Reinfecção por Covid-19 é possível e pode ser pior, alerta Fiocruz

A resposta de defesa do organismo a casos assintomáticos ou brandos de Covid-19 pode não ser suficiente para proteger uma pessoa de uma reinfecção pelo coronavírus, alerta um estudo de cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Realizado com pacientes do Rio de Janeiro, o trabalho mostra que não apenas essa resposta fraca abre caminho para a reinfecção quanto ainda acende um sinal de alerta para vacinas.

O estudo identifica duas possíveis reinfecções. Também ressalta que a vacinação poderá precisar ser reforçada. Em seu artigo, os cientistas disseram que “esses resultados mostram que a vacinação poderá requerer estratégias de reforço”.

As vacinas costumam produzir uma resposta mais potente do que as infecções naturais. Para isso, têm em sua formulação mecanismos para estimular o sistema imunológico. Ainda assim, para alguns vírus são necessárias doses de reforço.

A maioria das vacinas contra a Covid-19 já demanda duas doses. Mas, alguns trabalhos recentes sugerem que poderá vir a ser preciso, por exemplo, reforço anual.

A principal conclusão do estudo da Fiocruz é que um primeiro episódio de Covid-19 não gera necessariamente imunidade a uma segunda infecção. Algumas pessoas que desenvolvem casos leves conseguem apenas produzir defesas frágeis.

Nelas, a chamada resposta imune adaptativa, surgida após a infecção, não é forte o suficiente para impedir que, caso a pessoa seja infectada de novo pelo Sars-CoV-2, ele deixe de causar doença. E isso pode servir de combustível para novas ondas da pandemia.

Família analisada

Coordenado pelo virologista Thiago Moreno, o estudo foi submetido ao periódico e repositório SSRN. Os pesquisadores investigaram os casos de quatro pessoas de uma mesma família do Rio de Janeiro que tiveram diagnóstico de RT-PCR positivo para o vírus.

As quatro manifestaram sintomas da Covid-19 em março e, de novo, no fim de maio. Elas foram acompanhadas semanalmente e, segundo Moreno, foi uma reinfecção dentro do ambiente familiar.

A equipe da Fiocruz sequenciou os genomas dos vírus nos dois episódios de Covid-19 de cada uma delas. Também analisaram o plasma sanguíneo para investigar a resposta do sistema imunológico, tanto a produção de memória celular quanto a de anticorpos neutralizantes.

Só foi possível encontrar sinais conclusivos de reinfecção em duas delas, pois, para isso, é preciso mostrar que os coronavírus presentes nos dois episódios são distintos e isso nem sempre é viável.

O sequenciamento do vírus revelou que uma das pessoas foi infectada por coronavírus de linhagem “importada” em março. Mas, em maio, adoeceu em função de uma outra linhagem, em circulação no Rio de Janeiro.

O sequenciamento também identificou que uma das quatro pessoas havia sido infectada duas vezes por cepas do Rio. Porém, o acúmulo de mutações observado foi indicativo que se tratava de uma reinfecção, e não de uma persistência. Nesse último caso, se a pessoa jamais tivesse se livrado do vírus, não haveria tantas alterações, concluíram os pesquisadores.

Eles lembram que a reinfecção é comum em vírus respiratórios, e o coronavírus Sars-CoV-2 está mostrando que não é exceção à regra.

“Casos assintomáticos ou muito brandos, se forem reexpostos ao vírus, poderão ter novamente uma infecção. Desta vez, pode ser que o quadro se agrave e que essa infecção seja mais severa do que a primeira, como demonstrado na pesquisa. Por isso, o alerta à população sobre a imunidade para o coronavírus. Em alguns casos, as respostas imunes podem ser fortes num primeiro momento, mas não significa que elas sejam duradouras”, destacou Moreno, em nota.

O Globo

Nova cepa do coronavírus pode ser mais capaz de infectar crianças

Uma nova variante do coronavírus que está se espalhando rapidamente pelo Reino Unido tem mutações que podem significar que as crianças estão tão suscetíveis a serem infectadas com ela quanto os adultos, diferentemente de cepas anteriores, afirmaram cientistas nesta segunda-feira (21). 

Cientistas do Grupo de Aconselhamento sobre Novas Ameaças de Vírus Respiratórios (Nervtag, na sigla em inglês), que estão rastreando a variação, disseram que a nova cepa se tornou rapidamente dominante no sul do Reino Unido, e que poderia em breve fazer o mesmo no resto do país.

“Agora temos um grau alto de confiança no fato de que essa variedade tem uma vantagem de transmissão em relação a outras variedades que estão atualmente no Reino Unido”, disse Peter Horby, professor de doenças infecciosas emergentes na Universidade de Oxford e diretor do grupo.

Neil Ferguson, professor e epidemiologista de doenças infecciosas do Imperial College de Londres e também membro do grupo de aconselhamento, afirmou que “há uma indicação de que há uma maior propensão para a infecção de crianças”.

“Ainda não estabelecemos qualquer tipo de causalidade sobre isso, mas podemos enxergar isso nos dados”, disse Ferguson. “Vamos precisar reunir mais dados para ver como essa nova cepa se comporta daqui em diante”.

