Alimentação, cultura e sacralidade

Padre João Medeiros Filho

Sempre tive admiração pela gastronomia, envolvendo arte e criatividade culinária, laboratório de transformações e combinações de gêneros alimentícios, expressão cultural e antropológica. Visa a alimentar com qualidade o ser humano, imagem e semelhança de Deus. Daí, sua sacralidade. Nossa corporeidade é tabernáculo divino. “Não sabeis que o vosso corpo é santuário daquele que habita em vós, o Espírito Santo que recebestes de Deus?” (1Cor 6, 19-20). Além da teologia, literatura e música, a gastronomia sempre me cativou. Um dos meus sonhos era instalar em Caicó uma graduação nessa área de conhecimento para proteger também nossas tradições culturais seridoenses. Em 2005, elaborei um projeto pedagógico de um curso de gastronomia, enviado pela diocese caicoense ao MEC. Entretanto, na vacância do bispado, o administrador diocesano não acompanhou o processo nas instâncias ministeriais, tendo sido arquivado. 

A UniCatólica do Rio Grande do Norte, sediada em Mossoró, brindou o estado com um “Centro de Nutrição e Gastronomia”. O alimento é uma dádiva divina. Tem-se o hábito religioso de rezar, antes e depois de tomar a comida, reconhecendo o seu valor espiritual. O primeiro milagre de Cristo aconteceu num banquete de casamento. A Eucaristia, o mais tocante e místico dos sacramentos, nasceu durante uma ceia. O relevante alimento cristão originou-se da transubstanciação do pão. Cristo se definiu: “Eu sou o Pão da Vida” (Jo 6, 35). Pão e vinho foram transformados em elementos teológicos.

O escritor Rubem Alves aconselhava: “Antes de iniciar o itinerário da aprendizagem, alunos e docentes deveriam passar por uma cozinha.” O verdadeiro mestre deve agir como um bom cozinheiro. Demonstra seu talento na medida em que suscita fome. Os banquetes não têm início com a comida servida. Eles começam com a fome. O artífice da cozinha deve antes de tudo dominar a tática de produzi-la. Por ela mede-se o sabor. É isso que o verso de Adélia Prado testemunha como um mantra: “Não necessito de faca nem queijo; quero fome.” A primeira tarefa dos profissionais de gastronomia reside na capacidade de despertar o desejo. São significativas as palavras de Jesus: “Desejei ardentemente comer esta Páscoa convosco” (Lc 22,15). A cozinha nos torna sonhadores, criativos e transformadores. Para Richard Wrangham, da Universidade de Harvard, “o aparecimento da cozinha permitiu a nossos antepassados multiplicar as dimensões do cérebro.” Junto com a mesa, ela não reduz o mundo, amplia-o surpreendentemente.

Em seu ensaio “O cru e o cozido”, o antropólogo Lévi-Strauss debruça-se sobre alguns elementos que descrevem a origem da cozinha. De suas descobertas fica claro como ela é indispensável ao ser humano em sua dimensão filosófico-cultural. O cru representa o estado natural, quando o homem se alimenta apenas daquilo que encontra acessível a seu redor. O cozido é o salto, representando uma das transições antropológicas vertiginosas, isto é, a passagem da natureza para a cultura. A mesa documenta o dado biológico e simbólico. Há um conhecimento tipicamente humano, que passa pela cozinha e só através dela se decifra. A culinária é um tema particularmente denso, onde se avultam e colhem alguns dos códigos mais intrínsecos das culturas. É lugar comum afirmar que cozinhar é uma arte. Consiste num poderoso sistema icônico, num observatório pleno de práticas essenciais e sentidos. Os antropólogos insistem que, ao se entender o desenvolvimento de uma refeição, queda-se na posse de valores, hierarquias e estruturas do grupo humano nela envolvido. 

Não parece despropositado falar de uma autêntica teologia alimentar, identificada nos textos judaico-cristãos. A revelação bíblica é uma forma de alimento e o contato com a Sagrada Escritura se constitui em relevante iniciação aos sabores da vida. As escolhas nutricionais sedimentam a identidade cultural e religiosa. A torrente de passagens bíblicas referentes à mesa e aos alimentos não são meras notas marginais, destinadas a ser etiquetadas sob a categoria de curiosidades. Bíblia e comida são princípios da vida. Nutrir-se é bíblico, enquanto condição indispensável para existir. Mas, saber viver depende da dimensão transcendente apontada pela Bíblia, palavra inspirada e revelada. Assim, ela convida-nos: “Vós que estais com sede, vinde às águas… Por que gastais o dinheiro com aquilo que não é pão?… Comei o que é bom e vossa alma se deliciará” (Is 55, 1-2). 

A água e sua sacralidade

Padre João Medeiros Filho

Nos meus tempos de jovem padre, ao adentrar numa sacristia, havia em destaque um quadro sobre uma cômoda, afixado na parede, contendo os nomes do papa, do bispo local e a indicação da “oratio imperata”. Esta era uma oração obrigatória, determinada pela autoridade diocesana, a ser rezada na missa, em alguns períodos. De dezembro a março, costumava-se recitar a prece “ad petendam pluviam” (para pedir chuvas). Nas comunidades romanas dos primeiros séculos do cristianismo, nos períodos de maior estiagem, costumava-se realizar o canto processual das ladainhas (conhecido por rogações), suplicando a clemência divina para enviar chuvas. As tradições vão sendo esquecidas e abandonadas, mesmo no catolicismo.

