Pfizer: Brasil tem uma semana para decidir por compra de vacina da covid-19

Alejandro Lizarraga, diretor da área de vacinas da Pfizer Brasil, disse nessa 4ª feira (2.dez.2020) que é apertado o prazo para o país fechar negócio para aquisição do imunizante contra a covid-19 desenvolvido pela farmacêutica.

O tempo é curto, de alguns dias, ou talvez uma semana”, falou.

O imunizante da Pfizer/BioNTech foi aprovado para uso emergencial no Reino Unido e a vacinação deve começar na próxima semana. Estudos clínicos mostraram que a vacina tem 95% de eficácia na proteção contra a covid-19.

Um obstáculo para a distribuição dessa vacina, batizada BNT162b2, é a infraestrutura necessária para seu transporte e armazenamento. Isso porque a vacina precisa ser mantida a uma temperatura de -70ºC.

O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Medeiros, sinalizou na 3ª feira (1º.dez), sem citar nomes, que a vacina da Pfizer não está no perfil ideal para uso no Brasil.

Ele defendeu a inclusão no plano nacional de um imunizante que, “fundamentalmente”, possa ser armazenado a temperaturas de 2°C a 8°C, compatível com a capacidade da rede de resfriamento nacional.

Segundo Lizarraga, a Pfizer fechou acordos com outros países com condições de desenvolvimento parecidas com as do Brasil. Entre eles, Chile, Peru, Equador, Panamá, México e Costa Rica. Por isso, na avaliação do executivo, a farmacêutica poderia adotar no Brasil soluções similares às prometidas para os outros países.

A farmacêutica apresentou nessa 4ª (2.dez) ao governo federal um plano logístico detalhado, bem como ferramentas para apoiar o transporte, o armazenamento e o monitoramento contínuo da temperatura da vacina contra a covid-19 desenvolvida em parceria com a empresa de biotecnologia alemã BioNTech.

Em nota (íntegra – 250 KB), a farmacêutica disse que existe a possibilidade de realizar o transporte da vacina em uma “embalagem inovadora em caixas” nas quais o armazenamento da vacina a -75ºC pode se dar por 15 dias, em gelo seco.

O imunizante, de acordo com a Pfizer, pode ficar em um refrigerador comum (entre 2ºC e 8ºC) por até 5 dias, viabilizando a distribuição e vacinação –em especial na situação atual em que se pretende vacinar o maior número de pessoas em curto espaço de tempo.

Poder 360.

Câmara aprova MP que destina R$ 2 bi à vacina contra a covid-19

A Câmara dos Deputados aprovou na tarde desta 4ª feira (2.dez.2020) a MP (medida provisória) 994 de 2020, que abre crédito de R$ 1,99 bilhão para o Ministério da Saúde. Os recursos serão destinados à produção e distribuição da vacina contra o coronavírus.

A votação foi simbólica. Ou seja, sem contagem dos votos. O acerto é possível quando há acordo entre as bancadas. O texto segue para análise do Senado, e perderá validade se não for votado até 5ª feira (3.dez.2020).

Medidas provisórias são editadas pelo governo federal e têm força de lei a partir do momento de sua publicação por até 120 dias. Para continuar valendo, porém, precisa de aprovação de Câmara e Senado dentro do prazo. A MP 994 perde a validade em 3 de dezembro.

O governo pode usar os recursos relativos a medidas provisórias de crédito mesmo sem aprovação do Congresso, desde que a verba seja usada antes da caducidade da medida. A aprovação nesse caso é importante porque parte do dinheiro ainda não foi utilizado.

A relatora, Mariana Carvalho (PSDB-RO), disse no plenário que ainda faltam destinar R$ 400 milhões.

A vacina em questão é a desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca, em parceria com a universidade britânica de Oxford. No Brasil, o imunizante está sendo estudado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), vinculada ao Ministério da Saúde.

A verba aprovada virá da emissão de títulos públicos. Do valor total, R$ 1,3 bilhão será investido na compra de 100 milhões de doses da vacina, além da compra do aparato tecnológico do laboratório AstraZeneca necessário para transporte e armazenamento.

Outros R$ 522 milhões serão investidos na Bio-Manguinhos, unidade da Fiocruz no Rio de Janeiro, responsável pelo processamento final das substâncias. Com os R$ 95,6 milhões restantes serão comprados as tecnologias de produção do imunizante.

