Governo zera alíquota de imposto de importação de revólver e pistola

Foto: Fernando Frazão 

O governo federal zerou a alíquota do imposto aplicado para a importação de revólveres e pistolas. A medida, que deve vigorar a partir de 1º de janeiro, está prevista em uma resolução, publicada pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior, no Diário Oficial da União de hoje (9).

Na resolução, o governo inclui “revólveres e pistolas” no anexo que descreve produtos e alíquotas aplicadas no âmbito do Mercosul. No caso dessas armas, a alíquota de imposto será de 0%.

A publicação dessa resolução foi comentada pelo presidente Jair Bolsonaro, via redes sociais.

“A Camex editou resolução zerando a alíquota do Imposto de Importação de Armas (revólveres e pistolas). A medida entra em vigor no dia 1º de janeiro de 2021”, disse o presidente que, em seguida, fez uma observação na qual comenta medidas que zeraram o imposto de importação de 509 produtos usados no combate à covid-19.

Agência Brasil

Funcionários fantasmas de Flávio receberam R$ 651 mil em vale-alimentação

Denunciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro no caso da rachadinha, doze ex-assessores do gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa (Alerj), citados pelos promotores como funcionários fantasmas, receberam ao menos 651.410 reais (sem correção monetária) apenas em auxílio-alimentação.

Trata-se de um benefício que, atualmente, pode chegar a até 180 reais por dia útil e é pago diretamente na conta bancária do servidor, sem ser contabilizado no contracheque. Com isso, não se sabe a quem os deputados destinam a verba, o que torna o pagamento uma verdadeira “caixa-preta”. Na prática, esses recursos se somam aos salários e engordam as remunerações mensais sem que haja nenhum desconto em folha como contrapartida. Ao contabilizar as remunerações para a denúncia e cravar a existência da rachadinha — desvio de parte dos salários dos servidores -, os promotores levam em conta o vale-alimentação.

Para chegar às cifras do benefício destinadas aos ex-assessores desde 2011, ano a partir da qual a Assembleia tem os dados consolidados, VEJA cruzou informações obtidas junto à Alerj por meio de Lei de Acesso à Informação e das quebras de sigilo bancário que constam na denúncia da rachadinha, apresentada em outubro à Justiça do Rio. Os totais são ainda maiores porque não há, no documento do MP, dados bancários relativos a todo o período de nomeação de todos os assessores. Em comum, os doze assessores tidos como fantasmas foram indicados por Fabrício Queiroz, denunciado como operador do esquema.

O auxílio-alimentação é gerenciado por meio de cotas, que eram de 40 reais e passaram para 60 reais em 2018. Cada deputado tem 28 delas por dia e destina aos assessores à sua escolha. Há um limite de duas cotas por pessoa, por dia útil. Motoristas podem receber até três. A Alerj tem aumentado exponencialmente seus gastos com auxílio-alimentação. Houve um crescimento de 91% entre 2014 e 2019 (49,1 milhões de reais contra 93,9 milhões no ano passado, em valores corrigidos).

A ex-funcionária que mais recebeu foi Flávia Regina Thompson da Silva, parente de um bombeiro amigo de Queiroz. Nomeada no gabinete de Flávio entre abril de 2007 e janeiro de 2019, ela ganhou quase 100 mil reais como benefício. Na casa dela, foram apreendidos seis comprovantes de depósitos, num total de 32,7 mil reais, realizados na conta do ex-assessor e uma anotação manuscrita, em extrato bancário datado de agosto de 2018, no qual ela “comemora” o fato de que, a partir daquela data, passaria a reter o valor mensal de 1.400 reais – 300 reais a mais do que antes. Ao lado, havia um emoji “\o/”, sinal de celebração. O MP estima que Flávia disponibilizou 690.682 reais para a organização criminosa. Na reta final de sua passagem pela Alerj, ela estava recebendo quase 2.000 reais somente com o benefício.

