Após participar de evento eleitoral, Kakay dispara: “Deltan pode ser considerado inelegível”

Um dos maiores críticos confessos da operação Lava Jato, o advogado Antônio Carlos de Almeida, conhecido como Kakay, voltou a criticar a operação após o Jornal de Brasília divulgar uma entrevista com Deltan Dallagnol, ex-coordenador da força-tarefa de Curitiba, e disse, em conversa com o JBr que o ex-procurador e pré-candidato a deputado federal pode ser considerado “inelegível”.

“Eu participei de um congresso de direito eleitoral em Curitiba há poucos dias e a impressão geral entre os eleitoralistas era de que ele é inelegível por ele tentar buscar na Câmara dos Deputados ou no Senado uma espécie de abrigo para sair da quantidade de processos que ele será investigado.

Confira a entrevista completa:

O senhor foi um dos primeiro críticos à operação Lava Jato, mas hoje (ontem) o ex-procurador Deltan Dallagnol, que também é ex-coordenador da força-tarefa da operação em Curitiba, afirmou ao JBr que o Supremo não só tem deixado de punir corruptos, como tem impedido que outros combatem a corrupção. Como o senhor analisa essa declaração?

Eu atuei na Lava Jato desde o primeiro dia. Eu fui o advogado de Alberto Yusseff no início da operação, mas depois deixei por ele ter sido forçado a uma série de atitudes dentro da delação dele, que eu sou contrário.

Desde o início eu entendi que a Lava Jato significava um projeto de poder. (Sérgio) Moro é um indigente intelectual, extremamente despreparado, mas que tinha uma estrutura muito grande e com um projeto de poder. Hoje eu posso falar isso com tranquilidade, já que o STF considerou, não só que ele é incompetente em diversos casos, mas que Moro foi um juiz parcial. Ou seja, julgou colocando os interesses pessoais dele acima da Constituição.Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Deltan (foto) era um dos coordenados do Moro. Existia uma estrutura de poder, tanto que ele foi condenado a devolver um dinheiro por malversação dos recursos públicos (processo do TCU sobre compras de passagens e diárias suspenso pela Justiça em 1ª instância); existem inquéritos investigando a atuação dos procuradores e do ex-juiz Moro. Então isso que Deltan está falando sobre o Supremo já é uma tentativa de defesa.

Segundo o STF, eles corromperam o sistema de Justiça. Então tem de ter uma investigação séria sobre isso. Mas ele está fazendo uma defesa, já que já há investigações e condenações contra ele (Deltan).

Então o senhor acredita que Moro e os procuradores que atuaram na Lava Jato podem ser responsabilizados e até presos pela atuação à frente da operação?

Eu não tenho nenhuma dúvida de que eles precisam ser responsabilizados. Já existem ações, inclusive para que eles possam devolver os bilhões de prejuízos que eles deram ao país.

Eles tem um raciocínio simplista, político, mas que não é jurídico, de que a Lava Jato conseguiu reaver por meio de acordos de leniência, entre outros acordos, alguns bilhões. Agora, eles quebraram setores importantes do empresariado brasileiro. Eles deram prejuízos com milhões de empregos. Tudo isso precisa ser investigado.O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, no plenário do STF durante julgamento do mensalão. Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil

Eu não quero falar em prisão, já que acredito que a prisão é a última alternativa, mas eles têm de ser responsabilizados pelo que eles fizeram no Poder Judiciário e no Ministério Público.

O senhor tem criticado também o governo Jair Bolsonaro. O senhor enxerga alguma ligação entre o presidente e a Lava Jato.

Eles são responsáveis, talvez, por uma instabilidade que se criou no Brasil. O principal eleitor desse governo fascista que está aí, de Jair Bolsonaro, chama-se Sérgio Moro e o seu grupo de predileção.

Sérgio Moro aceitou ser ministro do governo que ele ajudou a eleger, ainda com a toga nos ombros. Ou seja, mercadejando a toga.