CONFUSÃO DE DOSAGENS

A vacina em questão passou por 1 erro nas dosagens durante a 3ª fase de testes clínicos. Alguns voluntários tomaram somente meia dose, e vieram a apresentar uma resposta melhor à vacina, com eficácia de 90%

De início, a AstraZeneca relatou os fatos como se a diferença nas doses tivesse sido intencional. Mais tarde, porém, teve que admitir ter se tratado de uma pane: devido a um erro de produção, as ampolas só estavam cheias pela metade, por isso os pacientes do Reino Unido inicialmente só receberam meia dose.

As agências reguladoras permitiram a continuidade dos testes, ainda que com a dosagem errada.

Poder 360.

Preferência por vacina da China sobe para 15%, mostra PoderData

Pesquisa PoderData mostra que o percentual de brasileiros dispostos a receber doses de vacinas contra a covid-19 desenvolvidas por empresas farmacêuticas da China cresceu nos últimos 90 dias no país. Passou de 8% para 15%. Houve alta de 7 pontos percentuais.

Apesar da alta, a maior parte dos entrevistados pelo instituto de pesquisas confia mais em  mais confiança em imunizantes produzidos nos Estados Unidos. O levantamento mostra que 27% preferem vacinas norte-americanas –houve variação dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais nos últimos 3 meses, considerando os levantamentos feitos de 17 a 19 de agosto e de 26 a 28 de outubro.

Também são 15% os que optam por uma produzida por países da Europa. Só 4% tomariam um imunizante desenvolvido pela Rússia.

A pesquisa foi realizada pelo PoderData, divisão de estudos estatísticos do Poder360. A divulgação do levantamento é feita em parceria editorial com o Grupo Bandeirantes.

Os dados foram coletados de 23 a 25 de novembro, por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram 2.500 entrevistas em 479 municípios, nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. Saiba mais sobre a metodologia lendo este texto.

Para chegar a 2.500 entrevistas que preencham proporcionalmente (conforme aparecem na sociedade) os grupos por sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica, o PoderData faz dezenas de milhares de telefonemas. Muitas vezes, mais de 100 mil ligações até que sejam encontrados os entrevistados que representem de forma fiel o conjunto da população.

O debate sobre a preferência de uma vacina, considerando o país de origem das empresas de biotecnologia e de farmacêuticas, foi impulsionado em outubro, quando houve embate entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) envolvendo o tema. Adversários ferrenhos, o presidente e o tucano divergem ainda sobre a obrigatoriedade da vacina.

Em 21 de outubro, em ato contrário à vacina da China, o Bolsonaro cancelou 1 acordo firmado pelo Ministério da Saúde para aquisição de 46 milhões de doses da CoronaVac, imunizante contra covid-19 desenvolvido pela farmacêutica chinesa Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo.

Frente à resistência do governo federal, Doria decidiu fechar o contrato pela compra da CoronaVac. Das 46 milhões de doses do imunizante, 40 milhões serão produzidas no Brasil. Em 28 de outubro, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou a importação de matéria-prima da China para produção da vacina. Em 19 de novembro, o governo de São Paulo recebeu 120 mil doses numa 1ª remessa.

Os temas repercutiram fortemente na mídia, principalmente de forma negativa. Em grupos de WhatsApp, pipocaram vídeos de supostos médicos e profissionais de saúde criticando e elogiando o governo.

Após a mobilização de partidos, tanto a obrigatoriedade da vacina, quanto a desistência da compra da CoronaVac pelo governo federal serão analisadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Em uma das ações, o relator, ministro Ricardo Lewandowski apresentou voto antecipado, em 24 de novembro, favorável ao pedido para obrigar o governo federal a apresentar em 30 dias o plano de vacinação contra a covid-19.

PoderData também mostrou que 59% dos brasileiros defendem a obrigatoriedade da vacina e 33% são contra essa medida.