Pelo levantamento, a segunda funcionária denunciada que mais recebeu foi Danielle Mendonça, ex-mulher de Adriano da Nóbrega, morto em fevereiro na Bahia e apontado como chefe do grupo miliciano Escritório do Crime. A Alerj repassou a ela 94.601 reais. A mãe de Adriano, Raimunda Veras Magalhães, recebeu 10 mil reais. Raimunda foi nomeada para o gabinete de Flávio na Assembleia em abril de 2016 e Danielle, em setembro de 2007. As duas ficaram até novembro de 2018. Em mensagens obtidas pelo MP, do final do ano de 2017, Queiroz já demonstrava preocupação com a possibilidade de a imprensa descobrir, em meio às eleições de 2018, a nomeação de Danielle no gabinete do Zero Um.

O policial civil Jorge Luis de Souza e o policial militar Agostinho Moraes, ambos amigos de Queiroz, receberam, respectivamente, 67.691 reais e 78.435 reais em auxílio-alimentação. Agostinho foi o único ex-funcionário a atender à convocação do MP para prestar depoimento, no qual confirmou não comparecer à Alerj e nem se submeter a qualquer controle de ponto. Alegou que trabalharia em “uma espécie de regime de plantão”, juntamente com Queiroz e Jorge Luis.

Somente a família de Queiroz – a mulher, Márcia Aguiar, e as filhas Nathália e Evelyn – recebeu da Alerj 172.167 reais em auxílio-alimentação. Se forem contabilizados os valores obtidos pelo ex-assessor (141.152 reais), que não era funcionário fantasma e trabalhava diariamente, e de sua enteada, Evelyn Mayara (24.853 reais), que não foi denunciada, mas há evidências de que não dava expediente no gabinete de Flávio, o total recebido pela família sobe para 338.172 reais.

Ex-vizinhas de Queiroz, Sheila Vasconcellos e Luiza Paes receberam da Alerj em auxílio-alimentação 56.000 reais e 9.284 reais, respectivamente. Sheila ficou lotada no gabinete de Flávio por mais tempo – de 2009 a 2016 – enquanto Luiza, única a confirmar ao MP a existência da rachadinha, ficou nomeada entre agosto de 2011 e abril de 2012 como funcionária do Zero Um. Depois, passou por outros setores da Casa. Encerra a lista o policial militar reformado Wellington Sérvulo, que recebeu 6.276 reais. Ele foi lotado no gabinete de Flávio entre abril de 2015 a setembro de 2016, mas, em boa parte desse período, estava em Portugal com a família.

Em nota, sem citar especificamente o caso do benefício, a defesa de Flávio Bolsonaro disse que “todas as contratações feitas pela Alerj, até onde o parlamentar tem conhecimento, seguiam as regras da Assembleia Legislativa” e que “qualquer afirmação em contrário não passa de fantasia e ficção”. A defesa de Queiroz e de seus familiares afirma que os recebimentos dos valores de auxílio-alimentação estão dentro da legalidade porque faziam parte da “regular execução das atribuições dos cargos que ocuparam e para os quais foram regularmente nomeados e empossados”.

Vacina chinesa da Sinopharm tem eficácia de 86%, dizem Emirados Árabes

A vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinopharm e pelo Instituto de Produtos Biológicos de Pequim apresentou 86% de eficácia contra a Covid-19 em uma análise preliminar dos testes da fase 3, afirmou nesta quarta-feira, 9, o Ministério da Saúde e Prevenção dos Emirados Árabes Unidos. O país árabe, que já havia autorizado o uso emergencial do fármaco em setembro, aprovou o registro do imunizante diante do resultado.

Segundo o governo, o fármaco também apresenta “99% de soroconversão de anticorpos neutralizantes e 100% de eficácia na prevenção de casos moderados e graves da doença”. O ministério disse ainda que não houve efeito colateral sério nos voluntários.

“O anúncio é um voto significativo de confiança das autoridades de saúde dos Emirados Árabes Unidos na segurança e eficácia desta vacina”, acrescentou o ministério. O relatório completo não foi divulgado pelas autoridades árabes.