O Rio Grande do Norte conheceu a luta de Monsenhor Expedito Sobral de Medeiros por água potável e abundante. Seu engajamento nessa causa foi marcante, a ponto de seu nome ter sido aposto a uma adutora potiguar. Citava amiúde a Declaração Universal dos Direitos Hídricos, assinada por vários países em 1992, no Rio de Janeiro. Consta do seu artigo 4º: “O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos.” O inolvidável pároco de São Paulo do Potengi compreendeu os gestos de Cristo, ao demonstrar sua predileção pelo precioso líquido.

A água é um elemento sagrado, essencial à vida, exaltado na Sagrada Escritura. No princípio, “o espírito de Deus pairava sobre as águas” (Gn 1, 2). No dilúvio, “elas purificaram a terra” (Gn 7,10-24). Moisés realizou a travessia dos hebreus pelo Mar Vermelho, libertando-os do opróbio dos egípcios (Ex 14, 21ss; 15,1-21). No deserto, fez brotar da rocha uma fonte para saciar a sede do povo peregrino em busca de Canaã (Nm 20, 10). Em seu batismo, Cristo foi banhado no Rio Jordão (Mt 3, 13). Na cena do juízo final, ouvir-se-ão palavras que fazem parte das Obras de Misericórdia: “Tive sede e me destes de beber” (Mt 25, 35). Fomos aspergidos ou molhados nas fontes batismais e inseridos na comunidade cristã. O corpo humano contém mais ou menos sessenta por cento do fundamental líquido, indispensável ao funcionamento dos órgãos. No catolicismo, sua importância é tanta que em todas as bênçãos o sacerdote asperge as pessoas ou objetos.

Nos evangelhos, Jesus apresenta-se marcadamente aquático. Foi batizado no Rio Jordão (Mt 3,13-17). Posteriormente, tornou o precioso líquido matéria do sacramento do batismo, por considerá-lo um princípio vital. Dessedentou-se no Poço de Jacó, onde tocou o coração da samaritana, trazendo-a de volta à graça divina. Navegou, muitas vezes, pelo Mar da Galileia (Mc 6,45). Fez dele e das barcas sua cátedra (Mc 4,1-2; Lc 5,1-3). Nos momentos de medo dos apóstolos, ordenou às ondas do mar que se acalmassem (Mc 4,39) e, em outra ocasião, caminhou sobre elas (cf. Jo 6, 18). Certa feita, determinou que dois discípulos seguissem um homem carregando um cântaro contendo o importante líquido (Mc 14,13). Durante a Última Ceia, tomando jarro, bacia e toalha, lavou os pés de seus apóstolos (Jo 12,1-17), gesto repetido nas celebrações litúrgicas da Quinta-feira Santa. No Calvário, pendendo do patíbulo da cruz, de seu lado aberto por uma lança “jorraram sangue e água” (Jo 19,34), símbolo da Eucaristia. Prometeu que do interior de quem nele acreditasse, jorrariam torrentes vivas (Jo 7, 37-39). Segundo os evangelistas, Ele escolheu os doze seguidores, transformando-os em “pescadores de homens.” (Lc 5, 11).

Não se pode esquecer: foi diante de um rio, lago ou mar que Cristo começou a sua Igreja, convocando os primeiros discípulos. Certa feita, passando pelo Mar da Galileia, viu Pedro e André lançando ali as suas redes. Diante desta cena, Jesus dissera-lhes: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.” (Mt 4, 19). De igual modo, chamou os irmãos João e Tiago, que lavavam e consertavam as tarrafas (Mc 1,14-20; Mt 4, 18-22). Voltando à nossa atualidade: nosso preclaro confrade Woden Madruga costuma fazer valiosas anotações e interpretações, acompanhando cuidadosamente a precipitação pluviométrica na região nordeste. Neste início de ano, diante da escassez das reservas hídricas, deve-se rezar pedindo um copioso inverno. Lembremo-nos da promessa de Deus a quem Lhe rogasse com perseverança e fé: “Derramarei água na terra sedenta e torrentes sobre o solo ressecado” (Is 44, 3).

Marcas de intolerância e intransigência

Padre João Medeiros Filho

Na sua época, Cristo estava cercado desses gestos. Judeus e samaritanos se odiavam (cf. Jo 4, 9). Os homens tratavam as mulheres como inferiores. Os líderes religiosos judaicos desprezavam o povo (cf. Jo 7, 49). Sintomática é a frase de Tiago e João diante da recusa dos habitantes da Samaria em receber o Mestre: “Senhor, quereis que mandemos descer do céu fogo para que os destrua”? Porém, Jesus os repreendeu. Nos últimos tempos, tem-se a incômoda sensação de que as manifestações públicas de intolerância e intransigência aumentam. Muitas, lamentavelmente, alimentadas por lideranças políticas, religiosas e midiáticas. É verdade que, no Brasil, ao longo dos anos, não se viveu apenas de coerências, convergências, similaridades etc. A vida é complexa. Tem-se de lidar consigo mesmo e com outros, em meio às divergências, dúvidas, diferenças e contradições. Por isso, um desafio para o ser humano é coexistir e conviver. Não é fácil escolher o que representa um bem para si e os semelhantes.

Nisso emerge a ética e dela a responsabilidade cada um por suas atitudes e as consequências para si e a sociedade. Por isso, a tolerância – atitude de aceitação e respeito àquele que diverge – exige uma postura ética. Para a convivência harmônica, não é obrigatório ter os mesmos estilos de vida, crenças, ideologias e opiniões. Divergência e discordância são componentes da diversidade humana, compondo o encantador mosaico da vida. O apóstolo Paulo já aborda tal pluralidade na metáfora do corpo na Carta aos Coríntios (cf. 1Cor 12, 1ss). A tolerância não consiste em aguentar ou suportar. Trata-se do reconhecimento implícito e explícito do direito que cada um tem de ser aquilo que é, ou continuar a ser. Hoje, fala-se tanto em democracia. Mas, quem mais usa o termo, em geral, age impositivamente. A regra de ouro do cristianismo, contida no Sermão da Montanha, reflete o postulado de ser diferente e o dever do respeito: “Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei-o, vós também, a eles.” (Mt 7, 12). Então, qualquer postura deve ser aceita? Não. Por isso há regras de convivência que passam pelos deveres e direitos.

