Retiro de Semana Santa da Comunidade Shalom acontece entre 7 e 9 de abril

Foto: reprodução
A Comunidade Católica Shalom promoverá, entre os dias 7 e 9 de abril, o Retiro de Semana Santa, no Colégio Marista, que fica no bairro do Tirol, sempre a partir das 8h, com entrada no valor de R$19,90. 
O Retiro já é tradicional na capital potiguar e todos participam da preparação para a Páscoa do Senhor, com momentos de oração, formações, confissões e a Via Sacra Artística, tudo para favorecer uma experiência autêntica com o Amor de Deus.
Este ano, o Retiro terá como tema: “Cristo humilhou-se e foi exaltado” (Fl 2,8), e trará diversas reflexões sobre como Jesus ensinou sobre a humildade que agrada a Deus e como Ele nos chama a seguir seus passos no mundo atual, tão necessitado de amor e humildade.
A Semana Santa é o momento de refletir sobre a paixão, morte e ressurreição de Jesus, que redimiu os pecados do mundo inteiro com sua oferta de amor. Aproveitar esses dias em movimento de contrição, reflexão e oração, faz com que tudo tenha um significado muito especial, culminando com o Domingo de Páscoa, onde a Igreja celebra a Ressurreição de Cristo.
Serviço
  • Data: 7 a 9 de abril
  • Horário: 8h às 12h
  • Local: Colégio Marista (Rua Apodi, 330 – Tirol)
  • Valor: R$ 19,90

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Significado bíblico das cinzas

Padre João Medeiros Filho
O ato da imposição de cinzas remonta ao Antigo Testamento. O livro de Ester narra Mardoqueu vestindo-se com pano de saco e cobrindo-se de cinzas ao saber do decreto de Assuero (Xerxes I, da Pérsia), condenando à morte os judeus ali residentes (cf. Est 4,1). Atitude semelhante teve Jó, demonstrando o seu arrependimento (Jó 42, 6). Daniel, ao profetizar a tomada de Jerusalém pela Babilônia, escreveu: “Voltei o olhar para o Senhor Deus, procurando fazer preces e súplicas com jejuns, vestido de tecido rústico e coberto de cinzas.” (Dn 9, 3). Após a pregação de Jonas, o povo de Nínive se vestiu de roupas grosseiras, impondo-se cinzas. O rei levantou-se do trono e sentou-se sobre elas (Jn 3, 5-6). Tais exemplos demonstram a prática religiosa de seu uso como símbolo de arrependimento, tristeza, penitência, conversão e dor. Cristo aludiu igualmente a esse costume, quando se dirigiu aos habitantes das cidades de Corazim e Betsaida que não se arrependiam de seus pecados, apesar de terem presenciado milagres e ouvido a Boa Nova. “Se em Tiro e Sidônia tivessem sido realizados os milagres feitos no meio de vós, há muito tempo teriam demonstrado arrependimento, vestindo-se de cilício e cobrindo-se de cinzas”, advertiu o Mestre. (Mt 11, 21).

A Igreja, desde os primórdios, continuou este ritual com um simbolismo análogo. Tertuliano aconselhava o pecador a “vestir-se com um tecido de estopa e cobrir-se de borralho.” Eusébio, primeiro historiador da Igreja, relata que Natálio se apresentou com esses trajes, diante do Papa Zeferino, para suplicar-lhe o perdão.

No cristianismo medieval, quando o penitente saía do confessionário, o sacerdote impunha-lhe cinzas para significar que o “velho homem” tinha sido destruído, dando lugar ao “novo homem” (Ef 4, 24), do qual fala o apóstolo Paulo.

Por volta do século VIII, as pessoas que estavam prestes a morrer, eram deitadas no chão sobre um tecido rude e nelas se jogava pó.