Os ensaios clínicos de fase três começaram em julho e incluíram 31.000 pessoas de 125 nacionalidades apenas nos Emirados Árabes Unidos. A Sinopharm desenvolve duas vacinas diferentes. Esta já citada e outra com o Instituto de Produtor Biológicos de Wuhan. Ambas com o vírus inativado.

Os dois já são usados na China desde agosto para casos especiais, como médicos e militares, além de diplomatas empregados no exterior.

Outra vacina chinesa, a CoronaVac, desenvolvida pela Sinovac e pelo Instituto Butantan, em testes no Brasil, deve ter sua eficácia aferida até o dia 15 de dezembro.

Veja

Defesa de Melhem diz que ‘judicializar denúncia é demonstração de respeito aos envolvidos’

Está longe de terminar a briga entre Marcius Melhem, Dani Calabresa e sua advogada, Mayra Cotta, que representa a atriz e outras cinco mulheres que acusam o ator e ex-diretor da Globo de assédio sexual e moral. Agora, a defesa de Melhem resolveu soltar uma nota na qual afirma que a decisão dele de processar Cotta vai ao encontro do ‘respeito aos envolvidos’.

Em nota, a advogada Ana Carolina Piovesana diz que “a decisão de Marcius Melhem de judicializar a denúncia feita pela imprensa (sem processo) contra ele é a demonstração clara do seu respeito às pessoas envolvidas e ao Estado Democrático de Direito”. A advogada diz ainda que “judicializar o debate é exercer o direito de defesa, consagrado na Constituição Federal”.

No dia 4 de dezembro, o ator e diretor Marcius Melhem anunciou que tomaria medidas judiciais contra Dani Calabresa, pedindo que ela confirme ou desminta relatos de assédio que teria sofrido. Ele também anunciou que já entrou com uma ação da Justiça contra a advogada Mayra Cotta, que representa as mulheres e testemunhas que o acusam de assédio, para que ela prove as denúncias. ​

ENTENDA O CASO

A colunista Monica Bergamo, da Folha, foi a primeira a expor a extensão das acusações contra o humorista, por meio de uma entrevista com a advogada Mayra Cotta, publicada no dia 24 de outubro. Nesta sexta-feira (4), reportagem da revista piauí revelou detalhes sobre dois assédios sofridos por Dani Calabresa que causaram comoção de internautas e artistas. Na época dos fatos, Marcius Melhem atuava como diretor humorístico da emissora. Segundo testemunhas e colegas de Calabresa, as situações aconteceram em 2017.

Uma das denúncias revela que Marcius Melhem tentou beijar Calabresa à força, além de agarrá-la contra a sua vontade e de exibir suas partes íntimas durante uma festa da equipe do Zorra, no Rio de Janeiro. Ele também pediu para que a artista “calasse sua boca” sobre a situação. ​

Calabresa denunciou o fato à chefe de Desenvolvimento e Acompanhamento Artístico (DAA), Monica Albuquerque, após deixar o elenco do Zorra. De acordo com a piauí, a primeira decisão em relação ao fato foi recomendar uma terapia ao acusado, sem nenhuma advertência. Na sequência, o caso também foi levado para Carlos Henrique Schroder, diretor-executivo de Criação e Produção de Conteúdo da Globo.

Ainda segundo a publicação, Schroder pediu que uma investigação foi realizada e novos casos contra Melhem apareceram. Ao menos três atrizes manifestaram incômodo ao contracenar com o ator e diretor, citando situações em que ele roçava o pênis nelas.

No dia 5 de dezembro, em entrevista ao UOL, Marcius Melhem disse que demorou um ano para falar porque antes de tudo queria “entender que tudo que aconteceu e está acontecendo comigo, aconteceu a partir dos meus erros.”