É preciso agir coletivamente para se garantir o direito de ser e existir. Corruptos precisam responder pelo uso abusivo e ilegal de recursos que devem garantir a vida. Racistas e sexistas devem ser punidos ao tratarem com inferioridade um ser humano. Quem abusa da liberdade de expressão para ofender e violentar com palavras e atos aquele que não se aceita como igual (ou de quem se discorda) deve ser punido. A intolerância é fundamentalmente a negação do direito de o diferente existir. É visão unilateral da vida, concepção exclusivista e impositiva da existência. Apresenta-se como tradução da egolatria. Decreta-se certo e verdadeiro o que lhe agrada ou convém. Daí, a tentação de uma única concepção de mundo. Quem é intransigente deseja impor o pensamento com o qual se identifica. Há quem chegue até a usar da força física e violência. Não faltam os arautos da liberdade e democracia, mas a seu modo e segundo seus interesses. Concretiza-se em preconceitos, discriminação e ódio.

Tais atitudes manifestam-se em ações coletivas particularizadas e concretizadas em segregações e exclusões. Por vezes, também se revertem em ações coletivas organizadas: atentados, invasões, assassinatos etc. Tais práticas podem igualmente ser assumidas por governantes e reverter em políticas ou transformar em leis, que interessam a alguns (grupos e partidos) e não à coletividade. Disto resulta a discussão entre oportunismos, legalidade e legitimidade. Nem tudo aquilo que é posto como lei pode ser considerado justa e legitimamente humano. A intolerância não tem idade, gênero, cor, classe social, nacionalidade, nível de instrução, religião. Não é sinônimo de “direita” ou “esquerda”. É própria de quem não quer lidar com as dessemelhanças dos humanos. Reconhecer a própria intolerância (deixar de se ver como centro do universo) é o grande passo da superação de atitudes ditatoriais. É preciso fazer política de forma respeitosa, na qual todos tenham o mesmo lugar e oportunidade. Convém lembrar o pensamento do apóstolo Paulo: “E se tiverdes outro modo de pensar, cabe a Deus esclarecer, só Ele é Juiz.” (Fl 3, 15).

A mensagem da Epifania do Senhor

Padre João Medeiros Filho

A palavra Epifania deriva do grego, cujo sentido é manifestação ou aparição. No Brasil, após a supressão do feriado nacional do Dia de Reis em 1967, celebra-se a Epifania no primeiro domingo do ano a fim de ressaltar a importância da festa. Os demais países permanecem comemorando-a no dia 6 de janeiro. Jesus manifesta-se àqueles que não faziam parte do povo da Antiga Aliança. Nasceu para mostrar que o Amor de Deus pelos homens não tem discriminação. Ele é Pai de todos. “Deu-nos o espírito da adoção pelo qual chamamos Deus de Abba, Pai” (Gl 4, 5). Atualmente, vive-se num mundo egoísta, sem fraternidade, em contradição aos propósitos de Natal. Cada vez mais as pessoas se fecham, revelando-se insensíveis e indiferentes. Cristo, apesar de sua grandeza, fez-se pequeno e humilde para não amedrontar. Mesmo os desconhecidos são recebidos com ternura e respeito. É uma das lições a ser tirada da viagem dos Magos, que acorreram a Belém para visitar o Menino. A partir da vinda de Jesus, “já não há judeu nem grego” (Gl 3, 28). Deus cuida de seus filhos, eis um dos ensinamentos da Epifania do Senhor.

Sentir a presença de Cristo é fruto de busca e caminhada. Pouco importam condição social, raça, língua ou ideologia. Ele é Irmão Universal. Nasceu tanto para os pastores como para os estrangeiros do Oriente, cuja religião divergia daquela de seu povo. Deus respeita e acolhe a religiosidade de cada um. Impressiona-nos o relato de Mateus a respeito da indagação dos Magos sobre o local do nascimento do Salvador e a ignorância de Herodes e dos poderosos de seu tempo. “Onde está o Rei dos Judeus, que acaba de nascer?” (Mt 2, 2). Por vezes, nossa alienação mística é idêntica. Cristo está perto de nós e não O identificamos. Falta-nos o desejo de busca e descoberta do divino. Os Magos viajaram por terras estranhas, enfrentaram adversidades, inclusive climáticas. Entretanto, foram recompensados com a alegria do encontro. Não apenas físico, mas espiritual, em comunhão com o Menino-Deus.

Caminhar, procurar e rezar são gestos dos Magos. “E prostrando-se O adoraram” (Mt 2, 11). Exemplos para o mundo moderno: saber ir à procura do Transcendente. Jesus revela a face divina a toda humanidade, representada pelos que vieram do Oriente. O Amor de Deus é infinito. Ele age, além de nossas barreiras ideológicas ou religiosas. Foram abolidos direitos e privilégios. A graça divina inunda o coração daqueles que aceitam o Salvador. É o que se pode sentir no evento da Epifania.

Em todas as pregações e ensinamentos Cristo mostra que é inconcebível a exclusão espiritual. É incoerente uma comunidade cristã que discrimina pessoas e se fecha como gueto, seita ou clube de privilegiados. Ela não poderá ser chamada cristã, pois Jesus é abertura e misericórdia divina estendida para levar perdão e amor. As atitudes de Cristo demonstram que Ele veio para todos. Não se curvou às estruturas do seu tempo nem se deixou escravizar pelas regras das instituições e poderes. É o Amor, que não se prende nem se esconde. É Vida, que não se aprisiona nem se aniquila. É o Infinito, o Eterno. Impossível limitá-lo ou não o reconhecer.