O sacerdote, aspergindo-as com água benta, dizia: “Lembra-te, ó criatura, que és pó e nele te hás de tornar.” (Gn 3, 19). Este rito foi tomando uma nova dimensão espiritual e passou a significar morte ao pecado, em seus diversos aspectos: mentira, orgulho, injustiça, inveja, ódio, violência etc. Assim, com o passar dos anos, tal costume foi associado ao tempo quaresmal. Neste, somos convidados a sepultar o velho homem existente em nós para ressurgir com Cristo, na Páscoa.
Na liturgia atual, as cinzas utilizadas na quarta-feira são obtidas com a queima de sobra das palmas bentas no Domingo de Ramos do ano anterior.

O sacerdote as abençoa e impõe sobre os fiéis, dizendo: “Lembra-te que és pó e nele te hás de tornar”, ou então: “Converte-te e crê no Evangelho.” (Mc 1, 15). Essa cerimônia é um convite à preparação para a Páscoa pela vivência da quaresma, tempo privilegiado para uma revisão de tudo o que nos aniquila em nossa caminhada de fé e amor.
Aceitando tal ritual, expressamos duas realidades fundamentais: a consciência de que somos criaturas efêmeras e nossa fé na ressurreição. Cristo ressuscitou dos mortos, prometendo-nos que também ressuscitaremos.

É conhecida na mitologia grega a força de Fênix, que renasce das cinzas. Isto lembra-nos que delas também nós podemos surgir, como criaturas novas, pela graça inefável de Deus. Elas simbolizam mudança radical, na medida em que representam aniquilamento ou destruição. Por essa razão, somos chamados a nos converter ao Evangelho de Jesus Cristo, mudando nossa maneira de pensar, julgar e agir, libertando-nos da arrogância, do egoísmo e de tudo aquilo que nos afasta de Deus.
A palavra marcante com que se abre a celebração da quaresma – a qual se inicia na quarta-feira, após o carnaval – é conversão. O termo, de origem hebraica, indica mudança interior, dir-se-ia, transformação da mente e do espírito. Foi isto o que Cristo veio trazer com sua mensagem.

Ele indicou ao ser humano um novo caminho e modo de ser e viver.

O apóstolo Paulo, de forma inspirada, o chama de “novo Adão”, qual seja, uma nova humanidade (Rm 5, 12-21).

Arqueólogos afirmam ter encontrado a casa onde Jesus passou a infância

Quando se estuda Jesus Cristo, nem sempre a figura histórica está em harmonia com a divina. Pesquisadores do período em que ele viveu relutam em acreditar que José tenha se deslocado de Nazaré a Belém para Maria dar à luz a criança. A cidade de Belém, que fica na região hoje chamada de Cisjordânia, a cerca de 160 quilômetros de Nazaré, é a terra natal de Davi, onde ele foi coroado rei dos judeus, e talvez tenha sido incluída no enredo a fim de reforçar a profecia em torno do Salvador. A própria data de nascimento foi arbitrariamente fixada pela Igreja Católica para fazer o Natal prevalecer sobre as festas pagãs de fim de dezembro que marcavam o início do inverno no Hemisfério Norte. Assim, foi com certa incredulidade que a comunidade científica recebeu a notícia de que a casa onde Cristo viveu estaria localizada no subsolo de um convento em Nazaré.

A história do Convento das Irmãs de Nazaré, ao norte de Israel, tem origem tão remota quanto a saga do homem — aqui no sentido histórico — que lançou a mais influente religião do mundo ocidental: o cristianismo e todas as suas vertentes. Para entender o caso, é preciso fazer uma breve viagem no tempo. Quando o Império Romano se esfacelou na Itália no século IV, ele ainda prosperou por um milênio no Oriente. Essa nova Roma — cuja capital era Bizâncio, rebatizada de Constantinopla e finalmente de Istambul, na atual Turquia — já havia se convertido ao cristianismo quando começaram as peregrinações às cidades sagradas de Jerusalém, Belém e outras da região comumente chamada de Terra Santa. Em Nazaré, na passagem do século IV para o V, foi erguida uma igreja bizantina sobre a antiga estrutura de uma casa de pedra e argamassa parcialmente escavada na encosta de um morro. Pelo jeito, não era uma residência qualquer, pois o templo, chamado de Igreja da Nutrição (uma vez que seria o local onde Jesus foi criado), passou a ser ponto recorrente de parada de peregrinos até ser destruído, reconstruído e depois consumido pelo fogo, provavelmente no século XIII.