“Hoje eu entendo que tive comportamentos, atitudes, que não cabem mais. Entendo que fui, como homem, e é muito doloroso para mim dizer isso aqui porque me expõe, expõe minha família mais do que já estão expostas, minha ex-mulher, minhas filhas, mas estou aqui por uma questão de dignidade. Já não é uma questão de culpado, inocente, não ser ouvido, condenado, é uma questão de dignidade”, diz.

Eu fui um homem tóxico, um marido péssimo, uma pessoa que cometeu excessos em se relacionar com pessoas dentro de seu próprio ambiente de trabalho, coisa que eu não via problema, mas hoje entendo todas as nuances que isso pode ter. Entendo que eu, como homem, feri pessoas, magoei, traí, fui galinha, tudo isso foram erros meus e num mergulho muito profundo feito neste ano cada vez entendo mais”, continuou.

Ainda em entrevista ao UOL, Melhem afirmou que teve ajuda de amigos e que “mergulhei na minha própria lama para entender, e ainda estou entendendo, os meus erros”. “É preciso dizer que, em cima dos meus erros, e das coisas que efetivamente eu fiz, tem muita coisa sendo falada que é mentira e muita coisa sendo falada que, de forma alguma, eu fiz e isso eu preciso combater.”

O ex-diretor da Globo também criticou a advogada Mayra Cotta que, segundo Melhem, “traçou um perfil meu de um abusador serial e de uma pessoa que tem hábitos violentos” na entrevista a Monica Bergamo. “Eu jamais, embora confesse meus excessos e já confessei aqui e a gente pode conversar sobre eles, eu jamais tive nenhuma relação que não fosse consensual e eu jamais pratiquei nenhum ato de violência com quem quer que seja na minha vida. Esse perfil que foi traçado ali ele não corresponde de forma alguma a quem eu sou.”

Marcius Melhem disse ainda que “lamenta muito que tenha chegado nesse ponto, mas é importante que nós dois vamos até à Justiça, para que lá tudo fique esclarecido e a responsabilidade seja devidamente colocada”. “É só o que eu posso dizer. Mas eu não tenho raiva nem dela, nem de ninguém. Trabalhei muito para não ter raiva de ninguém, porque eu não quero duvidar da dor de ninguém e não quero ficar nessa posição.”

Sobre os relatos de assédio citados na reportagem da revista piauí, Melhem disse que aquilo não aconteceu, mas não quis dar sua versão. “Eu não vou contar. O que eu posso dizer é que aquilo que aconteceu naquela festa, aquela narrativa é completamente fantasiosa, irreal. Tenho testemunhas de que aquilo não aconteceu.”

“Não vou expor a Dani dizendo o que aconteceu entre eu ela nem naquela festa nem [interrompe]. O que posso dizer, por exemplo, é que se tivesse acontecido… porque na narrativa da piauí, a partir dali ela teria ficado traumatizada comigo. Isso não aconteceu! Uma semana depois daquela festa, nós trocamos mensagens”, continua o ator, ao ressaltar que ele e as filhas foram convidados pela atriz para ir à Disney.

Dani Calabresa, 38, se manifestou publicamente pela primeira vez sobre os novos detalhes que vieram à tona nesta sexta-feira (4) sobre as denúncias de assédio moral e sexual feitas contra Marcius Melhem. A humorista foi a primeira mulher a levar a situação à alta cúpula da Globo.

“Nunca quis ser vista como uma mulher assediada”, afirmou Calabresa, em mensagem postada nas redes sociais. “Mas para recuperar a minha saúde, precisei me defender. Nunca procurei a imprensa. Tomei as medidas cabíveis para conseguir ajuda. Tudo é muito difícil, dá medo, vergonha, mas temos que lutar por respeito e justiça. Não passarão. Assédio é crime!”

Folhapress

Técnicos da Economia já veem prorrogação de calamidade e Orçamento de guerra em 2ª onda da Covid

Técnicos do Ministério da Economia trabalham com a possibilidade de prorrogar o estado de calamidade e o Orçamento de guerra caso ocorra uma segunda onda da Covid-19. Sem as medidas, não haverá espaço para ampliar gastos.