A Epifania é festa das virtudes da fé e humildade. O homem, mesmo dotado de inteligência, sabedoria e erudição (presentes nos Magos do Oriente) deve dobrar os joelhos diante de uma Criança e reconhecer nela a Divindade latente. É o legado dos Magos, movidos pela fé, na caminhada que os leva aos pés do Salvador. Baltasar, Belchior e Gaspar encontraram Cristo. Eis a felicidade maior do coração humano! Diz-nos a narração do evangelho de Mateus: “E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o Menino” (Mt 2, 9). Era o sinal para encontrar Jesus na dimensão espiritual, que se traduz na proximidade e comunhão com o sagrado. O profeta Isaías faz-nos um convite inadiável: “Levanta-te, ilumina-te, porque chegou a tua Luz. E a glória do Senhor raiou sobre ti” (Is 60, 1).

A chegada de um Novo Ano

Padre João Medeiros Filho

No dia primeiro de janeiro, no calendário litúrgico da Igreja, celebra-se a solenidade de Maria, Mãe de Deus. Ela é o sacrário ou tabernáculo do Príncipe da Paz. Na Virgem Santíssima uniram-se o Criador e a criatura. No seu coração palpitam o Eterno e o temporal. Nela, o Onipotente uma vez mais demonstrou sua vontade de nos amar. Maria é plena de Graça e de Deus, por isso Rainha da Paz, como proclama a Ladainha Lauretana, a ela dedicada.

O que gera a violência é a ausência de Deus, deixando a criatura humana sem rumo. O pecado leva à guerra, qualquer que seja a sua manifestação ou dimensão, negando a nossa fraternidade humana e cristã. No alvorecer de um Novo Ano, em homenagem a Nossa Senhora, comemora-se também o Dia Mundial da Paz. Esta data foi criada em 1967, pelo Papa Paulo VI. 2026 terá como tema, escolhido por Leão XIV: “A paz esteja com todos: rumo a uma paz desarmada e desarmante.”

Desejamos a todos um ano de graça e concórdia, diálogo e encontro. Que em 2026 sopre constantemente a brisa suave da Paz, alegria e esperança. Envolvam-nos ondas de amor, ânimo e coragem. Praza aos céus que a saúde faça morada em nosso corpo e nossa mente. Que desvaneçam a mentira, as agressões, a desarmonia, a injustiça e o espírito de vingança. Possa a fé nos envolver e fortalecer para enfrentar os desafios do ano que desponta. E que as maravilhosas bênçãos divinas se irradiem por toda a humanidade e pelo mundo inteiro.

Um Ano Feliz para todos, fecundo de Deus, sem tristezas e sem muitos sofrimentos e com um copioso inverno. São os votos de Padre João Medeiros Filho e seus familiares. Um abraço fraterno e minha bênção sacerdotal.

Que a benção de Deus Todo-Poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo desça sobre vós e em vós permaneça para sempre. Amém.

Missa vai celebrar 30 anos de episcopado de Dom Jaime Vieira Rocha

Dom Jaime Vieira Rocha foi arcebispo metropolitano de Natal durante 11 anos | Foto: Brunno Antunes

O arcebispo emérito de Natal, Dom Jaime Vieira Rocha, celebrará 30 anos de ordenação episcopal, dia 6 de janeiro. A data será marcada pela missa em ação de graças, às 9 horas, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação (antiga Catedral), na Cidade Alta, em Natal. A celebração, presidida pelo aniversariante, reunirá bispos, padres, diáconos, religiosos, religiosas, familiares, autoridades civis e o povo de Deus, em geral.

Ordenado por São João Paulo II

Dom Jaime Vieira Rocha foi ordenado bispo, no dia 6 e janeiro de 1996, na Basílica de São Pedro, em Roma, pelo Papa João Paulo II, adotando como lema episcopal “Scio cui credidi” – “Sei em quem acreditei” (2Tm 1,12).

Ao longo de três décadas de episcopado, exerceu o ministério como bispo da Diocese de Caicó (RN), bispo de Campina Grande (PB) e, posteriormente, como arcebispo metropolitano de Natal, entre 2012 e 2023.

Durante os 11 anos em que esteve no governo da Arquidiocese de Natal, muitas ações foram idealizadas, realizadas ou contaram com a participação dele, seja em nível arquidiocesano ou junto a outras instâncias eclesiais ou da sociedade. Entre as ações, pode-se destacar as visitas a instituições da sociedade civil, as constantes visitas às paróquias, a assentamentos rurais e comunidades menos favorecidas, a realização de cinco edições da Caminhada da Solidariedade, instalação do Tribunal Eclesiástico Interdiocesano, migração da Rádio Rural de Natal de AM para FM e o projeto de energia solar para todas as paróquias da Arquidiocese, bem como a organização dos conselhos pastorais paroquiais de assuntos econômicos e administrativos e a implantação do sistema administrativo cúria online. Foi no governo de Dom Jaime que também aconteceu a canonização dos Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, no dia 15 de outubro de 2017, em Roma.

