomem a vacina da Covid-19? Advogados trabalhistas ouvidos pela Folha têm posições divergentes sobre essa obrigatoriedade, bem como sobre eventuais sanções aos que se recusarem.
Para a advogada trabalhista do Lopes & Castelo Sociedade de Advogados, Elizabeth Greco, deverá haver diálogo entre empresas, funcionários e sindicatos, e os empregadores deverão investir em medidas de conscientização.
Greco afirma que diante da recusa, dificilmente o trabalhador poderá ser demitido por justa causa, porque este processo tem muitas gradações, como advertências prévias.
Já o advogado Jorge Matsumoto, sócio trabalhista do Bichara Advogados, avalia que, salvo exceções, o funcionário tem a obrigação de se vacinar e poderá sofrer demissão por justa causa.
“Entendo que sim, porque se ele colocar em risco os funcionários, quem vai ser responsabilizada é a empresa”, afirma. “Há para a empresa a obrigação constitucional de proteger seus funcionários.”
Em dezembro, o Supremo Tribunal Federal decidiu que a vacina contra a Covid-19 pode ser obrigatória, desde que exista uma lei nesse sentido. No entendimento da corte, a imunização forçada é proibida, mas o poder público poderá adotar medidas restritivas para evitar a circulação de quem não se imunizar.
A sócia e líder da área trabalhista do Trench Rossi Watanabe, Letícia Ribeiro, pondera que a vacinação de funcionários ainda é um tema em construção.
“O posicionamento do Supremo é um norte importante a ser seguido por todos, inclusive pelas empresas e pelo que a jurisprudência trabalhista deve se firmar”, diz.
A especialista lembra que vacinação compulsória não significa vacinação forçada. Segundo Ribeiro, caso um funcionário que trabalhe presencialmente se recuse a se vacinar e não apresente respaldo científico, o empregador poderá implementar restrições para manter a segurança dos demais funcionários.
“O empregador deverá avaliar medidas de distanciamento social desse funcionário”, afirma.
Apesar das divergências, há um consenso. Todos pontuam que, caso tenha respaldo médico para não se vacinar, como gravidez, alergia a algum componente da vacina ou outro comprometimento, o trabalhador poderá ser dispensado da vacinação.
Deisy Ventura, advogada e coordenadora do doutorado em saúde global da USP, é contrária à comercialização de vacinas contra a Covid-19, mas é favorável que as companhias tenham estratégias para incentivar seus trabalhadores a se vacinarem na rede pública.
“As empresas podem, sim, dizer que querem que seus trabalhadores se vacinem, fazer pressão sobre o governo para que o programa nacional de imunização seja rápido, eficiente, e elas podem instituir penalidades para quem não for se vacinar, com exceções para quando existir uma justificativa do funcionário”, afirma.
A especialista defende que o engajamento do setor privado pode ser decisivo neste momento de pandemia.
“Se o setor privado deixar claro que quer um programa de imunização público, eficiente e rápido, o governo é extremamente reativo ao interesse do empresariado. O engajamento das empresas pode ser decisivo neste momento”.
Questionado pela Folha, o Ministério Público do Trabalho disse que segue analisando o tema e em breve deverá firmar um posicionamento a respeito.
A situação em Manaus voltou a se agravar nas últimas horas, segundo relato de profissionais que atuam em hospitais da cidade atendendo pacientes de Covid-19.
O pesquisador Jesem Oerellana, da Fiocruz-Amazônia, afirma que tem recebido vídeos, áudios e relatos telefônicos de pessoas que atuam na linha de frente de unidades de saúde com informações dramáticas.
“Estão relatando efusivamente que o oxigênio acabou em instituições como o Hospital Universitário Getúlio Vargas e serviços de pronto atendimento, como o SPA José de Jesus Lins de Albuquerque”, afirma ele.
“Acabou o oxigênio e os hospitais viraram câmaras de asfixia”, diz ainda o pesquisador. “Os pacientes que conseguirem sobreviver, além de tudo, deve ficar com sequelas cerebrais permanentes.”
A coluna procurou o Hospital Getúlio Vargas. Profissionais da UTI não quiseram comentar a informação, desviando a chamada para o ramal da direção da instituição, que não atendeu.
Na recepção, a atendente disse que ninguém no hospital poderia conversar com a reportagem pois a situação era “de emergência”.
A coluna conversou também com profissionais da área de saúde que afirmam que a situação é dramática e muitas pessoas ainda vão morrer já nas próximas horas por falta de assistência.