O ministro Paulo Guedes (Economia) defende a volta do Orçamento de 2021 à normalidade. No entanto, membros da área técnica da pasta, reservadamente, já reconhecem que o governo terá de afrouxar regras fiscais se a pandemia se agravar.

Entre especialistas, a percepção é que serão necessários gastos extraordinários mesmo que os casos da doença caiam. Para eles, haverá demanda por serviços de saúde e necessidade de comprar e distribuir vacinas.

Folha ouviu membros da área técnica do Ministério da Economia sobre os caminhos para o Orçamento em 2021. Os integrantes são responsáveis por monitorar as contas do governo e elaborar o plano de despesas da União.

O estado de calamidade pública acaba no dia 31 de dezembro. O Orçamento de guerra suspende normas fiscais. Sem recorrer a essas medidas, eles dizem que não será possível implementar ações sem descumprir o teto de gastos, a regra de ouro e a meta fiscal.

A regra do teto impede o crescimento das despesas acima da inflação do ano anterior. A regra de ouro barra a alta do endividamento. A meta fiscal define o quanto o governo terá de rombo ou superávit nas contas públicas.

O mesmo ocorre com o programa de suspensão de contrato de trabalho e redução de jornada e salário, que só poderia continuar com uma prorrogação ou um novo decreto de calamidade pública.

A avaliação dos técnicos diverge de declarações do ministro e membros do gabinete.

Em aparições públicas, e mesmo em conversas internas na pasta, Guedes tem afirmado que o governo estará pronto para agir em caso de segunda onda da doença. Porém, ele diz que esse não é o cenário colocado na mesa no momento.

O ministro afirma que o governo não espera ser necessário acionar medidas para uma forte ampliação de gastos, como foi feito neste ano.

Guedes e auxiliares próximos buscam tratar a segunda onda como improvável. Para eles, a doença vem recuando e a economia está em recuperação, o que dispensaria inclusive a prorrogação do auxílio emergencial.

As autoridades trabalham ainda com a hipótese de não haver perspectiva de um fechamento tão forte da economia como a que ocorreu no meio deste ano.

Nos últimos dias, no entanto, o ministro passou a reconhecer internamente que a segunda onda pode se tornar uma realidade se os números da doença continuarem subindo. Dados do Ministério da Saúde mostram que o país está em trajetória de alta de casos e mortes.

Membros do gabinete do ministro afirmam que a estratégia de ação do governo em 2021 vai depender da intensidade da doença. Eles esperam que não seja necessário adotar medidas drásticas, como as deste ano.

Entre as justificativas para evitar novos gastos está a disparada da dívida pública, que pode chegar a 96% do PIB (Produto Interno Bruto).

Guedes e secretários querem a retomada de medidas de ajuste fiscal e a redução de gastos obrigatórios, com a reforma administrativa, que muda a estrutura do serviço público, e a PEC Emergencial, que aciona gatilhos para cortar gastos.

Para o enfrentamento da pandemia em 2020, o governo abriu os cofres e liberou quase R$ 600 bilhões em medidas emergenciais.

Para 2021, porém, sem calamidade e sem Orçamento de guerra, as travas fiscais serão retomadas. Isso significa que o governo não terá liberdade para gastar além do previsto no Orçamento.

A peça orçamentária de 2021 ainda está em discussão no Congresso, com tramitação atrasada. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou em diferentes ocasiões que o decreto de calamidade não será prorrogado.

Mas, restando pouco mais de três semanas para o encerramento do ano, técnicos do ministério dizem acreditar que dificilmente será possível ampliar gastos em 2021 sem manter as medidas.

A visão interna é que diferentes gastos terão de ser feitos por meio de créditos extraordinários, que podem ser usados para despesas urgentes e imprevisíveis, como em calamidade. Entraria nessa rubrica, por exemplo, a vacinação.