arte israel

Quando freiras francesas se instalaram ali, no século XIX, as ruínas estavam praticamente intocadas havia décadas. Elas então escavaram o subsolo em busca de algo que corroborasse a história de que aquela teria sido a casa de Jesus, mas não tinham os recursos financeiros nem científicos para isso. Ainda assim, conseguiram juntar artefatos para montar um pequeno museu. Em 1914, uma igreja austera no estilo franciscano foi erguida sobre a estrutura que teria sido a oficina de José e batizada com o nome dele, mas a maior parte do sítio arqueológico ficou esquecida.

O assunto só voltaria à tona em 2006, com a chegada ao sítio do professor Ken Dark, doutor em arqueologia e história pela Universidade de Cambridge. Buscando encontrar evidências da igreja bizantina perdida, ele recebeu autorização para estudar o local. Dark tem escrito ensaios desde então e lançou um livro neste ano sobre o Convento de Nazaré, ainda sem tradução para o português. O que o arqueólogo postula é que as ruínas no subsolo são do século I. Usada como cava e cripta pelos bizantinos, a habitação foi mantida razoavelmente preservada ao longo dos anos, o que leva a crer que tinha significado para os cristãos. Ela foi solidamente construída por alguém que dominava o ofício. Teria sido José? Dark admite que não tem prova irrefutável e sim um conjunto de evidências que poderiam sustentar a teoria. José era um artesão hábil, definido no Novo Testamento, em grego, como um “tekton”, artífice que tanto poderia ser um carpinteiro como um pedreiro.

A casa é de pedra calcária, material de preferência dos judeus do primeiro século. Outros artefatos de calcário foram encontrados, bem como potes de cozinha quebrados. Como foi parcialmente escavada na pedra, tem um lance de escadas e teria sido avarandada. Uma das entradas foi preservada, assim como parte do chão original de cal. Mosaicos do período bizantino foram instalados ali posteriormente, indício de que os antigos reconheciam que se tratava de um lugar de devoção.

Segundo a crença, o nascimento do Salvador teria sido anunciado pelo Arcanjo Gabriel a Maria em um local perto da casa de José, onde hoje se encontra a Basílica da Anunciação, a poucos metros do convento. As Irmãs de Nazaré trabalham pela comunidade desde que lá se instalaram. Construíram também uma escola e uma hospedaria para peregrinos, abertas a visitação, contanto que previamente agendada.

Como é comum ocorrer em investigações arqueológicas complexas, o trabalho do professor Dark não escapa ileso. O pesquisador René Salm, especialista nas origens da cristandade, afirma que as conclusões do arqueólogo são apenas interpretativas. Salm argumenta que o subsolo do convento teria sido erguido muitos anos depois do período de Cristo e que a construção era tipicamente usada para atividades funerárias e agrícolas, e não como residência. O Jesus histórico, neste caso, não estaria em conflito com o Jesus divino, mas apenas com a arqueologia — uma ciência tão sujeita a erros e acertos quanto os seres humanos que a estudam.

Publicado em VEJA de 23 de dezembro de 2020, edição nº 2718

Uma sociedade de medos e ameaças

Padre João Medeiros Filho

Sociólogos, historiadores, terapeutas e religiosos advertem para o perigo de uma “civilização de ameaças”. No Brasil, poderes se insurgem uns contra os outros, em mútuas e constantes coerções. Os diversos setores da economia deixam muitos insones. Autoridades sanitárias comentam sobre o eventual colapso da saúde. Governos queixam-se da escassez de recursos para gerir a coisa pública. Pastores de almas preanunciam tempos apocalípticos. Verifica-se a negação do anúncio do cristianismo proclamado pelo anjo, na Noite Santa: “Eis que vos anuncio uma grande alegria.” (Lc 2, 10). A mensagem de Cristo é o aceno de paz e Boa Nova (Evangelho). Outrora, crentes e agnósticos viveram épocas tenebrosas. Não há como esquecer a fogueira da Inquisição e os horrores do holocausto. Houve tempo em que pregadores apontavam a porta do inferno, considerando-se proprietários do céu. Os anos se passaram e ainda se tenta esconder a beleza da doutrina cristã com mantras e adereços ideológicos, ofuscando a ternura cativante do Salvador.