O surgimento da nova variante mutada de Sars-CoV-2, que segundo os cientistas é até 70% mais transmissível do que cepas anteriores detectadas no Reino Unido, levou alguns países a fecharem suas fronteiras com o Reino Unido e colocou grandes áreas do território britânico sob restrições severas durante o período natalino.

Agência Brasil

Anvisa aprova fabricante da Coronavac

A Anvisa aprovou a Sinovac, a fabricante da Coronavac.

O certificado de boas práticas foi concedido depois que técnicos da Anvisa visitaram o laboratório, na China.

O Antagonista

Quem já teve Covid-19 também deve se vacinar, diz cientista-chefe da Casa Branca

Responsável pelo programa de vacinas contra a Covid- 19 nos Estados Unidos, Moncef Slaoui, afirmou neste domingo que as pessoas que já foram infectadas pelo novo coronavírus precisam ser vacinadas.

Sabemos que a infecção não induz uma resposta imunológica muito forte e diminui com o tempo”, disse.

Nós checamos isso nos ensaios clínicos. Houve pessoas que participaram do estudo que estavam infectadas com coronavírus no momento em que receberam a vacina. É seguro.”
Nos Estados Unidos, profissionais de saúde e pessoas que residem em lares de idosos já estão recebendo a vacina da Pfizer contra a Covid-19.

Após aprovação do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), a imunização com a vacina da Moderna também deve começar nesta segunda-feira.

O Antagonista

Países europeus fecham portas ao Reino Unido após nova mutação de coronavírus

Vários países europeus anunciaram nesse domingo (20.dez.2020) a suspensão das conexões com o Reino Unido depois que autoridades do país dectaram uma variante do Sars-CoV-2, coronavírus responsável pela covid-19. A descoberta levou o primeiro-ministro, Boris Johnson, a aumentar as restrições em parte do país.

França, Itália, Áustria, Alemanha, Bélgica, Holanda, Irlanda, Luxemburgo, Portugal e Bulgária decidiram suspender ou limitar seus voos e suas conexões de trem ou navio com o país. A Grécia exigirá quarentena aos viajantes que cheguem do Reino Unido.

A Espanha vai reforçar controle de testes de RT-PCR para viajantes do Reino Unido em portos e aeroportos. Eles deverão apresentar o teste negativo 72 horas antes da chegada em território espanhol.

Mas o governo da Espanha exigiu uma posição comum da União Europeia e afirmou que “agirá” se não houver nenhuma medida unificada. Os espanhóis solicitaram à presidente da Comissão Europeia, Úrsula von der Leyen, e ao presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, uma “resposta comunitária coordenada a esta nova situação com o objetivo de proteger os direitos dos cidadãos da comunidade da coordenação, evitando o unilateralismo”.

A Comissão Europeia vai realizar uma reunião de emergência nesta 2ª feira (21.dez.2020) para coordenar uma resposta da comunidade, segundo informou o porta-voz da presidência alemã, Sebastian Fischer.

Para preparar esta reunião, o gabinete do presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, fez no domingo (20.dez) uma videoconferência de nível técnico para compartilhar “informações sobre as medidas que pretendem implementar nas próximas horas”, como a proibição de voo e novas medidas sobre os testes de RT-PCR.

O governo britânico, por sua vez, informou que o primeiro-ministro Boris Johnson presidirá uma reunião do comitê de emergência, composto por ministros de alto escalão, nesta 2ª feira (21.dez), para avaliar a situação das viagens internacionais.

A NOVA MUTAÇÃO

De acordo com o governo britânico, a nova variante teria surgido em setembro, em Londres ou em sua região metropolitana. Estima-se que 60% dos casos recentemente detectados no país foram causados por essa variante.

Daniel Prieto Alhambra, professor da Universidade de Oxford, disse que uma possível mutação do vírus tem sido discutida no meio científico por 1 mês.

Segundo o cientista Vicente Lárraga Rodríguez, a mutação afeta “a proteína que o vírus usa para engajar e penetrar células humanas”, tornando-a mais contagiosa do que a cepa anterior.

Patrick Vallance, diretor científico do governo britânico, afirmou que a nova forma, conhecida como VUI 202012/01, poderia ser até 70% mais contagiosa, o que aumentaria a RT –a taxa de transmissão do vírus– em até 0,4%.

Isso não significa maior letalidade. No entanto, a rápida disseminação pode levar a um aumento significativo da pressão hospitalar e, assim, influenciar na taxa de mortalidade.

Os cientistas concordam que não haverá consequências na eficácia das vacinas já aprovadas, pois a mutação “não mudou a estrutura central do RNA do vírus”.

No entanto, a propagação mais rápida pode tornar necessário vacinar mais pessoas do que o planejado no 1º momento, para alcançar a chamada imunidade de rebanho.

Poder 360

Sarney, FHC e Temer vão tomar vacina oferecida por João Doria

 

Os ex-presidentes José Sarney (MDB)Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Michel Temer (MDB) aceitaram convite do governo de São Paulo para participação na campanha de vacinação contra a covid-19 no Estado.

Os ex-presidentes estarão entre os primeiros a serem vacinados com a CoronaVac, vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac.

