Taxa dos que tomariam vacina contra covid-19 cai de 85% para 63% em 4 meses

Bolsonaro elogia Marinho depois de Guedes criticar o ministro

O presidente Jair Bolsonaro direcionou elogios ao ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, nesta 5ª feira e prestou “solidariedade” ao ex-deputado. A declaração foi feita depois de o ministro da Economia, Paulo Guedes, dizer que a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) financia estudos para “ministro gastador” enfraquecê-lo. A crítica foi interpretada como uma indireta ao colega de Esplanada.

Ninguém viu um ministro do Desenvolvimento Regional [melhor] que Rogério Marinho, um homem que vive pelo Brasil todo, mas especial no Nordeste. Onde mais necessitam de obra, ele está presente”, disse o presidente.

Bolsonaro agradeceu Marinho, que o acompanhava em viagem ao Maranhão. “Ao Rogério Marinho, a minha solidariedade e o meu muito obrigado pela confiança”, declarou. O ministro divulgou o endosso do chefe em suas redes sociais. Escreveu no Twitter:

“Obrigado Presidente @jairbolsonaro pelo reconhecimento ao nosso trabalho. Isso nos dá força para continuarmos firmes na missão que o senhor nos atribuiu. Estamos abraçando o Nordeste e o Brasil. Vamos garantir que o desenvolvimento chegue para todos.”

Marinho disse, no início do mês, ser preciso encontrar uma forma de viabilizar o novo programa social do governo, mesmo que para tal seja necessário flexibilizar o teto de gastos (regra que limita o crescimento das despesas da União). Em resposta, à época, Guedes chamou Marinho de “despreparado”, “desleal” e “fura teto”.

Já nesta 5ª feira, em audiência pública na Comissão Mista do Congresso Nacional para o acompanhamento de medidas contra a pandemia, Guedes disparou críticas à federação de bancos. “A Febraban financia estudos que não tem nada a ver com operações bancárias, financia ministro gastador para ver se fura teto e derruba o outro lado”, afirmou.

Em nota enviada ao Poder360, a Febraban afirmou que “sempre se posicionou pela necessidade de sustentabilidade fiscal como pressuposto da retomada econômica e pela defesa clara em favor da manutenção do teto de gastos”.

Bolsonaro também elogiou os ministros Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) na cerimônia em Imperatriz (MA).

No evento, Rogério Marinho, enalteceu o presidente. Disse que muitos tentam “esconder a paternidade” e “encobrir a autoria” de obras conduzidas. Criticou aqueles que reclamam de Bolsonaro por ter “investido, se preocupado e abraçado o Nordeste”.

Nós viemos aqui para dizer que as obras que estão acontecendo em todo o Maranhão são do presidente Bolsonaro e do governo Federal, que têm usado recursos públicos a favor do povo”, disse.

Poder 360.

Copom mantém juros básicos da economia em 2% ao ano

Em meio ao aumento da inflação de alimentos que começa a estender-se por outros setores, o Banco Central (BC) não mexeu nos juros básicos da economia. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 2% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas financeiros.

Em nota, o Copom informou que, apesar da alta observada no preço dos alimentos e de itens industriais, o efeito sobre a inflação será temporário. O órgão, no entanto, aumentou a projeção para a inflação oficial em 2020, de 2,1% em setembro para 3,1% agora. Esse cenário supõe a manutenção dos juros básicos em 2% ao ano e dólar em torno de US$ 5,60.

Sobre as perspectivas econômicas, o comunicado ressaltou que o ressurgimento da pandemia de covid-19 em diversos países tem provocado a desaceleração da retomada em diversas economias. No cenário interno, o Copom informou que a recuperação segue desigual conforme os setores da economia e que a incerteza permanece acima da usual, sobretudo para o período de fim de ano, com a redução do auxílio emergencial.

Com a decisão de hoje (28), a Selic está no menor nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 1986. Em julho de 2015, a taxa chegou a 14,25% ao ano. Em outubro de 2016, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia até que a taxa chegasse a 6,5% ao ano em março de 2018. Em julho de 2019, a Selic voltou a ser reduzida até alcançar 2% ao ano em agosto deste ano.

Inflação

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Nos 12 meses terminados em setembro, o indicador fechou em 3,14%. Apesar de estar em aceleração por causa da alta dos alimentos, o IPCA continua abaixo do nível mínimo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Para 2020, o CMN fixou meta de inflação de 4%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O IPCA, portanto, não poderá superar 5,5% neste ano nem ficar abaixo de 2,5%. A meta para 2021 foi fixada em 3,75%, também com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual.

No Relatório de Inflação divulgado no fim de setembro pelo Banco Central, a autoridade monetária estimava que o IPCA fecharia o ano em 2,1% no cenário base. Esse cenário considera as estimativas de mercado.

A projeção, no entanto, ficou defasada diante do repique da inflação nos últimos meses. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 2,99%.

Crédito mais barato

A redução da taxa Selic estimula a economia porque juros menores barateiam o crédito e incentivam a produção e o consumo em um cenário de baixa atividade econômica. No último Relatório de Inflação, o Banco Central projetava encolhimento de 5% para a economia neste ano. Essa foi a segunda projeção oficial do BC revisada após o início da pandemia de covid-19.

O mercado projeta contração um pouco menor. Segundo a última edição do boletim Focus, os analistas econômicos preveem contração de 4,81% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos pelo país) em 2020.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.(ABr)