Vive-se numa sociedade ameaçadora. Muitos sentem a dor da angústia e as investidas das ideologias. Estas se servem inescrupulosamente de tudo, máxime da confusão arquitetada pelos profetas do caos. Ao sofrimento físico soma-se o espiritual. Não basta a indignação ética. É necessário solidariedade e compaixão com os outros. O cristianismo é a religião do bom samaritano, na parábola narrada por Lucas (Lc 10, 25-37). “O outro que se assusta e sofre é parte de nós mesmos”, declarou São João Paulo II. Em tempos de medos, precisa-se cultivar a semente da esperança, não obstante tanta aflição. Pairam incertezas, acompanhadas de inquietude e desconforto. Não se pode esquecer que as agruras individuais e a infelicidade coletiva são o preço dos descasos e desigualdades reinantes.

As pessoas vivem tensas, tomadas por constantes sentimentos, notícias e imagens de maus presságios, doença, dor e morte. Isto demonstra que a humanidade vive sob o signo do temor, agravado pela pandemia. O pavor de perder a vida, saúde e emprego, acrescido de palavras atemorizantes, deixa as pessoas confusas e deprimidas. As igrejas têm o dever de confortar e animar o povo, como testemunhara o salmista: “Mesmo se eu tiver de andar por um vale de sombras, não temerei, pois estás comigo.” (Sl 23/22, 4). “E se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8, 31). A Bíblia é pródiga de passagens de alento e encorajamento. Os cristãos devem ser mensageiros da paz, precursores da alegria e da vida.

Atravessa-se o ocaso de uma época. O pôr do sol é belo, justamente por carregar um misto de indefinições e dúvidas. É a “elegante melancolia do crepúsculo”, como lembra Charles Chaplin. Mas, a tristeza – no seu ícone maior da Sexta-feira Santa – traz em seu bojo a potencialidade de transformar a aparente decepção em vida, aurora e luz. Hoje, é preciso pedir com insistência renovada, como os discípulos de Emaús, no entardecer pascal: “Fica conosco, Senhor, pois já é tarde e a noite vem chegando.” (Lc 21, 29). É fundamental que as igrejas relembrem a certeza de que “a luz brilhará na escuridão.” (Jo 1, 5). É compreensível o desânimo que se abate nesse dramático momento brasileiro. Por essa razão, como é bom ouvir as palavras de Jesus: “Estarei convosco todos os dias. Confiança, eu venci o mundo!” (Jo 16, 33).

Nestes tempos difíceis venha a lição dos ipês floridos e a sociedade também possa florescer e frutificar. Oxalá uma nova estação acalme os ânimos exaltados, o radicalismo e o desrespeito aos outros, advindo, frequentemente, do conceito equivocado de liberdade de expressão. A metáfora das craibeiras coloridas ensina aos homens que não é possível antecipar a primavera. No entanto, é factível transformar o “inverno” no despontar (em nós) de um novo ser humano. Ele pode ser belo, fecundo e transformador. Urge arrefecer as emoções e o pessimismo para brotar o amor! O outono dá-nos uma lição: as folhas caem, mas a vida resiste, mesmo em dias sombrios e frios. Saibam todos: Deus cuidará sempre de nós. “Ele é nosso refúgio e seus braços fortes nos sustentam!” (Dt 33, 27).