O convite do governador João Doria (PSDB) é para que o trio tome o imunizante em público em 25 de janeiro, data planejada para início da vacinação no Estado.

Sarney, FHC e Temer têm mais de 60 anos e integram o público alvo da 1ª fase de vacinação, de acordo com o PEI (Plano Imunização Estadual) divulgado na semana passada.

O Butantan, no entanto, ainda precisa pedir a autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para uso emergencial e registro definitivo da CoronaVac. Isso será feito em 23 de dezembro.

ESTADOS UNIDOS

Os ex-presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, George W. Bush e Bill Clinton, se ofereceram para tomar a vacina contra a covid-19 em público.

Eles informaram que estão dispostos a tomar o imunizante publicamente, depois da aprovação da FDA (Food and Drug Administration, em inglês), órgão responsável pela regulação de medicamentos nos Estados Unidos.

“NÃO VOU TOMAR VACINA”

O presidente Jair Bolsonaro não tem a mesma intenção. Em entrevista à TV Band na última 3ª feira (15.dez.2020), ele afirmou que não vai tomar a vacina,

“Eu não posso falar como cidadão uma coisa e como presidente outra. Mas como sempre eu nunca fugi da verdade, eu te digo: eu não vou tomar vacina. E ponto final. Se alguém acha que a minha vida está em risco, o problema é meu. E ponto final”, disse.

Poder 360

Recuperação econômica só será possível com vacinação em massa, diz Guedes

Paulo Guedes afirmou há pouco que a retomada econômica do Brasil só será possível com a vacinação em massa da população, que permitirá a volta segura e definitiva ao trabalho.

Em coletiva para fazer um balanço das ações da Economia em 2020, o ministro destacou, porém, que a vacinação será voluntária.

“Para voltar a voar, precisa bater as duas asas: a da recuperação econômica e a asa da saúde. Só é possível sustentar essa recuperação econômica e desafio de transformar uma recuperação cíclica com base no consumo em retomada de crescimento sustentável, com base nos investimentos, só será possível à medida que tenhamos o retorno seguro do trabalho. E ele exige a vacinação em massa.”
E concluiu:

“É uma vacinação voluntária. O governo tem é que disponibilizar todas as vacinas para a população, de forma voluntária e gratuita. Qualquer brasileiro pode escolher a vacina que quer tomar.”

O Antagonista

Brasil tem 19 linhagens do novo coronavírus já identificadas

Estudos já identificaram 19 pequenas mutações do novo coronavírus, segundo pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz, ligado à Secretaria de Estado da Saúde, gestão João Doria (PSDB). Essas alterações são conhecidas tecnicamente como linhagens.

Linhagens diferentes do vírus podem fazer com que uma mesma pessoa fique doente mais de uma vez.

Na última quarta-feira (16), a Secretaria Estadual da Saúde confirmou o primeiro caso de reinfecção do novo coronavírus em São Paulo. A paciente é uma mulher de 41 anos, que mora em Fernandópolis (553 km de SP). Segundo a pasta, sequenciamento de genoma identificou que se trata de duas linhagens distintas do vírus, o que justificou a reinfecção.

A mulher de Fernandópllis teve o primeiro diagnóstico positivo de Covid-19 em junho. Ela voltou a testar positivo para a doença 145 dias depois do primeiro diagnóstico. Segundo a secretaria, há outros 37 casos suspeitos de reinfecção no estado, que ainda estão sob análise. Em todo o país, 58 pacientes são investigados.

O infectologista Wladimir Queiroz, do Instituto Emílio Ribas, afirma que a confirmação de uma reinfecção é feita após a comparação do sequenciamento genético do vírus na primeira e na segunda vez. Esse material é obtido nas amostras colhidas nos exames RT-PCR —em que é coletada secreção do nariz e da garganta do paciente por meio de uma haste flexível.

Ele diz que suspeitas de reinfecção “não foram comprovadas justamente porque não tinham a primeira amostra do vírus para fazer o sequenciamento genético”.

O infectologista salienta que não há como afirmar previamente se uma segunda infecção vai ser mais grave ou mais leve do que a primeira.

O diretor de Respostas Rápidas do Laboratório Estratégico do Instituto Adolfo Lutz, Adriano Abbud, explica que todos os organismos sofrem mutações, não apenas o vírus. E que, por enquanto, as mudanças identificadas, não devem interferir no plano de vacinação contra a Covid-19.

“As mutações são muito pequenas, como diferenças nos genes dos vírus. Porém, não é uma diferença que vai alterar a proteína de ligação, que vai impedir com que a vacina atue. Não funciona assim. É óbvio, a gente não pode escrever isso em pedra, mas a chance é muito pequena de essas alterações interferirem em como a vacina vai atuar nos imunizados”, afirma.

O pesquisador diz que a existência das linhagens é diferente do que ocorre no caso da dengue, por exemplo, em que há quatro tipos diferentes de vírus causadores da doença. “Nesse caso, são pequenas alterações no genoma, mas não são subtipos do coronavírus, por enquanto. São linhagens. No Brasil a gente já identificou 19 linhagens diferentes. Isso não quer dizer que a vacina não vá funcionar com as 19”, explica.