Atualmente, Dom Jaime integra a Comissão Especial para os Bispos Eméritos da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

SERVIÇO
O QUE: Missa em ação de graças pelos 30 anos de episcopal de Dom Jaime Vieira Rocha

DATA: 6 de janeiro de 2026, às 9h
LOCAL: Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação (antiga Catedral), na Cidade Alta

Tribuna do Norte

Igreja Alfa e Ômega promove confraternização com fiéis em Parnamirim

Uma noite especial e diferente da rotina habitual dos cultos marcou a confraternização de fim de ano da Igreja Alfa Ômega, realizada em Parnamirim. O pastor João Maria Ricardo reuniu os fiéis para um momento de comunhão, celebração e gratidão a Deus por mais um ano de caminhada espiritual.

O evento contou com a participação da banda gospel Siga-me, que conduziu momentos de louvor e adoração, envolvendo os presentes em um clima de fé e alegria. A ministração da Palavra ficou a cargo do pastor João Maria Ricardo, que destacou a importância da união, do amor ao próximo e agradeceu a Deus pela presença e fidelidade dos membros da igreja ao longo do ano.

Após o momento religioso, os participantes desfrutaram de um grande jantar, preparado e servido com carinho pelos próprios membros da igreja, reforçando o espírito de fraternidade e serviço que caracteriza a comunidade. A confraternização encerrou a noite com alegria, fortalecendo os laços entre os fiéis e renovando a esperança para o novo ano que se aproxima.

 

Fiéis festejam Nossa Senhora da Apresentação, padroeira de Natal, em missa na Pedra do Rosário

Fiéis madrugam na Pedra do Rosário para celebrar Padroeira de Natal – Foto: Selton Gleydson

Milhares de fiéis participaram, às 5h, desta sexta-feira (21), da Santa Missa festiva da alvorada, na Pedra do Rosário. A celebração foi presidida pelo padre Antônio Nunes de Araújo e marcou o início das homenagens do dia dedicado à padroeira de Natal, Nossa Senhora da Apresentação.

A programação desta sexta-feira, feriado municipal, começou à meia-noite, com a Vigília da Apresentação, conduzida pelas Irmãs do Instituto Hesed, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, antiga Catedral.

Às 3h30, centenas de fiéis participaram da procissão fluvial, que partiu do Iate Clube e percorreu o Rio Potengi, em direção à Pedra do Rosário.

Após a missa da alvorada, às 7h30, foi celebrada a Santa Missa Solene, presidida pelo arcebispo emérito de Natal, Dom Jaime Vieira Rocha. A programação seguiu na Catedral Metropolitana, com missa solene às 10h, durante a qual, o arcebispo metropolitano, Dom João Santos Cardoso, recebeu o título de Cidadão Natalense.

Às 15h, a programação prevê louvores e acolhida aos peregrinos e devotos, preparando o público para a procissão com a imagem de Nossa Senhora da Apresentação, que terá início às 16h.

A festa será encerrada com missa presidida por Dom João Santos Cardoso, às 18h, seguida do tradicional show pirotécnico, às 19h30, que ilumina o céu de Natal e marca, oficialmente, o fim das celebrações dedicadas à padroeira.

A Padroeira de Natal e da Arquidiocese

Padre João Medeiros Filho

No calendário litúrgico da Igreja Católica, celebra-se em 21 de novembro a festa da Apresentação da Virgem Santíssima. Recorda-se o momento em que Ela foi levada ao Templo por seus pais Joaquim e Ana. A Bíblia não relata tal acontecimento, que nos é chegado pelos escritos apócrifos. No Oriente, a partir do século VII, comemora-se a festividade da Apresentação nesse mesmo dia, aniversário da Dedicação da Igreja de Santa Maria Nova, em Jerusalém. No Ocidente, atendendo   ao pedido do embaixador de Chipre junto à Santa Sé, a cerimônia foi introduzida no século X pelo Papa Gregório XI. Entretanto, a solenidade foi estendida, em 1585, para toda a Igreja pelo Papa Sisto V. Nas primeiras décadas do cristianismo, o culto à Mãe do Salvador começou a despertar interesse nos fiéis e artistas plásticos, surgindo afrescos e belíssimas pinturas sobre o tema, dentre eles, representações sobre a Apresentação da Virgem. 

No Brasil, a primeira paróquia dedicada a essa invocação, ocorreu em 1599, na cidade do Natal (RN). Escreve Frei Agostinho de Santa Maria: “Na capela-mor, foi colocada uma grande e formosa pintura representando a Santa Menina, levada ao Templo de Jerusalém.” No Bairro de Irajá, na cidade do Rio de Janeiro, em 1644, erigiu-se um templo sob a proteção de Nossa Senhora da Apresentação, elevada à categoria de matriz “ex-vi” do alvará de Dom João IV, datado de 10/02/1647. Trata-se da segunda paróquia brasileira com a citada invocação. Ainda no século XVII, criou-se uma terceira freguesia com o mesmo orago, na cidade de Porto Calvo (AL).

Os mariologistas são unânimes em afirmar que a devoção a Nossa Senhora remonta aos primórdios da Igreja. Ao longo dos anos, explicitam-se paulatinamente as virtudes da Genitora de Jesus, subjacentes no Novo Testamento. As comunidades primitivas inseriam o culto marial no contexto das festas que celebram os mistérios de Cristo. Foi justamente d’Ele que sua Mãe hauriu a relevância, destacada também pelo Papa Leão XIV, em seu recente documento “Mater Populi Fidelis” (Mãe do Povo Fiel). Nos primeiros séculos, existe a preocupação da Igreja de não separar a pessoa e a missão da Virgem Santíssima de seu Filho. O culto à Mãe de Deus tem suas raízes no Evangelho. Após a Ascensão do Senhor, os apóstolos e a primeira comunidade eclesial reuniram-se em torno de Maria (cf. At 1,12-14) a fim de receber o Paráclito. 

