Das grandes e das pequenas coisas

Dr. Marcelo Alves Dias

Por Dr. Marcelo Alves Dias

Há pessoas que têm um tipo de preconceito, digamos, “turístico”. Apesar de possuírem as condições para tanto (físicas, financeiras, de tempo), não viajam para determinados lugares de forma alguma. Normalmente evitam culturas diferentes e/ou países com condições de vida mais difíceis. Bom, fazer o quê? Cada um – se pode, claro – vai aonde quer. Ao menos por enquanto, o nosso direito de ir e vir ainda é sagrado.

Na maioria dos casos de preconceito “turístico”, estamos lidando com tipos cujo horizonte cognitivo/cultural é por demais estreito para poder “aceitar” e muito menos “compreender” outras civilizações. Aqui, paciência. 

Mas, em outras circunstâncias, temos até o contrário. Um tipo erudito de miopia cultural. “É que”, como já dizia o nosso Caetano Veloso, na belíssima “Sampa”, “Narciso acha feio o que não é espelho”. Afonso Arinos de Melo Franco, em “Amor a Roma” (Nova Fronteira, 1982), exemplifica: “Há casos em que a erudição chega a dificultar a compreensão, como o de H. Taine, na parte romana da sua volumosa Viagem à Itália. O sentimento risível de superioridade que aquele francês do Segundo Império nutria em relação ao então novo Reino Italiano faz sua visão de Roma mendiga de emotividade, embora rica de erudição. O resultado é um desajustamento ridículo entre a grandeza romana, que ele identifica, ou antes concede, e as pequenas vicissitudes da vida do poupado turista francês, que são antolhos ao olhar do artista. Nunca a incompreensão do cenário se chocou tanto com o conhecimento da cena. Taine custa a disfarçar seu desamor pela Roma que via, embora existisse, nele, o saber daquela que não podia ver. No entanto, aquela Roma que ele contemplava era, praticamente, a mesma que haviam contemplado Montesquieu, Goethe, Chateaubriand, Stendhal, Byron e Shelley, cujos escritos romanos, até hoje, nos exaltam e enternecem”.

E chego ao meu ponto: gostar e viajar para lugares diferentes/exóticos, “audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve” (como diriam os “trekkies”), não tem necessária relação com o tamanho do nosso cabedal de conhecimento/cultura. É mais uma questão de mentalidade. De “approach”. De “open mind”. De saber flanar, sem preconceitos ou modismos, entre as grandes e as pequenas coisas da vida. E de saber como absorver isso, um conhecimento sensorial e imediato, para o resto da vida. E isso vale tanto para as ruínas da Itália como para as pirâmides do Egito.  

Na edição que possuo de “Viagem à Itália” (Companhia das Letras, 1999), de Goethe, consta: “Em carta de Roma, de dois de dezembro de 1786, cerca de três meses depois de ter iniciado sua peregrinação pela Itália, Goethe alertava os amigos de Weimar: ‘Sigo sendo sempre a mesma pessoa, mas creio ter mudado até os ossos’. Pouco depois, escrevendo dos arredores de Nápoles, o poeta acentuava a transformação: ‘Pareço a mim mesmo uma pessoa totalmente diferente. Ontem pensei comigo: Ou você era louco antes ou tornou-se agora’. (…) Talvez por isso mesmo, desde que pisa solo italiano (‘solo clássico’, como ele diz), Goethe se move em estado de encantamento. Tarefas as mais prosaicas — trocar dinheiro, carregar malas, procurar um quarto — fazem nascer em seu espírito ‘uma elasticidade inteiramente nova’. A cor e o aroma das frutas; os rostos de homens e mulheres; os movimentos dos braços dos veroneses quando caminham; o burburinho das ruas e das oficinas; a poeira da estrada sob as rodas das carruagens. Nada escapa ao viajante, que, de coração aberto, acolhe cada dado dos sentidos como uma dádiva”.

Goethe, talvez o mais célebre dos “viajantes” à Itália de então, um país ainda em formação, “subdesenvolvido” em relação aos Estados Alemães ou à França Imperial, mas pródigo em história e vida, ali esteve – e amou Roma, Verona, Vicenza, Veneza – não como erudito, mas, sim, como poeta e amante. Das grandes e das pequenas coisas. 

Marcelo Alves Dias de Souza
Procurador Regional da República
Doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL
Membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras – ANRL

VÍDEO: helicóptero que levava convidados para casamento cai em fazenda

Um helicóptero que transportou cinco convidados para um casamento caiu neste sábado (7), em uma fazenda em Passos, no Sul de Minas Gerais. A aeronave caiu de aproximadamente 20 metros de altura em uma área de plantação.

Todos os ocupantes foram resgatados com vida e encaminhados para atendimento médico. As causas do acidente serão investigadas.

Nísia Floresta se transforma na capital da beleza potiguar em noite de luxo e sofisticação

Concurso Miss Rio Grande do Norte 2026 reúne autoridades, celebra a beleza feminina e anuncia Parnamirim como sede da próxima edição.

A cidade de Nísia Floresta viveu uma noite de glamour, beleza e sofisticação com a realização do concurso Miss Rio Grande do Norte 2026. O evento transformou o município na capital da beleza potiguar, reunindo candidatas de diversas regiões do Estado em uma disputa marcada pela elegância, pelo brilho e pela valorização da beleza feminina.

A noite foi impecável. O luxo, a produção e a sofisticação das candidatas deram um toque especial à programação, que contou com a presença de diversas autoridades, entre elas o prefeito Gustavo Santos, a vice-prefeita e vereadores do município.

Ao final da disputa, Mariane Dantas, representante da região do Seridó, conquistou o título de Miss Rio Grande do Norte 2026. A faixa foi entregue por Marielle Freire, Miss Rio Grande do Norte 2025, em um momento de grande emoção e celebração.

O promotor do concurso, jornalista Rannier Lira, avaliou o evento como um dos grandes acontecimentos já realizados no segmento da beleza no Rio Grande do Norte. A organização destacou o envolvimento das candidatas, a participação das autoridades e a receptividade do município de Nísia Floresta.

Parnamirim será a próxima sede

Uma das novidades da noite foi o anúncio de Parnamirim como cidade sede da edição 2027 do Miss Rio Grande do Norte.

Representando a prefeita professora Nilda, a secretária Frankilândia participou do evento e reafirmou o compromisso da gestão municipal em receber a próxima edição do concurso, fortalecendo a parceria e abrindo espaço para que Parnamirim também seja palco de uma grande celebração da beleza, da cultura e do talento potiguar.

Com uma noite marcada pela elegância e pela organização, Nísia Floresta encerra sua participação como anfitriã de um evento que celebrou a beleza das mulheres potiguares e já projeta Parnamirim para o próximo capítulo dessa história.