O especialista acrescenta que ainda é cedo para afirmar se a vacina contra a Covid-19 terá de sofrer modificações frequentes, como ocorre com os imunizantes contra a gripe comum. “Essa é uma questão que só vai ser dita no futuro. O vírus ainda é muito pouco conhecido. A gente está convivendo com ele há um ano, e um ano é muito pouco”, explica.

Queiroz também adota tom cauteloso para falar sobre a eficácia da vacina contra o coronavírus —ou seja, se pessoas já imunizadas podem voltar a contrair a Covid-19. “Isso a gente só vai saber na hora que tiver um número muito grande de pessoas vacinadas”, diz o médico, que é consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia.

“Tem coisas com relação à vacina que não conhecemos ainda. Por exemplo: a duração da imunidade. No caso da influenza, a gente sabe que tem que vacinar anualmente. Será que vai ser a mesma coisa com a Covid? A gente não tem essa ideia ainda, porque as primeiras pessoas vacinadas têm algo em torno de sete, oito ou nove meses de imunização”, diz o médico, referindo-se ao período de testes das vacinas.

“Tudo que a gente tem de verdade das vacinas são dados de segurança. As vacinas que chegaram na fase 3 têm perfil de segurança muito bom. E o estudo com vacina não termina na fase três. Quando faz a vacinação em massa, os estudos continuam”, diz Queiroz.

Por esse motivo, o médico explica que as pessoas, mesmo depois de vacinadas, devem continuar com os hábitos de prevenção contra o coronavírus, como uso de máscaras, distanciamento social e higienização frequente das mãos.

Vacina Coronavac começa a ser produzida no Instituto Butantã

Na noite desta quinta-feira (17), o Ministério da Saúde afirmou que ainda não havia recebido notificação oficial a respeito do caso de reinfecção no interior de São Paulo. Por esse motivo, a pasta diz que, “até o momento”, o único registro confirmado no Brasil é de uma mulher de 37 anos de Natal (RN). O caso foi divulgado no último dia 10.

Em nota divulgada à imprensa, o ministério informa que há 58 notificações de casos suspeitos de nova infecção pelo novo coronavírus no Brasil, em nove estados. As amostras dos materiais colhidos ainda estão sob análise.

“Para ser confirmada uma nova infecção pela Covid-19, é necessário que o caso suspeito de reinfecção apresente dois resultados positivos de RT-PCR em tempo real para o vírus SARS-CoV-2, com intervalo igual ou superior a 90 dias entre os dois episódios de infecção, independentemente da condição clínica observada nos dois episódios, e as respectivas amostras clínicas sejam encaminhadas para o laboratório de referência da Unidade Federada, para confirmação dos resultados pré-existentes”, diz o a pasta.

Apesar da postura negacionista do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o Ministério da Saúde afirma que o caso “reforça a necessidade da adoção do uso contínuo de máscaras, higienização constante das mãos e o uso de álcool em gel”.

A pasta diz ainda que “o governo federal está buscando o mais rápido possível a vacina confiável, segura e aprovada pela Anvisa, para que todos os brasileiros que desejarem possam ser imunizados”.

A psicologa e neuropsicóloga Paloma Koblev Satkunas, 38 anos, está passando por um batalhão de exames. Isso porque ela está sob suspeita de ter sido contaminada, novamente, pela Covid-19.

Em maio, Paloma conta que sentiu sintomas fortes: confusão mental, falta de ar e perda de coordenação motora. Ao chegar no pronto-socorro, ela diz que foi medicada, fez o teste PCR pelo laboratório Fleury (positivo para o vírus) e ficou isolada em sua casa, em São Caetano do Sul (ABC). Recuperada, ela retomou sua rotina, mas fazendo atendimentos virtuais.

No início deste mês, porém, ela voltou a sentir sintomas como dor no corpo, dor de garganta, coriza, diarreia, dor de cabeça, tosse seca, perda de olfato e perda total do paladar, sete meses após o primeiro diagnóstico. “Desta vez, estão bem mais fortes”, diz.

Ela voltou ao infectologista, que a orientou a fazer o antígeno, um exame rápido, também realizado com cotonete. “Fiz na terça-feira. Mas como meu reagente deu muito alto, o médico pediu para eu repetir o PCR, que fiz na quarta e ainda aguardo o resultado.”

A tomografia de Paloma, realizada nesta quinta (17), atestou que ela está com 25% dos pulmões comprometidos e indica que o vírus pode estar circulando pelo seu corpo. “Por isso, estou investigando uma possível reinfecção”, conta. “O médico disse que os sintomas são de Covid, mas existem outros vírus e bactérias que causam sintomas semelhantes. Se der positivo, ele quer estudar minha cepa [tipo de vírus] para ver se as duas infecções seguem a mesma linhagem”, afirma.

Em relatório assinado na quarta (16), no qual pede a realização de exames, o médico fala em diagnóstico provável por coronavírus com “suspeita de reinfecção por SARS-CoV2”.

Assim que ficarem prontos, os exames serão enviados para estudos, caso o resultado seja positivo para o novo coronavírus. “Não estou nervosa quanto à Covid, hoje não estou mais. Apenas me sinto profundamente triste. Toda essa situação [no Brasil e no mundo] é muito triste”, afirma Paloma.