Com o anúncio da Boa Nova, a veneração à Mãe Celestial difundiu-se entre os cristãos, pois acreditavam que dela faz parte Nossa Senhora. O bispo Cromácio de Aquileia (347-407) dizia: “Não se pode falar da Igreja, a não ser que aí esteja quem gerou o Filho de Deus.” Os cristãos dos primeiros séculos sempre ressaltaram a excelsa figura da Virgem de Nazaré. A tradição católica e as descobertas realizadas por historiadores e estudiosos de arqueologia atestam que a liturgia celebra a Virgem Santíssima, desde os tempos apostólicos. O fato é testemunhado por efígies e manifestações artísticas sobre Nossa Senhora, encontradas nas catacumbas e em edificações romanas, datando dos albores do cristianismo.  

Sendo Mãe de Deus em Cristo, Ela contempla o Pai eternamente com o seu olhar puro e maternal. Primeiramente, deve-se lembrar que Maria de Nazaré é nossa irmã (ser humano, mas isenta de pecado) e igualmente nossa Mãe, por livre vontade de seu Filho e Dela (cf. Jo 19, 26-27). Por sua ternura maternal colocar-nos-á em contato permanente com o Pai e seu Filho dileto. Não se pode viver sem mãe espiritual. Eis uma razão relevante pela qual o Criador quis, pelo seu Filho amado, presentear-nos um coração materno, pleno de meiguice e misericórdia, face terrena do Divino. Nossa Senhora também é filha da terra e, como nós, peregrina. Ela aspirou e esperou pela Pátria prometida e definitiva, na qual o Reino de seu Filho é uma realidade que nos aguarda. Maria pode amainar as nossas saudades de Deus, pois também aguardou Aquele que seria capaz de trazer a Vida e a Paz. Ela teve sede de salvação e, privilegiada, segurou em seus braços o Salvador. E assim proclama: “A minha alma engrandece o Senhor e meu espírito exulta em Deus, meu Salvador” (Lc 1, 46).

Igreja Matriz de Cristo Rei realiza bênção das canetas no sábado (8)

A Igreja Matriz de Cristo Rei, localizada no conjunto Pirangi, em Natal, vai realizar neste sábado (8) a tradicional Bênção das Canetas, voltada aos estudantes que farão o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2025.

A celebração acontecerá durante a Santa Missa das 17h, e tem como objetivo oferecer um momento de fé, esperança e tranquilidade para os jovens que se prepararam ao longo do ano para as provas.

Durante a missa, os participantes poderão levar suas canetas para serem abençoadas, como gesto simbólico de confiança e entrega a Deus antes do exame.

De acordo com a paróquia, a iniciativa busca fortalecer espiritualmente os estudantes, incentivando-os a enfrentar o ENEM com serenidade. “É um momento de paz e oração, para que cada palavra escrita na prova seja guiada pela luz do Espírito Santo”, destaca a organização

A Igreja Matriz de Cristo Rei fica na R. Juiz de Fora, no conjunto Pirangi, zona Sul de Natal. A participação é aberta a toda a comunidade.

Para refletir no Dia de Finados

Padre João Medeiros Filho

A morte necessita ser aceita, com menos dor e tristeza, mais resignação e resiliência. Tal realidade, passível de demora e sofrimento, depende da estrutura emocional e da crença de cada pessoa. Cabe-lhe o direito de escolher o caminho mais reconfortante, decorrente de sua fé ou espiritualidade. Para uns, quem morreu se reintegrou à mãe natureza. Segundo outros, reviverá nos filhos, netos etc. Muitos asseguram que cada ser humano fará parte de uma energia maior, penetrando noutra dimensão. O cristianismo ensina que a morte é o início da vida em plenitude, a porta de entrada no definitivo, “a aurora da eternidade”, na expressão de Dom Nivaldo Monte. Roberto Carlos, em sua fase mística, manifesta a sua crença: “Além da vida que se tem, existe outra vida além – e assim o renascer – morrer não é o fim.”

A vida flui, realizando os ciclos da existência. Estes abrem-se e fecham, tal é o existir. Isso ajuda a pensar nas vezes em que alguém se mostra egoísta, desonesto, hipócrita e injusto. Mas, deve-se lembrar igualmente os momentos em que se pratica o Bem. As águas do fluir da vida não se interrompem, quando se dorme ou come, nos momentos de tédio, depressão e ansiedade, no choro copioso na solidão do quarto ou na escuridão da noite. “A morte é natural, pois faz parte da realidade biológica. Comer, beber, dormir, sonhar, procriar e morrer integram a natureza humana.” Palavras do meu saudoso médico Dr. Leônidas Côrtes, diretor geral da Casa de Saúde São José, situada no Bairro do Humaitá, Rio de Janeiro (RJ).

O intervalo da vida e os instantes de seu fim são um duro e exigente aprendizado. E disto poucos cuidam. Não se pretende abordar aqui as tragédias em acidentes e assassinatos. Entretanto, é impossível esquecer que no Brasil morrem mais pessoas de violência do que em muitas guerras. Trata-se da banalização da morte e espantosa desvalorização da vida. É importante dizer que “A Moça Caetana”, na expressão de Oswaldo Lamartine, ou a “Indesejada das gentes”, conforme Manuel Bandeira, é dolorosa e de difícil aceitação para muitos. Os cristãos convictos afirmam que somente a fé amaina a tristeza e a dor da separação. 

