Decreto bloqueia R$ 5,8 bi em Educação, R$ 5,1 bi na Defesa e R$ 2,9 bi em emendas 

 

O governo publicou nesta sexta-feira (29), em edição extraordinária do “Diário Oficial da União”, o decreto de programação orçamentária com o detalhamento do bloqueio de mais de R$

29 bilhões em gastos no Orçamento de 2019.

O bloqueio é um congelamento de uma parcela das verbas do Orçamento Federal com o objetivo de tentar cumprir a meta de déficit primário (despesas maiores do que receitas, sem contar juros da dívida pública) de até R$ 139 bilhões para este ano. Para desbloquear esses recursos até o fim do ano, o governo depende do ingresso de receitas adicionais.

Em valores absolutos, de acordo com o decreto, as áreas que sofreram maior bloqueio foram Educação (R$ 5,83 bilhões) e Defesa (R$ 5,1 bilhões). As emendas parlamentares (recursos que deputados e senadores indicam para investimento em obras e serviços nos estados e municípios) sofreram bloqueio de R$ 2,95 bilhões (veja mais abaixo os valores do bloqueio por área).

Em termos percentuais, o maior bloqueio aconteceu no Ministério de Minas e Energia (79,5% do total), seguido pelo Ministério de Ciência e Tecnologia (41,97%), Infraestrutura (39,46%), Defesa (38,61%), Turismo (37,12%), Desenvolvimento Regional (32,37%). Os menores contingenciamentos foram nas áreas de Saúde (2,98%), na Controladoria-Geral da União (13,63%) e no Ministério das Relações Exteriores (19,97%).

Emendas parlamentares

O Ministério da Economia informou que, do montante total do bloqueio, R$ 1,965 bilhão refere-se às emendas individuais e R$ 990 milhões às emendas de bancadas estaduais de execução obrigatória.

De acordo com o governo, o bloqueio foi equivalente a 21,63% do montante das respectivas emendas, “uma vez que esse foi o percentual da limitação global das despesas primárias discricionárias sujeitas a essa limitação”.

Nesta semana, a Câmara dos Deputados aprovou uma proposta de emenda constitucional (PEC) que engessa ainda mais o orçamento da União, o que, em tese, obrigaria o governo a executar as emendas dos parlamentares. A medida, porém, passaria a vigorar somente de 2020 em diante.

A PEC já passou pela Câmara dos Deputados em dois turnos. Para entrar em vigor, ainda precisa ser aprovada, também em dois turnos, pelo Senado Federal e depois sancionada pelo presidente da República.

Custeio e investimentos

O bloqueio no orçamento anunciado pelo governo nesta sexta-feira (22) fará com que a verba para custeio e investimentos seja a menor desde 2008, quando começou a série história do Tesouro Nacional – o que pode comprometer a prestação de serviços públicos.

Com o bloqueio orçamentário, o secretário de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues Júnior, informou na semana passada que o limite dos gastos discricionários (não obrigatórios) caiu para R$ 90 bilhões.

Em 2017, quando o limite era de R$ 117 bilhões, a impressão de passaportes e as fiscalizações contra o trabalho escravo chegaram a ser suspensas ou reduzidas. Também houve redução nos recursos para as universidades federais.

Na última semana, Waldery Rodrigues Júnior, do Ministério da Economia, também afirmou, entretanto, que o governo buscará reverter o bloqueio no decorrer deste ano.

Para isso, espera contar com recursos decorrentes do crescimento da economia, da privatização da Eletrobras e da cessão onerosa (contrato firmado entre Petrobras e União, cujo excedente pode render cerca de R$ 100 bilhões neste ano).

G1

Bancada do PSL enquadra líder do partido na Câmara

Movimento foi capitaneado pela ala militar da legenda, que externou sua insatisfação com citações recentes do deputado Delegado Waldir (GO) contra a reforma da Previdência

BRASÍLIA – Após o ministro da Economia, Paulo Guedes, reclamar do “fogo amigo” no Congresso, a bancada do PSL decidiu nesta quinta-feira, 28, “enquadrar” o seu líder na Câmara, deputado Delegado Waldir (GO). O movimento foi capitaneado pela ala militar do partido, que externou sua insatisfação com citações recentes do líder contra a reforma da Previdência.

“O partido tem divergências, tem suas divisões. Nem Cristo agradou a todo mundo, não será o Delegado Waldir que vai agradar”, afirmou o deputado, após reunião da bancada em um espaço de eventos em Brasília. Na ocasião, os parlamentares anunciaram que fecharam questão em relação à proposta da reforma da Previdência.

De acordo com parlamentares presentes na reunião, ficou definida uma espécie de manual que Waldir terá de seguir para continuar no cargo. Foi acertado que, como líder, qualquer crítica que fizer a questões do governo, terá de ser pontual e com consulta prévia à bancada. Waldir terá também de assumir um papel mais institucional de defesa e orientação dos deputados do PSL.