Primeiro dia de fase amarela tem ruas cheias e aglomeração no centro de SP

Às vésperas do Natal, ao menos 23 mil pacientes de Covid-19 estão internados na rede pública

RIO — Pelo menos 23 mil pessoas estão internadas em decorrência da Covid-19 no Brasil em leitos UTI ou enfermaria da rede pública, de acordo com levantamento do GLOBO feito em 25 estados e o Distrito Federal realizado entre segunda (14) e quarta-feira (16). E, às vésperas das festas de fim de ano, pelo menos sete unidades da federação — inclusive o Rio de Janeiro — apresentam taxa de ocupação acima de 80% de leitos de UTI da rede pública destinados à doença.

Do total de internados na rede pública por Covid-19, cerca de 11 mil pacientes estão em leitos de UTI. Márcio Bittencourt, especialista do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP, destaca que esse é um número impressionante.

— São muitas pessoas. E, se observarmos a quantidade total de leitos de UTI que o Brasil tem (22.541 na rede pública, segundo dados de outubro do Ministério da Saúde), mesmo se considerarmos os leitos extras que foram abertos no país, temos uma indicação de que estamos deixando de atender os cidadãos por outros motivos. As UTIs públicas, normalmente, costumam ter grande ocupação, com ou sem pandemia — afirma.

Bittencourt também ressalta que ter quase metade dos casos de Covid-19 em UTIs pode indicar outro problema: nem todas as pessoas que deveriam estão sendo internadas nas enfermarias.

— Em média, a quantidade de casos de Covid-19 que precisam ir para a UTI em relação aos que vão para a enfermaria é próxima de 25-30%. Se a proporção for muito diferente, ou as pessoas estão sendo mandadas de volta para casa quando não deveriam ou chegando em estado muito grave e sendo mandadas direto pra UTI — diz.

Tempestade perfeita

Para Guilherme Werneck, infectologista da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o crescimento da transmissão da Covid-19 no país, a redução da oferta de leitos exclusivos para o tratamento do vírus e o possível aumento da internação de casos leves criaram uma “tempestade perfeita” na saúde pública brasileira.

— Muitos hospitais de campanha foram desativados e é difícil retomar esses leitos com rapidez. O leito não é só o leito: tem que ter médico, enfermeiro, insumos… Além disso, o conhecimento clínico da pandemia mostrou que era melhor admitir no hospital pacientes com sintomas mais leves, que antes não eram internados. Agora internamos mais pessoas, mas temos menos leitos. Uma tempestade perfeita — pontua o especialista.

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No Rio de Janeiro, a taxa de ocupação dos leitos de UTI da rede pública para a doença é de 81%. A Secretaria de Saúde do Estado não divulgou o número de internações solicitado pela reportagem.

Os outros estados com índices muito altos são Mato Grosso do Sul (94%), Paraná (88%), Santa Catarina (88%), Pernambuco (85%), Amazonas (84,7%) e Espírito Santo (83,5%). Neste último, as taxas de ocupação atingiram neste mês o nível mais alto de todo ano.

Além disso, no Rio Grande do Sul, apesar de a ocupação das UTIs na rede pública estar um pouco abaixo do limite considerado crítico (77,4%), nos hospitais privados essa taxa é alarmante: 99% dos leitos destinados à Covid-19 estão ocupados.

Os três estados da região Sul do país se encontram em situação preocupante. O médico Fábio Gaudenzi, membro do conselho consultivo da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), pontua que, após o inverno e principalmente a partir de setembro, a região começou a apresentar um novo pico de casos da Covid-19, que segue até hoje.

— Houve um aumento rápido do número de casos, mais do que o detectado no primeiro momento de pico, e com aceleração bastante intensa, fazendo com que alguns estados atingissem inclusive números superiores aos do primeiro pico. Tanto no número de casos quanto no de ocupação dos leitos — afirma Gaudenzi, que também é presidente da Sociedade Catarinense de Infectologia.

Estados em situação de alerta

Apesar de estarem com menos de 80% de ocupação das UTIs na rede pública, Bahia, Ceará e Distrito Federal se encontram no limite da zona considerada crítica. Já o Amapá não divulgou a taxa de ocupação nas unidades públicas, apenas uma soma dos leitos clínicos e de UTI na rede pública e privada: 73,6%.

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Margareth Portela, pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, lê os indicadores de ocupação de leitos como um agravamento da situação da Covid-19 no Brasil, e que dessa vez ele está ocorrendo de forma mais generalizada.

— Estamos observando isso nos indicadores epidemiológicos e também nos de leitos. Tivemos momentos diferentes da pandemia, inicialmente Rio de Janeiro e São Paulo, Amazonas e alguns estados do Nordeste foram mais afetados. No momento inicial Sul e Centro-Oeste foram menos, e depois mais. Agora está mais espalhado e isso significa um agravamento da situação da Covid-19 no país. E as taxas de ocupação muito altas apontam que o sistema de saúde corre sim risco de não dar mais conta de casos graves — alerta a especialista, membro do Observatório Covid-19 da Fiocruz.