Naquele momento, eles ganharam. No entanto, como o castelo de fantasias caiu e demonstrou que eles tinham interesse político, terão de responder por isso. Eles instrumentalizaram o Poder Judiciário e o MP, além de corromper o sistema de Justiça. […] O que as pessoas precisam saber, e é bom que se diga, Deltan não fala em nome do MP, nem Moro em nome do Judiciário. Ele (Deltan) é um ex-procurador que tem um projeto de poder, o que é um direito dele ser candidato, salvo se ele se tornar inelegível, já que há discussões sérias sobre a inegibilidade dele.

Então o senhor acredita que Deltan deveria se tornar inelegível?

Eu não sou advogado eleitoral, mas eu participei de um congresso de direito eleitoral em Curitiba há poucos dias e a impressão geral entre os eleitoralistas era de que ele é inelegível por tentar buscar na Câmara dos Deputados ou no Senado uma espécie de abrigo para sair da quantidade de processos que ele será investigado.[…] Eles (Deltan e Moro) estão desmoralizados no meio jurídico e até digo, com a experiencia que tenho advogando por 40 anos em tribunais superiores, que se buscam a Câmara ou Senado porque querem trabalhar lá dentro, é um direito deles. Se forem eleitos, terão de ser evidentemente empossados.

Agora, se eles buscam para se esconder pelo tal foro privilegiado, eles estão fazendo um caminho errado. Eles que procurem um advogado para os orientar, pois eles não têm prestígio no STF e no STJ.

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Sobre o presidente Jair Bolsonaro, como o senhor observa essa crise entre o Executivo e o Judiciário, que parece não terminar?

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Essas crises têm data para terminar, eu espero. Eu digo que essas eleições serão as mais importantes do Brasil, pois podem ser as últimas. Nós vivemos um momento gravíssimo. O presidente da República que, no meu ponto de vista, sabendo o que uma eventual derrota significará para ele e para a família, com a hipótese de seríssimos comprometimentos, inclusive criminais, passou a instigar a possibilidade de quebrar a institucionalidade vigente.

Agora, felizmente o Supremo assumiu um papel de extrema relevância. De serenidade e de cumprimento da Constituição.