O deputado de Goiás chegou ao cargo de líder após o deputado Eduardo Bolsonaro(PSL-SP), filho mais novo do presidente, ter desistido de assumir a função para evitar conflito de interesses da bancada. Eduardo era vice-líder no mandato passado e, na transição, passou a ser um dos principais interlocutores da equipe de Jair Bolsonaro no Congresso.

Com apoio do presidente da legenda, Luciano Bivar (PSL-PE), o delegado foi eleito para a função. Desde que assumiu, porém, tem entrado em rota de colisão com o governo por suas declarações. Aos presentes na reunião, Bivar garantiu a manutenção de Waldir na liderança. Contudo, um grupo de deputados defende a adoção de um rodízio na liderança ainda este ano.

Joice. O líder do partido na Câmara não é o único a ser contestado. Conforme mostrou o Estado, a líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), também passou a ser alvo de críticas internas após discutir com deputados favoráveis à reforma da Previdência pelo Twitter.

Estadão.

Bolsonaro é questionado duas vezes sobre permanência do ministro da Educação e fica calado

O presidente Jair Bolsonaropermaneceu calado ao ser questionado na noite desta quinta-feira (28) sobre a permanência do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez.

Ele foi abordado por jornalistas duas vezes antes de sair de um jantar de comemoração do aniversário do deputado Hélio Lopes (PSL-RJ) em uma churrascaria em Brasília. Na primeira vez, ele não respondeu a perguntas – entre as quais, questionamentos sobre Vélez. Na segunda, respondeu sobre a reforma da Previdência, mas, ao ser indagado sobre o ministro, começou a deixar o local e entrou no carro para ir embora.

Presente ao jantar, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) também foi alvo de perguntas sobre Vélez Rodríguez ao deixar a churrascaria. O filho de Jair Bolsonaro respondeu: “O presidente é quem fala”.

Na manhã desta sexta (29), a agenda de Bolsonaro, divulgada pela Secretaria de Comunicação Social, prevê uma audiência com o ministro Vélez Rodríguez, às 10h30, no Palácio do Planalto.

Nesta quarta-feira (27), a TV Bandeirantes exibiu uma entrevista com o presidente na qual ele respondeu sobre a situação de Vélez. Disse que “realmente não dando certo as questões lá” (no Ministério da Educação). Nessa entrevista, afirmou que conversaria com o ministro somente depois de retornar de Israel, para onde embarca neste sábado a fim de cumprir visita oficial.

“Quanto à educação, temos que resolver a questão da educação. Vamos ter mais uma conversa, na minha volta de Israel, com o atual ministro e vamos ter que decidir a questão da educação, que realmente não estão dando certo as questões lá. E é um ministério extremamente importante, como os outros são”, declarou.

Questionado então na entrevista sobre o que “não está dando certo”, respondeu:

“Olha só, o que a gente quer no MEC? Que a garotada do ensino fundamental aprenda física, química, matemática, biologia. Para isso, você tem que ter poder de comando, exercer autoridade, indicar pessoas corretas para que se chegue ao final da linha. Mas estamos tendo problema no tocante a… Agora, é um ministério, um dos mais aparelhados que tem. Tem conselhos lá dos mais variados possíveis, que para um ministro tomar decisão não é fácil. Quase todos os ministros quando convidei, falei: ‘Se fosse você, não aceitaria’. Então, o da Educação também falei isso daí, dadas as dificuldades. Então, a massa que está lá, pelo que entendo, está por patriotismo.”

Ricardo Vélez Rodríguez tem protagonizado uma série de polêmicas desde que assumiu o MEC e enfrenta uma “guerra interna” na pasta provocada por divergências entre militares e seguidores do escritor Olavo de Carvalho, segundo o blog do colunista do G1 e da GloboNews Valdo Cruz. De acordo com o blog, há pressão dentro do governo para que Vélez deixe o cargo.

Polêmicas

Nos três meses à frente do Ministério da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez protagonizou uma série de polêmicas, entre as quais:

Anunciou a demissão do secretário-executivo da pasta diante da “guerra” no ministério. Depois, substituiu diversas outras pessoas na pasta. O presidente do Inep também foi demitido;Pediu a escolas que filmassem alunos cantando Hino Nacional e enviassem o vídeo ao MEC. Depois, voltou atrás;Disse em entrevista que o brasileiro parece um “canibal” quando viaja ao exterior. Depois, disse ter sido “infeliz” na declaração;Afirmou que a universidade não é para todos.

Jantar

Além de Bolsonaro e do deputado Hélio Lopes, participaram do jantar o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), amigos e familiares do aniversariante.

Daniel Silveira declarou que, no jantar, pouco se falou de trabalho, mas disse que a reforma da Previdência foi um dos assuntos tratados. Ele contou que havia cerca de 30 pessoas presentes à sala reservada para o evento e que Hélio Lopes estava emocionado. Jornalistas não tiveram acesso ao local.

G1