Uma das profissionais disse, chorando, que os pacientes estão sendo “ambuzados”, ou seja, recebendo oxigenação de forma manual, já que os respiradores estão sem oxigênio.
De acordo com ela, cada profissional consegue ambuzar um paciente por no máximo 20 minutos, quando tem que ceder lugar a outro técnico, o que torna a rotina de procedimentos arriscada, insuportável e caótica.
Parece claro que o Ministério da Saúde está deliberadamente sabotando a vacinação contra Covid-19 no Brasil.
A pasta divulgou em seu perfil nas redes sociais uma campanha promovendo o tratamento precoce com a hashtag #naoespere.
Paralelamente, como O Antagonista mostrou, ativistas bolsonaristas fizeram um vídeo defendendo a mesma pauta, usando a mesma tag #naoespere, e sugerindo que as pessoas parem de usar máscaras.
A despeito do gosto duvidoso, o vídeo mostra uma produção técnica profissional, levantando a suspeita de que possa ter recebido apoio financeiro ou técnico do Palácio do Planalto.
Tão logo tomou posse como vereador de Parnamirim, o parlamentar Eder Queiroz (PSC), também conhecido como o “Liso do Litoral “, visitou o hospital Regional Dr. Márcio Marinho e as Unidades Básicas de Saúde do litoral (UBS), nos quais buscou informações a respeito da falta de médicos, materiais hospitalares, dentre outros insumos, junto as gestões administrativas do hospital e das UBS.
Depois do Raio X das unidades de saúde, Queiroz marcou uma audiência com a secretária de saúde, Dra. Terezinha Rêgo para falar das suas reivindicações que vão trazer melhorias para a vida da população que reside no litoral de Parnamirim.
As visitas “In loco” também servem para o vereador preparar um diagnóstico da real situação das unidades de saúde Pública do Litoral, e através de requerimentos e proposições parlamentares, vai buscar junto ao Poder Executivo soluções para sanar e aprimorar um atendimento digno à População do Litoral.
Após uma controvérsia acerca dos números divulgados na semana passada, o Instituto Butantan detalha neste momento que a vacina Coronavac tem eficácia geral de 50,38% contra a Covid-19.
O dado foi informado à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no pedido de registro emergencial da vacina, e está acima dos 50% requeridos universalmente para considerar um imunizante viável.
Observado pelo diretor do Butantan, Dimas Covas, Doria segura caixa da Coronavac – Amanda Perobelli – 19.nov.2020/Reuters
À primeira vista, parece um dado muito inferior aos 78% de prevenção de casos leves e 100% de pacientes moderados, graves ou mortos evitados pela Coronavac revelados pela Folha na semana passada.
Mas ele inclui aquelas pessoas que foram infectadas pelo novo coronavírus e não tiveram sintomas que necessitaram de atenção no estudo de fase 3 comandado pelo Butantan no Brasil, no qual a vacina de origem chinesa foi testada num grupo de 13.060 voluntários.
Foram infectadas ao longo do ensaio, iniciado em julho, 218 pessoas. Dessas, cerca de 160 tinham recebido placebo e 60, a Coronavac.
Todos os voluntários, profissionais de saúde no ensaio brasileiro, foram testados para o novo coronavírus.
A Organização Mundial da Saúde define uma escala de 0 a 10 de sintomas, zero sendo o assintomáticos, 1 a 3 leves, 4 e 5 moderados, 6 a 9, graves e 10, fatalidades. O Butantan enfatizou, na divulgação da semana passada, a eficácia da Coronavac para todos os grupos acima de 1.
Os 50,38% do resultado geral são abaixo dos dados acima de 90% de eficácia divulgados pelas badaladas vacinas que utilizam a nova tecnologia de RNA mensageiro, na qual material genético é usado para levar proteína estimulante do sistema imune ao paciente.
Nesse grupo, houve 162 infectados entre quem tomou placebo e apenas 8 entre vacinados, entre 44 mil voluntários. Só que o relatório da FDA (a Anvisa anabolizada dos EUA) aponta a exclusão de 3.410 pessoas que sofreram sintomas de Covid-19, mas não foram testados.
Desses casos suspeitos, 1.594 faziam parte do grupo vacinado e 1.816, do que recebeu placebo. Isso foi ressaltado em postagem de Peter Doshi, editor associado do prestigioso British Medical Journal.
Se todos fossem casos de Covid-19, o que é improvável, isso derrubaria a eficácia geral para 19% (com todos os suspeitos) ou 29% (excluindo os casos que ocorreram nos primeiros sete dias da vacinação, que podem incluir reações ao imunizante), nas contas de Doshi.