Um dos elaboradores do Orçamento explica que a abertura de créditos extraordinários tem entraves. Embora esses recursos não sejam contabilizados na regra do teto, que limita o crescimento de gastos do governo à variação da inflação, eles afetam a meta fiscal e a regra de ouro.

Abrir esses créditos em 2021 sem afrouxar regras fiscais, portanto, exigiria o corte de gastos em outras áreas do governo.

A visão é compartilhada por um componente do Tesouro Nacional. Para ele, é consenso na área técnica que não será possível usar créditos extraordinários livremente.

“É muito difícil a gente não ter nenhum impacto nas contas em 2021. Na melhor das hipóteses, vamos gastar com vacinação e despesas do SUS. Dificilmente vamos ter uma situação controlada”, diz Daniel Couri, diretor da IFI (Instituição Fiscal Independente, ligada ao Senado).

“Faltam três semanas para 2021 e vamos continuar com muitos casos e pessoas hospitalizadas”, afirma Couri. Ele também vê uma chance elevada de ser necessária nova prorrogação do auxílio emergencial.

Para o economista, o caminho mais fácil para viabilizar os gastos extras em 2021 é a prorrogação das regras de calamidade pública e do Orçamento de guerra. Ele diz ser possível contornar regras fiscais sem o uso desses mecanismos, mas seria necessário combinar diferentes estratégias.

FolhaPress

JUBILEU DE OURO SACERDOTAL DE CÔNEGO JOSÉ MÁRIO DE MEDEIROS

“Declarem santo o quinquagésimo ano e pela terra proclamem
a minha ternura. Será para todos um Jubileu.” (Lv 25, 10).

Pela ordenação presbiteral, o Cônego José Mário de Medeiros foi constituído um “Alter Christus”. Renovou-se misticamente o mistério da Encarnação.

A data de hoje é celebrada no tempo do Advento, no qual se anuncia que o “Verbo se fez carne e habitou entre nós.” (Jo 1,14).

O Eterno quis assumir a condição humana, tornando Maria Santíssima o primeiro sacrário da Divindade.

Num sublime gesto de amor, Cristo tornou-se nosso irmão, conferindo-nos uma dignidade ímpar. “Somos, pelo amor de Deus, projeto do Eterno, semente do Absoluto.

E Jesus, o Divino feito homem, é o máximo futuro da nossa natureza. Utopia maiúscula, da qual um dia nos revestimos”, escreveu o Padre Teilhard de Chardin.

Querido irmão e confrade acadêmico, buscamos palavras que possam traduzir a importância de meio século de sacerdócio ministerial, vivido com fé, sabedoria e doação.

Lembremo-nos das palavras do salmista, quando agradece ao Todo-Poderoso a riqueza de sua revelação: “Dai graças ao Senhor, pois Ele é bom, eterno é seu amor, incomensurável a sua misericórdia.” (Sl 106, 1).  Somos afortunados pelo testemunho de nosso homenageado.

Hoje é dia de memórias, louvor e agradecimento. Agradecer integra a nobreza da vida e a dignidade da alma cristã. Por isso, vemos o Mestre elevando os olhos aos céus e rendendo graças ao Pai: “Eu te bendigo e te agradeço, ó Pai.” (Lc 10, 21). Nesta missa, rezaremos como Santa Edith Stein: “Senhor, queremos cantar canções de louvor e gratidão. Que das tuas fontes faças brotar o canto de nossa alma. E na tua bondade infinita o canto de nossa pobreza encontre encanto!”.
A bondade de Deus coroa de bênçãos, há cinco décadas, aquele que Ele nos presenteou como pastor de nossas vidas. O Transcendente revelou-se com um rosto humano na pessoa de nosso caríssimo Cônego José Mário, que tem por seu rebanho o sentimento descrito pelo profeta Isaías: “Velarei por ti…, como a mãe acalenta o filho” (Is 66, 12-13). Elevamos nossas preces aos céus e bendizemos ao Senhor por nosso irmão sacerdote, há cinquenta anos. Destes, mais de trinta, dedicados à Igreja na Arquidiocese de Natal.

