Sesap publica vídeo sobre desabastecimento no Walfredo

Com 189 itens completamente zerados, outros 11% em nível crítico e apenas 64% do estoque em situação regular, o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel enfrenta um quadro classificado pela própria Divisão de Farmácia como de “extrema gravidade e vulnerabilidade assistencial”. Após a repercussão do ocorrido, o secretário de Estado da Saúde Pública, Alexandre Motta, publicou um vídeo em suas redes sociais ao lado do chefe da Divisão de Farmácia da unidade, Thiago Sá. Na gravação, Thiago Sá afirma que o cenário de desabastecimento “já foi pior” e vem sendo contornado pela gestão.

O documento que embasou a reportagem foi assinado pelo próprio Thiago Sá e encaminhado à direção da unidade e à Sesap. Confira a íntegra do documento clicando AQUI!

No vídeo divulgado, o secretário Alexandre Motta considera o relatório um “alerta” acerca de “itens que estão faltando, que são itens críticos”. Perguntado se a emissão de relatórios com esse teor já havia ocorrido no passado, Thiago Sá responde: “Sim, isso é uma rotina no nosso hospital, inclusive a direção exige essa rotina que passamos as questões das faltas, dos itens críticos, de como estão os processos”.

Alexandre Motta questiona se o cenário anterior já foi mais grave. Thiago Sá responde: “Já tivemos percentuais de falta de cerca de 36%, ou seja, 64% de abastecimento”. Entre as medidas citadas pela pasta para normalizar o fluxo, foram listadas “permutas, licitações realizadas, empenhos efetuados e negociação com fornecedores em relação a atrasos de entregas”.

“Esse é o mundo real do dia a dia do Walfredo Gurgel e da Sesap. Todo dia tem problema e todo dia se resolve”, conclui Alexandre Motta na gravação, justificando que o vídeo foi publicado para que as informações fossem apresentadas em sua “integralidade”.

Confira o vídeo abaixo!

Crise

A Divisão de Farmácia do Hospital Walfredo Gurgel alertou, na última sexta-feira, a Secretaria de Saúde do Estado para a falta de 189 itens – entre eles insumos básicos como luvas e agulhas e medicamentos vitais para a saúde dos pacientes, como a noradrenalina. Segundo o memorando da unidade, o cenário é de “extrema gravidade e vulnerabilidade assistencial”.

Segundo o documento da Divisão de Farmácia, o Walfredo Gurgel tem operado com 25% do catálogo de insumos em desabastecimento total. São 189 itens. Além disso, 11% dos insumos necessários para o funcionamento da unidade estão em nível crítico, ou seja, há quantitativos suficientes para menos de 1 mês de trabalho. Apenas 64% do estoque hospitalar é considerado regular, com quantidades suficientes para mais de um mês. São 482 itens.

Entre os insumos em falta, estão desde materiais básicos de proteção e aplicação — como luvas de procedimento (só o tamanho M consome mais de 126 mil unidades por mês), seringas de vários tamanhos, agulhas, esparadrapos e água destilada para diluir remédios — até itens usados para manter pacientes vivos e respirando.

Faltam, por exemplo, remédios essenciais para controlar a pressão em casos graves de UTI (como a noradrenalina), calmantes, analgésicos fortes como morfina, antibióticos injetáveis e soro fisiológico. A crise atinge também as cirurgias de urgência e emergência, com estoque zerado de tubos para intubação, sondas para puxar secreção do pulmão, drenos para o peito, agulhas de anestesia, bisturis e fios para costurar cortes cirúrgicos.

A Divisão de Farmácia do Walfredo Gurgel também afirma que 72% dos itens em nível crítico estão com processos de aquisição tramitando, o que representa “a prova concreta de que o cenário atual não decorre de inação ou atraso da Divisão de Farmácia”.

O memorando afirma que o gargalo atual do abastecimento ocorre por “tramitação e prazos de liquidação”, “ausência de orçamento para empenho dos processos”, “descumprimento de prazos de entrega por inadimplemento” e “morosidade e entraves em certames licitatórios ou registros de preços”.

“A demora no desfecho desses processos tem gerado ruptura no estoque. Como consequência, a Divisão de Farmácia vem sofrendo constantes e severas cobranças por parte das equipes médicas, de enfermagem etc., dos setores assistenciais e de urgência. A rotina da divisão tem se concentrado no manejo diário de crises e no contingenciamento de insumos básicos, cenário que extrapola a capacidade de resolução isolada deste setor”, aponta o documento.

Tribuna do Norte