A pesquisadora defende o fortalecimento da atenção primária afim de reduzir o agravamento de pacientes com a doença. Ela pondera que a redução de leitos exclusivos para Covid-19 que ocorreu em alguns locais foi natural, mas afirma que agora isso precisa ser revisto.

— Os gestores precisam ter planos de contingência. Por outro lado, não é só ter leito. Precisam contar com equipes muito bem treinadas, e essa é uma das dificuldades. Por isso as pessoas também precisam se cuidar, estar conscientes de que teremos um Natal, um ano novo, e provavelmente todo um verão singulares. Não dá para circular, se encontrar. Em respeito aos mais vulneráveis e também como proteção a nós mesmos, temos que nos cuidar — recomenda Portela.

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Gaudenzi também afirma que os números mostram ser emergencial a reabertura de leitos.

— Nesse contexto de expansão do vírus e dos casos graves, precisamos ter como primeira meta a ampliação da rede de assistência. E ela deve se basear também em indicadores como o crescimento dos casos ativos e a taxa de transmissibilidade. É importante que os gestores avaliem de maneira muito local, para abrir leitos onde está de fato ocorrendo a expansão da doença, já que trabalhamos com recursos limitados — afirma o infectologista.

Hospitais privados

Na rede privada, o número de pacientes internados com Covid-19 também é alto. A Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) realizou um levantamento sobre a taxa de ocupação de leitos de UTIs, quartos e enfermarias entre os dias 5 a 11 de dezembro.

Segundo a análise, entre os 30 respondentes de diversas regiões do Brasil, existiam 73.724 leitos operacionais-dia, sendo 9.530 destinados exclusivamente para pacientes com Covid-19. A taxa de ocupação dos leitos para a doença foi de 74,6%. Isso significa que mais de 7 mil pacientes estavam hospitalizados com a doença na rede privada neste período.

Em São Paulo, hospitais particulares têm registrado ocupação acima de 90% nos últimos dias em decorrência do aumento de internações por Covid-19.

É o caso do Sírio Libanês, que informou, em nota, que o número de pacientes com suspeita de Covid-19 continua crescendo. Apesar de apresentar uma taxa de ocupação dinâmica, diante da abertura e fechamento de leitos conforme a necessidade, o hospital afirma que a ocupação tem variado entre 90% e 95% nos últimos dias. Nesta quinta-feira, há 168 pacientes com coronavírus internados, divididos em UTI e enfermaria.

* Estagiários, sob a orientação de Eduardo Graça

O GLOBO

Saúde Ministério lança campanha para estimular vacinação contra a covid-19

O ministro da saúde, Eduardo Pazuello, durante declaração no Palácio do Planalto.

O Ministério da Saúde intensificará, a partir de hoje (16), a divulgação de informações sobre o processo de produção, aprovação, escolha e distribuição de vacinas a serem utilizadas na campanha de imunização contra o novo coronavírus. O objetivo é tranquilizar a população a respeito da eficácia e segurança de qualquer imunizante que a Agência Nacional Vigilância Sanitária (Anvisa) venha a aprovar.

“Estamos começando hoje uma campanha de comunicação com duas fases”, explicou o secretário nacional de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros, durante cerimônia oficial realizada esta manhã, no Palácio do Planalto, em Brasília.

Segundo o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, a primeira fase da campanha de comunicação, entre outras coisas, tem o objetivo de esclarecer a população sobre a importância da imunização, reforçando que as autoridades sanitárias estão tomando todas as medidas necessárias para garantir a segurança dos brasileiros que receberem a vacina.

“Esta primeira fase tem o intuito de esclarecer a população sobre a eficácia dos imunizantes que o país vier a utilizar, bem como da nossa capacidade operacional de distribuí-los”, explicou Medeiros. “Já a segunda fase ocorrerá efetivamente durante a vacinação, e servirá para convocarmos os grupos que serão vacinados a comparecerem aos postos de vacinação”, acrescentou o secretário nacional a respeito da segunda etapa, prevista para ter início tão logo os órgãos competentes definam quais imunizantes serão distribuídos e a partir de quando.

“Estamos pensando assim: a vacinação contra a covid-19 é o Brasil em ação pela sua proteção”, comentou o secretário ao falar sobre a importância de que a população se vacine e recomendar que as pessoas consultem as ferramentas digitais do ministério, como a plataforma e o aplicativo ConecteSUS para se informar. “Baixe gratuitamente o aplicativo. Informe-se. Prepare-se e cuide-se, pois o que queremos é um Brasil imunizado.”

Logística

O texto do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 estabelece a importância do ministério transmitir à população a mensagem de que o sistema de saúde pública está preparado para realizar a vacinação com segurança e que medidas estão sendo adotadas para garantir a segurança e a eficácia dos imunizantes e, assim, proteger os brasileiros, reduzindo a transmissão da doença.

Durante o evento desta manhã, que contou com a participação do presidente Jair Bolsonaro, de governadores e diversas outras autoridades, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello destacou que, graças ao alcance do Sistema Único de Saúde (SUS), o Brasil conta com a estrutura necessária para fazer as vacinas chegarem a todos os pontos em curto espaço de tempo.