ESTRATIFICAÇÃO

PoderData separou o recorte da pesquisa por sexo, idade, região, escolaridade e renda. Observam-se os maiores percentuais de preferência nos seguintes grupos e regiões:

  • Vacina feita na China – homens (16%); pessoas de 45 a 59 anos (18%); moradores da região Norte (31%); os que têm ensino superior (17%); os que recebem mais de 10 salários mínimos (29%).
  • Vacina feita nos Estados Unidos – homens (31%); pessoas de 16 a 24 anos (36%); moradores do Sul (38%); os que têm só o ensino fundamental (29%); os que ganham até 2 salários mínimos (34%).
  • Vacina feita em países da Europa –mulheres (18%); pessoas de 25 a 44 anos (19%); moradores do Centro-Oeste (35%); os que têm ensino superior (22%); os que recebem mais de 10 salários mínimos (44%);
  • Vacina feita na Rússia – homens (6%); pessoas de 16 a 24 anos (10%); moradores da região Norte (10%); os que têm ensino superior (5%); os que recebem de 5 a 10 salários mínimos.

Atualmente, estão sendo realizados 4 estudos clínicos de vacinas contra o coronavírus no Brasil, todos estão na 3ª e última fase de testes. Eis quais são:

  • Vacina de Oxford – produzida pelo laboratório sueco AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, da Inglaterra;
  • CoronaVac – desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan;
  • Vacina BNT162b1 – desenvolvida pela empresa alemã de biotecnologia BioNTech e pela farmacêutica norte-americana Pfizer;
  • Vacina Jansen-Cilag – produzida pela farmacêutica belga Janssen, do grupo norte-americano Johnson-Johnson.

Em 9 de novembro, a Pfizer divulgou estudos preliminares que apontam que o imunizante desenvolvido tem 95% de eficácia contra o novo coronavírus. Na 3ª feira (1º.dez.2020), a a farmacêutica pediu às autoridades de regulação de medicamentos da Europa a autorização para uso emergencial de sua vacina. A mesma solicitação foi feita nos Estados Unidos, em 18 de novembro.

A vacina de Oxford também teve um estudo preliminar divulgado em 23 de novembro. Os resultados indicam 90% de eficácia do imunizante quando os participantes receberam meia dose da vacina e, 1 mês depois, uma dose completa. Quando foram aplicadas duas doses completas, também com 1 mês de diferença entre elas, a eficácia caiu para 62%.

No mundo, a 1ª vacina que recebeu aprovação regulatória foi a da Rússia: a Sputinik V, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya de Moscou. A vacinação com o imunizante já começou no país, mesmo ainda sem a conclusão dos testes. O anúncio foi feito nessa 3ª feira (1º.dez).

Além disso, apesar de não ser testada no Brasil, análise preliminar da vacina desenvolvida pela farmacêutica norte-americana Moderna mostrou 94,5% de eficácia do imunizante.

VACINA X BOLSONARO

O presidente Jair Bolsonaro e parte da sua base de apoio, inclusive seus filhos, glorificam rotineiramente a aproximação da administração federal com o governo dos Estados Unidos, que antecipou em julho a compra de US$ 1,95 bilhão em vacinas da Pfizer e BioNTech.

Bolsonaro, no entanto, ainda não manifestou nenhuma preferência sobre alguma vacina, mas se disse contrário à da China. Em 26 de outubro, o presidente ainda defendeu o investimento no tratamento da doença ao em vez da produção de 1 imunizante contra o coronavírus, que já matou mais de 173 mil pessoas no país.

O posicionamento do presidente parece influenciar os que avaliam positivamente seu trabalho individual na Presidência. Dos que acham o Bolsonaro “ótimo” ou “bom”, 37% preferem tomar uma vacina feita nos Estados Unidos.

 

No entanto, houve 1 aumento do percentual nesse grupo dos que optam por uma vacina da China. Há 1 mês, só 2% queriam 1 imunizante da China. Agora, são 13%.

Já dos que acham o presidente “ruim” ou “péssimo”, 21% preferem uma fórmula desenvolvida na Europa. Outros 18% preferem a produção chinesa e 6% preferem uma feita na Rússia.

Apesar da resistência a uma vacina, em 6 de agosto, o governo comprou 100 milhões de doses da vacina desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford por R$ 1,9 bilhão. Os recursos foram liberados por uma medida provisória. O Brasil também integra o Covax, 1 consórcio internacional para facilitar a compra de vacinas contra a covid-19.

O dinheiro será destinado à Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), que usará o montante para incorporar a tecnologia desenvolvida pela empresa britânica para fabricar a vacina. Com isso, caso a eficácia do imunobiológico seja comprovada e o suo da vacina seja autorizada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o Brasil deverá produzir 100 milhões de doses até o 2º trimestre de 2021.