Padre José Mário entregou-se a Deus para ser mensageiro da graça.
Para o nosso sacerdote jubilar, o santuário de nossa alma sempre foi a primazia de sua missão presbiteral. “Vós sois o campo de Deus” (1Cor 3, 9), assim se referiu o apóstolo Paulo às comunidades de Corinto.

O Cônego José Mário, como semeador do Evangelho, sempre acreditou nesse plantio divino.

De espinhos poder-se-ão colher flores; de sementes, entre pedras, ramos verdejantes e frutos saborosos.
Hoje, limitado pela saúde e a complexidade da vida moderna, nosso emérito continua a dedicar-se às tarefas pastorais, com o entusiasmo de sua juventude sonhadora de sacerdote, em Jardim de Piranhas e alhures.

Não esquecemos uma frase dita por ele aos paroquianos de São José de Caicó em 1966, numa palestra sobre Sagrada Escritura: “o ser humano vale muito, pois é sacrário do Infinito”.

E aqui seu pensamento encontra-se com o de Claudel, quando exclamou: “Deus colocou o coração humano para além do tempo num desejo e sonho de eternidade.”.
É ao irmão José Mário que a Igreja agradece, rendendo graças ao Pai, neste dia de festa e alegria. Nosso homenageado dá-nos uma lição ao fazer da vida um contínuo aprendizado. “O belo mesmo da existência é aprender, mergulhando cada dia um pouco mais, no oceano do Sagrado”, afirmou o saudoso Dom Nivaldo Monte.
O zelo de nosso jubilar pela arte evoca-nos a perenidade e a beleza do Infinito, aproximando-nos do Eterno. Eis um sacerdote culto, erudito e eclético do Rio Grande do Norte. Seu pensamento transita pelas páginas da Sagrada Escritura, história, genealogia, museologia, arte e literatura, inclusive Exupéry de quem é especialista. É apaixonado pela poesia e devoto de Maria Santíssima – a excelsa poetisa do Novo Testamento – em cuja festa escolheu ser ordenado e a quem consagrou seu ministério presbiteral. Cônego José Mário ama a dimensão poética e sabe que a oração é a forma absoluta da poesia, a qual simboliza “as asas da alma e a mais humilde serva da esperança”, segundo Adélia Prado. A profundidade espiritual e inquietude intelectual de nosso jubilar recordam a sede interior de Santo Agostinho, quando busca o Amor e a Luz da Vida. Ao conversar com ele, em certos momentos, traz-nos à mente o bispo de Hipona: “Senhor, torna-nos capazes de viver com amor nossa vocação, como verdadeiros enamorados da beleza espiritual, extasiados pelo perfume de Cristo, que exala de uma vida de conversão ao bem, não como escravos subjugados por uma lei, mas como homens livres, guiados pela graça divina”.
Cônego José Mário obteve vários títulos e diplomas acadêmicos: licenciatura em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Catarina, bacharelado em Teologia e mestrado Ès-arts pela Universidade de Louvain, na Bélgica, doutoramento em Língua Latina pela Universidade Salesiana de Roma. Educador por vocação dirigiu várias instituições de ensino, dentre elas, o Centro de Ensino Superior do Seridó-CERES/UFRN. Posteriormente coordenou os Campi da UFRN, tendo sido assessor especial do Magnífico Reitor.
Autor de várias obras literárias, pesquisador, poliglota, membro da ANRL, do IHGRN, Instituto Norte-rio-grandense de Genealogia etc. Tivemos a honra de precedê-lo na Universidade de Louvain e o antecedemos como diretor do então Núcleo Avançado de Caicó da UFRN, hoje CERES. Daí, resultarem também nossa afinidade e amizade. Por onde passou deixou rastros de luz e fez história. Esta é a medida do tempo, mas emissária da eternidade!