O demônio do ódio

Padre João Medeiros Filho

Cristo deu aos apóstolos “poder e autoridade para expulsar toda espécie de demônios.” (Lc 9, 1). Na Sagrada Escritura encontram-se os termos: demônio (daimon), significando espírito mau e diabo (diábolos), representando o que divide o ser humano, não necessariamente o anjo decaído. Santo Anselmo de Cantuária dizia: “Há muitos diabinhos escondidos dentro de nós.” E um deles é o ódio, sentimento intenso de aversão, rancor, execração etc. É concretizado em atos de ojeriza ou repulsa contra alguém ou algo. Nele há sempre um desejo oculto ou patente de afastar e destruir. O desdém e o desprezo são também formas de sua manifestação. A lei de talião, contida no Código de Hamurabi, caminhava nessa direção: “Olho por olho, dente por dente.” (Mt 5, 38).

O ensinamento do Senhor é o oposto: “Amai os que vos odeiam.” (Mt 5, 44). No catecismo católico o ódio é um pecado capital, ou seja, cabeça de outros males, atraindo mais “diabos” para cada um de nós. “Legião era seu nome, pois eram muitos” (Mc 5, 9). Jesus veio anunciar o amor, princípio de unidade e antídoto do ódio. “Amai-vos uns aos outros” (Jo 13, 34). O cristianismo é a religião do amor. Aliás, a definição de Deus, encontrada no Novo Testamento, é: “Deus caritas est” (1Jo 4, 16), título e objeto de uma encíclica do Papa Bento XVI, promulgada em 2005.
Teólogos e exegetas analisam as consequências do ódio, que causa divisões, cega e violenta os seres humanos. Segundo São Boaventura, é como “uma planta daninha que corrói a alma de quem o guarda dentro do coração.” Muitos reconhecem a beleza do poema atribuído a São Francisco de Assis: “Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor”. Associado à inveja, causou o primeiro homicídio registrado na Sagrada Escritura, materializado no assassinato de Abel (cf. Gn 4, 8). Odiar é não saber conviver e respeitar as diferenças e divergências. Está na origem da imposição, do totalitarismo e da violência.

O Livro do Gênesis relata que o homem foi plasmado à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1, 27). Este, em sua essência, é comunidade, diversidade, isto é, em termos dogmáticos, Trindade. O radicalismo e a intolerância são negações de nossas raízes divinas. Quando aluno da Universidade de Louvain (Bélgica), causava-me admiração a multiplicidade de etnias e crenças do alunado. O Reitor, Monsenhor Albert Descamps, agradeceu numa missa a presença de discentes de mais de cinquenta nacionalidades. Pertenciam a diversas culturas e religiões, vivendo em harmonia e espírito ecumênico, buscando a riqueza do saber. Outrossim, aquela autoridade acadêmica lamentava que seus compatriotas se desentendessem por conta de um problema linguístico. “Nada é perfeito no país dos homens,” dizia Exupéry.

Além de uma vacina contra o Sars-Cov-2, o Brasil necessita de um antídoto contra o ódio. É hora de apelar aos filósofos, psicólogos, teólogos, pastores etc. para que desenvolvam urgentemente métodos eficazes contra essa insanidade humana, que grassa atualmente pela nossa pátria. O país está sendo corroído pela intransigência. O radicalismo é de alta periculosidade, como as pandemias. Na política de hoje, não há adversários, mas inimigos, que buscam destruir o opositor. Não basta divergir, há que exterminá-lo.

Há anos, presenciei Dinarte Mariz e Walfredo Gurgel, em torno da mesma mesa, dividindo o pão e as ideias. Ambos, durante anos, militaram politicamente em fronteiras opostas. Era saudável vê-los discutindo civilizadamente. Convivi de perto com o saudoso monsenhor e nunca o ouvi pronunciar algo que desabonasse o senador. E este sempre se referia ao sacerdote como um homem de bem, culto, íntegro e digno. Isto faz lembrar o salmista: “Vede como é bom e agradável os irmãos viverem juntos!” (Sl 133/132, 1). Cristo profeticamente rezou por seus discípulos: “Pai, que todos sejam um como Eu e Tu” (Jo 17, 21). O ódio poderá ser debelado pelo perdão, amor e humildade. “Vale muito mais um prato de legumes com amor do que um boi gordo inteiro, regado a ódio!” (Pr 15, 17).