“Quanto temos noção do tamanho do nosso Programa Nacional de Imunização, vemos quanta desinformação corre a respeito da capacidade do Brasil conduzir esta missão”, disse Pazuello. “Para que esta ansiedade, esta angústia? Estamos trabalhando. E não se preocupem com a logística, pois ela é simples. Apesar da dimensão do nosso país, temos toda a estrutura necessária já planejada e pronta. O ‘x’ da questão está no cronograma de distribuição e imunização, que é um anexo deste plano, e que depende do registro [das vacinas que forem aprovadas pela Anvisa]”, enfatizou o ministro, garantindo que o país já negociou a compra de mais de 300 milhões de doses de vacinas em fase final de testes. “Acho que estamos no caminho e no momento certos.”

Prioritários

Plano Nacional de Vacinação contra a covid-19 prevê quatro grupos de pessoas a serem prioritariamente vacinadas. Somados, estes grupos reúnem cerca de 50 milhões de pessoas, o que vai demandar 108,3 milhões de doses de vacina, já incluindo 5% de perdas, uma vez que cada pessoa deve tomar duas doses em um intervalo de 14 dias.

No documento, os técnicos do Ministério da Saúde ponderam que o planejamento é preliminar, podendo sofrer mudanças. O primeiro grupo prioritário, a ser vacinado na Fase 1, é formado por trabalhadores da Saúde (5,88 milhões), pessoas de 80 anos ou mais (4,26 milhões), pessoas de 75 a 79 anos (3,48 milhões) e indígenas com idade acima de 18 anos (410 mil). A Fase 2 é formada por pessoas de 70 a 74 anos (5,17 milhões), de 65 a 69 anos (7,08 milhões) e de 60 a 64 anos (9,09 milhões).

Na Fase 3, a previsão é vacinar 12,66 milhões de pessoas acima dos 18 anos que tenham as seguintes comorbidades: hipertensão de difícil controle, diabetes mellitus, doença pulmonar obstrutiva crônica, doença renal, doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, indivíduos transplantados de órgão sólido, anemia falciforme, câncer e obesidade grave (IMC maior ou igual a 40).

Na Fase 4, deverão ser vacinados professores do nível básico ao superior (2,34 milhões), forças de segurança e salvamento (850 mil) e funcionários do sistema prisional (144 mil).

Agência Brasil

Ao vivo: Governo apresenta plano de vacinação contra covid-19

A prioridade será para trabalhadores da saúde, idosos, pessoas com doenças crônicas (hipertensão de difícil controle, diabetes mellitus, doença pulmonar obstrutiva crônica, doença renal, entre outras), professores, forças de segurança e salvamento e funcionários do sistema prisional.

Segundo o plano, o governo federal já garantiu 300 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 por meio de acordos. Até agora, nenhum imunizante está registrado e licenciado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), etapa prévia obrigatória para que a vacinação possa ser realizada.

Agência Brasil

Covid-19: Brasil se reaproxima das mil mortes por dia, aponta Saúde

O Brasil registrou nas últimas 24 horas 964 mortes e 42.889 novos casos de Covid-19, informou o Ministério da Saúde nesta terça-feira (15).

É o número mais alto desde 30 de setembro, quando o país registrou 1.031 óbitos —o último dia em que as mortes pela doença ficaram acima de mil por dia.

Com isso, o número de vítimas fatais da doença no país subiu para 182.799, e o total de casos confirmados aumentou para 6.970.034.

Na segunda (14), foram registrados 433 mortes e 25.193 novos casos.

O Antagonista

Clínicas privadas querem oferecer vacina contra covid-19 no início de 2021

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informou ao Poder360 que assim que um imunizante contra a covid-19 for autorizado para o sistema público, ele poderá também ser aplicado por hospitais e clínicas particulares. Isso deverá valer já no começo de 2021 –quase ao mesmo tempo em que a vacina começar a ser aplicada pelo serviço público de saúde nos Estados.

O presidente da ABCvac (Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas), Geraldo Barbosa, disse manhã da 2ª feira (14.dez.2020) que foi informado de que a permissão será simultânea para a rede particular e o setor público no fim da semana passada. Antes, a interpretação era de que essa autorização viria só mais tarde.

A associação não contestava a ideia de que o setor privado ficasse para depois. Ofereceu a estrutura das clínicas para treinamento de equipes de saúde pública e até mesmo como espaços para a aplicação das vacinas. A remuneração seria pelo custo. Não houve resposta do governo a essa proposta.

Barbosa afirma que a opção de iniciar a vacinação simultânea poderá ser vantajosa para o governo. As pessoas que se dispuserem a pagar pela vacina livrarão o governo do custo e contribuirão para acelerar a imunização. “São as que têm maior preocupação em voltar a trabalhar normalmente, portanto isso também ajudará na recuperação da economia”, disse Barbosa.

A ABCvac conversa com os 4 laboratórios que fornecerão imunizantes a governos: PfizerAstraZenecaJanssen e Sinovac. Na tarde de 2ª feira (14.dez) a associação foi informada por essas companhias de que no 1º trimestre os estoques serão direcionados para vacinação pública.