Quando jovem sacerdote, em Caicó, lá se vão seis décadas, um menino me indagou na sua simplicidade, diante do ataúde de seu avô: “Padre, para onde foi vovô?” Respondi, da maneira mais natural possível: “Ele viajou para perto de Deus. Vai cuidar melhor de você, pois terá mais tempo. Guarde-o bem em seu coração…”  Falar é fácil – dizia a mim mesmo – enquanto comentava isso com a criança. O drama da vida não se encerra com o choque do falecimento. Nesse instante, começa uma segunda indagação. Na primeira, questiona-se qual é o sentido da existência, a razão do que se faz no mundo, o significado dos encontros, desencontros, realizações, frustrações etc. Diante da perda de alguém, interroga-se: “qual o sentido daquilo que muitos pensam ser o fim? E quando chegar a nossa vez?” Em geral, tem-se muito ou pouco medo, dependendo da fé. 

Vale recordar a frase atribuída a Sócrates – condenado à morte pelos cidadãos de Atenas – proferida na hora de beber a cicuta: “Se a morte é um sono sem sonhos, será bom. Se for um reencontro com pessoas amadas que partiram, será melhor ainda. Então, não se desesperem tanto.” Se alguém que não conheceu a ternura de Jesus, falava desse modo, quanto mais os cristãos, que acreditam nas palavras do Mestre: “Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em Mim, ainda que tenha morrido, viverá” (Jo 11, 25). É preciso tempo para integrar à vida a dimensão da morte. Mesmo sem falar em eternidade, não se pode negar que os mortos queridos vivem em nós, ao lembrar seus rostos, vozes, gestos, risos, os belos e difíceis momentos vividos. Repetem-se no milagre genético, nos filhos e netos, ou se perpetuam pela lembrança. Isso não é tudo. Para quem segue Cristo verdadeiramente encontrará resposta e consolo. “Ele enxugará toda lágrima de seus olhos, não existirá mais morte, não haverá mais luto nem dor” (Ap 21,4).

Bíblia, Palavra divina e humana

Padre João Medeiros Filho

A Igreja dedica o mês de setembro à Sagrada Escritura, em homenagem a São Jerônimo (que a traduziu do aramaico, hebraico e grego para o latim), cuja festa litúrgica é celebrada no dia 30. A Bíblia é Palavra divina e literatura. Apresenta peculiaridades distintas dos estilos literários clássicos. Não raro, verifica-se uma visão distorcida dos textos sagrados. Alguns os concebem de forma literal, isto é, apenas denotativa e não conotativamente. Por meio deles, Deus fala ao ser humano. Isto não significa que nada pode ser questionado. Há uma dimensão metafórica nos Livros Inspirados. É importante saber em que consistem inerrância e inspiração bíblicas, até onde vão sua compreensão e extensão. A forma literária, os discursos, contextos culturais e históricos não são necessariamente inspirados do ponto de vista bíblico-teológico. Tais elementos consistem no contributo das comunidades da época. Dir-se-ia que o Antigo e o Novo Testamento são uma obra em coautoria. O homem dá a sua colaboração, presente no estilo e no modo de narrar ou escrever. Deus inspira conteúdo e mensagem.

A literatura tem uma força própria de expressar a realidade, de maneira rica em significados simbólicos. A poesia, em especial, consegue fazê-la de um modo que a linguagem habitual não realiza. A Bíblia é como um grande poema. Há muito mais do que lemos num texto poético. Assim é a Sagrada Escritura. Com o advento dos métodos históricos e críticos (em especial, a formgeschichte”, teoria das formas), tem-se uma abordagem mais realista dos Textos Sagrados, enquanto produção literária, fazendo superar leituras fundamentalistas e ingênuas. Sem perder o caráter sacro, vai se revelando paulatinamente tecida por mãos humanas. Não se pode esquecer que os escritos bíblicos foram concebidos e grafados, ao longo de séculos, em línguas desconhecidas pela maioria dos leitores atuais. A partir de novas luzes das ciências, identificaram-se nos Livros Inspirados vários estilos e gêneros neles utilizados. Descobriram-se tradições religiosas subjacentes, métodos como os autores trabalharam ao escrevê-los, bem como estruturas literárias e formas. Assim, surgem as abordagens da Sagrada Escritura, sob diversas perspectivas: teológica, sociológica, literária, histórica, antropológica-cultural etc. São enfoques que se completam e ajudam o leitor a penetrar mais profundamente nos Testamentos, percebendo ali a mensagem da Palavra divina.

É preciso possuir certos conhecimentos para adentrar no mundo dos Textos e descobrir a mensagem salvífica e libertadora – que se encontra por trás das palavras – revestida de linguagem humana e carga cultural, implícita em qualquer forma de literatura. Isto permite distinguir aquilo que é classificado pelos exegetas e hermeneutas como: “o dito” e “o afirmado.” Há vários exemplos dessa diferença. Veja-se a narração do capítulo 11 do Levítico. Ali, proíbe-se ao povo da Antiga Aliança o consumo de carne suína. Tratava-se, dentro do contexto daquele tempo, de uma proteção à saúde. A mensagem bíblica atualizada não recomendaria, atualmente, o consumo de alimentos gordurosos, processados, contaminados com agrotóxicos, cheios de conservantes e corantes, danosos ao ser humano. A proibição religiosa de ingerir, à época, carne de porco (dito) traz uma mensagem: evitar alimentos nocivos à vida, dom precioso de Deus (afirmado). Assim, a Bíblia é literatura no tocante ao dito. E quanto ao afirmado, é teologia, mística, espiritualidade e Ética. A mensagem está contida no afirmado. E aqui reside a inerrância bíblica, garante a Igreja. O dito é a roupagem literária daquilo que se quer transmitir a mensagem perene (o afirmado).