Isso mostra uma faceta complexa da discussão acerca das vacinas. A despeito da tragédia da pandemia, que já matou mais de 200 mil brasileiros, elas são produtos e sua fabricantes, empresas listadas em Bolsa que querem lucrar com eles.
O laboratório viu discrepâncias entre dados do estudo indonésio (65% de eficácia geral), turco (91%) e o brasileiro, algo natural dado que eles não foram aplicados à mesma população.
Comercialmente, contudo, o interesse chinês é ter um número unificado. Isso levou a duras negociações com o Butantan e, então, a divulgação parcial de dados na quinta passada (8).
Mas os dados incompletos levaram a críticas, por parte de cientistas, acerca da transparência do processo. O Butantan alegou que só poderia falar após fazer o pedido de uso emergencial à Anvisa.
Agora, a disputa gira em torno da vacinação, ainda que Bolsonaro sempre tenha colocado imunizantes em dúvida. O governo federal incluiu a Coronavac, todas as 46 milhões de doses já encomendadas da China prontas ou em insumos, no Programa Nacional de Imunização.
Ao mesmo tempo, há dúvidas no governo paulista sobre os empecilhos da Anvisa ao uso emergencial da Coronavac.
O imunizante que havia sido a aposta inicial do governo federal, da britânica AstraZeneca/Universidade de Oxford, teve seu pedido de uso feito horas depois do da Coronavac e agora ambos apostam uma espécie de corrida na agência.
Na atualização das 8h18 de hoje, o Butantan tinha 40,7% de seu pedido considerado concluído, ante 27,35% da Fiocruz, que fabricará o produto europeu.
Só que a entidade federal tem 67,18% de sua documentação em análise, enquanto a estadual tem 37,64% dela considerada pendente de complementação. A agência tem dez dias para completar sua avaliação.
Doria suspeita de ação política. No domingo (10), pediu urgência à Anvisa. Ao mesmo tempo, a animosidade gera preocupação na área técnica, que teme mais entraves da agência.
Enquanto isso, o tucano mantém seu plano de começar a vacinação assim que sair a autorização de uso emergencial, a partir de um cronograma estipulado em dezembro. A questão é que o ministro Eduardo Pazuello (Saúde) já disse que considera as vacinas sujeita a seu planejamento.
A prefeitura de Belo Horizonte (MG) publicou, hoje (8), no Diário Oficial do município, um decreto desautorizando o funcionamento, por tempo indeterminado, de atividades consideradas não-essenciais, como lojas de roupas, salões de beleza, centros automotivos, entre outras.
Assinado pelo prefeito Alexandre Kalil (PSD), o Decreto nº 17.523 também estabelece os horários de funcionamento dos estabelecimentos autorizados. Entre as atividades liberadas estão padarias, supermercados, farmácias, postos de gasolina, entre outros (veja quadro com a lista completa e os respectivos horários de funcionamento).
Tabela de horário de funcionamento de atividades essenciais em Belo Horizonte – Reprodução/Diário Oficial de Belo Horizonte
As novas medidas entram em vigor na próxima segunda-feira (11). No decreto, a prefeitura afirma que as restrições foram decididas após a análise dos indicadores epidemiológicos que apontam para o recrudescimento do número de casos na cidade, levando em conta a capacidade da rede de assistência local.
Kalil já tinha antecipado a decretação de um novo lockdown (bloqueio) para tentar conter a disseminação do novo coronavírus e o aumento do número de casos da covid-19 na última quarta-feira (6). Na ocasião, o prefeito informou, pelas redes sociais, que a capital mineira chegou “ao limite da covid-19” e que, após uma reunião de governo, foi orientado a tomar a decisão de editar um decreto fechando todos os serviços não essenciais da cidade.
“Chegamos no vermelho. O comerciante tem que se preparar, porque sexta-feira soltaremos um decreto voltando a cidade à estaca zero. São números impressionantes, houve uma importação de doença surpreendente. Temos casos de famílias inteiras, que passaram o Natal juntos, infectados e internados”, acrescentou.
De acordo com o mais recente boletim epidemiológico divulgado pela secretaria municipal de Saúde, até esta quinta-feira (7), Belo Horizonte contabilizava 66.916 casos confirmados da doença – dos quais 3.890 permaneciam em acompanhamento – e 1.923 mortes. A ocupação de leitos em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) destinados a pacientes com a doença chegou a 85%, enquanto a ocupação de leitos de enfermaria estava na casa dos 62%.