Em entrevista a jornalistas, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Medeiros, disse na última 3ª feira (1º.dez.2020) que o Plano Nacional de Imunização contra a covid-19 só ficará pronto quando houver uma vacina registrada na Anvisa. Mas, no mesmo dia, o governo divulgou um documento com um plano preliminar, que indica que 4 fases previstas pela equipe técnica da pasta. A prioridade será para idosos, pessoas com comorbidades, profissionais de saúde e indígenas.

O secretário também disse que as vacinas contra o coronavírus que serão incluídas no plano de vacinação devem ser “fundamentalmente” termoestáveis por longos períodos e que possam ser armazenadas em temperaturas de 2°C a 8°C, compatível com a capacidade da rede de resfriamento nacional. Ele não citou especificamente nenhuma vacina.

No entanto, o critério estabelecido pelo governo afasta a possibilidade de aquisição do imunizante desenvolvido pela farmacêutica Pfizer e pela empresa de biotecnologia alemã BioNTech. Batizada de BNT162b2, a vacina do laboratório norte-americano exige condições especiais de armazenamento, com temperaturas de -70º C.

O coordenador dos estudos da Pfizer em São Paulo e diretor do Centro Paulista de Investigação Clínica, Cristiano Zerbini, disse nesta 4ª feira (2.dez.2020), em entrevista à rádio BandNews FM, que a temperatura de armazenamento da vacina da farmacêutica norte-americana Pfizer não é um impedimento para sua distribuição no Brasil.

Sem citar valores de custo, o Conselho Nacional de Climatização e Refrigeração afirmou, em comunicado (íntegra – 160 KB), que o setor de serviços de refrigeração nacional pode buscar adequar a infraestrutura e disponibilizar soluções para qualquer temperatura, inclusive a exigida pelo imunizante BNT162b2, com planejamento e investimento.

Outros países já têm previsão para vacinação contra covid-19. O Poder360 preparou 1 infográfico com as datas.

Poder 360.

67% tomariam vacina contra covid-19, e 19%, não, mostra PoderData

Pesquisa PoderData indica que 67% da população brasileira “com certeza” tomaria uma vacina contra a covid-19 assim que estivesse disponível. A taxa se manteve estável ante o levantamento realizado cerca de um mês antes, mas caiu em relação ao estudo feito de 6 a 8 de julho –quando 85% queriam o imunizante.

A proporção dos que disseram rejeitar a fórmula é agora de 19%, ante 22% na consulta realizada de 26 a 28 de outubro.

A pesquisa foi realizada pelo PoderDatadivisão de estudos estatísticos do Poder360. A divulgação do levantamento é feita em parceria editorial com o Grupo Bandeirantes.

Os dados foram coletados de 23 a 25 de novembro, por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram 2.500 entrevistas em 479 municípios, nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. Saiba mais sobre a metodologia lendo este texto.

Para chegar a 2.500 entrevistas que preencham proporcionalmente (conforme aparecem na sociedade) os grupos por sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica, o PoderData faz dezenas de milhares de telefonemas. Muitas vezes, mais de 100 mil ligações até que sejam encontrados os entrevistados que representem de forma fiel o conjunto da população.

No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB),  travam um embate. O tucano quer vacinar obrigatoriamente contra covid-19 toda a população do Estado que comanda. O presidente é contra.

discussão sobre a obrigatoriedade ou não do imunizante será feita, também, no STF (Supremo Tribunal Federal). O ministro Ricardo Lewandowski vai levar diretamente ao plenário 4 ações que discutem o tema e outras medidas profiláticas no combate à pandemia.

HIGHLIGHTS DEMOGRÁFICOS

O estudo destacou, também, os recortes para as respostas à pergunta sobre a percepção dos entrevistados em relação à vacina. Leia abaixo a estratificação por sexo, idade, região, escolaridade e renda. Os números entre parênteses mostram a proporção dentro do grupo.

Quem mais tomaria

  • os que têm 60 anos ou mais (75%);
  • os com ensino superior (72%);
  • moradores da região Norte (82%);
  • os que recebem mais de 10 salários mínimos (98%).

Quem mais rejeita

  • os que têm até o ensino fundamental (24%);
  • os moradores da região Nordeste (24%);
  • os que recebem de 5 a 10 salários mínimos (35%).

BOLSONARO X VACINA

O presidente afirmou em outubro que não pretende comprar nenhum imunizante vindo da China. Também disse diversas vezes ser contra a obrigatoriedade. A vacina só deveria ser obrigatória para Faísca, seu cachorro, afirmou.