A associação também procurou laboratórios que não estão em negociação com governos, cujos nomes são mantidos em segredo. Desses, 2 estão na fase 2 de testes, e, 7, na fase 3 (última fase). Barbosa afirma que se esses fabricantes conseguirem autorização nas agências reguladoras de seus países, o processo no Brasil poderá ser acelerado. Além de Pfizer e AstraZeneca (que negociam com o governo federal), só Sputnik V e Moderna já divulgaram testes de eficácia. As demais, portanto, ainda que estejam na fase 3, a última, podem levar vários meses para concluir os testes.

Ainda não está claro quanto vai custar a dose de vacina na iniciativa privada. Hoje, há informações de compras governamentais com os seguintes custos:

  • AstraZeneca – de US$ 4 a US$ 30;
  • Pfizer e Moderna – de US$ 10 a US$ 50;
  • CoronaVac – de US$ 10,30 a US$ 30;
  • Sputnik V – US$ 10;
  • Janssen – US$ 10;
  • Novavax – US$ 16.

As clínicas de vacinação faturam R$ 1 bilhão por ano no Brasil. Em 2021, Barbosa espera o dobro disso. E não só pela covid-19. “O debate sobre vacinas ampliou o interesse pela imunização.

Poder 360

Anvisa define diretora que vai comandar área de vacinas – saiba quem é

A diretoria colegiada da Anvisa definiu nesta terça-feira, 15, o nome de Meiruze Sousa Freitas para comandar a área de Medicamentos, Produtos Biológicos e Alimentos, responsável pela concessão de registro de vacinas, o assunto mais importante do país no momento.

Ela já ocupava a diretoria de Fiscalização e, agora, vai acumular as duas pastas, pelo menos até a chegada de um novo diretor. Das cinco cadeiras de diretoria da Anvisa, quatro estão preenchidas.

O quinto integrante já foi escolhido por Jair Bolsonaro. Trata-se do tenente-coronel da reserva Jorge Luiz Kormann. Ele ainda precisa ser sabatinado e aprovado pelo Senado para assumir o posto.

Servidora de carreira, Meiruze Freitas chegou à diretoria da agência por indicação de Bolsonaro e recebeu a chancela do Senado em outubro.

A escolha de Meiruze para tocar o departamento de medicamentos – portanto, o das vacinas – agradou à área técnica, já que se trata de uma concursada da agência, onde ingressou em 2007.

“É a garantia de que teremos uma pessoa com conhecimento do assunto e que, como já estava na Casa, tende a dar continuidade ao trabalho”, resume um técnico da Anvisa, sob a condição de anonimato.

Desde então, ela já foi coordenadora, gerente, supervisora e diretora-adjunta de diversas áreas.

Internamente, temia-se que a diretoria de medicamentos fosse entregue algum outro diretor de perfil mais político. Meiruze é o único membro da diretoria que veio dos quadros do órgão.

Veja

Bolsonaro: Será preciso assinar termo de responsabilidade para se vacinar

O presidente vai assinar nesta terça-feira, 15, a Medida Provisória com o aval à liberação de R$ 20 bilhões para a compra de vacinas contra a covid-19. Ao fazer o anúncio aos apoiadores que o aguardavam em frente ao Palácio da Alvorada, na noite desta segunda-feira, porém, o presidente menosprezou a imunização.

“Não é obrigatória. Vocês vão ter que assinar o termo de responsabilidade, se quiserem tomar. A Pfizer é bem clara no contrato: “Não nos responsabilizamos por efeito colateral’. Tem gente que quer tomar, então toma. A responsabilidade é sua. Para quem está bem fisicamente, não tem que ter muita preocupação. A preocupação é o idoso, quem tem doença”, disse Bolsonaro.

Líderes reconhecidos globalmente, como os ex-presidentes Barack Obama, George W. Bush e Bill Clinton, já se prontificaram a promover a vacinação nos Estados Unidos. Os imunizantes são a aposta da ciência para que mais vidas não sejam ceifadas pelo novo coronavírus, que já matou cerca de 1,6 milhão de pessoas no mundo, sendo mais de 181 mil somente no Brasil.

Na conversa com os apoiadores, Bolsonaro também usou uma passagem bíblica para criticar a “fraqueza” a crise sanitária. “Tem uma passagem bíblica, Provérbios 24:10. ‘Se tu te mostrares fraco na hora da agonia, tua força é pequena’. Tem que encarar, pô! Tem que lutar”, afirmou.

Desafio

O presidente lançou o desafio aos bolsonaristas após reclamar de hospitais que passaram a atender exclusivamente casos de infecção por covid-19, suspendendo atendimentos a pacientes com outras doenças. “Teve hospital que foi fechado só para atender o covid, não fez mais nada. Quem tinha problema e podia ter detectado um câncer precoce está numa situação agora que não adianta mais fazer quimioterapia”, argumentou.

Sem máscara de proteção, Bolsonaro cumprimentou e tirou fotos com apoiadores, em mais um dia no qual contrariou estudos científicos e recomendou tratamentos com remédios sem eficácia comprovada. Até hoje não existe um medicamento capaz de prevenir a contaminação ou que combata as consequências do coronavírus.

Uma nova onda da doença assombra países da Europa, que vêm adotando medidas para restringir a circulação de pessoas, e até mesmo aqueles em processos mais adiantados de aquisição e aplicação das vacinas recém desenvolvidas.

Exame