Fonte: política e poder

A cegueira do ódio

Padre João Medeiros Filho
Segundo a teologia cristã, o ódio (ou suas nuances: cólera, ira, raiva etc.) é um dos sete pilares – pecados capitais – de desajuste dos seres humanos, que os leva à cegueira espiritual. Segundo o relato dos evangelistas, Cristo curou vários cegos (com deficiência visual congênita ou adquirida). Tal situação é verificada na sociedade brasileira da atualidade. Há uma multidão de míopes e “não videntes” ao redor de nós. Faz-nos lembrar o romance de José Saramago “Ensaio sobre a cegueira”, no qual descreve a “epidemia de ablepsia” numa cidade, que chega posteriormente à destruição. Pode ser lembrada também a obra do pintor holandês Pieter Bruegel, o Velho: “De parabel der blinden” (A parábola dos cegos), guardada no Museu de Capodimonte, em Nápoles (Itália). O autor retrata a
alegoria referida por Cristo: “Se um cego guia outro, ambos cairão no abismo” (Mt 15, 14). Nessa passagem de Mateus, Jesus analisa a postura de seus opositores.
Fala-se que o amor é cego. Todavia, pesquisadores afirmam que ele provoca cegueira, quando utópico ou irreal. Por outro lado, o ódio em todas as suas manifestações acarreta ausência de visão interior. Curar-se da ira é deixar que as traves caiam de nossos olhos, recobrando a luz. Tempos de trevas densas envolvem nosso país, levando muitos à barbárie e à desumanização. Atravessam-se dias obnubilados com brumas intensas, provocando desencontros e colisões. Faz-se abertamente a apologia de narrativas falaciosas, parciais e de sofismas, agressões, intransigência, arrogância, polarização etc. Urge conclamar à lucidez aqueles que mergulham profundamente no lamaçal da cólera.
Jesus estimulou os discípulos a respeitar o seu semelhante, apesar de tal atitude não pressupor obrigatoriamente afeto. No entanto, essa é a origem do amor cristão, embora não inclua ternura. Do ponto de vista científico, a raiva é uma doença perigosa em animais e no homem. A ira é uma patologia mental ou espiritual grave, tendendo a tornar-se endêmica no Brasil hodierno. Pode ser mais ofensiva e devastadora que muitos vírus disseminados. Os coléricos não se dão conta do dever de reconhecer no próximo sua individualidade e seus direitos como cidadão. Concebem um mundo unilateral, no qual o “eu” se torna medida
absoluta do valor e desvalor. Isto desumaniza ou inferioriza. Retira-se a dignidade da pessoa e legitima-se ilícita e iniquamente um poder arbitrário de praticar injustiça e opressão. Aqueles que destroem física ou psiquicamente alguém, perderam o sentido de Deus, da vida digna e dimensão social. A ira irracionaliza e apequena as criaturas. Não será este o clima que paira atualmente no Brasil?
Quem curará a nossa amada pátria de tal morbidade? No aludido romance do escritor português uma mulher (esposa de um médico) não foi atingida pela doença e orientava os deficientes visuais. Estamos diante de uma metáfora. Segundo os quatro evangelhos, Cristo libertou da escuridão muitos que não enxergavam biológica ou espiritualmente. O Filho de Deus não está mais fisicamente entre nós. No entanto, a sua doutrina permanece, podendo sarar e transformar. O Brasil contemporâneo carece de conhecimento e vivência da Palavra divina. Infelizmente, ela é instrumentalizada e usada de forma distorcida, até ideologizada, numa afronta tanto à semântica bíblica, quanto à hermenêutica sagrada. “Tende confiança, eu venci
o mundo” (Jo 16, 33). Acreditamos que a cegueira generalizada passe. Um dia, avistar-se-ão os escombros da destruição dos valores éticos da sociedade. Será necessário, como recorda o poema “O fim e o início”, da polonesa Wislawa Szymborska, que alguém faça a faxina, tire os entulhos das ruas e abra os caminhos para que as caçambas passem com o lixo moral. É preciso se imunizar do ódio. Os que têm alguma lucidez devem lutar para que no final dessa triste guerra ideológica, política e social haja quem se dê ao trabalho de um recomeço. Eduquem-se
os brasileiros para o amor, que “é magnânimo, benfazejo, não é invejoso, presunçoso e colérico, não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade… e jamais acabará”, como declara o Apóstolo Paulo (1Cor 13, 4-8). E assim proclama o evangelista João: “Deus é amor” (1Jo 4, 8)!

 

Gilson Moura de volta a TV Ponta Negra

Afastado da telinha há mais de 12 anos, o repórter Gilson Moura volta ao vídeo para contar mais uma história em sua carreira profissional.

Gilson Moura, hoje aos 54 anos, irá voltar no tempo dos 35 anos da televisão e contará as histórias, muitas delas como testemunha ocular dos fatos, no quadro de volta ao caso, na TV Ponta Negra.

Esse retorno se deu depois que a família do saudoso Carlos Alberto retomou o controle da emissora, Gilson Moura tido como se fosse da família, pois sempre acompanhou de perto todos os momentos da família Sousa, mais precisamente desde 1987, quando participou do programa Carlos Alberto, no quadro sua excelência o candidato, apresentado pelo pai de Micarla de Sousa.

Voltando a TV Ponta Negra, Gilson Moura vai recontar a história das grandes matéria, a primeira que vai ao ar nessa terça-feira, será de Genildo Ferreira de França, o homem que ficou conhecido como o autor de uma das maiores chacinas do país, fato ocorrido em maio de 1997, em São Gonçalo do Amarante. Gratidão a Deus, a Micarla, Rose, Priscila, aos colegas da emissora e em especial a dona Mirian, mulher à frente do seu tempo quando se trata de amor ao próximo.

 

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