Pastor dedicado, nosso homenageado passou pela paróquia de Jardim de Piranhas (que compreendia também os municípios de São Fernando e Timbaúba dos Batistas), exercendo a função de administrador das paróquias de Brejo do Cruz (que integrava as cidades de São Bento, São José e Belém, na diocese de Cajazeiras/PB) e Janduís (no bispado de Mossoró). Cuidou pastoralmente de oito municípios, com aproximadamente cinquenta mil habitantes. Eis uma amostra de sua capacidade de servir e dinamismo sacerdotal. Chegando a este arcebispado, animou as freguesias de Macaíba, Ponta Negra e Bom Jesus da Ribeira (da qual é pároco emérito), acumulando as funções de capelão da UFRN e do Cemitério Morada da Paz. Incansável em seu ardor pastoral anima ainda o Eremitério do Santo Lenho e outras instituições religiosas. É de bom alvitre lembrar suas peregrinações à Terra Santa, importantes no aprofundamento da fé, no conhecimento exegético e em sua vivência mística. Há pouco tempo, após uma estadia de estudos em Roma, tornou-se postulador da causa de beatificação do Padre João Maria.
Meus irmãos, celebrar meio século de vida sacerdotal do Cônego José Mário é também proclamar solenemente a beleza da vida. É reconhecer a força do coração mais pujante e convincente que as limitações do corpo, espelho de nossa alma imortal.
Querido amigo, Deus seja louvado pela sua existência! Sentimo-nos privilegiados pela graça de sua amizade, pois assim quis o Pai Nosso que cultuamos e adoramos. Foi Ele quem despertou em nós vívidas lembranças, que revelam vínculos de fraternidade evangélica. Estamos unidos a seus amigos e gostaríamos de poder exprimir o bem querer, a admiração e a gratidão de todos. O Senhor o conserve são, lúcido e forte por muitos anos. Você traz a marca de Deus, inscrição da nossa proveniência, fornalha que arde no âmago de nossa alma.
Muito obrigado, irmão, você soube ensinar a seu rebanho que a existência humana faz parte da realidade eterna, admirável parcela de divindade, pois “Deus também habita no coração da matéria e da existência terrena”, como pensava Martin Heidegger. E, de modo inspirado, expressou-se Jacques Maritain: “É no concreto, no pão e no vinho, que se enraíza a presença de Deus”. Cristo é Deus feito homem, Ser Infinito materializado, acessível a cada um. Este é o Cristo que você ajudou a descobrir e amar. Ter o privilégio de sua amizade e escutado a sua palavra é “sentir-se às vésperas de Deus”, como afirmara o imortal Dom Marcos Barbosa.
Deus o abençoe, irmão. Nossa Senhora da Conceição, em cuja festa você foi ordenado, o ilumine sempre. Hoje recordemos que – em datas e anos diferentes – Dom Manuel Tavares de Araújo, bispo de Caicó, nos impôs as mãos episcopais e ungiu-nos presbíteros da Igreja. Fomos tangidos pelo mesmo báculo pastoral. Um memento e um momento de gratidão e saudades! Supliquemos à Mãe de Cristo que com o seu terno sorriso o acalente nos momentos de ventura ou tristeza.
Caríssimo irmão, Deus fortaleça a sua alma, console-o nas tribulações e aumente a sua fé na graça divina, que transforma o homem e o mundo! Sinta sempre a força do alto e possa dizer como Teresa d’Ávila: “Por tanto tempo o teu poder me abençoou. Sei que me conduzirás pelas estradas do amor e da misericórdia. Tu, Senhor, que penetras a minha alma e, como um turbilhão, invades a minha vida; a Ti, somente a Ti eu quero amar, a Ti somente a Ti desejo servir”!
Irmão, amigo e confrade, grato pela alegria dos anos partilhados. “Benedicat tibi Dominus et custodiat te; convertat vultuum suum ad te et det tibi pacem” (Nm 6, 24-26). Que o Senhor te abençoe e guarde, volte o seu olhar para ti e te conceda a sua paz.
Natal, 08 de dezembro de 2020.
Padre João Medeiros Filho