Importa saber que na Sagrada Escritura Deus se faz presente, mesmo quando não referido explicitamente. Cada livro bíblico possui estreita relação com o contexto de origem. Apesar de possuir objetivos e destinatários definidos, tem uma mensagem universal e atual. Por fim, propõe um modo de proceder (Ética e Moral), um saber (conhecimento teológico) que decorre da fé em Deus. Isto faz dos livros bíblicos uma literatura especial, que lhe permite ser chamada Palavra de Deus, revelada aos homens. E no tempo e na história humana, o “Verbo [Cristo] se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1,14). Jesus é a Palavra Viva, diante da qual expressou Pedro: “A quem iremos, Senhor, só Tu tens palavras de vida eterna” (Jo 6, 68).

Festa de São Miguel Arcanjo reúne multidão para noite de fé e devoção em Extremoz

A Festa de São Miguel Arcanjo, padroeiro de Extremoz, viveu um dos momentos mais marcantes neste sábado (27). O show do Padre Antônio Maria emocionou os fiéis e consolidou-se como um dos pontos altos da programação cultural e religiosa que celebra os 270 anos da tradição.

Milhares de pessoas lotaram o Largo da Igreja Matriz para acompanhar a apresentação do sacerdote, uma das vozes mais conhecidas e queridas da música católica no Brasil. Com um repertório de fé, esperança e devoção, Padre Antônio Maria transformou a noite em um grande ato coletivo de oração e louvor, embalando o público em coro emocionado.

Entre músicas e mensagens de reflexão, o sacerdote destacou a importância da espiritualidade e da união comunitária. “São Miguel Arcanjo é símbolo de proteção e força espiritual. Estar aqui, partilhando esse momento com vocês, é motivo de muita alegria”, afirmou durante a apresentação.

A prefeita Jussara Sales acompanhou o show ao lado de secretários municipais, vereadores e lideranças locais. Visivelmente emocionada, destacou a relevância da festa para a identidade cultural e religiosa do município. “Esta festa é um patrimônio do nosso povo, um momento de renovação da fé e de fortalecimento dos laços que unem nossa comunidade em torno do nosso padroeiro”, disse.

A noite também foi marcada por momentos de oração e louvor, reforçando a devoção ao Arcanjo protetor. A programação da festa segue com missas, procissões e atrações culturais, reafirmando o evento como uma das maiores manifestações religiosas do município, que atrai todos os anos milhares de devotos e visitantes.

Com apoio da Prefeitura de Extremoz, a Festa de São Miguel Arcanjo chega aos 270 anos reafirmando sua força como símbolo de fé, cultura e tradição.

Espetáculo Auto de São Miguel 2025 celebra fé, cultura e tradição em Extremoz

A cidade de Extremoz se prepara para viver uma noite especial de fé, cultura e tradição com a realização do Auto de São Miguel 2025, no próximo 28 de setembro, a partir das 20h, nas históricas Ruínas da Cidade.

O evento, que já faz parte do calendário cultural do município, resgata a memória e a devoção ao Arcanjo São Miguel, padroeiro de Extremoz, reunindo moradores e visitantes em um espetáculo que mistura teatro, música e religiosidade em um dos cenários mais simbólicos da região.

Mais do que uma apresentação artística, o Auto de São Miguel reforça a identidade cultural do povo extremozense e valoriza o patrimônio histórico local, transformando as ruínas em palco de emoção e espiritualidade.

A programação é gratuita e aberta ao público. A Prefeitura de Extremoz convida a população a participar deste momento único que une devoção e cultura popular em uma noite inesquecível.

Serviço:
📌 Espetáculo Auto de São Miguel 2025
📅 28 de setembro
⏰ 20h
📍 Ruínas da Cidade – Extremoz

Última noite do 3º Mar de Fé em Extremoz reúne mais de 100 mil pessoas

A cidade de Extremoz viveu neste sábado (13) um momento histórico com o encerramento do 3º Mar de Fé. Um público estimado em 100 mil pessoas lotou a arena de eventos do letreiro para celebrar a última noite do festival, que já se consagra como o maior encontro gospel do Rio Grande do Norte.

De crianças de colo a idosos, famílias inteiras se reuniram em um ambiente seguro e acolhedor para viver uma experiência de fé, música e comunhão. O comércio local também saiu fortalecido, comemorando vendas expressivas durante os três dias de programação.

A noite de encerramento reuniu grandes nomes da música gospel. As apresentações da Banda Lagoinha, Izolda Pontes, Rafaella Marçal e Samuel Mariano levaram a multidão ao êxtase de louvor, culminando em uma vigília especial conduzida pela Banda Igreja Redenção, que se estendeu pela madrugada.

“Receber mais de 100 mil pessoas em nossa cidade, em um ambiente seguro, de louvor e união, é motivo de orgulho para todos nós. Esse festival mostrou a força da fé e também o potencial de Extremoz, que ganha cada vez mais destaque no calendário cultural e religioso do Rio Grande do Norte. Nosso compromisso é continuar apoiando iniciativas que unem famílias, fortalecem a economia e elevam o nome da nossa cidade”, destacou a prefeita Jussara Sales.

A idealizadora do festival, Geane Sales, secretária geral do município, também celebrou o resultado:

“Foram três dias inesquecíveis. Ver 100 mil pessoas adorando a Deus em nossa cidade, de forma segura e organizada, é a prova de que o Mar de Fé ultrapassou todas as expectativas. Extremoz entra definitivamente para o calendário dos grandes eventos do Brasil.”

_Impacto social e econômico_

Além da dimensão espiritual, o festival deixou frutos concretos: geração de renda para empreendedores locais e arrecadação para obras sociais da Igreja Batista da Fé, parceira na realização.

Com o encerramento desta edição, Extremoz reforça sua posição como referência no turismo religioso e cultural, mostrando que fé, organização e acolhimento podem caminhar juntos para transformar uma cidade. Para o próximo ano, o público já pediu à prefeita que amplie os dias de programação.