A opinião do chefe do Executivo parece influenciar na percepção da sua base. Os apoiadores do presidente (“ótimo” + “bom”) são os que mais rejeitam 1 possível imunizante. Nesse grupo, 25% “com certeza não tomariam”. Também nesse mesmo estrato observa-se a menor taxa dos que disseram que “com certeza” irão tomar uma vacina: 53%.

VACINA AINDA NÃO APROVADA NO BRASIL

Ainda não há nenhum imunizante contra a covid-19 aprovado no Brasil. Para ser disponibilizada à população, a fórmula precisa ter o aval da Anvisa.

Várias empresas já apresentaram resultados promissores, e pediram autorizações nos países para o início da vacinação em massa. Algumas nações têm previsão para distribuição da fórmula já em dezembro deste ano.

Na 3ª feira (1º.dez.2020), o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Medeiros, disse que as vacinas contra a covid-19 que serão incluídas no Plano Nacional de Imunização devem “fundamentalmente” ser termoestáveis por longos períodos e permitir armazenagem à temperatura de 2 ºC a 8 ºC, compatível com a capacidade da rede de resfriamento nacional.

Ele não citou especificamente nenhuma vacina. No entanto, o critério estabelecido pelo governo afasta a possibilidade de aquisição da vacina desenvolvida pela farmacêutica Pfizer e pela empresa de biotecnologia alemã BioNTech. O imunizante, batizado de BNT162b2, exige armazenamento a -70ºC.

Poder 360.

59% acham que a vacina contra covid-19 deve ser obrigatória

Vacinação contra a gripe Influenza em postos de Drive-Thru, no Lago Norte . Sérgio Lima/Poder360 24.02.2020

Pesquisa do PoderData mostra que 59% defendem obrigatoriedade da vacina contra a covid-19. O número variou 3 pontos percentuais para mais em relação ao último levantamento, feito há um mês. Entre aqueles que dizem que a vacina não deve ser obrigatória, foram 3 pontos a menos.

A pesquisa foi realizada pelo PoderDatadivisão de estudos estatísticos do Poder360. A divulgação do levantamento é feita em parceria editorial com o Grupo Bandeirantes.

Os dados foram coletados de 23 a 25 de novembro, por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram 2.500 entrevistas em 479 municípios, nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. Saiba mais sobre a metodologia lendo este texto.

Para chegar a 2.500 entrevistas que preencham proporcionalmente (conforme aparecem na sociedade) os grupos por sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica, o PoderData faz dezenas de milhares de telefonemas. Muitas vezes, mais de 100 mil ligações até que sejam encontrados os entrevistados que representem de forma fiel o conjunto da população.

HIGHLIGHTS DEMOGRÁFICOS

A pesquisa do PoderData também trouxe os recortes por sexo, idade, região, escolaridade e renda dos entrevistados, com os percentuais de quem mais apoia, rejeita ou considera que a obrigatoriedade da imunização só deve ser imposta aos grupos de risco.

Quem mais defende a vacina obrigatória:

  • quem tem 60 anos ou mais (75%);
  • os que ganham até 2 salários mínimos (70%);
  • moradores do Sudeste (65%);
  • mulheres (64%).

Quem mais rejeita: 

  • quem ganha de 2 a 5 salários mínimos (55%);
  • os que ganham de 5 a 10, e mais de 10 salários mínimos (48% em ambos);
  • moradores do Centro-Oeste (45%);
  • pessoas com ensino superior (41%).

BOLSONARISTAS REJEITAM MAIS

Quase metade (49%) do grupo que avalia o presidente como “ótimo” ou “bom” discorda da obrigatoriedade. O percentual é menor (21%) entre quem rejeita Bolsonaro ou considera seu trabalho regular.

Segundo Bolsonaro, seu governo não vai obrigar à vacinação.

PLANO NACIONAL DE IMUNIZAÇÃO

O Ministério da Saúde anunciou na 3ª feira (1.dez.2020) que o Plano Nacional de Imunização contra a covid-19 só ficará pronto quando houver uma vacina registrada na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

O secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros, afirmou que a vacina “precisará mostrar seus dados de segurança e eficácia para a população brasileira”.  Ele também disse que o Brasil tem o principal programa de imunização do mundo e vai usá-lo para a aplicação da vacina contra a covid-19.

Poder 360.